CRITICA MUSICAL / MUSICAL CRITIC

Um blog de Álvaro Sílvio Teixeira

2007/08/04

Michelangelo Antonioni

Ferrara, 29 de Setembro, 1912

Roma, 30 de Julho, 2007


No Festival de Cannes, em 1960, L'Avventura escandalizou pela falta de "fio conductor", pelo tempo lento e pela opacidade do texto. Foi assim que Antonioni fundou o cinema moderno. Michelangelo Antonioni faleceu um dia depois de Ingmar Bergman.

"A Aventura" proporcionou-me um dos mais profundos choques que já tive no cinema. Martin Scorsese in Ipsilon, 5 Outobro 2007



Morreu Ingmar Bergman

Ingmar Bergman morreu "calma e pacificamente", anunciou Eva Bergman

Nascido a 14 de Julho de 1918 em Uppsala, a norte de Estocolmo, Ingmar Bergman realizou ao longo da sua extensa carreira mais de 40 filmes... in http://sic.sapo.pt (30-07-2007, 09:58)



Um certo modo de dizer

O que hoje recordo de Eduardo Prado Coelho, agora falecido, não é tanto a multiplicidade dos temas e domínios em que ele se aventurava, desde a crítica à poesia, da literatura ao cinema, da política à sociedade, da filosofia à música, do erudito ao banal..., mas sobretudo um modo de dizer inconfundível que misturava harmoniosamente a força dos argumentos e a brandura da voz. in http://naoseiquediga.blogspot.com (25.8.07)



Nem todos são néscios...

Mas se uma boa parte dos psicólogos (nem-todos) são néscios tanto em relação ao inconsciente quanto ao sintoma como mal-estar e como incurável, uns poucos porque a clínica é a forma de enriquecerem e disso nada querem saber, outros muitos por uma certa tolice teórica, espanta-me que os psicanalistas venham de mansinho pactuar com a lógica da higienização e de terapeutização da sociedade. Ao menos que fizessem a sua própria ordem consentânea com a especificidade do seu trabalho e com os seus próprios jogos de poder, até porque o que acaba por ficar obnubilidado para o grande público dos consumidores são as lutas para a constituição da ordem dos psicólogos, a desavergonhada luta de poder (como eu presenciei) que preconiza um futuro inquietante, uma luta que doravante seguirá como a melhor forma para a monopolização do seu negociozito. Pau que nasce torto morre torto... in http://www.paginconsciente.blogspot.com (August 22, 2007)



Capitais da máfia

É normal que haja histeria, mediática ou não, quando as duas principais cidades portuguesas se parecem com capitais da máfia.
... há um submundo criminal que actua a seu bel-prazer a coberto de uma actividade legal e altamente popular como é a diversão nocturna.
...
Como passaram estas actividades pelas barbas da polícia? Quantas investigações foram feitas depois de ser sinalizado este perigo - que, obviamente, terá sido detectado?
É a estas questões que as autoridades têm de responder. in Diário de Notícias, 3 de Setembro 2007, editorial, pag 6



Guião para um filme

... circuíto próprio que conta, muitas das vezes, com a cumplicidade das autoridades. Só assim se justifica a aparente passividade das polícias e dos políticos e o papel insignificante que representam neste guião. Domingos de Andrade in Jornal de Notícias, 3 de Setembro 2007, pag 9



Gangues da noite têm ramificações na PSP

Seguranças de casas nocturnas actuam como traficantes de droga, armas e mulheres. Entre eles há agentes da polícia... in Expresso, 8 de Setembro 2007



Liberdade...

Uma sociedade aterrorizada por bandos, ainda que se trate de questões "internas", não é verdadeiramente livre. Vive oprimida pelo terror dos mais fortes, mesmo que estes estejam nas sombras. Nuno Rogeiro in Jornal de Notícias, 31 de Agosto 2007, pag 23



Uma sociedade permeável à corrupção está igualmente à mercê do crime organizado - Fernando Ventura, juiz, citado in Público, 28 de Março 2007, pag 13



Pedagogia...

Nas Ilhas Lofoten, na Noruega, são as crianças que têm o monopólio do arranjo das línguas de bacalhau. É assim que ganham o seu dinheiro e que se ligam à actividade de um arquipélago que vive para o peixe. in Público-P2, 28 de Março 2007, pag 8

Queremos que eles saibam o valor de ganhar o seu próprio dinheiro e de trabalhar - é uma parte muito importante da educação - Øyvind Arne Jensen, idem

Nota: A Noruega tem sido consecutivamente avaliada como o país socialmente mais desenvolvido do mundo. Em Portugal, que é um dos países social, económica e culturalmente mais atrasados da Europa, isto seria provavelmente ilegal. Seria considerado trabalho infantil e "anti-pedagógico". A pedagogia portuguesa é outra e os resultados estão (bem) à vista. Tão à vista que há pessoas que consideram que Portugal está num "processo de decadência irreversível"*. O problema não é ser um, mesmo internacionalmente conhecido, a dizê-lo. O problema é se muitos, conhecidos ou não, o pensam mas não o dizem. Ou dizem o que consideram "politicamente correcto"... Os "pedagogos", e outros teóricos "especialistas" da educação, assobiam para o lado. Devem achar que não é nada com eles. Ou esperam que as pessoas acreditem que a culpa não é deles. Deve ser da internet...

* Saramago em entrevista ao La Vanguardia (Barcelona), muito, muito antes, da entrevista que deu ao Diário de Notícias de Portugal.



Sonatas para piano de Leos Janácek

Conforme já referido aqui, só nos inícios do século XX as obras do compositor checo Leos Janácek (1854-1928) começaram a gozar de alguma popularidade. Tal ficou a dever-se, no essencial, ao facto de ter passado a incorporar nelas temas folclóricos moldavos, resultado de um trabalho de investigação e recolha que iniciou em 1885.

Janácek não deixou, todavia, de dar atenção aos acontecimentos sociais, como aquele que esteve na base da Sonata para Piano 1.X.1905: a morte de um trabalhador, Frantisek Pavlik, durante uma manifestação anti-germânica e a favor da instalação da Universidade de Brno, em Outubro de 1905. O prefácio que Janácek escreveu para a obra é mais ou menos assim:

The white marble steps of the Beseda in Brno
Frantisek Pavlik, a humble worker, sinks down covered in blood
He came, his heart filled with passion, for the university,
And was struck down by brutal murderers.

Passam hoje 79 anos sobre a morte de Leos Janácek. in http://desnorte.blogspot.com (Agosto 12, 2007)



Miguel Torga é uma referência de Portugal

Segundo o vice-presidente da Assembleia da República (Manuel Alegre), "o iberismo de Miguel Torga não põe em causa aquilo a que ele chamava a sua pátria cívica, nem a viabilidade e independência de Portugal, que é um dado adquirido".
...
O Prémio Nobel português José Saramago defendeu recentemente que Portugal deveria tornar-se numa província de Espanha e integrar um país que passaria a chamar-se Ibéria para não ofender "os brios" dos portugueses.
...
António Arnaut, fundador do PS e amigo do poeta homenageado, destacou, em declarações à agência Lusa, o "grande rigor ético, integridade e cidadania" de Torga, caracterizando-o como "uma referência cultural e moral de Portugal".

"É o escritor mais autenticamente português, no sentido de ter penetrado mais profundamente na alma lusa e de ser fiel às suas origens", acentuou.

Para o jurista e poeta, Torga, que viveu várias décadas em Coimbra, "é um mestre da língua" portuguesa e é necessário ler os Diários "para perceber o Portugal dos últimos 60 anos". in http://noticias.sapo.pt (12 de Agosto de 2007, 14:58)



Número de imigrantes em Portugal atinge nível mais baixo dos últimos cinco anos in http://ultimahora.publico.clix.pt (13.08.2007 - 08h59)

A verdade é que, para quem quer trabalhar, Portugal não presta. Isto está óptimo é para os Bancos transformarem sobreiros em "greens", vender água engarrafada ao preço da gasolina super, fazer OPA's sobre tudo o que sirva para explorar quem paga e não bufa, conceder crédito aos tótós que não resistem à propaganda bancária, para depois lhes sacar os apartamentos. idem (comentários)

Nota: o estudo a que remete a notícia cujo título foi acima transcrito, revelou que a comunidade que mais debandou de Portugal foi a ucraniana. Se tivermos em consideração que esta é a comunidade imigrante que maior nível de estudos possui, teremos uma pequena ideia de quanto Portugal é pouco atractivo para a mão-de-obra com formação.



Somos um país extraordinário

De fora, dando descanso à cabeça e ao computador, lendo despreocupadamente os jornais à beira-mar, dou-me conta de como, em vários aspectos, somos mesmo um país extraordinário, daqueles que, não existindo, teria de ser inventado.

Os sinais desta singularidade abundam mesmo nas páginas da imprensa de Verão – onde, supostamente, nada mais há para contar do que o vazio de notícias da estação. O mais fantástico exemplo é, sem dúvida, o da nova ponte sobre o Tejo, chamada ponte da Lezíria. Há milhares de anos que a humanidade sabe que uma ponte serve para passar por cima mas também para passar por baixo. Nós, porém, somos excepção: só depois da ponte estar feita e inaugurada é que as forças vivas locais e os utilizadores de barcos no rio descobriram que a ponte não dá passagem a barcos, porque é baixa de mais. Estiveram ali anos a vê-la ser construída e nunca pensaram no assunto antes de a verem pronta. Agora, todos reclamam e exigem uma 'solução'(?).

No mesmo sector das obras públicas 'urgentes', temos também o caso do novo terminal do aeroporto da Portela, baptizado de Terminal 2, e onde se gastaram milhões em obras 'inadiáveis' de um aeroporto que, oficialmente, só tem mais uns anos de vida. Pois o terminal lá ficou pronto para facilitar a vida a todos e servir melhor as ligações internas. Mas, ao fim de quinze dias, a insuportável e tradicional espera pelas malas que caracteriza o aeroporto da Portela, ficou pior do que nunca e, no Porto, chega a atingir horas de espera. Explicação simples e eloquente do responsável da empresa de "handling" dos aeroportos: "a inauguração do Terminal 2 não correu bem". Eis como a solução se transforma em problema.

Mais obras, públicas e privadas – ou tudo à mistura, como também acontece. O primeiro-ministro foi ao Algarve anunciar mais sete megaprojectos imobiliário-turísticos, os quais, segundo acusação do eng.º Macário Correia, determinaram o adiamento da entrada em vigor do PROTAL, o plano de ordenamento do território aprovado pelo próprio Governo: é que, à luz das normas do plano, e se este já estivesse em vigor, os projectos não poderiam ser aprovados, nem como PIN. Assim, movido pelas melhores intenções, o Governo dispõe-se a pôr alguma ordem no 'desenvolvimento' do Algarve. Mas, movido por ainda melhores intenções, trata primeiro de aprovar aquilo que possa contrariar as suas próprias leis. Na ria de Alvor, uma das raras paisagens naturais ainda preservadas de Portugal, o primeiro-ministro deleitou-se a ouvir sete empresários chegarem-se sucessivamente ao microfone para elogiar a grande compreensão demonstrada pelo Governo em prol do 'desenvolvimento'. E, imaginando já uma paisagem PIN, semeada de hotéis, golfes, vivendas e milhares de camas, onde antes só havia verde, Redes Natura, "habitats" protegidos por directivas europeias e 'obstáculos' quejandos, José Sócrates contemplou este Portugal do futuro e, embevecido pela sua visão, exclamou: "Haverá sempre quem faça críticas, mas é disto que o país precisa!".

Dias depois, como relatava o 'Sol', o primeiro-ministro que jurou apostar num desenvolvimento baseado na qualificação e na excelência, reuniu-se em segredo com os grandes clientes das obras públicas (justamente alarmados com as críticas crescentes à Ota e ao TGV), para em conjunto estudarem novas parcerias para aquele que é será sempre o único verdadeiro "cluster" da economia portuguesa: as obras e encomendas públicas. O Governo encomenda, os bancos financiam, os escritórios de advogados do sistema fazem os contratos, as construtoras constroem e os contribuintes pagam. O país está cheio de porsches e ferraris que saíram directamente do nosso bolso para ajudar a 'desenvolver' Portugal. Miguel Sousa Tavares in http://expresso.clix.pt (13 de Agosto de 2007, 8:00)



A média...

A incerteza cria nas pessoas ainda a necessidade do pai. Do pai salazarista ou do controleiro do PCP. E, quem criticar ou sair da média é rapidamente aniquilado pela inveja e pela mediocridade reinante. in Semanário, 30 de Março 2007, pag 04



Honestidade...

Várias revistas internacionais decidiram fazer um "teste de honestidade", deixando telemóveis de gama média nos bancos de centros comerciais, nas capitais de vários países em todo o mundo. Depois dos artefactos (linda palavra) serem levados por alguém, os jornalistas telefonavam para o telemóvel dizendo à pessoa que se tinham esquecido do aparelho e pedindo a sua devolução. Em Lisboa, muitos dos telemóveis foram desligados imediatamente, para evitarem quaisquer contactos por parte dos proprietários (tanta sabedoria...). Foram devolvidos 15% da totalidade dos aparelhos. Quinze por cento de cidadãos honestos que merecem ser louvados e felicitados, tal é a sua excepcionalidade em Portugal... De acordo com as operadoras de telemóveis portuguesas este resultado até foi muito bom porque são raros os casos em que alguém aparece para entregar um aparelho encontrado. Portugal, uma vez mais e para não variar, ficou no fundo da tabela. No fundo da "tabela da honestidade"... Mas não é por isto que, como Saramago, vou defender a integração de Portugal em Espanha, até porque não há integração que resolva o problema das mentalidades e hábitos culturais. Saramago, que eu saiba, nunca propôs um sistema educativo que educasse para o rigor e a integridade, que procurasse acabar com as práticas do "chico-espertismo", um sistema de educação que impedisse a propagação do mito "o mundo é dos espertos" e colocasse a busca da qualidade e da generosidade à frente da procura dos pequenos benefícios imediatos. Este mito representa uma ideologia que, na essência, proclama a desonestidade e a corrupção como ideais, ideologia que atravessa boa parte da sociedade portuguesa. A não ser radicalmente removida (estripada), pode condicionar muito, mesmo muito negativamente, o futuro do país numa Europa de grandes padrões educacionais e elevadas performances individuais. Na verdade, não me parece valer a pena (tentar-se) incrementar a natalidade em Portugal se não fôr para criar cidadãos de boa qualidade. E isso começa no ensino básico, tal como Sequeira Costa muito bem o disse, já lá vão anos. Por um lado. Por outro, através de um sistema judicial que combata eficazmente a corrupção e todo o tipo de criminalidade. No que diz respeito ao combate à corrupção, aparentemente estão a ser dados bons passos, sendo a Polícia Judiciária uma força fundamental para o sucesso desta luta. Saramago, nomeadamente quando foi director do jornal que agora se faz porta-voz dos seus delírios*, não parece ter tido como preocupação principal (ou secundária) elevar a qualidade da literacia em Portugal, o fomento da crítica inteligente e livre, assim como o respeito pelas pessoas enquanto seres singulares, factores que poderiam ter ajudado a alterar as mentalidades deste país nos trinta anos, ou mais, que entretanto passaram. Por isso, que vá dizer aos bascos e aos catalães que se integrem mais em Espanha, em vez de andar a dizer absurdidades que denotam já um certo grau de senilidade. AST

* não foi nada de bom gosto, muito antes pelo contrário, o Diário de Notícias ter colocado em primeira página (por coincidência em dia de eleições para a câmara da capital de Portugal...) uma frase do escritor dizendo que inevitavelmente Portugal iria integrar Espanha.













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