CRITICA MUSICAL / MUSICAL CRITIC

Um blog de Álvaro Sílvio Teixeira

2007/12/30

da série Luzes II*





Bom ano 2008

Paz no mundo
para as Mulheres
de Boa Vontade







Se fosse em Portugal seria considerado trabalho infantil. Em Portugal, com esta idade, a "normalidade" manda insultar e bater nos professores... Depois digam que eles (os orientais) são mecanicistas, desprovidos de musicalidade e outras barbaridades sem sentido. Outro tecnicista. E ainda outro para ficarmos só por alguns artistas, jovens, mundialmente conhecidos. Já agora, por mera curiosidade, onde estão os grandes solistas alemães (os grandes chefes-de-orquestra - não são solistas mas intérpretes - italianos que, evidentemente, abandonaram o país de origem e dirigem algumas orquestras alemãs, austríacas, americanas, etc, não contam, o mesmo acontecendo com os pianistas, violinistas e outros solistas com carreira mundial, russos e de "leste", que vivem na Alemanha)?








* imagem protegida por copyright

2007/12/28

Oscar Emmanuel Peterson
August 25, 1925 - December 23, 2007

When Summer Comes

Music by Oscar Peterson
Lyrics by Elvis Costello
Originally Performed by Diana Krall


The land was white
While the winter moon as absent from the night
And the blackness only pierced by far off stars
But as every day still succeeds the darkest moments we have known
When season turn
Springtime colours will return
And as the first pale flowers of the lengthening hours
Seem to brighten the twilight and that melancholy cloak
Then a fresh perfume just seems to burst from each bloom
Until the green shoots through each day
As it arrives in every shade of hope
When Summer Comes
There will be a dream of peace
And a breath that I've held so long that I can barely release
Then perhaps I may even find a room somewhere
Just a place I can still speak to you









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2007/12/19

Exército para quê?

Portugal tem um general por cada três sargentos-mor no Exército. No topo da carreira de oficiais, existem 61 generais, sendo 45 de 2 estrelas e 16 de 3 estrelas.
...
Para quê tantas estrelas, galões, divisas, e euros; tantas viaturas e quartéis, tanto armamento, bandas militares e charangas, se não há nada a defender, a não ser o tacho de cada um? in Jornal do Norte, 2007/12/17, pag 3

Os grandes perigos para Portugal vêm de dentro, não do exterior. A Noruega, que é um país desenvolvido, seguro e respeitado, não tem exército, apesar de ter petróleo e estar perto da Rússia.


Portugal perde com a Grécia...

Nessa Europa a 12, lutávamos com a Grécia para não sermos os últimos. A Espanha estava já demasiado longe para ser ultrapassada, mas os gregos, pouco mais de dez milhões como nós, pareciam um adversário razoável. Depois vieram as Europas a 15, a 25 e a 27 e deixámos de ter medo do fundo da tabela. Mas e a Grécia? Bem, quase sem notarmos, tem hoje um rendimento por habitante que chega aos 98% da média da União Europeia , enquanto Portugal se fica pelos 75%. Ao mesmo tempo, os espanhóis acabam de celebrar a ultrapassagem aos italianos (105% contra os 103%). E no topo do campeonato lá está o Luxemburgo, que, graças ao minúsculo tamanho e à avalanche de instituições financeiras, exibe uns astronómicos 280% do rendimento médio europeu. No fim, a Bulgária.

Desde 2001 que falhamos o tal ideal de convergência que justificou tantas verbas vindas de Bruxelas e cujas marcas são bem visíveis pelo menos nas auto-estradas (passou-se de 207 km em 1986 para mais de 2000 km hoje). Estamos a desenvolver-nos, sim, mas outros países estão a ter melhores resultados. E não apenas a Grécia (que ainda por cima foi campeã europeia de futebol há três anos derrotando Portugal e logo em Lisboa). Também República Checa, Malta, Eslovénia e Chipre nos ultrapassaram na listagem da UE, onde estamos em 19.º lugar. E a queda tem-se notado também noutra classificação, a do Índice de Desenvolvimento da ONU, em que Portugal já esteve em 23.º, mas surge agora em 29.º.

Vale a pena algum optimismo? Certamente, pois a economia dá sinais de recuperar (1,8 este ano, 2,2 % em 2008, 2,8 em 2009 - finalmente a reiniciar-se a convergência com o resto da UE) e o benefício das duras reformas governamentais vai sentir-se mais cedo ou mais tarde. O controlo do défice é já o primeiro resultado e garante que a revista The Economist não voltará a chamar a Portugal "o novo homem doente da Europa" como fez em Abril. Mas a falta de êxitos não pode ser só culpa dos governos, há-de haver outros responsáveis. Talvez todos nós, uns mais que os outros. E a Grécia? Vai crescer 4,1% este ano, 3,8 em 2008, 3,7% em 2009. Continua a ganhar-nos. No futebol e não só. in http://dn.sapo.pt (2007/12/24/opiniao)


Democracia adoentada

O ano passado morreram 33 mulheres às mãos dos seus maridos ou companheiros.
...
Há dois anos que o Governo fala da colocação de pulseiras electrónicas nos agressores mais violentos. Agora, veio dar o dito pelo não dito e anunciar que em vez de pulseiras electrónicas vai distribuir telemóveis às vítimas. Um telefone para evitar uma agressão? Ouve-se e não se acredita. Como é que o Governo espera que as mulheres se defendam com um telemóvel? Atirando-o ao agressor ou pedindo-lhe para interromper o ataque para fazer uma chamada para a polícia? in Meia Hora, 20 Dezembro 2007, pag 4

O facto de as ruas das nossas cidades, as escolas e, por vezes, até as famílias se terem convertido em campos de batalha não é senão o resultado da erosão da autoridade.
...
Devíamos exigir o fim da deriva permissiva que os sucessivos governos têm protagonizado, por mero facilitismo ou cedência à "expertise" mais do que duvidosa dos especialistas em educação. in Diário Económico, 20 Dezembro 2007, pag 3

Esta demagogia democrática conduziu à escola dos dias de hoje, em que ninguém é responsável, em que campeiam a indisciplina e a violência, em que a tão necessária autoridade do professor é posta em causa por alunos, pais, e até pelos restantes funcionários das escolas.

Esta escola dita democrática só pode produzir analfabetos e bandos de pequenos malfeitores, matéria-prima para os gangs de bairro, das actividades da noite e outras. in Oje, 20 de Dezembro de 2007, pag 4


Foto do ano 2007 da UNICEF

Mostra um afegão de 40 anos ao lado de uma menina de 11. Se não houvesse legendas pensar-se-ia que eram pai e filha. Nas legendas lê-se serem marido e mulher. Perguntaram à menina o que estava a sentir. Ela respondeu que não estava a sentir nada e questionou sobre o que deveria sentir por um homem que nunca tinha visto anteriormente. Foi mais um casamento arranjado. Tal como costuma acontecer por aquelas paragens. A foto é de Stephanie Sinclair.


Reino das arábias

Na página 15 do diário Global Notícias (18/12/07) lê-se que o rei da Arábia Saudita - obscuro país propriedade de uma família que o Reino Unido e os EUA consideram um "aliado" - indulta mulher vítima de violação. No corpo da notícia fica-se a saber que a jovem de 19 anos foi violada por sete homens e seguidamente condenada a seis meses de prisão e 200 chicotadas (que o rei indultou). Porque na altura se encontrava num carro na companhia de um "desconhecido"...


A reter

Um estudo da revista Fortune sobre as 500 empresas mais lucrativas do mundo, demonstra que quando existem mulheres em lugares top os lucros acontecem num crescendo e a longo prazo. Segundo um estudo do Barclays e da revista Economist, em 2025 60% dos bilionários serão bilionárias, mulheres.

A Universidade de Reykjavik, desde que dirigida por mulheres, melhora o seu estado financeiro todos os anos e 95% dos que lá trabalham dizem-se muito satisfeitos. (fonte: Education Guardian, 11 Dezembro 2007, pag 1)

No Lewisham College, no sul de Londres, os alunos com idades entre os 14 e os 16 anos aprendem a construir muros e casas. (fonte: idem, pag 3)


A UE até já fala grosso e tudo...

Denpasar, Indonésia, 13 Dez (Lusa) - A União Europeia boicotará a reunião sobre alterações climáticas organizada pelos EUA no Havai se Washington se recusar a aceitar objectivos de redução das emissões de gases poluentes em Bali, alertou hoje o ministro alemão do ambiente.

"Se não houver resultados en Bali, não haverá outras reuniões das economias mais poderosas", disse o ministro alemão Sigmar Gabriel, referindo-se à Iniciativa das Grandes Economias (MEI), uma série de reuniões sobre o clima iniciadas em Setembro pelo presidente norte-americano, George W. Bush, e que deverão prosseguir no próximo mês em Honolulu, Havai. in http://noticias.sapo.pt (13 de Dezembro de 2007, 12:39)

Há que compreender que qualquer acordo que não inclua, para além dos EUA, pelo menos a China e a India, entre os grandes poluidores, será pouco mais que folclore pois estes países são dos mais poluidores e vão continuar a aumentar os níveis de emissões poluentes. Há igualmente que proteger as florestas tropicais desvastadas sobretudo nos "países em vias de desenvolvimento", como a Indonésia, para comércio das "madeiras exóticas". É verdade que se os habitantes dos países ricos se recusassem liminarmente a comprar essas madeiras o problema estaria em parte resolvido. Mas também é verdade que se a sua importação fosse declarada ilegal pelos países ricos a destruição das florestas e selvas tropicais se poderia atenuar substancialmente.


Bem comer e bem beber?!

«Como nos podem exigir que bebamos café em copos de plástico, como podem impedir a venda de bolas de Berlim nas praias, ou proibir que os cafés vendam produtos de fabrico próprio não empacotados?» pode ler-se no documento, cujos autores reclamam defender as «tradições do bem comer e bem beber portuguesas». in http://sol.sapo.pt (17/12/2007)

Olhando para a quantidade de baixos (as) e gordos (as) em Portugal ficamos conversados. Quanto ao plástico sem dúvida que destrói o planeta. Na realidade é um cancro. Não se percebe como aqueles que agora se reclamam das tradições do "bem comer e bem beber", e até falam justamente na malignidade dos copos de plástico, não se insurgem contra o lixo desmesurado que representam os sacos de plástico distribuídos gratuitamente pelos super-mercados portugueses, que seguem o mau exemplo dado pelo Reino Unido. Afinal os portugueses sempre foram seguidistas... E o governo português, que tem tomado medidas impopulares de necessidade duvidosa, recuou na ideia, correcta, de taxar este lixo fácil mas impressionantemente nocivo e duradouro. Em Portugal os lobbys financeiros, mesmo sussurrando, falam mais alto que manifestações com dezenas de milhares de trabalhadores...


2008 vai ser bonito

À semelhança da festa que fizemos no #211 da AVENIDA, com 13 concertos, em 13 salas numa sexta-feira 13, irá haver 21 concertos - não em 21 salas – de um grupo de gente que vai tornando a tuga um sítio incrível para se presenciar música contemporânea, medido em que escala seja (ainda para mais em véspera de solstício). As portas abrem às 21h e o som arranca às 21h30, logo com três concertos - Phoebus e p.ma, Osso Exótico com Francisco Tropa e Heatsick, pelo que atrasar é mesmo desperdiçar. Mais, para quem não está numa de jantar a correr para chegar a horas, a Comida do Povo vai fazer também refeições a 5€ (cous cous vegetariano e brownies). Um bom Natal para vocês. 2008 vai ser bonito. Beijos e abraços, Filho Único (www.filhounico.com) in http://jazzearredores.blogspot.com (19.12.07)







2007/12/10


Karlheinz Stockhausen

22 Agosto 1928 - 5 Dezembro 2007


Desde que, em 1951, conheceu Mode de valeurs et d' intensitées de Olivier Messiaen, nos cursos de Darmstadt, Stockhausen iniciou um peculiar percurso criativo. No ano seguinte, 1952, foi para Paris estudar com Messiaen e com Pierre Shaeffer. Foi por esta altura que escreveu Spiel und Punkt e Kontra-Punkt. Em 1953 regressou a Koln onde, em 1956, escreveu Gesang der Jünglinge. Neste ano de 1956 escreveu igualmente Klavierstuck XI, onde o executante escolhe a ordem dos acontecimentos. Foi por esta altura que completou Gruppen, para 3 orquestras que rodeavam os ouvintes. Kontakte foi escrito entre 1958 e 1960 e Moment entre 1962 e 64. A partir de 1970 Stockhausen voltou a utilizar a pauta musical convencional*, o que nada tem de mal, mas entrou numa fase que culminou no ciclo Licht, no qual uma esquizofrenia grandiloquente "para-wagneriana" vai de par com uma pobreza de ideias e uma falta de musicalidade que parecem provir de um ser diferente de aquele que, com Pierre Boulez e Luigi Nono, entre outros, estabeleceu um mundo musical radicalmente diferente de aquilo que o "post-romantismo" nos legou (sem nos esquecermos de figuras tutelares da primeira metade do século XX como Arnold Schönberg, Alban Berg - onde o "post-romantismo" atinge o seu limite** - Anton Webern e Edgar Varèse***). György Ligeti é provavelmente o mais interessante representante do "outro lado" da música da segunda metade do século vinte. Ligeti, um húgaro nascido na Roménia, dado o isolamento face às "novidades" produzidas em Darmstadt****, desenvolveu sistemas composicionais pessoais e inovadores - existindo, aparentemente, influências de Edgar Varèse no tratamento das massas sonoras em algumas obras - sendo as suas estéticas, muito diferenciadas entre si, altamente singularizadas e dotadas de grande inspiração.

* Boulez nunca deixou de a utilizar mas deve-se compreender que Pierre Boulez nunca se interessou realmente pela música electro-acústica com a qual a notação convencional não se compagina. Boulez "saltou" a fase electro-acústica passando directamente para a electrónica em tempo-real, inventada no IRCAM no periodo em que ele o presidiu, sendo o programa MAX, que é permanentemente actualizado, o resultado mais conhecido e relevante desse periodo (algumas obras musicais utilizando o MAX são o resultado mais interessante...). Como normalmente a electrónica em tempo real acontece a partir de notas musicais (transformadas no momento, por isso se diz em tempo-real), funciona perfeitamente com a partitura convencional. Enquanto na electro-acústica a criação dos sons era a essência, no "tempo-real" funciona como uma espécie de "coloratura" complexificada sendo a partitura musical o fundamento da obra.

** igualmente sem nos esquecermos de Richard Strauss, Stravinsky e Bela Bartok que exploraram a linguagem tonal no limite do que seria ainda inovador. Strauss no aspecto orquestral, Stravinsky e Bartok principalmente no ritmo. Costuma dizer-se que Berg adaptou o sistema serial, inventado por Schoenberg que foi seu professor, a uma estética "ultra-romântica" sem abandonar verdadeiramente a tonalidade. A dissolução desta na verdade estava anunciada desde as últimas obras para piano de Liszt mas foi Gustav Malher quem, na sinfonia 7 e no adagio da 10, desconstruiu definitivamente a tonalidade partindo do seu interior. Depois temos Debussy que criou um universo sonoro diferente de tudo o que tinha sido feito, influenciado pela música oriental e eventualmente pelas últimas obras para piano de Liszt. Na conjunção do serialismo de Schoenberg com o fabuloso mundo de Debussy (Ravel igualmente genial e com uma estética próxima de Debussy revela uma vertente mais clássica) aparece Olivier Messiaen...

*** Edgard Varèse, originalmente Edgar Varèse (1883 - 1965)

Compositor francês nascido em Paris, importantíssimo e pioneiro das composições da música eletro-acústica. Estudou na Schola Cantorum (1903-1905) e no Paris Conservatoire (1905-1907), e mudou-se para Berlin, onde encontrou Strauss e Busoni. Retornou para Paris (1913) e dois anos depois emigrou para New York (1915). Durante estes anos europeus foi aluno de Vincent d'Indy, Albert Roussel e Charles Widor e foi incentivado por Romain Rolland e Claude Debussy. Nos Estados Unidos fundou em Nova York (1921), a International Guild of Composers e, cinco anos depois, a Pan-American Association of Composers, entidades responsáveis pela apresentação de obras de compositores como Béla Bartók, Ravel, Webern e Poulenc. Com Amérique (1921), obra para sopros, cordas e percussão, rompeu com as influências do passado. Depois compôs, entre outras, Hyperprism (1923), Octandre (1923) e Arcana (1926). Esteve por alguns anos em Paris (1928-1933), período em que compôs a percussão para orquestra, Ionisation (1931). Após o surgimento das fitas magnéticas (1950), concentrou-se na música eletrônica e compôs Déserts (1950-1954), primeira obra em que se combinam sons naturais e organizados do mundo industrial. Depois apresentou, na Exposição Universal de Bruxelas, seu Poème électronique (1958), que utilizava 425 alto-falantes. Morreu em Nova York. in www.dec.ufcg.edu.br/biografias/EdgaVare.html

**** Sobre a música na segunda metade do século vinte:
www.geocities.com/franciscomonteir/musicanova.html






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2007/12/07

Cimeira Europa – África

Ele (Salih Mahmoud Osman) diz que a situação no Darfur é pior do que imaginamos. Que as pessoas querem ser protegidas dos assassínios que se repetem todos os dias. Em Lisboa, em vésperas da cimeira UE-África, ele pede que a Europa lidere a força internacional para ajudar os refugiados a voltar para casa e salvar as suas vidas. Sem isso, o genocídio vai continuar. Ele sabe que a cimeira não pôs o Darfur no topo da agenda e está espantado com isso. in Público-P2, 7 Dezembro 2007


O primeiro-ministro britânico não estará presente - devido à nossa preocupação com a tragédia que se está a desenrolar no Zimbabwe, que afecta pessoas de todas as raças e que acreditamos ser culpa de Robert Mugabe. David Miliband e Douglas Alexander in Público, 7 Dezembro 2007, pag 54


O convidado

El invitado y sus muchachas





2007/12/06

Suicídio: relevante causa de morte em Portugal

Seis suicídios por dia!

... sendo esta uma das principais causas de morte no país, segundo dados da Aliança Europeia Contra a Depressão. Os últimos dados fidedignos sobre o suicídio são de 2002 e revelam que a média diária era de quatro casos. O psiquiatra Ricardo Gusmão, coordenador deste programa explicou que "a taxa de suicídio em Portugal está artificialmente reduzida, em menos 25 a 50%, por deficiência de registos de óbitos" in Global notícias, 6 de Dezembro de 2007, pag 5


Escandaloso!

O coordenador da Polícia Judiciária do Porto que, no início do mês passado, emitiu um mandado de detenção contra três indivíduos com longo cadastro por diversos crimes está a braços com um processo-crime por prisão ilegal e pode vir a ser acusado de sequestro. Os suspeitos são acusados de sovarem e atarem a um poste um indivíduo que depois tentaram imolar, tendo por fim roubado meia-dúzia de euros.

O caso é justificado por o novo Código de Processo Penal só prever detenções quando se verifica o perigo de fuga, que tem de ser devidamente fundamentado. Caso os arguidos afirmem que se apresentam voluntariamente à justiça, em dia a combinar posteriormente, há magistrados que entendem que as novas regras determinam que devem ser imediatamente soltos.

“Uma verdadeira anedota. Perguntamos ao suspeito se ele se apresenta e libertamo-lo. Depois ele foge e somos nós que temos de ir outra vez atrás dele?”, indaga um elemento da Polícia Judiciária, visivelmente indignado com a situação, que está a causar uma verdadeira onda de choque na PJ do Porto.
...
O perigo de fuga, fundamental agora para determinar a prisão de alguém, é subjectivo. A PJ muitas vezes tem em conta o carácter dos suspeitos, designadamente o cadastro e a probabilidade de serem condenados a elevadas penas de cadeia. Uma situação que agora parece dever ser ignorada já que, neste caso, um dos agressores, de etinia cigana, é muito conhecido pelo seu carácter conflituoso e por problemas com a justiça. Tinha antecedentes criminais por crimes contra o património, ofensas à integridade física e condução sem habilitação legal. Mas o MP entendeu que iria apresentar-se e libertou-o.
...
O Código de Processo Penal entrou em vigor a 15 de Setembro – e logo no dia a seguir a secção de homicídios sentiu os efeitos na prática: um homem disparou sobre a própria mulher, depois levou-a ao hospital e entregou o revólver à PSP de Belém, Lisboa. E, à luz da nova lei penal, era um homem livre. Bastou que se entregasse.
...
Quando a discussão estalou entre o casal, o marido pôs fim à conversa com um tiro na mulher. Por sorte, a bala só a atingiu num braço. O agressor apresentou-se à PSP com o revólver e, chamada uma brigada da PJ, os inspectores foram confrontados com a lei.

“Como se apresentou, tem de se partir do princípio de que não há perigo de fuga”. E nem um mês depois, na Ericeira, quatro homens foram corridos à facada por um grupo de três. Três recuperaram mas um rapaz de 22 anos morreu com um corte na barriga. Os três brasileiros fugiram mas dois dias depois atenderam o telemóvel à PJ. Apresentaram-se e – com a nova lei – voltaram para casa.
...
VIOLADOR CONTINUA SOLTO

Fábio, o rapaz de 17 anos que violou até à morte uma criança de seis, continua em liberdade. Foi condenado mas o novo código abriu portas à sua libertação enquanto correm os recursos.

RECURSOS AUMENTARAM

Nos tribunais superiores aumentaram os recursos pedindo a libertação de indivíduos por excesso de prazo de prisão. Outros pretendem que as leis já se aplicassem aos seus casos, o que aumentou a litigância.

REFORMA À PRESSA

A entrada em vigor dos novos códigos imediatamente após o Verão provocou grandes conflitos nos tribunais. Ninguém se entendia sobre a interpretação a dar a muitos artigos legais.

NOVOS ARTIGOS 256 E 257

Os artigos 256 e 257 do novo Código de Processo Penal são explícitos: não é permitida qualquer detenção à polícia fora de flagrante delito, a menos que seja provado o perigo de fuga dos suspeitos.

PINTO DA COSTA ANTECIPOU-SE

Pinto da Costa ‘antecipou’ as alterações ao Código de Processo Penal e processou o Estado por prisão ilegal. Alegou que não podia ser preso por se ter apresentado livremente às autoridades.

DETENÇÃO

A falta de entendimento entre os magistrados é clara. Muitos entendem que o perigo de fuga é abstracto, outros defendem que deve ser fundamentado de modo factual. Sem jurisprudência sobre o assunto, as polícias não sabem muito bem o que fazer. in www.correiodamanha.pt (2007-12-06 - 13:00:00)

Nota: e o caso do homem que denunciou os mafiosos da noite à PSP e acabou morto à bomba (jornal 24 Horas, 06-12-2007)? Uma bomba sofisticada... As máfias da noite estão instaladas na PSP? Portugal, mais de trinta anos e biliões de euros após ser admitido na UE, parece não ir pelo bom caminho... A UE passou de berço do "estado social" a terra das máfias. Basta olhar para países como a Bulgária e a Roménia* que agora recebem rios de dinheiro da União Europeia que só vão reforçar o "polvo" que tudo domina e controla naqueles países.

* Segundo o "Barómetro da corrupção global em 2007", da Transparency International, "Os países onde o suborno é mais frequente, com níveis acima dos 33%, são, entre outros, a Albânia, Camboja, Roménia, Senegal e Paquistão" (Global notícias, 7 Dezembro 2007, pag 03)







2007/12/05

Convencidos e mediocres

Os alunos portugueses de 15 anos são dos que mais valorizam a importância do conhecimento científico... são mesmo os que mais desejam seguir uma carreira nesta área. A maioria acredita que o seu desempenho é bom e que aprendem rapidamente, demonstrando uma atitude bem mais confiante que os seus colegas finlandeses, que lideram o ranking.

Mas na hora de mostrar as suas competências, só três países se saem pior - Grécia, Turquia e México.

Esta é uma das constatações do último relatório do PISA (Programme for International Student Assessment), o maior estudo internacional sobre as competências dos alunos de 15 anos...

E o país tem uma percentagem e dispersão de alunos com um baixo estatuto económico mais elevada que a média. "Tal como o México e a Turquia, estes países enfrentam um desafio maior para combater o impacto do contexto socioeconómico", lê-se no relatório.

República Checa, Eslováquia, Polónia ou Hungria têm um PIB per capita semelhante ou mesmo inferior e os resultados dos alunos são melhores.

No caso do custo por estudante, verifica-se, por exemplo, que a Eslováquia gasta menos de metade (do básico ao secundário) e os seus alunos têm desempenhos bem superiores aos colegas portugueses. in Público, 5 Dezembro 2007, pag 12

Os alunos portugueses de 15 anos têm resultados abaixo da média em Ciências, Leitura e Matemática, quando comparados com os colegas de mais 56 países.
...
Curioso é verificar que 38,8 por cento dos alunos portugueses pretende seguir carreira científica, o valor mais elevado na OCDE. in www.correiodamanha.pt (2007-12-05)


1300 versus 402+1252+322

O número de agressões, efectuadas ou tentadas, nas escolas portuguesas de ensino não superior, no ano lectivo de 2006/07. 1092 envolvendo alunos, 185 professores e 147 funcionários. Se acrescentarmos injúrias e calúnias, o número no que toca aos professores sobe para 402, alunos 1252 e funcionários 322. Supostamente 6% das escolas concentram todos os casos de violência... (fonte: dn.sapo.pt 04-12-2007)









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