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2009/10/27

Coisas que destroem a credibilidade da justiça

Certamente que actuou dentro da lei mas a lei pode ser iníqua.
...
Um juiz do Tribunal de Santo Tirso recusou-se ontem a interrogar um homem de 30 anos, suspeito de abusar da sobrinha, menina de apenas quatro anos, ao entender que o crime dispensava a aplicação de medidas de coacção. O magistrado mandou o alegado pedófilo em liberdade, com simples termo de identidade e residência (TIR), por definir o caso como não sendo “um crime grave”, que obriga a aplicação de medidas para além de TIR

2009/10/17

Paredes meias

Aqui está um documentário na competição portuguesa do doclisboa 2009 revelando deficiências técnicas pouco aceitáveis nos tempos que correm. No entanto a temática de Paredes meias vale por si, e é paradigmática do que habitualmente acontece em Portugal*: um projecto de habitação social, no centro da cidade, acaba nas mãos dos "filhos do papá", como diz uma moradora da "primeira fase".

Trata-se do Bairro da Bouça, no Porto, desenhado por Álvaro Siza. O projecto data dos anos 70 e ficou a meio. Quando foi elaborado foi discutido e modificado de acordo com a opinião dos interessados. Passados 30 anos foi finalizada a "segunda fase" e, claro, como é no centro da cidade e tem a assinatura Álvaro Siza, logo apareceram os tais "filhos" que compraram as casas a "preços de saldo", dado serem subsidiadas pelo Estado. Os mesmos "filhos" que provavelmente estudaram nas universidades públicas, subsidiadas pelo mesmo Estado, e que agora são arquitectos, engenheiros e "doutores". Enfim, uns filhos da sorte...

Depois há a outra problemática: o projecto foi discutido e alterado de acordo com a opinião de quem dele ia usufruir, mas passados 30 ou mais anos as críticas são mais que muitas. Este aspecto é interessante pois revela como a percepção de qualidade de vida se vai modificando enquanto a obra arquitectónica fica congelada no tempo (o complexo foi finalizado 30 anos depois da conclusão da "primeira fase", seguindo o projecto original que foi discutido e aprovado democraticamente).

Há também uma situação interessante, em que o muro exterior é totalmente "grafitado", e Álvaro Siza aparece a observar a "obra" e dizendo em tom de aceitação que "é assim por todo o lado".

No fim surge Álvaro Siza afirmando que ter uma habitação se não elimina as desigualdades sociais pelo menos melhora a vida das pessoas e o direito à habitação deveria estar consagrado entre os direitos elementares (de facto até está na Constituição...). Mas, uma vez mais, foram os menos necessitados que compraram as casas a preços controlados (um eufemismo para dizer "subsidiadas pelo Estado").

A democracia portuguesa, nesta sua fase "avançada" (não é para rir), não está a funcionar nada bem...

* quem tem vivido em Lisboa lembra-se bem daqueles apartamentos fabulosos, com vista para a Praça do Camões, que foram remodelados ao abrigo do programa Recria. Constava que foram todos atribuídos (por concurso muito público evidentemente) a gente da freguesia, como por exemplo o filho do presidente da Junta (e outros familiares e amigos, segundo se dizia). Residir na dita freguesia era a condição indispensável para se poder concorrer áqueles apartamentos. Um dia mais tarde, depois da polémica esfriar, vi que um desses apartamentos estava para venda (revenda para sermos mais precisos) e do outro lado o número muito bem redondo foi: "400 mil".


Triologia Kenedi

Só vi excertos de dois filmes da triologia mas fiquei elucidado: agora compreendo porque Portugal é o país que melhor acolhe os imigrantes.

O que eu deixou-me aterrado: famílias avisadas de um dia para o outro que iam ser deportadas porque já não eram considerados refugiados. Verem todos os bens e dinheiro ser "apreendido" pelo "SEF" alemão antes de serem repatriadas. Cheguei a pensar que aquilo era uma ficção baseada nas deportações do periodo nazi. Mas não: era a Alemanha do século XXI. Senti-me chocado e defraudado.

Kenedi goes back home, Kenedi lost and found e Kenedi is getting married (este último não vi de todo) são uma triologia muito "pedagógica", a não perder. No doclisboa.

2009/10/15

O estágio para a estupidificação continua

Há pouco vi uma "miúda" toda pintada e perguntei-lhe se aquela parvoíce ainda não tinha acabado. É que eu sou da segunda fase, respondeu com ar de "que remédio".

Mais tarde outra disse-me: "ali na cantina velha até puseram os caloiros de gatas".

Eu acho estas práticas um grande mal para o país. Acho que estas práticas criam e estabilizam um credo na autoridade vazia (os "veteranos", expressão militar) que corresponde à essência do credo no grande chefe fascista: obedecer sem questionar. Estas práticas são anti-constitucionais.

Volto a repetir: considero estas práticas um mal maior já que estão a deformar os futuros quadros do país. Considero-as absolutamente inaceitáveis no ensino público, onde os "veteranos" só pagam uma pequenina parte dos custos reais que dão à sociedade. Para grandes males há sempre grandes remédios. É necessário um governo corajoso que acima de tudo ponha os direitos individuais, a liberdade e a democracia, à frente das tradições trogloditas (no Afeganistão a tradição manda apedrejar as mulheres...). Haja coragem!

2009/10/07

Corrupção boa...

Naquele jornaleco verde que se chama Metro e que se apanha no Metro, aparece o Rui Zink (edição de 7 de Outobro) a apoiar o Costa para continuar em Lisboa, e escreve textualmente: "se há colesterol bom, porque não boa corrupção?". Sempre pode ter escrito aquilo sob o efeito de uns copos de tintol, mas da próxima será melhor que espere que o efeito passe antes de enviar a coisa para o jornaleco. Também posso ter lido mal...

Mas se li bem, concluo que o Costa é para o Zink o representante do colesterol, perdão, da corrupção boa. Só me resta mesmo dizer que de todo não votarei no Costa, entre outras coisas porque não acredito na "corrupção boa".

Entretanto, e já que estamos voltados para os gratuítos, abri o Destak e logo na página dois aparece o Fazenda a dizer "combater o alto preço do metro quadrado e democratizar o acesso à habitação".

Só quem não sabe é que ignora que o preço do metro quadrado em Lisboa é semelhante a Berlim, com a diferença de Berlim ser uma capital central em todos os aspectos e Lisboa ser uma capital periférica em todos os aspectos. Portanto o discurso do Fazenda nem é ficção nem demagogia, porque o preço da habitação em Portugal é ridiculamente superior áquilo que de facto vale.

Só com grande vontade política e sem qualquer complacência com a corrupção (má ou "boa"...), que sempre andou bem entremeada nos negócios imobiliários (será tonto dizer-se que o mercado imobiliário português, especialmente o lisboeta, tem servido de lavagem para muitas centenas de milhões de euros de dinheiro sujo?), é que será possível baixar o preço da habitação em Lisboa para o nível do seu valor real. Costa nem foi capaz disso, nem demonstrou vontade disso, nem faz disso um tema prioritário na sua campanha.


Especulativo e "irracional"

Os mercados bolsistas de Wall Street, contariariamente ao esperado, abriram hoje em baixa, após três dias consecutivos de alta e de alguma euforia, criticada pelo Prémio Nobel da Economia, Joseph Stiglitz, que a considera "irracional".


Há que acabar com este monopólio

O governo norte-americano quer continuar a manter a vigilância sobre a gestão da Internet, apesar do acordo que tem com o ICANN, organização privada sem fins lucrativos que gere os domínios Internet a nível mundial, expirar amanhã.

A notícia, que foi avançada pelo jornal espanhol El País, refere que o acordo que agora termina permite que os EUA vetem qualquer decisão do ICANN e que as autoridades norte-americanas já fizeram chegar a este organismo a sua intenção de renovar o acordo, para que possam manter a mesma influência.

A posição do governo é apoiada tanto por democratas como por republicanos, que já manifestaram o seu desagrado pela possibilidade dos EUA virem a perder a sua influência neste domínio.

Em sentido oposto manifestou-se a Comissária Europeia para a Sociedade da Informação e Média, Viviane Reding, que em Maio passado afirmou «ser insustentável que o governo de um só país mantenha o controlo da rede usada por milhões de pessoas em todo o mundo».

A Comissária Europeia sugeriu, na mesma altura, a criação de uma entidade, à semelhança do G-12, para assumir a direcção política deste aspecto crucial do funcionamento da Internet, sendo que as questões técnicas continuariam a ser geridas pelo ICANN. Sol.pt, 30 SET 09

2009/10/01

As elites piolhosas e as outras

Um país sem "elites" de qualidade (que implica dimensão e "substância" humana) está condenado a definhar, disse o filósofo tal. Quando olho para Portugal vem-me sempre à memória esta máxima e quanto melhor olho mais esta máxima parece adquirir consistência lógica.

Quando ambos os invasores (nazis e russos) espartilharam a Polónia a primeira coisa que fizeram foi eliminar as suas elites, porque sabiam que o poder da "alma" polaca residia em parte nelas. Não lhes adiantou: Chopin já tinha imortalizado as danças populares polacas nas suas Polonaises e Mazurkas: mesmo que a Polónia desaparecesse completamente aquelas pequenas peças haviam de a imortalizar ad-aeternum. Em Portugal, se invasores houvesse, não necessitariam de eliminar as elites porque as "elites" portuguesas antes da invasão se concretizar já estariam a denunciar os seus compatriotas e a lamber as botas aos invasores. Não seria caso único na história, é certo, mas seria um caso antológico, dado tratar-se (segundo afirmou o poeta ex-deputado Manuel Alegre) da "mais velha nação da Europa".

As "elites" portuguesas para além de serem asquerosas são ruins. E são ruins não só nem essencialmente por serem mediocres: são ruins porque incarnam o "mal", ou pelo menos duas facetas do "mal": a maldade e a perversidade. O desprezo que Eça de Queiroz manifestou pelas "elites" portuguesas não teve origem só na constatação da sua mediocridade: é impossível desprezar-se e ridicularizar-se daquela maneira seres "somente" mediocres.

Bem isto a propósito de mais uma cena que testemunhei ontem (30 de Setembro) na Cinemateca Portuguesa (em Lisboa): um senhor parece ter feito uns ruídos com uns sacos de plástico que levava com ele. Levar sacos de plástico para a cinemateca pode ser já um risco face aos m........ dos supostos "artristas" e "intelectuais" que por lá aparecem de tempos a tempos. Ao entrar com um saco de plástico deve-se ir preparado para confrontar o primeiro "intelectual" ou "artrista" tugolês que comece a chatear mandando "bocas" ou assumindo poses de um desprezo irritante e provocante.

Portanto, para evitar chatices aconselho a não levar sacos de plástico para os filmes, na Cinemateca Portuguesa, em que previsivelmente os jovens tugoleses "artristas" e "intelectuais" por lá apareçam (claro que não são só os jovens, mas quando se trata de jovens é muito mais preocupante pois conclui-se que Portugal não mudou rigorosamente nada).

O tal senhor lá fez os ruídos com os sacos de plástico e claro que alguém se sentiu muito incomodado, mandando "bocas" ao senhor. A coisa, se entre gente normal estivessemos, ficaria por ali, esperando-se que o senhor se acalmasse e acabasse o seu delírio, pois já estava a falar em "radiações perigosas" e todo o discurso típico dos seres alienados, que de resto é sempre um discurso curioso, ainda que pouco inovador.

Mas não: os jovens "artristas" e "intelectuais" tugoleses não podiam deixar de aproveitar estarem perante uma pessoa debilitada, só e facilmente ridicularizável, para mostarem a sua "virilidade". Vai de aí que um jovem tugolês se dirige ao senhor para o "meter na ordem". Houve logo os outros tugoleses jovens a acalmar o tugolês "artrista" ou "intelectual" (aquelas cenas do sub-género "agarrem-me senão mato-o"), que voltou ao seu lugar de peito inchado.

A verdade é que os tugoleses jovens "artristas" e "intelectuais" que protagonizaram a cena (especialmente o "mauzão" que que pretendia meter o senhor na "ordem") prejudicaram muito mais a visualização do filme que o discurso delirante do senhor dos sacos de plástico. Bastou alguém ir falar pacientemente para ele parar com o seu discurso alucinado, que foi desencadeado, há que dizer, por um, ou uma, "intelectual" qualquer, cioso (a) da sua muy autêntica concentração cinéfila.

Se estes jovens tugoleses são o futuro, o futuro de Portugal é desaparecer sem deixar saudades. Ha! Depois há toda aquela lixeira estrangeira que, sabendo bem que quem tem um olho em terra de cegos pode ser rei, vem cá parar... Evidentemente que não me estou a referir aos imigrantes que vêm para "trabalhar no duro", ou aqueles que vêm trabalhar seriamente.

Nota 0: correndo o risco de me tornar ainda mais politicamente incorrecto quero manifestar o meu espanto em relação ás cenas porcas que alguns gays vão fazer para a Cinemateca Portuguesa, especialmente na sala pequena. Não há direito! Há gente que vai à Cinemateca para ver só os filmes que passam no écran! Os funcionários e a direcção da Cinemateca sabem disto e se não tomarem medidas um dia alguém as há-de tomar.

Nota 1: no que toca ás tugolesas "elites", basta ir apreciar as "praxes" universitárias levadas a cabo pelos universitários "veteranos", com o consentimento (ou sem uma reacção eficaz e liminar) por parte dos universitários "caloiros" e por parte da sociedade em geral, para se compreender para onde estas "elites" conduzirão o triste reino.

Nota 2: claro que para além destas elites piolhosas existem as outras (sem prejuízo das inter-conexões que existem e não são raras): os que tiveram "pára-quedas dourados", que estão entre os que conseguiram sair de cena com milhões para acomodar e proteger um futuro incerto; aqueles que garantem sempre bons cargos para (quase) toda a família sem terem de os mendigar ou sequer de os sugerir; aqueles que em cargos de administração nas empresas que já foram do Estado ganham 100 vezes mais que a média dos assalariados portugueses; os que fizeram e fazem grandes negociatas do ou com o Estado que lhes proporcionaram e continuam a proporcionar milhões escondidos sob um número nos off-shores; aqueles que com negociatas variadas do Estado ou "poder local" garantiram para si, familiares e descendentes, um futuro próspero e confortável (coisa dificílima de ser detectada dada a dupla descontinuidade - de tempo e de sujeitos - entre o "serviço", o benefício, e os beneficiados) . Esses são a "autêntica" elite portuguesa, que arruinou e destruiu o país e que se ri, se ri muito, das elites piolhosas e dos seus rituais ridículos e inofensivos (ofensivos para as vítimas mas inofensivos para eles, a elite que domina e ganha).

Nota 3: "Quase todos os contratos de obras públicas celebrados nos últimos três meses foram por ajuste directo. Segundo os dados do Observatório de Obras Públicas, que está a recolher a informação prestada desde o dia 26 de Junho, do total de 4023 contratos firmados até à passada sexta-feira, houve ajuste directo em 3957 deles." (publico.pt, 06.10.2009, 07h14)

2009/09/30

Um país esquizóide

O PR disse que suspeita andar a ser vigiado mas não apresentou provas sólidas (nem líquidas...), depois de em vésperas de eleições ter mudado de funções (provocando grande "ruído") o colaborador que aparentemente esteve na origem de uma "novela" que deve ter custado votos (muitos) ao partido do próprio PR...

No entanto é muito estranho um jornal (o DN) guardar um e-mail (que arranjou não se sabe como) para depois o publicar (ilegalmente pois trata-se de um e-mail de terceiros que não autorizaram a sua divulgação) exactamente em véspera de eleições.

Mas a verdade é que se esperava algo "sólido" por parte do PR no que concerne ás suas suspeitas de estar a ser vigiado...

Enquanto isso, o Caso Freeport é temporariamente esquecido (chegar à "verdade" depende da investigação exterior que só será convenientemente concretizada quando Gordon Brown, em Inglaterra, sair de cena) e os submarinos de PP vêm à tona, arrastando o "Caso Portucale" - também conhecido como "Caso dos Sobreiros" (abatidos sem terem culpa nenhuma) - que estava praticamente esquecido.

Nota 1: "Sigilo profissional. Foi este o argumento invocado pelo escritório Sérvulo & Associados, cujo sócio principal é Sérvulo Correia, para impedir que o juiz de instrução que ontem acompanhou as buscas ao escritório do advogado tivesse acesso a toda a documentação apreendida, relativa ao negócio da compra, em 2004, de dois submarinos pelo Estado português." (publico.pt)

O problema é que quem faz os negócios é quem fez as leis. E enquanto esta situação se mantiver Portugal será um paraíso para todos os corruptos.

Nota 2: apesar de ser um demagogo, PP tem alguma razão quando diz ser necessário aumentar a segurança. A não ser que queiramos continuar mal na "fotografia": A number of British nationals have been the victim of a serious sexual offence in the Algarve this summer. O código penal deve ser modificado e os crimes - incluindo os de "colarinho branco" - têm de ser substancialmente mais penalizados.

Nota 3: e a lei deveria ser aplicada (e endurecida) no que toca à tortura física e psicológica que é usada nas "praxes" que se praticam nas universidades e escolas superiores portuguesas, onde simultaneamente é feita a apologia da autoridade pela autoridade: uma autoridade bronca e labrega, de cariz fascista, revestida de patéticas capas negras.

Nota 4: Cova da Beira! Até o nome é sinistro. Talvez por isso destruíssem os dossiers...


Não tolerarão intimidações

Os juízes portugueses repudiam em absoluto esta actuação do Conselho Superior da Magistratura e não toleram nem tolerarão intimidações ou condicionamentos de qualquer espécie à sua independência e imparcialidade, em conformidade com os princípios que assumiram no "Compromisso Ético dos Juízes Portugueses".

A ASJP manifesta a mais viva repulsa por esta deliberação do Conselho e considera merecedora de elevada censura pública a actuação de todos os seus membros que, com os seus votos favoráveis ou abstenção, viabilizaram a iniciativa com conotação partidária que deu origem a uma decisão inédita que coloca em causa a independência de todos os juízes.

2009/09/25

O Truque

as proporções de 'votos' são calculadas a partir da amostra de inquiridos com opinião (no=350), mas as margens de erro são calculadas como se toda a amostra tivesse emitido opinião (n=1000). Se n for apenas ligeiramente superior a no, não há problemas de maior com esta forma de cálculo errónea. No entanto, em situações de elevada 'abstenção', como é o caso, utilizar 1000 'respondentes' para avaliar o erro de medida de 350 respostas, é uma barbaridade. Com este "passe de magia", os intervalos de estimação deixariam de estar sobrepostos e Diana Chaves teria razões para estar muito mais contente com estes "resultados" do que Vital Moreira com os resultados das sondagens de Maio.

Nota: qualquer jornal com seriedade deveria alertar os seus leitores para este tipo de truques. Igualmente conviria que os distintos portugueses media tivessem esclarecido os portugueses que o TGV fica em Madrid e que nem sequer se encontra agendada a tal "ligação à Europa". A ideia de ir de Lisboa a Stockholm, em TGV, não passa de uma ridícula ficção. De TGV nem a Paris, quanto mais a Stockholm...


PS com Máfia dos Bingos

O dirigente do PS José Lello, e o secretário de Estado das Comunidades, António Braga, são acusados de negociar cargos em troca de financiamento partidário com o empresário Licínio Santos envolvido na Máfia dos Bingos, adiantou hoje a TSF. A acusação partiu de Aníbal Araújo, outro membro do PS que foi cabeça-de-lista pelo círculo de Fora da Europa, nas legislativas de 2005.

Tanto Lello como Braga disseram em declarações à rádio desconhecer se o empresário financiou o PS. Mas Aníbal Araújo afirmou que os dois negociaram directamente com o empresário. O cabeça-de-lista tinha sido também financiado pelo mesmo empresário que foi detido após a Operação Furacão que desmantelou a Máfia dos Bingos.

Segundo a TSF o ex-cabeça-de-lista acusou José Lello de oferecer o consulado honorário em Cabo Frio, no Brasil, um lugar na administração da empresa de telecomunicações Vivo e o controlo da Águas de Portugal na cidade brasileira. O empresário chegou a estar detido no Brasil, actualmente está em liberdade a aguardar o seu julgamento.

A Máfia dos Bingos foi acusada de negociar sentenças judiciais e decisões políticas para beneficiar casas de bingo e de máquinas de jogos de azar. in publico.pt, 24.09.2009 - 17h23

Nota: o BE pode ser a alternativa, ou um ingrediente relevante da alternativa ao estado em que o PS deixou Portugal. Votar no PS significa votar no chico-espertismo, significa votar num Estado ligado e dependente de interesses obscuros, significa votar na ditadura da "filosofia" rudimentar (muito rudimentar...) de PdS, significa votar no atraso cultural e social de Portugal e condenar Portugal ao definhamento e à vergonha. Os portugueses deviam ser audazes e votar igualmente nos pequenos partidos emergentes. O "Bloco Central" governa Portugal praticamente desde o fim da ditadura e o resultado está à vista: um país pobre, triste e a definhar.


Contribuintes com costas largas

O Banco Português de Negócios (BPN), que foi nacionalizado para não falir, terá feito pagamentos clandestinos próximos de 15 milhões de euros a 48 administradores e colaboradores do grupo.

Esta situação foi detectada no âmbito de uma auditoria encomendada pela anterior administração do banco, liderada por Miguel Cadilhe, e consta do relatório pedido à sociedade de advogados Telles de Abreu e Associados, conta a edição de hoje do “Diário Económico”.

O dinheiro era proveniente do Banco Insular (registado em Cabo Verde) e passava por uma off-shore, a Jared Finance LLC, transitando por uma conta criada pelo então presidente do banco, Oliveira e Costa, que a utilizava para regularizar despesas correntes e pagar a dezenas de ex-administradores.

O “Diário Económico” diz que teve acesso à lista de movimentos, que apontam, para situações de evasão fiscal, não havendo justificação para a grande maioria deles. idem 25.09.2009 - 08h47

Nota: deveria ter falido, assim como o BPP. O governo decidiu esbanjar o dinheiro dos contribuintes para os salvar, com a historieta do "risco sistémico".


Limites para os banqueiros

Os líderes mundiais chegaram a um acordo no que se refere aos limites dos prémios dos banqueiros, cujo comportamento contribuiu para a crise mundial, afirmou quinta-feira o secretário norte-americano do Tesouro, Timothy Geithner, em Pittsburgh.

Geithner anunciou que as potências do G-20 chegaram a um consenso em relação às "linhas base" da proposta de limitação das regalias dos banqueiros, que deverá estar pronta até ao final deste ano.

O secretário norte-americano do Tesouro explicou que o acordo vai incluir padrões diferentes em cada país, que serão supervisionados pelo Fundo Monetário Internacional, que reúne os bancos centrais.

Até ao momento, a Europa tem pressionado mais do que os Estados Unidos para fixar estes limites. Lusa, 25.09.2009


Pedagogia de PdS

«Colegas de curso ainda se lembram de uma cena inesquecível em que José Sócrates foi protagonista. No ISEL, no CESE (Curso de Estudos Superiores Especializados) em Engenharia Civil–perfil de Transportes e Comunicações em que se inscreveu, José Sócrates começou logo mal, habituado que já estava ao púlpito político e desacostumado dos bancos da escola, conforme relatos de presentes que presenciaram o acontecimento que ilustrava o seu comportamento peculiar, hoje notório junto do público. Na cadeira de Ordenamento do Território, no início do 1.º semestre, em Outubro de 1994, estava o professor, reputado como rigoroso, no anfiteatro a esclarecer o método de funcionamento da disciplina e de avaliação, discriminando os cuidados a ter nas provas, nomeadamente que não era permitido manterem apontamentos e livros, máquinas de calcular e telemóveis junto de si, quando José Sócrates se levantou (!) intempestivamente - como se estivesse no plenário da Assembleia da República – e interrompeu a aula para contestar o professor porque, em sua opinião, estava a tratar os alunos como crianças e a desconfiar da sua seriedade. Perante o desafio, fez-se silêncio na sala. O professor, conhecido por tratar todos os estudantes da mesma forma, explicou, com calma, ao aluno-deputado que não era seu costume responder a impertinências, mas que a desculpava tendo em conta a manifesta “ignorância” de José Sócrates das regras académicas, uma vez que estaria há muito tempo afastado da escola e já não se lembraria dos usos da academia. Sócrates sentou-se e calou-se - e os colegas mal conseguiram conter o riso

Nota: o percurso posterior de Pinto de Sousa na universidade privada onde adquiriu a licenciatura prova exactamente a seriedade (pessoal de PdS) que o mesmo PdS dizia (erradamente) o professor estar a colocar em causa.

2009/09/19

O jornal onde vale tudo (menos arrancar olhos *)

Aceitar e-mails privados pela "porta das traseiras" pode implicar cumplicidade com um crime. Publicar e-mails privados sem o consentimento das pessoas em causa é crime. Qualquer um destes actos, quando praticado por um orgão de comunicação social, demonstra que esse orgão não é de confiança. Eu conheço relativamente o DN pois escrevi "crítica de musica" para esse diário. Logo na segunda peça que me encomendaram fui chamado "à pedra" ("olhe que o concerto não foi assim tão mau") pelo secretário-geral (cargo ridículo que provavelmente já não existe), que era simultaneamente o presidente da Casa da Imprensa e auto-intitulado (o DN anunciava as críticas dele com dias de antecedência, como se de uma vedeta se tratasse...) grande crítico de ópera (evidentemente sem que tivesse qualquer background no assunto para além de assistir ás estreias do São Carlos...). Basicamente eu não podia escrever mal de nada que implicasse o governo: sobre o Teatro São Carlos e a Orquestra Sinfónica Portuguesa esperavam-se ou boas críticas ou críticas "razoáveis". E nem pensar colocar em causa o "normal" funcionamento das instituições! Claro que o fiz e claro que deixaram de me publicar. É assim que funciona, ou funcionava, o DN. Por isso não me espanta totalmente a atitude de andarem a "dar à estampa" e-mails privados de terceiros. Está dentro da "onda" do DN que conheci. **

* porque senão depois não podem escrever e editar o jornal (ainda que nada de particularmente interessante se perdesse).

** sabemos bem que o mesmo poderia acontecer em qualquer outro media português, mas é o DN que está em decadência, é o DN quem necessita desesperadamente de aumentar as vendas. O DN não tem um Belmiro e os accionistas querem "resultados". Mesmo admitindo o interesse público daqueles e-mails nada justifica expôr publicamente e-mails privados sem a autorização dos interessados, especialmente quando os "interessados" são jornalistas da concorrência.

Passam-se coisas muito estranhas nos media portugueses... Por exemplo, num outro diário, mais prestigiado que o DN, foi publicada uma entrevista feita por e-mail (por e-mail até pode ser outra pessoa a responder, ou a artista - normalmente alguém por ela - fazer copy/paste a partir de outras entrevistas ou de questões pré-respondidas ***). Mas tudo bem, se se indicar que a entrevista foi feita por e-mail (o que não aconteceu). Mas o estranho foi que a entrevista foi "solicitada" pela editora da artista que também "pediu" que fosse publicada antes do concerto. E assim aconteceu. Quem fez a entrevista nem sequer questionou o processo e a metodologia (ou porque é tão portuguesa que acha estas coisas normais, ou para evitar criar "ondas" que lhe poderiam ser prejudiciais).

*** eu reconheço que há jornalistas e "críticos" que não merecem mais que um copy/paste, mas isso é outra história...


O terrível caso do PPR

Em declarações aos jornalistas a propósito da manchete de hoje do Expresso, que revela que o líder bloquista e mais quatro dirigentes do partido investiram em PPR, Louçã advogou que tem dito «sempre o mesmo» e nunca «mudou de opinião» sobre este tema, tendo já votado «há cinco anos atrás» contra os benefícios fiscais destes produtos.

«Isto é um favor que me fazem, que a manchete do Expresso, o jornal de referência do país, seja dizer que a minha poupança de uma vida inteira são 30 mil euros, que eu não recebo o meu salário porque dou aulas de graça na universidade pública e porque defendo o interesse dos contribuintes e não o meu próprio interesse acho que só valoriza a clareza e a intransigência das posições do BE», acrescentou. Sol, 19 de Setembro

Nota: quantos políticos leccionam graciosamente nas universidades portuguesas?

2009/09/17

Políticos corruptos

Manuela Ferreira Leite resumiu hoje a “boatos” e “cenas” as notícias sobre a denunciada compra de votos na distrital de Lisboa quando António Preto, candidato a deputado imposto pela presidente nas listas de Lisboa, liderava aquela estrutura. E não exclui que “mais histórias” apareçam até ao dias das eleições. “Já estou preparada para isso. É costume ser assim”, disse a líder social-democrata em Viana do Castelo.

“São casos que desconheço e cujas actuações condeno”, começou por reagir a líder do PSD, fazendo questão de acrescentar que se trata de “casos recorrentes e que ao ser apresentados oito dias antes das eleições leva a perceber qual o objectivo desse tipo de histórias”.

As primeiras horas de campanha foram submergidas pelas notícias não só da Sábado sobre António Preto, mas também com os efeitos do discurso da véspera do presidente da JSD, Pedro Rodrigues, que lembrou o caso da licenciatura de José Sócrates para ilustrar o facilitismo e falta de rigor na Educação. O ataque mereceu uma resposta pronta da parte do líder da JS, Duarte Cordeiro, que lamentou que este assunto volte a ser agitado em período eleitoral, dizendo que é “má educação”. Público, 17.09.2009 - 14h03


Nota: "má educação" é o que fazem os políticos corruptos deste país! Os casos de corrupção deviam vir à baila em campanha eleitoral, para os portugueses conhecerem melhor os políticos que têm. Esconder tudo é que não é lá muito honesto. Até parece que existe um acordo tácito de não mostres os meus podres que eu não mostro os teus...

O código penal tem de ser alterado e os políticos corruptos, tanto os que corrompem como os que se deixam corromper, devem sempre ser condenados a pena de prisão efectiva, para além da devolução dos lucros tidos, caso existam, e das multas a pagar ao Estado.

O crime económico (crimes de "colarinho branco") deve ser considerado um crime muito grave quando coloca em risco o interesse público. Os crimes cometidos por governantes e detentores de cargos públicos devem ser substancialmente mais penalizados que os praticados pelo "cidadão comum", de acordo com as respectivas responsabilidades na administração pública, assim como nas fundações, bancos, empresas participadas pelo Estado e outras empresas e instituições de utilidade pública (quanto maior a responsabilidade do cargo maior deve ser considerado o crime). Todo o acto de corrupção, activa ou passiva, cometido por governantes e detentores de cargos públicos, assim como detentores de cargos nas grandes empresas, bancos, fundações e outras instituições de interesse e utilidade pública, deve ser considerado automaticamente acto de corrupção "ilícito". Não há crime de Estado "lícito"! Só assim se pode "moralizar" a política e a sociedade.

2009/09/14

Recomeçou o treino para a estupidificação

É patético mas eles já andam outra vez por aí. Uns tipos com uns fatos pretos, com umas capas e gravatas (pretas), tipo funcionários de uma qualquer agência funerária.

Fazem-se acompanhar por uns tipos meio atarantados a quem chamam de "caloiros", guardando para si a auto-designação de "veteranos". Normalmente berram para o ar umas frases que o rebanho dos "caloiros" repete gritando.

Não fosse o fardamento fúnebre e pensar-se-ia estarmos face a novos recrutas que aderiram ao serviço militar. Mas não. Tratam-se de estudantes universitários, tratam-se dos futuros "especialistas", gestores e políticos portugueses, e isso diz muito sobre o futuro de Portugal.


“estamos integrados na Europa”

Ao segundo dia de campanha, continuam as palavras cruzadas entre os líderes dos dois maiores partidos sobre o TGV. Se de manhã Manuela Ferreira Leite usou o argumento da independência económica para ser contra a alta velocidade, ao almoço José Sócrates lembrou que “estamos na Europa em integração económica”.

“Independência económica só significa isolamento económico, pobreza, atraso e subdesenvolvimento”, afirmou, aplaudido por cerca de 600 pessoas que o esperaram durante mais de uma hora no núcleo empresarial de Beja. “Isto significa uma visão retrógrada e passadista”, frisou Sócrates, recordando que “nós já construímos o mercado único e isso é um bem para todos os países europeus”.

Para Sócrates, “acabou o tempo do Portugal atrasado”. in publico.pt, 14.09.2009 - 14h53

Nota: também a Roménia e a Bulgária estão (integradas na Europa) e é o que se sabe...

Pérola 1: “acabou o tempo do Portugal atrasado.” (pelos comentários que se encontram na net, escritos por portugueses "informados" que sabem usar a intermet e tudo, Portugal continua atrasado e em estado bronco)

Pérola 2: "Independência económica só significa isolamento económico, pobreza, atraso e subdesenvolvimento." (estará a Noruega isolada economicamente, subdesenvolvida, atrasada e a passar mal?)


Não é ficção

Podia ser ficção (negra) mas o nível dos comentários que este blog apagou e guardou para memória futura transcendem toda e qualquer ficção e dão-nos uma imagem muito pouco virtual de um certo país real. Infelizmente não é ficção.

2009/09/10

Não serve

Não se pode dizer que de Espanha nem boa brisa nem boa Prisa, porque o clima para este monumental acto censório é da exclusiva responsabilidade de José Sócrates.

35 anos depois da ditadura, digam lá o que disserem, não volta a haver o Jornal de Sexta da TVI e os seus responsáveis foram afastados à força.

No fim da legislatura, em plena campanha eleitoral, conseguiram acabar com um bloco noticioso que divulgou peças fundamentais do processo Freeport.

Sem o jornalismo da TVI não se tinha sabido do DVD de Charles Smith, nem do papel de "O Gordo" que é (também) primo de José Sócrates e que a Judiciária fotografou a sair de um balcão do BES com uma mala, depois de uma avultada verba ter sido disponibilizada pelos homens de Londres.

Sem a pressão pública criada pela TVI o DVD não teria sido incluído na investigação da Procuradoria-geral da República porque Cândida Almeida, que coordena o processo, "não quer saber" do seu conteúdo e o Procurador-geral "está farto do Freeport até aos olhos".

Com tais responsáveis pela Acção Penal, só resta à sociedade confiar na denúncia pública garantida pela liberdade de expressão que está agora comprometida com o silenciamento da fonte que mais se distinguiu na divulgação de pormenores importantes.

É preciso ter a consciência de que, provavelmente, sem a TVI, não haveria conclusões do caso. Não as houve durante os anos em que simulacros de investigação e delongas judiciais de tacticismo jurídico-formal garantiram prolongada impunidade aos suspeitos.

A carta fora do baralho manipulador foi a TVI, que semanalmente imprimiu um ritmo noticioso seguido por quase toda a comunicação social em Portugal. Argumenta-se agora que o estilo do noticiário era incómodo. O que tem que se ter em conta é que os temas que tratou são críticos para o país e não há maneira suave de os relatar.

O regime que José Sócrates capturou com uma poderosa máquina de relações públicas tentou tudo para silenciar a incómoda fonte de perturbação que semanalmente denunciou a estranha agenda de despachos do seu Ministério do Ambiente, as singularidades do seu curriculum académico e as peculiaridades dos seus invulgares negócios imobiliários.

Fragilizado pelas denúncias, Sócrates levou o tema ao Congresso do seu partido desferindo um despropositado ataque público aos órgãos de comunicação que o investigam, causando, pelos termos e tom usados, forte embaraço a muitos dos seus camaradas.

Os impropérios de Sócrates lançados frente a convidados estrangeiros no Congresso internacionalizaram a imagem do desrespeito que o Chefe do Governo português tem pela liberdade de expressão.

O caso, pela sua mão, passou de nacional a Ibérico. Em pleno período eleitoral, a Ibérica Prisa, ignorante do significado que para este país independente tem a liberdade de expressão, decidiu eliminar o foco de desconforto e transtorno estratégico do candidato socialista.

É indiferente se agiu por conta própria ou se foi sensível às muitas mensagens de vociferado desagrado que Sócrates foi enviando. Não interessa nada que de Espanha não venha nem boa brisa nem boa Prisa porque a criação do clima para este monumental acto censório é da exclusiva responsabilidade do próprio Sócrates.

É indiferente se a censura o favorece ou prejudica. O importante é ter em mente que, quem actua assim, não pode estar à frente de um país livre. Para Angola, Chile ou Líbia está bem. Para Portugal não serve. Mário Crespo in jn.sapo.pt, 2009-09-07


Nota: o "Dossiê Sócrates", que estava disponível em lulu.com e incluía documentos sobre a hipotética licenciatura de Pinto de Sousa, também foi censurado. Porreiro pá!

Nota 2: claro que Pinto de Sousa não serve, como não servia o "candidato sempre em pé", Santanete Lopes (mas esse não foi eleito e teve vida curta como PM), e como não serve o cacique da Madeira, que está no poder - eleito legítima e democraticamente, de acordo com as leis portuguesas inspiradas no direito pós-nazi (que não sei se será assim tão "pós"...) alemão - há mais de 30 anos.


Chatices...

Em poucos dias um livro teve, em Portugal, sem cartazes nem entrevistas, mais de oito mil downloads. Esse livro chama-se “O Dossiê Sócrates” e o seu autor, António Balbino Caldeira descreve no seu blogue, Do Portugal Profundo, como numa grande editora portuguesa passaram a determinado momento de um imenso interesse pelo seu livro para não mais lhe atenderem o telefone. As peripécias editoriais deste livro tal como doutros num passado recente são um bom indicador não da maior ou menor liberdade existente em Portugal mas sobretudo da disponibilidade das empresas e dos cidadãos para aceitarem um maior controlo das suas vidas por parte do Estado.

Não me parece provável que as editoras pelas quais passou “O Dossiê Sócrates” tenham recebido algum recado do gabinete do primeiro-ministro desaconselhando a publicação do livro quanto mais não seja pela prosaica razão que tal não é necessário: o país é pequeno, os negócios não vão bem, cada vez mais os empresários vivem à sombra da máquina estatal (e na comunicação social das campanhas publicitárias das várias empresas estatais), o crédito, via BCP e CGD, está nas mãos de quem governa. Mais vale perder um bom negócio do que comprometer outros. Em conclusão, ninguém quer ‘arranjar chatices’.

2009/09/09

Maddie: no país de todas as censuras

A 13ª Vara Cível de Lisboa deferiu hoje a providência cautelar apresentada pelo casal McCann, pais de Maddie – desaparecida na praia da Luz em Maio de 2007 – no sentido de proibir a venda do livro de Gonçalo Amaral, ex-inspector da Polícia Judiciária, que defende a tese de que seriam os pais os responsáveis pelo desaparecimento e morte da criança.

O livro Maddie – A Verdade da Mentira não pode ser vendido a partir de hoje, e todos os exemplares que haja em banca ou armazém deverão ser recolhidos.

O tribunal decidiu também acolher o pedido do casal McCann de proibir a distribuição do filme com base no mesmo livro, que chegou a ser exibido pela TVI.

O tribunal intima a Valentim de Carvalho e a Guerra e Paz a recolherem todos os livros que ainda tenham para venda nas livrarias, proibindo-as de cederem para outros países os direitos de exibição do vídeo e de venda do livro.

Segundo a mesma decisão, as editoras não podem publicar estes ou outros livros ou vídeos que defendam a mesma tese.

Por fim, proíbe Gonçalo Amaral de fazer declarações sobre o conteúdo do livro ou do vídeo. in sol.pt, 9 Setembro 2009

Nota: eu pessoalmente também acredito que Maddie não está viva e que foram os pais os responsáveis pelo seu desaparecimento. Mas isto não passa de uma "crença" minha, pois nem sequer li o livro de Amaral. Penso, e isto já não será propriamente uma crença, que os McCann não demonstraram grandes escrúpulos ao fazerem dinheiro à custa do desaparecimento da filha. Todo o "caso Maddie" foi atroz e tenebroso, mas é simplesmente vergonhosa a maneira como Portugal diz "amen" aos britânicos (e a todos...)! Depois da incompetência total nas diligências de investigação e na perservação do local do desaparecimento, assim como dos veículos utilizados pelos McCann (que não foram logo declarados suspeitos...), incompetência que possibilitou e alimentou a sistemática desacreditação das teses de Amaral, levada a cabo pela eficiente e muito profissional "máquina" criada pelos McCann, só faltava o lambe-botas...

Já agora: será que se pode vislumbrar alguma ligação entre o atraso da investigação sobre fluxos, para offshores, de dinheiro relacionado com o caso Freeport, investigação a cargo do Serious Fraud Office que é dependente do governo de Brown, da mesma família política do governo de Pinto de Sousa, e esta decisão do tribunal português? É que os McCann são amigos do Gordon Brown...


A máquina de fazer $$$ não pára

Londres, 09 Set (Lusa) - A família McCann continua a exigir o pagamento de uma indemnização de pelo menos 1,2 milhões de euros ao ex-inspector da PJ Gonçalo Amaral pelas suas declarações consideradas difamatórias a propósito do desaparecimento de Madeleine.

"Estamos a pedir 1,2 milhões de euros de indemnização neste momento, mas reservamos o direito de rever este número em alta à medida que forem encontradas mais provas sobre os lucros que foram feitos com este livro", disse hoje à Agência Lusa o advogado da família, Ed Smethurst. Lusa, 09 de Setembro de 2009, 15:45


English Translation

2009/09/04

Prisa nega interferência

O grupo espanhol Prisa negou hoje qualquer interferência na decisão que levou à suspensão de o Jornal Nacional de Sexta-feira da TVI, insistindo que se tratou de uma ordem da equipa de direcção em Lisboa e não da sede do grupo em Madrid.

"Foi uma decisão que se insere no âmbito da gestão da direcção da cadeia [de televisão] e com o envolvimento da Direcção-Geral da Media Capital", afirmou à agência Lusa fonte oficial da Prisa. "Quando se coloca à frente de uma empresa uma equipa de direcção temos que respeitar a sua decisão. E isso é tudo", acrescentou.

A mesma fonte rejeitou ainda notícias de que o próprio conselheiro delegado da Prisa, Juan Luis Cebrián, se tenha envolvido directamente no caso, insistindo que a Prisa "respeita a independência de gestão" de todas as suas empresas. "O conselheiro delegado tem o papel de marcar as directrizes gerais da empresa, definir por exemplo se vamos ou não reforçar a presença neste ou naquele país. Mas quando há uma empresa [Media Capital] que tem uma direcção-geral e um conselheiro delegado, são eles que gerem essa companhia", explicou.

Normalmente, frisou a fonte, decisões como estas na TVI são tomadas por cada equipa directiva, no local onde está, sem consultas prévias à sede em Madrid e porque a Prisa "confia nas equipas gestoras que tem em qualquer local". "Naturalmente que depois, a nível interno, há uma cadeia de comunicação, mas as decisões não são tomadas com consultas prévias", frisou.

Seria impensável, insistiu a fonte, considerar que cada decisão que se toma pelas empresas do grupo Prisa tivesse que passar pelo crivo da sede em Madrid. "A posição da Prisa é respeitar e confiar nas decisões das suas equipas de gestores, neste caso da TVI e da Media Capital", sublinhou, acrescentando que "cada uma das empresas tem a posição que tem e uma equipa de direcção que actua". "A Media Capital tem demonstrado ter mantido uma gestão que se evidencia nas audiências", continuou.

Em Julho de 2005, a Prisa, o maior grupo de comunicação social espanhol, que detém o "El País", a rádio cadena SER e o canal de televisão Cuatro, tornou-se o accionista principal da portuguesa Media Capital, entrando deste modo na TVI. Em Outubro de 2006, a Prisa lançou uma oferta pública de aquisição (OPA) sobre a totalidade das acções representativas do capital social da Media Capital, passando a controlar o grupo.
...
Vasco Pulido Valente, comentador residente do JN6, anunciou que irá deixar o programa Roda Livre, na TVI24, em solidariedade com a equipa do jornal. "Não é um acto próprio de um regime democrático. Não se suspende um programa com tão grande carga política, criticado pelo primeiro-ministro, processado por ele, em vésperas de eleições", disse ao PÚBLICO. 04.09.2009 - 08h25 (actualizada às 12h07)


O outro primo

Bernardo Pinto de Sousa, que se encontra actualmente em Benguela, Angola, é mencionado tanto no célebre DVD do processo como em trocas de emails entre os arguidos Charles Smith e Manuel Pedro.

José Paulo Bernardo Pinto de Sousa é primo de José Sócrates pelo lado paterno. E a investigação inclina-se para ele como uma das figuras-chave que podem esclarecer os indícios de pagamento de ‘luvas’ no processo de licenciamento do outlet de Alcochete e qual o envolvimento do primeiro-ministro.

Recorde-se que, em 2006, Alan Perkins – um funcionário da Freeport PLC enviado de Inglaterra para investigar o rombo financeiro que o empreendimento de Alcochete provocara na empresa, em Londres – filmou, durante duas horas e meia, uma conversa entre Charles Smith e João Cabral. Na gravação em DVD, estes dois consultores da Freeport em Portugal referem várias vezes, como seu ‘homem de mão’, um primo de José Sócrates. em sol.pt, 4 Setembro 2009

Nem bons ventos nem bons casamentos? *

A decisão de suspender o Jornal Nacional de sexta-feira partiu directamente do presidente da Prisa, em Espanha, e foi comunicada à direcção da TVI hoje de manhã, disseram à Lusa fontes da estação.

De acordo com as mesmas fontes, o director-geral da TVI, Bernardo Bairrão terá ainda tentado convencer a Prisa a não suspender o jornal de sexta-feira, apresentado por Manuela Moura Guedes.

O director-geral da TVI Bernardo Bairrão, que era vice de José Eduardo Moniz e que lhe sucedeu após a saída para o grupo Ongoing, tem estado incontactável.

O Jornal Nacional estava previsto recomeçar na próxima sexta-feira com uma investigação sobre o caso Freeport, com documentação "que contradiz as informações que têm sido publicadas", segundo disse à Lusa Manuela Moura Guedes.

O jornal de sexta da TVI é líder de audiências, não tem orçamento próprio e não é dispendioso, pois é praticamente todo feito com jornalistas da casa, asseguraram as fontes, desmentindo rumores de que a justificação para a decisão se prendia com os custos do noticiário.

A direcção de informação da TVI demitiu-se hoje em bloco devido ao cancelamento do Jornal de Sexta. Agência Lusa, 03 de Setembro de 2009 em ionline.pt

* ou será que há um dedinho tuga na decisão que "veio de Espanha"?

2009/09/02

Brincadeira?

Independentemente do "Dossiê Sócrates" ("dossiê": escrita não portuguesa, que por um acordo absurdo e anti-natural, passou a ser portuguesa, mas a ver vamos, como diz o cego...), que não me vou dar ao trabalho de ler (um "dossier Sócrates" sem a negociata Liscont/Mota-Engil, a 40 anos, com indeminizações do Estado caso os negócios não atinjam os volumes previstos, que noutros países seria um crime lesa-Estado, e outras negociatas do género, não é um verdadeiro "dossier Sócrates". Também lhe faltam aquelas extasiantes imagens das casas desenhadas por Sócrates... uma referência estética para o design universal... assim como o dvd em que Charles Smith afirma que Sócrates é corrupto...), seria interessante perceber estas imagens que recebi por e-mail. Pela letra e pela "cognição" que quem as preencheu simula (ou revela?!), parecem uma brincadeira. No entanto é bem conhecido que o Sócrates português foi do PPD (mas aparentemente não conseguiu ascender na hierarquia...).

Dossier Sócrates

2009/08/12

10%/10k = Portugal

O líder do Bloco de Esquerda criticou as desigualdades económicas do país, onde «dez mil milionários têm dez por cento do total da riqueza».

«É por isso que Portugal tem a maior desigualdade de rendimento, a maior diferença entre mais ricos e mais pobres, de todos os países da Europa, incluindo os que entraram recentemente na União Europeia. Não há nenhum dos 27 que tenha uma desigualdade tão grande entre as fortunas dos milionários e a pobreza que afecta dois milhões de portugueses», sublinhou.

Louçã criticou formas de enriquecimento como o «favorecimento», dizendo que são os casos de «pessoas amigas de gente poderosa».

«São os governantes económicos, que podem ditar aos ministros o que podem fazer», afirmou Francisco Louça, dando como exemplo o caso do negócio do terminal de contentores de Alcântara, cuja concessão «foi atribuída sem concurso à Mota Engil, do ex-ministro Jorge Coelho, por um período de 40 anos».

Outro dos negócios criticados foi a atribuição do Pavilhão do Futuro, no Parque das Nações, «definitivamente para o Casino de Lisboa».

«Américo Amorim é o homem mais rico de Portugal. E tornou-se rico porque, alem da fortuna feita na Cortiça, José Sócrates vendeu-lhe um terço da Galp», disse ainda Louça, exemplificando uma terceira forma de enriquecimento que são «as rendas».

O líder bloquista apontou ainda «a corrupção» como forma de enriquecimento ilícito e deu como exemplo o caso de Isaltino Morais, presidente da Câmara de Oeiras, condenado a sete anos de prisão após «ter ficado provado que depositou 1,3 milhões de euros numa conta da Suíça».

Louça defendeu que a economia portuguesa «é injusta, não é transparente e, sobretudo, é uma economia que não pede responsabilidades».

Considerou que esta situação «é grave para vida das pessoas».

O líder do Bloco defendeu que «é por isso que o Bloco de Esquerda quer transparência, justiça, democracia e responsabilidade na economia» e tem «a obrigação de não permitir que tudo não continue na mesma».

«Este exemplo do debate patético desta pequena crise entre a Presidência da República e o Governo é revelador do que em política não se deve fazer», considerou o dirigente do Bloco de Esquerda. in sol.pt, 19 Agosto 2009


167,8 por cento mais cara do que a proposta inicial!

No conjunto das seis concessões de auto-estradas que já foram adjudicadas, a diferença entre a proposta inicial e a final, que sucede à fase de negociações dos concursos, é em média de 57 por cento, apesar de todos os cadernos de encargos referirem que os valores finais não podem resultar em condições menos vantajosas para o concedente Estradas de Portugal, noticia hoje o Jornal de Negócios.
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Entretanto, a comissão de avaliação chumbou as adjudicações da Auto-Estrada do Centro e da Auto-Estrada do Pinhal Interior, sendo estes os dois únicos casos em que os concursos ficaram suspensos com a justificação da disparidade entre as propostas iniciais e as propostas finais.

Nas seis concessões que já tinham sido adjudicadas, a do Baixo Tejo é aquela em que a distância entre a proposta inicial e a que resultou da fase de negociação é maior, chegando aos 167,8 por cento: o agrupamento liderado pela Brisa acabou por contratualizar a concessão por um valor de 309 milhões de euros, quando a proposta inicial apontava para um esforço financeiro líquido para a Estradas de Portugal de 115 milhões de euros.
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No entanto, desta vez a comissão de avaliação do concurso para a Auto-Estrada do Centro considerou "ilegal" a adjudicação dessa concessão ao consórcio liderado pela Mota-Engil, com base numa diferença de 120 por cento entre a proposta apresentada na primeira fase do concurso e a fase de negociações. O relatório final ainda é desconhecido, mas tudo aponta para a anulação do concurso, indica o jornal.

Quanto à concessão do Pinhal Interior, houve um agravamento de 59,6 por cento na proposta da Mota-Engil, classificada em primeiro lugar, e a Estradas de Portugal quer abrir uma nova fase de negociações com propostas financeiras mais baixas.

A Caixa Geral de Depósitos financiou as seis concessões já adjudicadas. in economia.publico.clix.pt


Farmácias nos hospitais: negócio de milhões

Consultor do governo, co-autor da legislação que regula as farmácias dos hospitais, divide o escritório de advogados com o representante da sociedade que ganhou o concurso para as explorar.

Dois advogados, um mesmo escritório. O representante da Sociedade Central Farmacêutica Hospitalar - consultora de cinco vencedores de concursos públicos para a abertura de farmácias em hospitais - partilha o escritório com o assessor jurídico do Ministério da Saúde que colaborou na elaboração da lei que permitiu a abertura destes estabelecimentos.
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A abertura de farmácias em hospitais é um negócio de milhões. Só a do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, a maior do país, tem um movimento diário de cerca de quatro mil doentes e um volume de vendas de mais de 17 milhões de euros anuais.
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A polémica em torno das farmácias hospitalares voltou a rebentar com a mudança legislativa aprovada em Conselho de Ministros há duas semanas. O novo diploma - ainda para publicação em Diário da República - mudou as regras do jogo e estabeleceu limites máximos para os lucros oferecidos aos hospitais pelos participantes nos concursos públicos - o factor determinante para escolher o vencedor entre os interessados. Por uma questão de viabilidade financeira das próprias farmácias, o Ministério da Saúde admitia "a necessidade de alterar procedimentos dos concursos", impedindo as farmácias de oferecerem montantes difíceis de cumprir, como está a ser o caso das que abriram ao abrigo da anterior regulamentação.
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Um dia depois da reunião do Conselho de Ministros, João Cordeiro, presidente da ANF, convocou uma conferência de imprensa para ler uma declaração onde acusava o primeiro-ministro, José Sócrates, de "trair a palavra dada" porque "mentiu, voltou a mentir, mentiu repetidamente nas várias reuniões" e acusou o governo de favorecimento ao "confiar as farmácias hospitalares a um grupo empresarial sem rosto" e de "o proteger escandalosamente" com a alteração legislativa que acabou por ser restringida. Já conhecendo a versão final aprovada pelo governo, Cordeiro acabou o dia a desviar as críticas para o secretário de Estado da Saúde e a considerar "estar ultrapassada a razão na origem" do comunicado da mesma manhã. Rute Araújo in ionline.pt, 12 de Agosto de 2009


Governo deu 20 milhões a arquitectos sem concurso

A Parque Escolar, empresa pública criada em 2007 para construir e reabilitar escolas secundárias, já pagou mais de 20 milhões de euros a arquitectos que foram contratados por convite directo, revela o Público.

Segundo a edição de domingo do diário, foram adjudicados 105 projectos (que correspondem ao número de escolas já intervencionadas ou em intervenção) a 80 gabinetes de arquitectura, sem concurso público. Até ao final do ano estão previstas mais uma centena de adjudicações.

Desde 2007 e até ao final deste ano, mais de 200 escolas secundárias terão sido alvo de intervenção, num valor três vezes superior ao gasto na construção da Ponte Vasco da Gama.

Ao abrigo da legislação de excepção aprovada nos últimos dois anos para garantir a rapidez das obras, a Parque Escolar pode celebrar contratos por ajuste directo cujos montantes são, no caso dos projectos de arquitectura, oito vezes superiores ao limite fixado no regime normal.

Mas, e segundo o Público, a Parque Escolar continua obrigada a seguir regras de transparência que tem vindo a ignorar. Concretamente, a realização de concursos com pelo menos três propostas diferentes, cujos resultados têm que ser divulgados na Internet. Algo que não está a acontecer.

A Ordem dos Arquitectos, em declarações ao jornal, critica os métodos utilizados pela Parque Escolar e afirma que os arquitectos «perderam completamente as escolas», deixando de poder concorrer livremente pelos projectos, face aos convites a um número restrito de ateliês. in sol.pt, Domingo, 16 Agosto 2009


Capitalismo sem riscos

A deputada Helena Pinto, do Bloco de Esquerda, denunciou esta quarta-feira na Assembleia da República que a prorrogação da concessão à Liscont do terminal de contentores de Alcântara não é só um projecto megalómano; é sobretudo um projecto pensado e estruturado para garantir que a Liscont, empresa do Grupo Mota-Engil, presidido pelo ex-dirigente socialista Jorge Coelho, não corra riscos.

Na terça-feira à noite, o ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações (MOPTC) acusou o relatório do próprio Tribunal de Contas de ter "erros factuais elementares, omissões graves e afirmações infundadas" que retirariam razão às conclusões. Mas, apesar de acusar o TC de retirar conclusões "sem apresentar também os factos e análises que as suportam", o próprio Ministério não menciona que o contrato de concessão do terminal de contentores de Alcântara tem uma cláusula que obriga o Estado a compensar a Liscont, que por ajuste directo explora a concessão, se o negócio desta correr mal. Ou seja, como salienta o Tribunal de Contas no seu relatório de auditoria ao contrato de concessão, tornado público ontem, "o ónus do risco do negócio passa para o concedente público" e não para quem explora a concessão.

"Certamente por acaso, a página do contrato que transformava o latão da Liscont em ouro foi sonegada durante oito meses ao escrutínio e fiscalização da Assembleia da República", ironiza a deputada Helena Pinto.

Para a parlamentar bloquista, "todo o clausulado do aditamento ao Contrato de Concessão é blindado em favor da Liscont, prevendo o direito ao reequilíbrio financeiro em todas as situações e só permitindo o resgate da concessão a partir de 2025. Não há memória de um contrato assim. Este é o contrato mais prejudicial para o interesse público que o Estado português alguma vez celebrou."

O Governo julga-se certo, mais uma vez, diz Helena Pinto, e todos os outros estão errados. "Já não é só a oposição, já não são só os cidadãos de Lisboa que decidiram movimentar-se e colocar a questão na praça pública, agora é também o Tribunal de Contas. Estão todos errados. O Ministro julga-se certo e ainda defende que a prorrogação por mais 27 anos, sem concurso público, baseada e justificada por fantasias é a melhor solução para o Estado e não um benefício directo para a Liscont.

Em conclusão, Helena Pinto afirma que "há coisas que são as marcas de uma governação falhada. E esta é uma delas. A marca que ficará colada à pele de um Governo que favoreceu uma empresa privada em prejuízo do interesse público." in esquerda.net, 22-Jul-2009


França endurece discurso contra bónus dos banqueiros

A ministra da Economia de França, Christine Lagarde, voltou hoje a pedir a limitação dos pagamentos em bónus garantidos aos executivos negociantes dos bancos, a poucos dias de reuniões, na próxima semana, com dirigentes financeiros e com o Presidente Nicolas Sarkozy.

As reuniões foram marcadas depois de no início do mês se ter sabido que um dos maiores bancos do país, o BNP Paribas, tinha feito provisões de mil milhões de euros para possíveis pagamentos de prémios, e vão envolver também o ministro da Economia.

“Temos necessariamente de avançar e pôr fim a estes excessos e a estes abusos, que a opinião pública não tolera e que também incentivam a assunção de riscos”, disse Lagarde hoje na rádio pública France Inter.

As autoridades europeias e norte-americanas estão a acelerar os movimentos para refrear as tentativas de várias instituições financeiras – algumas das quais receberam ajudas estatais – para regressaram à cultura dos bónus milionários pagos anualmente aos seus profissionais de topo, que tem sido considerada responsável pela assunção de riscos exagerados no sector, que terão conduzido à crise financeira desencadeada em Setembro do ano passado.

No meio de contestação pública crescente no Reino Unido, o ministro das Finanças, Alistair Darling, disse ontem na imprensa que o seu Governo está disposto a apertar as leis sobre o pagamento de bónus aos banqueiros se a assunção de riscos excessivos continuar a ser premiada.

Na semana passada, um juiz norte-americano recusou-se a aprovar um acordo entre os reguladores e o Bank of America Corp relativo ao pagamento de bónus aos empregados da Merrill Lynch, por considerar que o documento estava ferido por falta de transparência e que por isso não podia determinar se era justo para o público. Benoit Tessier/Reuters in publico.pt, 17.08.2009 - 11h25


Desemprego atinge novo pico dos últimos 30 anos

No Verão, o desemprego costuma descer. Mas não este ano. O número de desempregados inscritos nos centros de emprego continua a crescer a um ritmo recorde, apenas comparável com o de 2003.

Em Julho passado, havia 496.683 desempregados, o valor mais alto de sempre, cerca de 30 por cento acima do verificado um ano antes. Face a Junho anterior, subiu 1,4 por cento, uma das maiores variações nesta altura do ano dos últimos 30 anos.

Os números ontem divulgados pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) mostram que o desemprego está ainda a acelerar desde que começou a crescer em Outubro de 2008. As entradas em cada mês de novos desempregados continuam a subir a ritmos elevados. Em Julho passado, foram 60 mil novos, ou seja, mais 18 por cento face a igual período de 2008. Mas o seu ritmo parece estar a abrandar desde que em Março passado subiu 53 por cento face a Março de 2008.

Face a este cenário, o presidente do IEFP preferiu sublinhar o lado mais positivo. "Não podemos dizer que o mercado de emprego está melhor, mas os valores negativos que vinham a ser apresentados desde o último trimestre do ano passado estão a ser sucessivamente mais pequenos, e isso é consentâneo com os dados da evolução da economia", disse Francisco Madelino à agência Lusa.

Na verdade, a economia, segundo o INE, apenas revelou que a actividade económica poderá ter "batido no fundo". No segundo trimestre de 2009, o produto interno bruto cresceu 0,3 por cento face ao primeiro trimestre.

Ou seja, o primeiro valor positivo desde o Verão passado, mas que ainda assim pouco altera a quebra de 3,7 por cento observada no primeiro trimestre de 2009 face ao mesmo período de 2008. O emprego total caiu 2,9 por cento no segundo trimestre face ao de 2008, um dos maiores trambolhões de sempre.

Retoma difícil

O ano de 2009 dificilmente registará uma retoma e não é espectável uma subida do emprego, muito menos uma absorção do desemprego. Os dados históricos das últimas três recessões mostram, aliás, que - após o início da retoma económica - a economia leva cerca de dois anos a reduzir o nível de desemprego.

Mas Francisco Madelino frisa antes uma "estabilização do crescimento do desemprego". Entre Novembro de 2008 e Abril deste ano, o número de desempregados registados pelo IEFP aumentou em 105 mil, enquanto, "desde Abril, há sete mil desempregados a mais". Mas esses não são os dados completos nem transparentes.

Só nos primeiros sete meses do ano, inscreveram-se 424 mil novos desempregados.

Apesar dessa enchente nunca antes vista nos últimos 30 anos, o total de desempregados registados subiu apenas 80 mil pessoas (de 416 mil em Dezembro passado para os 496 mil em Julho). Nesse período, o IEFP conseguiu colocar 35 mil pessoas. Mas as restantes 307 mil inscrições foram anuladas pelos centros de emprego. Só em Julho passado foram 46 mil.

Este nível de anulação em sete meses é dos mais elevados, somente ultrapassado em igual período de 2006 e 2007. Mas quando se compara o peso das anulações face ao número dos novos desempregados inscritos de Janeiro a Julho, a percentagem - 75 por cento em 2009 - é das mais baixas nos registos do IEFP. A média ronda os 90 por cento e anos houve - como 2006 ou 2007 - que se ultrapassou mesmo o total dos novos inscritos.

Em geral, a anulação de inscrições acontece por diversos motivos. Entre outros, porque o desempregado encontrou sozinho emprego, porque faltou à convocatória pelos centros de emprego, esteve em formação profissional, foi alvo de medidas de emprego ou reformou-se.

Mas desconhece-se a razão efectiva de um corte tão pronunciado porque o conselho directivo do IEFP se recusa a divulgar valores estatísticos mensais dos motivos de anulação, por considerar que os números anuais são os indicados para análise de "normalidade". Isso mesmo quando parceiros sociais com assento no conselho de administração do IEFP o exigem igualmente.

Se o total de desempregados registados parece, há meses, resistir à barreira psicológica dos 500 mil desempregados, a tendência de desemprego por sectores ilustra o panorama geral de subida do desemprego.

A indústria transformadora registou a subida mais pronunciada do desemprego. Face a Julho de 2008, o total de desempregados subiu 44 por cento, tocando 171 mil pessoas. Nos serviços - sector em que a quebra de emprego, segundo o INE, apenas se começou a verificar no segundo trimestre deste ano -, o desemprego registado subiu mais de 26 por cento face a Julho de 2008. E na agricultura e pescas atinge os 20 por cento.

E, por ramos de actividade, as subidas são ainda mais assustadoras. A construção e a indústria de vestuário, que concentram metade dos desempregados da indústria, tiveram aumentos homólogos de desemprego respectivamente de 77 e 35 por cento. No comércio, o imobiliário, o comércio e a hotelaria que abrangem 60 por cento dos 255 mil desempregados dos serviços, os aumentos foram de 20, 48 e 26 por cento. O número de desempregados vindos de actividades públicas subiu três por cento. João Ramos de Almeida in publico.pt, 18.08.2009 - 07h16


Liberdade de voto

Vi, como não podia ter deixado de ver, a indignação de Moita Flores com a inclusão nas listas de deputados do PSD de gente pronunciada. Já aqui me referi ao assunto, e até já louvei Marques Mendes, centrifugado pelo sistema, pelo seu bom combate que lhe valeu perder o executivo da Câmara de Lisboa há dois anos. Mas a ética quando doi aos seus partidários ainda tem mais valor. Já a ética como arma de arremesso, a mais usada, pode levar a uma extraordinária liberdade de voto nos próximos actos eleitorais. Não sei se os institutos de sondagens vão dar conta do recado...


Mobbing

É uma prática bem portuguesa, ao contrário do que muitos poderão pensar. Aqui não se mata ninguém no Forum; as pessoas são "desaparecidas" por processos mágicos. Deixam de ser convidadas; depois, deixam de ser referidas, não aparecem nas reuniões, corta-se-lhes uma fatia do salário, depois outra e, finalmente, desaparecem. Um dos mais praticados processos de destruição de identidade pública leva, sintomaticamente, um designativo que poucos conseguirão identificar: mobbing.
...
O mobbing é uma prática complexa, tão complexa que raramente se conseguem reunir provas que confirmem a sua existência; daí que seja um dos expedientes mais usados num país onde a cobardia prevalece. Meias-palavras, uns pós de intriga, uma pitada de difamação, muita invejazinha, medíocres e tolos à mistura e, pronto, uma vítima isolada, denegrida, intimidada e "desaparecida". Este processo campeia nos ministérios, nas universidades, nas câmaras, nas empresas públicas e privadas. Praticam-na, sobretudo, os desclassificados trabalhando em rede, os tolos ciosos das suas quintas e campanários, os descerebrados e incapazes aterrados pela perspectiva de se baterem contra homens (e mulheres) dotados de coluna vertebral, princípios e capacidade de realização.

Se atentarmos, o mobbing não se realiza apenas contra pessoas singulares: há-o contra grupos, empresas, partidos cuja existência pode, de algum modo, diminuir a eficácia de uma sociedade fundada no faz-de-conta. Um dos mais bem sucedidos processos de mobbing estriba-se no imenso arsenal de possibilidades que o ridículo apresenta. Rir-se de uma pessoa/grupo, contar anedotas, deixar um rasto de suspeições, troçar de um corte de cabelo, de uma característica da indumentária, do sotaque, da forma de andar são, acreditem-me, bem mais eficazes que rebater princípios.
...
Ontem encontrei um velho conhecido, homem probo, respeitador, esforçado e, para mais, de uma inocência que perdi há muito. Disse-me, envergonhado, quase que desculpando-se, que perdera o emprego. Fiquei surpreendido, pois tenho-o como alguém capaz de ultrapassar em dedicação ao trabalho a generalidade dos outros bípedes. Mas logo, implacável e nua, caíu a razão: "trabalhei para eles durante dez anos, mas logo que terminei o doutoramento senti que tudo se havia conjugado para me perder". Apertei-lhe a mão e vi-o, vergado, quase velho, afastar-se com passo curto, encostado às paredes. Disse para os meus botões: outra vítima do mobbing !

Que terra notável esta, que "defeitos os tem todos, só lhe faltando as qualidades" (Almada).


Mais caro do que na Escandinávia

Os valores surgem num relatório hoje divulgado pela OCDE sobre as Comunicações, onde se revela que em média em Portugal paga-se cerca de 108 euros por um uso baixo de telemóvel (360 minutos por ano), enquanto na Dinamarca, o país onde a diferença é maior, paga-se pouco mais de 35 euros pelo mesmo nível de utilização.

Em relação a uma utilização média, um português paga 261 euros por ano contra 100 euros no caso dinamarquês ou 93 euros, quando é analisada a Finlândia ou os Países Baixos.

O mesmo estudo revela que nos níveis de consumo mais elevados, relativos a mais de 1680 minutos por ano, as diferenças são ainda mais superiores, dado que enquanto em Portugal paga-se 437 euros por ano, na Dinamarca o valor cai para os 129 euros.

Comparativamente, na Holanda, Suécia e Finlândia, os consumidores pagam respectivamente 132, 139 e 140 euros pelo mesmo nível de consumo.

Segundo o estudo, o país que tem os preços de utilização de telemóvel mais elevados são os EUA, onde um utilizador de nível baixo paga cerca de 197 euros por ano.

Espanha, por seu lado, é o país onde o nível de consumo elevado é mais caro, atingindo os 676 euros. in sol.pt, 11 de Agosto


Coisas de curtíssimo prazo

A subida de 0,3 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo semestre de 2009 tem efeitos de curto prazo e não significa que a economia portuguesa tenha batido no fundo, alertou hoje o fiscalista Henrique Medina Carreira.

"São coisas de curtíssimo prazo (...) não vale a pena estar a embandeirar", afirmou o antigo ministro das Finanças em declarações à agência Lusa.

O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou hoje que economia portuguesa inverteu a tendência de queda, ao crescer 0,3 por cento no segundo trimestre do ano em relação aos três meses anteriores.

Medina Carreira considerou que os dados do segundo trimestre de 2009 não permitem tirar grandes conclusões sobre o estado da economia portuguesa. "Oxalá que já tenhamos batido no fundo, mas ainda estamos no fundo, ou perto", referiu.

Sublinhando que os problemas económicos portugueses são estruturais e que se prendem com as dificuldades da economia portuguesa vender ao exterior, o fiscalista apontou os apoios estatais à economia como uma das explicações para o crescimento do PIB no segundo trimestre.

"Provavelmente, o Governo pagou mais a tempo e horas, há mais empréstimo às empresas, e isto teve alguns reflexos. E ainda bem que teve, mas não é a salvação [da economia portuguesa]", afirmou.

O crescimento de 0,3 por cento "deve-se também a um aumento do consumo público e um pouco de consumo privado", acrescentou Medina Carreira, insistindo no entanto que "os problemas de Portugal são de fundo, são estruturais".

Medina Carreira defendeu que o aumento das exportações é vital para o futuro da economia portuguesa e lamentou o facto dos empresários portugueses não se conseguirem impor nos mercados estrangeiros, sobretudo num cenário de economias abertas e com Portugal na Zona Euro, que impede a desvalorização da moeda como forma de tornar os produtos portugueses mais competitivos no exterior.

"Só podemos crescer de forma sustentável e saudável se conseguirmos vender muito mais lá fora, e vender produtos que sejam competitivos (...) O essencial, que é investimento e a exportação, ainda não existe", concluiu Medina Carreira. in publico.pt, 13.08.2009 - 17h07 Lusa


Crescimento sustentado e criação de emprego

O ministro das Finanças afirmou hoje que o crescimento do PIB no segundo trimestre "ainda não é o fim da crise que nos tem afectado".

Teixeira dos Santos sustenta que os dados do Instituto Nacional de Estatística, divulgado hoje, mostram que terminou a "recessão técnica iniciada em meados de 2008". Mas para que a crise acabe, é preciso que "o crescimento se mantenha de forma sustentada e que isso se reflicta na criação de emprego." 13.08.2009 - 12h57 - PÚBLICO


3 grandes diferenças entre o PCP e o BE

Toda a gente sabe que existem grandes diferenças entre o PCP e o BE. Nem o PC as esconde, nem o Bloco as pretende dissimular. Registo, desde já, três grandes clivagens:

1. O PCP mantém intacta a visão estalinista sobre o indivíduo e os Direitos, Liberdades e Garantias fundamentais. Por isso, a questão das subjectividades e da política da diferença e do vivido devem subjugar-se aos princípios tidos como universais e colocados no topo da hierarquia. Desta forma, as opressões de género, de base étnica e cultural e de orientação sexual são negligenciadas face à opressão no trabalho, resultando esta, por sua vez, de acordo com a vulgata marxista, da questão da propriedade dos meios de produção. A legalização do aborto é uma causa do PCP porque incide sobre as mulheres trabalhadoras. Mas a paridade já não o é e os direitos LGBT muito menos. Por outro lado, a eliminação física de adversários e o seu silenciamento serão sempre justificáveis face a fins supremos (visão teleológica da História). Os massacres da nomenclatura chinesa sobre as minorias muçulmanas ou sobre dissidentes políticos encontram razão na necessidade de preservar um Partido Comunista ao comando do Estado, mesmo que a economia se reja já pelas leis selvagens de um capitalismo desenfreado. O mesmo se passa face ao tresloucado regime da Coreia Norte que Cunhal condenou como sendo um regime de sucessão dinástica mas que a «geração Jerónimo» recuperou como genuína experiência socialista. O Bloco, pelo contrário, percebe que o poder é multidimensional e proclama a sua presença em todas as lutas contra as multiformes garras da dominação.

2. Para o PCP a ideologia reside numa doutrina oficialmente estabelecida e com interpretações e intérpretes limitados. Desta forma, extirpa-se a própria dialéctica no seu movimento perpétuo e prefere-se a cristalização monolítica e propagandística, assente numa série de palavras e sub-conceitos fetiche que devem ser repetidos à exaustão para se tornarem discurso «Comunista». Naturalmente, o «Discurso Comunista é monopólio do «Partido Comunista». O Bloco prefere uma orientação (socialismo), com interpretações e leituras diversificadas, mas assentes na transcendência do capitalismo como mínimo e máximo denominador comum. Assim, debruça-se sobre questões concretas, abre-se ao quotidiano e experimenta novas linguagens que misturam o erudito e o popular, o local e o global.

3. O PC insiste no centralismo democrático e no controlo das organizações satélite. O Partido é a Razão primeira e última. Se a realidade contradiz o Partido é a realidade que está mal e jamais o Partido. Por isso, a pureza ideológica significa um Partido pequeno porque limitado nas suas escolhas. O Bloco insiste no direito à tendência e entende a forma partido como derivação dos novos movimentos sociais.

Perante tais diferenças, a afinidade de pontos de vista é todavia grande. No Parlamento, PCP e BE coincidem na maior parte das votações. Claro que, desta forma, as descoincidências se tornam mais visíveis e elucidativas. Mas nada justifica o chorrilho de insultos com que o PC brinda o BE («caso de psiquiatria política»; «em conluio com o grande capital», comparações entre Louçã e Salazar; etc.), tampouco o ataque pessoalizado e torpe a dirigentes do Bloco.

Percebe-se, mas não se pode aceitar. Está em curso uma segunda refundação na esquerda portuguesa (a primeira foi a própria génese do Bloco). A «geração Jerónimo» tem medo. Medo de juntar forças pela mudança. Os «puros», é sabido, nunca se misturam. João Teixeira Lopes in esquerda.net, 12-Ago-2009


Monstros violentos

Dois agentes da PSP, agredidos na Amadora em 2004 quando estavam em serviço, não vão ser indemnizados por danos morais e físicos e foram obrigados a pagar as custas do processo porque os agressores, condenados em tribunal, apresentaram atestado de pobreza.

Segundo o “Diário de Notícias”, o tribunal já notificou os polícias da divisão de trânsito da Amadora para pagarem, cada um, 400 euros.

A agressão aconteceu em 2004 quando os dois polícias foram alertados para uma desordem num bairro da Amadora. Um foi agredido com murros no peito e o outro com um pontapé. Este teve de receber tratamento hospitalar.

O Ministério Público deduziu acusação contra os dois agressores por crimes contra a autoridade e os polícias pediram uma indemnização de três mil euros por danos físicos, patrimoniais e morais. Os dois arguidos foram condenados a pagar uma multa mas como apresentaram atestado de pobreza, por estarem desempregados, ficaram livres de o fazer.

Mas, cinco anos depois, os polícias foram notificados para pagar as custas do processo por terem feito o pedido de indemnização cível, embora não tenham recebido nada.

“Quando o polícia é agredido acaba sempre em maus lençóis”, comentou Paulo Rodrigues, presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia, ao “Diário de Notícias”. 19.08.2009 - 10h05 PÚBLICO


Monstros tugas

Dois guardas da GNR foram agredidos hoje de madrugada em Coruche na sequência de desacatos provocados por um grupo de populares nas festas do concelho e num posto policial, disse à Lusa fonte da corporação.

Segundo a mesma fonte, os guardas tentaram deter um homem que estava a destruir as casas de banho do recinto das festas pouco depois das 2h30, mas o cidadão ripostou, tal como outros homens que estavam no local, e um dos elementos da GNR acabou por ser atingido por um golpe de navalha nas costas, embora sem gravidade.

«Os indivíduos foram levados para o posto para identificação e um deles começou a partir várias coisas. Os guardas tiveram de usar a força para impedi-lo e, no meio da confusão, ele fugiu e um outro guarda foi agredido», explicou.

Ambos os elementos da GNR feridos foram assistidos no Centro de Saúde de Coruche.

A Lusa contactou a GNR de Coruche para obter pormenores sobre os danos materiais provocados pelos populares, mas o posto escusou-se a prestar declarações. in sol.pt, 16 Agosto 2009


Monstros tugas (2)

A ministra referia-se concretamente a adultos que, nos centros de atendimento, se recusaram a pôr a máscara de protecção e a mães que declararam que levariam os filhos às urgências dos hospitais para contagiar outras pessoas, uma vez que as suas crianças também tinham sido infectadas.

Em causa pode estar o crime de propagação de doença contagiosa punida com uma pena entre 1 a 8 anos se for de forma deliberada e punível até cinco anos em caso de negligência. Por Lusa in publico.pt (especial Gripe A)


Brasil no seu melhor

Wallace Souza, um antigo polícia e apresentador de um programa de televisão no Brasil, está a ser acusado de envolvimento em tráfico de droga e de ordenar assassínios para liquidar rivais e aumentar as audiências do seu programa.

Souza, que é deputado pelo estado do Amazonas para além de apresentador do programa sobre criminalidade, diz que é inocente e que está a ser vítima de um complot.

O programa foi suspenso no ano passado à medida que a polícia progredia na investigação. Alguns assassínios apresentados no programa terão sido ordenados pelo próprio Souza ou pelo seu filho, Rafael. A polícia acredita que os dois terão "encomendado" pelo menos cinco assassínios.

“As investigações apontam no sentido de que eles chegavam, na verdade, até a criar factos. Se determinava que crimes fossem cometidos para gerar notícia para o grupo, para o programa”, disse o secretário de Informação do Amazonas, Thomaz Augusto Corrêa Vasconcelos.

O secretário de Estado da Segurança, Francisco Cavalcanti, afirmou que não há dúvidas de que “em várias ocasiões eles fabricaram factos, fabricaram notícias”. Mais: o caso “tem todas as características de crime organizado mesmo”, disse recentemente Cavalcanti. “Tem braço no Ministério Público, tem braço na política, tem braço nas polícias.” Os juízes que investigam o caso andam com escolta 24 horas por dia por causa de ameaças de morte.

Wallace Souza mantém-se em liberdade porque o cargo de deputado lhe dá imunidade. O seu filho foi entretanto detido, acusado de assassínio, tráfico de droga e posse ilegal de armas, e outras 15 pessoas alegadamente ligadas ao “caso Wallace” foram também presas. in publico.pt, 12.08.2009, 10h10

2009/07/18

Casa Pia II: pais vendem filhos

Durante anos a fio, o bancário estava habituado a sair do trabalho ao fim da tarde e abrir as portas de casa a crianças. Terão sido dezenas de menores violados e filmados pelo pedófilo no seu andar em Queluz, Sintra. Já reformado, o homem de 61 anos mantém os hábitos sexuais, mas, agora que os ex-parceiros são adultos, faz negócio com eles para que o deixem violar os seus filhos – meninos de apenas dez, onze anos.

A Divisão de Investigação Criminal (DIC) da PSP já tem provas de pelo menos uma situação de negócio com os pais das vítimas, entre mais de oito casos de crianças alvo de abusos. Mas o procurador da República João Guerra (que acusou Carlos Cruz, Jorge Ritto e Bibi, entre outros, no processo Casa Pia) optou por nem apresentar o bancário ao juiz, deixando-o à solta, com simples termo de identidade e residência.

Esta situação foi denunciada, ainda em 2007, por Catalina Pestana aos serviços do Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa, que remeteu o caso à Judiciária. Passou mais de um ano com o inquérito num impasse, mas há oito meses avançou a DIC da PSP, comandada pelo subintendente Dário Prates.

A ex-provedora da Casa Pia diz ao CM ter denunciado este caso 'por algumas das vítimas serem crianças do Colégio Maria Pia [da Casa Pia, em Chelas, Lisboa]' e depois de lhe terem contado 'que um homem ia lá buscar crianças'.

De facto, a investigação da PSP apurou que o homem é um ex-bancário, a viver num prédio de Queluz, que se encontrava com a maior parte das crianças no supermercado Feira Nova de Chelas. Aliciava-as com brinquedos, outros presentes e refeições. Há pelo menos um caso em que a contrapartida era dinheiro para os pais das vítimas, também eles violados na infância pelo pedófilo. Para além de crianças 'da Casa Pia', segundo Catalina Pestana, de um total de mais de oito abusos o Correio da Manhã sabe que há casos da Margem Sul. in correiodamanha.pt, 17 Julho 2009 - 02h00


English Translation

2009/07/17

Freeport II (a "roubalheira")

O relatório final da auditoria do Tribunal de Contas (TC) ao contrato de exploração do terminal de contentores de Alcântara, em Lisboa – feito entre o Governo, a Administração do Porto de Lisboa (APL) e a empresa Liscont, do grupo Mota-Engil –, foi aprovado esta semana e confirma tudo o que já fora concluído pelos juízes no relatório preliminar.

O plenário dos juízes da 2.ª secção do TC, depois de ouvidos os argumentos quer da APL quer do Ministério das Obras Públicas, manteve a posição inicial de que o contrato feito com a Liscont – sem concurso público e alargando a concessão por mais 27 anos – é ruinoso para o Estado e não acautela o interesse público. E nem sequer faz uma previsão realista do negócio que serve de base ao modelo financeiro e no qual assenta todo o contrato.

«Foi um negócio ruinoso para o Estado», que «só serviu os interesses do promotor», confirmou uma fonte do Tribunal de Contas, sobre as conclusões desta auditoria.

Segundo soube o SOL, as respostas enviadas ao Tribunal pelo Governo e pela APL, para efeitos de contraditório, apenas reforçaram as conclusões negativas dos conselheiros da 2.ª secção. E, em alguns casos, até aumentaram a sua desconfiança relativamente às consequências deste contrato para os interesses do Estado.

Um dos principais problemas colocados pelos juízes do TC prende-se com o facto de não ter sido realizado concurso público para alargar o prazo desta concessão de exploração de um serviço público. O Governo optou pelo ajuste directo à Liscont, alegando que esta empresa privada faria, a suas expensas, as obras de alargamento do terminal de Alcântara, para permitir que, a prazo, o movimento de contentores atingisse o milhão por ano.

O modelo financeiro e as projecções comerciais em que assenta todo o negócio são também duramente questionadas pelo Tribunal de Contas. in sol.pt, 17 Julho

Nota: o presidente do conselho de administração da Mota-Engil é Jorge Coelho, ex-ministro num governo PS e ex-dirigente de topo do partido no governo.


English Translation

2009/06/17

Offshore "socialista"

"A última novidade do Governo socialista do senhor presidente do Conselho é uma coisa chamada Fundação para as Comunicações Móveis. Esta entidade, cozinhada no gabinete do ministro Lino ex-TGV e ex-aeroportos da Ota e Alcochete, foi a contrapartida exigida pelo Governo a três operadores para obterem as licenças dos telemóveis de terceira geração. É privada, tem um conselho geral com três membros nomeados pelo Executivo e um conselho de administração com três elementos, presidido por um ex-membro do gabinete do impagável Lino, devidamente remunerado, e dois assessores do senhor que está cansado de aturar o senhor presidente do Conselho e já não tem idade para ser ministro.

Chegados aqui vamos à massa. Os três operadores meteram até agora na querida fundação 400 milhões de euros, uma parte do preço a pagar pelas tais licenças. O Estado, por sua vez, desviou para esta verdadeira offshore socialista 61 milhões de euros. E pronto. De uma penada temos uma entidade privada, que até agora sacou 461 milhões de euros, gerida por três fiéis do ministro Lino, isto é, três fiéis do senhor presidente do Conselho. É evidente que esta querida fundação não é controlada por nenhuma autoridade e movimenta a massa como quer e lhe apetece, isto é, como apetece ao senhor presidente do Conselho.

Chegados aqui tudo é possível. Chegados aqui é legítimo considerar que as Fátimas, Isaltinos, Valentins, Avelinos e comandita deste sítio manhoso, pobre, deprimido, cheio de larápios e obviamente cada vez mais mal frequentado não passam de uns meros aprendizes de feiticeiro ao pé da equipa dirigida com mão de ferro e rédea curta pelo senhor presidente do Conselho.


Fim ao "liberalismo"

Estamos a atravessar uma das mais severas crises económicas globais de sempre. Na sua origem está uma combinação letal de desigualdades, de especulação financeira, de mercados mal regulados e de escassa capacidade política. A contracção da procura é agora geral e o que parece racional para cada agente económico privado – como seja adiar investimentos porque o futuro é incerto, ou dificultar o acesso ao crédito, porque a confiança escasseia – tende a gerar um resultado global desastroso.

É por isso imprescindível definir claramente as prioridades. Em Portugal, como aliás por toda a Europa e por todo o mundo, o combate ao desemprego tem de ser o objectivo central da política económica. Uma taxa de desemprego de 10% é o sinal de uma economia falhada, que custa a Portugal cerca de 21 mil milhões de euros por ano – a capacidade de produção que é desperdiçada, mais a despesa em custos de protecção social. Em cada ano, perde-se assim mais do que o total das despesas previstas para todas as grandes obras públicas nos próximos quinze anos. O desemprego é o problema. Esquecer esta dimensão é obscurecer o essencial e subestimar gravemente os riscos de uma crise social dramática.

A crise global exige responsabilidade a todos os que intervêm na esfera pública. Assim, respondemos a esta ameaça de deflação e de depressão propondo um vigoroso estímulo contracíclico, coordenado à escala europeia e global, que só pode partir dos poderes públicos. Recusamos qualquer política de facilidade ou qualquer repetição dos erros anteriores. É necessária uma nova política económica e financeira.

Nesse sentido, para além da intervenção reguladora no sistema financeiro, a estratégia pública mais eficaz assenta numa política orçamental que assuma o papel positivo da despesa e sobretudo do investimento, única forma de garantir que a procura é dinamizada e que os impactos sociais desfavoráveis da crise são minimizados. Os recursos públicos devem ser prioritariamente canalizados para projectos com impactos favoráveis no emprego, no ambiente e no reforço da coesão territorial e social: reabilitação do parque habitacional, expansão da utilização de energias renováveis, modernização da rede eléctrica, projectos de investimento em infra-estruturas de transporte úteis, com destaque para a rede ferroviária, investimentos na protecção social que combatam a pobreza e que promovam a melhoria dos serviços públicos essenciais como saúde, justiça e educação.

Desta forma, os recursos públicos servirão não só para contrariar a quebra conjuntural da procura privada, mas também abrirão um caminho para o futuro: melhores infra-estruturas e capacidades humanas, um território mais coeso e competitivo, capaz de suportar iniciativas inovadoras na área da produção de bens transaccionáveis.

Dizemo-lo com clareza porque sabemos que as dúvidas, pertinentes ou não, acerca de alguns grandes projectos podem ser instrumentalizadas para defender que o investimento público nunca é mais do que um fardo incomportável que irá recair sobre as gerações vindouras. Trata-se naturalmente de uma opinião contestável e que reflecte uma escolha político-ideológica que ganharia em ser assumida como tal, em vez de se apresentar como uma sobranceira visão definitiva, destinada a impor à sociedade uma noção unilateral e pretensamente científica.

Ao contrário dos que pretendem limitar as opções, e em nome do direito ao debate e à expressão do contraditório, parece-nos claro que as economias não podem sair espontaneamente da crise sem causar devastação económica e sofrimento social evitáveis e um lastro negativo de destruição das capacidades humanas, por via do desemprego e da fragmentação social. Consideramos que é precisamente em nome das gerações vindouras que temos de exigir um esforço internacional para sair da crise e desenvolver uma política de pleno emprego. Uma economia e uma sociedade estagnadas não serão, certamente, fonte de oportunidades futuras.

A pretexto dos desequilíbrios externos da economia portuguesa, dizem-nos que devemos esperar que a retoma venha de fora através de um aumento da procura dirigida às exportações. Propõe-se assim uma atitude passiva que corre o risco de se generalizar entre os governos, prolongando o colapso em curso das relações económicas internacionais, e mantendo em todo o caso a posição periférica da economia portuguesa.

Ora, é preciso não esquecer que as exportações de uns são sempre importações de outros. Por isso, temos de pensar sobre os nossos problemas no quadro europeu e global onde nos inserimos. A competitividade futura da economia portuguesa depende também da adopção, pelo menos à escala europeia, de mecanismos de correcção dos desequilíbrios comerciais sistemáticos de que temos sido vítimas.

Julgamos que não é possível neste momento enfrentar os problemas da economia portuguesa sem dar prioridade à resposta às dinâmicas recessivas de destruição de emprego. Esta intervenção, que passa pelo investimento público económica e socialmente útil, tem de se inscrever num movimento mais vasto de mudança das estruturas económicas que geraram a actual crise. Para isso, é indispensável uma nova abordagem da restrição orçamental europeia que seja contracíclica e que promova a convergência regional.

O governo português deve então exigir uma resposta muito mais coordenada por parte da União Europeia e dar mostras de disponibilidade para participar no esforço colectivo. Isto vale tanto para as políticas destinadas a debelar a crise como para o esforço de regulação dos fluxos económicos que é imprescindível para que ela não se repita. Precisamos de mais Europa e menos passividade no combate à crise.

Por isso, como cidadãos de diversas sensibilidades, apelamos à opinião pública para que seja exigente na escolha de respostas a esta recessão, para evitar que o sofrimento social se prolongue.

Manuel Brandão Alves, Economista, Professor Catedrático, ISEG; Carlos Bastien, Economista, Professor Associado, ISEG; Jorge Bateira, Economista, doutorando, Universidade de Manchester; Manuel Branco, Economista, Professor Associado, Universidade de Évora; João Castro Caldas, Engenheiro Agrónomo, Professor Catedrático, Departamento de Economia Agrária e Sociologia Rural do Instituto Superior de Agronomia; José Castro Caldas, Economista, Investigador, Centro de Estudos Sociais; Luis Francisco Carvalho, Economista, Professor Auxiliar, ISCTE-IUL; João Pinto e Castro, Economista e Gestor; Ana Narciso Costa, Economista, Professora Auxiliar, ISCTE-IUL; Pedro Costa, Economista, Professor Auxiliar, ISCTE-IUL; Artur Cristóvão, Professor Catedrático, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro; Álvaro Domingues, Geógrafo, Professor Associado, Faculdade da Arquitectura da Universidade do Porto; Paulo Areosa Feio, Geógrafo, Dirigente da Administração Pública; Fátima Ferreiro, Professora Auxiliar, Departamento de Economia, ISCTE-IUL; Carlos Figueiredo, Economista; Carlos Fortuna, Sociólogo, Professor Catedrático, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra; André Freire, Politólogo, Professor Auxiliar, ISCTE; João Galamba, Economista, doutorando em filosofia, FCSH-UNL; Jorge Gaspar, Geógrafo, Professor Catedrático, Universidade de Lisboa; Isabel Carvalho Guerra, Socióloga, Professora Catedrática; João Guerreiro, Economista, Professor Catedrático, Universidade do Algarve; José Manuel Henriques, Economista, Professor Auxiliar, ISCTE-IUL; Pedro Hespanha, Sociólogo, Professor Associado, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra; João Leão, Economista, Professor Auxiliar, ISCTE-IUL; António Simões Lopes, Economista, Professor Catedrático, ISEG; Margarida Chagas Lopes, Economista, Professora Auxiliar, ISEG; Raul Lopes, Economista, Professor Associado, ISCTE-IUL; Francisco Louçã, Economista, Professor Catedrático, ISEG; Ricardo Paes Mamede, Economista, Professor Auxiliar, ISCTE-IUL; Tiago Mata, Historiador e Economista, Universidade de Amesterdão; Manuel Belo Moreira, Engenheiro Agrónomo, Professor Catedrático, Departamento de Economia Agrária e Sociologia Rural, Instituto Superior de Agronomia; Mário Murteira, Economista, Professor Emérito, ISCTE- IUL; Vitor Neves, Economista, Professor Auxiliar, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra; José Penedos, Gestor; Tiago Santos Pereira, Investigador, Centro de Estudos Sociais; Adriano Pimpão, Economista, Professor Catedrático, Universidade do Algarve; Alexandre Azevedo Pinto, Economista, Investigador, Faculdade de Economia da Universidade do Porto; Margarida Proença, Economista, Professora Catedrática, Escola de Economia e Gestão, Universidade do Minho; José Reis, Economista, Professor Catedrático, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra; João Rodrigues, Economista, doutorando, Universidade de Manchester; José Manuel Rolo, Economista, Investigador, Instituto de Ciências Sociais; António Romão, Economista, Professor Catedrático, ISEG-UTL; Ana Cordeiro Santos, Economista, Investigadora, Centro de Estudos Sociais; Boaventura de Sousa Santos, Sociólogo, Professor Catedrático, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra; Carlos Santos, Economista, Professor Auxiliar, Universidade Católica Portuguesa; Pedro Nuno Santos, Economista; Mário Rui Silva, Economista, Professor Associado, Faculdade de Economia do Porto; Pedro Adão e Silva, Politólogo, ISCTE; Nuno Teles, Economista, doutorando, School of Oriental and African Studies, Universidade de Londres; João Tolda, Economista, Professor Auxiliar, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra; Jorge Vala, Psicólogo Social, Investigador; Mário Vale, Geógrafo, Professor Associado, Universidade de Lisboa. in publico.pt, 27 de Junho 2009


O CRISTO DA POLÍTICA PORTUGUESA

À medida que se sente mais e mais acossado, José Sócrates está a ultrapassar todos os limites. Numa coisa estamos de acordo: ele tem vergonha da democracia portuguesa por ser "terreno propício para as campanhas negras"; eu tenho vergonha da democracia portuguesa por ter à frente dos seus destinos um homem sem o menor respeito por aquilo que são os pilares essenciais de um regime democrático... percebe-se agora porque gosta tanto de Hugo Chávez.


Nova Esquerda

Chama-se Nova Esquerda. Vai organizar-se e funcionar como movimento, mas legalmente ficará inscrito como partido no Tribunal Constitucional. É apresentado quarta-feira em Lisboa. Junta os alegristas que ficaram descontentes com a decisão de Manuel Alegre de não sair do PS.

Alexandre Azevedo Pinto, porta-voz da comissão promotora, explicou ao PÚBLICO que o novo movimento junta pessoas que estiveram com Alegre na candidatura a Presidente e que "não querem ver perdido o capital de esperança" que ela representou.

Os promotores são cerca de 200 pessoas que saem do PS ou do Movimento de Intervenção e Cidadania. A tarefa imediata é recolher as cinco mil assinaturas necessárias para formalizar o movimento no Tribunal Constitucional como partido.

Os promotores acreditaram até ao último minuto em que Alegre romperia com o PS e ocupariam o espaço que consideram ser o espaço natural do ideário e do discurso do ex-candidato presidencial. E defenderam-no mesmo num documento divulgado antes de Alegre anunciar que ficava no PS (PÚBLICO (13/5/2009).

O novo movimento-partido, segundo o seu porta-voz, pretende ocupar o espaço sociológico que foi criado pela candidatura presidencial de Alegre e que depois se confirmou na candidatura à Câmara de Lisboa de Helena Roseta e que Alexandre Azevedo Pinto classifica como "um buraco negro que não está preenchido". O Bloco de Esquerda tem, de acordo com Azevedo Pinto, tentado ocupá-lo, mas não é o seu espaço natural. in publico.pt, 18.06.2009, 07h45


Por quem corre o PS?

Os deputados do PS contrariaram a abertura manifestada pelo ministro do Trabalho para alterar excepcionalmente a forma de actualização das pensões, de modo a impedir que em períodos de deflação as pensões baixem.

Em causa está o mecanismo de actualização automática aprovada por este Governo. Em vez das decisões políticas arbitrárias de aumento das pensões, o Governo estipulou uma forma objectiva de actualização das pensões. Mas a fórmula de cálculo dessa actualização é que se tornou polémica.
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Mas na altura a possibilidade de uma quebra dos preços não estava no horizonte económico e ficou apenas prevista uma recuperação do poder de compra das pensões, quando a inflação sobe. Ora, a previsão para este ano aponta para uma quebra dos preços, o que, somado a um período de recessão que se atravessa, implicará uma descida das pensões num momento em que os beneficiários mais sentem necessidade.


O que se passa no Irão?

— A televisão estatal iraniana, contrariando uma interdição do Ministério do Interior, que proibiu os jornalistas de cobrirem “manifestações ilegais”, exibiu ontem imagens dos apoiantes de Mir-Hossein Mousavi em mais um protesto contra os resultados das presidenciais do dia 12.

Cerca de “500 mil” pessoas desfilaram em silêncio, da praça de Haft-e Tir para a de Vali Asr, em Teerão. Muitos faziam o sinal de vitória e alguns erguiam cartazes onde se lia: “A anulação das eleições é um direito nosso” –aparente brincadeira com o slogan de Mahmoud Ahmadinejad “A energia nuclear é um direito nosso”.

— A Assembleia de Peritos do Irão, organismo com o poder de nomear e demitir o Supremo Líder, foi convocada pelo seu presidente, Ali Akbar Hashemi Rafsanjani, para uma “reunião de emergência”. (CNN e The Huffington Post)

— Os comerciantes do bazar de Teerão, que contribuíram para a queda da monarquia Pahlavi quando financiaram a revolução islâmica, planeiam juntar-se aos protestos contra a reeleição de Mahmoud Ahmadinejad. (BBC)

— Mohsen Rezai, candidato conservador às presidenciais e discípulo de Khamenei, exigiu que lhe fossem fornecidos, até ao fim do dia de ontem, números precisos dos votos expressos, admitindo que poderá pedir a repetição das eleições. (AFP)

— Agentes das forças especiais têm protegido os apoiantes de Mousavi em confrontos com a milícia Basiji, indiciando divisões no aparelho de segurança. (The Independent). 17.06.2009, 22h03


Só lhes falta tocar piano e falarem francês

«Hoje todas as nossas crianças falam Inglês e todas as nossas crianças têm computadores Magalhães». José Sócrates: «Estou muito satisfeito comigo» in sol.pt, 17 Junho


Grande lata

José Sócrates assumiu o «erro» de uma avaliação de professores «burocrática»...

«Erramos ao propôr uma avaliação tão exigente, tão complexa e tão burocrática», admitiu, não garantindo a continuidade de Maria de Lurdes Rodrigues no executivo em caso de reeleição. idem

Nota: só agora é que deu conta?! Hum... se calhar andou a ler algum romance e já está a pensar nas virtuais mazelas eleitorais... Não se preocupe porque as crianças portuguesas falam inglês mas não sabem ler português e os respectivos "paizinhos" quando lêem alguma coisa é a Bola ou a Maria. Tenha cuidado... A Independente já fechou e como não tem 16 de média final de licenciatura (he, he)... ainda vai necessitar de uma ou um catedrático que o proponha a doutoramento. Não quer ser um engenheirozeco pois não?


Auditores "têm falhado muito"

O sistema bancário "sombra" vai desaparecer com o reforço da regulação que resultará desta crise, afirmou hoje o Governador do Banco de Portugal (BdP), que acrescenta que os auditores "têm falhado muito" e também em Portugal. Por Lusa, 17.06.2009, 12h14

Nota: a sério?!!


Buscas judiciais na empresa que fabrica Magalhães

A firma JP Sá Couto, que produz o computador Magalhães, está a ser alvo de buscas por parte das autoridades judiciais, avançou a SIC Notícias. PÚBLICO, 17.06.2009, 12h47


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