CRITICA MUSICAL / MUSICAL CRITIC

Um blog de Álvaro Sílvio Teixeira

2007/07/22

Portugal atrofiado

Alexandre Castro Caldas, professor de Neurologia, recordou... que o cálculo mental, tal como a memorização... permite o desenvolvimento de partes do cérebro que, sem esse treino, ficam atrofiadas
...
Contudo, a ideia de recomendar a utilização da calculadora nos primeiros anos do ensino básico está de volta. in Público, 23 Julho, 2007, pag 42



O Presidente e o país do senhor Alberto

O aborto continuará, pois, a ser clandestino no país de Alberto João Jardim.
...
Exige-se-lhe (ao PR) que não pactue com este desrespeito pelo Estado e pelos legítimos direitos dos cidadãos. in Público, 22 Julho, 2007, pag 44



NAZANIN

El 14 de enero de 2006 los jueces de un tribunal penal de Teherán absolvieron de asesinato con premeditación a MAHABAD FATEHI, conocida como NAZANIN, de 19 años, tras una vista oral celebrada el 10 de enero, si bien resolvieron que la joven debía entregar «dinero de sangre» a la familia del hombre al que había matado en defensa propia en marzo de 2005. La habían condenado a muerte por asesinato en enero de 2006, pero, gracias a las protestas internacionales, entre ellas la de Nazanin Afshin-Jam, reina de la belleza canadiense, de origen iraní, su condena a muerte fue anulada por el Tribunal Supremo en mayo de 2006 y la causa fue remitida para que se celebrara un nuevo juicio. in http://web.es.amnesty.org/pena-muerte-iran/eje_casos.php?autorizo=&id=














2007/07/18

Romeo & Julieta

A aposta de Oskaras Korsunovas (Lituânia) em encenar um clássico, já trabalhado de (quase) todas as formas e feitios, numa pizzaria, duas para ser mais preciso, que nem sequer são tipicamente italianas (e ainda bem), poderia resvalar para um caricato "dejá-vu". Na verdade por aí andou frequentemente, e o final tombou no lugar comum devido ao último movimento de caída dos amantes. Bastaria mantê-los na posição em que se encontravam, a rodar na máquina de amassar (a massa para as pizzas...), que de resto foi inteligentemente utilizada ao longo de todo o trabalho, e criar-se-ia um efeito de perenidade. O movimento de caída dos corpos, já mortos (ainda que este facto não tenha relevância), foi trivial e desnecessário. Estúpida banalidade de um gesto que significa "fim", e desencadeia o início das ovações... A trivialidade atravessou toda a criação, num movimento pendular entre riso e emoção (sem que o riso seja sempre e necessariamente trivial, e sabendo que o mesmo expressa emoções). No entanto, esta oscilação foi seguramente vista e revista pelo criador, sendo o resultado global não só inovador, como tem momentos de uma força dramática incomum, sobretudo se pensarmos que estamos a tratar de duas famílias burguesas, proprietárias de pizzarias, aparecendo, não se sabe como, um conde que quer desposar a plebeia Julieta. Talvez necessitasse do dote... Ou talvez a Julieta o atraísse (muito) especialmente. De facto havia um rolo de massa metido num dos bolsos dianteiros das calças do conde que nos remetia deliberada e ostentatoriamente para a simbologia fálica, que dominou toda a peça até à iminência da morte dos amantes, que surge como uma castração radical. Castração do prazer, da vida, da arte, de tudo. O "caso" entre a ama e o frade não pode deixar de nos remeter para a leitura que Peter Sellars fez na encenação de Don Giovanni, de Mozart, e que Zizec referiu em "Goza o teu Sintoma" (que é o sub-título da obra em causa mas que, para mim, é o que possui "significância"). Mas tudo isto são "quase-minudências"... As luzes, de Eugenijus Sabaliauskas, transformaram as pizzarias, primeiro em espaço de luta, depois em igreja e finalmente em tumba, com uma improvável eficácia plástica para um cenário imutável (levantaram-se as mesas, na cena final, para criar uma área delimitada, que foi o espaço onde aconteceu a morte dos amantes). O mecanismo de relógio, que aparecia esplendorosamente iluminado e activado durante as cenas entre os amantes, funcionou como potente simbolismo. O incrível texto de Julieta, re-criado com base na obra do inglês, foi um dos elementos que introduziram elevada "poiésis" nesta produção. A branca farinha esteve associada à morte, substituindo-se ao vermelho do sangue e ao veneno que conduz à morte, o que foi absolutamente eficaz, ou não funcionasse o branco como um símbolo, directo, da palidez da morte. A ideia de, no funeral de Julieta, serem grandes talheres a fazer de oferendas, em vez das tradicionais flores, foi brilhante, e a cena seguinte, com Romeu a rebolar-se, desesperado de morte (desesperado para a morte...), em cima das metálicas oferendas, foi outro momento conseguido. A convicção e desempenho dos actores foi um factor fundamental, mas, a parte sonora, de Antas Jasenka, foi (com o fantástico desenho de luzes) um dos "elementos primordiais" (o compositor partiu, em determinadas contextos, dos ruídos previsíveis, repetindo-os em "loops", criando, desta maneira, contextos de abstracto simbolismo; utilizou, em outras situações, sons electrónicos que conseguiam efeitos de um suspense antecipatório das sucessivas tragédias; nos momentos de hilariante euforia foi utilizada música popular, trespassada de uma sub-reptícia ironia, que fez lembrar os "scherzos" em ritmo ternário acelerado nas sinfonias de Shostakovitch - com as devidas distâncias - que impediu a queda no trivial; nas cenas dos amantes foi feita música com um "efeito etéreo" que não caíu no "cliché do costume") que fez desta re-criação da célebre tragédia, na minha opinião, a mais relevante (e interessante) da actualidade, que muito provavelmente ficará entre as mais marcantes baseadas no "Romeu e Julieta" de Shakespeare. Foi possivel vê-la em Lisboa, no Mite'07, que decorre no Teatro Nacional D. Maria II. AST



Tristes números

E é muito difícil acreditar em programas de reconversão do perfil económico da nação, como o Plano Tecnológico, quando um em cada quatro estudantes tem nota 1 nos exames de Matemática do 9º ano, em que apenas um em cada quatro alunos consegue passar. in Diário Económico, 17 de Julho, 2007, pag 36



Martírio diário

... este é o pior governo para a área educativa não superior de que guardo memória.
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Tudo o que seria importante para promover a qualidade do sistema de ensino ou não foi realizado ou foi objecto de medidas que degradaram ainda mais o que já era mau.
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Aumentou o facilitismo e a idiotização do ensino.
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Promoveu-se o clientelismo e premiou-se a delação e o servilismo.
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Mudou-se a legislação disciplinar, mas continua a ser mais fácil falsificar uma nota de 50 que actuar com eficácia sobre os pequenos delinquentes, que tornam a vida dos colegas e dos professores um martírio diário. Santana Castilho in Público, 19 Julho, 2007, pag 42



(in)Disciplina

João Dotti, vice-presidente da Associação Industrial Portuguesa (AIP)... considera, por exemplo, que a mão-de-obra mais jovem é pouco responsável perante o trabalho e "tem problemas de disciplina" in Diário Económico, 20 de Julho, 2007, pag 10



Mais formação e qualificações certas

Para Paula Carvalho, economista do banco BPI, "este ciclo vicioso só se vai quebrar quando a população activa tiver mais formação e qualificações certas, o que leva tempo"...
Quando a qualidade dos negócios fôr superior "as empresas vão querer segurar os empregados mais qualificados e investir mais nas pessoas, privilegiando vínculos laborais mais duradouros", juntou. idem



Pedagogia portuguesa

E o que se passa nos bastidores é horrendo. Sob a retórica igualitária, que pulula nesses círculos, sob os discursos dos pedagogos que dizem ser preciso valorizar os "saberes" que os alunos trazem de casa, sob a máscara de uma escola para todos, estamos a destruir o futuro das crianças mais pobres. Maria Filomena Mónica in Meia Hora, 6 de Julho de 2007, pag 4



Portugal tem dos piores gestores do mundo

O aumento da qualidade de gestão nas empresas é fundamental para melhorar a produtividade e competitividade do país.
...
De acordo com um estudo realizado junto de quatro mil empresas, nos EUA, Ásia e Europa, pela Mckinsey, as empresas nacionais ficam sempre nos últimos lugares das tabelas classificativas. in Diário Económico, 16 de Julho, 2007, pag 8



Gestão é um reflexo do próprio país
...
O empresário considera que o défice educativo é um dos grandes problemas das empresas, que lhes diminui a capacidade de competir e de inovar. idem



Sine Qua Non

A imprensa escrita livre é a base da nossa sociedade democrática e os governos não devem intervir na regulação da imprensa escrita. É uma regra sine qua non. Viviane Reding, Comissária Europeia para os "media", citada in Diário Económico, 18 de Julho, 2007, pag 38

Nota: a comissária estava, concerteza, a referir-se a todos os "media" e não exclusivamente à "imprensa escrita".



Frases divertidas

Santana Lopes - alguém que, em lugar de "andar por aí", devia antes "desandar daqui"

CDS de Paulo Portas, cada vez mais um partido em riscos de nem um táxi encher no futuro... in Público, 18 Julho, 2007, pag 42














2007/07/01

IVANOVO DETSVO

A Infância de Ivan, de 1962, é o segundo filme de Andrei Tarkovsky. Trata-se de uma obra onde a estética peculiar do grande artista se afirma desde o primeiro instante. O filme trata a heroicidade de um orfão, adolescente, que se sacrifica no combate contra o exército nazi, mas é sobretudo uma obra de cariz "esteticizante", onde a plasmação da imagem em prolongadas sequências estabelece, consistentemente, a semiologia e a sensibilidade de Tarkovski que, anos depois, irá realizar o seu terceiro filme, que é uma obra prima essencial do cinema e da arte: Andrei Rubliov (1966). É "curioso" que o protagonista do grande "quadro" final de Andrei Rubliov, a fundição do grande sino, é igualmente um adolescente, orfão, que assume um empreendimento que a ser mal sucedido lhe custaria a vida. É "curiosa" a persistência da água que pinga em ambientes degradados, criando-se aqui o paradoxo do símbolo decaído da purificação, que vai atravessar toda a criação tarkovskiana. As cenas com cavalos, símbolo da virilidade e da mudança, em A Infância de Ivan, são uma sequência onírica trespassada por uma positividade que não permanecerá nos filmes seguintes, onde os cavalos surgem associados à guerra e, numa sequência de um outro filme, aparecem caídos. As cenas oníricas, em A Infância de Ivan, são "momentos chave" que pontuam, suspendendo e subvertendo, o tempo da narrativa. Muito sintomática a auto-interrogação do camponês com quem Ivan se cruza na sua fuga à tranquilidade e segurança que lhe querem impôr: quando é que isto terá um fim? É uma interrogação enigmática pois não sabemos se o "isto" é aquela guerra específica, ou é aquela guerra como mais um episódio de uma história sangrenta. A cena é toda ela surrealista, finalizando com o idoso a trancar a porta de uma casa completamente destruída e sem paredes... Não teremos aqui uma súbtil metáfora da Rússia? O péssimismo e a angustia gerada pela história russa, aqui, em meu entender, apenas aflorados, serão o "leit-motiv" de todos os filmes de Tarkovski. O grande cineasta não chegou a conhecer a Rússia actual, que é muito pior que aquilo que se poderia deduzir da negatividade que paira na sua ficção esteticizada. A Cinemateca Portuguesa fez a primeira projecção em Portugal de A Infância de Ivan, no dia 30 de Junho de 2007. Deveria re-apresentar com maior regularidade as obras do grande génio, prematuramente desaparecido, que são oito criações incontornáveis da história do cinema e da arte. Tratam-se de paradigmas de uma determinada maneira de pensar, e sentir, os actos de filmar e montar, paradigmas que são vitais para a formação de todos os artistas e para a educação da sensibilidade de todos os cidadãos. AST




Terror na Rússia

O senhor (Putin) comprovou ser tão bárbaro e desumano como os seus críticos mais ferozes o descrevem. Alexander Litvinenko, Londres, 21 de Novembro de 2006 in Terror na Rússia, Porto Editora, 2007

Desde então, várias pessoas que nos tinham ajudado foram mortas. Yuri Felshtinsky, idem




Putin

In July he (Alexander Litvinenko) claimed...that the President (Vladimir Putin) was a habitual pedophile...also contented that Putin had been on the take from Mafia groups for years... in Time-Europe, December 18, 2006, pag 26





Bestas nazis

É que os nazis roubaram e destruiram tanto no Ocidente como nos países de Leste, como no caso da Rússia, onde terão destruído e saqueado mais de 300 mil peças. É gigantesco. Às vezes, quando estava a fazer investigação, tudo isto me parecia ficção científica. Héctor Feliciano, autor de "O Museu Desaparecido", in Focus, 4 de Julho de 2007, destacável, pag 75





Corrupção

A corrupção (em Portugal) existe e está a agravar-se. João Cravinho in Focus - Portugal, nº 402, pag 20




Little country - big deals

A Polícia Judiciária (PJ) está a investigar o rasto de cerca de 24 milhões de euros que o consórcio alemão GSC, com o qual o Estado português contratualizou a compra de dois submarinos em 2004, transferiu para a Escom UK, empresa do Grupo Espírito Santo (GES) sedeada no Reino Unido. O inquérito procura apurar se existe alguma relação entre o destino final desse dinheiro e o resultado do controverso concurso público dos navios de guerra submergíveis. Este foi ganho pelos alemães do "Germain Submarine Consortium", que propuseram a venda dos dois submarinos por 845 milhões de euros e comprometeram- -se a proporcionar negócios para empresas portuguesas no valor de 1,2 mil milhões de euros (as chamadas contrapartidas).

A investigação foi despoletado por conversas telefónicas, alegadamente interceptadas pela PJ, entre o ex-ministro da Defesa Nacional, Paulo Portas, e o ex-director financeiro do CDS-PP, Abel Pinheiro, no âmbito do inquérito-crime "Portucale". O Ministério Público ordenou a separação processual, abrindo então um novo inquérito para os submarinos.

Fonte ligada ao processo disse que a Escom do Reino Unido (o GES tem outras empresas com o mesmo nome sedeadas nas Ilhas Virgens Britânicas e em Portugal) poderá ter transferido parte dos 24 milhões de euros para escritórios de advogados, empresas ligadas a tecnologias de ponta e à investigação, ao ramo automóvel e ao sector da construção civil.

A transferência das verbas para estas empresas é justificada com a prestação de serviços ligados ao contrato de fornecimento dos submarinos, mas, em vários casos, a PJ suspeita de que isso não corresponderá à verdade. Procura apurar, por isso, se se trata de serviços simulados e se, na realidade, aquelas transferências de verbas não estarão relacionadas com a vitória do GSC, em 2003, no referido concurso público internacional. in http://jn.sapo.pt (2007/07/08/nacional)














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