CRITICA MUSICAL / MUSICAL CRITIC

Um blog de Álvaro Sílvio Teixeira

2006/11/24

RESSURREIÇÃO

Novamente a genial segunda sinfonia do grande Gustav Mahler, composta entre 1888 e 1894, revista em 1903 (em 1910 Mahler fez algumas alterações manuscritas na partitura), conduzida por Kazushi Ono* - utilizando a revisão de 1903 - à cabeça dos côros e da Orchestre Symphonique de la Monnaie (Bélgica), sendo solistas nas vozes a soprano Susan Chilcott e a contralto Violeta Urmana. Um "live" de 2002, colocado nas lojas pela etiqueta "apex" da WarnerClassics por pouco mais de cinco euros.

É verdade que as cordas deste agrupamento não são as da Berliner ou da Wiener Philharmoniker, mas a força que Ono consegue extrair da orquestra, fundada na superior qualidade e inspiração dos metais, na eficácia das madeiras, na potência e precisão das percussões e, evidentemente, nas cordas que sustentam consistentemente a excelência dos outros naipes, faz deste registo mais um exemplo de uma interpretação com o(s) sentido(s) dirigido(s) para e pelo sublime, que é a essência desta música.

No texto que acompanha os dois cd's vem um excerto de uma carta de Mahler ao crítico Marschalk na qual o compositor faz um curto esboço da estrutura da obra mas o texto já tinha explicado que foi no funeral do pianista e conductor Hans von Bülow, amigo do compositor, que a ideia de criar uma sinfonia com côro adquire consistência. A entrada do côro, na quarta parte** do quinto movimento, é um dos momentos mais sublimes da história da música. Já ouvi melhor, mas os côros de La Monnaie conseguem garantir o "coeficiente" indispensável para manter a interpretação dentro de um registo determinado pelo belo que transcende absolutamente o lugar da "normalidade". Na parte final do quinto movimento, Violeta Urmana dá continuidade ao impulso temático apresentado pelo corne inglês com a flauta na primeira parte, mais adiante apresentado pelo trombone e aqui retomado pela voz com o corne inglês***, que conduz ao remate final - fundado sobre o tema que simboliza a "ressurreição", que nos é re-exposto pelas vozes masculinas e já tinha sido anunciado pelo coral de metais (a sua primeira enunciação aconteceu pouco depois da abertura, quadro sonoro que foi re-pescado do 3º movimento, enunciação feita pela trompa havendo depois desenvolvimentos com base neste enunciado ao longo de todo o movimento), re-aparecendo com a sua máxima elevação espiritual na primeira apresentação do côro - remate este que é uma das conclusões mais grandiosas e inspiradas de toda a criação artística. AST

* o que tem esta interpretação de genial? 1)o conceito global de tempo e os tempos adoptados 2)a luminosa transparência com que nos são oferecidos os vários quadros sonoros 3)o trabalho temático que é suportado por um conceito global da obra cujo fundamento está em um e que condiciona dois.

** as "partes" a que me refiro são as faixas em que neste cd o movimento é dividido. Noutros registos o movimento aparece numa só faixa e noutros, muito poucos, num maior número de divisões. Estas divisões normalmente correspondem à mudança de "quadro sonoro".

*** não é do meu interesse fazer uma análise deste movimento que para mim é o apogeu da criação orquestral. Este tema, genialmente simples, pode ser analisado como um retardo repetido de meio tom sobre a dominante (a frase descendente que surge como "necessidade" deste retardo resolve na tónica da tonalidade onde nos encontramos que de seguida é submetida a uma modulação ascendente que aumenta a tensão dramática). Tão simples e com um efeito tão grande que só encontro paralelo na simplicidade das quatro notas, três repetidas, sobre as quais Beethoven construiu toda uma sinfonia. Neste caso o tema tem uma função dramática, não geminal, ao contrário do que se passa com as quatro notas de Beethoven. É preciso entender-se que a grande genialidade necessita de pouca racionalização, apesar de ser quem determina as grandes estruturas da racionalidade.






Convém que seja noite porque ele ri
e o seu riso é uma coisa insuportável,
uma feérica praia muito limpa
coberta de pancada e água escura.


Mário Cesariny de Vasconcelos
in Os Bantus e as Aves
citado em A Noite e o Riso
de Nuno Bragança


MÁRIO CESARINY DE VASCONCELOS
nasceu no dia 9 de Agosto de 1923, em Lisboa,
onde morreu no dia 26 de Novembro de 2006





Litvinenko morto pelos serviços secretos

Ex-expião russo do FSB. Em 2001 obteve asilo político no Reino Unido... in Metro-Portugal, 29 de Novembro de 2006, pag's 1, 8 e 9




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2006/11/20

Mário Sottomayor Cardia (1941-2006)

Foi meu professor de axiologia e ética na universidade. Uma pessoa educada, serena, que alguns alunos tentaram denegrir, aproveitando uma época em que boa parte da imprensa portuguesa o apresentava como um indivíduo absurdo, uma espécie de palhaço, simplesmente porque se tinha disposto a disputar a presidência sem o apoio de partidos políticos e sem "máquina". Mas não será esse um direito de todos os cidadãos? Não estabeleceu Cardia um paradigma ao ter exercido, ou tentado, um direito dos cidadãos livres, consagrado na constituição portuguesa? Não deveria a imprensa ter tratado com mais respeito alguém que lutou contra a(s) ditadura(s)?
Exatamente nesses tempos em que a imprensa tentava humilhar Sottomayor Cardia, uma "menina", que se considerava muito inteligente e "muito intelectual", escandalizada pelo professor lhe ter atribuído "onze", na escala de zero a vinte, conseguiu arrastar outros alunos num abaixo assinado onde propunham o afastamento da pessoa e professor honesto que sempre foi Sottomayor Cardia. Uns "meninos" que face a outros docentes, mais protegidos ou "poderosos", dos quais todos, ou quase, tinham algo a reclamar, não ousavam sequer apontar o dedo ou levantar a voz. Reclamavam e muito! Em privado e sem nunca desencadearem qualquer procedimento público. Talvez porque existe a ideia que os professores universitários portugueses, depois de passarem a agregados e associados, fazem o que querem, e a avaliação do seu desempenho é um bluff. E que os catedráticos, em Portugal, materializam uma espécie de "sabedoria última" mas, também se sabe muito bem, que muitos não mantiveram os seus conhecimentos "em dia", possuindo uma "sabedoria última"... congelada!* Voltando a Cardia, os alunos aproveitaram-se do desgaste público que ele estava a sofrer para o atacarem. Atitude que revela uma "má humanidade".

Sottomayor Cardia foi uma pessoa boa, um professor discreto, que passei a admirar quando me contaram que foi torturado pela "pide", a polícia fascista, e que manteve uma postura "heróica". Lembro-me que no trabalho que fiz para a disciplina que ele ensinava equacionei partes da Crítica da Razão Prática. Já passaram muitos anos. No entanto recordo-me das sugestões inteligentes que, com uma simplicidade impressionante, Sottomayor Cardia me fez. Não sou católico, mas "paz à sua alma". Ele merece-a bem. AST

* embora as situações abaixo referidas supostamente não aconteçam na universidade pública onde Cardia foi professor, deve ser dito que a actual lei portuguesa da autonomia das universidades, que investe os reitores do poder de reconhecerem diplomas emitidos por instituições estrangeiras, passando a ser válidos dentro da universidade respectiva, abre a porta para o reconhecimento de "diplomas de doutoramento" comprados a obscuras "universidades" privadas, que existem nomeadamente nos Eua, permitindo a qualquer "esperto" que "adquira" um "doutoramento" desses, no caso de um reitor o reconhecer, poder ser professor (ou investigador...) na universidade do reitor que o aceitou. Também os diplomas de doutor emitidos pelas universidades espanholas, que não têm qualquer validade em Espanha porque os diplomas que valem são emitidos centralmente e assinados pela/o ministra/o que tutela as universidades e pelo rei, passam a ser "válidos" em Portugal se um reitor os reconhecer para exercício na "sua" universidade (desrespeitando, se tal acontecer, o que foi assinado em Bolonha onde consta que todo o diploma que não tenha valor no país de origem não tem validade no espaço comunitário europeu). Não só é paradoxal, como permite a disseminação da mediocridade e dos "empregos para os amigos", a lei que actualmente regula a autonomia das universidades portuguesas!














2006/11/05

SEMPRE INTERPRETEI MÚSICA CONTEMPORÂNEA

Se nos pedissem para indicar um nome significativo da interpretação do periodo clássico, a probabilidade desse nome ser Christopher Hogwood seria muito elevada. O histórico músico veio a Portugal, ao Porto, à Casa da Música, dirigir a Orquestra de Câmera de Basel, num programa com obras de Prokofiev e uma sinfonia de Haydn. Foi aí que, durante o intervalo do concerto, conversamos com ele.

Álvaro Teixeira Lembra-se da integral das sinfonias de Mozart que gravou há muitos anos atrás?

Christopher Hogwood Foi a primeira integral com instrumentos da época e foi muito completa. Gravamos as diferentes versões que existem dos movimentos de algumas sinfonias. As pessoas ficaram surpreendidas.

AT Neste concerto conduz Prokofiev. Porquê Prokofiev e Haydn?

CH Porque Prokofiev gostava muito de Haydn e uma sinfonia clássica de Haydn é uma muito boa combinação. Eu gosto de misturar obras clássicas com obras do século vinte. Eu faço muitos programas misturando clássicos e antigos com obras neo-clássicas. Haydn e Prokofiev, Haydn e Stravinsky, Haendel e Hindemith, Telemann e Martinu, e outras combinações.

AT Nunca interpretou música contemporânea? Só neo-clássicos como aqueles?

CH Eu já dirigi estreias mundiais de obras contemporâneas. Por exemplo de John Woolrich. Mas também dirigi obras de Schnittke, Ligetti, Pendereki...

AT Alguns directores começaram pela música antiga e depois foram avançando até aos contemporâneos. Muito poucos. A maioria fica nos românticos...

CH Quando era estudante toquei muita música contemporânea. Por isso para mim não é novo interpretar repertório contemporâneo. Actualmente eu faço poucos concertos utilizando instrumentos históricos.

AT Porquê?

CH Não há muitas orquestras que utilizem instrumentos históricos e grande parte das que utilizam não necessitam de conductor.

AT Mas dirigiu as sinfonias de Mozart...

CH A partir do cravo...

AT É verdade! E Jaap Schroder era o primeiro-violino.

CH Exatamente.

AT Dirige regularmente esta orquestra (Kammerorchestra Basel)?

CH Sim. Em trabalhos que também incluem registos. Já gravamos cerca de seis cd's.

AT Vive no Reino Unido?

CH Sim. Sou professor em Cambridge e aí vivo.

AT A Academy of Ancient Music continua a existir?

CH Sim, claro. Agora mesmo estão a tocar na Holanda, se não estou em erro. Tocam muito. Mas eu já não faço parte.

AT Mas não é o director-artístico?!

CH Não. O novo director é Richard Egarr.

AT O cravista?!

CH Sim. É o novo director desde Setembro.

AT Antes era Manze, Andrew Manze, violinista, mas o nome do Christopher Hogwood aparecia sempre como o director-artístico.

CH Fui director quando Manze era o konzertmeister. Agora Richard Egarr é o novo director.

AT Isto é novidade para mim... Bem... Dirige orquestras sinfónicas?

CH Sim. E também dirijo frequentemente óperas. Em Paris, no Scalla...

AT Que ópera fez no Scalla?

CH Dido e Eneas, de Purcel.

AT Mas isso é música antiga. Modernas, fez alguma?

CH O Rake's Progress de Stravinsky. Também trabalho regularmente com o Tonhalle de Zurich.

AT O que pensa da actual situação musical na Europa?

CH Para responder a essa questão seria necessária uma semana, mas suponho que cada país necessita de mais suportes financeiros. Por todo o lado existem problemas relacionados com isto. Em muitos países existem problemas com o ensino da música. Não sei qual é a situação em Portugal... Em Espanha é mau. Em Itália não é melhor... Ensinar bem ás crianças sai caro mas é necessário.

AT Mas no Reino Unido o governo não dá muito dinheiro para as orquestras. São mais os sponsors... E parece funcionar bem...

CH Cada orquestra gasta grande parte do seu tempo a arranjar sponsors. Tempo que deveria ser melhor aproveitado. É uma pena... Depois as pessoas não sabem o que isso significa. Pensam que são os sponsors que devem escolher os programas, coisa que não pode acontecer nunca. Os sponsors têm de ouvir a música que os artistas desejam tocar. Ser sponsor não significa poder escolher o programa. A orientação de uma orquestra não pode ser mudada pelo desejo dos sponsors.

AT Mas, por exemplo, se olharmos para as orquestras francesas... O estado dá-lhes muito dinheiro e elas continuam menos boas que aquilo que se esperaria...

(risos)

CH Mas o governo britânico também dá muito dinheiro ás óperas. Para suportar uma casa de ópera é necessários muito dinheiro e em Londres são duas casas de ópera. Londres tem cinco orquestras sinfónicas. É muito para uma cidade! Em França é diferente porque é um grande país e as orquestras estão melhor distribuídas.

AT Em Londres as óperas estão sempre cheias...

CH Estão cheias mas continuam a necessitar de sponsors! As pessoas não fazem ideia do dinheiro que é necessário para fazer funcionar uma casa de ópera. Não imaginam que o bilhete que compram não paga os custos.

AT Deve-se continuar a gastar dinheiro com a ópera?

CH Sim. Eu gosto de dirigir óperas. Há óperas modernas muito boas. Por vezes são produções estranhas mas cheias de imaginação. A produção de opera contemporânea está muito activa. Assim como a dança. Os jovens gostam e vão muito frequentemente. A ópera é mais popular entre o jovens que a música sinfónica.

AT Não é uma pena que nesta casa não se possa encenar uma ópera?

CH Não há uma ópera em Portugal?

AT Sim... Mas nesta casa onde estamos agora não é possível encenar óperas. Não há nem lugar para a orquestra nem espaço para a cena. Não é uma pena?

CH Mas há uma casa de ópera em Portugal ou não?

AT Há, mas no Porto não.

CH No Porto não há uma casa de ópera?

AT Não.

CH Eu concordo! Deveria haver uma casa de ópera no Porto. Aí está um novo projecto.

(risos)

AT Eu creio que a segunda parte do concerto está prestes a começar e eu vou terminar a nossa entrevista dizendo-lhe que foi um grande prazer conversar com uma figura tão relevante para a música e a arte como o Christopher Hogwood. E espero que volte brevemente aqui, à Casa da Música.

CH Aqui existe uma boa orquestra sinfónica, suponho.

AT Sim. A Orquestra Nacional do Porto. É a melhor orquestra portuguesa.

CH Em algumas revistas li as programações dessa orquestra e acho que têm uma visão muito inteligente. Se vir os responsáveis diga-lhes que gostaria de desenvolver alguns trabalhos com a orquestra.

AT Eles irão ler esta entrevista. Suponho que todos se irão sentir honrados e contentes com a vontade do Christopher Hogwood em desenvolver projectos com a ONP. Por isso espero encontrá-lo brevemente de novo aqui.















CHRISTOPHER HOGWOOD E JULIA FISCHER INTERPRETAM PROKOFIEV

Na Casa da Música (Porto) a Kammerorchestra Basel, dirigida por Christopher Hogwood, acompanhou a violinista Julia Fischer no segundo concerto para violino de Sergei Prokofiev. A orquestra mostrou ser um agrupamento com grande qualidade sonora e coesão. Na suite op 65a "Dia de Verão", que precedeu o concerto, verificaram-se algumas desafinações. No entanto, globalmente, a pequena orquestra esteve bem, numa peça que não será exatamente a mais genial do compositor russo... No concerto para violino o agrupamento esteve melhor e Julia Fischer demonstrou ser uma solista inspirada, dotada de uma técnica superior e eficaz.
Na segunda parte há somente a destacar a excelente leitura que Hogwood fez da sinfonia 88 de Haydn. Hogwood, que se inscreveu na história com o registo da primeira integral das sinfonias de Mozart em instrumentos da época, ofereceu-nos um Haydn supremo com instrumentos modernos. Instrumentos modernos? Bem... Na realidade os trompas e os trompetes, em Haydn, utilizaram instrumentos antigos (naturais), o mesmo se passando com o timbale. E isso produz um som mais "rústico", "à moda da época". AST


Brevemente entrevista com Julia Fischer















BLACK MIRROR

Marie-Gabrielle Rotie, do Reino Unido, apresentou o seu novo trabalho, em estreia mundial, na 14ª Quinzena de Dança de Almada, que decorre até 12 de Novembro e que é o festival de dança contemporânea mais importante que actualmente acontece em Portugal. O trabalho sonoro foi de Nick Parkin e as luzes de Karen Norris.
Marie-Gabrielle, cuja formação foi em pintura, o mesmo acontecendo com Parkin, estudou Buthô com vários mestres japoneses. A bailarina-coreógrafa deixou bem claro, na conversa que no final manteve com o, infelizmente escasso, público, que o seu trabalho não pode ser chamado de "dança-buthô" mas que, evidentemente, parte dessa forma de conceber o corpo e o movimento para desenvolver o seu trabalho que assenta em movimentos mínimos (diferente de minimais) explorados em profundidade. Também as expressões da face são fundamentais no seu trabalho, o que colide com apresentações em grandes salas que colocam os espectadores a grandes distâncias da artista.
A relação som-movimento foi um dos aspectos interessantes de Black Mirror, assim como o desenho de luzes que trabalhou as sombras projectadas, exatamente como um espelho negro. Marie-Gabrielle trabalhará uma master-classe que no final vai apresentar o trabalho, ainda durante esta 14ª mostra.
Há que realçar a total barbárie por parte de algum público, adulto, que conversa durante as performances, sem qualquer respeito por artistas e espectadores. São estes que a ministra da educação portuguesa quer pôr a avaliarem os professores? Ou os outros que só têm capacitações para ver futebol e ler jornais sobre futebol? AST















Vacina Contra Câncer

Por favor, divulgue esta vitória da medicina genética brasileira! Há muitas pessoas necessitando desta informação. Já existe vacina anti-câncer (pele e rins). Foi desenvolvida por cientistas médicos brasileiros, uma vacina para estes dois tipos de câncer, que se mostrou eficaz, tanto no estágio inicial como em fase mais avançada. A vacina é fabricada em laboratório utilizando um pequeno pedaço do tumor do próprio paciente. Em 30 dias está pronta, e é remetida para o médico oncologista do paciente.
Nome do médico que desenvolveu a vacina:
José Alexandre Barbuto Hospital Sírio Libanês - Grupo Genoma.
Telefone do Laboratório: 11 3087-3133 (falar Paloma - com Dra. Ana Carolina ou Dra. Karyn) Para maiores detalhes: www.vacinacontraocancer.com.br













Um milhão de arménios e trinta mil curdos foram mortos e quase ninguém fala disso

Orhan Pamuk















OAXACA

Saludos a tod@s.

Hoy (bueno, ayer), fue un día lamentable aquí. ya está en todos los medios masivos, y como la mayoría de ustedes no vive aquí, aprovecho para contarles la historia desde nuestra perspectiva, para que no se alarmen ni malinterpreten los hechos. hubo choques entre grupos paramilitares de sicarios y ciudadanos movilizados, miembros de la appo y del magisterio. los plomazos empezaron frente a radio universidad a las 9am y continuaron el día entero en diferentes puntos de la ciudad y pueblos conurbados. los disparos, como ha sucedido a lo largo de estos cuatro meses, vinieron en una sola dirección. el saldo hasta ahora es de 4 muertos confirmados y casi 30 heridos. uno de los caídos fue brad will, conocido nuestro que trabajaba con indymedia de nueva york, activista y reportero apasionado. nos tiene aterrados.

ha habido movilizaciones en el df y en otras partes del país repudiando los actos de agresión flagrante, así como denuncias por parte de organismos de derechos humanos y otros sectores de la sociedad civil. gracias a la presencia de tantos activistas y periodistas alternativos/independientes, la historia salió inmediatamente vía internet y los medios de comunicación comerciales (léase televisa y tv azteca) se vieron obligados a reconocer que la violencia provenía de la policía municipal, cuyos elementos portaban armas largas de grueso calibre y vestían de civil.

ulises ruiz se deslinda de los hechos e insinúa que la violencia fue provocada por los manifestantes, y que brad murió por un disparo de la appo. estas declaraciones absurdas sólo constatan que él y su gabinete dan patadas de ahogado y han perdido por completo sus facultades mentales.

ah, y ya se me olvidaba algo. cabría hacerle notar al señor ruiz, porque sé que anda lejos y muy desgastado y que no lo tienen bien informado, que da la casualidad que hace dos días salieron del cuadrante radioeléctrico todas - sí, toditas - las estaciones de radio comerciales (o sea, todas) de la FM. y que simultáneamente - sí, se trata de otra casualidad - surgió una radio 'pirata', es decir ilegal, que se hace llamar 'radio ciudadana' y que funciona como todas las otras radios que el movimiento popular ha tomado y utilizado desde que inició el conflicto -- de radio universidad a radio caserola a radio appo a la ley del pueblo y ahora de regreso a radio universidad... todas siguiendo el modelo que estrenó radio plantón, por cierto. es decir, tiene llamadas al aire continuamente, se centra en el análisis y el comentario de la coyuntura actual - sazonados con harenga y tonos indignados - y hasta pasa música popular de todo género. en fin, es una radio muy actual, muy de moda, 'es lo de hoy', se podría decir. la diferencia con sus precursoras, sin embargo, es que en esta estación sólo se oyen voces que favorecen al gobierno del señor ruiz. y que despotrican en contra del movimiento. en frecuencia modulada, es lo único que se puede escuchar. (en amplitud modulada está radio universidad.) ¿fue casualidad esa retirada intempestiva y coincidente de TODAS las emisoras, dejando sólo la voz oficial? ¿justo antes de una jornada de hostigamiento y violencia paramilitar contra los manifestantes?

esperamos que la secretaría de gobernación, que se encontraba en bucareli negociando con el magisterio esta tarde mientras oaxaca convulsionaba, tenga la sensatez y buena fe suficientes para condenar definitivamente al gobierno estatal, y que abandone sus amenazas de utilizar el 'último recurso' y movilizar la fuerza pública como consecuencia de un posible no-regreso a clases de los maestros este lunes.

del ejecutivo no esperamos nada, pues fox no sale de foxilandia y el estupor del prozac. para mientras, el departamento de estado de estados unidos emitió comunicados en relación a brad - advirtiendo a demás gringos del peligro de viajar a oaxaca - y condenando al movimiento popular que se ha vuelto 'cada vez más violento'.
ignorantes y prejuiciadas declaraciones por parte de otro gobierno autista. 'urge devolver el imperio de la ley y el orden', afirma el embajador con sed de sangre, ignorando - por falta de información o por mala leche - el hecho de que es el gobierno mismo el que quebrantó el estado de derecho y ha generado y mantenido el estado de ingobernabilidad actual.

mientras tanto, ayer (bueno, antier) bush ponía su firma en el documento que aprueba la edificación de un muro de 1265 km en la frontera con méxico. justo lo que necesitamos: mayor criminalización de más y más aspectos de la vida cotidiana, como pretexto para (para)militarizar la sociedad aun más. calderón, actuando como si ya fuera presidente, se hace cuate de uribe en colombia y pactan en lo oscurito. (me pregunto: ¿se estará colombianizando méxico o mexicanizando colombia? esa mejor se la dejamos a los expertos.) y ahora resulta que en méxico 'hay células que financian a hezbolá' y que el fbi tiene ahora jurisdicción (legal) en territorio mexicano para perseguir a personas físicas y morales que considere sospechosas. 'appo'. suena árabe, ¿no? y ese flavio sosa tiene toda la pinta de un jeque renegado... la orden del díá: 'patriot act, versión ranchera'.

en fin. son pasadas las 6am de este sábado y parece que ha sido una noche de tensa calma. tensa, pero sin más violencia. esperemos que mañana (bueno, hoy) sea mejor que ayer. y esperemos que esto termine pronto como debe ser, es decir, con la renuncia del señor ruiz, para que nuestros compañeros y compañeras huelguistas puedan comer después de casi 12 días de ayuno.

por favor difundan la información sobre oaxaca, es importante, sobre todo en estos días. de ser posible, ejerzan presión en sus respectivos consulados o embajadas de méxico. una llamada o un correo electrónico puede ser suficiente.

y visiten OAXACALIBRE.ORG para toda la información pertinente. hemos ampliado ese proyecto y lo estamos convirtiendo en un sistema informativo más formal. pronto estaremos enviando boletines electrónicos diarios y resúmenes semanarios (en versiones electrónica y de papel). ah, y ya se hizo la primera playera. lee: 'ya cayó', mientras cae la cabeza de uro en una papelera -- adaptación coyuntural del signo de reciclaje. se agotaron en un día y se están imprimiendo más.

les invito a leer la historia de brad, contada por un amigo suyo de narconews (otra agencia de periodismo independiente), picándole al siguiente enlace:

http://oaxacalibre.org/libertad/index.php?option=com_content&task=view&id=218&Itemid=2

por lo que nos consierne a nosotros, estamos bien y seguimos actuando con la debida precaución. no os preocupéis, os ruego.

saludos y abrazos a tod@s.

"Birds make great sky-circles
of their freedom.
How do they learn it?
They fall, and falling,
they're given wings."
- Rumi (Barks)

"Donde hay lucha hay esperanza."


Tras el vivir y el soñar
está lo que más importa:
despertar.

Antonio Machado


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Patagonia 21 de octubre de 2006

GERMAN POLLITZER

Abogado – Defensor Oficial en Chos Malal

Un personaje dibólico

El Tribunal Superior de Justicia (TSJ) sorprendió al "foro" neuquino designando a Germán Pollitzer para cubrir el cargo de Defensor Oficial Civil en la ciudad de Chos Malal cuya órbita de actuación es todo el norte provincial.

La noticia trascendió a partir de la reacción del Colegio de Abogados de la localidad de Chos Malal que se opuso a la designación recordando el oscuro paso que Pollitzer tuvo por el poder Judicial de la provincia de Neuquén.

Paradójicamente se lo designa en un cargo que tiene entre sus funciones la de Defensor de los Derechos del Niño y el Adolescente, por la cual renunció forzadamente en la ciudad de Junín de los Andes ante un gran cúmulo de pruebas en su contra por graves irregularidades en los trámites de adopciones de menores.

MI pasado ME condena

La comunidad neuquina recordará seguramente la vinculación de Pollitzer en el "Caso Ñanco" que tuvo una importante repercusión periodística en Neuquén y en todo el país. Pero no se trata del único caso. Germán Pollitzer fue procesado penalmente por graves irregularidades en los trámites de adopción que merecieron la calificación legal de "sustracción de menores".

El TSJ le inició un sumario administrativo en forma paralela a la causa penal para decidir si se le iniciaba un Jury de enjuiciamiento. El instructor fue el actual Juez de la Cámara Criminal Nº 2 de la ciudad de Neuquén Emilio Castro que formuló un informe "lapidario" contra la actuación de Pollitzer aconsejando la iniciación del jurado de enjuiciamiento. Al conocer el informe de Castro, Pollitzer renunció evitando la realización del juicio de responsabilidad. Según el mismo Pollitzer explicó, fue sobreseído y repuesto en el cargo.

Los bebes de la pobreza

Rafael Ñanco era el nombre del bebé de Berta Nawelkura y Florencio Ñanco. Tenía menos de un año de vida, cuando lo arrancaron de los brazos de su madre, a principios de los '90.

Berta recordaba cómo lo apretaba contra su pecho y hacía mucha fuerza para que no se lo llevaran. Igual se lo quitaron, y a ella la metieron presa. Estuvo varios días en un banco de madera en un pasillo, llorando y sufriendo por su bebé. Jamás quiso darlo.

Su esposo Florencio comenzó a averiguar y al final se animó a denunciar a la justicia.

Comenzó así un largo, larguísimo camino enfrentándose a un poder cuya magnitud desconocían. En el hospital de Junín les dijeron que se lo habían entregado a una mujer. Averiguaron y ubicaron la casa, pero nunca encontraron a la madre ni al niño. Era el único hijo de Florencio. Berta tenía otros siete de anteriores parejas.

Berta contó que le hacían poner el dedo gordo en papeles; pero como no sabía leer ni escribir nunca supo "a qué le pone el dedo".

Escucharon muchas veces frases como: "Vos no podés criarlo, va a pasar hambre; vos dámelo y vas a tener dinero y mercadería siempre; sé que no sos egoísta, vos sabés lo que es mejor para tu hijo. Con nosotros va ser un rico doctor. ¿qué amor es más sublime que la renuncia? Si lo querés vas a querer el bien para él. Cuando sea grande tu hijo te lo va a agradecer. Quién te dice que un día veas pasar a tu hijo en auto, levantando polvo, millonario".

"Hay muchos casos como el mío en el hospital" contaba Berta. Aparecen acusaciones contra los padres: que son alcohólicos, que no podrían criarlos. Florencio se anima y denuncia que le falsificaron la firma. El nunca dio en adopción a su hijo. Los calígrafos designados para dictaminar sobre la firma que presuntamente había puesto en un acta para consentir la entrega de su hijo, confirman que no es de él. Sin embargo, al bebé no se lo devuelven.

PARTIDO DE LA REVOLUCION

Comando Revolucionario de los Trabajadores

TENIENTE GABRIEL

COMANDANCIA

Prensa








JUNIN DE LOS ANDES (ASM).- Tras 24 horas de insistentes consultas, finalmente se confirmó que el changarín muerto a golpes en un baldío de esta ciudad es la misma persona que en 1991 desató uno de los más sonados casos que hayan rozado a la justicia neuquina, por presunta sustracción de menores, aunque finalmente la causa fue archivada.
www.rionegro.com.ar/diario/2006/09/20/20069l20f08.php
















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