CRITICA MUSICAL / MUSICAL CRITIC

Um blog de Álvaro Sílvio Teixeira

2007/09/18


Que fazer? (La Biennale)

Por Pilar Villa

Lenine interrogou-se, Stalin, posteriormente, declarou-o doente e respondeu por ele. Felizmente a arte dispensa este dilema e dispensa absolutismos. Pierre Boulez, uma das figuras mais importantes e determinantes da cena musical e da Arte actuais, declarou, na entrevista que deu ao autor deste blog, ser a contemporaneidade rica, interessante e variada. A Bienal de Veneza acaba de demonstrar isso mesmo: ao lado da previsibilidade de alguns "clássicos" (as aborrecidas "Fontes Venezianas" de Bruce Nauman, para dar um exemplo berrante), os novos impuseram-se (pelo menos demonstraram capacidade para se mostrarem - ou para que os mostrem - num dos eventos mais importantes do mundo) e outros reafirmaram-se. Se o consagrado León Ferrari, da Argentina, criou a imagem de marca desta bienal:


da Guatemala, da India, de Taiwan (Taipei Fine Arts Museum), de Singapura, da Ucrânia, do México e de Itália, chegaram-nos boas e muito interessantes novidades, que nos parece serem relevantes para o futuro da arte (na actualidade, depois de tudo ter sido mal ou bem experimentado, o termo novidade tem de ser entendido com alguma generosidade):











Nota: no topo temos uma imagem de Dusasa II (2007), de El Anatsui (Gana/Quénia)



Dubois...

É bem conhecido o facto de Maurice Ravel (1875-1937), entre os anos de 1901 e 1905, ter, sem sucesso, concorrido ao Prix de Rome. Théodore Dubois (1837-1924), um compositor bem menos conhecido, venceu-o, em 1861; em 1905, contudo, Dubois ver-se-ia forçado a sair do Conservatório de Paris, de que era director desde 1896, precisamente por ter-se recusado a atribuir o Prix de Rome a Maurice Ravel. As peripécias entre os dois não ficariam por aqui: em Maio de 1911, num concerto na Société Musical Indépendante (Paris) em que os autores das obras executadas não foram indicados, o público atribuiu a autoria das Valses Nobles et Sentimentales aos mais diversos compositores, nomeadamente a... Théodore Dubois! in http://desnorte.blogspot.com (Setembro 28, 2007)













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2007/09/16

Avé Maria

30 ans après sa disparition, Maria Callas continue à nous hanter, tant par sa vie tumultueuse que par sa voix exceptionnelle. in http://fr.yahoo.com (16 Setembro 2007)











2007/09/09

Sublime atrocidade

Imprint (2006), de Miike Takashi, foi uma encomenda para o final da primeira época de Masters of Horror (que foram transmitidos na televisão via circuíto fechado), séries cujo produtor executivo é o realizador Mick Garris. Imprint seria o 13º episódio da primeira série que acabou só com 12. Apesar de ir passar via cabo, tal não chegou a acontecer por ter sido considerado "demasiado forte". O próprio Mick Garris definiu-o como sendo o filme "mais perturbador" que jamais tinha visto. Não podemos deixar de estabelecer um (virtual) paralelo com o (virtual) "La fin absolue du monde", em Cigarette Burns (2005) de John Carpenter, que também foi uma encomenda de Garris para MOH.

Mas que há em Imprint, que foi exibido em Lisboa integrado no primeiro Festival Internacional de Cinema de Terror, que aconteceu de 5 a 9 de Setembro? Primero gostaria de expressar que, ao contrário da influência que Takashi reivindica (Tarantino), considero que os tempos plasmados das sequências, que são um dos aspectos essenciais deste filme, que têm paralelo no discurso teatralizado das personagens, elemento-chave da dramatização, não é nem a Tarantino, nem à América, que Takashi os deve. A violência em Imprint nada tem a ver com a dos filmes do referido Tarantino. A violência de Miike Takashi também está longe da que vemos em Hostel 2, de Eli Roth, que não é nem banal nem gratuíta, e que tem como antecessor não o seu primeiro Hostel, ou os filmes de quem o produziu (Tarantino again...), mas Saló ou os Cem Dias de Sodoma, de Pier Paolo Pasolini (que foi assassinado pouco depois de terminar o filme...). Estas obras, em vez de serem rotuladas como "pornografia", deveriam conduzir a uma reflexão, a uma indagação, sobre se tudo aquilo que lá aparece é mera ficção. A outra indagação, no caso de termos concluído que toda a ficção tem sólidos alicerces na(s) realidade(s), seria o porquê, a motivação "profunda", "essencial", de tal perversão que assume inquietante realidade nos snuff *. Heidegger escreveu, na "Carta sobre o Humanismo", que a atrocidade faz parte da humanidade do homem. Muitos dizem que para justificar a sua complacência com o nazismo. E não fará a atrocidade, de facto, parte da "humanidade" dos humanos? Que nos diz isto? Não será esta afirmação uma tentativa de reduzir a compreensão do síntoma à simples constatação da sua existência? Não será o limite de uma visão de superfície que procura impedir a análise da(s) "essência(s)"? Não implicará esta constatação, feita com uma curiosa dose de cândura, uma teoria de impotência militante? Do outro lado temos um Karl Popper proclamando que aos inimigos das "sociedades abertas" é necessário opôr toda a força necessária para impedir que eles as destruam. Sociedades abertas que, teoricamente, são constituídas por indivíduos capazes de intuir onde se encontram os limites da sua liberdade individual. A "pedagogia" serve para isso. Se não o conseguir é uma farsa e não passa de uma burla. Ao Estado compete proteger os indivíduos das perversões daqueles que não conseguiram estabelecer fronteiras interiores e criar limites "automáticos" e "naturais" nos seus comportamentos face ao "outro". Na verdade, para os perversos, o "outro" não existe enquanto pessoa: o perverso reduz os outros a meros objectos que ele utiliza para o seu gozo peculiar. Ao Estado compete utilizar a força e metodologias adequadas para proteger os neuróticos e histéricos, que são basicamente sãos, dos perversos e dos "psicopatas".

Quem acontece afinal em Imprint? Nesta obra acontece, simplesmente, que a atrocidade, a "atrocidade limite", para ir buscar uma pertinente definição de Jaspers, é elevada à categoria de sublime. Não no sentido, idiota, com que Stockhausen classificou o ataque às torres gémeas, mas na medida em que, apesar de termos de apertar as mãos, e uma ou duas vezes fechar os olhos, estarmos perante uma obra acabada, onde o monstruoso é, consistentemente, manipulado e colocado ao dispôr de um projecto, plenamente conseguido, de estetização. Imprint não é de todo um "filme de terror" e este festival teve, pelo menos, o mérito de nos permitir visionar esta obra, no mínimo "interessante", da criação contemporânea. AST

* muitos pretendidos snuff (a generalidade dos que se podem ver na net) são encenados. Parte dos verdadeiros são, muito provavelmente, encomendados e inacessíveis a quem esteja fora desse circuito. A discussão seria se existe um gozo, por parte do autor moral (quem faz a encomenda), "meramente" na posição de voyeur, ou se este passa ao acto por interposta pessoa (tal como Zizec refere em um dos capítulos da compilação de textos traduzida para português com o título "A Subjectividade por Vir"). Isto importa unicamente como curiosidade pois tratam-se, ambos os tipos, de criminosos (assim como os "realizadores" e outros colaboradores). No fundo todos os criminosos são perversos.












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2007/09/06

Luciano Pavarotti

1935 - 2007

Pavarotti, no tempo em que representava óperas, antes de usar uma orquestra privada com um maestro de serviço, foi um grande tenor e um grande intérprete. Depois comercializou-se. Restam os registos discográficos que foram feitos de algumas das óperas em que participou.

"J'espère qu'on se souviendra de moi comme d'un chanteur d'opéra, comme représentant d'une forme d'art qui a trouvé sa plus forte expression dans mon pays", l'Italie, avait écrit Pavarotti sur son site internet à l'époque où il entamait son tour d'adieu en 2004, interrompu en juillet 2006 pour des raisons de santé. AFP - Jeudi 6 septembre, 14h06 in http://fr.news.yahoo.com


Voici les principaux disques de Luciano Pavarotti:

- "I Puritani", de Bellini, dirigé par Richard Bonynge

- "La Fille du Régiment" de Donizetti, dirigé par Bonynge

- "L'Elisir d'Amor" de Donizetti, dirigé par Bonynge

- "Lucia di Lammermoor" de Donizetti, dirigé par Bonynge

- "La Bohème" de Puccini, dirigé par Herbert von Karajan

- "Tosca" de Puccini, dirigé par Nicola Rescigno

- "Turandot" de Puccini, dirigé par Zubin Mehta

- "Guillaume Tell" de Rossini, dirigé par Riccardo Chailly

- "Aïda" de Verdi, dirigé par Lorin Maazel

- "Un Ballo in Maschera" de Verdi, dirigé par Georg Solti

- "Rigoletto" de Verdi, dirigé par Bonynge

- "La Traviata" de Verdi, dirigé par Bonynge

...

DVD

- "L'Elisir d'Amore" de Donizetti, au Metropolitan Opera

- "Pagliacci" de Leoncavallo, au Metropolitan Opera

- "La Bohème" de Puccini, au Metropolitan Opera

- "Un Ballo in Maschera" de Verdi, au Metropolitan Opera

- "Le Trouvère" de Verdi, au Metropolitan Opera.

AP - Jeudi 6 septembre, 13h14, idem












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