CRITICA MUSICAL / MUSICAL CRITIC

Um blog de Álvaro Sílvio Teixeira

2005/07/31

PRIMO FESTIVAL INTERNAZIONALE DEL VAL DI NOTO


Trinta de Julho, com bastante atraso e depois de discursos, para mim despropositados, de dois politicos em directo para uma tv italiana, deu-se inicio ao concerto por um agrupamento de camara constituido por membros da Orchestra Filarmonica del Teatro Bellini (Catania-Sicilia) durante o qual foram interpretados o concerto para dois violinos e orquestra de cordas de Bach e Music for The Royal Fireworks de Haendel. Iniciou-se o "pequeno-grande" concerto depois de "devidamente" apresentado por dois locutores televisivos, aparentemente famosos, que acreditaram que este espectàculo era um programa parecido com os que habitualmentem fazem. Estiveram omnipresentes ao longo deste primeiro evento do novo festival, comentando, exprimindo o que sentiam, enfim...

A primeira obra teve como solistas Aiman Mussakhajayeva e Vito Imperato, sendo este o primeiro violinista da orquestra. Aiman é dona de uma sonoridade afirmativa e possui uma técnica que se poderia designar como perfeita. Vito tem uma sonoridade mais discreta mas é dotado de um timbre caloroso e requintado. Dito isto pode-se deduzir que foi um belo concerto? Sim. Pode porque o agrupamento que acompanhou os dois solistas é composto por musicos de primeira qualidade que contribuiram para uma bela execuçao de Bach em instrumentos modernos.

Jà em Haendel a direcçao de Lu Jia foi fraca (em Bach melhor teria sido nem ter aparecido a dirigir). Haveria necessidade de maiores contrastes timbricos e dinamicos pois esta mùsica presta-se e necessita disso. Vito no final disse-me que Jia, com quem trabalha habitualmente, é um excelente director dramàtico. Ficou explicada (parcialmente) a sua ineficàcia no barroco...

Devo sublinhar a excelencia dos metais nas dificeis intervençoes que Handel lhes reservou nesta obra. As madeiras também se mostraram de elevada categoria, para além das cordas que foram sempre o (bom) sustentàculo de todo o concerto.

O espectàculo continuou com uma apresentaçao de membros da Accademia Nazionale di Danza que demonstraram numa coreografia classica (neo-clàssica como a designou o excelente bailarino) uma justeza tecnica e uma expressividade que dignificam absolutamente aquela academia. Depois houve um (também despropositado) desfile de moda, entrelaçado com as performances das bailarinas e do bailarino que vieram de Roma (as modelos, pelo aspecto, também me parece terem vindo de Roma ou Milano...). Nessa altura, graças à vacuidade do acontecimento, dediquei-me a trocar ideias com o violinista e outros elementos da orquestra. AST
















2005/07/22

ATÉ AGORA NUNCA TOQUEI CONTEMPORÂNEOS FRANCESES


No final do concerto que Sabine Meyer concretizou no âmbito do Festival de Sintra conversámos com a artista. Uma pequena conversa pois alguns fãs esperavam-na.


Álvaro Teixeira: Quais os seus compositores contemporâneos preferidos?

Sabine Meyer: Vivos?

AT: Sim.

SM: Muitos escreveram para mim. O último foi Manfred Trojan que me dedicou um concerto muito bonito. Castiglioni, um compositor italiano. Escreveu uma peça para o meu grupo de sopros. E outros compositores alemães. Pedrem, que é muito famoso na Alemanha, escreveu-me uma peça solo. Muitos compositores. Bons compositores. Wüthrich...

AT: ?

SM: Não conhece?! É muito conhecido na Alemanha. Escreveu uma peça para dois clarinetes. Para mim e para o meu irmão.

(risos)

AT: Porque acha que o clarinete é muito utilizado na música contemporânea?

SM: O clarinete oferece muitas possibilidades técnicas e sonoras, oferecendo muitas, muitas côres. É muito interessante. A música para clarinete assemelha-se à voz humana. Muitos compositores escrevem para este instrumento.

AT: Nunca pensou em interpretar com instrumentos antigos?

SM: Sim. Já toquei o concerto de Mozart num Clarinete Basset que é o instrumento original. Também toquei com o Quartour Mosaiques.

AT: Christophe Coin...

SM: Exatamente! Utilizei um clarinete da época. E toquei o Brahms com um clarinete Wuestefeld...

AT: Já interpretou, por exemplo, compositores franceses?

SM: Compositores franceses?

AT: Nunca tocou música francesa?

SM: Moderna?

AT: Sim.

SM: Não. Até agora não.

(risos)


Tradução de Inês Salpico














2005/07/21

SABINE MEYER INTERPRETA LUTOSLAWSKI, ALBAN BERG E BRAHMS


A histórica clarinetista apresentou-se acompanhada ao piano pelo norueguês Leif Ove Andsnes. Também veio o violoncelista Heinrich Schiff que participou na interpretação do trio para clarinete, violoncelo e piano op 114 de Johannes Brahms, para além de ter apresentado uma pequena peça do compositor polaco e a sonata nº 3, op 69 de Beethoven, ambas para violoncelo e piano.
O concerto, integrado no Festival de Sintra, aconteceu numa sala abafada do hotel Penha Longa e revelou-nos que a clarinetista tem de facto um interesse maior pela música do século vinte. A única peça "clássica" (neste caso romântica) em que participou foi o trio, único momento em que os três músicos tocaram juntos.

O concerto iniciou-se com os Prelúdios de dança para clarinete e piano de Witold Lutoslawski que são umas peças agradáveis que Meyer usou como "aquecimento", acompanhada por Andsnes que se revelou aqui, como ao longo de todo o recital, um pianista com inteligência e musicalidade (para além da técnica excelente que possui). Já tinha ouvido falar dele e agora acho que deve ser convidado a voltar para nos oferecer um recital a solo.

Seguiu-se a sonata para violoncelo e piano de Beethoven. Todos nós conhecemos esta obra prima da música clássica que existe registada por inúmeros violoncelistas. Muito recentemente saiu uma edição da integral destas sonatas pela dupla Wispelwey / Lazic (que Portugal já teve oportunidade de ouvir em concerto).
Esta introdução foi para explicar porque é inadmissível nos tempos que correm um violoncelista apresentar-se seja no que fôr, muito menos nas sonatas de Beethoven, com desafinações sistemáticas nas tessituras agudas ainda por cima com uma sonoridade pobre, por vezes pouco mais que um silvo. A culpa não é seguramente dos instrumentos em que toca... Tratam-se afinal do Stradivarius "Mara" e do Montagnana "Bela Adormecida"!

Já em Grave para violoncelo e piano do compositor polaco o "cellista" conseguiu uma boa performance, com o apoio eficaz do pianista. Peça esta em que o compositor utiliza práticamente só as tessituras médias e graves do violoncelo.

O mesmo aconteceu no trio de Brahms em que a parte do violoncelo não passa das tessituras médias pois as agudas estão reservadas ao clarinete. O pianista novamente foi a "cola" fundamental da peça onde Sabine Meyer demostrou ser uma intérprete que faz juz à fama que tem.

No final do concerto o violoncelista histerizou quando lhe perguntei se não se sentia mais confortável nos românticos, em Brahms por exemplo, começando a gritar repetidamente: "é uma pergunta estúpida"!!! Dever-lhe-ia ter sugerido para só tocar obras que não utilizem as tessituras agudas. O que é um pouco complicado...

Foi nas Quatro Peças para Clarinete e Piano op 5 de Alban Berg (que antecederam Brahms) que a clarinetista e o pianista conseguiram o que foi para mim o grande momento deste concerto. O controle tímbrico e dinâmico pela clarinetista, a criação de sonoridades e ambiências pelo pianista, resultaram numa visão transcendente destas pequenas peças que foram transformadas numa belíssima "suite" de quatro pequenos-grandes momentos que só por si justificariam a ida à Penha Longa. AST











Na terça-feira, Campos e Cunha disse no Parlamento que os grandes investimentos, como a OTA e o TGV, ainda teriam de ser avaliados. Mas ontem de manhã, no mesmo local, Mário Lino (Obras Públicas) afirmou que a decisão política já estava tomada. http://dn.sapo.pt (2005/07/21)

A questão é, pois, a de compreender o significado da desistência do ministro das Finanças; se o cansaço invocado por Luís Campos e Cunha deve ser interpretado à letra ou se é o reconhecimento de que não é possível governar com rigor, ignorando as exigências dos ciclos eleitorais. http://dn.sapo.pt (2005/07/21)











Las pérdidas, sólo en el sector agrícola, están estimadas en más de 2.000 millones de euros, el 1,5% del producto interior bruto de Portugal. Pero los cálculos son provisionales, porque otros cultivos están en riesgo de perderse en el sur. http://elpais.es (Internacional, 21-07-2005)














2005/07/13

ANN MURRAY E GRAHAM JOHNSON NO FESTIVAL DE SINTRA

Murray provou-nos que continua a ser uma das grandes cantoras da actualidade. Apesar de já não ser uma jovem, a artista demonstrou estar em plena posse dos dotes vocais que a celebrizaram. Ao nível interpretativo está mais madura. O facto de nos registos graves denotar problemas de colocação e emissão não impediu que a cantora oferecesse ao público que se deslocou ao Palácio de Queluz um recital de primeira ordem.

Começemos pelo princípio que foi a cantata Arianna a Naxos de Haydn. Ao nível estilístico deixou muito a desejar pois tratou-se de uma interpetação "a la Karajan". Nada dos fraseados, das inflexões e da espontaneidade de uma Madalena Kosena, por exemplo. O pianista parecia que estava a tocar Brahms... do qual é um exímio intérprete como pudemos comprovar na segunda parte. Salvou-se a voz portentosa da artista e a sua impressionante expressividade que arrebatou o público, num repertório que decididamente faz de uma maneira pouco aceitável nos tempos que correm. Há que atender que se tratam de dois intérpretes de uma geração que vem de uma linhagem romântica ao nível estilístico-interpretativo.

Ainda na primeira parte tivemos as Canções de um Viadante de Gustav Mahler, o primeiro ciclo de uma obra imensa onde o canto interceptou o sinfonismo. Pessoalmente prefiro a versão com orquestra que o compositor trabalhou posteriormente. Apesar de ser o seu primeiro ciclo de lied é já um exemplar acabado da genialidade mahleriana ao qual a versão orquestral dota de uma imponência dramática que o piano não alcança. Murray deu-nos uma leitura tranquila, patente no primeiro lied que contrastou com as versões em andamentos mais rápidos que costumo ouvir, cujo auge dramático foi Ich hab'ein glühend Messer onde a intérprete soube exprimir com intensidade e arrebatamento a grande tensão desta canção que é a penúltima do ciclo que acaba na tranquila assunção mahleriana do drama do mundo. O piano esteve muito aquém do desempenho da cantora. Subtilidades que criam dimensões e ambiências estiveram ausentes para já não falar numa nota errada (entre outras) que estragou, pontualmente, o desempenho da soprano.

Já na segunda parte o pianista esteve muito melhor pois trata-se do "seu" repertório. Tivémos um excelente Brahms, um interessante Peter Cornelius e um José Vianna da Motta que no século vinte compunha como se fosse contemporâneo dos outros dois. Parece ser o drama da criação musical em Portugal... Excluindo evidentemente os "grandes compositores portugueses do século vinte" como Capedeville, Peixinho, Salazar, Brandão, Lima, entre outros que hoje em dia paradoxalmente não são ouvidos. Sinais dos tempos...

O recital acabou com quatro deliciosas e muito expressivas canções populares irlandesas. Da mesma Irlanda que viu nascer Ann Murray. Ast






"Ainda em surdina, mas muito claramente, voltou outra velha ideia: a da inviabilidade de Portugal. Como de costume a pátria inteira espera um salvador", Vasco Pulido Valente, Público, 15-07-2005

Foi o ministro da defesa quem afirmou que se a actual crise não for ultrapassada o que estaria em causa era a própria independência do país. Um ministro da república, mesmo que o pense (e pensá-lo é um péssimo sinal), não o deveria ter dito. Não está nem estará em causa qualquer perca da independência. Portugal no contexto de uma Europa não federal tem simplesmente que se "desenrascar", isto é, encontrar maneiras de ser produtivo e competitivo. E perceber, o país inteiro, que o "ouro do Brasil" materializado, desta vez, nos fundos comunitários vai acabar definitivamente. Perceber que nenhum país pode viver eternamente de "ouros do Brasil". Não vem aí nenhum salvador. Nem vão desembarcar mais "ouros do Brasil" ou "diamantes de Angola". Nem "petróleo de Timor". Nem a virgem vai aparecer aos pastorzinhos da contemporaneidade. De resto parece que adiantou muito pouco em ter aparecido aos outros três... AST









A República despreza as suas instituições. E isso enfraquece a democracia, porque os órgãos que servem para transmitir confiança à população não são respeitados, não se dão ao respeito.
O que é grave neste problema não são a falta de meios, nem sequer um défice de poderes. É a acomodação a esta ideia, perigosa, de que é normal esta «República de faz de conta».
Os partidos, um pilar fundamental do regime, dão o exemplo: aldrabam as suas próprias contabilidades e têm o descaramento de as depositar no Tribunal de Contas. Basta pagar as coimas. Há anos que a farsa se repete. http://www.negocios.pt (14 Julho 2005 13:59)









O Banco de Portugal gastou, em 2004, 41 milhões de euros em pensões de antigos funcionários, mais 4 milhões em relação ao ano de 2003. Nos próximos anos, o banco central conta gastar, através do seu fundo de pensões, 549 milhões de euros com os seus reformados, mais 10% do que esperava despender há um ano. Recorde-se que, depois da polémica com a reforma do ministro das Finanças, Campos e Cunha, José Sócrates prometeu que os regimes de vencimentos e pensões iriam ser revistos. Miguel Beleza, nomeado para presidir à Comissão de Vencimentos do Banco de Portugal, não aufere qualquer remuneração. http://www.acapital.pt (14 de Julho 2005)










A aposta no status quo, a incapacidade de abalar as velhas fundações do São Carlos, para correr com os ácaros que se infestam nas suas madeiras, é mesmo a pedra de toque das épocas Pinamonti. Para quando uma reorganização da orquestra sinfónica portuguesa? E do coro residente do São Carlos. Que está há muito rotinado numa lógica do melhor funcionalismo público? E o enxame de maestros de duvidosa qualidade que acumulam tachos de honorolabilidade e similares? Qual avença solidária que a nação lusa lhes resolveu conceder a troco das suas muito esquecíveis prestações. Confesso que nunca ouvi a orquestra ao vivo. Ouvi-a inúmeras vezes na rádio. Está ainda na minha memória uma memorável apresentação do Requiem do Cherubini na Festa da Música deste ano. O desacerto era tanto que parecia um acerto. A desafinação do coro e da orquestra, o molestar desenfreado da obra do pobre Luigi era de fugir com a casa às costas.
...
Constato que a ópera Barroca está ausente da temporada próxima. Será que o Dr. Pinamonti do alto seu assento programático se deu ao trabalho de indagar as obras de um tal João de Sousa Carvalho? E de um tal Francisco António de Almeida, que a propósito se comemoram os 250 anos do desaparecimento. E o Pedro Avondano? E os 250 anos do Terramoto de Lisboa? E um tal António Teixeira, que em parceria com um tal António José da Silva, cujos 300 anos do nascimento este ano se assinalam, escreveram das mais corrosivas e lúcidas obras acerca da maleita lusitana?
E os compositores portugueses contemporâneos? Conhece? Se calhar não tem tempo. O jet lag é lixado, e quando está na bela Olissipo, o seu cérebro está num outro fuso horário. É dura a vida de um director artístico do São Carlos. http://perusio.com/sao-carlos-2006









Há mais realidade numa ballata de Landini do que numa qualquer adoçicada xaropada neo-romântica. Que para além do mais dura, dura, dura, tal como o coelhinho da Duracell, só que a duração aqui não vem da superior química creativa mas de uma incapacidade de os reagentes passarem por muitos estados intermédios: é uma música falha de ideias. http://perusio.com/ricercare-sgl-2005










Correcção
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Duas palavras, apenas, para corrigir uma imprecisão: Ann Murray é mezzo, e não soprano... A menos que tenha mudado de tessitura ! É verdade que, ao longo da carreira, várias foram as vezes em que interpretou papéis de soprano - Donna Elvira, do Don Giovanni, por exemplo. Quanto ao resto, aprecio o seu blog, que leio com regularidade.
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Il Dissoluto Punito, ossia João Galamba de Almeida
(operaedemaisinteresses.blogspot.com)










Inundações, tempestades e secas. O gelo do Ártico derrete, os glaciares diminuem, os oceanos transformam-se em ácido.
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Por fim, o director da Shell no Reino Unido, Lord Oxburgh, fez um intervalo - mesmo antes da sua empresa ter declarado lucros recorde provenientes essencialmente da venda de petróleo, uma das principais causas do problema - para avisar que, se os governos não tomarem medidas urgentes, "vai acontecer um desastre". Courrier Internacional (edição portuguesa nº14, pág.27)


A temperatura média na Sibéria aumentou três graus centígrados desde 1960, indica um estudo europeu, segundo o qual esta enorme superfície arborizada absorve menos gás com efeito de estufa do que se esperava. http://www.publico.clix.pt (15.07.2005 - 12h06)














2005/07/11

OLGA NEUWIRTH

Nasceu em 1968 algures na Austria e é hoje um dos paradigmas da "nova composição musical". Afastada da inocuidade e pobreza dos "novos neo-clássicos", Neuwirth soube encontrar um caminho pessoal, passando ao lado das estruturações serializantes e o que delas resta. A sua música é trespassada por uma intuição rara que nitidamente induz a escrita numa simbiose entre inspiração e inteligência. A compositora é para além do mais uma intelectual, situação que fica expressa na análise que faz de The Long Rain de Ray Bradbury, que inspirou a sua obra homónima: "a caída sufocante e sem descanço de novas metáforas e descrições no meio das quais está sempre um e único fenómeno que está delimitado; imobilização do significado por movimentos impetuosos dos significantes." (tradução livre minha). Diria que Olga leu Lacan, o que não me espanta mas é admirável para uma artista. Admiráveis são sem duvida as suas criações musicais que abriram mais um sendeiro, com densidade (com "sulco"), nas rotas da contemporaneidade. Ast







O Luxemburgo disse "sim" à constituição europeia. Um sim sob ameaça de demissão do carismático primeiro-ministro que talvez tenha impedido que definitivamente a enregelassem. Jean-Claude Juncker, o último "cavaleiro" com ideais e projectos para a Europa. Bravo!

reprovaram a matemática 70% dos alunos portugueses?! No estado de indisciplina generalizada que se encontra o ensino no reino de Portugal, os alunos aprovados deveriam receber uma medalha do PR no próximo 10 de Junho. E também os professores que conseguiram a proeza de alçar ao sucesso 30% deles.
E que tal a institucionalização efectiva e generalizada de vias profissionalizantes no ensino? Ao que consta, mecânicos, canalizadores, trolhas, etc, não só escasseiam como são caros e mediocres. Vão-nos salvando os imigrantes do leste europeu. Os tais que o Alberto da Ilha não quer na sua área concessionada... O Editor








Ventilada é um belo eufemismo para a falta de arejo em que decorrem estas conversações, com mais seriedade se poderia falar de "hipótese abafada" pelo mais completo e obscuro silêncio que continua a rodear este mistério que é a OSP não ter ficado sediada no CCB. http://arauxo.blogspot.com





Portugal esteve unido à Coroa Espanhola, Olivença como todas as outras localidades lusas. Sempre como parte do Reino de Portugal... ao ponto de ter sido uma das localidades alentejanas a revoltar-se em 1637/38. E, se em 1658 esteve ocupada por Madrid (até 1668), é um facto histórico que toda a sua população, salvo trinta pessoas, resolveu refugiar-se noutras localidades portuguesas, regressando só em 1668, quando a praça voltou para Portugal. E isto quando não se podia ainda falar do ocaso dos Áustrias, que só se deu de facto em 1700. Estamos perante 504 anos de presença portuguesa...mesmo porque em 1658 Olivença foi considerada como parte do Reino de PORTUGAL, recuperada para a administração da coroa espanhola.
Não resisto a recordar que Gibraltar só veio para a Coroa Castelhana, por conquista aos muçulmanos, em 1462, ainda que em 1309 tenha sido conquistada pela mesma, mas perdida logo a seguir. Tendo sido ocupada pela Grã-Bretanha em 1704, e cedida à mesma no Tratado de Utrecht em 1713-14, só esteve integrada em Castela/Espanha durante 242 anos. A História tem ironias divertidas. http://duascidades.blogspot.com





...a Ministra da Cultura refere en passant a "dificuldade maior" que terá sido a aceitação pelos fundadores do "princípio da integração da ONP" na da Casa da Música. Sabe Deus e gostariamos nós de saber que argumentos de argúcia admnistrativa, que é o mesmo que dizer de esperteza saloia, se podem ter invocado contra a medida óbvia e acertada da instalação da orquestra neste equipamento maior da cidade. Honra seja feita à firmeza do Ministério e esperemos que este acordo de "princípio" não se venha a revelar apenas o princípio de mais um equivoco. http://arauxo.blogspot.com














2005/07/09

Claude Simon

Nascido a 10 de Outubro de 1913 em Tananarive, no Madagáscar, prémio Nobel da literatura em 1985, foi a enterrar sábado, 9 de Julho de 2005. Simon combateu com os republicanos durante a guerra civil de Espanha, experiência que transcreveu em "O Palácio", escrito em 1962.






Peu de compositeurs contemporains ont aussi bien réussi à l'opéra que le Belge Philippe Boesmans, né en 1936. On ne voit guère que l'Allemand Hans Werner Henze et le Finlandais Aulis Sallinen pour avoir, comme lui, renouvelé le répertoire lyrique contemporain, longtemps jugé incompatible avec le principe d'innovation cher aux créateurs d'avant-garde. http://www.lemonde.fr (06.07.05-14h32)






A grande ajuda para África seria persuadir o G-8 o IMF, o BM a pôr lá gente que baixe os impostos e contribua para a transparência. Dar dólares e euros ao continente africano para reembolsar banqueiros ocidentais não ajuda a expandir as economias esmagadas por corrupção e impostos. As políticas estúpidas do IMF promovem aumentos do imposto e desvalorizações de moeda inflacionada em África em troca de dinheiro para os governos ocidentais pagarem aos banqueiros de Nova Iorque York. A taxa de imposto é de 30% no Sudão para rendimento per capita de $5.
...
Infelizmente, vai ser difícil impedir que os neoconservadores americanos venham reclamar um “bom velho ataque” ao Irão e Síria. A al Qaeda tem os seus “melhores inimigos” na direita americana. A luta contra a pobreza e a mudança energética ficarão para depois. http://duascidades.blogspot.com


LONDRES (Reuters)
Todas as explosões mataram mais de 50 pessoas no pior ataque sofrido por Londres em tempos de paz. Autoridades disseram que os atentados têm marcas da Al Qaeda. http://br.news.yahoo.com (Sáb, 09 Jul - 09h13)













2005/07/05

PASCAL DUSAPIN


Em 2003 estreou na Ópera da Bastilha o seu quarto trabalho no "género operístico": Perelà, Uomo di fumo é uma obra de grande inspiração conceptual, orquestral e dramática que faz dela uma referência principal do repertório. No mesmo ano da estreia de Perelà, Dusapin compôs Momo, uma ópera para crianças que foi apresentada este ano no Porto. A minha preferida pela concisão estrutural e dramática é MedeaMaterial, já referida numa selecção de cd's que se encontra nos arquivos deste blog.

Dusapin, que foi aluno de Iannis Xenakis, manteve sempre uma independência estética e estilística (tanto em relação aos "novos" neo-classicismos, como em relação às escolas seriais e pós-seriais, como em relação às estéticas do próprio Xenakis) que aliada ao seu talento e inteligência musical lhe garantiu uma personalidade artística singular e inovadora que o alçou à "grande história", sendo hoje um dos "incontornáveis" da criação musical. Aqui fica um excerto de uma entrevista a propósito de Perelà. No idioma em que foi feita. Ast




Bruno Serrou: Avez-vous construit votre ouvrage en pensant à la tradition de l’Opéra de Paris ?
Pascal Dusapin: Ce projet convient parfaitement aux exigences d’un Opéra National comme celui-ci. Mais je n’y ai pas pensé en composant Perelà, bien que ce projet ait été beaucoup plus lourd à réaliser que les trois précédents, puisqu’il m’a demandé trois ans et demi de travail intense et particulièrement exténuant. Mais cet ouvrage reste un problème d’ordre purement technique. C’est-à-dire que lorsque j’ai conçu To be sung pour le Théâtre des Amandiers, j’ai résolu des questions sur la partition elle-même, sur le projet de la représentation, et sur le lieu et les conditions de travail que me proposait ce lieu. Il est évident que quand je suis à l’Opéra National de Paris, qui plus est Bastille, avec tous les enjeux que ce théâtre présuppose, ainsi que l’immensité de la salle, je suis obligé de me poser la question de l’histoire de cette institution. Je peux l’aborder d’un point de vue social, en me disant « oh la la, c’est pesant, c’est politique, c’est mondain, c’est l’Opéra de Paris », ce dont je me fiche éperdument. J’espère être assez honnête avec moi-même. Il est certain que cet Opéra induit non pas une écriture mais une dimension lyrique tout à fait particulière. Mais Perelà ne pouvait qu’être donné dans un lieu comme celui-ci.

B. S. : L’orchestre de Perelà est-il plus vaste que ceux que vous avez mis en jeu jusqu’à présent ?
P. D. : Il nécessite une centaine de personnes, dont trois percussionnistes et un timbalier. Mais ce n’est pas un orchestre hors normes. Les instruments à vent sont par trois ou quatre, et j’y associe une électronique assez discrète, pour engendrer un son que l’on trouvait déjà dans To be sung et qui n’est pas fait pour être clairement entendu. Il s’agit en fait d’un décor sonore réalisé à la Kitchen. Je tenais à ce que tout soit centralisé dans la salle avec les moyens du bord.

B. S. : Qu’en est-il des chœurs ?
P. D. : J’ai fait appel à l’Ensemble Accentus de Laurence Equilbey, parce que je confie aux choristes quantité de petits rôles. Il y a même un très bref passage à quatorze voix réelles. L’Opéra de Montpellier, qui reprend l’opéra peu après, utilisera ses propres chœurs. Mais il m’apparaissait important pour la création de disposer d’un chœur qui corresponde pleinement au projet. En outre, cette œuvre n’a pas besoin d’un chœur aussi important que celui de l’Opéra de Paris, mais d’un ensemble de chambre de trente-deux chanteurs qui font beaucoup de choses.

B. S. : Combien votre opéra compte-t-il de personnages ? Quel est le découpage de l’œuvre ?
P. D. : Il compte une dizaine de rôles et est divisé en dix chapitres.

B. S. : Cette idée de chapitres à un côté biblique !
P. D. : C’est vrai, je n’y avais pas pensé ! C’est en fait un hommage au livre lui-même, Le Code de Perelà.

B. S. : Comment se présente le livre de Palazzeschi ?
P. D. : L’édition originale parue sous le titre Le Code de Perelà date de 1911 ; écrite quarante ans plus tard, la seconde édition est intitulée Perelà, uomo di fumo. Ces deux éditions ne se terminent pas de la même façon. La seconde version se subdivise en dix-sept chapitres, et j’en ai adapté dix. J’ai dû couper beaucoup d’éléments. Sinon, c’eût été impossible, à moins de cent cinquante chanteurs solistes. Cette aventure était également littéraire, puisque j’ai réalisé l’adaptation sans toucher un seul mot de Palazzeschi. Tout est extrait du livre, y compris la structure. Le premier chapitre s’étend sur trente-cinq à quarante minutes, le dixième dure deux minutes. Les chapitres s’enchaînent, mais il y a un entracte pour la symétrie. Les quatre premiers chapitres sont plus longs que les six derniers.

B. S. : Quel rôle attribuez-vous à votre orchestre ?
P. D. : Il est un individu à part entière. Il fait beaucoup de choses différentes et participe à l’intrigue sans émettre aucun avis. Il n’est pas dans la psychologie de l’histoire, mais est une sorte de factotum. Il accompagne, anticipe, commente, prévient, fait monter le suspens, se fait plus ou moins ludique... Il est très vocal au sens choral de la tragédie grecque. Bref, il s’agit bien d’un orchestre d’opéra à part entière !

in http://www.resmusica.com (11/02/2003)







Le label Alpha a décidé de baisser le prix de ses albums de 20%. Défenseur d’une juste cause au sein du concert européen, le fondateur d’Alpha, Jean-Paul Combet, s’engage ainsi pour une « harmonisation nécessaire ».
in www.resmusica.com (01/06/2005)














2005/07/01

KLAUS IB JORGENSEN

Um nome que dirá pouco à maioria dos "melómanos" portugueses. Foi-me recomendado pelo Kami que é um compositor português ainda em fase de "gestação".

Jorgensen nasceu em 1967 algures no reino da Dinamarca e a sua escrita musical introduz não só uma lufada de ar fresco no impasse em que vegetam parte dos criadores da actualidade, como inova. Inovar surge como uma "coisa" que parece muito pouco provável depois de tudo ser re-experimentado e verificarem-se "recolhimentos" de muitos compositores nas estéticas neo-clássicas ou "para-neo-clássicas". Não se percebe se por facilidade, se por mêdo de (tentar) desbravar caminhos, se por pura falta de inspiração.

Por isso me parece tão substancial referir aqui este dinamarquês que trabalha o acordeão, instrumento iminentemente tonal, de uma maneira inteligentemente inovadora num contexto não tonal e na forma de "música de câmara".

A intuição musical e o talento coexistem aqui com a criação de uma estética singular e genial. Um nome a não esquecer porque nos mostra que há vida para além de marte... Ast













e-mail: criticademusicaATyahooPUNTOfr