CRITICA MUSICAL / MUSICAL CRITIC

Um blog de Álvaro Sílvio Teixeira

2005/10/24

BACH E OLIVIER MESSIAEN NA SÉ DE LISBOA

O Vocalensemble Darmstadt, sob direcção de Andreas Boltz, deslocou-se a Lisboa para oferecer um concerto de entrada livre na Sé Patriarcal desta cidade, concerto esse que contou com um público entusiasta que encheu por completo a catedral.

A interpretação de Jesu meine Freud de J. S. Bach, com o qual se iniciou este concerto que não teve intervalos, foi curiosa. Boltz revelou uma visão interessante, nomeadamente ao enfatisar os stacattos nas vozes masculinas que em determinadas passagens criaram um efeito dramático-teatral. Globalmente, este grupo semi-profissional, é bastante bom e deixa a anos-luz alguns côros profissionais.* No entanto há que dizer que o naipe das sopranos nas zonas sobre-agudas tem um ataque ríspido e uma sustentação algo agreste. Sabemos bem que este é um problema que afecta solistas em carreira plena, o que não nos inabilita de o referir em relação ao naipe de um grupo coral.

O interlúdio, chamemos-lhe assim, foi feito com duas peças de L'Ascencion - quatre méditations symphoniques pour orgue, escritas em 1932 por Olivier Messiaen. Ao orgão Gregor Knop.
Alléluias sereins d'une âme qui désire le ciel é uma peça de uma tranquilidade etérea, tal como o nome indica, feita de sonoridades mágicas, que aqui teve uma registação eficaz e uma interpretação convincente. Em transports de joie d'une âme devant la gloire du Christ qui est la sienne, o organista demonstrou o seu virtuosismo inteligente enchendo a igreja com as poderosas sonoridades e agrupamentos de clusters que Messiaen trabalhou com rara intuição. Um grande momento seguido de uma incaracterística interpretação do Stabat Mater de Domenico Scarlatti. Muito mais interessante foi a pequena e extraordinária peça de Maurice Duruflé, Notre Pére, a dez vozes, que se movimenta exclusivamente nas tessituras graves das vozes criando uma ambiência sonora muito especial, que nos oferecida como encore pelo agrupamento alemão. AST


* Para sermos rigorosos só conhecemos um côro profissional que fica a "anos-luz" deste grupo coral semi-profissional: o Côro do Teatro Nacional de São Carlos em Lisboa (sem prejuízo de algumas boas e bons cantores que o integram que não conseguem, óbviamente, controlar o desvario do côro que foi generalizado à própria instituição que agora mais parece o teatro de ópera de um qualquer vilório italiano pago, e bem, com o dinheiro dos contribuintes portugueses).















TREVOR PINNOCK AND FRIENDS

O celebérrimo Trevor Pinnock veio a Lisboa com um grupo de amigos para oferecerem, domingo 23 de Outobro, um repertório algo desgarrado mas que de alguma maneira "colou", dado o vínculo estilístico entre as obras.

O início foi francamente mau com os dois violinos em desafinação frequente e com uma leitura sem "arrebatos". Morna, demasiado morna.

Lucy Crowe, a soprano, denotou logo problemas na tessitura aguda, sobretudo nos saltos do registo médio para o agudo. Claro que todas as cantoras têm problemas nestas passagens. Algumas mais do que outras. Em algumas excessivamente audíveis.

Paolo Grazzi, o oboísta, revelou no Concerto para Oboé e cordas hwv 287 de Haendel uma técnica sólida mas uma interpretação plana. É sabido que no oboé não é fácil jogar com as dinâmicas. Por isso há os grandes oboístas e os oboístas bons...

Na Alleluia do motete Saeviat Tellus Inter Rigores hmv 240, que finalizou a primeira parte, Crowe esteve francamente melhor mas longe, bastante longe, de outras que não seria interessante estarmos a referir.

De um inspirado George Philipp Telemann foi-nos oferecida a Sonata em Trio para violino, oboé e baixo continuo, dos Exercizi Musici twv 42:G5 em que a violinista Beatrix Hülsemann revelou uma excelente leitura. Musical e afinada... Grazzi manteve o seu registo linear e sem rasgos. O "continuo" de Pinnock e de Jonathan Manson, que se revelou um excelente violoncelista ao longo de todo o concerto, foi muito bom.

Um momento que deve ser referido foi a interpretação da Sarabande da Suite em Si bemol maior para cravo e grupo instrumental hww 354, de Haendel. Um momento de inspiração do todo o grupo, muito particularmente de Trevor Pinnock no cravo.

Inspiração que teve o seu auge na bela e genial Chaconne em sol maior hmw 435, também de Haendel.
Pinnock começou tenso e teve de parar. Arrancou de novo com uma nota errada e um fraseado esmagado. Mas rápidamente se percebeu que estávamos frente a uma interpretação dotada de elevada musicalidade, onde o cravista conseguiu um grande balanceamento com um discurso fluído e intenso, superando com facilidade as grandes dificuldades técnicas e dando-nos uma leitura empolgante desta obra memorável. Acabou com uma traquinice prevista pelo compositor: o grupo instrumental acompanhou-o a finalizar uma peça que é para cravo solo. Foi "giro" e o público gostou.

Com a ária de Morgana, Tornami a vagheggiar, da ópera Alcina hwv 34, em que a soprano revelou alguma inspiração e mais consistência interpretativa (ainda que com dois crescendos desiquilibrados e estridentes na tessitura aguda...), onde o grupo revelou alguma espontaneidade rítmica num excerto que se presta a isso (com um dos dois violinos a revelar ainda alguma desafinação), se concluiu um programa com altos e baixos que gorou as expectativas geradas à volta dos dois solistas que acompanharam Trevor Pinnock. O violetista Christian Goosses e a contrabaixista Amanda MacNamara, para além do violoncelista e da primeiro violino já referidos anteriormente, tiveram um excelente desempenho. AST
















PAN AND SYRINX

Estreado em Londres a 14 Janeiro de 1718 Pan and Syrinx de John Ernest GALLIARD é uma "Masque en un acte". No libreto que acompanha o registo que referiremos de seguida aparece como "an opera". Trata-se portanto de uma ópera em um acto com libretto em inglês de Lewis Theobald. Galliard ao contrário do que o apelido poderá induzir é um inglês de origem alemã.

O pequeno tesouro que é Pan and Syrinx, obra contemporânea de Alceo and Galatea de Haendel, foi registado em cd por Jed Wentz que à frente de Musica ad Rhenum nos dá uma leitura excelente. Johanette Zomer, no papel de Syrinx, oferece-nos uma extraordinária interpretação que logo à entrada nos deslumbra com a belíssima ária Free from Soorrow, free from Anguish.

Uma preciosidade gravada entre 25 e 27 de Agosto de 2004 acessível ao preço Brilliant Classics: cerca de sete euros. Trata-se de facto de um duplo cd que como "bónus" nos traz no primeiro disco Dido and Aeneas de Purcell e no segundo, após Pan and Syrinx, The Masque of Cupid and Bacchus, que é uma parte de The Tragedy of Timon and Athens do mesmo Purcell. Indispensável. AST















2005/10/21

Intervenção militar na Bolivia?!


Informe de contrainteligencia: intervención militar en Bolivia

El plan de intervención militar a Bolivia con los cascos azules de las NNUU (las tropas estarían compuestas principalmente por tropas chilenas, marines norteamericanos, algunos contingentes de Brasil, Paraguay y argentina), que comenzó a planificarse desde noviembre del 2003, tal como lo transmite un "informe de inteligencia de la agencia stratf! or global", el 4/11/03, pretendiendo con ello tomar control político de una de las rebeliones mas fuertes contra el sistema, ahora tiene fechas muy cercanas para su ejecución.

Informes de inteligencia señalan que el ingreso de las tropas norteamericanas por la frontera con paraguay y las chilenas por su frontera con Bolivia, podría ejecutarse entre noviembre del 2005 y enero del 2006, dependiendo de que se logren crear las "condiciones" favorables para ello, dentro de Bolivia.

Desde noviembre del 2003 un grueso continente del ejercito de chile avanzo desde sus cuarteles, en el norte de santiago hasta la frontera que tienen con Bolivia. En principio más de 500 vehículos entre blindados, artillados y vehículos livianos de apoyo, fueron desplazados hasta el altiplano chileno, montando campamentos muy cercanos a Pisiga, todos santos, tambo quemado y Charaña.
Posteriormente, fueron reforzados con artillería pesada, tropas de élite y ampliando su área de acción hasta las fronteras con el Perú.
Hasta marzo del 2004, el ejército chileno contaba con más de 30.000 hombres en las inmediaciones de la frontera con Bolivia. Contingente que fue mantenido con alguna disminución o incremento de tropas hasta septiembre de este año, con un relevo de tropas cada dos meses.

El plan a ejecutarse debía ser muy similar al ejecutado en Haití (escenario de entrenamiento para la ejecución del plan "Bolivia"), donde primero tomaron parte tropas del ejército chileno con marines norteamericanos. Luego se sumaron, para el relevo, tropas brasileras, argentinas y paraguayas.

En el frente internacional, el operador principal de la inminente intervención militar en territorio boliviano, EEUU, propicio múltiples reuniones, acuerdos y gestiones diplomáticas y militares.
Entre las mas importantes fueron: la reunión de comandantes de Brasil, Argentina y Chile en diciembre del 2003, para! proponer la formación de una fuerza internacional combinada para ejecutar este plan con el respaldo de las NNUU. Plan que en principio fue rechazado por Argentina y Brasil.

Otra acción importante fue la reunión de Lagos y Kishner, donde se delineó un plan de acción conjunta, significando el peligro que constituía Bolivia para la paz de la región y el abastecimiento de gas para el desarrollo de ambas naciones. Corrobora un reporte de Narco News Bulletin.

También lo fue, la reunión del comandante del comando sur del ejercito norteamericano, con los comandantes de argentina, brasil y paraguay, en junio del 2005, con el aparente motivo de evaluar los avances de la intervención militar en Haití, donde lograron importantes acuerdos.

La obtención de la inmunidad para el ejército norteamericano en Paraguay, y posterior convenio para la construcción de bases militares en territorio paraguayo, que permitió la construcción de una pista de aterrizaje de 3800 mts. (Longitud necesaria para el aterrizaje de bombarderos), a tan solo 200 km. de la frontera con Bolivia, fue el logro mas importante en la ejecución del plan (se termino de construir en agosto del 2005). Actualmente cerca de 10.000 marines se encuentran en paraguay listos para entrar en acción.

Solo dos fracasos tuvieron las gestiones diplomáticas y militares de EE.UU. la primera fue la imposibilidad de lograr que Perú se sumara a esta acción, en razón de que este país considera la intervención del ejercito chileno una seria amenaza para su soberanía. y la segunda, el rechazo de la asamblea de la OEA, en mayo del 2005, al planteamiento de Bush de intervenir en los países miembros, cuando la democracia de alguno de ellos este en peligro.

Entre mayo y junio del 2005, estas fuerzas combinadas estuvieron a punto de entrar en acción. Sin embargo el revés diplomático sufrido en la OEA, y la inminente intervención armada del ejercito peruano ante el ingreso de tropas chilenas en territorio boliviano (a fines de mayo/05, mas de 200 tanques subieron desde Cuzco y Arequipa hasta el Fuerte Pomata, a 50 km. de su frontera con Bolivia), sumado al desenlace final del conflicto social de junio del 2005, que termino con la subida a la presidencia de Rodríguez Velze, frustraron la ejecución de los planes norteamericanos.

Esperaban una confrontación mayor, tanto en oriente como en occidente.
Para ello, primero armaron a los cooperativistas mineros con fusiles máuser (antiguos) y luego a la unión juvenil cruceñita (grupos paramilitares entrenados por militares chilenos de elite)con 12,000 ametralladoras pequeñas u17 (el armamento provino de chile). La confrontación entre la ujc y campesinos collas no fue una casualidad, como no lo fue el asesinato de un minero, cuando cientos de mineros eran transportados hacia Sucre, Día antes de la posesión de Eduardo Rodríguez. Fuentes de inteligencia reportaron que quien disparo contra el minero fue un marin norteamericano vestido con el uniforme boliviano.

Otra fuente señalo que en santa cruz, al interior de los regimientos, que se encontraban en estado de alerta, los primeros días de junio/05, se encontraban camuflados, es decir vestidos con uniforme militar boliviano, marines norteamericanos, quienes tenían la instrucción de realizar el "trabajo sucio", una vez que el conflicto fuera incontrolable.

Inmediatamente se diseño un plan contingente, para promover un ablandamiento dentro del territorio boliviano. La reducción de la entrega de gas natural a las termoeléctricas, por parte de las empresas productoras, primero y luego la venta de glp a chile, por el poliducto sisca sica- arica, y a paraguay en camiones cisterna,provocaría condiciones de conflicto social.

En el plano político interno de Bolivia, el tribunal constitucional se encargo de darle un duro golpe al proceso electoral que se desarrolla a partir de los acuerdos políticos de julio de este año, al decretar que se modifique la distribución de escaños en la cámara de diputados, tomando en cuenta la población según el censo del 2001.

Al mismo tiempo, y luego de la subida de Rodríguez Velze, la inteligencia norteamericana, rediseñó los planes a, b y c, para lograr la ejecución del plan principal.

Plan A

Postegacion de las elecciones, con sucesión "constitucional".
Objetivo: lograr la reaccion popular.

Plan B

Renuncia de Rodríguez Velze, y posterior cierre del parlamento, lo que provocaría un vació de poder. Tomaría el ejecutivo, un gobierno cívico militar afín a la embajada americana (se habla de posibles militares que asumirían la presidencia: el ex comandante de Roboré, cnel. Suarez y de el actual comandante del colegio militar). El
objetivo es similar.


Plan C

Desatado el conflicto social, llevarlo a nivel de caos y enfrentamiento regional, que justifique la intervención militar internacional, con cascos azules.

Los objetivos son: parar las elecciones de diciembre/05, impedir la realización de la asamblea constituyente, impedir que suba a la presidencia Evo Morales, descabezar los grupos sociales y eliminar a todos sus dirigentes, (existe una lista que hizo circular la CIA, entre sus agentes, y agentes de la policía boliviana afines, con 80 nombres, encabezados por Evo Morales, Jaime Solares, García Linera, Aaldo Albarracin, Sacha Llorenti, Roberto de la Cruz, Oscar Olivera y muchos mas), los cuales serian tomados prisioneros para luego ser eliminados, y tomar control de los hidrocarburos para su exportación a Chile.

El accionar de la prensa también fue tomado en cuenta. En los últimos dos meses, informes y opiniones introducidos a través de la prensa local en varios países latinoamericanos, y de manera persistente, están mostrando por un lado, la caótica e ingobernable situación que vive Bolivia, sumado al peligro que significa la toma
del poder, vía elecciones, por parte de un ex guerrillero y un narcotraficante, refiriéndose a Álvaro García Linera y Evo Morales. Por otro lado, acciones diplomáticas de por medio, también reportan las relaciones amigables de dos naciones hermanas: Bolivia y Chile, pretendiendo mostrar que ya no existen razones para temer una invasión chilena a territorio boliviano. Con todo esto, lograr una opinión favorable de la prensa internacional, el momento de la intervención militar combinada.

30/09/05

Nota: por la gravedad de la situación, recomendamos que este informe sea transmitido, vía Internet, por todas las cadenas de comunicación a las que se tenga acceso.


Nota do editor : e-mail recebido de fonte identificada que manteremos anónima por motivos óbvios.









El jefe militar formuló el pedido de apoyo a la población en el acto de celebración del 32 aniversario de creación de la Escuela Naval Militar (ENM) realizado en La Paz, al que asistió el presidente Eduardo Rodríguez.
El llamado coincidió con el ambiente de incertidumbre que vive el país por la falta de definiciones en la redistribución de escaños parlamentarios, aspecto que puso en duda la realización de las elecciones nacionales previstas inicialmente para el próximo 4 de diciembre.
Ante este panorama, el Comandante de la FNB, alertó que en el país se enfrentan “los bolivianos contra los antibolivianos”. A su juicio, los primeros están empeñados en construir una patria para todos, los últimos en destruirla para alcanzar sus objetivos particulares sin tener en cuenta la responsabilidad histórica y el perjuicio para los que vendrán después.
Entre tanto, el comandante del Ejército, general Marcelo Antezana, prefirió guardar silencio sobre la amenaza a la integridad nacional, de grupos irregulares extranjeros. www.la-razon.com (Sabado, Octubre 22 de 2005)








Los tres partidos también ven la exportación de gas como un eje central de la política energética. Las diferencias surgen a la hora de escoger mercados. Podemos aún piensa en exportar gas a México y EEUU, porque está seguro de que los beneficios se maximizan. El MAS, en cambio, cree que las exportaciones de gas como materia prima deben ir disminuyendo. Por este motivo, plantea la industrialización del energético. UN cree que Bolivia debe convertirse en el eje energético de América Latina. www.la-razon.com (Lunes, Octubre 24 de 2005)








La crisis política en Bolivia parecía haber llegado este miércoles a su pico más alto en las últimas semanas al decidir Santa Cruz, el departamento más rico del país, retirarse de una votación parlamentaria para definir una nueva distribución de escaños y radicalizar el cisma entre esa región y el resto del país.
Los parlamentarios cruceños, que obedecen instrucciones de una poderosa organización cívica política dominada por élites y empresarios, se encontraban replegados en su distrito, donde coordinan acciones para presionar para que el Congreso apruebe el incremento de cuatro nuevos diputados a su departamento. http://bolivia.com (26 de octubre, 2005)


El repliegue de la bancada cruceña fue imitado por la de Cochabamba. Es posible que las de occidente terminen haciendo lo mismo. Cada región pretende demostrar su fuerza y el tema de los escaños pone el país al filo. idem (27 de octubre, 2005)
















2005/10/20

ANTHONY ZIMMER

É um dos filmes que foi apresentado em ante-estreia portuguesa na festa do cinema francês. Estará nos cinemas portugueses esta semana.
Não falamos dele na devida altura porque não entra dentro das nossas preferências. No entanto, deve ser dito aos que consideram as produções europeias carentes de "acção" ser este um bom filme de suspense e acção. Acção inteligentemente trabalhada. O que nem sempre é evidente nas produções norte-americanas... Este trabalho, dentro do género, é de primeira qualidade. Trata-se de uma obra técnicamente irrepreensível, onde o "timing" é escorrido de forma súbtil e onde a câmara trabalha eficazmente tanto o suspense da trama como o suspense psicológico. Sophie Marceau é divina. Para além da "técnica eficaz" dotada de distânciamento e frieza, mostra-nos que possui o outro lado, a vertente "humana", que afinal também habita numa especialista da luta arriscada e sem tréguas contra as redes internacionais de lavagem de dinheiro. Esta estreia em Portugal vem a calhar... Há mesmo coincidências! Jerôme de Salle, o realizador, bem pode festejar. Dentro do estilo é claramente um vencedor. AST










Não era suposto que o BES soubesse na segunda-feira que outras três entidades bancárias estavam sob investigação, muito menos a identidade das mesmas, tanto mais que estavam agendadas buscas para os dias seguintes BCP, na quarta-feira, BPN, na quinta-feira e, ontem, o Finibanco. Era grande o prejuízo que isso acarretaria para as investigações. Ao que o DN apurou, logo a informação correu pelas várias instituições bancárias, fazendo desaparecer o efeito surpresa próprio das buscas. "Naturalmente - segundo fontes judiciárias contactadas pelo DN - os titulares de contas sujeitas ao levantamento do sigilo bancário terão tido também conhecimento."
...
Na segunda-feira, os investigadores deslocaram-se ao BES para proceder a buscas, o que implicava também o levantamento do sigilo bancário de vários titulares de contas. Porém, não terão levado o despacho do juiz que deferia esta última diligência. Um responsável daquele banco exigiu o comprovativo assinado pelo magistrado judicial. Desde o DCIAP enviaram então, via fax, uma cópia.
Acontece que aquela diligência tinha sido autorizada para o conjunto dos quatro bancos. Imediatamente o BES ficou a saber que o BCP, o BPN e o Finibanco estavam igualmente na lista das instituições financeiras suspeitas de cometerem vários crimes económico-financeiros. http://dn.sapo.pt/2005/10/22/tema















2005/10/17

ORQUESTRA SINFÓNICA NHK DE TÓQUIO INTERPRETA DEBUSSY E RAVEL

Sob direcção de Vladimir Ashkenazi a conhecida orquestra nipónica (que já tinha actuado na capital portuguesa em 1994) apresentou, na segunda parte do concerto realizado a 16 de Outobro em Lisboa, duas obras que têm tudo em comum: foram encomendas de Serge Diaghilev (para serem coreografadas, portanto), fazem parte da escola "impressionista" (a compositora e professora Constança Capedeville preferia o termo "simbolista") e são de compositores contemporâneos um do outro. São ambas geniais, deve-se acrescentar.

Se Jeux de Claude Debussy nos são dados tal como foram escritos inicialmente, já Daphnis et Chloé de Maurice Ravel nos aparece em arranjo só para orquestra, neste caso a segunda suite das duas que Ravel concebeu, extraído da peça mais vasta com o mesmo nome que foi escrita para côro e orquestra.

A leitura de Ashkenazi foi fabulosa conseguindo, evidentemente graças à grande qualidade da orquestra, restituir-nos o ambiente luxuriante e maravilhoso que Ravel criou, nomeadamente no "Lever du Soleil" com que se inicia esta segunda suite extraída da referida obra. A orquestração de Ravel é, como todos sabemos, "paradigmática", o que aumenta a magia inerente à sua música.

Também em Jeux nos foi oferecida uma leitura inteligente e musical o que demonstraria, se fosse necessário, que Ashkenazi não só foi um grande pianista como é um grande chefe de orquestra.

A primeira parte foi preenchida com A Flock Descends into the Pentagonal Gardens de Toru Takemitsu, obra "contemporânea" interessante e bem escrita, onde é patente a influência da música de Debussy.

Para finalizar a primeira parte do concerto foram interpretados, com voz da soprano finlandesa Soile Isokosi, os Vier Letzdte Lieder de Richard Strauss.

Como bónus Ashkenazi e a NHK ofereceram-nos Pavane de Gabriel Fauré.

Um grande concerto totalmente preenchido com obras do século vinte. AST

















Portugal é o país da União Europeia onde há mais desigualdade entre ricos e pobres, uma situação que é característica dos paises em vias de desenvolvimento... e 20 por cento dos mais ricos controlam 45,9 por cento do rendimento nacional. Diário de Notícias, 17 de Outobro, pag. 25



Corrupção causa pobreza
"Esta é a maior causa da pobreza, assim como uma barreira para a ultrapassar", disse o presidente da organização, Peter Eigen. Metro, 19 de Outobro, pag. 03



Investigação a bancos envolve mais de dois mil milhões de euros, Público, 20 de Outobro, primeira página

As suspeitas, neste caso, centram-se nos milhões de euros que um grupo alargado de empresas, sobretudo do sector têxtil, contabilizou a título de pagamento de comissões sobre encomendas, sempre com intermediários resgistados em território inglês.
...
As autoridades inglesas alertaram, no entanto, para a aparente falsidade de tais movimentos financeiros uma vez que a quase totalidade das comissões (mais de 95 por cento) era imediatamente remetida para contas em off-shores, a título de subcontratação de serviços - ou seja, o agente registado em Inglaterra servia apenas para evitar a retenção na fonte por parte da empresa portuguesa - cobrando uma percentagem mínima - destinando-se o grosso do pagamento a ser depositado num off-shore, em contas que as autoridades suspeitam pertencer aos próprios empresários portugueses. Além da fuga ao fisco, o esquema tem também o efeito de inflacionar os custos da empresa e, ao mesmo tempo, descapitalizá-la através da correspondente diminuição da receita. idem, pag. 33









Portugueses...
*Casais jovens preferem ler sobre saúde e beleza
*O desporto é o tema preferido de 28 por cento dos jovens
*A internet é o meio que os jovens menos utilizam para se manterem informados
Metro, 18 de Outobro, pag. 04



...não valorizam tanto a educação e a formação como outros povos.
"Todos os portugueses devem ser persuadidos de que é do seu interesse instruirem-se e reforçarem as suas competências, sejam eles operários ou patrões: cabe ao governo persuadi-los" (Andrea Canino, presidente Conselho de Cooperação Económica in Público, 4/10/2005, pág. 37)










Justiça espanhola ordena captura de militares americanos que mataram Couso
...morto no Iraque a 8 de Abril de 2003.
"Esta é a única medida efectiva para assegurar a presença dos imputados no processo e a sua colocação à disposição da autoridade judicial espanhola, tendo em consideração a nula cooperação prestada pelas autoridades norte-americanas", escreve o juiz Santiago Pedraz, da Audiência Nacional de Madrid.
"...como os Estados Unidos não extraditam os seus nacionais, a única forma de os deter é quando viajarem para o estrangeiro como particulares", considerou Pilar Hermoso, advogada da família do jornalista espanhol. Público, 20 de Outobro, pag. 17















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2005/10/15

LE PROMENEUR DU CHAMPS DE MARS

Um filme sobre uma morte. Singular como todas as mortes. Um filme sobre um homem face à sua morte. Sobre o olhar dos outros face a uma morte que antecipada implica, neste caso, um ajuste. Que de alguma maneira ele tenta iludir...
Um filme que também é um documentário. Onde a ficção se fixa num dos personagens porque a outra é pública. Demasiado pública.
Uma meditação, tranquila, sobre o homem quando se plasma na história.
Sobre a morte de um que não é um qualquer. Tal como ele o disse.
Um dos momentos interessantes da Festa do Cinema Francês. Realização de Robert Guédiguian com argumento baseado no romance Le dernier Mitterand de Georges-Marc Benamou. AST















JOYEUX NOEL

Um trabalho sem pretensões, em formato clássico, melodramático, que não inova nem pretende inovar, que não é genial nem o pretende ser. Assim o cremos.

É um filme que nos fala da absurdidade da guerra e do íntimo crápula, que extravasa demasiado, dos seus decisores. É uma obra que confronta a realidade de quem combate com o discurso esquizofrénico de quem decide. Trata-se de um filme baseiado em factos reais que aconteceram na noite de natal de 1914. Factos que foram escondidos porque os "decisores" os consideraram "alta traição". Alta traição é, por exemplo, festejar a noite natalícia com o "inimigo". Inimigo que o discurso oficial, o discurso da igreja "de cima", apresenta como herege. Uma espécie de não-gente que é necessário eliminar. Matar sem refletir investidos de um espírito de cruzada onde "nós" somos o bem e o "inimigo" o mal.

Um filme despretencioso que faz pensar, onde a música une os "inimigos" e onde a bela voz de Natalie Dessay, "à capella", os deslumbra. Aos "inimigos". E a nós também. Um filme de Christian Carion com argumento do próprio, com Diane Krueger e Guillaume Canet. Entre outros. AST















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GABRIELLE DE CHÉREAU

Patrice Chéreau ficou verdadeiramente famoso depois de encenar o Anel dos Nibelungos no Festival de Beireuth sob direcção de Pierre Boulez. Tratou-se de uma ruptura histórica com as velhas encenações wagnerianas. As ninfas do Reno, na encenação de Chéreau, eram prostitutas. Finalmente punha-se uma pedra num romantismo imbecil que entrou século XX adentro. Aconteceu no coração da decadência: Beireuth. Talvez por isso fosse tão histórico.

Na semana que passou França assistiu à estreia mundial de Gabrielle e a Festa do Cinema Francês trouxe-o a Portugal na semana que agora acaba. Mais uma ante-estreia, entre muitas. Que poderia (e mereceria) passar despercebida se não tivesse colado o nome de Chéreau.

De que se trata afinal em Gabrielle? Que pretende Chéreau transmitir-nos? Será que pretende de facto transmitir qualquer coisa ou trata-se simplesmente de um exercício de estetização visual "à la Oliveira? Que, claro, quer sempre transmitir algo por mais banal que seja. "Interessantes" as legendas, em grande plano, que antecipam algumas frases. Oliveira repete textualmente as sequências em alguns filmes. Para o ouvinte-espectador as fixar bem...
É interessante o 380º a partir do piano, com as personagens imóveis. Nada que ver com Oliveira...
É curioso o branco/preto exterior, que coincide com a voz interior do protagonista que rememora o passado-presente e no final a fuga/morte em contraste com as cores do interior que coincide com o presente/acção. A câmara, bem mais nervosa que a placidez-contemplativa (...) da câmara de Oliveira, marca alguma diferenciação em relação ao trabalho do português.

Mas o nome Chéreau não salva Gabrielle, que não mais não é que um filme teatralizado sobre os bons e civilizados costumes da burguesia parisiense do final do século XIX; sobre o casamento que não foi de conveniência mas passou a sê-lo; sobre a monotonia da ausência de paixão e sobre a tranquilidade que o lar rico e burguês oferece, que tantas mulheres e homens escolhem e outras(os) procuram porque é cómodo. Um filme vulgar onde nada de novo se aprende, nada de novo se mostra, onde tudo é morno, de um morno que nem a vertigem da câmara ao som de um qualquer pós-serialismo consegue quebrar. Soa a artifício. Talvez o facto do burguês-homem, ao contrário daquilo que ele próprio imaginava, não dispensar o amor... Está claro que nem isto é novo. Chéreau deveria voltar-se de novo para a ópera. AST















2005/10/13

KILOMÈTRE ZÉRO

É neste caso irrelevante que hajam algumas falhas de montagem. Não podemos é deixar passar despercebido este filme de Hiner Saleem que a Festa do Cinema Francês trouxe a Portugal.
Trata-se de um belíssimo filme onde de alguma forma podemos conhecer o Iraque "profundo". Na verdade o Curdistão... As suas paisagens incríveis e alguns dos seus habitantes.
É um trabalho que nos coloca face à "questão curda" à qual a "Europa" fechou sucessivamente os olhos (e os ouvidos). E assim parece que irá continuar a ser, uma vez que já iniciou as negociações de adesão com um país que dizimou dezenas de milhares de curdos e que os continua a discriminar e a martirizar (a partir de agora têm de se usar aspas cada vez que se fale em "comunidade europeia" pois "ce" e "ue" podem vir a significar europa e parte do médio oriente...).
É "pedagógico" escutarem-se, no filme, as rádios curdas que apelam, em desespero de causa, para que a tal europa dos direitos e das liberdades intervenha militarmente para pôr fim à mortandade. Sem resultado. A chacina conduzida por Sadam e pelo "químico" aproximava-se do número redondo 200.000
Actualmente é fácil e é moda ser-se anti-americano e dizer-se que a intervenção norte-americana no Iraque se deveu exclusivamente ao petróleo. Sem dúvida. Sabe-se agora que também devido ás vozes que o presidente Bush ouviu... Vozes que lhe diziam ter uma missão...
Mas a outra grande verdade que a história não apagará é que a "Europa" e os seus "militantes", que andam sempre em confrontos seja porque causas sejam, ignorou e contribuiu para o silênciamento do genocídio curdo conduzido em nome da "grande e eterna nação árabe". Que o regime de Sadam garantia a "estabilidade" necessária à Elf francesa para a exploração das enormes concessões petrolíferas que possuia naquele tempo. Que afinal de contas o regime de Sadam era protector-protegido da França. Tal como acontecia com os Eua e a Grã-Bretanha. AST


É verdade que Saddam levou a cabo todas essas atrocidades, desenvolvendo armas de destruição maciça... mas com o nosso apoio. Noam Chomsky in Iraque-Assalto ao Médio Oriente, Antigona, Lisboa, pag. 107










La junte militaire règne sur la Birmanie depuis 1962...
Incultes, obscurantistes, corrompus, ivrognes, les généraux sont dirigés par le plus puissant d'entre eux, le général Thawn She.
... vive dans une paranoïa total, entouré d'astrologues et de geomaciens. Si rustre qu'il se refuse catégoriquement à s'exprimer en public, sauf pour lire des discours écrits préalablement... Charlie Hebdo, 10 août 2005, páginas centrais


Total en Birmanie: la France met du gaz dans son vin
Travail forcé, déplacement de populations, exactions de l'armée dans la région karen: la construction du gazoduc dans le sud du pays a mis Total dans l'embarras, pas suffisamment pour renoncer à cette affaire juteuse... idem











Harold Pinter o Nobel

Born 10 October 1930 in East London, playwright, director, actor, poet and political activist.
Pinter has written twenty-nine plays including The Birthday Party, The Caretaker, The Homecoming, and Betrayal, twenty-one screenplays including The Servant, The Go-Between and The French Lieutenant's Woman, and directed twenty-seven theatre productions, including James Joyce's Exiles, David Mamet's Oleanna, seven plays by Simon Gray and many of his own plays including his latest, Celebration, paired with his first, The Room at The Almeida Theatre, London in the spring of 2000. in www.haroldpinter.org
He has been awarded the Shakespeare Prize (Hamburg), the European Prize for Literature (Vienna), the Pirandello Prize (Palermo), the David Cohen British Literature Prize, the Laurence Olivier Award and the Moliere D'Honneur for lifetime achievement. In 1999 he was made a Companion of Literature by the Royal Society of Literature. He has received honorary degrees from fourteen universities.
Pinter's interest in politics is a very public one. Over the years he has spoken out forcefully about the abuse of state power around the world, including, recently, NATO's bombing of Serbia. His most recent speech was given on the anniversary of NATO'S bombing of Serbia at the Committee for Peace in the Balkans Conference, at The Conway Hall June 10th 2000. in www.haroldpinter.org















2005/10/12

MÉLODIES DE OLIVIER MESSIAEN

Ingrid Kappelle não é seguramente a nossa "cantora-paradigma" para Messiaen mas nesta gravação, editada pela Brilliant Classics com as obras completas para canto e piano do compositor francês, não podemos dizer que esteve mal. O seu desempenho é variável: se algumas vezes deixa muito a desejar, sobretudo nas tessituras agudas, outras, consegue uma interpretação arrebatada e envolvente. Nos registos médios o timbre da cantora é de um aveludado dramático. Quem captou a "essência" das obras de Messiaen foi Hakon Austbo. O pianista norueguês oferece-nos belíssimas leituras, demonstrando uma inteligente compreensão tanto do Messiaen "pós-debussista" (Vocalise Étude e Trois Mélodies) como do "Messiaen-Messiaen" dos impressionantes Chants d'Amour et de Morte.

Este registo (efectuado entre 10 e 12 de maio de 2004) é ainda mais atractivo se tivermos em conta o papel charneira desempenhado por Olivier Messiaen entre uma estética "debussista" (na qual teremos de integrar Maurice Ravel, sem prejuízo da originalidade deste último) e a escola serialista e pós-serialista, cujos principais protagonistas foram alunos directos ou indirectos de Messiaen. O percurso estético-estilístico deste último é bem patente nesta integral que se constitui num momento relevante das edições discográficas disponibilizadas ao público no presente ano. Por cerca de sete euros... AST















2005/10/10

ENTRE SES MAINS

Anne Fontaine, neste trabalho, surpreendeu-nos. Não estamos a falar de aspectos técnicos pois os seus grandes planos são impactantes, as suas sequências, nomeadamente a sequência final, impressionantemente poéticas (ainda que a realizadora se situe numa "linhagem" hiper-realista) e as suas cenas são dotadas de uma força fora do comum, graças também ao compositor Pascal Dusapin que aceitou encarregar-se da "banda sonora". Não terá sido por acaso...
A gestão do tempo e a forma como trabalha o "desvelar da verdade" revela uma inteligência rara, deixando-nos desorientados pelo menos duas vezes: a forma como constatamos quem é o assassino depois da criação de um contexto que tornara praticamente inverosímel essa possibilidade (*) e o grande plano da protagonista e do amante, antes da sequência final, que nos lança numa incrível dúvida resolvida no plano seguinte que confirma o suicídio do "serial-killer", sem o qual estariamos na insuportável trivialidade do lugar-comum e na infindável lista de filmes com killer's que acabam por perecer ás mãos da justiça que encarna "o bem".

Se referimos o aspecto "fora-de-série" deste trabalho, estamos a pensar, seguramente, na "composição", no "conceito" que garante não só consistência da obra enquanto obra de arte mas lhe atribui uma "grandeza" que a coloca degraus acima do trabalho do realizador talentoso e dotado de "boa escola" que já de si está acima da "média". E essa "capacitação" que transcende a "grande técnica" e a "leitura inteligente", tem a ver com o íntimo da criadora, com a sua "personagem própria" e com a sua sensibilidade sob efeito da qual traduz o mundo.

Não pretendemos divagar aqui por entre os aspectos - afinal todo o filme - passíveis de uma abordagem psicanalítica com complexidade garantida.

Desejamos simplesmente alertar para o facto de que este filme de Anne Fontaine, tendo como protagonista central uma transcendente Isabelle Carré, filme apresentado em ante-estreia portuguesa na Festa do Cinema Francês, deve ser colocado, sem hesitações, entre as grandes obras cinematográficas do século XXI. Pelo menos. AST



(*) Esta é uma matéria interessante... Inverosímel porquê? Não nos tinha sido mostrada "a verdade" quando os protagonistas se cruzaram com a mãe do "psicópata"? Uma mãe de voz monocórdica, indiferente, "neutra"... Porquê então a surpresa? Projectamo-nos tanto na protagonista que recusámos aceitar que ela amasse um assassino? Ou tivémos mêdo que não fosse capaz de transcender a vulgaridade destruindo-se assim, cruel e friamente, a imagem que dela construímos?










As(os) premiadas(os) do World Press Photo (www.worldpressphoto.nl) mostram-nos o mundo como ele é. A ver. Na verdade indispensável.









O relatório (do Conselho de Cooperação Económica) refere em concreto o TGV e a OTA. No primeiro caso, avançando com a execução "sem demoras"... Já a construção do novo aeroporto é descartada... sugerindo-se a expansão da Portela e a aposta em aerogares alternativas, designadamente para as low cost. Público, 4 Outobro de 2005, pag. 37
















2005/10/08

6ª FESTA DO CINEMA FRANCÊS

Com a presença do realizador Costa Gavras e do actor José Garcia, esta 6ª edição inaugurou com a ante-estreia portuguesa do filme LE COUPERET.

Uma prespectivação sintomática sobre os tempos que correm. Entre ficção e realidade o limite é tão tangencial que frequentemente a primeira ultrapassa, em absurdo e atrocidade, a segunda. Face ao trabalho de Gavras questionamo-nos se aquilo poderia, poderá, acontecer: um técnico especializado, vítima da "deslocalização", elimina, um após outro, os colegas da sua área profissional, definindo-os como "pior que inimigos".

O alvo não são os decisores que o colocaram no desemprego mas os "seus iguais" que se tornaram "pior que inimigos". São concorrentes aos escassos cargos (afinal só deseja um: "la créme-de-la créme" das empresas daquele sector) a que ele postula. Mata-os para se salvar da própria aniquilação pois sem trabalho, trabalho na sua especialidade, no "top" da sua especialidade, será simplesmente o "nada"...

E consegue. Com persistência e lavor... Uma patética persistência, pateticamente êxitosa.

O seu antecessor, pouco antes de uma morte inglória, disse algo do género: eles não percebem nada. Arruinam os compradores, deixando-os no desemprego. Depois a quem vão vender o que produzem? Aos checos, aos polacos?
Para onde deslocarizaram e aos quais pagam ninharias...
Sintomático. Será que "eles" não pensaram nisto? Esqueceram um tão simples exercício de reflexão lógico-não-filosófica?

Mas para Bruno, o protagonista, já nada interessava para além de aniquilar o concorrente. O seu "comprimento de onda" era o mesmo do "deles". Reflexões à parte interessava era eliminar o "pior-que-inimigo". Esqueceu-se, aparentemente, que poderia não ser o único...

Uma interessante trágico-comédia que estimula o pensamento. AST















2005/10/06

TEN CHI

Mais de vinte anos após a estreia de Nelken apresentado em Portugal na passada semana, Pina Baush traz-nos um trabalho de 2004, sempre com cenografia de Peter Pabst. É importante realçar esta parceria, longa, quase eterna parceria entre a coreógrafa e o cenarista, porque no curto espaço de uma semana o público português pôde conhecer dois Pabst e duas Pina.

A conexão entre os dois espectáculos existe certamente e até de forma evidente. Mas a ruptura do "modo-de-fazer", da composição, supera, em meu entender, as continuidades estético-conceptuais.

Não estranhamente, onde Pina esteve melhor foi exatamente nessas continuidades. A cena dos homens de fato que corriam desnorteados com gravatas na mão e outros que transportavam no ar mulheres que gritavam - sequência que poderia ter finalizado um espectáculo que Pina preferiu arrastar mais meia hora ao som de ritmos brasileiros que parecem constituir uma obcessão para a coreógrafa - foi uma cena forte, com rasgos do génio "piniano". Já a opção do apêndice, em forma de côda, com que o espectáculo terminou, parece remeter-nos para uma leitura fácil e vendável: a "terra", simbolizada pelos seus ritmos, impõe-se ao drama das relações sociais. Estranho, vindo da criadora de Nelken. De resto sabemos que infelizmente não acontece assim.

Não esqueçamos a primeira parte que poderá servir de manual negativo ás (aos) coreógrafas (os): alguém sentiu a necessidade que impulsiona o emergir de uma cena, de uma sequência, a partir da que a precede? Não ficou um estranha sensação de colagem, por vezes forçada? Qual a pertinência dos "gags" que faziam rir o público? Em Nelken faziam parte da moldura que toldava de ridículo, ou de dramático, ou de patético, ou tudo isso junto, isto ou aquilo. E aqui? Aqui onde a terra e os seus ritmos vencem o drama das mulheres e dos homens que a destroem? Aqui onde o céu - só presente pela neve que cai que pode revestir-se, ainda que a coreógrafa não tivesse pensado nisso, como metáfora de uma "caída inaugural" que marca uma condição - nos aparece retratado em longas músicas "secantes" com movimentos que se aproximam de um idílico piroso, para já não falar dos figurinos?

Decididamente há duas Pinas. E dois Pabsts, ainda que este seja um complemento, indispensável. E certamente insubstituível. Esta Pina, apesar das continuidades e da repetição que caracteriza todo o grande criador, já não é a Pina dos Cravos. Tirando isto, que é em meu entender o fundamental que deve ser escrito, tenho de dizer que a segunda parte tem momentos em que o trabalho em profundidade adquire uma potenciação impressionante acentuada pela caída da neve. Por exemplo, a sequência em que a rapariga se afasta da boca da cena e o bailarino faz aproximações, em que ela se continua a assustar (e não me parece que haja relação profunda com a sequência das quedas de auto-mutilação em Nelken), é fabulosa. A já referida sequência que em meu entender deveria ter finalizado esta criação (antes do "apêndice final"), situa-se no melhor estilo e espiritualidade "pinianas". A sequência em que o jovem retira ao ancião as vestes tradicionais, substituindo-as por indumentária ocidental é simbólica e tem impacto. A sequência seguinte, a do solo do ancião já vestido à ocidental, foi interessante. O transporte do ancião pela jovem e depois o inverso: seguramente Pina terá tido conhecimento da tradição ancestral do transporte dos anciãos, pelos filhos varões, para morrerem na montanha, aqui duplamente invertida. Tratada num lapso, pois tratou-se de uma curtíssima cena entre outros acontecimentos. As sequências "terra" da primeira parte, ritmadas e com um trabalho interessantíssimo de chão, opostas e na continuidade das "cenas idílicas" (céu...) com "música seca". A própria cenografia, que no início "soava" a kitsch (uma barbatana de baleia...), funcionou: no princípio era barbatana, depois poderia ser árvore ou qualquer coisa.
Enfim, um espectáculo com momentos (muito) belos mas do qual me escapou o "conceito". Obrigado à Pina Baush por nos ter oferecido duas ante-estreias. Parabéns ao Teatro Municipal de São Luiz, em Lisboa, por esta inicitiva e por outras que se avizinham, das quais trataremos em devido tempo. AST















2005/10/03

BEN ALLISON QUARTET ENCERRA JAZZ-OEIRAS

O conhecido contrabaixista nova-yorquino, compareceu, acompanhado de Ron Horton no trompete, Steve Cardenas na guitarra e Michael Sarin na bateria, dia 1 de Outobro no Auditório Eunice Muñoz.

Foi um concerto de música inteligente aquele que nos foi oferecido por este grupo de intérpretes-improvisadores. Partindo de temas populares ou "outros", o agrupamento desenvolveu-os sempre de forma interessante, criando surpresas ao nível do discurso, trabalhando com subtilidade os contrastes, mantendo uma elegância "paradigmática" na secção rítmica e apresentado solos onde o fogo de artifício esteve ausente, sempre em favor de uma música bem pensada e bem executada.

Outro concerto de nível máximo para encerrar um festival que, esperamos, irá saber manter esta grande qualidade nas suas próximas edições. E já agora, realizar os eventos numa sala maior uma vez que ficaram pessoas à porta. Neste concerto, nomeadamente. AST












PARIS (AP) - Le député UMP des Hauts-de-Seine Patrick Devedjian a assuré mardi que le processus d'adhésion de la Turquie à l'Union européenne était "réversible", jugeant que ce pays "n'est pas un Etat démocratique".
"Je (le) crois et je l'espère parce qu'il y a 35 chapitres qui doivent être analysés par l'Union européenne et auxquels la Turquie doit satisfaire", a-t-il expliqué sur France-Info. Et "il faut que les 25 pays de l'UE statuent à l'unanimité pour dire qu'il y a satisfaction."
Le conseiller politique du président de l'UMP considère que la Turquie est "très loin du compte: ce n'est pas un Etat démocratique, c'est encore un pays qui pratique la torture aujourd'hui, qui refuse la liberté d'expression".
Dans un entretien au "Figaro", l'ex-ministre "ne voit pas pourquoi la Turquie d'Erdogan serait exemptée de ce que nous avons exigé pour le Portugal de Salazar, l'Espagne de Franco, la Grèce des colonels, et, tout récemment pour la Croatie". De plus, "l'île de Chypre fait désormais partie du territoire européen, et l'armée turque occupe une partie de ce territoire. Pour la première fois de son histoire, l'Union européenne négocie avec une armée d'occupation!"
Quant à l'argument du club "chrétien", Patrick Devedjian rétorque que l'Union est d'abord "un club de démocrates". "M. Erdogan est le plus mal placé pour nous reprocher, à nous Européens, de former un club confessionnel. Il faut rappeler qu'il dirige un pays qui a chassé pratiquement tous les chrétiens et les juifs."
"Je crois que je suis dans le sens de l'histoire parce que l'histoire de la Turquie, je la connais très bien par une histoire familiale douloureuse", a encore souligné M. Devedjian, qui est d'origine arménienne. http://fr.news.yahoo.com (mardi 4 octobre 2005, 12h33)







PARIS (AFP) - L'ancien président de la République Valéry Giscard d'Estaing a exprimé mardi "regret" et "tristesse" de voir s'éloigner "le grand projet français d'une union politique de l'Europe", au profit d'une "grande zone de libre-échange".
Au lendemain de l'ouverture des négociations d'adhésion de la Turquie à l'Union européenne, Valéry Giscard d'Estaing, qui y est opposé, a souligné sur RTL que "la France avait un grand projet: l'union politique de l'Europe", mais n'aura désormais "plus de message à porter".
"On s'aperçoit qu'on a refusé de donner des institutions à l'Europe et qu'on a laissé faire deux élargissements supplémentaires qui vont manifestement transformer l'Europe en zone de libre échange. Voilà mon regret", a-t-il expliqué, critiquant en creux, et sans jamais le citer, le président Jacques Chirac.
Il a souligné que dans la même année, "on aura rejeté la réforme des institutions et on aura accepté sans avoir de Constitution, sans avoir de budget, l'entrée du plus grand pays et du plus pauvre, situé hors du continent européen". http://fr.news.yahoo.com (mardi 4 octobre 2005, 10h26)














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