CRITICA MUSICAL / MUSICAL CRITIC

Um blog de Álvaro Sílvio Teixeira

2006/02/22

O IRCAM ESTÁ MAIS ABERTO E INTEGRADO


No bar dos artistas um dos meus amigos violoncelistas começa a conversar, em português, com Pierre Strauch, que para além de ser um violoncelista excepcional também é compositor. Pierre tinha acabado de nos oferecer uma genial interpretação de Il ritorno degli snovidenia de Luciano Berio. Olha, disse-lhe eu, queres fazer uma entrevista para o meu blog? Sim, claro. Em português, respondeu Strauch.

Álvaro Teixeira: Isto é uma entrevista que não estava prevista (até rima...), uma entrevista improvisada... mas como todas as outras também o foram...

(risos)

AST: Não há portanto problema algum. Temos aqui ao nosso lado o violoncelista...

Pierre Strauch: Pierre Strauch

AST: Obrigado. Se não estou em erro és o primeiro violoncelista do Ensemble Inter-Contemporain...

Pierre Strauch: Um dos violoncelistas. Lá somos todos primeiros violoncelistas. Não há hierarquia. Não há primeiros e segundos. Somos todos solistas, digamos.

AST: Bom... O Pierre Strauch esteve aqui no Porto, na Casa da Música, num concerto que acabou há exatamente... dez minutos... onde veio executar Il ritorno degli snovidenia , uma obra de Luciano Berio.

Pierre Strauch: Snovidenia. É uma mistura de italiano e russo. Ritorno significa a volta e snovidenia são sonhos. Foi uma obra escrita para o Rostropovich por ser russo e por serem tratadas melodias russas, cantos russos, numa espécie de montagem, genial, com pequenos excertos de cantos revolucionários e históricos russos. Foi uma brincadeira com o Rostropovich porque o Rostropovich fugiu da União Soviética... o Bério tinha muito humor e então fez uma montagem com cantos comunistas e revolucionários para o Rostropovich tocar. Tem uma certa piada... A obra é muito lírica, muito bela.

AST: Estava a pensar nisso mesmo: é uma obra extremamente lírica. Usam-se muito as surdinas, mantendo-se uma certa uniformização tímbrica que é tratada de maneira genial.

Pierre Strauch: Sim. O clima é muito especial. Não há o confronto tradicional entre o solista e a orquestra. É exatamente isso, um clima de sonho... de sonho desperto ou não, não se sabe muito bem. O solista aparece e desaparece, ás vezes a orquestra "come" o solista mas o solista re-aparece, é uma espécie de divagação nocturna, uma coisa do inconsciente. Está feito de uma maneira incrível. É uma obra excepcional.

AST: Gostas especialmente desta obra ?

Pierre Strauch: Eu tive a sorte de tocar esta obra com o Berio... com ele a dirigir a obra. Fizémos uma apresentação em Itália no ano 78, já são muitos anos...

(risos)

Pierre Strauch: Então descobri a obra com ele dirigindo-a. Obviamente é uma experiência forte e interessantíssima. Entretanto toquei esta obra várias vezes e gosto muito desta obra.

AST: É uma pergunta meia chata mas não sem sentido: quais são os teus compositores preferidos na actualidade? Tu que tocas música contemporânea todos os dias?

Pierre Strauch: Há nomes muito importantes como o Lachemann, na Alemanha, o Emmanuel Nunes em Portugal e em França, porque ele vive em França, não é por ele estar aqui hoje mas é um compositor importante, e o Jonathan Harvey, inglês. Há gente mais jovem mas dos pesos-pesados estes são nomes que vêm logo à memória.

AST: Mas na criação musical contemporânea há um fosso grande entre estes que referiste que são todos de uma determinada escola, usando um termo genérico, e os outros todos que são também importantes e históricos. Estou a pensar nos compositores ingleses, outros que não o Harvey, nos polacos, nos da Lituânia... O Ensemble Contemporain é parcial nas escolhas que faz. Dá preferência aos compositores de determinada escola. Priveligia só uma das muitas escolas e estéticas musicais contemporâneas.

Pierre Strauch: Não é bem assim. Agora estão muito mais abertos que antes e tocamos coisas muito variadas. Até minimalistas americanos ou do norte da Europa...

AST: Mas que bem...

Pierre Strauch: Não, realmente o repertório abriu-se muitíssimo nos últimos anos, nos dez últimos anos. Mudou realmente a programação e agora tocamos ... quase tudo, todo o tipo de estilos da música de hoje. Não se pode tocar tudo mas a programação mudou muito e no sentido da abertura.

AST: Eu percebi que em França o Ircam é mal amado e mal visto pelo cidadão comum. Pelo menos por aqueles que sabem que existe e para que serve...

Pierre Strauch: O Ircam também mudou. No princípio confundia-se muito as instituições criadas pelo Pierre Boulez com o próprio Boulez. Agora o Ircam tem uma vida própria e faz projectos no mundo inteiro. Mas agora tem a sua vida própria e tem muita força. Tem um festival importantíssimo onde vão milhares de pessoas todos os anos em Julho. O Ircam integrou-se muito mais na vida de Paris e de França. Essa situação, que talvez existiu, é passada. Agora já não é o mesmo.

AST: Foi um prazer. Gostei muito desta conversa contigo e gostei muito de te escutar a interpretar aquela belíssima obra de Luciano Berio. E também foi muito interessante poder fazer uma entrevista em português.

Pierre Strauch: Também foi um prazer.


















A "EUROPA" NÃO VÊ ISTO? OU SERÁ QUE É MESMO ASSIM?!

No diário português "Público" de hoje, 22 de Fevereiro, vem uma "história" que está a acontecer na Madeira, uma ilha (arquipélago com três ou quatro ilhas, metade das quais desertas...) supostamente portuguesa, sendo portanto um "território" da UE.

Já aqui se referiu o insólito. Um caso que nos leva a crer que aquela ilha é uma espécie de "far-west" europeu. Há, no entanto, que chamar repetidamente a atenção das "autoridades europeias" para a insustentabilidade da situação, a não ser que a UE assuma que "aquilo" faz parte do seu "ser".

A solução mais simples, em nosso entender, seria Portugal dar a independência à ilha, deixando-os livres e felizes com as suas flores, as "levadas" e as praias rochosas. E, claro está, receber os refugiados políticos que, previsivelmente, ainda serão alguns.

No referido diário conta-se a "história" de um carro queimado em véspera de eleições, propriedade do deputado da oposição agora processado pelo presidente Jardim, assunto criminal cujo processo foi arquivado por não se encontrarem os autores do crime. Também lá consta a "história" de uma vaca decapitada! E de uma vinha ardida! Tudo casos de polícia que pelos vistos não tiveram resolução. Agora, aquele a quem queimaram o automóvel, está a ser julgado por dizer que o presidente da Madeira está a instaurar um "regime de excepção" (mas que novidade!), quando quem deveria estar a ser julgado é o dito "presidente regional" que insultou o deputado chamando-lhe louco e que já tinha, também impunemente, insultado um ex-primeiro-ministro de Portugal, assim como os criminosos que queimaram o carro, os que decapitaram a vaca e os que deitaram fogo à vinha. Se calhar até se conhecem uns aos outros...

Se a Madeira é Portugal, se faz parte da UE, só se pode imaginar que a Europa tem um futuro radioso à sua frente... Por nós, a solução óptima seria a independência do "arquipélago": uma independência total e definitiva! AST


Nota: Portugal tem uma tenebrosa "tradição" em crimes contra a liberdade de expressão. Ninguém deve esquecer que o Padre Max foi assassinado à bomba na Cumieira, perto de Vila Real, aldeia onde ministrava aulas gratuitas a adultos que eram, na sua generalidade, trabalhadores agricolas assalariados. Isto aconteceu já em "democracia" e o crime ficou totalmente por esclarecer.

Recentemente e sem consequências mórbidas, pois aparentemente em Portugal vivem-se "outros tempos" (pelo menos no "continente"), foi o afastamento de Marcelo Rebelo de Sousa de uma televisão privada, devido à pressão do "governo Santana".

Ainda mais recentemente, foram as buscas judiciais a um jornal do que resultou a violação do sigílio profissional dos jornalistas, contra vontade expressa destes.















2006/02/21

ORQUESTRA DO SÉCULO XVIII INTERPRETA MOZART

Hoje, 20 de fevereiro, o célebre agrupamento apresentou-se, com a sala principal praticamente cheia, na Casa da Música, no Porto, sem o seu carismático fundador e chefe de orquestra, Frans Brüggen, num programa totalmente preenchido por obras com pianoforte de W. A. Mozart.

Na primeira parte foi o concerto para piano e orquestra nº 26, k 537, conhecido como da "Coroação". Na segunda tivemos o quinteto para piano e instrumentos de sopro em mi bemos maior, k 452, que antecedeu o concerto para piano nº 20, k 466.

Um programa curioso. Não é de todo usual, na actualidade, escutarem-se dois concertos para piano no mesmo programa e ainda um quinteto a anteceder um dos concertos. A verdade é que foi uma grande decisão terem substituído o trio inicialmente previsto por este quinteto que raramente nos é possibilitado escutar ao vivo, se bem que o mesmo se passe com o trio k 498 para pianoforte, clarinete e viola que estava inicialmente programado. De todas as maneiras o quinteto coadonou-se mais com o espírito concertante do programa e foi, na nossa opinião, o "ex-libris" deste concerto.

Evidentemente que os executantes deste quinteto k 452, para pianoforte, oboé, clarinete, fagote e trompa, exceptuando o intérprete do teclado, foram elementos da orquestra do seculo XVIII que demostraram a sua excelência suprema na arte de interpretar Mozart com os instrumentos da época. Foram eles: Frank de Bruine no oboé, Eric Hoeprich no clarinete, Danny Bond no fagote e Teunis van der Zwart na trompa. O pianista, Kristian Bezuidenhout, no pianoforte, revelou intuição e musicalidade, conseguindo ora destacar-se ora fundir-se com o resto dos instrumentistas, contribuindo assim para um resultado que foi uma interpretação soberba, musical, perfeita e inspirada, desta obra belíssima e de grande génio.

Em relação aos dois concertos para piano deve ser dito de entrada que a não vinda do maestro só por si nunca prejudicaria a performance de uma orquestra coesa, composta por músicos de nível máximo, num programa onde existe sempre um instrumento solista. Isso ficou bem claro ao longo dos dois concertos. Os concertos para piano de Mozart eram dirigidos pelo próprio a partir do pianoforte ou do clavicórdio. O "busílis" da interpretação está, ou deveria estar, nos dedos e na cabeça do intérprete ao teclado. A verdade é que Paul Komen, o intérprete ao pianoforte nos dois concertos, não só não dirigiu o agrupamento, tarefa da qual se encarregou o primeiro violinista (no ensaio qualquer dúvida era esclarecida entre os quatro primeiros instrumentistas dos naipes das cordas), como demonstrou não possuir "carisma" para impôr a um agrupamento destes uma visão, se é que a tem, pessoal sobre os dois concertos que interpretou. A questão de não ter feito o "continuum"(*) seria irrelevante caso a sua interpretação revelasse singularidade e inspiração. Komen foi correcto e demonstrou ser um pianista muito razoável. Pouco demais quando se está acompanhado, ou a acompanhar, um agrupamento como a Orquestra do Século XVIII. Bruggen fez muito bem em não ter vindo. É que o maestro, por norma, não faz milagres. Bruggen já fez um que foi criar esta orquestra que é, desde que foi formada, uma das principais referências mundiais na interpretação da música "antiga" e "clássica", capaz de fazer interpretações do mais elevado nível na ausência da batuta do fundador. AST

(*) Acordes com função de acompanhamento que aparecem na partitura sob a forma de pequenos números, sobrepostos ou não, o que se referem a acordes diminutos estão barrados, que simbolizam os acordes e respectivas posições. Era hábito, na época de Mozart, o teclista executar estes acordes, enriquecidos com notas de passagem e ornamentos, nas partes em que o instrumento não está a desenvolver linhas e polifonias escritas pelo compositor. Os pianistas desde há muito que só executam o que foi escrito especificamente, não tocando o que está em cifra. Em muitas edições as cifras já nem aparecem. No entanto, ouve artistas (na realidade só possuimos um registo no qual o pianista concretiza o baixo cifrado com muita subtileza, passando quase despercebido) que fizeram o "continuum" em interpretações realizadas em instrumentos modernos. Por isso, numa interpretação sobre um instrumento da época, com um agrupamento utilizando "instrumentos históricos", poder-se-ia esperar que o intérprete ao pianoforte realizasse o "continuum".
















2006/02/20

NUNES E BERIO NA CASA DA MÚSICA

Hoje, 19 de Fevereiro, sob a direcção eficaz de Peter Rundel, o Remix Ensemble, um dos agrupamentos residentes na Casa da Música do Porto, apresentou uma longa obra do português Emmanuel Nunes e duas do histórico Luciano Berio.

O interessante é que à volta de obras com um intervalo de 45 anos, podemos comparar os resultados musicais de dois compositores dotados, grosso modo, das mesmas preocupações conceptuais.

Tempi Concertanti, de Luciano Berio, é uma obra de 1958-59, época do alargamento do serialismo integral, sendo esta obra um trabalho que podemos chamar de post-serialista, tal como Épures du Serpent Vert II, de Emmanuel Nunes, criada em 2005. Post-serialismo porquê? Porque basicamente as preocupações micro e macro estruturais são as mesmas que as das obras "serialistas integrais" que se revelaram uma impossibilidade musical, melhor dito uma fraude musical, pois obedeciam únicamente a padronizações lógico-formais, não resultando auditivamente. Os compositores, dentro desta "linhagem", tiveram então de encontrar maneiras de ultrapassar o carácter fortemente anti-musical das obras serializadas integralmente, ainda que mantendo o fundamento conceptual praticamente idêntico. Neste periodo Berio ainda alinhava "nestas coisas". Era a "moda" no ocidente musical erudito. Posteriormente Luciano Berio afastou-se radicalmente das correntes post-serialistas.

Emmanuel Nunes é um dos principais representantes daquilo que ainda existe do chamado post-serialismo. Boulez já não compõe. Stockausen compõe para "animar a malta" com as suas esquizofrenias e para ganhar "umas massas". Nunes compõe a sério, levando ás últimas consequências o seu pensamento que é basicamente de uma integralidade serialista, que ele modula com sistemas de proliferação sonora que obedecem a uma lógica serializante. De obra para obra cria diferentes sistemas que procuram fazer consistir integralmente a obra a partir de ideias elementares, que são várias espécies de séries, criadas com relações específicas que ele condiciona, que por sua vez vão determinar a semiótica e a estrutura da obra. Stockausen não se dá a este trabalho. Já não consegue pensar bem. Está senil. Inventa uns pseudo-mitos, diz que é deus, tem uma côrte de seguidores que o levam a sério, enquanto os músicos se sorriem das banalidades que o pseudo-génio vai mandando cá para fora numa idade em que deveria revelar um pouco mais de comedimento, mais que não fosse por respeito das coisas com algum interesse que conseguiu produzir no passado.
Portanto não podemos comparar Nunes e o seu esforço genuíno com Stockausen e os seus rasgos esquizóides.
Por isso foi muito interessante um concerto onde se escutou um Berio de há 45 anos e um Nunes do ano passado.
Qual é a diferença essencial?
Berio, mesmo com o corpete serial, consegue fazer música para além da formalização lógica. Nunes soçobra a essa formalização.
Ouve-se Berio e sente-se que por detrás do esforço conceptual conseguiu produzir música. Escuta-se Nunes, admira-se o homem que é coerente com ele mesmo, com a sua estética, com a sua "filosofia musical", mas não se ouve música. Escutam-se sucesssões de sons que sabemos terem lógica formal, mas não sentimos que essas sucessões tenham qualquer espécie de necessidade interior inerente ao próprio fluir sonoro. Por isso, apesar das secções fortemente contrastantes, tem-se a sensação de estar parado. Porque de facto não acontece nada musicalmente. Os sons desvelam-nos uma conceptualidade interessante, mas não se desvelam como música. Desvelam-se como a materialização de um aparato conceptual, "novo" porque inventado para aquela obra, mas exterior à música enquanto "ente" autónomo. Isso poder-se-ia passar com qualquer outro compositor. Aliás passou-se com muitos, demasiados, porque foram poucos, sobretudo na chamada música contemporânea, aqueles que conseguiram dominar o espartilho conceptual submetendo-o à vontade e à necessidade primordial de criar música, por um lado, não "embarcando" em formas "fáceis", ás quais se aplica um veriz erudito, como manda o "culturalmente correcto", e que agradam "naturalmente" ao público, por outro.

Il ritorno degli snovidenia, um Berio de 1976, é uma fantástica colagem de temas sicilianos e cantos revolucionários russos. Dizer isto remete-nos para a ideia de kitsch? Talvez nas mãos de qualquer outro. Berio consegue um trabalho de metamorfose dos temas, das súbteis texturas, dos timbres, das densidades, que transformam um trabalho "leve" numa obra dotada de uma "poesis" extraordinária. Esta obra para violoncelo e pequena orquestra, teve uma interpretação belíssima com Pierre Strauch no violoncelo. Falamos dela na conversa que tivemos com Strauch e que ficará online brevemente. AST















2006/02/18

A ORQUESTRA NACIONAL DO PORTO É MUITO BOA E PODE FICAR AINDA MELHOR


Quem o diz é Martin André, o maestro britânico que dirigiu a orquestra num programa "grandioso", apresentado na Casa da Música, no Porto, onde constou, nomeadamente, a 11ª Sinfonia de Shostakovich. Foi hoje, dia 17. Conversámos com ele exatamente antes do início concerto. O maestro esperava-nos com as partituras abertas, repletas de sublinhados e anotações.

Álvaro Teixeira: Trabalhou muito essas partituras?

Martin André: Conhece esta Carmen (o maestro refere-se à Suite Carmen, de Rodion Shchedrin, apresentada na primeira parte do concerto)?

AST: Essa partitura não é a do Shostakovich...

Martin André: Não é aquela! Esta é a da primeira parte. Eu escolhi isto porque ele foi aluno do Shostakovich. Está a foto dele na partitura. É este!

AST: Pode dizer o nome dele por favor?

Martin André: Shchedrin. É russo como Shostakovich. E era um bom amigo dele. Escolhi a sua peça porque tem muito humor, está bem orquestrada e é também uma homenagem a Bizet. Um pouco o contrário desta sinfonia (11ª de Shostakovich), que é muito grande, muito severa, é como a história da revolução... A peça que escolhi para a primeira parte é o oposto. A boa comédia... São duas obras diferentes e interessantes. Você fica para o concerto?

AST: Só para a primeira parte...

Martin André: É uma pena. Tem outra coisa para fazer?

AST: Não. Parto para Vila Real que é para lá das montanhas.

Martin André: Sei muito bem onde fica. Vive lá?

AST: Não. Mas como estou aqui perto e os meu pais estão lá...

Martin André: Também gosto muito de Lisboa.

AST: Mas o Porto tem uma magia especial. Talvez um pouco escuro...

Martin André: Não! Não! É muito belo. Eu e a minha família gostamos muito de estar cá. As pessoas...

AST: Sim, sim! As pessoas cá no Porto são muito simpáticas. Também gosto muito delas.

Martin André: Gosto muito da cidade, das pessoas e dos músicos: são muito concentrados no seu trabalho.

AST: No seu entender a ONP tem um grande nível?

Martin André: Sim tem. Muito especialmente a possibilidade de o elevar. Isso depende dos programas, dos chefes de orquestra e todas as outras coisas...

AST: Que coisas?

Martin André: As coisas políticas, mas quando eu estou aqui sómente por uma semana, nós fazemos estritamente e sómente música. Nós esquecemos esse género de coisas e trabalhamos totalmente na música. É muito bom e muito saudável!

AST: Acha que em Portugal há demasiada política a atrapalhar a criatividade?

Martin André: Sim! Porquê? É sempre assim?

AST: É uma pergunta?

Martin André: Sim.

AST: Não sei. Interessa-me pouco. Cada vez menos.

Martin André: Você vive cá... mas para mim é uma pena...

AST: Pois...

Martin André: Há sempre política em todos os lugares. É normal...

AST: Acha que em Portugal existem mais interferências e bloqueios que nos outros países?

Martin André: Penso que sim. É pena porque vocês têm bons músicos, têm uma grande casa como esta (Casa da Música), em Lisboa vocês têm várias salas boas como a do Teatro São Carlos e as do Centro Cultural de Belém, que vos permitem fazer coisas boas, não sómente de música mas também na dança, no ballet, na ópera, no teatro, no jazz, etc, mas... a política de cá... isso não consigo compreender.

AST: Acha que os políticos portugueses são mediocres?

Martin André: Não. Não posso afirmar isso porque é perigoso.

(risos)

Martin André: Mas é uma pena! A energia é muito positiva mas de tempos a tempo passa-se algo mau que estraga tudo. Mas a vida continua e temos que manter um espírito positivo.

AST: Costuma vir aqui regularmente trabalhar com esta orquestra?

Martin André: Temos de facto uma relação muito estreita. Somos amigos, profissionais e continuaremos esta colaboração. Estou muito contente por trabalhar com esta orquestra.

AST: Portanto pensa que esta orquestra tem potencialidades para ser ainda melhor. Uma orquestra de grande nível.

Martin André: Sim. Sim. No futuro. A sala é nova...

AST: E com uma acústica horrível...

Martin André: Tem que se alterar isso. O tecto não está bem. Tem de ser melhor trabalhado.

AST: E os materiais utilizados em toda a sala?

Martin André: Também, também...

AST: E a forma rectangular da sala?

Martin André: Isso depende onde está sentado. No meio ouve-se bem. Mais ao fundo não é lá muito bom...

AST: E chama-se a isso uma sala de concertos? Cuja audição varia de lugar para lugar? Uma boa sala tem de permitir uma boa audição em todos os lugares.

Martin André: Sim, sim. Isso é verdade. É necessário falar-se ao nível da direcção, pensar-se e ver o que se pode fazer para melhorar um pouco a acústica.

AST: Eu penso que é necessário optimizar-se a acústica. Se é que é realístico face áquilo que se construiu...

Martin André: É necessário fazer-se qualquer coisa. Futuramente...

(risos)

AST: O que significa para si Shostakovich? Que por acaso é um compositor cuja obra conheço bem...

Martin André: Hã sim?

AST: Olhe: já escuto os Borodin a tocarem os quartetos de Shostakovich há cerca de vinte anos! Por exemplo... Acha que Shostkovich tem a envergadura de um Mozart?

Martin André: Hum... É difícil de responder. Tempos diferentes, países diferentes... Mas... ele escreveu quinze sinfonias...

AST: Quinze quartetos de cordas...

Martin André: Exacto. E eu creio que por exemplo esta sinfonia (11ª) é uma grande história da revolução. Depois há as sinfonias 7, 8, que são contra as regras vingentes... Ele viveu a sua vida no século vinte e a sua música vem do coração, sendo uma música para todo o público e não sómente para intelectuais. Ele cria diferentes energias, repare: esta (11ª) começa com "largo" e "pianissimo" com as surdinas. No final o som, as dinâmicas, são incrivelmente fortes. Muito interessante. Para tocar e para escutar: isso é o que me agrada muito. A sua música não é só para os músicos mas para os músicos e para o público.

AST: Eu penso que o nível da criação de Shostakovich é desigual. Tem obras extraordinárias e outras que nem por isso. Que lhe parece?

Martin André: Hum...

AST: Isto passa-se com todos os compositores. Até com um Beethoven... Mas com Shostakovich parece-me demasiado notório. Ele tem sinfonias geniais e outras que foram menos conseguidas.

Martin André: Não estou muito de acordo. A primeira por exemplo... ele era muito jovem quando a escreveu...

AST: Mas essa é excelente!

Martin André: Exatamente!

AST: E a segunda é fantástica.

Martin André: Para mim essa não é tão importante.

AST: Talvez porque seja mais experimental... Mas muitíssimo bem escrita! Aí Shostakovich foi inovador e levou logo com as críticas do partido comunista. A partir daí abandonou radicalmente o estilo que iniciou com a segunda sinfonia. O que não o livrou de críticas futuras...

Martin André: Sim, sim. É verdade!

AST: Para aquela época a segunda sinfonia foi absolutamente inovadora. E aí os comunistas, os dirigentes, encarregaram-se de pôr-lhe um freio...

Martin André: Na verdade para responder com um conhecimento muito aprofundado à sua questão teria de ter dirigido todas as sinfonias dele e isso não aconteceu ainda. O que lhe posso dizer é que não há uma única sinfonia de Shostakovich que eu não queira fazer. Quero dirigir todas as quinze.















Leio no Expresso a algazarra entre Joe Berardo e o Governo sobre as condições de instalação de uma colecção de arte no CCB. Que saudades de Sarquis Gulbenkian e de José de Azeredo Perdigão. http://bichos-carpinteiros.blogspot.com (Sábado, Fevereiro 18, 2006)














The precarious existence of the thousands in Britain's underclass

In a ground-breaking investigation, Felicity Lawrence has spent a year looking into Britain's spreading underworld economy. She has talked to unions, advice agencies, investigators and the migrant workers themselves. Many have been too frightened to talk. But those who do tell an unsettling story of a casualised and unregulated Britain in 2005

Monday January 10, 2005
The Guardian
http://www.guardian.co.uk

Soon after dawn, the old causeway road linking the Selsey peninsula to the prosperous Sussex town of Chichester heaves with traffic. On one side heading north is a queue of commuters, lone drivers in their empty people carriers, waiting to get on to the ring road. On the other side hurrying south is a succession of ageing minibuses, their cargo of smoking migrants crammed into seats behind tinted windows.
Each morning the two worlds pass each other as they cross the roundabout where a local campaigner's sign tries to hold back the tide: "Say no to the European constitution, vote Ukip." They pass but never meet.

And so it is each morning around Britain. Over the last decade the economy here as elsewhere has built its success on the use of casual migrant labour, much of it subcontracted for maximum flexibility to labour agencies, or gangmasters as they are known. This subcontracted migrant labour has provided a workforce that can be turned on and off at a few hours' notice depending on the workload to sectors that have seen strong growth - food production and processing, construction, catering and hospitality, health care and contract cleaning - enabling the organisations that use it to compete globally. Without migrants many of the cheap goods and services we enjoy would not be affordable. The companies using gangmasters and the gangmasters themselves say they take strenuous efforts to ensure they comply with all employment and immigration legislation. Yet the system is beset with allegations of exploitation and illegality - and workers for these agencies paint a very different picture. Over the last year the Guardian has investigated some of the networks of labour agencies operating around Sussex, to throw a spotlight on the gangmaster system. The findings highlight a historic pattern to the allegations of abuse which suggests the problems may not be isolated but structural to a "flexible" workforce.

This is a pattern replicated across the UK. The underworld of gangmastered labour that was glimpsed when 23 cockle pickers died at Morecambe Bay is spread like a web throughout the country.

One of the leading companies involved in food production in Sussex is Natures Way Foods. It washes and packs over 14bn salad leaves a year for British consumers. Set up in 1994 at the suggestion of Tesco to supply all its branches with salad, it depends on migrant labour. It employs many of its local and foreign workers direct but it and its sister companies have also used a succession of agencies or gangmasters over the years. The Natures Way website boasts of the "phenomenal growth" the company has achieved with backing from Tesco: "Our first four years were so successful... our business doubled in size every year ... In December 1999 we were placed 29th in the Fast Track 100 of the country's fastest growing companies."
...
Additional reporting and interpreting by Hsiao-Hung Pai, Carlos Guarita (carlosguarita@macunlimited.net), Alex Bellos and Binka le Breton.

Special report Refugees
http://www.guardian.co.uk/Refugees_in_Britain/0,2759,180745,00.html

Special investigation Maggie O'Kane: the refugee trail
http://www.guardian.co.uk/graphics/0,9749,493873,00.html















2006/02/13

JOSHEP MALLORD WILLIAM TURNER

The finest creator of mystery in the whole of art, Claude Debussy, referindo-se a J.M.W. Turner

Quando se fala de Turner, estamos a tratar, nada mais nada menos, que do "inventor" do abstraccionismo e do grande percussor do impressionismo. A forma como Turner trabalhou a luminosidade foi totalmente inovadora e foi um passo, somente um passo, para, de um trabalho absolutamente novo a partir da pintura das luminosidades, entrar no campo da fuga das formas figurativas.

Entre 1840 e 1845, Turner deixou inacabadas algumas obras. Era normal que o pintor terminasse as obras quando se encontravam expostas para os membros da academia, poucos dias antes das portas serem abertas ao publico em geral. O resultado foi que muitas obras ficaram por acabar, outras nem chegando a ser expostas. No entanto se olharmos bem para Landscape with Water ou para Seascape with Storm coming On, concluiremos com facilidade que, em muitos casos, o pintor deixou as obras "inacabadas" porque, pode-se afirmar com alguma certeza, achou que estavam "acabadas de facto". Porque arrisco este juizo pouco convencional? Comparando com obras consideradas "acabadas" como Norham Castle - Sunrise, igualmente de 1845, verifica-se que existe uma continuidade estilistica que se projecta para um abstracionismo crescente. As similaridades conduzem-nos a Sunrise with a Boat between Headlands, obra inacabada que nos leva, olhando para Norham Castle, a questionar se grande parte das obras inacabadas deste periodo teriam sido deixadas assim deliberadamente. Claro, existem pormenores que nos levam, numas mais que noutras, a afirmar que se encontram inacabadas. Algumas, com toda a clareza, ficaram inacabadas. O problema coloca-se se houve vontade expressa do criador ao "abandona-las" nesse estado, nomeadamente aquelas referidas, que poderiam muito bem, utilizando uma metodologia comparativa, ficar exatamente como acabaram por ficar, podendo serem consideradas "acabadas". Nessa fase, como foi dito, toda a obra de Turner se direccionava para um abstracionismo crescente que ele trabalhou no limite, que foi o limite do seu tempo e daquilo que ainda poderia ser compreendido como "arte". Mas o interessante tem a ver com o "limite" que foi muito mais alargado que aquilo seria de esperar em meados do sec XIX. No seu tempo, Turner colocou a Inglaterra muito adiante no que toca a esta forma de arte. Voltarei a Turner que pode ser visto, gratuitamente, na Britain Tate. Pilar Villa















CASAQUISTÃO

Haviam histórias, no passado, em que as famílias para se verem livres de um herdeiro indesejado o declaravam senil, internando-o num hospício. Histórias que oscilavam entre a irrealidade pouco sustentável e a surrealidade que todas as realidades comportam. Nos regimes totalitários esta era a via "ligth", normalmente quando o "politicamente incorrecto" era de "boas famílias". Em vez de ser fisicamente eliminado, a via preferida dos fascistas e outros totalitários, era declarado "insane" e colocado num asilo, para contentamento de todos.
Afinal esta última via parece ainda funcionar em regimes aparentemente democráticos, na prática (muito) pouco democráticos, que se encontram sob "vigilância", sob o olhar dos "outros", neste caso da "comunidade internacional"...
Infelizmente, e isto é muito sintomático do "carácter" de um país, em Portugal, ninguém parece dar muita importância ao facto de na Madeira, uma ilha que consta ser portuguesa, o chefe aparentemente vitalício do governo regional, com o apoio unânime, claro está, do partido a que pertence, impôs uma peritagem psiquiátrica a um deputado da oposição que acusa o regime de anti-democrático e corrupto, coisa que não parece ser novidade para ninguém do exterior, só que dito na ilha tem as consequências que tem num regime de cariz totalitário que não aceita a crítica.
Se tal se passasse no Casaquistão, seria considerado "normal", mas talvez os jornais portugueses o referissem. Agora, na Madeira, uma ilha que consta ser portuguesa, parece que o politicamente correcto dita que os jornais, excepto um, os partidos e o "governo da nação", ignorem o assunto. Trata-se afinal de um "caso médico"... País maravilhoso! AST

Nota: perdoem-me os do Casaquistão onde talvez um caso assim não aconteça.

Nota2: passados poucos dias após o "caso médico" acima comentado, um jornal foi "saqueado" sob ordem judicial. Em Portugal, em vez de se impedirem as fugas de informação nos tribunais, processam-se judicialmente os jornais e os jornalistas que publicam as ditas "fugas", cuja responsabilidade é de agentes do mesmo aparelho judicial que seguidamente os processa. País Maravilhoso, bis!














En un libro que se llama “Argentina rumbo al colapso energético” y que puede bajarse de Internet en la página correspondiente a la Universidad del Salvador, Ricardo Andrés de Dicco, nos anticipa que como resultado de la actual política de explotación irracional de los recursos, nuestras reservas tanto de gas como de petróleo, estarían agotadas en menos de una década. Lo que viene según él, inexorablemente en la Argentina, seria una gravísima situación de colapso energético a la vez que una importante dependencia nuestra en esa materia de Bolivia y de Venezuela, con la consecuencia de graves distorsiones en la competitividad del aparato productivo nacional. Según los diagnósticos de de Dicco, hacia el 2020 el suministro eléctrico del país deberá cubrirse en un 62% por centrales nucleares, 36% por centrales hidráulicas y 2% restante por granjas eólicas y ello implicaría la construcción antes de esa fecha de once nuevas centrales nucleares, dos represas hidroeléctricas internacionales, la de Garaví y la de Corpus Christi, además del desarrollo de granjas eólicas y plantas de producción de biocombustibles para uso local y de la agricultura. www.ellibertadorenlinea.com.ar RECURSOS NATURALES Y SER HUMANO (13/02/2006)














Aquecimento é global e o maior nos últimos 100 anos, diz estudo
...
Pesquisadores fizeram medições para descobrir temperaturas máximas através do tempo
Por mais que alguns ainda tentem negar, a comunidade científica internacional se mostra cada vez mais de acordo sobre uma ligação entre o aquecimento global incomum e atividades humanas - como o uso do petróleo, por exemplo.
Uma nova pesquisa caminha nessa direção. Publicada na revista científica mais influente dos Estados Unidos, a Science (www.sciencemag.org), ela mostra que o Hemisfério Norte registrou no século 20 as ondas de calor mais freqüentes e mais influentes de pelo menos os últimos 1.200 anos. Em mais de mil anos, nunca houve uma flutuação tão intensa. www.segs.com.br (14/02/2006)















COMPRAR CD'S EM LONDRES

O editor do blog pediu-me para procurar alguns cd's da editora "Brilliant Classics" e respectivos valores em London. Todos os valores indicados foram encontrados no megastore da HMV em Oxford Circus, um dos melhores locais para estas compras. Tratam-se dos valores normais praticados nesta casa para estes discos e esta etiqueta. Existem saldos "loucos" nesta altura que permitem adquirir estojos e cd's de outras etiquetas que normalmente custam 3 ou 4 vezes mais. Deve-se procurar bem, nesta e em outras casas vizinhas, nomeadamente nas Virgin's, que por sistema praticam valores mais elevados mas onde por vezes se encontram saldos inesperados, como os nocturnos de Chopin por Pollini, dois cd's de 2005, por 10 pounds(£). LP

MAURICE RAVEL - Complete Orchestral Works (4 cd's)
ONF, E. Inbal
6,99(£)

CLAUDE DEBUSSY - Orchestral Works (4 cd's)
Orch. ORTT, Jean Martinon
6,99(£)


BEETHOVEN - Complete Symphonies (5 cd's)
Staatskepelle Dresden, Herbert Blomsted
8,99(£)

J.S.BACH - OrgelWerke (6 cd's)
Tom Koopman
9,99(£)

SCHUBERT - Complete Symphonies (4 cd's)
The Hanover Band, Roy Goodman
6,99(£)

MOZART - Piano Sonatas
Maria João Pires
8,99(£)

EVGENY KISSIN IN CONCERT (4 cd's)
6,99(£)


Outros cd's

HMV (Oxford Circus):

DMITRI SHOSTAKOVICH - Quartetos 1 - 13 (4 cd's)
Borodin Quartet (original members)
Chandos Historical
£9.99

MOZART - Violin Sonatas
Hilary Hann, Natalie Zhu
Deutsch Grammophon
£6.99

MARTHA ARGERICH AND FRIENDS (3 cd's)
EMI
£9.99

DVORAK - Tone Poems
Berliner Philharmoniker, Simon Rattle
Deutsch Grammophon
£9.99

Virgin (Oxford Street e Piccadily Circus):

MAHLER - Symphony 9
Berliner Philharmoniker, Claudio Abbado
Deutsch Grammophon
£8.99

Os cd's editados pela LSO custam £5.99 cada um mas muitas vezes podem ser comprados por £3.99

Os cd's da Penguin Classics podem ser adquiridos por £2.99!













"A defesa da liberdade de expressão é um principio sagrado" da democracia europeia, que "nada" pode pôr em causa, afirmou ontem à noite, em Washington, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso.
...
"A liberdade de expressão é um elemento essencial da nossa democracia", frisou o presidente da Comissão Europeia.
"É precisamente esse princípio que permite que algumas vezes haja aquilo que alguns consideram excessos mas que permite também que se possa contestar essa situação por meios pacíficos, pelo debate e pelo diálogo", acrescentou Barroso www.publico.clix.pt (10.02.2006, 08h54, Lusa)














“Alto lá! Esta terra tem dono!”
Seguramente os indígenas representam hoje no Brasil o movimento social mais ativo e radicalizado em defesa dos seus direitos frente ao Estado. Estão diariamente em evidência por ocupações de prédios da FUNASA e FUNAI, retomadas dos territórios invadidos e, neste momento, as mobilização pelos 250 anos da morte de Sepé Tiaraju, no Sul do país. Os índios têm sido notícias também pela caótica situação da assistência à saúde ou quando a Polícia Federal, a mando da Justiça Brasileira, os expulsa de forma violenta das suas terras em favor de poderosas empresas ou fazendeiros. O que está acontecendo com os índios e por que tanta repressão? www.midiaindependente.org (07/02/2006 às 04:05)



Kito, 07 de febrero de 2006.- Los pueblos kichwas del Ecuador agrupados en Ecuarunari, condenamos enérgicamente la represión ejercida por el gobierno de Alfredo Palacio en la noche de ayer y esta madrugada contra los compañeros habitantes de Sucumbios y Orellana de nuestra Amazonia Ecuatoriana. http://florenciovaz.blog.uol.com.br















2006/02/09

JUNGLES IN PARIS

Pilar Villa

Foi sob este nome sugestivo que estiveram expostas na Modern Tate, entre 3 de Novembro de 2005 e 5 de Fevreiro de 2006, um conjunto muito importante de obras do HENRI ROUSSEAU.

Na verdade tratou-se de um acontecimento de primeiro plano pelo relevo e pelo investimento. Todos sabemos os gastos que se fazem cada vez que se trazem obras de todo o mundo para serem exibidas num mesmo local. Tal acontecimento permite-nos contactar com quadros que nunca tinhamos visto "ao vivo" e ter uma prespectiva fundamental de uma vida e de uma obra.

Logo na entrada deparava-se-nos Tiger in a Tropical Storm de 1891. Um tigre caricaturizado que mais parece uma deidade do budismo (lembremo-nos da Exposiçao Universal onde Rousseau e Debussy se passearam e se maravilharam) parece saltar numa selva irreal, atravessada por longas pinceladas de oleo sobre a tinta que parecem simular as rajadas de chuva tropical. Esta foi a primeira pintura de Rousseau sobre a selva.

Um pouco antes, em 1889, Rendez-vous in the Forest é uma pintura de conto de fadas, onde um cavalheiro transporta ao colo a sua dama ao longo de uma floresta de paz.

Mas foi em Carnival Evening de 1963 onde Rousseau conseguiu um ambiente de maior misteriosidade, onde o maravilhoso entronca com uma natureza que encobre e testemunha um irreal fabulado. Uma lua cheia encima uma paisagem de fim de dia, recortada por arbustos sem folhas, onde duas figuras de sonho a iluminam: Pierrot e Columbine. Simplesmente maravilhoso.

Em The Waterfall de 1910, em pleno "estilo da selva", uma selva conhecida a partir de livros e de jardins parisienses, Rousseau pinta uma cascata caricata, pois parece uma pequena fonte, onde se encontram figuras supostamente africanos. Um quadro kitsh.

Jungle with Setting Sun, também de 1910, trata-se de uma das raras pinturas onde aparecem humanos a serem atacados. Numa selva luxuoriante com um sol grande, redondo e muito vermelho a mostrar-se por entre as folhas, um leopardo ataca um humano.

Muitas seriam as obras que mereceriam ser referidas mas irei falar de uma mais que teria, em qualquer dos casos, de ser assinalada. Trata-se de War, um trabalho de 1894.
A presença influente das pinturas medievais onde a morte aparece a cavalo e com uma foice torna-se evidente. Aqui, uma menina de rosto selvagem galopa um monstruoso cavalo negro, empunhando uma longa espada. O cavalo salta sobre corpos inanimados sobrevoados por aves negras. O azul muito claro, estranhamente luminoso, no ocaso, contrasta com as tonalidades avermelhadas e estranhas da proximidade. Uma obra impressionante, monumental e carregada de simbolismo. De um terrivel simbolismo...















2006/02/07

QUARTETO BORODIN

É penível, quando se acompanhou ao longo de muitos anos a carreira de um agrupamento que foi dos melhores do mundo, ter de concluir que os agrupamentos não são eternos, porque quem os integra também não. Claro que quando uma orquestra passa a instituição mundial, como uma Berlin ou uma Wien Philharmonic, os estados encarregar-se-ão de perpétuar a sua existência, mantendo os elevados níveis, porque passaram como a "património cultural da humanidade" e prestigiam os países que as construiram e mantêm. Aliás as Filarmónicas, no início, foram obra de associações de "melómanos". Um quarteto de cordas não tem o impacto de uma orquestra filarmónica e são raros os casos em que os estados se "encarregam" deles. Muitos quartetos que fizeram história já não existem. O Quarteto Borodin é um dos poucos da "velha guarda" que ainda se mantém no activo por alma e obra de Valentin Berlinsky que é um dos músicos mais honestos do mundo (os músicos, salvo excepções, são dos seres mais honestos do mundo), para além do grande artista que sempre foi. Rostropovich retirou-se a tempo. Passou a dirigir orquestras, como outros grandes instrumentistas, sendo agora uma "estrela" da direcção orquestral. No violoncelo tocará seguramente. Mas em privado. Valentin Berlinky, que já tivémos a honra e a alegria de entrevistar, leva o seu projecto de vida até ao final. O problema é que, tal como sucedeu com outros génios da interpretação, a partir de determinada altura as falhas notam-se. Primeiro os outros músicos, depois os "críticos" com formação musical sólida e finalmente o público. Por duas vezes, no recital de ontem do Quarteto Borodin na Casa da Música do Porto, a desafinação foi notória numa frase repetida em duo pelo violoncelo e o viola. Uma acústica anormal transformou um mau momento numa tragédia pois numa sala sem reverberação uma desafinação é uma "drama" que impacta e choca. Claro que isto acontece, não é novo, mas vindo daquele que foi, para muitos, o melhor quarteto de cordas do mundo, é no mínimo constrangedor. Mas não foi só isso. No início do quarteto nº5 op18 de Beethoven, não se percebeu o que o agrupamento quis ao escolher colocarem os arcos junto aos cavaletes com as sonoridades características que se produzem. Pareceu não existir um conceito, uma "estética", por detrás deste gesto. Que nos lembremos isso não consta na partitura. E mesmo que constasse, tem de se perceber, na continuidade, que tem uma concepção composicional a suportá-lo. Beethoven é um dos compositores que nunca esboçou um gesto em vão. Se não consta e o agrupamento decide fazê-lo, tem de ficar claro, e ser percebido auditivamente, que se trata de uma leitura singularizada suportada por uma concepção estética absolutamente consistente. Não nos pareceu nenhum dos casos. Já o "andante cantabile" da mesma obra foi um momento grande deste recital. Grandes linhas, grandes respirações, grandes arcos dinâmicos, produziram uma leitura sentida e genial daquele andamento.

O quarteto nº14 de Shostakovich, de 1972, é mais uma daquelas obras do compositor que corresponde, em nosso entender, a um momento baixo de inspiração. Não se sente a necessidade do fluir dos acontecimentos que acontece noutros quartetos do compositor. Fica-se com a estranha sensação que poderia se assim mas também poderia ser "assado". O pior é que se calhar "assado" resultaria melhor... Teve fases, o grande compositor russo, que nunca teve a vida propriamente facilitada. Os Borodin fizeram o melhor que puderam num repertório que trabalharam directamente com o criador. Quanto ao quarteto nº16 op 135 de Beethoven, que preencheu toda a segunda parte, teve bons momentos mas globalmente ficou bem aquém daquilo que os Borodine já fizeram com esta mesma obra. Claro que uma outra acústica melhoraria tudo, mas desta vez, infelizmente, o problema não foi só da má acústica. Voltando ao princípio, provavelmente um quarteto não pode durar eternamente. AST














SURREALIZANTE

Construir-se um projecto de raiz, dedicado nomeadamente à música contemporânea que tem sido marcada por várias óperas, algumas das quais já são referências na história da música do século vinte e outras sê-lo-ão para o presente século, pressupunha, no mínimo, um fosso para orquestra. Mesmo sem cena e maquinaria, cuja inexistência nos parece igualmente um absurdo, os encenadores arranjariam formas eventualmente interessantes de contornar essa ausência. Quando qualquer teatro de "província" possui, hoje em dia, fosso para orquestra, é no mínimo estranho que a Casa da Música do Porto, um projecto que levou largos milhões, não o possua. Claro que agora ninguém é responsável. Alguém nos disse que foi o arquitecto que não quiz!!!
Mas como este facto incompreensível não bastasse só por si, temos um auditório principal rectangular, a pior configuração acústica, decorado com materiais não absorventes. Claro que a reverberação é enorme e claro que a audibilidade varia de zona para zona, dentro da sala.
Até o pequeno auditório, decorado com madeiras esburacadas altamente absorventes e contra-indicadas para espaços pequenos que já de si possuem pouca reverberação, se caracteriza por uma acústica insuportavelmente sêca. Exatamente o oposto da sala principal. É caso para dizer que não acertaram uma... Tirando estas " minudências técnicas", o mais fantástico, o mais surrealista, são as escadas! De largas e relativamente baixas passam, no lance seguinte, a altas e estreitas. Quem tenha pés grandes que se cuide: a queda pode ser fatal. São grandes lances (...) todos em metal bem durito... AST















2006/02/03

EMANUEL AX INTERPRETA MOZART, BEETHOVEN E CHOPIN

Na Casa da Música do Porto, em Portugal, o pianista polaco, que reside nos Eua, brindou o público presente com interpretações inspiradas da Sonata kv 211 de W.A.Mozart, da op2 nº2 de Beethoven e das quatro baladas de Chopin. Aconteceu dia 5 de Fevereiro.

Ax é dono de um fraseado claro revestido de uma espontaneidade que foi claramente prejudicado pela acústica reverberante de uma sala desprovida de texturas e sem painéis de transmutação acústica que permitam regular o valor da reverberação, cujo limite é o efeito de eco. Se estiver repleta de público, o mesmo funciona como absorvente e a "coisa" passa bem. A questão é que frequentemente a sala não enche e num recital de piano o excesso da dita reverberação é terrivelmente nocivo, sobretudo em obras onde se exige grande clareza de fraseados. No rondeau final da sonata de Amadeus ficou-se com a impressão de uma carência de nitidez. Esta sala revela um problema acústico. Um problema, que ao contrário da inexistência de fosso para orquestra que impede a apresentação de uma infinidade de óperas antigas, clássicas e sobretudo contemporâneas, pode ser resolvido com alguma facilidade (e muito dinheiro...).

Voltando a Emanuel Ax, que é um pianista que já escutamos noutras ocasiões em melhores condições acústicas, a sua interpretação de Beethoven foi menos prejudicada que a de Mozart. Aparentemente Ax reduziu o pedal direito, o que permitiu uma maior nitidez, que a par de um leque mais alargado de dinâmicas, tal como Beethoven exige, nos ofereceu uma interpretação mais consistente do ponto de vista estilistico e dotada de maior expressividade.

Depois do intervalo mudamos para um lugar mais centrado em relação ao piano e a condição acústica melhorou.
A interpretação das quatro baladas de Chopin são sempre um acontecimento que cria algum suspense. Tratam-se de obras centrais da literatura pianística, de criações dotadas de suprema inspiração, além de que se possuiu, frequentemente, registos destas obras por uma infinidade de intérpretes.

A verdade é que Ax nem sempre foi de uma clareza paradigmática, nomeadamente no início da balada nº2. No entanto, na mesma balada, conseguiu dar-nos uma leitura de grande folgo, de grandes gestos que modelaram os contrastes dinâmicos mantendo audíveis, no entrelaçado de harmonias e movimentos temáticos, as linhas condutoras fundamentais que sustentam a estrutura da balada.

Globalmente nas quatro baladas, Ax conseguiu um bom equilibrio entre expressão e clareza, o que nem sempre é evidente nas interpretações que se fazem do génio polaco. Ax demonstrou igualmente ter um conceito pessoal que singulariza as suas interpretações. Um conceito que assenta exatamente na mediação conceptual, sem no entanto se poder dizer que a sua interpretação é "racionalista", mediação esta que impede a arrebatação descontrolada em que muitos pianistas se deixam cair nas leituras que fazem das obras de Fryderyk Chopin. Descontrole que é muito mais fácil de acontecer que aquilo que se pode imaginar. A música de Chopin frequentemente induz num arrebatamento desmesurado. AST














RODELINDA

Il Complesso Barocco, dirigido por Alain Curtis, interpretou dia 1 de Fevreiro, no Barbican, a opera de George Frideric Haendel, Rodelinda, Queen of the Lombards.

Rodelinda teve uma leitura fabulosa pela soprano Emma Bell, que repetidamente recebeu bravos dos ouvintes sempre que terminava uma das muitas e belas arias desta opera.

Sonia Prina, alto, no papel de Bertarido, marido de Rodelinda, foi igualmente muito louvada pelo ouvintes que enchiam o Barbican, se bem que se vissem alguns lugares por preencher. Uma leitura convicta, uma voz bem colocada e bem projectada e um belo timbre redondo, justificam perfeitamente este entusiasmo dos ouvintes.

No papel do malvado Grimoaldo, Duque de Benevento, esteve Fillipo Adami que demonstrou possuir uma voz excelentemente colocada e um muito belo timbre claro e projectado. Igualmente Kobie van Rensburg, mezzo, esteve muito bem no papel de Eduige, assim como Hilary Summers, alto, no papel de Unolfo, conselheiro de Garibaldo mas aliado secreto de Bertarido. Finalmente Vito Priante, baritono, foi um Garibaldo eficaz.

Il Complesso Barocco esteve excelente, com muito poucos deslizes, inevitaveis em concertos ao vivo com instrumentos antigos. Alain Curtis, uma vez mais, mostrou ser um dos mais interessantes e criativos directores de obras antigas, na actualidade. Um espectaculo cinco estrelas. Livios Pereyra














CHRIST IN THE HOUSE OF HIS PARENTS

Um trabalho considerado conservador quando comparado com outras obras do artista.
Na realidade deve ler-se nas entrelinhas desse aparente e localizado conservadorismo de estilo nesta obra de John Everett Millais (1829-1896).
Falou-se no simbolismo da madeira, etc, etc (o quadro mostra a carpintaria do pai).
Mas o que impacta e choca trata-se do outro menino. Do servente, que parece levar um recipiente para o cristo que tem cara de mimado. Uma face onde se espelha medo no seu olhar de lado. Face ao suposto poder e trancendentalismo, ao menino normal resta a serventia e receio. Isto transparece claramente assim como a face da Maria. Uma face transviada de doente mental. Depois existe um rebanho, um rebanho muito caricato, que parece esperar que o "menino-deus" os conduza para qualquer lado. Millais nunca poderia ter pintado isto por acaso. Um quadro rotulado de conservador, e por isso detestado por Charles Dickens, possuiu muito mais que o aparente academismo de estilo.
Na mesma sala da British Tate encontram-se quadros "famosos" e "vanguardistas" do mesmo pintor, como o genial "Ophelia". Pilar Villa














AMEAÇAS E DESTRUIÇÃO

Assim reagem os fundamentalistas islâmicos a uma simples banda desenhada publicada num jornal dinamarquês.
Individuos que não aceitam a liberdade de expressão, que reagem utilizando a mesma violência fanática que nos seus países usam para suprimir toda e qualquer diferenciação, não podem continuar a ser aceites na Europa. A Europa é um espaço de liberdade e criação. A Europa que sofreu guerras desvastadoras não irá deixar-se subjugar por um bando de fanáticos que não hesitam em assassinar, como fizeram com Theo van Gogh.
Tony Blair, na Inglaterra, sofreu uma derrota, que irá custar-lhe a liderança dos liberais e projectá-lo para fora do poder, ao não conseguir aprovar uma lei ridícula que impunha limitações ao tratamento pelos "media" da temática religiosa. Blair em vez de defender a liberdade com a mesma convicção e determinação com que se atolou na guerra do Iraque, essa sim absurda, queria restringi-la afim de evitar situações que toquem as infinitas susceptibilidades dos fanáticos islâmicos, que parcem ser os únicos, na actualidade, que reagem violentamente quando as suas figuras "sagradas" são submetidas ao olhar irónico que parecem não compreender, ou não desejarem de todo compreender. Esta leitura será válida para qualquer outra forma religiosa que se pretenda absoluta ao ponto de querer suprimir a possibilidade de outros a lerem de fora, com ironia ou sem ela, com mais acidez ou mais cautelosamente. Em qualquer dos casos as "sociedades abertas" têm de se defender. Defender eficazmente! Quem o disse foi Karl Popper, que voltou à ordem do dia.
É claro que poderemos lançar um olhar analítico sobre este "caso", sobre esta agressividade transbordante que se manifestou a propósito de uns "cartons", como se poderia manifestar a propósito de outra coisa qualquer.
Então, veremos multidões que em sociedades masculinas, rígidas, fechadas e de cariz obecessivo, extravasam a sua "líbido" através desta violência pública, na forma de um discurso dirigido ao "outro", um "outro que goza" na versão do "outro que nos goza" (incarnada na visão delirante de um suposto desrespeito pela figura do "profeta", visão alucinada do "outro que nos está a gozar", que assume aqui uma radicalidade psicótica). Por outro lado, o semblante de um "profeta" hiper-poderoso, o "grande pai", conforta a miséria do dia a dia daquelas multidões que desta forma sublimam o seu real pela construção de uma realidade, a sua realidade, onde a supermacia psíquica está, para eles, garantida e a supermacia material é buscada, com toda a legitimidade da "verdade", nomeadamente através da procura do poderio nuclear. Tudo em nome do "profeta" cujos textos de alguma maneira convalidam estes delírios.
"Nós" comprendemos tudo isto muito bem e desejamos ajudar. Mas não permitiremos, em caso algum, que destruam as nossas sociedades, desiguais, injustas (umas mais que outras), mas passiveis de crítica, de auto-crítica e de transmutações radicais a partir delas mesmas. Umas mais que outras... AST






O ano passado este anúncio foi proibido em Milão. Na altura, a IAP, entidade que fiscaliza a publicidade em Itália, afirmou que a fé cristã não podia ser parodiada e que era ofensivo para uma parte significativa da população. E declarou mesmo que o facto de se ver o torso nu de um homem a ser abraçado por uma mulher tornava o cartaz publicitário particularmente ofensivo.
O cartaz foi inspirado no Código da Vinci, que sugere que, na pintura, a figura de João é Maria Madalena. O livro de Dan Brown, aliás, foi durante criticado pelo Vaticano, pela voz do cardeal Bertone que, entre outras coisas disse que: “O livro é um monte de mentiras contra a Igreja, contra a verdadeira história do Cristianismo e mesmo contra Cristo. Pediria ao autor deste livro e de outros semelhantes para terem mais respeito porque a liberdade de expressão tem limites quando não respeita os outros”. http://bichos-carpinteiros.blogspot.com (Sexta-feira, Fevereiro 03, 2006, 11:45)





Enquanto a multidão entoava cânticos e palavras de ordem como “Deus é grande”, "pelo nossa alma e nosso sangue, sacrificar-nos-emos pelo o profeta" ou “não nos calaremos”, alguns dos manifestantes substituíram a bandeira dinamarquesa por outra verde com a seguinte inscrição: “Não há outro deus senão Deus e Maomé é o seu profeta”.
De seguida, o edifício de três andares, onde estão também as embaixadas da Suécia e do Chile, foi incendiado. www.publico.clix.pt (4 de Fevereiro de 2006 - 16h35)





Embora o pacifismo de Ghandi pudesse ter feito sentido quando utilizado contra um oponente "civilizado" tal como O Império Britânico, como podemos nós admitir a hipótese de darmos a outra face a adversários que estão dispostos a cometer crimes do tipo Massacre de Munique, ou do 9/11... ou até, já agora, do Holocaustro? Avner, Prefácio à edição de 2005 de Munique - A Vingança, George Jonas, pag.XV (edição portuguesa Ulisseia)





One of the offending drawings shows Muhammad's turban as bomb with a lit fuse. In another he turns suicide bombers away from heaven because "We have run out of virgins".
...
Last November, Islamic extremists in Islamabad issued death threats against the authors of the cartoons. Newspaper offices are frequently attacked in Pakistan for perceived slights against Islam. www.timesonline.co.uk (February 03, 2006)





Le Syndicat national des journalistes (SNJ), majoritaire dans la profession, dénonce "les nouveaux inquisiteurs" et félicite ceux qui "défendent au quotidien ce droit démocratique" à la caricature.
"Dans une France qui fête en ce moment les cent ans de la loi de séparation des Eglises et de l'Etat, ce ne sont pas des religieux parfaitement respectables et encore moins des ultras qui dicteront aux journalistes ce qu'ils doivent écrire", souligne le SNJ. http://fr.news.yahoo.com (vendredi 3 février 2006, 18h13)





The IAEA resolution refers to Iran's breaches of the nuclear nonproliferation treaty and lack of confidence that it is not trying to make weapons.
It expresses "serious concerns about Iran's nuclear program." It recalls "Iran's many failures and breaches of its obligations" to the nonproliferation treaty, and it expresses "the absence of confidence that Iran's nuclear program is exclusively for peaceful purposes."
It requests IAEA Director General Mohamed ElBaradei to "report to the Security Council" steps Iran needs to take to dispel suspicions about its nuclear ambitions.
The resolution calls on Iran to:

_Reestablish a freeze on uranium enrichment and related activities.

_Consider whether to stop construction of a heavy water reactor that could be the source of plutonium for weapons.

_Formally ratify an agreement allowing the IAEA greater inspecting authority and continue honoring the agreement before it is ratified.

_Give the IAEA additional power in its investigation of Iran's nuclear program, including "access to individuals" for interviews and to documentation on its black-market nuclear purchases, equipment that could be used for nuclear and non-nuclear purposes and "certain military-owned workshops" where nuclear activities might be going on.

The draft also asks ElBaradei to "convey ... to the Security Council" his report to the next board session in March along with any resolution that meeting might approve.
Agreement on the final wording of the text was reached just hours before Saturday's meeting convened, after Washington compromised on Egypt's demand that the resolution include support for the creation of a nuclear weapons-free zone in the Middle East. Egypt and other Arab states have long linked the two issues of Iran's atomic ambitions and Israel's nuclear weapons status. http://news.yahoo.com/s/ap/20060204/ap_on_re_mi_ea/nuclear_agency_iran





"Nous ne voulons plus d'une immigration subie, nous voulons une immigration choisie, voilà le principe fondateur de la nouvelle politique de l'immigration que je préconise", dit-il.
"Je sais que ce principe se heurte à deux intégrismes", poursuit le ministre qui dénonce le premier: "l'immigration zéro défendue par (Jean-Marie) Le Pen (président du FN)".
Le second intégrisme est, ajoute-t-il, "celui de ceux qui estiment que tout contrôle de l'immigration porte en lui les germes d'une forme de racisme".
Défendant son "concept" d'immigration choisie, Nicolas Sarkozy souligne qu'il ne s'agit pas de prendre aux pays en voie de développement leurs "bacs +10 pour leur laisser les bacs -4".
Il propose la création d'une "carte spéciale" qui serait délivrée aux étudiants "les meilleurs" en contrepartie de "l'obligation de retourner chez eux afin qu'ils rendent à leur pays une partie du bénéfice de leur formation".
...
Le ministre insiste notamment sur l'apprentissage du français et l'égalité entre hommes et femmes. "Les préfets et les maires auront la charge de vérifier si le contrat d'accueil et d'intégration a été respecté avant de délivrer une carte de résident de 10 ans", souligne-t-il. http://fr.news.yahoo.com (samedi 4 février 2006, 21h33)















2006/02/01

GOLIJOV AT BARBICAN

Quando um compositor tem todo um concerto preenchido com obras suas cria grandes expectativas.

Fazer colagens que revelam "feeling" parece insuficiente se se trata de um concerto numa das salas mais importantes do mundo, como o Barbican.

Os trabalhos de Osvalvo Golijov ouvem-se bem mas encontram-se muito longe de serem grandes obras musicais. No entanto o compositor teve (ainda vai ter mais a estreia de uma opera) o seu "momento Barbican". Na realidade todos os compositores com algum talento o deveriam ter.

Falemos um pouco das obras. Ayre, a mais personalizada, revelou ser um infindavel aborrecimento, que um "dj" tentava animar de tempos a tempos, mas voltava tudo ao mesmo marasmo com Dawn Upshaw a cantar lindas melodias... Para esquecer, mas como existe o cd sempre podem tirar a prova, escutando-o. Para quem quiser gastar dinheiro...

Last Round foi muito bom. Mas trata-se do "estilo Piazolla". Mais vale escutar Piazolla, ele mesmo.

Tekyah teve impacto. Afinal trata-se de um trabalho em folclore hebraico, utilizando os tradicionais "shafars", feitos de corno de animal.

Ainalama (Arias and Ensembles), uma obra com grande impacto emocional. Melodias "tocantes" trabalhadas com textos radiodifundidos que retratam o fascismo espanhol, as suas atrocidades e bestialidades. Emocionante o trabalho sobre a figura de Garcia Lorca e o seu olhar sobre Mariana Pineda, materializada no monumento que Lorca via da janela do seu quarto. Esta obra, com alguma originalidade e muito impacto, valeu o concerto. Mas Golijov tem de mostrar que consegue fazer mais do que colagens eficazes e trabalhos inspirados noutros criadores e noutras formas musicais. Livios Pereyra
















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