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2009/11/02

O polvo

O empresário Manuel José Godinho montou uma rede tentacular que envolvia antigos titulares de cargos governativos, funcionários autárquicos e de empresas públicas e militares da GNR, segundo o despacho judicial da operação Face Oculta, revela fonte ligada ao processo.

Assim, e depois de quase um ano de investigações da PJ, o Ministério Público (MP) de Aveiro concluiu que o empresário de Ovar tinha montado uma teia de interesses que envolvia contactos com responsáveis das maiores empresas nacionais com capitais do Estado, nomeadamente REN (Rede Eléctrica Nacional), REFER, CP, EDP, Petrogal, Estradas de Portugal e Indústria de Desmilitarização e Defesa (IDD), empresas privadas, como Lisnave e Portucel, e autarquias.

A investigação culminou quarta-feira com a detenção do empresário, que se encontra em prisão preventiva, e a constituição de mais 13 arguidos.

O vice-presidente do Millemium BCP Armando Vara, o presidente da REN, José Penedos, e o seu filho Paulo Penedos são suspeitos de fazerem parte dessa rede montada pelo empresário que, mediante contrapartidas - presentes, alguns de valor avultado -, conseguiu benefícios para os negócios das suas empresas na área da selecção, recolha e tratamento de resíduos.

Também faziam parte do “esquema” funcionários da REFER, militares da GNR, o administrador da EDP Domingos Paiva Nunes e António Paulo Costa, alto quadro da Petrogal, entre outros.

Armando Vara, ex-secretário de Estado da Administração Interna, por exemplo, recebeu alegadamente dez mil euros para facilitar um negócio entre Manuel José Godinho e a EDP, através de Paiva Nunes, vogal do conselho de administração da EDP Imobiliária, presenteado com um carro de alta cilindrada.

O advogado Paulo Penedos também terá usufruído de contrapartidas financeiras para “abrir portas” ao empresário na REN, empresa da qual o seu pai, José Penedos, é presidente - tendo este recebido vários presentes, alguns de valor considerável -, e para ajudar Manuel José Godinho a resolver um conflito com a REFER.

Com este esquema, defende a investigação, o empresário pretendia ter acesso a informação privilegiada das empresas, garantir que era o principal candidato à adjudicação de contratos de prestação de serviços ou garantir que a consulta pública fosse feita apenas a empresas suas.

Em causa estão suspeitas de crimes de corrupção, tráfico de influências, branqueamento de capitais e fraude fiscal na compra e venda de sucata de material ferroviário e num negócio de facturas falsas, segundo a fonte. Os alegados actos de corrupção passaram por pagamentos em dinheiro, carros de alta cilindrada ou mesmo sacos de cimento, acrescentou.

No despacho judicial há ainda relatos de Manuel José Godinho, que fala na necessidade de afastar pessoas que não alinhavam no esquema, concretamente o presidente da REFER, Luis Pardal.

A PJ fez buscas a mais de 30 locais por todo o país além de escutas telefónicas e apreensão de documentos. Dos 14 arguidos, apenas Manuel José Godinho foi ouvido pelo juiz, prosseguindo quinta-feira a audição dos restantes. Lusa in publico.pt, 02.11.2009, 12:11


Pinhal Interior para Mota-Engil

A Estradas de Portugal (EP) formalizou hoje a intenção de adjudicar a concessão do Pinhal Interior ao consórcio liderado pela Mota-Engil, informou a empresa que gere a rede rodoviária nacional, em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários após o fecho da bolsa.

A auto-estrada em causa localiza-se no Centro do país e tem uma extensão de 520 quilómetros, incluindo dois eixos principais (IC3 e IC8).

O investimento inicial desta concessão, que tem um prazo de 30 anos, atinge 1429 milhões de euros e será financiado por capitais próprios de 210 milhões de euros e financiamentos junto de bancos (BEI e banca comercial) de 1200 milhões de euros, de acordo com a EP.

Quanto ao contrato de construção, é de 958 milhões de euros, sendo o consórcio construtor liderado igualmente por uma empresa da Mota-Engil.

Ao anúncio de hoje, segue-se um prazo de dez dias para audiência dos interessados, durante o qual podem surgir reclamações dos participantes no concurso. publico.pt, 02.11.2009, 17h58

Nota: Mota-Engil, uma empresa presidida por Jorge Coelho, do PS. Para quê mais uma auto-estrada num país desertificado e a perder população? A Noruega tem uma auto-estrada! Quando se acaba com este novo riquismo ostentatório, idiota e alucinado? *

* alucinados sim, mas que lucram milhões nas chamadas negociatas de Estado...


Tejo

Em requerimento dirigido ao Ministério do Ambiente, Ordenamento do Território e Desenvolvimento Regional (MAOTDR), a parlamentar do BE sustenta que o projecto de construção de um segundo transvase no médio Tejo espanhol (o respectivo estudo foi encomendado pela Junta da Extremadura) “virá acentuar a redução de caudais e piorar a qualidade das águas, devendo merecer a oposição activa por parte de Portugal”.

Rita Calvário sublinha que a redução dos caudais e a deterioração da qualidade das águas do Tejo “são problemas que se têm vindo a agravar, com graves prejuízos para os ecossistemas, as actividades económicas e a qualidade de vida das populações ribeirinhas”. Frisando que a excessiva utilização das águas superficiais e a “intensa poluição” ligada “à agricultura e ao deficiente tratamento dos efluentes industriais e domésticos” também contribuem para este problema, a eleita do BE salienta que a política de transvases agrava todos estes impactes no território português.

Segundo a parlamentar bloquista, no último ano hídrico as autoridades espanholas terão retido 200 milhões de metros cúbicos de água do Tejo, contribuindo para que, durante “longos cinco meses” se verificasse “uma intensa eutrofização num troço de 50 quilómetros do Tejo internacional”. A deputada acrescenta que, actualmente, já cerca de 400 milhões de metros cúbicos de água saem anualmente do grande rio ibérico através do transvase Tejo-Segura e o problema poderá agravar-se com a eventual construção de mais um transvase.

“Para o Bloco de Esquerda, a política de transvases de Espanha é contrária a uma gestão racional e sustentável dos recursos hídricos, a qual deverá assentar na redução da procura e uso eficiente da água e não na expansão da oferta”, prossegue Rita Calvário, defendendo que Portugal “deve pronunciar-se activamente contra a política de transvases de Espanha sobre os rios ibéricos, dando especial atenção à bacia do Tejo”.

Por isso, Rita Calvário questiona o MAOTDR sobre as medidas que está a desenvolver junto de Espanha para resolver o problema da má qualidade da água do Tejo e para assegurar o cumprimento dos caudais ecológicos mínimos e quer saber como é que estas questões estão a ser tratadas no âmbito do Plano de Gestão da Região Hidrográfica do Tejo, que deverá ser aprovado até final deste ano.

Recorde-se que a preocupação quanto à escassez de água no Tejo e às consequências da política de transvases espanhola tem mobilizado várias organizações ambientalistas portuguesas, que já criaram o movimento ProTejo e pretendem integrar uma rede ibérica de defesa do rio. No passado dia 17, a Protejo e Candidatura da Cultura Avieira a Património Nacional lideraram a organização de um cruzeiro contra a indiferença onde foram apresentadas 9 reivindicações para uma gestão sustentável do Tejo. idem, 02.11.2009, 16:38


Limitação de mandatos

A limitação do mandato do primeiro-ministro, bem como dos chefes dos governos das regiões autónomas são duas das propostas de reforma do sistema político que o PS mantém no seu programa de governo e que, além de constarem no programa eleitoral, foram já defendidas no Parlamento na anterior legislatura. ibidem, 02.11.2009, 20:07


A playlist de António Sérgio

Aqui.

2009/10/31

Completa autonomia

O Bloco de Esquerda defendeu hoje a “completa autonomia” no processo de investigação da operação “Face Oculta” da Polícia Judiciária e acusou o Governo de ter impedido a aprovação de medidas de combate à corrupção nos últimos quatro anos.

“Esperamos e desejamos que as investigações cheguem ao fim e que quem tiver que ser incriminado o seja, quem tiver que ser condenado o seja, e que o processo de investigação judicial e criminal se desenrole sem qualquer interferência de qualquer poder na sociedade portuguesa”, afirmou João Semedo, da comissão Política do BE.

Em conferência de imprensa na sequência de uma reunião da Mesa Nacional do Bloco, João Semedo considerou tratar-se de um processo de “extrema gravidade” que urge ser “cabalmente investigado”.

No entender do representante do BE, “é um processo que beneficia da situação dos últimos quatro anos e meio pelo facto de o PS ter impedido na Assembleia da República que se aprovassem medidas efectivas contra a corrupção e que tivesse impedido, durante um mandato de maioria absoluta, que fossem tomadas medidas contra o enriquecimento ilícito, nomeadamente, em relação ao levantamento do sigilo bancário e do sigilo fiscal”.

Sem poupar críticas ao Executivo de José Sócrates, João Semedo salientou ainda que “nos últimos quatro anos e meio o combate à corrupção não deu um único passo e é por não haver uma política efectiva de combate à corrupção que hoje há casos destes”.

A PJ realizou quarta-feira buscas em vários pontos do país, numa operação foi desencadeada por esta polícia, através do Departamento de Investigação Criminal de Aveiro, em articulação com o Ministério Público, no Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) do Baixo Vouga.

A investigação está relacionada com alegados crimes económicos de um grupo empresarial de Ovar, que integra a O2-Tratamento e Limpezas Ambientais e que, através de um esquema organizado, terá sido beneficiado na adjudicação de concursos e consultas públicas, na área de recolha e gestão de resíduos industriais. 31.10.2009 - 19:43 Lusa in publico.pt


Sinal absolutamente desastroso

Voltando ao elenco ministerial: o que diz ao facto de ter Valter Lemos, um nome contestado, na Secretaria de Estado do Emprego e da Formação Profissional?

É um sinal absolutamente desastroso. Acho que não exagerarei se disser que, para o comum dos sindicalistas e dos trabalhadores, isso pode ser visto como uma autêntica provocação. E isso é muito mau. Não está em causa a pessoa, nem conheço suficientemente a pessoa para fazer qualquer apreciação dessa ordem, está em causa o desempenho de uma função como secretário de Estado. Valter Lemos foi a referência mais forte da conflitualidade com os professores e foi um membro do Governo que mais expandiu argumentos violentos de ataque aos trabalhadores.

Imagina que essa prática de confronto se transmita agora à sua secretaria de Estado?

Não sei. Que é um sinal desastroso, é. E ainda por cima no Emprego. Há um outro factor que também pesa: a composição dos núcleos de trabalho dentro dos ministérios. Muitas vezes há um conjunto de técnicos cujo trabalho é feito com orientações muito concretas e que influenciam tanto ou mais que os secretários de Estado ou o próprio ministro na condução política das coisas. Os gabinetes técnicos precisam de ser mais políticos - isto é um problema da constituição dos governos, mas é internacional. Nós todos os dias somos bombardeados com dados estatísticos, com avaliações de equipas técnicas, que em regra são tecnocratas formatados na lógica do pensamento único, de pensamento neoliberal profundo e que, rotulados de independentes, debitam apreciações sobre a condução das sociedades sem nenhuma sustentação de ordem política. É tempo de se dar dimensão à política. Nós precisávamos agora de ter um Governo muito político, no sentido de perceber os problemas sociais, culturais, a realidade objectiva da vida das pessoas, colocar o conceito de desenvolvimento da sociedade nas pessoas e não nos números.

Nota: isto é um extracto de uma entrevista ao secretário-geral da CGTP no publico.pt. Mas o senhor em questão, Valter Lemos, não tinha um processo em tribunal por alegadamente ter manipulado um concurso para professor coordenador? E não "consta" que é associado de uma empresa, com entidade de cooperativa, que administra ensino "regular" e ensino profissional, na zona Oeste? Normalmente haveria incompatibilidade de interesses...

2009/10/15

"Não há condições para qualquer forma de coligação"

A resposta foi directa: Francisco Louçã disse esta manhã a José Sócrates que “não há condições para qualquer forma de coligação” entre o Bloco de Esquerda (BE) e o Partido Socialista.

Ouvida no âmbito da ronda de reuniões que José Sócrates está a fazer com todos os partidos com assento parlamentar e que esta tarde termina com a audição da CDU, a comitiva do Bloco de Esquerda recusou uma ligação directa e permanente ao PS, mas deixou a porta entreaberta a pequenas ajudas pontuais. Público, 15.10, 14h27

Nota: é justo.


* Pois não...

Não disse quando. Mas, depois de ouvidos todos os partidos, e de receber um não de todos a uma possível coligação, José Sócrates anunciou hoje ao país que tomará diligências para apresentar ao Presidente da República, nos próximos dias, um Governo de iniciativa exclusiva do Partido Socialista. E não conta que a legislatura seja interrompida antes dos quatro anos *. Público, 15.10, 20h14


Recandidato

O socialista Alberto Martins, o social-democrata José Luís Arnaut e mais 22 deputados do PS e do PSD subscreveram hoje uma lista para a recandidatura de Jaime Gama ao cargo de presidente da Assembleia da República.

Em declarações à agência Lusa, José Luís Arnaut justificou o seu apoio e de outros 11 deputados do PSD à recandidatura do Jaime Gama à presidência da Assembleia da República dizendo que fazem “uma avaliação positiva” da forma como o socialista exerceu o mandato na anterior legislatura.
...
O PS tem nesta legislatura 97 deputados, o PSD 81, o CDS-PP 21, o BE 16 e a CDU 15. 15.10.2009 - 11h28 Lusa (via Público)

Nota: eu acho que Jaime Gama não é a pessoa indicada para continuar como segunda figura de Estado.


Reeleito

Jaime Gama foi hoje reeleito presidente da Assembleia da República com os votos favoráveis de 204 dos 228 deputados que participaram no escrutínio que decorreu no Parlamento. 15.10.2009 - 16h32 idem


“Mais vivo”

Jaime Gama prometeu hoje “isenção, equilíbrio e equidistância” durante o mandato para que foi reeleito como Presidente da Assembleia da República, prevendo que o Parlamento “eminentemente plural” que hoje iniciou funções será “mais vivo”.

Nota: fantástico! Para desanuviar deste ar bafiento aqui está um blog agradável.

2009/10/12

Parolice

E o que fez a senhora? Com uma total falta de respeito, gozou com todos os portugueses, terminando a cuspir à porta do Mosteiro dos Jerónimos! A falta de cultura que denota é igual à sua pobreza de espírito.
...
Da próxima vez que comprarem um bilhete para uma peça com Maitê Proença, um dos livros ou simplesmente assistirem a uma novela em que a dita participe, lembrem-se que nós portugueses ( "O Manuel", forma insultuosa com que somos muitas vezes apelidados no Brasil) merecemos desta senhora os comentários que constam neste vídeo.

Nota: a parolice do Governo de Pinto de Sousa é desesperante! Sabendo bem que a generalidade dos brasileiros só gosta de Portugal para conseguir um passaporte europeu para depois gozarem os portugueses a partir de outro país europeu, dizendo que são portugueses porque lhes fica tudo mais fácil, fez-lhes a vontade e assinou o Acordo Ortográfico que nos vai pôr a escrever brasileiro. A Espanha, que nos países de fala hispânica tem interesses económicos muito superiores aos dos portugueses no Brasil, assinou mesmo um acordo similar... Era o assinavas! É que o governo de Espanha não é parolo. Onde é que já se viu transformar um idioma escrito por decreto? Nos países totalitários e sem sucesso (o "servo-croata", que já não existe, foi um exemplo disso).

Isto sem despeito da muita "gente boa", honesta e esforçada, do Brasil, alguns e algumas vivem em Portugal, e daqueles brasileiros e brasileiras de grande valor e grande dimensão. Não são estes os que costumam gozar os portugueses, porque são suficientemente inteligentes para pensarem nos podres dos brasileiros e da sociedade brasileira antes de começarem a gozar e a enxovalhar os outros.


Elementar

As mais-valias obtidas nos mercados de capitais devem ser mais tributadas, sugere o grupo de trabalho para o estudo da política fiscal, nomeado pelo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais. O relatório é hoje apresentado no Ministério das Finanças.

“A generosidade fiscal que, entre nós, existe relativamente às mais-valias obtidas na alienação de valores mobiliários – em particular das acções – é frequentemente considerada fonte de manifesta injustiça fiscal”, refere o relatório. “A nosso ver (...), a perda de receita e a redução da equidade parecem-nos bem mais importantes do que um suposto factor de apoio ao mercado de capitais. Em países como a Espanha ou o Reino Unido, para citar apenas dois exemplos, tributam-se estes ganhos e não é por isso que o seu mercado de capitais se ressente.”


Passivo da EP dispara 1400% num ano e meio

O passivo da Estradas de Portugal (EP) ultrapassou no final de Junho passado os 15,2 mil milhões de euros, o equivalente a quase 10% do PIB. O valor do endividamento da concessionária é avançado pela Direcção-Geral do Tesouro e Finanças no boletim informativo sobre o Sector Empresarial do Estado (SEE) e equivale a um aumento de 1.391% face aos níveis registados pela EP e inscritos no seu relatório e contas de 2007.

Em ano e meio, o passivo da empresa liderada por Almerindo Marques passou de 1.024 milhões de euros para mais de 15 mil milhões.


Santanete e Sousa: o princípio do fim

Foi um resultado histórico aquele que António Costa ontem deu ao PS em Lisboa: nove vereadores, contra os sete eleitos pelo rival da direita, Santana Lopes. Público, 12.10, 01h10

Nota: pode ser desta que o "candidato sempre em pé", Santanete Lopes, decida deixar de "andar por aí"... Sim, porque a derrota foi essencialmente dele. Também se desenhou uma alternativa a Pinto de Sousa e seus vassalos. Digamos, simplificando, que o fenómeno Pinto de Sousa nasceu da derrota de Santanete, para primeiro-ministro, e morreu, ou começou a morrer, com a derrota de Santanete para presidente de Câmara. Aliás a ascenção de ambos aconteceu simultaneamente, desde o tempo em que eram comentadores no mesmo espaço televisivo.

Quanto ao BE, outro grande derrotado destas eleições, terá de repensar a sua estratégia ao nível local e a sua escolha dos candidatos. Não sei se colocar uma estudante, uma "porreiraça", em segundo lugar para uma autarquia como Lisboa é uma boa estratégia. Aparentemente não foi. Fazer política "a sério" não é propriamente andar a "botar discurso" lá para os colegas e professores do Iscte... Mas o BE é que sabe se quer ser um partido nacional e credível ou um grupinho de amigos e "representantes das minorias" (que não são assim tão minorias nem estão assim tão mal representadas...).


Ranking

O Conservatório de Música Calouste Gulbenkian, em Braga, volta aos lugares cimeiros do ranking do ensino secundário feito com base nos resultados dos exames nacionais de 11.º e 12.º ano.
...
Para encontrar outra pública é preciso chegar à 22.ª posição, o lugar que ocupa a básica e secundária Pe. António Morais da Fonseca, em Murtosa, onde apenas foram realizadas 18 provas e a média foi de 13,39 valores, na escala de 0 a 20. Uma ascensão fulgurante, já que em 2008 a escola estava mais perto do fim da lista do que do seu topo. Em 604 escolas, era a 540 do ranking.
...
Em segundo lugar está a Escola Básica da Comunidade Islâmica de Palmela, com 15,03 de média a 15 provas - todas de Economia A/Introdução à Economia. Mas escola privada com mais de 50 exames realizados é o Colégio Luso-Francês, no Porto, com 14,87 de média e 319 provas realizadas, um repetente nestes lugares. Público, 12.10, 13h39

Nota: um Conservatório de Música é totalmente diferente das escolas "normais" de ensino público e não pode servir de padrão: os alunos e pais, ao escolherem essa via, comprometem-se numa espécie de "projecto de vida", onde o esforço e a dedicação é a regra. Um Conservatório de Música nada tem a ver com o ensino público "normal", onde a indisciplina e a brutalidade faz lei. No ensino público "normal", em Portugal, os alunos maus impedem os bons de aprender e ninguém modifica este estado de coisas, até porque é "politicamente incorrecto" dizer-se ou escrever-se isto. Simplex!


Resolver querelas

Marcelo Rebelo de Sousa continua a ponderar sobre a possibilidade de disputar a liderança do PSD. Contudo, por ora, defende que a grande prioridade dos sociais-democratas é arrumar a casa, sarar feridas e resolver querelas. idem, 12.10, 17h51

Nota 1: talvez o professor Marcelo conheça a fórmula da poção mágica do Astérix...

Nota 2: também há a solução à moda de Ermelo...


Portucale

Os antigos ministros do Governo PSD-CDS/PP Costa Neves (Agricultura) e Luís Nobre Guedes (Ambiente) são ouvidos hoje, como testemunhas, na instrução do caso Portucale, relacionado com a autorização para abate de sobreiros naquela herdade em Benavente.

A audição em fase de instrução de Costa Neves e Luís Nobre Guedes está marcada para as 14h30 no Tribunal Central de Instrução Criminal, pelo juiz Carlos Alexandre, no Parque das Nações, em Lisboa.

O caso Portucale surge relacionado com um despacho assinado por Luís Nobre Guedes (ex-ministro do Ambiente), Carlos Costa Neves (ex-ministro da Agricultura) e Telmo Correia (ex-ministro do Turismo) poucos dias antes das eleições legislativas de 2005 e que permitiu à Portucale, empresa do Grupo Espírito Santo, proceder ao abate de mais de dois mil sobreiros na Herdade da Vargem Fresca, em Benavente, com vista ao arranque do projecto turístico-imobiliário.

Luís José de Mello e Castro Guedes, conhecido como Luís Nobre Guedes, Costa Neves e Telmo Correia não foram acusados da prática de qualquer crime pelo Ministério Público, na investigação do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), mas 11 pessoas, incluindo o ex-dirigente do CDS-PP Abel Pinheiro, foram acusadas de crimes que vão desde tráfico de influências, abuso de poder e falsificação de documentos.


Empreiteiros

Dezasseis pessoas foram constituídas arguidas pela suspeita da prática de crimes de fraude fiscal e branqueamento que lesaram o Estado em mais de dois milhões de euros, foi hoje anunciado pela Polícia Judiciária. Os crimes terão sido cometidos entre 1997 e 2006, através de “um elaborado e complexo esquema ilícito de facturação cruzada entre empresas do sector da construção civil”.

A PJ adianta, em comunicado, que no âmbito da investigação, desenvolvida pelo Departamento de Investigação Criminal de Braga, foram recolhidos dados que apontam para um esquema que teve como objectivo “ludibriar o Estado para obtenção de vantagens patrimoniais elevadas”.

Os crimes foram cometidos através de sociedades constituídas propositadamente para o efeito, com sede fiscal em Felgueiras, Esposende, Fafe e Espanha.

De acordo com a Judiciária, o principal arguido, um empresário do ramo da construção civil, de 39 anos, dedicava-se desde 1997 à constituição de sociedades na mesma área, através das quais mantinha o esquema de facturação cruzada. “Através da simulação de negócios”, o arguido ocultava os “valores efectivamente recebidos”, conseguindo uma “importante diminuição da receita tributária (IVA e IRC)” e “elevadas vantagens patrimoniais à custa do Estado”.

O arguido agiu com o apoio de alguns familiares e de um técnico oficial de contas, entre outros, conseguindo ao longo de nove anos burlar o Estado em mais de dois milhões de euros.

Nota: ainda bem que a PJ detecta estes casos e os leva à justiça. Bem haja, porque "grão a grão enche a galinha o papo". Mas o que são dois milhões de euros face a "negociatas de Estado" de dezenas, senão centenas de milhões, feitas nas nossas "barbas" e em toda a legalidade?


Prémio Nobel da Economia 2009

A economista americana Elinor Ostrom tornou-se hoje a primeira mulher a vencer o Prémio Nobel da Economia. Oliver E. Williamson, também americano, partilhou o prémio.

Os dois premiados trabalham actualmente nos Estados Unidos: Elinor Ostrom na universidade de Bloomington (Indiana) e Oliver Williamson na de Berkeley (Califórnia).

Os dois economistas foram galardoados pelo trabalho que desenvolveram na área de investigação e análise da governação económica.

Nas suas investigações, Elinor Ostrom demonstrou como a propriedade comum pode ser gerida de uma forma rentável pelas associações de utilizadores. Oliver Williamson desenvolveu uma teoria que mostra que as empresas podem funcionar como estruturas de resolução de conflitos e trouxe para a primeira linha de preocupações a questão da governação económica.

No ano passado, o prémio (cerca de 1 milhão de euros), foi atribuido a Paul Krugman, universitário, cronista do The New York Times, pelos trabalhos desenvolvidos na área do comércio mundial.

Nota: "demonstrou como a propriedade comum pode ser gerida de uma forma rentável pelas associações de utilizadores".

2009/10/07

Corrupção boa...

Naquele jornaleco verde que se chama Metro e que se apanha no Metro, aparece o Rui Zink (edição de 7 de Outobro) a apoiar o Costa para continuar em Lisboa, e escreve textualmente: "se há colesterol bom, porque não boa corrupção?". Sempre pode ter escrito aquilo sob o efeito de uns copos de tintol, mas da próxima será melhor que espere que o efeito passe antes de enviar a coisa para o jornaleco. Também posso ter lido mal...

Mas se li bem, concluo que o Costa é para o Zink o representante do colesterol, perdão, da corrupção boa. Só me resta mesmo dizer que de todo não votarei no Costa, entre outras coisas porque não acredito na "corrupção boa".

Entretanto, e já que estamos voltados para os gratuítos, abri o Destak e logo na página dois aparece o Fazenda a dizer "combater o alto preço do metro quadrado e democratizar o acesso à habitação".

Só quem não sabe é que ignora que o preço do metro quadrado em Lisboa é semelhante a Berlim, com a diferença de Berlim ser uma capital central em todos os aspectos e Lisboa ser uma capital periférica em todos os aspectos. Portanto o discurso do Fazenda nem é ficção nem demagogia, porque o preço da habitação em Portugal é ridiculamente superior áquilo que de facto vale.

Só com grande vontade política e sem qualquer complacência com a corrupção (má ou "boa"...), que sempre andou bem entremeada nos negócios imobiliários (será tonto dizer-se que o mercado imobiliário português, especialmente o lisboeta, tem servido de lavagem para muitas centenas de milhões de euros de dinheiro sujo?), é que será possível baixar o preço da habitação em Lisboa para o nível do seu valor real. Costa nem foi capaz disso, nem demonstrou vontade disso, nem faz disso um tema prioritário na sua campanha.


Especulativo e "irracional"

Os mercados bolsistas de Wall Street, contariariamente ao esperado, abriram hoje em baixa, após três dias consecutivos de alta e de alguma euforia, criticada pelo Prémio Nobel da Economia, Joseph Stiglitz, que a considera "irracional".


Há que acabar com este monopólio

O governo norte-americano quer continuar a manter a vigilância sobre a gestão da Internet, apesar do acordo que tem com o ICANN, organização privada sem fins lucrativos que gere os domínios Internet a nível mundial, expirar amanhã.

A notícia, que foi avançada pelo jornal espanhol El País, refere que o acordo que agora termina permite que os EUA vetem qualquer decisão do ICANN e que as autoridades norte-americanas já fizeram chegar a este organismo a sua intenção de renovar o acordo, para que possam manter a mesma influência.

A posição do governo é apoiada tanto por democratas como por republicanos, que já manifestaram o seu desagrado pela possibilidade dos EUA virem a perder a sua influência neste domínio.

Em sentido oposto manifestou-se a Comissária Europeia para a Sociedade da Informação e Média, Viviane Reding, que em Maio passado afirmou «ser insustentável que o governo de um só país mantenha o controlo da rede usada por milhões de pessoas em todo o mundo».

A Comissária Europeia sugeriu, na mesma altura, a criação de uma entidade, à semelhança do G-12, para assumir a direcção política deste aspecto crucial do funcionamento da Internet, sendo que as questões técnicas continuariam a ser geridas pelo ICANN. Sol.pt, 30 SET 09

2009/09/29

Qual comunismo?

O editorial do Público de hoje revela um editorialista que parece demente. Diz que o BE quer o comunismo, isto é, confunde deliberadamente (porque JMF não é propriamente ignorante) anti-capitalismo com comunismo.

Evidentemente que o BE não é de todo um partido comunista e nem vale a pena falarmos da ausência do "centralismo democrático", da "ditadura do proletariado", e da abertura ás minorias que num regime comunista seriam consideradas "elitistas", "reaccionárias", "pervertidas" ou simplesmente "doentes", dependendo dos casos. O que o BE defende são os valores de desenvolvimento e solidariedade social que foram aplicados na Escandinávia, resultando nas sociedades socialmente mais evoluídas do mundo. Estes valores implicam uma sociedade transparente e a eliminação das várias formas de corrupção e compadrio, que destroem e impedem o desenvolvimento dos países.

Quem imagina um BE a criticar, por exemplo, a música de um certo compositor acusando-a de ser "incompreensível para povo", como aconteceu com as primeiras sinfonias de Shostakovich na ex-União Soviética, obrigando-o a adoptar uma estética (ainda mais) "neo-clássica", supostamente mais "acessível ao povo"?

Se existem aspectos com os quais se possa discordar nas linhas programáticas do BE não será seguramente o facto de o BE pretender instaurar um "regime comunista".

JMF sabe muito bem de tudo isto mas pretende lançar a confusão, o que coloca em causa as suas pretensas credênciais de jornalista isento e de qualidade.

Quanto ás "terríveis" nacionalizações, basta olhar para a França onde os sectores chave estão nas mãos do Estado. Quando não é possível uma concorrência verdadeira e livre, dado os meios essenciais, devido à sua complexidade, estarem nas mãos de um único player, esse player tem de ser o Estado, senão não temos capitalismo mas monopolismo. Já agora pergunte-se aos noruegueses se permitiram que o petróleo fosse entregue à exploração dos privados...

Nota 1: PP pensava que a coisa estava esquecida, mas não está.

Nota 2: os Zapatero foram tirar fotos públicas e oficiais e depois esperavam o quê?

2009/09/28

The Day Afther

Todos os resultados eram previsíveis excepto dois: o facto dos deputados conjuntos do PS e do BE não constituirem uma maioria simples no parlamento e o facto da conjunção dos deputados do PS com os do CDS a conseguirem.

Vamos ser claros: Pinto de Sousa tem imensas coisas em comum com Portas (o dos submarinos e das fotocópias...) mas não creio que se atreva nem a uma aliança governamental nem a um acordo de incidência parlamentar, porque não é só a "ala esquerdista" do PS que está em causa. Se, com disse um penteado "comentador-jornalista" (daqueles que em Portugal aparecem não se sabe de onde e depois ficam "por aí"), pode haver um retorno de PdS ás "suas origens liberais" (uma indirecta ao facto de PdS ter sido da JSD), parece-me demasiado improvável que isso venha a acontecer porque o que está em risco de facto é não a "ala esquerdista" do PS mas a sua base eleitoral. PdS sabe disso.

Estranho que os "especialistas" não tenham previsto que iria acontecer uma deslocação massiva de votos do PSD para o CDS. Parecia claro que com o ódio que amplos sectores do PSD parece alimentarem contra Ferreira Leite não iriam votar PSD. Na Lapa, em Lisboa, não longe da sede nacional do PSD, está um graffiti que diz: "PSD: se a bruxa ganha... é o FIM!". Isto é claramente dirigido aos militantes e a quem normalmente vota PSD. Muitos desses "jovens turcos" que aspiram a liderar o PSD querem uma sociedade totalmente "liberalizada". Eles aprenderam com a "crise" e com a salvação dos bancos com o dinheiro dos contribuintes: querem uma sociedade totalmente liberalizada sim, mas, evidentemente, com o Estado a amparar os golpes da banca, usando para isso o dinheiro de todos, tal como aconteceu recentemente. É esse o "liberalimo" que eles desejam.

Obviamente que o BE e o PCP vão ter de se entender para viabilizarem o mínimo de estabilidade parlamentar, desde que PdS (sim... há que engolir o sapo, perdão... o Pinto: o "povo" elegeu-o e "o povo é quem mais ordena"...) se comprometa a resolver situações básicas e elementares para uma sociedade que se pretende "europeia". Não será difícil esse entendimento entre as duas forças: o que está em causa é tão elementar que esse entendimento será quase "natural", se existir de facto vontade de fazer avançar o país. Não estão em causa grandes questões ideológicas, mas sim questões básicas (mas cruciais) como, por exemplo, reduzir o terceiro-mundista leque de diferenças económico-sociais que atordoam e inviabilizam Portugal. Também é necessário tornar o ensino mais exigente e sério a todos os níveis, factor absolutamente essencial para Portugal se tornar mais produtivo e competitivo internacionalmente. O BE deverá deixar as ditas "questões fracturantes" para o PS. Se o PS decidiu ir buscar o "candidato gay" que era do BE, compete ao PS resolver o que prometeu ao candidato, se é que prometeu alguma coisa...

Entendo que nem o BE nem o PCP deverão teoricamente aceitar que PdS faça uns acordos à esquerda e outros à direita (com o PP) só para se ir mantendo no poder. Seguramente que PdS gostaria de ter Portas como principal (e único) interlecutor (teríamos a versão II do Bloco Central), mas isso não lhe será possível, mesmo que seja essa a preferência do PR (que ainda deve muitos esclarecimentos ao país...). Por isso o BE e o PCP não deverão por princípio aceitar que para umas coisas haja "unidade de esquerda" e para outras o famigerado Bloco Central.


Extraordinária vitória...

José Sócrates falou em "extraordinária vitória eleitoral", prometeu que o PS governará "com o seu programa eleitoral" mas não adiantou nem uma vírgula sobre como conseguirá a "estabilidade que esta legislatura merece". Se na pré-campanha deixou antever a vontade de governar sozinho, mesmo sem maioria absoluta, ontem não fechou a porta a nenhum tipo de acordo, nem sequer a coligações.


Ou vitória relativa?

Mas, depois de agradecer a todos os militantes que acompanharam esta campanha do PSD, Ferreira Leite relativizou a vitória socialista, comparando os resultados deste ano, que ficaram além dos de 2005: “O voto dos portugueses tirou a maioria ao PS”, lembrou.

2009/09/22

O governo do "inginheiro" só apoia ditadores

O polémico candidato egípcio, Farouk Hosny, ministro da Cultura do seu país há 22 anos, acabou por empatar com a única outra candidata que ainda se mantém na corrida, a búlgara Irina Bokova, ex-ministra dos Negócios Estrangeiros e actual embaixadora da Bulgária em França, no Mónaco e na própria UNESCO.

Portugal decidiu apoiar a candidatura egípcia, uma decisão que Carrilho procurou contrariar, tendo acabado por se recusar a comparecer na eleição. O ex-ministro da Cultura, que fez parte de um grupo de embaixadores que tentou, sem sucesso, patrocinar a candidatura de Al Gore, não quis ontem a comentar a sua posição, mas é de crer que tenha alegado razões de consciência para não votar em Hosny, um político acusado de praticar abertamente a censura no seu país, e que ainda recentemente afirmou que queimaria pessoalmente todos os livros israelitas que encontrasse na Biblioteca de Alexandria.

Nota: segundo o diário 24 Horas, o livro que estava para ser lançado esta semana já não o vai ser, por decisão da distribuidora...


Atrofia da liberdade de expressão

O primeiro-ministro, José Sócrates, requereu a abertura de instrução do processo que moveu contra o jornalista João Miguel Tavares, noticia hoje o blogue da TSF "Governo Sombra".

O Ministério Público tinha determinado que o processo fosse arquivado, considerando que o artigo de opinião, “José Sócrates, o Cristo da política portuguesa”, publicado no "Diário de Notícias", não ultrapassava os limites da crítica a Sócrates, enquanto figura pública. O primeiro-ministro, ao pedir a abertura de instrução do processo, mostra vontade de continuar com o litígio.

O artigo de 3 de Março deste ano criticava o líder socialista quando este pediu “a decência da vida democrática”, durante a abertura de um congresso. João Miguel Tavares defendeu que Sócrates deveria manter o “mínimo de decoro e recato em matérias de moral”, depois de ser confrontado com as polémicas da sua licenciatura, do Freeport, entre outros casos.

Para o jornalista, ainda mais grave foram as declarações feitas por José Sócrates que insinuavam a sua ilibação automática por ter sido o governante mais votado pelo povo, mantendo uma lógica semelhante à de Fátima Felgueiras ou Valentim Loureiro. Tavares termina o seu texto de opinião comparando o primeiro-ministro ao líder da Venezuela. “Como político e como primeiro-ministro, não faltarão qualidades a José Sócrates. Como democrata, percebe-se agora porque gosta tanto de Hugo Chávez."

Na altura em que o processo foi arquivado o jornalista disse ao PÚBLICO que esperava que a decisão do MP fosse a do arquivamento do processo, já que no passado tinha escrito "coisas mais violentas sobre Pedro Santana Lopes e Manuela Ferreira Leite e que nenhum deles o processou".


Dossier Freeport

O ex-autarca de Alcochete Zeferino Boal, alegado autor da carta anónima que desencadeou as investigações ao “caso Freeport”, foi constituído assistente no processo, confirmou hoje o próprio à agência Lusa.

O pedido para ser constituído assistente no processo Freeport deu entrada em Março, no Tribunal de Setúbal. Zeferino Boal adiantou que hoje a sua advogada lhe comunicou a resposta positiva do tribunal ao seu pedido.

Zeferino Boal, ex-militante do CDS-PP, é alegadamente o autor da denúncia anónima de alegadas irregularidades que originou a investigação da Polícia Judiciária ao "caso Freeport", em 2004.

Nota: só acredito em desenvolvimentos substanciais depois de Brown perder as eleições britânicas. Está para muito breve (Brown arrisca-se a passar da primeira para a terceira força política), no longo prazo... 10 de Maio de 2010. David Cameron dará liberdade ao Serious Fraud Office para continuar a trabalhar e a investigar o Dossier Freeport.


Casos duvidosos

Cinco dirigentes da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap) pediram a demissão devido a “discordâncias internas sobre políticas de educação nacional”, anunciou o vice-presidente demissionário da estrutura António Amaral.
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O motivo da demissão prende-se com “as posições de apoio do presidente da Confap ao Governo” e ao facto de estas “não terem eco nas associações de pais do distrito de Setúbal”, que os demissionários representam, explicou António Amaral.

Nota: em relação a esta suposta confederação das associações de pais, sabendo-se que recebia dinheiro directamente do gabinete da ministra da educação e sabendo-se que haviam dinheiros desaparecidos, dever-se-ia, após as eleições, mandar fazer auditorias independentes, porque sabe-se que quantias substanciais, a título de apoios e subsídios, entraram nesta "instituição" a partir do gabinete da ministra Lurdes Rodrigues. Se existe um ou mais professores dispensados de leccionar (como nos sindicatos dos professores) nesta confederação de pais, não se percebe o porquê do apoio monetário por parte da ministra. Ou será que a ministra também dá dinheiro aos sindicatos e outras associações de professores? Há também que continuar (ou reactivar) as averiguações em relação ás enormes quantidades de dinheiro entregues a João Pedroso para fazer trabalhos que poderiam ter sido efectuados pelos juristas do ministério da educação. Ou será que no entender da ministra os juristas do ministério da educação não têm competências para compilar a legislação produzida para a educação?! Toda a contabilidade do ministério da educação referente aos últimos 4 anos deveria ser passada a "pente fino".


Bizarro, muito bizarro...

O líder do Bloco de Esquerda (BE), Francisco Louçã, não exclui a possibilidade de o Presidente da República abandonar as suas funções, notando que “todos os responsáveis políticos não estão à altura do seu cargo quando alimentam factóides, quando criam inventonas, ou quando criam fenómenos para lançar confusão a partir de nenhuma fundamentação de factos”.

Numa reacção à notícia do afastamento de Fernando Lima do cargo de assessor da Presidência da República para a comunicação social, divulgada esta tarde, Louçã sublinhou que Lima “alegou ter a autorização da Presidência” para “transmitir informações que sabemos serem falsas”.

Instado a dizer se entende que Cavaco Silva tem condições para permanecer na Presidência da República, o bloquista não fechou a porta a essa hipótese, reiterando que, apesar de Cavaco ter afastado Lima, “esse colaborador alegou ter tido autorização superior” para “criar uma crise política totalmente artificial”, provocada pela notícia do PÚBLICO sobre as suspeitas de que Belém estaria a ser vigiado pelo Governo.

Nota: não sei o que levou o presidente a minar a campanha do seu próprio partido... No mínimo "bizarro", como diriam os franceses. No que toca ao primeiro-ministro há que dizer claramente que Pinto de Sousa já se devia ter demitido há muito. É muito grave ter-se um primeiro-ministro suspeito de corrupção e de ter comprado (conseguido com umas certas facilidades...) uma licenciatura. Para já não falarmos nas casas cujos projectos assinou, na história da Cova da Beira, no preço "especial" a que adquiriu o apartamento, etc... Noutro qualquer país (exceptuando talvez a Itália e os países dos Balcâs...) já teria sido obrigado a demitir-se. Se tivesse o mínimo de dimensão de estadista há muito que se teria afastado para proteger o "bom nome" do país e facilitar a governabilidade do mesmo (ou possíveis alianças para a governabilidade porque muito "boa gente" não aceita, "nem pintada", uma aliança com um partido dirigido por PdS). O BE se, por acaso, ousasse fazer uma aliança com PdS, perderia todo o "capital" ganho.


Esclarecimentos

Logo pela manhã Pacheco Pereira, no seu blogue Abrupto, reclamou do Presidente da República uma explicação ainda antes do final da campanha, sobre as circunstâncias que rodearam o caso das escutas a Belém e, ontem, a demissão do seu assessor Fernando Lima. Ferreira Leite Não vai por esse caminho e diz tratar-se de “um problema com o senhor Presidente da República”. “Eu não interfiro nas decisões do senhor Presidente da República”, acrescentou. in publico.pt, 22.09.2009 - 14h13


Precisam-se

O líder do Bloco de Esquerda (BE) deu uma resposta vaga quando questionado sobre se Cavaco Silva tem condições para permanecer em Belém, caso não esclareça a demissão de Fernando Lima até ao dia das eleições.

“Só me pronuncio sobre o esclarecimento que ele fizer. Assumir a responsabilidade política é contribuir para toda a clareza. É uma questão de sensatez dar esse esclarecimento”, respondeu, no final de uma visita às oficinas da EMEF, no Barreiro.

Francisco Louçã prefere, por ora, ser cauteloso na abordagem do tema, apontando que “as dúvidas não fazem bem à democracia” e que “não deve haver ambiguidade na vida democrática”.

Na segunda-feira à tarde, depois de conhecida a demissão de Fernando Lima da assessoria para a comunicação social da Presidência, Louçã colocou em causa a continuação de Cavaco Silva em Belém. Mas não o fez explicitamente.

Depois de sublinhar que o assessor alegou ter “autorização do Presidente da República” para “criar uma crise política artificial”, Louçã fez notar que “todos os responsáveis políticos não estão à altura do seu cargo quando alimentam factóides, quando criam inventonas, ou quando criam fenómenos para lançar confusão a partir de nenhuma fundamentação de factos”.

O líder do Bloco voltou hoje a insistir que o Presidente deve esclarecer “o mais depressa possível” o país sobre a sua decisão (“é essa a obrigação de todos os que têm responsabilidades políticas”). Até porque, lembrou em Coimbra, “as pessoa devem ter todas as condições para avaliar os cargos públicos de grande responsabilidade em função dos factos que lhes são dados.” idem, 23.09.2009 - 17h03

2009/09/20

Evidentemente

Francisco Louçã voltou a rejeitar a hipótese de uma coligação pós-eleitoral com o PS, no caso de os socialistas vencerem as legislativas sem atingirem a maioria absoluta, desvalorizando assim as declarações de Mário Soares, que admitiu não “repugnar” uma aliança do PS com o Bloco de Esquerda (BE).
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Numa tentativa de esclarecer a posição do BE, o líder bloquista garantiu o Bloco “não faz uma aliança com um Governo que tem destruído o bem público essencial e cujo projecto é continuar com o Código do Trabalho.”. E sublinhou, apesar da “insistência” dos jornalistas: “Tem sido sempre essa minha resposta. Só tenho uma resposta e é a mesma. Não quero que ninguém tenha nenhuma dúvida.” Público, 20.09.2009 - 16h50


Sim, mas também...

O líder do PCP, Jerónimo de Sousa, afirmou hoje no Porto que o PS tem sido eleito porque engana os portugueses com o “papão da direita”, alertando que a actual situação do país não permite “novos enganos”.

No comício da CDU no Palácio do Cristal, onde o secretário-geral do PCP disse estarem “cerca de 5.000 pessoas”, Jerónimo de Sousa afirmou que “não se combate a direita fazendo-lhe o frete de fazer a política que é dessa mesma direita”.

“Não venha agora o PS agitar o papão do PSD e da direita, para continuar a fazer o que a direita gostaria de fazer directamente”, afirmou Jerónimo de Sousa.

Para o líder comunista, “é em nome desse papão que o PS tem conseguido ganhar eleição após eleição e levar ao engano milhares de eleitores”, mas agora “o tempo e a situação do país não está para novos enganos”. Público, 20.09.2009 - 19h46 Lusa

Nota: Pinto de Sousa ganhou porque o país se queria ver livre do Santanete Lopes, também conhecido por "candidato sempre em pé".


Degradação

A tentativa de seduzir os eleitores socialistas é tão forte que hoje, ao longo do dia, Louçã resgatou a “esquerda possível” e a “asfixia social” do discurso de Manuel Alegre em Coimbra. E juntou ainda ao lote de socialistas históricos que tem vindo a invocar (Alberto Martins, Alegre, António Arnaut) o nome de João Cravinho, que, recorde-se, apoiou a proposta bloquista de acabar com o sigilo bancário.
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As declarações de Soares, que hoje disse que não lhe “repugnava” uma aliança do PS com o BE, não podiam ter sido mais propícias. Foi a oportunidade para Louçã insistir na existência de dois PS: aquele que é dominado por Sócrates (o “PS de Sócrates”) e o que é composto pelos dirigentes históricos, que “não são ouvidos” pelo secretário-geral (Louçã garante que os ouve “com muita atenção”). “Mário Soares tem sido uma voz própria no debate político que não representa o PS”, disse. Algumas horas antes afirmara que “a grande tradição socialista” luta “contra a degradação e essa degradação chama-se Sócrates”. Público, 20 de Setembro

Nota: a degradação chama-se Pinto de Sousa (PdS)* e eu pessoalmente não gosto nem do Mário Soares nem do clã Soares.

* até nisto PdS foi esperto (chico-esperto) pois todos os políticos são conhecidos pelos seus apelidos e ele conseguiu passar aos media o seu segundo nome, estrategicamente o nome de um filósofo (se alguém não tem nada, mesmo nada, de filósofo esse alguém chama-se PdS)...


Tratado da senilidade

Mário Soares fez hoje o mais audaz apelo aos eleitores desta campanha: “Dêem uma vitória muito confortável ao PS nas eleições do próximo domingo”. Horas depois de ter confessado aos jornalistas que o PS “talvez não [renove] a maioria absoluta” e que não o “repugna” uma coligação com o BE, o fundador do partido subiu ao palco para fazer o elogio a José Sócrates, o “homem do momento e para o futuro”. Público, 20.09.2009 - 21h37

2009/09/19

O jornal onde vale tudo (menos arrancar olhos *)

Aceitar e-mails privados pela "porta das traseiras" pode implicar cumplicidade com um crime. Publicar e-mails privados sem o consentimento das pessoas em causa é crime. Qualquer um destes actos, quando praticado por um orgão de comunicação social, demonstra que esse orgão não é de confiança. Eu conheço relativamente o DN pois escrevi "crítica de musica" para esse diário. Logo na segunda peça que me encomendaram fui chamado "à pedra" ("olhe que o concerto não foi assim tão mau") pelo secretário-geral (cargo ridículo que provavelmente já não existe), que era simultaneamente o presidente da Casa da Imprensa e auto-intitulado (o DN anunciava as críticas dele com dias de antecedência, como se de uma vedeta se tratasse...) grande crítico de ópera (evidentemente sem que tivesse qualquer background no assunto para além de assistir ás estreias do São Carlos...). Basicamente eu não podia escrever mal de nada que implicasse o governo: sobre o Teatro São Carlos e a Orquestra Sinfónica Portuguesa esperavam-se ou boas críticas ou críticas "razoáveis". E nem pensar colocar em causa o "normal" funcionamento das instituições! Claro que o fiz e claro que deixaram de me publicar. É assim que funciona, ou funcionava, o DN. Por isso não me espanta totalmente a atitude de andarem a "dar à estampa" e-mails privados de terceiros. Está dentro da "onda" do DN que conheci. **

* porque senão depois não podem escrever e editar o jornal (ainda que nada de particularmente interessante se perdesse).

** sabemos bem que o mesmo poderia acontecer em qualquer outro media português, mas é o DN que está em decadência, é o DN quem necessita desesperadamente de aumentar as vendas. O DN não tem um Belmiro e os accionistas querem "resultados". Mesmo admitindo o interesse público daqueles e-mails nada justifica expôr publicamente e-mails privados sem a autorização dos interessados, especialmente quando os "interessados" são jornalistas da concorrência.

Passam-se coisas muito estranhas nos media portugueses... Por exemplo, num outro diário, mais prestigiado que o DN, foi publicada uma entrevista feita por e-mail (por e-mail até pode ser outra pessoa a responder, ou a artista - normalmente alguém por ela - fazer copy/paste a partir de outras entrevistas ou de questões pré-respondidas ***). Mas tudo bem, se se indicar que a entrevista foi feita por e-mail (o que não aconteceu). Mas o estranho foi que a entrevista foi "solicitada" pela editora da artista que também "pediu" que fosse publicada antes do concerto. E assim aconteceu. Quem fez a entrevista nem sequer questionou o processo e a metodologia (ou porque é tão portuguesa que acha estas coisas normais, ou para evitar criar "ondas" que lhe poderiam ser prejudiciais).

*** eu reconheço que há jornalistas e "críticos" que não merecem mais que um copy/paste, mas isso é outra história...


O terrível caso do PPR

Em declarações aos jornalistas a propósito da manchete de hoje do Expresso, que revela que o líder bloquista e mais quatro dirigentes do partido investiram em PPR, Louçã advogou que tem dito «sempre o mesmo» e nunca «mudou de opinião» sobre este tema, tendo já votado «há cinco anos atrás» contra os benefícios fiscais destes produtos.

«Isto é um favor que me fazem, que a manchete do Expresso, o jornal de referência do país, seja dizer que a minha poupança de uma vida inteira são 30 mil euros, que eu não recebo o meu salário porque dou aulas de graça na universidade pública e porque defendo o interesse dos contribuintes e não o meu próprio interesse acho que só valoriza a clareza e a intransigência das posições do BE», acrescentou. Sol, 19 de Setembro

Nota: quantos políticos leccionam graciosamente nas universidades portuguesas?

2009/09/18

A anedota

A eurodeputada socialista e candidata à Câmara de Sintra pelo PS Ana Gomes afirmou hoje, em relação ao Rádio Clube Português, que o PS deveria chamar o Bloco de Esquerda a formar Governo, caso não consiga uma maioria absoluta.

Ana Gomes frisou que não só entende que esse entendimento é possível como seria “benéfico para o país”.

“Com o BE não só acho que é possível como é positivo”, diz Ana Gomes que acrescenta que esta coligação traduziria a “sociologia de esquerda” que marca a maioria da população.18.09.2009 - 12h16 PÚBLICO

Nota: será que a dona Ana estará a esquecer-se que o BE já avisou claramente que não faz coligações com o PS enquanto Pinto de Sousa fôr o secretário-geral? Será que pretende branquear o que o PS de PdS (Pinto de Sousa) tem feito ao país à custa de uma aliança governamental com o BE?


Serviços de informação governamentalizados

O secretário-geral do PCP considera que é “lamentável o estado a que tanto o PS e o PSD deixaram chegar os serviços secretos e de informação”, que estão “governamentalizados, e defende que deve ser levado a cabo um processo de investigação que apure o que se passou.

Para Jerónimo de Sousa, a maior preocupação é que “os serviços de informação não tenham controlo” e “sejam parte interessada desta ou daquela força”. “Não nos surpreendemos que o PS esteja a fazer isto: o PSD fez o mesmo”, criticou.

O candidato da CDU defende também que “tendo em conta a publicação e a documentação, e na perspectiva da veracidade daquelas notícias que ali estão, é um processo que exige investigação”. Mas até isso lhe deixa dúvidas: "O meu grande problema é que os serviços de informação não vão ser investigados com certeza. Estão governamentalizados, e há uma centralização [do seu controlo] por via legislativa". 18.09.2009 - 12h08, Público

Nota: se alguém anda a devassar os e-mails de um jornalista, estamos perante uma tremenda ilegalidade.

2009/09/17

12%

O Partido Socialista (PS) tem 38 por cento das intenções de voto, contra 32 por cento do PSD, revela a mais recente sondagem da Universidade Católica para a Antena 1, RTP, "Jornal de Notícias" e "Diário de Notícias".

Resultado de um trabalho de campo efectuado entre 11 e 14 de Setembro, já depois dos debates na televisão, o Bloco de Esquerda apresenta 12 por cento das intenções de voto, enquanto a CDU e o CDS/PP se encontram empatados com 7 por cento. Os votos brancos, nulos e noutros partidos representam 5 por cento das intenções.

A sondagem da Católica resulta de 1305 inquéritos válidos e tem uma margem de erro de 2,7 por cento. Sessenta e cinco por cento dos inquiridos disseram que vão votar de certeza, 11 por cento dizem que não votarão certamente. 17.09.2009 - 17h04 PÚBLICO

Nota: 12% é muito relevante e ainda pode crescer mais, porque o PS do Pinto de Sousa não é um partido de esquerda e Pinto de Sousa não é um político honesto, dois factores que terão um peso decisivo para quem tenha capacidade reflexiva. Quem é de direita deve votar nos partidos tradicionalmente de direita, não no Pinto de Sousa que é anfíbio.

2009/09/03

Em causa a liberdade de imprensa

A jornalista Manuela Moura Guedes disse ao CM que "foi apanhada de surpresa" com a suspensão do 'Jornal Nacional de 6.ª'. Depois de um plenário, em que explicou os motivos do fim do jornal, a redacção em peso assinou um abaixo-assinado de repúdio pela forma como a suspensão se concretizou.

Segundo soube o CM, Manuela Moura Guedes explicou à redacção que não sabia de nada e explicou que o 'Jornal de Sexta' não contava com orçamento próprio.

Na sequência de um plenário, a redacção avançou com o referido abaixo-assinado a pedir mais esclarecimentos à administração por considerar que 'é a credibilidade' da estação que está em causa, bem como a liberdade de imprensa.

O CM sabe que o abaixo-assinado tem várias folhas de assinaturas, naquilo que se pode contar de 'muitas dezenas' de jornalistas a subscreverem o documento.

A direcção de informação da estação de Queluz demitiu-se esta quinta-feira, depois da administração ter anunciado a suspensão do 'Jornal Nacional de 6.ª', que deveria regressar de férias esta sexta-feira. in correiodamanha.pt, 03 Setembro, 18h03


Estranho, muito estranho...

O Bloco de Esquerda considerou hoje "estranho" o cancelamento do Jornal Nacional da TVI e comparou o caso com o afastamento de Marcelo Rebelo de Sousa da mesma estação de televisão.

"O que tivemos hoje faz-nos lembrar um episódio que ocorreu durante o Governo PSD e CDS-PP na mesma estação de televisão que levou ao afastamento de Marcelo Rebelo de Sousa porque os seus comentários incomodavam o Governo da altura. As pressões foram imensas e resultaram exactamente no seu afastamento", disse a deputada do BE Helena Pinto.

A deputada considerou "estranho" o cancelamento do Jornal Nacional da TVI e adiantou que "tem que ser totalmente explicado", tendo em conta o "contexto especial" em que ocorreu. "A suspensão do Jornal Nacional que nada previa que acontecesse tem lugar num contexto muito especial marcado pelo facto do primeiro-ministro ter escolhido como alvo de críticas este programa e esta estação de televisão e, por outro lado, ocorre a três semanas de se realizarem eleições importantíssimas no país", sublinhou. 03.09.2009 - 19h14 Lusa em Público

2009/08/12

10%/10k = Portugal

O líder do Bloco de Esquerda criticou as desigualdades económicas do país, onde «dez mil milionários têm dez por cento do total da riqueza».

«É por isso que Portugal tem a maior desigualdade de rendimento, a maior diferença entre mais ricos e mais pobres, de todos os países da Europa, incluindo os que entraram recentemente na União Europeia. Não há nenhum dos 27 que tenha uma desigualdade tão grande entre as fortunas dos milionários e a pobreza que afecta dois milhões de portugueses», sublinhou.

Louçã criticou formas de enriquecimento como o «favorecimento», dizendo que são os casos de «pessoas amigas de gente poderosa».

«São os governantes económicos, que podem ditar aos ministros o que podem fazer», afirmou Francisco Louça, dando como exemplo o caso do negócio do terminal de contentores de Alcântara, cuja concessão «foi atribuída sem concurso à Mota Engil, do ex-ministro Jorge Coelho, por um período de 40 anos».

Outro dos negócios criticados foi a atribuição do Pavilhão do Futuro, no Parque das Nações, «definitivamente para o Casino de Lisboa».

«Américo Amorim é o homem mais rico de Portugal. E tornou-se rico porque, alem da fortuna feita na Cortiça, José Sócrates vendeu-lhe um terço da Galp», disse ainda Louça, exemplificando uma terceira forma de enriquecimento que são «as rendas».

O líder bloquista apontou ainda «a corrupção» como forma de enriquecimento ilícito e deu como exemplo o caso de Isaltino Morais, presidente da Câmara de Oeiras, condenado a sete anos de prisão após «ter ficado provado que depositou 1,3 milhões de euros numa conta da Suíça».

Louça defendeu que a economia portuguesa «é injusta, não é transparente e, sobretudo, é uma economia que não pede responsabilidades».

Considerou que esta situação «é grave para vida das pessoas».

O líder do Bloco defendeu que «é por isso que o Bloco de Esquerda quer transparência, justiça, democracia e responsabilidade na economia» e tem «a obrigação de não permitir que tudo não continue na mesma».

«Este exemplo do debate patético desta pequena crise entre a Presidência da República e o Governo é revelador do que em política não se deve fazer», considerou o dirigente do Bloco de Esquerda. in sol.pt, 19 Agosto 2009


167,8 por cento mais cara do que a proposta inicial!

No conjunto das seis concessões de auto-estradas que já foram adjudicadas, a diferença entre a proposta inicial e a final, que sucede à fase de negociações dos concursos, é em média de 57 por cento, apesar de todos os cadernos de encargos referirem que os valores finais não podem resultar em condições menos vantajosas para o concedente Estradas de Portugal, noticia hoje o Jornal de Negócios.
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Entretanto, a comissão de avaliação chumbou as adjudicações da Auto-Estrada do Centro e da Auto-Estrada do Pinhal Interior, sendo estes os dois únicos casos em que os concursos ficaram suspensos com a justificação da disparidade entre as propostas iniciais e as propostas finais.

Nas seis concessões que já tinham sido adjudicadas, a do Baixo Tejo é aquela em que a distância entre a proposta inicial e a que resultou da fase de negociação é maior, chegando aos 167,8 por cento: o agrupamento liderado pela Brisa acabou por contratualizar a concessão por um valor de 309 milhões de euros, quando a proposta inicial apontava para um esforço financeiro líquido para a Estradas de Portugal de 115 milhões de euros.
...
No entanto, desta vez a comissão de avaliação do concurso para a Auto-Estrada do Centro considerou "ilegal" a adjudicação dessa concessão ao consórcio liderado pela Mota-Engil, com base numa diferença de 120 por cento entre a proposta apresentada na primeira fase do concurso e a fase de negociações. O relatório final ainda é desconhecido, mas tudo aponta para a anulação do concurso, indica o jornal.

Quanto à concessão do Pinhal Interior, houve um agravamento de 59,6 por cento na proposta da Mota-Engil, classificada em primeiro lugar, e a Estradas de Portugal quer abrir uma nova fase de negociações com propostas financeiras mais baixas.

A Caixa Geral de Depósitos financiou as seis concessões já adjudicadas. in economia.publico.clix.pt


Farmácias nos hospitais: negócio de milhões

Consultor do governo, co-autor da legislação que regula as farmácias dos hospitais, divide o escritório de advogados com o representante da sociedade que ganhou o concurso para as explorar.

Dois advogados, um mesmo escritório. O representante da Sociedade Central Farmacêutica Hospitalar - consultora de cinco vencedores de concursos públicos para a abertura de farmácias em hospitais - partilha o escritório com o assessor jurídico do Ministério da Saúde que colaborou na elaboração da lei que permitiu a abertura destes estabelecimentos.
...
A abertura de farmácias em hospitais é um negócio de milhões. Só a do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, a maior do país, tem um movimento diário de cerca de quatro mil doentes e um volume de vendas de mais de 17 milhões de euros anuais.
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A polémica em torno das farmácias hospitalares voltou a rebentar com a mudança legislativa aprovada em Conselho de Ministros há duas semanas. O novo diploma - ainda para publicação em Diário da República - mudou as regras do jogo e estabeleceu limites máximos para os lucros oferecidos aos hospitais pelos participantes nos concursos públicos - o factor determinante para escolher o vencedor entre os interessados. Por uma questão de viabilidade financeira das próprias farmácias, o Ministério da Saúde admitia "a necessidade de alterar procedimentos dos concursos", impedindo as farmácias de oferecerem montantes difíceis de cumprir, como está a ser o caso das que abriram ao abrigo da anterior regulamentação.
...
Um dia depois da reunião do Conselho de Ministros, João Cordeiro, presidente da ANF, convocou uma conferência de imprensa para ler uma declaração onde acusava o primeiro-ministro, José Sócrates, de "trair a palavra dada" porque "mentiu, voltou a mentir, mentiu repetidamente nas várias reuniões" e acusou o governo de favorecimento ao "confiar as farmácias hospitalares a um grupo empresarial sem rosto" e de "o proteger escandalosamente" com a alteração legislativa que acabou por ser restringida. Já conhecendo a versão final aprovada pelo governo, Cordeiro acabou o dia a desviar as críticas para o secretário de Estado da Saúde e a considerar "estar ultrapassada a razão na origem" do comunicado da mesma manhã. Rute Araújo in ionline.pt, 12 de Agosto de 2009


Governo deu 20 milhões a arquitectos sem concurso

A Parque Escolar, empresa pública criada em 2007 para construir e reabilitar escolas secundárias, já pagou mais de 20 milhões de euros a arquitectos que foram contratados por convite directo, revela o Público.

Segundo a edição de domingo do diário, foram adjudicados 105 projectos (que correspondem ao número de escolas já intervencionadas ou em intervenção) a 80 gabinetes de arquitectura, sem concurso público. Até ao final do ano estão previstas mais uma centena de adjudicações.

Desde 2007 e até ao final deste ano, mais de 200 escolas secundárias terão sido alvo de intervenção, num valor três vezes superior ao gasto na construção da Ponte Vasco da Gama.

Ao abrigo da legislação de excepção aprovada nos últimos dois anos para garantir a rapidez das obras, a Parque Escolar pode celebrar contratos por ajuste directo cujos montantes são, no caso dos projectos de arquitectura, oito vezes superiores ao limite fixado no regime normal.

Mas, e segundo o Público, a Parque Escolar continua obrigada a seguir regras de transparência que tem vindo a ignorar. Concretamente, a realização de concursos com pelo menos três propostas diferentes, cujos resultados têm que ser divulgados na Internet. Algo que não está a acontecer.

A Ordem dos Arquitectos, em declarações ao jornal, critica os métodos utilizados pela Parque Escolar e afirma que os arquitectos «perderam completamente as escolas», deixando de poder concorrer livremente pelos projectos, face aos convites a um número restrito de ateliês. in sol.pt, Domingo, 16 Agosto 2009


Capitalismo sem riscos

A deputada Helena Pinto, do Bloco de Esquerda, denunciou esta quarta-feira na Assembleia da República que a prorrogação da concessão à Liscont do terminal de contentores de Alcântara não é só um projecto megalómano; é sobretudo um projecto pensado e estruturado para garantir que a Liscont, empresa do Grupo Mota-Engil, presidido pelo ex-dirigente socialista Jorge Coelho, não corra riscos.

Na terça-feira à noite, o ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações (MOPTC) acusou o relatório do próprio Tribunal de Contas de ter "erros factuais elementares, omissões graves e afirmações infundadas" que retirariam razão às conclusões. Mas, apesar de acusar o TC de retirar conclusões "sem apresentar também os factos e análises que as suportam", o próprio Ministério não menciona que o contrato de concessão do terminal de contentores de Alcântara tem uma cláusula que obriga o Estado a compensar a Liscont, que por ajuste directo explora a concessão, se o negócio desta correr mal. Ou seja, como salienta o Tribunal de Contas no seu relatório de auditoria ao contrato de concessão, tornado público ontem, "o ónus do risco do negócio passa para o concedente público" e não para quem explora a concessão.

"Certamente por acaso, a página do contrato que transformava o latão da Liscont em ouro foi sonegada durante oito meses ao escrutínio e fiscalização da Assembleia da República", ironiza a deputada Helena Pinto.

Para a parlamentar bloquista, "todo o clausulado do aditamento ao Contrato de Concessão é blindado em favor da Liscont, prevendo o direito ao reequilíbrio financeiro em todas as situações e só permitindo o resgate da concessão a partir de 2025. Não há memória de um contrato assim. Este é o contrato mais prejudicial para o interesse público que o Estado português alguma vez celebrou."

O Governo julga-se certo, mais uma vez, diz Helena Pinto, e todos os outros estão errados. "Já não é só a oposição, já não são só os cidadãos de Lisboa que decidiram movimentar-se e colocar a questão na praça pública, agora é também o Tribunal de Contas. Estão todos errados. O Ministro julga-se certo e ainda defende que a prorrogação por mais 27 anos, sem concurso público, baseada e justificada por fantasias é a melhor solução para o Estado e não um benefício directo para a Liscont.

Em conclusão, Helena Pinto afirma que "há coisas que são as marcas de uma governação falhada. E esta é uma delas. A marca que ficará colada à pele de um Governo que favoreceu uma empresa privada em prejuízo do interesse público." in esquerda.net, 22-Jul-2009


França endurece discurso contra bónus dos banqueiros

A ministra da Economia de França, Christine Lagarde, voltou hoje a pedir a limitação dos pagamentos em bónus garantidos aos executivos negociantes dos bancos, a poucos dias de reuniões, na próxima semana, com dirigentes financeiros e com o Presidente Nicolas Sarkozy.

As reuniões foram marcadas depois de no início do mês se ter sabido que um dos maiores bancos do país, o BNP Paribas, tinha feito provisões de mil milhões de euros para possíveis pagamentos de prémios, e vão envolver também o ministro da Economia.

“Temos necessariamente de avançar e pôr fim a estes excessos e a estes abusos, que a opinião pública não tolera e que também incentivam a assunção de riscos”, disse Lagarde hoje na rádio pública France Inter.

As autoridades europeias e norte-americanas estão a acelerar os movimentos para refrear as tentativas de várias instituições financeiras – algumas das quais receberam ajudas estatais – para regressaram à cultura dos bónus milionários pagos anualmente aos seus profissionais de topo, que tem sido considerada responsável pela assunção de riscos exagerados no sector, que terão conduzido à crise financeira desencadeada em Setembro do ano passado.

No meio de contestação pública crescente no Reino Unido, o ministro das Finanças, Alistair Darling, disse ontem na imprensa que o seu Governo está disposto a apertar as leis sobre o pagamento de bónus aos banqueiros se a assunção de riscos excessivos continuar a ser premiada.

Na semana passada, um juiz norte-americano recusou-se a aprovar um acordo entre os reguladores e o Bank of America Corp relativo ao pagamento de bónus aos empregados da Merrill Lynch, por considerar que o documento estava ferido por falta de transparência e que por isso não podia determinar se era justo para o público. Benoit Tessier/Reuters in publico.pt, 17.08.2009 - 11h25


Desemprego atinge novo pico dos últimos 30 anos

No Verão, o desemprego costuma descer. Mas não este ano. O número de desempregados inscritos nos centros de emprego continua a crescer a um ritmo recorde, apenas comparável com o de 2003.

Em Julho passado, havia 496.683 desempregados, o valor mais alto de sempre, cerca de 30 por cento acima do verificado um ano antes. Face a Junho anterior, subiu 1,4 por cento, uma das maiores variações nesta altura do ano dos últimos 30 anos.

Os números ontem divulgados pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) mostram que o desemprego está ainda a acelerar desde que começou a crescer em Outubro de 2008. As entradas em cada mês de novos desempregados continuam a subir a ritmos elevados. Em Julho passado, foram 60 mil novos, ou seja, mais 18 por cento face a igual período de 2008. Mas o seu ritmo parece estar a abrandar desde que em Março passado subiu 53 por cento face a Março de 2008.

Face a este cenário, o presidente do IEFP preferiu sublinhar o lado mais positivo. "Não podemos dizer que o mercado de emprego está melhor, mas os valores negativos que vinham a ser apresentados desde o último trimestre do ano passado estão a ser sucessivamente mais pequenos, e isso é consentâneo com os dados da evolução da economia", disse Francisco Madelino à agência Lusa.

Na verdade, a economia, segundo o INE, apenas revelou que a actividade económica poderá ter "batido no fundo". No segundo trimestre de 2009, o produto interno bruto cresceu 0,3 por cento face ao primeiro trimestre.

Ou seja, o primeiro valor positivo desde o Verão passado, mas que ainda assim pouco altera a quebra de 3,7 por cento observada no primeiro trimestre de 2009 face ao mesmo período de 2008. O emprego total caiu 2,9 por cento no segundo trimestre face ao de 2008, um dos maiores trambolhões de sempre.

Retoma difícil

O ano de 2009 dificilmente registará uma retoma e não é espectável uma subida do emprego, muito menos uma absorção do desemprego. Os dados históricos das últimas três recessões mostram, aliás, que - após o início da retoma económica - a economia leva cerca de dois anos a reduzir o nível de desemprego.

Mas Francisco Madelino frisa antes uma "estabilização do crescimento do desemprego". Entre Novembro de 2008 e Abril deste ano, o número de desempregados registados pelo IEFP aumentou em 105 mil, enquanto, "desde Abril, há sete mil desempregados a mais". Mas esses não são os dados completos nem transparentes.

Só nos primeiros sete meses do ano, inscreveram-se 424 mil novos desempregados.

Apesar dessa enchente nunca antes vista nos últimos 30 anos, o total de desempregados registados subiu apenas 80 mil pessoas (de 416 mil em Dezembro passado para os 496 mil em Julho). Nesse período, o IEFP conseguiu colocar 35 mil pessoas. Mas as restantes 307 mil inscrições foram anuladas pelos centros de emprego. Só em Julho passado foram 46 mil.

Este nível de anulação em sete meses é dos mais elevados, somente ultrapassado em igual período de 2006 e 2007. Mas quando se compara o peso das anulações face ao número dos novos desempregados inscritos de Janeiro a Julho, a percentagem - 75 por cento em 2009 - é das mais baixas nos registos do IEFP. A média ronda os 90 por cento e anos houve - como 2006 ou 2007 - que se ultrapassou mesmo o total dos novos inscritos.

Em geral, a anulação de inscrições acontece por diversos motivos. Entre outros, porque o desempregado encontrou sozinho emprego, porque faltou à convocatória pelos centros de emprego, esteve em formação profissional, foi alvo de medidas de emprego ou reformou-se.

Mas desconhece-se a razão efectiva de um corte tão pronunciado porque o conselho directivo do IEFP se recusa a divulgar valores estatísticos mensais dos motivos de anulação, por considerar que os números anuais são os indicados para análise de "normalidade". Isso mesmo quando parceiros sociais com assento no conselho de administração do IEFP o exigem igualmente.

Se o total de desempregados registados parece, há meses, resistir à barreira psicológica dos 500 mil desempregados, a tendência de desemprego por sectores ilustra o panorama geral de subida do desemprego.

A indústria transformadora registou a subida mais pronunciada do desemprego. Face a Julho de 2008, o total de desempregados subiu 44 por cento, tocando 171 mil pessoas. Nos serviços - sector em que a quebra de emprego, segundo o INE, apenas se começou a verificar no segundo trimestre deste ano -, o desemprego registado subiu mais de 26 por cento face a Julho de 2008. E na agricultura e pescas atinge os 20 por cento.

E, por ramos de actividade, as subidas são ainda mais assustadoras. A construção e a indústria de vestuário, que concentram metade dos desempregados da indústria, tiveram aumentos homólogos de desemprego respectivamente de 77 e 35 por cento. No comércio, o imobiliário, o comércio e a hotelaria que abrangem 60 por cento dos 255 mil desempregados dos serviços, os aumentos foram de 20, 48 e 26 por cento. O número de desempregados vindos de actividades públicas subiu três por cento. João Ramos de Almeida in publico.pt, 18.08.2009 - 07h16


Liberdade de voto

Vi, como não podia ter deixado de ver, a indignação de Moita Flores com a inclusão nas listas de deputados do PSD de gente pronunciada. Já aqui me referi ao assunto, e até já louvei Marques Mendes, centrifugado pelo sistema, pelo seu bom combate que lhe valeu perder o executivo da Câmara de Lisboa há dois anos. Mas a ética quando doi aos seus partidários ainda tem mais valor. Já a ética como arma de arremesso, a mais usada, pode levar a uma extraordinária liberdade de voto nos próximos actos eleitorais. Não sei se os institutos de sondagens vão dar conta do recado...


Mobbing

É uma prática bem portuguesa, ao contrário do que muitos poderão pensar. Aqui não se mata ninguém no Forum; as pessoas são "desaparecidas" por processos mágicos. Deixam de ser convidadas; depois, deixam de ser referidas, não aparecem nas reuniões, corta-se-lhes uma fatia do salário, depois outra e, finalmente, desaparecem. Um dos mais praticados processos de destruição de identidade pública leva, sintomaticamente, um designativo que poucos conseguirão identificar: mobbing.
...
O mobbing é uma prática complexa, tão complexa que raramente se conseguem reunir provas que confirmem a sua existência; daí que seja um dos expedientes mais usados num país onde a cobardia prevalece. Meias-palavras, uns pós de intriga, uma pitada de difamação, muita invejazinha, medíocres e tolos à mistura e, pronto, uma vítima isolada, denegrida, intimidada e "desaparecida". Este processo campeia nos ministérios, nas universidades, nas câmaras, nas empresas públicas e privadas. Praticam-na, sobretudo, os desclassificados trabalhando em rede, os tolos ciosos das suas quintas e campanários, os descerebrados e incapazes aterrados pela perspectiva de se baterem contra homens (e mulheres) dotados de coluna vertebral, princípios e capacidade de realização.

Se atentarmos, o mobbing não se realiza apenas contra pessoas singulares: há-o contra grupos, empresas, partidos cuja existência pode, de algum modo, diminuir a eficácia de uma sociedade fundada no faz-de-conta. Um dos mais bem sucedidos processos de mobbing estriba-se no imenso arsenal de possibilidades que o ridículo apresenta. Rir-se de uma pessoa/grupo, contar anedotas, deixar um rasto de suspeições, troçar de um corte de cabelo, de uma característica da indumentária, do sotaque, da forma de andar são, acreditem-me, bem mais eficazes que rebater princípios.
...
Ontem encontrei um velho conhecido, homem probo, respeitador, esforçado e, para mais, de uma inocência que perdi há muito. Disse-me, envergonhado, quase que desculpando-se, que perdera o emprego. Fiquei surpreendido, pois tenho-o como alguém capaz de ultrapassar em dedicação ao trabalho a generalidade dos outros bípedes. Mas logo, implacável e nua, caíu a razão: "trabalhei para eles durante dez anos, mas logo que terminei o doutoramento senti que tudo se havia conjugado para me perder". Apertei-lhe a mão e vi-o, vergado, quase velho, afastar-se com passo curto, encostado às paredes. Disse para os meus botões: outra vítima do mobbing !

Que terra notável esta, que "defeitos os tem todos, só lhe faltando as qualidades" (Almada).


Mais caro do que na Escandinávia

Os valores surgem num relatório hoje divulgado pela OCDE sobre as Comunicações, onde se revela que em média em Portugal paga-se cerca de 108 euros por um uso baixo de telemóvel (360 minutos por ano), enquanto na Dinamarca, o país onde a diferença é maior, paga-se pouco mais de 35 euros pelo mesmo nível de utilização.

Em relação a uma utilização média, um português paga 261 euros por ano contra 100 euros no caso dinamarquês ou 93 euros, quando é analisada a Finlândia ou os Países Baixos.

O mesmo estudo revela que nos níveis de consumo mais elevados, relativos a mais de 1680 minutos por ano, as diferenças são ainda mais superiores, dado que enquanto em Portugal paga-se 437 euros por ano, na Dinamarca o valor cai para os 129 euros.

Comparativamente, na Holanda, Suécia e Finlândia, os consumidores pagam respectivamente 132, 139 e 140 euros pelo mesmo nível de consumo.

Segundo o estudo, o país que tem os preços de utilização de telemóvel mais elevados são os EUA, onde um utilizador de nível baixo paga cerca de 197 euros por ano.

Espanha, por seu lado, é o país onde o nível de consumo elevado é mais caro, atingindo os 676 euros. in sol.pt, 11 de Agosto


Coisas de curtíssimo prazo

A subida de 0,3 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo semestre de 2009 tem efeitos de curto prazo e não significa que a economia portuguesa tenha batido no fundo, alertou hoje o fiscalista Henrique Medina Carreira.

"São coisas de curtíssimo prazo (...) não vale a pena estar a embandeirar", afirmou o antigo ministro das Finanças em declarações à agência Lusa.

O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou hoje que economia portuguesa inverteu a tendência de queda, ao crescer 0,3 por cento no segundo trimestre do ano em relação aos três meses anteriores.

Medina Carreira considerou que os dados do segundo trimestre de 2009 não permitem tirar grandes conclusões sobre o estado da economia portuguesa. "Oxalá que já tenhamos batido no fundo, mas ainda estamos no fundo, ou perto", referiu.

Sublinhando que os problemas económicos portugueses são estruturais e que se prendem com as dificuldades da economia portuguesa vender ao exterior, o fiscalista apontou os apoios estatais à economia como uma das explicações para o crescimento do PIB no segundo trimestre.

"Provavelmente, o Governo pagou mais a tempo e horas, há mais empréstimo às empresas, e isto teve alguns reflexos. E ainda bem que teve, mas não é a salvação [da economia portuguesa]", afirmou.

O crescimento de 0,3 por cento "deve-se também a um aumento do consumo público e um pouco de consumo privado", acrescentou Medina Carreira, insistindo no entanto que "os problemas de Portugal são de fundo, são estruturais".

Medina Carreira defendeu que o aumento das exportações é vital para o futuro da economia portuguesa e lamentou o facto dos empresários portugueses não se conseguirem impor nos mercados estrangeiros, sobretudo num cenário de economias abertas e com Portugal na Zona Euro, que impede a desvalorização da moeda como forma de tornar os produtos portugueses mais competitivos no exterior.

"Só podemos crescer de forma sustentável e saudável se conseguirmos vender muito mais lá fora, e vender produtos que sejam competitivos (...) O essencial, que é investimento e a exportação, ainda não existe", concluiu Medina Carreira. in publico.pt, 13.08.2009 - 17h07 Lusa


Crescimento sustentado e criação de emprego

O ministro das Finanças afirmou hoje que o crescimento do PIB no segundo trimestre "ainda não é o fim da crise que nos tem afectado".

Teixeira dos Santos sustenta que os dados do Instituto Nacional de Estatística, divulgado hoje, mostram que terminou a "recessão técnica iniciada em meados de 2008". Mas para que a crise acabe, é preciso que "o crescimento se mantenha de forma sustentada e que isso se reflicta na criação de emprego." 13.08.2009 - 12h57 - PÚBLICO


3 grandes diferenças entre o PCP e o BE

Toda a gente sabe que existem grandes diferenças entre o PCP e o BE. Nem o PC as esconde, nem o Bloco as pretende dissimular. Registo, desde já, três grandes clivagens:

1. O PCP mantém intacta a visão estalinista sobre o indivíduo e os Direitos, Liberdades e Garantias fundamentais. Por isso, a questão das subjectividades e da política da diferença e do vivido devem subjugar-se aos princípios tidos como universais e colocados no topo da hierarquia. Desta forma, as opressões de género, de base étnica e cultural e de orientação sexual são negligenciadas face à opressão no trabalho, resultando esta, por sua vez, de acordo com a vulgata marxista, da questão da propriedade dos meios de produção. A legalização do aborto é uma causa do PCP porque incide sobre as mulheres trabalhadoras. Mas a paridade já não o é e os direitos LGBT muito menos. Por outro lado, a eliminação física de adversários e o seu silenciamento serão sempre justificáveis face a fins supremos (visão teleológica da História). Os massacres da nomenclatura chinesa sobre as minorias muçulmanas ou sobre dissidentes políticos encontram razão na necessidade de preservar um Partido Comunista ao comando do Estado, mesmo que a economia se reja já pelas leis selvagens de um capitalismo desenfreado. O mesmo se passa face ao tresloucado regime da Coreia Norte que Cunhal condenou como sendo um regime de sucessão dinástica mas que a «geração Jerónimo» recuperou como genuína experiência socialista. O Bloco, pelo contrário, percebe que o poder é multidimensional e proclama a sua presença em todas as lutas contra as multiformes garras da dominação.

2. Para o PCP a ideologia reside numa doutrina oficialmente estabelecida e com interpretações e intérpretes limitados. Desta forma, extirpa-se a própria dialéctica no seu movimento perpétuo e prefere-se a cristalização monolítica e propagandística, assente numa série de palavras e sub-conceitos fetiche que devem ser repetidos à exaustão para se tornarem discurso «Comunista». Naturalmente, o «Discurso Comunista é monopólio do «Partido Comunista». O Bloco prefere uma orientação (socialismo), com interpretações e leituras diversificadas, mas assentes na transcendência do capitalismo como mínimo e máximo denominador comum. Assim, debruça-se sobre questões concretas, abre-se ao quotidiano e experimenta novas linguagens que misturam o erudito e o popular, o local e o global.

3. O PC insiste no centralismo democrático e no controlo das organizações satélite. O Partido é a Razão primeira e última. Se a realidade contradiz o Partido é a realidade que está mal e jamais o Partido. Por isso, a pureza ideológica significa um Partido pequeno porque limitado nas suas escolhas. O Bloco insiste no direito à tendência e entende a forma partido como derivação dos novos movimentos sociais.

Perante tais diferenças, a afinidade de pontos de vista é todavia grande. No Parlamento, PCP e BE coincidem na maior parte das votações. Claro que, desta forma, as descoincidências se tornam mais visíveis e elucidativas. Mas nada justifica o chorrilho de insultos com que o PC brinda o BE («caso de psiquiatria política»; «em conluio com o grande capital», comparações entre Louçã e Salazar; etc.), tampouco o ataque pessoalizado e torpe a dirigentes do Bloco.

Percebe-se, mas não se pode aceitar. Está em curso uma segunda refundação na esquerda portuguesa (a primeira foi a própria génese do Bloco). A «geração Jerónimo» tem medo. Medo de juntar forças pela mudança. Os «puros», é sabido, nunca se misturam. João Teixeira Lopes in esquerda.net, 12-Ago-2009


Monstros violentos

Dois agentes da PSP, agredidos na Amadora em 2004 quando estavam em serviço, não vão ser indemnizados por danos morais e físicos e foram obrigados a pagar as custas do processo porque os agressores, condenados em tribunal, apresentaram atestado de pobreza.

Segundo o “Diário de Notícias”, o tribunal já notificou os polícias da divisão de trânsito da Amadora para pagarem, cada um, 400 euros.

A agressão aconteceu em 2004 quando os dois polícias foram alertados para uma desordem num bairro da Amadora. Um foi agredido com murros no peito e o outro com um pontapé. Este teve de receber tratamento hospitalar.

O Ministério Público deduziu acusação contra os dois agressores por crimes contra a autoridade e os polícias pediram uma indemnização de três mil euros por danos físicos, patrimoniais e morais. Os dois arguidos foram condenados a pagar uma multa mas como apresentaram atestado de pobreza, por estarem desempregados, ficaram livres de o fazer.

Mas, cinco anos depois, os polícias foram notificados para pagar as custas do processo por terem feito o pedido de indemnização cível, embora não tenham recebido nada.

“Quando o polícia é agredido acaba sempre em maus lençóis”, comentou Paulo Rodrigues, presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia, ao “Diário de Notícias”. 19.08.2009 - 10h05 PÚBLICO


Monstros tugas

Dois guardas da GNR foram agredidos hoje de madrugada em Coruche na sequência de desacatos provocados por um grupo de populares nas festas do concelho e num posto policial, disse à Lusa fonte da corporação.

Segundo a mesma fonte, os guardas tentaram deter um homem que estava a destruir as casas de banho do recinto das festas pouco depois das 2h30, mas o cidadão ripostou, tal como outros homens que estavam no local, e um dos elementos da GNR acabou por ser atingido por um golpe de navalha nas costas, embora sem gravidade.

«Os indivíduos foram levados para o posto para identificação e um deles começou a partir várias coisas. Os guardas tiveram de usar a força para impedi-lo e, no meio da confusão, ele fugiu e um outro guarda foi agredido», explicou.

Ambos os elementos da GNR feridos foram assistidos no Centro de Saúde de Coruche.

A Lusa contactou a GNR de Coruche para obter pormenores sobre os danos materiais provocados pelos populares, mas o posto escusou-se a prestar declarações. in sol.pt, 16 Agosto 2009


Monstros tugas (2)

A ministra referia-se concretamente a adultos que, nos centros de atendimento, se recusaram a pôr a máscara de protecção e a mães que declararam que levariam os filhos às urgências dos hospitais para contagiar outras pessoas, uma vez que as suas crianças também tinham sido infectadas.

Em causa pode estar o crime de propagação de doença contagiosa punida com uma pena entre 1 a 8 anos se for de forma deliberada e punível até cinco anos em caso de negligência. Por Lusa in publico.pt (especial Gripe A)


Brasil no seu melhor

Wallace Souza, um antigo polícia e apresentador de um programa de televisão no Brasil, está a ser acusado de envolvimento em tráfico de droga e de ordenar assassínios para liquidar rivais e aumentar as audiências do seu programa.

Souza, que é deputado pelo estado do Amazonas para além de apresentador do programa sobre criminalidade, diz que é inocente e que está a ser vítima de um complot.

O programa foi suspenso no ano passado à medida que a polícia progredia na investigação. Alguns assassínios apresentados no programa terão sido ordenados pelo próprio Souza ou pelo seu filho, Rafael. A polícia acredita que os dois terão "encomendado" pelo menos cinco assassínios.

“As investigações apontam no sentido de que eles chegavam, na verdade, até a criar factos. Se determinava que crimes fossem cometidos para gerar notícia para o grupo, para o programa”, disse o secretário de Informação do Amazonas, Thomaz Augusto Corrêa Vasconcelos.

O secretário de Estado da Segurança, Francisco Cavalcanti, afirmou que não há dúvidas de que “em várias ocasiões eles fabricaram factos, fabricaram notícias”. Mais: o caso “tem todas as características de crime organizado mesmo”, disse recentemente Cavalcanti. “Tem braço no Ministério Público, tem braço na política, tem braço nas polícias.” Os juízes que investigam o caso andam com escolta 24 horas por dia por causa de ameaças de morte.

Wallace Souza mantém-se em liberdade porque o cargo de deputado lhe dá imunidade. O seu filho foi entretanto detido, acusado de assassínio, tráfico de droga e posse ilegal de armas, e outras 15 pessoas alegadamente ligadas ao “caso Wallace” foram também presas. in publico.pt, 12.08.2009, 10h10

2009/02/12

1%... do PIB...

Cruzei-me recentemente com um dos poucos políticos * que, num país social e culturalmente atrasado como Portugal, anda de transportes públicos. No decurso da conversa por mim iniciada contou-me algo alucinante:

- Sabe que o presidente do Conselho de Administração do banco x ficava com um terço (1/3) dos lucros do banco? Já confrontei o ministro das finanças com os números, acrescentou.

Pergunta: como foi isto possível?

Espero que este político, e outros que se dediquem verdadeira e honestamente à "causa pública" e ao "bem comum", continue em frente e consiga ter êxito para mudar profundamente Portugal (se isso fôr possível... é melhor que seja...).

* Há muitos anos costumava ver Salgado Zenha regularmente esperando o metro na estação de Entrecampos. Zenha foi um modelo de integridade, coerência e independência. Infelizmente nunca conversei com ele.

Nota: trata-se de facto do BPN, tal como me foi confirmado por e-mail: "Sim, mas falei-lhe do BPN, Oliveira e Costa. Agora, já se sabe que o buraco do banco é pelo menos de 1800 milhões de euros (1% do PIB português)".

Questão: será possível que um homem só se "abotoasse" com 1% do PIB?

Nota 2: a violência, verbal e física, que existe nas escolas portuguesas, está a originar uma sociedade sem princípios, agressiva, de má qualidade e isenta de laços de cidadania e solidariedade. Arrisca-se à entropia máxima...

Nota 3: lembro-me de uma professora de estética que não se cansava da referir a relação que, segundo ela, Wittgenstein estabeleceu entre ética e estética. A ética segundo Wittgenstein, dizia ela, é algo que não se adquire: ou se tem ou não se tem. Um poco como o talento, atrevo-me a acrescentar eu... No entanto, refutando sem desfazer, o que seria manifestamente difícil, o argumento de Wittgenstein, ao contrário do talento, a ética, na minha pouco relevante opinião, pode ser ensinada, desde que "de pequenino se torça o pepino". Tal como a técnica de tocar piano, por exemplo. Ao contrário da técnica de tocar piano que sem talento será pouco mais que irrelevante, a aprendizagem ética terá manifesta positividade no "tecido social", no desenvolvimento global das sociedades, no "bem estar geral" e na "felicidade" dos indivíduos.

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ADVOGADA AMIGA DE SÓCRATES

Paula Lourenço, advogada de Manuel Pedro e de Charles Smith, dois dos arguidos do processo Freeport, é amiga de José Sócrates e do seu pai, o arquitecto Fernando Pinto de Sousa. Além disso, a advogada, que defendeu José Braga Gonçalves no caso da Universidade Moderna, é também a defensora de Carlos Santos Silva, um empresário muito conhecido da Cova da Beira, também amigo de longa data de José Sócrates.

Carlos Santos Silva era proprietário da empresa Conegil, que participou no consórcio vencedor da construção e exploração de uma Estação de Tratamento de Resíduos Sólidos promovido pela Associação de Municípios da região. Este concurso deu origem a um processo que está agora à espera da marcação da data de julgamento na Boa-Hora. Um dos arguidos é Horácio Luís de Carvalho, proprietário da empresa HCL, que adquiriu uma parte do capital da empresa de Carlos Santos Silva , mas que o manteve à frente da Conegil.

Outro dos arguidos é António José Morais, também amigo de José Sócrates e professor de quatro das cinco cadeiras feitas pelo primeiro-ministro na Universidade Independente. António Morais está acusado dos crimes de corrupção passiva para a prática de acto ilícito e de branqueamento de capitais. Horácio Luís de Carvalho é acusado de crimes de corrupção activa e branqueamento de capitais.

'MAGALHÃES'

Paula Lourenço é a advogada da empresa J. Sá Couto, que está a produzir os célebres computadores ‘Magalhães’ para os alunos portugueses. in correiomanha.pt, 20 Fevereiro 2009, 02h05


Provavelmente vai ser necessária uma solução

Eis um texto aparentemente tirado do site da TVI que aparece no comentário 7 ao "post" do Blasfémias intitulado "Itália à vista?":

A TVI sabe que a promotora da construção é participada da SLN e tem fortes ligações ao BPN.

José Sócrates aprovou em 2001, como ministro do Ambiente, o estatuto de imprescindível utilidade pública de um plano de pormenor de um projecto em Setúbal, sem que o dito plano existisse na realidade.

É um caso de alegado favorecimento que envolve o nome do actual Primeiro-ministro e outro ministro de então, e que diz respeito ao projecto imobiliário «Nova Setúbal», considerado de grande importância pelo Governo.

A TVI sabe que a empresa promotora da construção é participada da Sociedade Lusa de Negócios e tem fortes ligações ao Banco Português de Negócios (BPN).

De uma só vez, em poucas horas de uma manhã, perante o olhar das autoridades, quase 800 sobreiros centenários vão abaixo.

A autorização para o abate chegou pelas mãos da autoridade florestal, no desfecho, ainda que provisório, de um processo complicado e questionável.

O processo começou em 2001 quando a autarquia de Setúbal, então socialista, requereu a imprescindível utilidade pública para o Plano de Pormenor do Vale da Rosa e Setúbal Oriental, uma zona fora da cidade, com povoações de sobreiro.

A carta enviada para o Ministério da Agricultura está datada de 7 de Novembro. Apenas 12 dias depois, um verdadeiro recorde, é publicado em «Diário de República», o despacho conjunto dos ministérios da Agricultura e Ambiente, a decretar o dito plano como de imprescindível utilidade pública.

O despacho é assinado pelo ministro da Agricultura, Capoulas Santos, e pelo colega do Ambiente, José Sócrates.

O problema é que o Plano de Pormenor, considerado de imprescindível utilidade pública, só viria a ser aprovado anos depois. Em 2008 é finalmente publicado em «Diário de República». Ou seja, os dois Ministérios aprovaram um plano que não existia. O mesmo é dizer que não conheciam. Além do mais, a aprovação é dada sem uma avaliação de impacto ambiental.

O estatuto de imprescindível utilidade pública é dado com base na infra-estrutura desportiva a construir, ou seja, o futuro campo do Vitória Futebol Clube.

Na zona onde se abateram os sobreiros vai nascer apenas um centro comercial junto à estrada para o Algarve. Noutra zona povoada por árvores vão erguer-se casas 7500 fogos para 30 mil pessoas, ou seja, um terço da população actual da cidade.

Longe de tudo isto, está o esperado estádio de utilidade pública, que está previsto para uma zona deserta, a dois quilómetros da área do abate.

A promotora do empreendimento, a empresa Pluripar, escusou-se a prestar esclarecimentos sobre o caso. A empresa disse apenas que a lei do montado, que protege os sobreiros, foi cumprida para as árvores abatidas.

A Pluripar não adiantou qualquer outro pormenor sobre o processo. A TVI sabe que a empresa é participada pela Sociedade Lusa de Negócios (SLN), esteve no universo do BPN e dois dos membros da direcção, entre eles o até há pouco tempo presidente, Emídio Catum, têm ligações directas com o banco.

Contactado pela TVI, o presidente da câmara em 2001, Mata Cáceres, defende que não houve qualquer ilegalidade no processo, nem tão pouco favorecimento ou tráfico de influências. O certo é que o despacho assinado pelos ministros da Agricultura e Ambiente é feito dias antes das eleições autárquicas. Curiosamente, nessa altura, Júlio Monteiro, tio de José Sócrates, era deputado municipal em Setúbal.

A Polícia Judiciária chegou a investigou o caso, mas sem grandes novidades até agora. O processo continua no Departamento de Investigação e Acção Penal de Setúbal. Em causa poderão estar crimes de prevaricação, corrupção passiva para acto ilícito e abuso de poder
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Fim de regime

Quando o caso Freeport se tornou ameaçador, Sócrates e aquela espécie de sacristão do poder cuja função é amplificar a voz do dono até que os limites do razoável sejam desbaratados, Santos Silva, em vez de aclararem o imbróglio optaram por clamar que era tudo uma ‘campanha negra’ e que qualquer alusão ao assunto era ‘insultuosa’.

Depois o caso SLN/BPN inchou. Figuras aleitadas no período cavaquista mostraram a sua pior face. Agora soube-se que um ‘testa de ferro’ da SLN terá comprado cerca de 6000 hectares na zona do novo aeroporto pouco antes dos estudos e as pressões presidenciais a escolherem.

É o regime que se afunda enquanto as várias facções da Corte acreditarem que se atirarem porcaria para cima umas das outras a sua própria podridão fica escondida. Carlos Abreu Amorim in www.correiomanha.pt, 16 Fevereiro 2009, 00h30


Certas metodologias de investigação em "ciências humanas"...

Já aqui falei da forma ligeira, mas altamente reveladora, como Maria de Lurdes Rodrigues reagiu ao parecer elaborado pelo doutor Garcia Pereira. De acordo com o que afirmações recentes:

"Não valorizo os pareceres. Os pareceres são encomendados e devem ser valorizados por quem os encomendou. Não pedi nada ao professor Garcia Pereira, portanto, não tenho que valorizar nada."

Já aqui se referiu em outro post que isto é contraditório com o facto do ME andar a encomendar, ele próprio, pareceres a alegados peritos, que não são nomeados.

Mas neste momento gostaria mais de analisar a forma como a Ministra da Educação parece encarar as encomendas e a sua utilidade, à luz do que conhecemos sobre algumas das encomendas do ME.

Vejamos:

* A João Pedroso foi pedida a elaboração de algo entre o estudo e a base de dados sobre legislação em matéria de Educação - pensando bem, JP tem tinha razão em pedir mais tempo e dinheiro depois do primeiro porque a tarefa de colocar ordem no aparato legislativo em matéria de Educação é hercúlea - que acabou como sabemos, por cumprir e imensas dúvidas a correrem sobre muitos aspectos que não convém agora especificar muito por causa de…

* A um grupo de visitantes estrangeiros ilustres, ajudados por um especialista nacional, foi encomendado um estudo do tipo OCDE-mas-apenas-quase-OCDE, que validou as políticas do Governo para o 1º CEB com uma semana de trabalho, visitas a pouco mais de meia dúzia de autarquias e quase todas do partido do governo e uma bibliografia que parece uma estante de publicações oficiais do ME.

* Mas a mais notável, porque cândida na sua inusitada sinceridade, foi a feita logo no primeiro ano de mandato a João Freire sobre a reorganização da Carreira Docente, na qual se pode ler, a páginas 104 do relatório final, como é que um encomendado deve preparar a encomenda quando o encomendador é a equipa do ME:
...
Quem trabalha assim, ou melhor, quem faz trabalhar assim os autores das suas encomendas, compreendo que lhe seja possível entender que algo seja feito de forma diferente e transparente, em que o pedido, o método de trabalho e os resultados finais são claros e estiverem sempre à vista de todos, sem truques.