CRITICA MUSICAL / MUSICAL CRITIC

Um blog de Álvaro Sílvio Teixeira

2007/01/26

WIENER PHILHARMONIKER ESTREIA OBRA

Sob batuta de Pierre Boulez, aconteceu o ensaio do concerto que no dia seguinte foi apresentado em Salzburg.

Armonica, de Jörg Widmann, obra brilhantemente concebida e orquestrada, cuja "premiere" mundial aconteceu em Salzburg a 27 de Janeiro 2007, teve, como seria de esperar, uma leitura genial, sob a batuta do grande condutor e artista Pierre Boulez, servida pelo maravilhoso som da Wiener Philharmoniker.

Foi igualmente trabalhado o concerto para cordas, percussão e celesta, de Bartok, mostrando Boulez um rigor muito especial nesta obra que sabemos ele admirar especialmente.

Finalmente, o concerto para piano e orquestra KV 491, de Mozart, mostrou-nos que a Wiener Philharmoniker talvez seja o agrupamento que melhor compreende e interpreta o genial compositor. O pianista, Yefim Bronfmann, serviu, com grande qualidade e musicalidade, a inspirada criatividade de Amadeus. AST


World's scientists say climate change is much worse than they thought in The Independent, 29.01.2007, pag 2


SYDNEY (AFP) - Entre 200 et 600 millions de personnes supplémentaires souffriront de famine et entre 1,1 et 3,2 milliards d'habitants manqueront d'eau d'ici 2080 en raison du réchauffement climatique, indique une étude du Groupe intergouvernemental sur l'évolution du climat (Giec).

Sept millions d'habitations pourraient être inondées et la Grande Barrière de corail, plus grand organisme vivant au monde, pourrait complètement disparaître d'ici quelques décennies, écrivent les experts, selon des extraits du rapport publiés mardi dans le quotidien The Age. in www.yahoo.fr (mardi 30 janvier 2007, 11h25)



The doctrine of multiculturalism has alienated an entire generation of young Muslims and made them increasingly radical
...
The study identifies significant support for wearing the veil in public, Islamic schools and even punishment by death for Muslims who convert to another religion. in Daily Mail, 29.01.2007

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2007/01/19

DO TRANSCENDENTE

A Radio-Symphonieorchester Wien, dirigida por Bertrand de Billy, fez uma miraculosa leitura da maravilhosa quinta sinfonia de Gustav Malher na Grande Sala do Wiener Konzerthaus. Ainda que a minha sinfonia preferida seja outra, esta trata-se de uma obra genial e impressionante, de pura veia malheriana. De Billy*, se por um lado apostou na clareza, como fazem todos os artistas inteligentes, por outro, investiu na grandiosidade dos tuttis em fff que deixam qualquer mortal estarrecido. Se por um lado enfatizou, e bem, as sonoridades que o trabalho orquestral de Mahler criam, por outro extraiu a maior delicadeza da orquestra no Adagietto, conseguindo um balanceamento que tocou fundo na alma dos presentes. Se os ouvintes, que enchiam completamente a Grande Sala, durante o concerto choraram e no final gritaram bravos durante dezenas de minutos, foi porque sentiram que tiveram acesso ao transcendente. A orquestra esteve suprema. Podia falar detalhadamente, por exemplo, dos metais, que foram excelentes, mas para isso teria de falar em todos os naipes, pois todos demonstraram uma performance superior, musical e inspirada.

Na primeira parte foi-nos oferecida uma luxuoriante leitura do belo concerto para violino e orquestra que Sofia Gubaidulina criou em 1980. Benjamin Schmid, o violinista, foi fabuloso e amplamente aplaudido. Pena que no encore tocasse um excerto de uma partita de Bach. O habitual... O concerto, chamado Offertorium, porque se inicia com o trabalho orquestral de Webern sobre o tema da Oferenda Musical de Bach, revela um brilhante conceito orquestral. No entanto, em meu entender, as partes tonais da obra abaixam a qualidade do trabalho de Gubaidulina que poderia manter uma linguagem atonal consistente e motivante sem cair na monotonia, como acontece com muitas obras atonais e com a generalidade das pos-seriais. A atonalidade pode-se revestir de infinitas formas e estruturas, e pode mesmo utilizar momentos tonais. Mas, ao criarem-se momentos de tonalidade, deve-se ser menos evidente que o foi Gubaidulina no coral dos metais na parte final da obra, por exemplo. Quando a compositora desconstruiu novamente a tonalidade para voltar ao universo atonal, sentiu-se um forcing: partiu de acordes demasiado simples que se instalaram nos nossos ouvidos. O mesmo diria da parte lenta do concerto, muito belo mas onde se experimenta um certo "deja-vu". No entanto trata-se de uma grande e criativa obra que mereceu ser apresentada na primeira parte de um concerto como este. AST

* Se um intérprete comete um erro, nota-se imediatamente. Se um condutor é nulo mas aparenta marcar bem os tempos, demonstra boa gestualidade e a orquestra toca bem, todos ficamos a pensar que ele é pelo menos bom. As orquestras de Viena são todas orquestras de topo. A orquestra da Wiener Staatsoper não necessita de trabalhar as obras antes de as apresentar. Podem não acreditar, mas esta orquestra vai para as récitas sem ensaiar. Claro que interpretou dezenas, centenas de vezes, as obras que normalmente apresenta (não fazem obras contemporâneas e apresentam poucas obras modernas, o que é mau), mas é por serem artistas do mais alto nível que dispensam ensaios e tocam sempre bem, apesar de cada dia apresentarem uma produção diferente (a Wiener Staatsoper encerra um dia por mês, e fecha dois meses durante o Verão. Claro que a orquestra se divide em duas). Com uma companhia destas ou o condutor tem "carisma" e consegue extrair da orquestra o que pretende, ou possui menos ou nenhum carisma, e consegue uma "singularidade fraca" ou nula. Em qualquer dos casos tem de ter um tempo seguro e capacidade para coordenar os solistas com a orquestra. Sem isto seria o caos generalizado. Torna-se mais difícil, em concerto, distinguir o bom do fraco condutor, se a orquestra tiver um desempenho excelente. Quando acontece termos um condutor que se limita a acompanhar a orquestra, e a fazer teatro, estamos perante o condutor-bluff. Numa récita na Staatsoper, encontrei uma artista da RSO Wien, que interpretou a quinta de Mahler que acima tratei: contou-me que nunca trabalhou com um condutor tão superficial, inseguro e desinteressante, como Bertrand de Billy. No entanto, uma membro da orquestra da Staatsoper que tem trabalhado com este condutor, disse-me que o considera bom.















2007/01/17

Arautos da Barbárie

A direita inteligente, que felizmente até em Portugal existe, já tomou posição em relação ao referendo que se aproxima. Este referendum vai permitir que os portugueses limpem algumas das manchas que têm colocado o país, com demasiada regularidade, na boca dos europeus, e do mundo, sempre por maus motivos. Os "defensores da vida", muitos dos quais se preocuparam pouco ou nada com as vidas, essas sim plenas de vida, destruídas pelo antigo regime, aparecem esgrimindo argumentos pseudo-ciêntíficos, como o fazem todos os vendedores de banha da cobra. Não vale a pena perder-se tempo a refutá-los, porque são absurdos e provêm, grosso modo, de carnívoros convictos. Aos budistas, meus amigos, compreendo-os, mas nesta particular situação afasto-me deles. Aos carnívoros convictos, aos caçadores de fim-de-semana, ou de semana inteira, reminiscências do antigo regime, intelectuais de pacotilha, melómanos pastosos e bigoteiros sarnentos, nada tenho a dizer porque nunca nada tive para lhes dizer.
Importa salientar, uma vez que há filósofos, ou que se pretendem tal ou a tal aspiram, metidos ao barulho, primeiro, que a vida tipicamente humana só existe quando nela se manifesta um aparato simbólico-representativo. Segundo, até recentemente a paternidade era uma incógnita, sendo a mãe o único ser consanguíneo do qual se podia afirmar inequivocamente que o era. Nas sociedades de linhagem matrilinear o suposto pai biológico não tinha qualquer importância, e nas sociedades de inspiração matrilinear, como as escandinavas que são as mais evoluídas do mundo, tão pouco o tem. Terceiro: ao nível da estruturação psíquica o papel da mãe continua fundamental, ao passo que a função de castração desempenhada pela figura paterna é mais facilmente substituível, nomeadamente pela escola e pelo Estado. Se funcionarem com eficácia... Na situação actual, a Portugal resta escolher entre a barbárie da hipocrisia e uma aproximação à "grande Europa". Com todas as implicações que o resultado terá para o futuro do país. A direita inteligente sabe disso e já se pronunciou. O que é mais significativo que o sim de aqueles que por princípio sempre votariam SIM. AST


RESULTADOS: Total do País
Freguesias apuradas 4260
Freguesias por apurar 0
Inscritos 8832990
Votantes 3851613 43.60%
Em Branco 48185 1.25%
Nulos 26297 0.68%

Opções Votos %
Sim 2237565 59.24
Não 1539566 40.76

Finalmente em Portugal acontece algo inteligente...













É preciso dizer que todos os estudos consultados convergem para a importância da história e da cultura política que conduzem a um padrão de aceitação e reprodução de comportamentos corruptos. Logo, não há soluções mágicas nem mudanças a breve trecho. Apesar disso, existem vários casos de agências anticorrupção tidas como bem sucedidas, nomeadamente no Chile, Hong Kong, Austrália e Singapura. [Huther e Shah, Anti-Corruption Policies and Programs, World Bank Working Paper n.º 2501, 2000]. A questão-chave é que o sucesso destas agências depende essencialmente da natureza do Estado, e da qualidade da governança, entendida como um conjunto de indicadores desde o funcionamento da justiça à estabilidade política, à transparência e eficácia da administração pública. Portugal encontra-se mais uma vez numa posição intermédia nestes rankings, e nesses casos e nos de Estados com boa governança as agências anticorrupção podem ter uma influência positiva. A criação da comissão de Cravinho, se tivesse independência e recursos para exercer o seu mandato (um grande se), poderia ajudar a mediatizar e a dificultar a possibilidade de ganhos ilícito da política. As alterações da moldura penal, mas essencialmente o bom funcionamento da justiça, seriam fundamentais a efectivar o resto da equação, nomeadamente a aplicação de sanções. Marina Costa Lobo in Diário de Notícias, 27 de Janeiro de 2007














2007/01/09

O TRIUNFO DE AFRODITE
Alberto Pimenta

































Aida em Bratislava

A Opera Nacional Eslovaca apresentou a popular obra de Verdi com a habitual cenografia grandiosa e a tresandar a exotismo. Mas funcionou. O elenco, quase todo eslovaco, esteve especialmente bem. Pequenas gaffes, sobretudo nas cordas, foram corrigidas. Os desacertos aconteceram com alguma regularidade, mas a leitura manteve a clareza que se espera e exige. O condutor, Pavol Selecký, apresentou uma leitura eficaz e musical, trabalhando bem os trémulos em ppp e todos os efeitos sonoros que marcam o drama. O coral esteve bem e os solistas conquistaram uma sala entusiasmada. IIdiko Cserna, que interpretou Aida, foi excelente. Igor Jan, como Radames, demonstrou um timbre irregular. Denisa Hamarová, interpretando Amneris, esteve divina, e Gustáv Beláček foi um tremendo Farao, o mesmo acontecendo com Vladimir Kubovčik que interpretou Ramfis. Aqui temos um exemplo de como uma companhia totalmente nacional, que nem sequer tem casa fixa, possui modestos recursos em dinheiro, e oferece bilhetes baratos, apresenta grande qualidade, podendo apresentar-se, com toda a dignidade, em qualquer festival internacional. Livios Pereyra














FASHION is rubbish. Nirpal Dhaliwal in Evening Standard (West End Final), 10.01.07, pag 37














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