2007/10/14

0.000003%

Segundo o site www.alexa.com é esta a percentagem* dos utilizadores mundiais da internet (Percent of global Internet users) que visitam este blog.

http://jazzearredores.blogspot.com conquista 0.0002% dos internautas mundiais. www.lemonde.fr é visitado por 0,108%, www.publico.pt por 0.003% e www.dn.pt por 0.00009%, menos que o blog acima referido... No top está o yahoo (+-27%) seguido do google (+-25%). O que não quer dizer que o yahoo seja o motor de busca mais utilizado. Muitas pessoas têm o email e lêm as notícias no yahoo mas fazem as buscas principalmente no google. Blogger.com ocupa a 13ª posição.

* média dos últimos 3 meses













2007/10/13

Porcaria de televisão

"No último mês de Agosto, a RTP, a SIC, e a TVI emitiram um conjunto de 68646 peças publicitárias, o que equivale a uma média diária de quatro horas por canal, praticamente o tempo médio (três horas e meia) que os portugueses dedicam por dia à televisão. Num país tradicionalmente miserável, a televisão transformou-se no refúgio de quem, nos tempos livres, não tem outra solução que não seja a de permanecer em casa. É por isso que aquilo que exibe - telenovelas mais publicidade mais concursos - me escandaliza. Nem todos podem, como eu, desligar o aparelho e encomendar DVD à Amazon." Maria Filomena Mónica in Meia Hora, 12 de Outobro de 2007, pag 02

Eu, que não uso televisão pois emprestei-a aos vizinhos estrangeiros para ouvirem e treinarem o português, devo ser um caso marginal. No entanto, nem os casos marginais deveriam ser obrigados a pagar por algo que liminarmente rejeitam. Mesmo se utilizasse o aparato, evidentemente que não iria desgraçar o meu tempo, e o espírito, a ver os canais das televisões acima enunciadas. Até o designado "canal cultural", do qual fui convidado várias vezes nos tempos em que existiam programas musicais de qualidade e eu fazia música, executou um crescendo de degradação que me levou a deixar de o sintonizar. No tempo em que ainda me apetecia ver um pouco de televisão com alguma qualidade, tive de pagar a uma empresa que detesto, que milhares de portugueses detestam, para ver canais por cabo, pois era (ainda é?) a única que servia o centro de Lisboa. Não vejo as televisões portuguesas porque são despudoradamente mediocres, exceptuando talvez um canal privado de notícias por cabo, e porque estão entre os grandes responsáveis, juntamente com os teóricos da educação, pelo "estado de bovinidade" que reina em Portugal. Mesmo que só existissem dez como eu em todo o país, a sua simples existência obrigaria um Estado de bem a desobrigar esses cidadãos de pagar aquilo que não utilizam. Mais: a pagarem um produto que para além de não utilizarem consideram embrutecedor, estúpido e castrador das mentes e das sensibilidades. Se os privados oferecem porcaria, e se os portugueses gostam de a consumir, é lá com eles. Agora, ser o Estado a desbaratar o nosso dinheiro em canais de televisão mediocres para conseguirem competir (em mediocridade) com os privados, isso não está nada bem. Acabe-se de vez com a "televisão do estado". AST

"Aliás, não é legítimo que o Estado me obrigue a pagar um bem que não uso. Um dia destes ainda o ponho em tribunal." idem













2007/10/10

Ser forte e outras curiosidades

Portugal parece necessitar de um governo "forte". Todos os países, na época do crime globalizado, necessitam. Mas ser forte não significa vigiar os sindicatos, instaurar processos e tentar controlar a informação gastando milhões com canais mediocres de televisão e rádio públicas. Forte significa ser capaz de combater eficazmente, com meios potentes e legislação apropriada, o banditismo e a corrupção. Assassinos, traficantes, pistoleiros, pedófilos e outros criminosos, não podem gozar direitos iguais aos dos cidadãos que respeitam a lei. As suas fortunas, quando existem, não devem servir para pagar a advogados que dão a "volta ao sistema" e os conseguem ilibar. O mesmo em relação à corrupção económica e à "corrupção de estado". Ser forte significa capacidade para impôr exigência e qualidade no sistema de ensino, com os professores e não contra eles, para que os jovens possam adquirir boa formação e qualificações que lhes permitam ser bem sucedidos e enriquecer o país. Só com uma fortaleza desta natureza é que Portugal conseguirá "chegar lá". AST

Um exemplo: algures no Norte do país (poderia ser no centro ou sul) um professor do ensino básico denunciou o caso de um pai-pedófilo. O resultado foi o professor ser perseguido pelos irmãos da vítima, filhos "machos" do criminoso pedófilo. Teve de "meter baixa" para salvaguardar a vida... Um estado que não consegue proteger professores que denunciam crimes e que nega protecção a magistrados que vão julgar crimes de corrupção, não é um estado que mereça ser escrito com letra maiúscula. Quero enaltecer e louvar aquele, e outros professores, que neste país disfuncional continuam a ser os verdadeiros garantes dos direitos das crianças.

Nota: a polícia municipal, em Lisboa, começou "bem", sob as ordens do novo presidente... Sem aviso atempado bloquearam e posteriormente rebocaram os carros que se encontravam em locais onde anos e anos a fio a mesma polícia permitiu que aparcassem, locais onde as pessoas se habituaram a deixar os veículos por longos periodos de tempo. Agora os carros continuam a poder estacionar no local: do outro lado da rua, agora considerado o correcto, mas onde anteriormente, anos e anos a fio, a polícia multou, bloqueou e rebocou os carros que lá estacionaram... Indicações do novo presidente da câmara de Lisboa ou uma ideia que, repentinamente, surgiu nas iluminadas cabeças dos polícias municipais?


Portugal gera pouca riqueza

Portugal está no penúltimo lugar na criação de riqueza per capita na Península Ibérica, ficando, apenas, à frente da região espanhola da Extremadura.
...
A liderar a criação de riqueza por pessoa na Pensínsula Ibérica está o País Basco, seguido de Navarra e da Catalunha. Portugal ocupa o penúltimo lugar, à frente da Extremadura, mas imediatamente atrás da Andaluzia.
...
O relatório da SaeR realça ainda, que, "a médio prazo, a convergência (de Portugal) para o nível da União Europeia dependerá do PIB real", que terá de crescer a ritmos muito superiores à média europeia. in Jornal de Notícias, 10 de Outobro de 2007, pag 64


Corrupção: Mulheres resistem mais do que os homens

Deauville, 13 Out (Lusa) - As mulheres resistem mais à corrupção do que os homens, revela um estudo efectuado em quatro países e divulgado sexta-feira no III Foro das Mulheres para a Economia e a Sociedade, na cidade francesa de Deauville.

O estudo assinala que 58 (italianos) a 67 por cento (franceses) dos inquiridos consideram que, se mais mulheres ocupassem cargos de chefia, haveria menos corrupção, uma vez que o sexo feminino é mais díficil de corromper do que o masculino.

Ainda segundo o inquérito, entre 34 (italianos) e 67 por cento (norte-americanos) defenderam que o dinheiro e o poder são, sobretudo, preocupações dos homens.

A sondagem foi realizada em Itália, França, Estados Unidos e Alemanha. A esmagadora maioria dos inquiridos considera o seu país corrupto. in http://noticias.sapo.pt (13 de Outubro de 2007, 00:29)


Carl Flesch (1873-1944)

Henryk Szeryng (1918-1988) e Max Rostal (1905-1991), dois extraordinários violinistas que foram alunos do grande professor húngaro Carl Flesch, ele próprio um reputadíssimo violinista... além dos dois já referidos, Szymon Goldberg (1909-1993), Ida Haendel (1923?-), Louis Krasner (1903-1995) e Ginette Neveu (1919-1949).
...
O facto de ter nascido no seio de uma família judaica impossibilitou-o de levar uma vida pacata. Refira-se, por exemplo, o facto de, em 1935, lhe ter sido retirada a si e à sua família a cidadania alemã, obtida 5 anos antes. Já em 1934 tinha deixado voluntariamente a Musikhochschule de Berlim, onde tinha começado por dar master classes em 1921 e onde leccionava de uma forma regular desde 1928; outro interveniente, a mesma triste história, claro, pois já o compositor Franz Schreker (1878-1934) tinha passado exactamente pelo mesmo 3 anos antes. Os processos eram tristemente consistentes... Carl Flesch nasceu há 134 anos, no dia 9 de Outubro de 1873. in http://desnorte.blogspot.com (Outubro 09, 2007)


FME

Depois de Cuts; Live at the Glenn Miller Café; e Underground, Montage (Okka Disk, 2006) é o quarto avanço em disco do FME (Free Music Ensemble), plataforma triangular pensada e estruturada por Ken Vandermark (saxofones e clarinetes), com Nate McBride (contrabaixo) e Paal Nilssen-Love (bateria). Desta vez o compositor e improvisador de Chicago elege os realizadores de cinema como musas inspiradoras dos 7 movimentos em que se desenvolve o CD duplo, gravado ao vivo em dias seguidos (22 e 23 de Setembro de 2005), no Artists at Large, em Boston, EUA, e no festival Suoni Per Il Popolo, em Montreal, Canadá. Vandermak homenageia Leone, Eisenstein, Fellini, Kitano, Buster Keaton, Cassavetes, Kubrick, Greenaway, Kurosawa e Welles, partindo de uma mesma base temática, que é reinterpretada módulo a módulo. Ao fim de um certo número de audições sequenciais, a repetição dos módulos de um disco para o outro permite apreender a estimulante tensão dialéctica entre composição e improvisação, a procura de novos modos de dizer a partir da mesma matéria-prima de base, e o modo como, assente nas mesmas coordenadas, se constrói a diferente narrativa de cada "filme". in http://jazzearredores.blogspot.com (9.10.07)


Durante anos esperámos por uma Lei para o Estatuto do Artista, e finalmente ela aí está (quase)!

No meio da magnitude dos problemas de insegurança e precariedade, desemprego e falta de protecção social que afectam os Profissionais do Espectáculo, e a que o presentes diplomas em discussão (PS, PCP e BE) ensaiam uma resposta, facilmente passariam despercebidas, para a maior parte das pessoas, as catastróficas implicações do conteúdo do Artº.17 da proposta do Governo.

Não só a GDA, como também muitos e muitos Artistas, Actores, Músicos e Bailarinos lutaram ao longo de duas décadas para por fim à cedência coerciva dos seus Direitos de Propriedade Intelectual.
A Lei 50/2004 veio finalmente, no seu Artº178, consagrar a Gestão Colectiva Necessária como a única forma de garantir o livre, equilibrado e efectivo exercício dos nossos Direitos individuais, utilizando um mecanismo de analogia com Directivas europeias transpostas para a nossa legislação em 1997, o qual nunca foi posto em causa do ponto de vista constitucional ou qualquer outro.

O Governo vem agora, de forma algo cínica, à boleia das carências da situação sócio-profissional dos Profissionais do Espectáculo, ceder às pressões, nomeadamente das Televisões e Operadores de Exploração de Conteúdos Digitais, impondo a regulação dos nossos Direitos de Propriedade Intelectual através de Contrato de Trabalho ou Instrumento de Regulação Colectiva, no sentido de reverter as coisas para a situação anterior a 2004.

Leiam todo o texto dirigido ao Presidente da A.R. se tiverem a paciência mas, pelo menos, meditem na conclusão e ASSINEM A PETIÇÃO!!!

http://www.PetitionOnline.com/N17132X/

(em email expedido pelo trombonista Hugo Assunção)














2007/10/03

Far-West

Na conversa com um professor do segundo ciclo, que no passado orientou estagiários-candidatos a "professores de música" (agora professores de educação musical), percebi que ele foi dispensado há anos, sendo as suas antigas funções actualmente desempenhadas por um departamento da universidade, na realidade o ex-centro de formação onde ele exercia, tendo sido substituído por uns "doutores". O Estado português é rico. E como é muito rico pode dar-se ao luxo de substituir alguém que faz parte dos seus quadros por "doutores" que vão acabar com honorários três vezes superiores (e com horários de trabalho três vezes inferiores) a esta pessoa competente tanto ao nível musical como pedagógico. Este ex-formador de professores foi "maestro" de uma "banda filarmónica", onde também exercia funções pedagógicas pois era ele, também executante, que orientava os principiantes. Comentamos, rindo, que seria interessante fazer-se um pequeno teste de formação musical aos actuais professores de música das escolas superiores de educação (e departamentos universitários aparentados)... De algumas, porque em outras, nas que possuem uma tal "via especializada" no ensino da educação musical, quero acreditar que todos os professores de música têm, pelo menos, ao par de outro tipo de formação, cursos completos feitos nos conservatórios de música que lhes garantem os "mínimos" no aspecto musical. De facto parece um expediente fácil terminar o curso de "professor primário" (professor do primeiro ciclo do ensino básico), durante o qual se estudam umas "coisitas" (poucas) de música, seguidamente fazer um ano de "especialização em música" em escolas privadas de qualidade duvidosa, seguindo imediatamente para um doutoramento em Espanha onde qualquer um é admitido, e posteriormente voltar a Portugal para ocupar um lugar num departamento de formação de professores para o ensino básico numa universidade pública. Lugar que parecia estar reservado... Está claro que este expediente não seria possível se não houvesse alguém "importante" no departamento que apoiasse quem o pratica. Existem doutores em ciências musicais especializados em ensino e doutores com origem nas escolas superiores de música que se vocacionaram para o ensino geral da música que poderiam estar interessados(as) se tivessem sido abertos, e devidamente publicitados, concursos públicos para provimento daqueles cargos docentes. Tratavam-se afinal de muito confortáveis postos de professores universitários no ensino público português...

A filosofia que sustenta a estruturação dos cursos de professores de música para o ensino básico é simplesmente aberrante: curso de professor para o primeiro ciclo do ensino básico seguido de um ano de "especialização" no ensino da música... Os "pedagogos" e outros "especialistas" da educação que conceberam estes cursos devem pensar que ensinar música é como limpar chaminés (sem desconsideração dos limpa-chaminés que com certeza demonstrarão muito mais competência no seu desempenho que a generalidade dos "pedagogos" que conceberam e arquitectaram o "sistema educativo" português): um ano de especialização e já está. Assim se compreende o "estado da arte" em Portugal e o atraso cultural crónico dos portugueses, com as consequências a todos os níveis que isso condiciona. AST

Nota: o caso do ensino da música em Portugal, ao nível do ensino básico com as consequências que tem aos níveis superiores onde qualquer charlatão com discurso ou escrita fluídos consegue fazer-se passar por "entendido" e "especialista" (não entre os músicos evidentemente, mas entre o público supostamente "erudito" e "culto"), bem pode servir de "case-study": a pessoa de quem falo no início, ex-formador e orientador pedagógico de professores, antes de ser "maestro" de banda foi durante muitos anos membro da Banda da Marinha que, dentro do género, em Portugal, é um agrupamento-referência. Musicalmente vale um milhão de vezes mais que todos os doutores-lixo que ocupam os lugares na formação de professores de educação musical em Portugal. No entanto, porque os ex-centros de formação de professores conseguiram ser integrados nas universidades, os seus diplomados passaram a poder aceder ao grau de doutor, tal como os diplomados pelas mais rigorosas instituições universitárias, com a vantagem evidente que um 16 adquirido num desses departamentos é fácil de alcançar (excepto se os docentes decidirem complicar para tentarem demonstrar que aquilo até é difícil...), embora não seja evidentemente um 16 da Escola Superior de Música*, nem sequer um 16 adquirido no curso de Ciências Musicais da FCSH. Na realidade um 20 adquirido num desses departamentos universitários que formam professores para o ensino básico, não é o mesmo que um 9, um 8, um 7, um 6 ou mesmo um 5, numa Escola Superior de Música: é incrivelmente menos porque um aluno de uma ESM pode estudar toda a pedagogia e didácticas que desejar, mas um aluno de um desses departamentos nunca poderá adquirir nada, rigorosamente nada, ao nível dos conhecimentos musicais superiores se não estudar (muito e muito) à margem dos seus "curricula" e se não fôr bem apoiado por especialistas "a sério". Mas para efeitos de admissão a doutoramento, de atribuição de bolsas, etc, o 16 desses departamentos vale o mesmo que o 16 da ESM...
É fácil de compreender porque é que esses centros de formação de professores para o ensino básico quiseram ser integrados nas universidades: os seus docentes passaram a professores universitários, ao lado, por exemplo, dos docentes da faculdade de economia da Universidade Nova de Lisboa, única instituição do ensino superior em Portugal que consta dos rankings europeus. O efeito foi absolutamente perverso: sujeitos que reprovariam num exame de admissão a um conservatório (nem falo num exame de admissão a uma Escola Superior de Música porque isso ser-lhes-ia completamente transcendente e incomprensível), que sairam dos departamentos de formação de professores com média igual ou superior a 16, rapidamente adquiriram doutoramentos em Espanha e "passaram a perna" a pessoas com muitos anos de prática e conhecimentos musicais, didácticos e pedagógicos que os deixam a anos-luz (seria, por exemplo, interessante saber-se se, na Universidade Pontificia de Salamanca, por exemplo, houve enfermeiros portugueses, sem licenciatura, que "arrancaram" graus de doutor para poderem leccionar nos cursos superiores de enfermagem em Portugal, graus esses que não têm qualquer validade em Espanha mas que foram reconhecidos nas escolas superiores portuguesas graças à autonomia de que gozam. Não estou a insinuar que estes profissionais sejam mediocres. Provavelmente até serão profissionais muito competentes sendo aceitável que possam ser professores no ensino superior se por mérito da sua elevada qualidade e excelência profissionais. Para isso é que existe a figura do professor-convidado e não para qualquer coordenador convidar os amigos para ficarem a trabalhar com ele no departamento... Seria também interessante, por mera curiosidade, saber-se se alguém com o grau de "bacharel", no tempo em que isso existia, sem completar qualquer licenciatura, conseguiu ser admitido a doutoramento na Sorbonne, em Paris, e, sem fazer passar o diploma de doutor que adquiriu em França pelo reconhecimento via diplomática, viu, graças à lei da autonomia universitária em Portugal, o doutoramento sem licenciatura ser-lhe reconhecido para exercer numa universidade pública portuguesa).

* "consta" que um professor de uma ESM para além de manter relações com as alunas as fotografava (nuas e em "pose") e enviava as fotos aos amigos. Também "consta" que um administrador de uma orquestra de jovens chantageava alguns dos jovens músicos para manterem relações com ele, chegando a dispensar alguns que não aceitaram.


Estado do sítio

Pelo caminho despacharam para um exílio dourado João Cravinho, socialista, que apresentou algumas propostas inovadoras para tentar prevenir a pouca vergonha que entra pelos olhos adentro de todo e qualquer cidadão que não ande distraído neste sítio cada vez mais corrupto, mais perigoso e mais mal frequentado.
...
O estado corrupto que permite há dezenas de anos que as crianças da Casa Pia sejam abusadas sexualmente e alimentem redes nacionais e internacionais de pedofilia, vai agora ensinar aos alunos a sua ética republicana. A pouca vergonha, pelos vistos, não tem limites.

As crianças deste sítio já sofreram na pele as consequências de um sistema de ensino miserável que as atira para a vida sem preparação e muito menos qualificação. Agora vão ser confrontadas com uma ética feita por gente corrupta e sem moral para falar na República. António Ribeiro Ferreira in Correio da Manhã, 08/10/2007, pag 02


Os pedófilos podem dormir descansados. Se praticarem vários crimes de abuso sobre o mesmo menor, têm bónus do Estado. O limite máximo é de 8 anos. Antes poderia chegar aos 25 anos. Rui Rangel, juiz, citado in Jornal de Notícias, 08/10/2007, pag 12


Lisboa, 05 Out (Lusa) - O Presidente da República pediu hoje aos deputados que "aprofundem o esforço" para concretizar as iniciativas legislativas para aumentar a eficácia na luta contra a corrupção, retomando um apelo que fez há um ano. in www.expresso.pt (14:18, Sexta-feira, 5 de Out de 2007)


Polícia sem controlo no tráfico de mulheres
Diário de Notícias, 9 de Outobro de 2007


Nazis

As ameaças nazis em Portugal não são uma treta. São seguramente oriundas de uma faixa muito marginal mas existem. in Jornal de Notícias, 9 de Outobro de 2007, pag 20


Rotinas...

Ou não será revelador que um primeiro-ministro recorra à força das autoridades para tentar calar um protesto...

Ou que a polícia tenha ido, ontem, às instalações de um desses sindicatos fazer uma acção de "rotina"...

No governo como no principal partido da oposição, o pecado original não é diferente: colocar a manutenção ou a conquista do poder à frente das boas práticas democráticas. editorial, Público, 9 Outobro 2007


Madeira...

Segundo João Carlos Gouveia, o PS decidiu desencadear esta denúncia porque "os magistrados do Ministério Público (MP) têm dependência hierárquica. Há situações, que toda a gente conhece, e que o Ministério Público deveria ter investigado e não o fez. Tem havido negligência. Porquê? Não sei", disse ao DN, João Carlos Gouveia.

Isto significa "promiscuidade entre a política regional e as magistraturas", designadamente procuradores-gerais adjuntos e juízes, uma denúncia há muito feita no parlamento regional pelo líder e deputado socialista? in www.sapo.pt (+- 19:45h, 08/10/2007)


Anna Politkovskaya morreu há um ano

A feroz crítica de Vladimir Putin foi assassinada no seu apartamento em Moscovo. Um ano depois o caso continua envolto em mistério. in www.expresso.pt (11:26, Domingo, 7 de Out de 2007)


18

o caso de Anna Politkovskaya é um dos 18 assassínios de jornalistas na Rússia desde que Vladimir Putin tomou posse como presidente, em Março de 2000. in Público, 8 Outobro 2007, pag 12


Birmânia

Gambari foi enviado à Birmânia para tentar persuadir a junta militar no poder a pôr fim à repressão violenta das manifestações, que causou 10 mortos, segundo um balanço oficial, claramente mais de acordo com diplomatas, e mais de 2.000 detenções. in www.sapo.pt (5 de Outubro de 2007, 18:08)


Une répression brutale

A quoi jouent les généraux de Naypyidaw, dans leur capitale factice, en pleine jungle birmane ? Les signaux contradictoires ne manquent pas. Le numéro un de la junte, le général Than Shwe, a fini par recevoir l'émissaire de l'ONU, Ibrahim Gambari, après lui avoir fait subir une attente humiliante, mais qualifie son passage de "visite de courtoisie". Il veut bien rencontrer Aung San Suu Kyi, principale figure de l'opposition birmane et Prix Nobel de la paix, assignée à résidence, mais ne suggère pas pour autant de la libérer. Préalablement, il exige qu'Aung San Suu Kyi renonce à toute velléité de "confrontation", mais rend public un bilan des arrestations de civils - plus de 2 000 - d'autant plus inadmissible que tout porte à croire qu'il est bien en deçà de la réalité, après la répression brutale, à balles réelles, des manifestations pacifiques.

Cette junte jusqu'ici si hermétique aux pressions de l'extérieur semble vouloir faire passer le message que, cette fois, elle entend. Cela ne l'empêche pas, pourtant, de continuer à fonctionner dans l'opacité la plus totale ni de maintenir un black-out impitoyable sur l'information. L'Internet est toujours coupé, le réseau de téléphonie mobile extérieur paralysé, de nombreuses lignes téléphoniques suspendues, et les consulats de Birmanie n'accordent plus de visas aux touristes, afin d'éviter les visiteurs trop curieux, les journalistes, par exemple.

A l'heure de la mondialisation, les généraux ont franchi un degré supplémentaire dans l'isolement de leur pays. Leur calcul est simple : très vite, le monde extérieur, privé de son régime quotidien d'images, passera à d'autres émotions et oubliera la Birmanie. LE MONDE | 05.10.07 | 13h51 • Mis à jour le 05.10.07 | 13h51














2007/09/18


Que fazer? (La Biennale)

Por Pilar Villa

Lenine interrogou-se, Stalin, posteriormente, declarou-o doente e respondeu por ele. Felizmente a arte dispensa este dilema e dispensa absolutismos. Pierre Boulez, uma das figuras mais importantes e determinantes da cena musical e da Arte actuais, declarou, na entrevista que deu ao autor deste blog, ser a contemporaneidade rica, interessante e variada. A Bienal de Veneza acaba de demonstrar isso mesmo: ao lado da previsibilidade de alguns "clássicos" (as aborrecidas "Fontes Venezianas" de Bruce Nauman, para dar um exemplo berrante), os novos impuseram-se (pelo menos demonstraram capacidade para se mostrarem - ou para que os mostrem - num dos eventos mais importantes do mundo) e outros reafirmaram-se. Se o consagrado León Ferrari, da Argentina, criou a imagem de marca desta bienal:


da Guatemala, da India, de Taiwan (Taipei Fine Arts Museum), de Singapura, da Ucrânia, do México e de Itália, chegaram-nos boas e muito interessantes novidades, que nos parece serem relevantes para o futuro da arte (na actualidade, depois de tudo ter sido mal ou bem experimentado, o termo novidade tem de ser entendido com alguma generosidade):











Nota: no topo temos uma imagem de Dusasa II (2007), de El Anatsui (Gana/Quénia)



Dubois...

É bem conhecido o facto de Maurice Ravel (1875-1937), entre os anos de 1901 e 1905, ter, sem sucesso, concorrido ao Prix de Rome. Théodore Dubois (1837-1924), um compositor bem menos conhecido, venceu-o, em 1861; em 1905, contudo, Dubois ver-se-ia forçado a sair do Conservatório de Paris, de que era director desde 1896, precisamente por ter-se recusado a atribuir o Prix de Rome a Maurice Ravel. As peripécias entre os dois não ficariam por aqui: em Maio de 1911, num concerto na Société Musical Indépendante (Paris) em que os autores das obras executadas não foram indicados, o público atribuiu a autoria das Valses Nobles et Sentimentales aos mais diversos compositores, nomeadamente a... Théodore Dubois! in http://desnorte.blogspot.com (Setembro 28, 2007)













2007/09/16

Avé Maria

30 ans après sa disparition, Maria Callas continue à nous hanter, tant par sa vie tumultueuse que par sa voix exceptionnelle. in http://fr.yahoo.com (16 Setembro 2007)











2007/09/09

Sublime atrocidade

Imprint (2006), de Miike Takashi, foi uma encomenda para o final da primeira época de Masters of Horror (que foram transmitidos na televisão via circuíto fechado), séries cujo produtor executivo é o realizador Mick Garris. Imprint seria o 13º episódio da primeira série que acabou só com 12. Apesar de ir passar via cabo, tal não chegou a acontecer por ter sido considerado "demasiado forte". O próprio Mick Garris definiu-o como sendo o filme "mais perturbador" que jamais tinha visto. Não podemos deixar de estabelecer um (virtual) paralelo com o (virtual) "La fin absolue du monde", em Cigarette Burns (2005) de John Carpenter, que também foi uma encomenda de Garris para MOH.

Mas que há em Imprint, que foi exibido em Lisboa integrado no primeiro Festival Internacional de Cinema de Terror, que aconteceu de 5 a 9 de Setembro? Primero gostaria de expressar que, ao contrário da influência que Takashi reivindica (Tarantino), considero que os tempos plasmados das sequências, que são um dos aspectos essenciais deste filme, que têm paralelo no discurso teatralizado das personagens, elemento-chave da dramatização, não é nem a Tarantino, nem à América, que Takashi os deve. A violência em Imprint nada tem a ver com a dos filmes do referido Tarantino. A violência de Miike Takashi também está longe da que vemos em Hostel 2, de Eli Roth, que não é nem banal nem gratuíta, e que tem como antecessor não o seu primeiro Hostel, ou os filmes de quem o produziu (Tarantino again...), mas Saló ou os Cem Dias de Sodoma, de Pier Paolo Pasolini (que foi assassinado pouco depois de terminar o filme...). Estas obras, em vez de serem rotuladas como "pornografia", deveriam conduzir a uma reflexão, a uma indagação, sobre se tudo aquilo que lá aparece é mera ficção. A outra indagação, no caso de termos concluído que toda a ficção tem sólidos alicerces na(s) realidade(s), seria o porquê, a motivação "profunda", "essencial", de tal perversão que assume inquietante realidade nos snuff *. Heidegger escreveu, na "Carta sobre o Humanismo", que a atrocidade faz parte da humanidade do homem. Muitos dizem que para justificar a sua complacência com o nazismo. E não fará a atrocidade, de facto, parte da "humanidade" dos humanos? Que nos diz isto? Não será esta afirmação uma tentativa de reduzir a compreensão do síntoma à simples constatação da sua existência? Não será o limite de uma visão de superfície que procura impedir a análise da(s) "essência(s)"? Não implicará esta constatação, feita com uma curiosa dose de cândura, uma teoria de impotência militante? Do outro lado temos um Karl Popper proclamando que aos inimigos das "sociedades abertas" é necessário opôr toda a força necessária para impedir que eles as destruam. Sociedades abertas que, teoricamente, são constituídas por indivíduos capazes de intuir onde se encontram os limites da sua liberdade individual. A "pedagogia" serve para isso. Se não o conseguir é uma farsa e não passa de uma burla. Ao Estado compete proteger os indivíduos das perversões daqueles que não conseguiram estabelecer fronteiras interiores e criar limites "automáticos" e "naturais" nos seus comportamentos face ao "outro". Na verdade, para os perversos, o "outro" não existe enquanto pessoa: o perverso reduz os outros a meros objectos que ele utiliza para o seu gozo peculiar. Ao Estado compete utilizar a força e metodologias adequadas para proteger os neuróticos e histéricos, que são basicamente sãos, dos perversos e dos "psicopatas".

Quem acontece afinal em Imprint? Nesta obra acontece, simplesmente, que a atrocidade, a "atrocidade limite", para ir buscar uma pertinente definição de Jaspers, é elevada à categoria de sublime. Não no sentido, idiota, com que Stockhausen classificou o ataque às torres gémeas, mas na medida em que, apesar de termos de apertar as mãos, e uma ou duas vezes fechar os olhos, estarmos perante uma obra acabada, onde o monstruoso é, consistentemente, manipulado e colocado ao dispôr de um projecto, plenamente conseguido, de estetização. Imprint não é de todo um "filme de terror" e este festival teve, pelo menos, o mérito de nos permitir visionar esta obra, no mínimo "interessante", da criação contemporânea. AST

* muitos pretendidos snuff (a generalidade dos que se podem ver na net) são encenados. Parte dos verdadeiros são, muito provavelmente, encomendados e inacessíveis a quem esteja fora desse circuito. A discussão seria se existe um gozo, por parte do autor moral (quem faz a encomenda), "meramente" na posição de voyeur, ou se este passa ao acto por interposta pessoa (tal como Zizec refere em um dos capítulos da compilação de textos traduzida para português com o título "A Subjectividade por Vir"). Isto importa unicamente como curiosidade pois tratam-se, ambos os tipos, de criminosos (assim como os "realizadores" e outros colaboradores). No fundo todos os criminosos são perversos.












2007/09/06

Luciano Pavarotti

1935 - 2007

Pavarotti, no tempo em que representava óperas, antes de usar uma orquestra privada com um maestro de serviço, foi um grande tenor e um grande intérprete. Depois comercializou-se. Restam os registos discográficos que foram feitos de algumas das óperas em que participou.

"J'espère qu'on se souviendra de moi comme d'un chanteur d'opéra, comme représentant d'une forme d'art qui a trouvé sa plus forte expression dans mon pays", l'Italie, avait écrit Pavarotti sur son site internet à l'époque où il entamait son tour d'adieu en 2004, interrompu en juillet 2006 pour des raisons de santé. AFP - Jeudi 6 septembre, 14h06 in http://fr.news.yahoo.com


Voici les principaux disques de Luciano Pavarotti:

- "I Puritani", de Bellini, dirigé par Richard Bonynge

- "La Fille du Régiment" de Donizetti, dirigé par Bonynge

- "L'Elisir d'Amor" de Donizetti, dirigé par Bonynge

- "Lucia di Lammermoor" de Donizetti, dirigé par Bonynge

- "La Bohème" de Puccini, dirigé par Herbert von Karajan

- "Tosca" de Puccini, dirigé par Nicola Rescigno

- "Turandot" de Puccini, dirigé par Zubin Mehta

- "Guillaume Tell" de Rossini, dirigé par Riccardo Chailly

- "Aïda" de Verdi, dirigé par Lorin Maazel

- "Un Ballo in Maschera" de Verdi, dirigé par Georg Solti

- "Rigoletto" de Verdi, dirigé par Bonynge

- "La Traviata" de Verdi, dirigé par Bonynge

...

DVD

- "L'Elisir d'Amore" de Donizetti, au Metropolitan Opera

- "Pagliacci" de Leoncavallo, au Metropolitan Opera

- "La Bohème" de Puccini, au Metropolitan Opera

- "Un Ballo in Maschera" de Verdi, au Metropolitan Opera

- "Le Trouvère" de Verdi, au Metropolitan Opera.

AP - Jeudi 6 septembre, 13h14, idem












2007/08/04

Michelangelo Antonioni

Ferrara, 29 de Setembro, 1912

Roma, 30 de Julho, 2007


No Festival de Cannes, em 1960, L'Avventura escandalizou pela falta de "fio conductor", pelo tempo lento e pela opacidade do texto. Foi assim que Antonioni fundou o cinema moderno. Michelangelo Antonioni faleceu um dia depois de Ingmar Bergman.

"A Aventura" proporcionou-me um dos mais profundos choques que já tive no cinema. Martin Scorsese in Ipsilon, 5 Outobro 2007



Morreu Ingmar Bergman

Ingmar Bergman morreu "calma e pacificamente", anunciou Eva Bergman

Nascido a 14 de Julho de 1918 em Uppsala, a norte de Estocolmo, Ingmar Bergman realizou ao longo da sua extensa carreira mais de 40 filmes... in http://sic.sapo.pt (30-07-2007, 09:58)



Um certo modo de dizer

O que hoje recordo de Eduardo Prado Coelho, agora falecido, não é tanto a multiplicidade dos temas e domínios em que ele se aventurava, desde a crítica à poesia, da literatura ao cinema, da política à sociedade, da filosofia à música, do erudito ao banal..., mas sobretudo um modo de dizer inconfundível que misturava harmoniosamente a força dos argumentos e a brandura da voz. in http://naoseiquediga.blogspot.com (25.8.07)



Nem todos são néscios...

Mas se uma boa parte dos psicólogos (nem-todos) são néscios tanto em relação ao inconsciente quanto ao sintoma como mal-estar e como incurável, uns poucos porque a clínica é a forma de enriquecerem e disso nada querem saber, outros muitos por uma certa tolice teórica, espanta-me que os psicanalistas venham de mansinho pactuar com a lógica da higienização e de terapeutização da sociedade. Ao menos que fizessem a sua própria ordem consentânea com a especificidade do seu trabalho e com os seus próprios jogos de poder, até porque o que acaba por ficar obnubilidado para o grande público dos consumidores são as lutas para a constituição da ordem dos psicólogos, a desavergonhada luta de poder (como eu presenciei) que preconiza um futuro inquietante, uma luta que doravante seguirá como a melhor forma para a monopolização do seu negociozito. Pau que nasce torto morre torto... in http://www.paginconsciente.blogspot.com (August 22, 2007)



Capitais da máfia

É normal que haja histeria, mediática ou não, quando as duas principais cidades portuguesas se parecem com capitais da máfia.
... há um submundo criminal que actua a seu bel-prazer a coberto de uma actividade legal e altamente popular como é a diversão nocturna.
...
Como passaram estas actividades pelas barbas da polícia? Quantas investigações foram feitas depois de ser sinalizado este perigo - que, obviamente, terá sido detectado?
É a estas questões que as autoridades têm de responder. in Diário de Notícias, 3 de Setembro 2007, editorial, pag 6



Guião para um filme

... circuíto próprio que conta, muitas das vezes, com a cumplicidade das autoridades. Só assim se justifica a aparente passividade das polícias e dos políticos e o papel insignificante que representam neste guião. Domingos de Andrade in Jornal de Notícias, 3 de Setembro 2007, pag 9



Gangues da noite têm ramificações na PSP

Seguranças de casas nocturnas actuam como traficantes de droga, armas e mulheres. Entre eles há agentes da polícia... in Expresso, 8 de Setembro 2007



Liberdade...

Uma sociedade aterrorizada por bandos, ainda que se trate de questões "internas", não é verdadeiramente livre. Vive oprimida pelo terror dos mais fortes, mesmo que estes estejam nas sombras. Nuno Rogeiro in Jornal de Notícias, 31 de Agosto 2007, pag 23



Uma sociedade permeável à corrupção está igualmente à mercê do crime organizado - Fernando Ventura, juiz, citado in Público, 28 de Março 2007, pag 13



Pedagogia...

Nas Ilhas Lofoten, na Noruega, são as crianças que têm o monopólio do arranjo das línguas de bacalhau. É assim que ganham o seu dinheiro e que se ligam à actividade de um arquipélago que vive para o peixe. in Público-P2, 28 de Março 2007, pag 8

Queremos que eles saibam o valor de ganhar o seu próprio dinheiro e de trabalhar - é uma parte muito importante da educação - Øyvind Arne Jensen, idem

Nota: A Noruega tem sido consecutivamente avaliada como o país socialmente mais desenvolvido do mundo. Em Portugal, que é um dos países social, económica e culturalmente mais atrasados da Europa, isto seria provavelmente ilegal. Seria considerado trabalho infantil e "anti-pedagógico". A pedagogia portuguesa é outra e os resultados estão (bem) à vista. Tão à vista que há pessoas que consideram que Portugal está num "processo de decadência irreversível"*. O problema não é ser um, mesmo internacionalmente conhecido, a dizê-lo. O problema é se muitos, conhecidos ou não, o pensam mas não o dizem. Ou dizem o que consideram "politicamente correcto"... Os "pedagogos", e outros teóricos "especialistas" da educação, assobiam para o lado. Devem achar que não é nada com eles. Ou esperam que as pessoas acreditem que a culpa não é deles. Deve ser da internet...

* Saramago em entrevista ao La Vanguardia (Barcelona), muito, muito antes, da entrevista que deu ao Diário de Notícias de Portugal.



Sonatas para piano de Leos Janácek

Conforme já referido aqui, só nos inícios do século XX as obras do compositor checo Leos Janácek (1854-1928) começaram a gozar de alguma popularidade. Tal ficou a dever-se, no essencial, ao facto de ter passado a incorporar nelas temas folclóricos moldavos, resultado de um trabalho de investigação e recolha que iniciou em 1885.

Janácek não deixou, todavia, de dar atenção aos acontecimentos sociais, como aquele que esteve na base da Sonata para Piano 1.X.1905: a morte de um trabalhador, Frantisek Pavlik, durante uma manifestação anti-germânica e a favor da instalação da Universidade de Brno, em Outubro de 1905. O prefácio que Janácek escreveu para a obra é mais ou menos assim:

The white marble steps of the Beseda in Brno
Frantisek Pavlik, a humble worker, sinks down covered in blood
He came, his heart filled with passion, for the university,
And was struck down by brutal murderers.

Passam hoje 79 anos sobre a morte de Leos Janácek. in http://desnorte.blogspot.com (Agosto 12, 2007)



Miguel Torga é uma referência de Portugal

Segundo o vice-presidente da Assembleia da República (Manuel Alegre), "o iberismo de Miguel Torga não põe em causa aquilo a que ele chamava a sua pátria cívica, nem a viabilidade e independência de Portugal, que é um dado adquirido".
...
O Prémio Nobel português José Saramago defendeu recentemente que Portugal deveria tornar-se numa província de Espanha e integrar um país que passaria a chamar-se Ibéria para não ofender "os brios" dos portugueses.
...
António Arnaut, fundador do PS e amigo do poeta homenageado, destacou, em declarações à agência Lusa, o "grande rigor ético, integridade e cidadania" de Torga, caracterizando-o como "uma referência cultural e moral de Portugal".

"É o escritor mais autenticamente português, no sentido de ter penetrado mais profundamente na alma lusa e de ser fiel às suas origens", acentuou.

Para o jurista e poeta, Torga, que viveu várias décadas em Coimbra, "é um mestre da língua" portuguesa e é necessário ler os Diários "para perceber o Portugal dos últimos 60 anos". in http://noticias.sapo.pt (12 de Agosto de 2007, 14:58)



Número de imigrantes em Portugal atinge nível mais baixo dos últimos cinco anos in http://ultimahora.publico.clix.pt (13.08.2007 - 08h59)

A verdade é que, para quem quer trabalhar, Portugal não presta. Isto está óptimo é para os Bancos transformarem sobreiros em "greens", vender água engarrafada ao preço da gasolina super, fazer OPA's sobre tudo o que sirva para explorar quem paga e não bufa, conceder crédito aos tótós que não resistem à propaganda bancária, para depois lhes sacar os apartamentos. idem (comentários)

Nota: o estudo a que remete a notícia cujo título foi acima transcrito, revelou que a comunidade que mais debandou de Portugal foi a ucraniana. Se tivermos em consideração que esta é a comunidade imigrante que maior nível de estudos possui, teremos uma pequena ideia de quanto Portugal é pouco atractivo para a mão-de-obra com formação.



Somos um país extraordinário

De fora, dando descanso à cabeça e ao computador, lendo despreocupadamente os jornais à beira-mar, dou-me conta de como, em vários aspectos, somos mesmo um país extraordinário, daqueles que, não existindo, teria de ser inventado.

Os sinais desta singularidade abundam mesmo nas páginas da imprensa de Verão – onde, supostamente, nada mais há para contar do que o vazio de notícias da estação. O mais fantástico exemplo é, sem dúvida, o da nova ponte sobre o Tejo, chamada ponte da Lezíria. Há milhares de anos que a humanidade sabe que uma ponte serve para passar por cima mas também para passar por baixo. Nós, porém, somos excepção: só depois da ponte estar feita e inaugurada é que as forças vivas locais e os utilizadores de barcos no rio descobriram que a ponte não dá passagem a barcos, porque é baixa de mais. Estiveram ali anos a vê-la ser construída e nunca pensaram no assunto antes de a verem pronta. Agora, todos reclamam e exigem uma 'solução'(?).

No mesmo sector das obras públicas 'urgentes', temos também o caso do novo terminal do aeroporto da Portela, baptizado de Terminal 2, e onde se gastaram milhões em obras 'inadiáveis' de um aeroporto que, oficialmente, só tem mais uns anos de vida. Pois o terminal lá ficou pronto para facilitar a vida a todos e servir melhor as ligações internas. Mas, ao fim de quinze dias, a insuportável e tradicional espera pelas malas que caracteriza o aeroporto da Portela, ficou pior do que nunca e, no Porto, chega a atingir horas de espera. Explicação simples e eloquente do responsável da empresa de "handling" dos aeroportos: "a inauguração do Terminal 2 não correu bem". Eis como a solução se transforma em problema.

Mais obras, públicas e privadas – ou tudo à mistura, como também acontece. O primeiro-ministro foi ao Algarve anunciar mais sete megaprojectos imobiliário-turísticos, os quais, segundo acusação do eng.º Macário Correia, determinaram o adiamento da entrada em vigor do PROTAL, o plano de ordenamento do território aprovado pelo próprio Governo: é que, à luz das normas do plano, e se este já estivesse em vigor, os projectos não poderiam ser aprovados, nem como PIN. Assim, movido pelas melhores intenções, o Governo dispõe-se a pôr alguma ordem no 'desenvolvimento' do Algarve. Mas, movido por ainda melhores intenções, trata primeiro de aprovar aquilo que possa contrariar as suas próprias leis. Na ria de Alvor, uma das raras paisagens naturais ainda preservadas de Portugal, o primeiro-ministro deleitou-se a ouvir sete empresários chegarem-se sucessivamente ao microfone para elogiar a grande compreensão demonstrada pelo Governo em prol do 'desenvolvimento'. E, imaginando já uma paisagem PIN, semeada de hotéis, golfes, vivendas e milhares de camas, onde antes só havia verde, Redes Natura, "habitats" protegidos por directivas europeias e 'obstáculos' quejandos, José Sócrates contemplou este Portugal do futuro e, embevecido pela sua visão, exclamou: "Haverá sempre quem faça críticas, mas é disto que o país precisa!".

Dias depois, como relatava o 'Sol', o primeiro-ministro que jurou apostar num desenvolvimento baseado na qualificação e na excelência, reuniu-se em segredo com os grandes clientes das obras públicas (justamente alarmados com as críticas crescentes à Ota e ao TGV), para em conjunto estudarem novas parcerias para aquele que é será sempre o único verdadeiro "cluster" da economia portuguesa: as obras e encomendas públicas. O Governo encomenda, os bancos financiam, os escritórios de advogados do sistema fazem os contratos, as construtoras constroem e os contribuintes pagam. O país está cheio de porsches e ferraris que saíram directamente do nosso bolso para ajudar a 'desenvolver' Portugal. Miguel Sousa Tavares in http://expresso.clix.pt (13 de Agosto de 2007, 8:00)



A média...

A incerteza cria nas pessoas ainda a necessidade do pai. Do pai salazarista ou do controleiro do PCP. E, quem criticar ou sair da média é rapidamente aniquilado pela inveja e pela mediocridade reinante. in Semanário, 30 de Março 2007, pag 04



Honestidade...

Várias revistas internacionais decidiram fazer um "teste de honestidade", deixando telemóveis de gama média nos bancos de centros comerciais, nas capitais de vários países em todo o mundo. Depois dos artefactos (linda palavra) serem levados por alguém, os jornalistas telefonavam para o telemóvel dizendo à pessoa que se tinham esquecido do aparelho e pedindo a sua devolução. Em Lisboa, muitos dos telemóveis foram desligados imediatamente, para evitarem quaisquer contactos por parte dos proprietários (tanta sabedoria...). Foram devolvidos 15% da totalidade dos aparelhos. Quinze por cento de cidadãos honestos que merecem ser louvados e felicitados, tal é a sua excepcionalidade em Portugal... De acordo com as operadoras de telemóveis portuguesas este resultado até foi muito bom porque são raros os casos em que alguém aparece para entregar um aparelho encontrado. Portugal, uma vez mais e para não variar, ficou no fundo da tabela. No fundo da "tabela da honestidade"... Mas não é por isto que, como Saramago, vou defender a integração de Portugal em Espanha, até porque não há integração que resolva o problema das mentalidades e hábitos culturais. Saramago, que eu saiba, nunca propôs um sistema educativo que educasse para o rigor e a integridade, que procurasse acabar com as práticas do "chico-espertismo", um sistema de educação que impedisse a propagação do mito "o mundo é dos espertos" e colocasse a busca da qualidade e da generosidade à frente da procura dos pequenos benefícios imediatos. Este mito representa uma ideologia que, na essência, proclama a desonestidade e a corrupção como ideais, ideologia que atravessa boa parte da sociedade portuguesa. A não ser radicalmente removida (estripada), pode condicionar muito, mesmo muito negativamente, o futuro do país numa Europa de grandes padrões educacionais e elevadas performances individuais. Na verdade, não me parece valer a pena (tentar-se) incrementar a natalidade em Portugal se não fôr para criar cidadãos de boa qualidade. E isso começa no ensino básico, tal como Sequeira Costa muito bem o disse, já lá vão anos. Por um lado. Por outro, através de um sistema judicial que combata eficazmente a corrupção e todo o tipo de criminalidade. No que diz respeito ao combate à corrupção, aparentemente estão a ser dados bons passos, sendo a Polícia Judiciária uma força fundamental para o sucesso desta luta. Saramago, nomeadamente quando foi director do jornal que agora se faz porta-voz dos seus delírios*, não parece ter tido como preocupação principal (ou secundária) elevar a qualidade da literacia em Portugal, o fomento da crítica inteligente e livre, assim como o respeito pelas pessoas enquanto seres singulares, factores que poderiam ter ajudado a alterar as mentalidades deste país nos trinta anos, ou mais, que entretanto passaram. Por isso, que vá dizer aos bascos e aos catalães que se integrem mais em Espanha, em vez de andar a dizer absurdidades que denotam já um certo grau de senilidade. AST

* não foi nada de bom gosto, muito antes pelo contrário, o Diário de Notícias ter colocado em primeira página (por coincidência em dia de eleições para a câmara da capital de Portugal...) uma frase do escritor dizendo que inevitavelmente Portugal iria integrar Espanha.













2007/07/22

Portugal atrofiado

Alexandre Castro Caldas, professor de Neurologia, recordou... que o cálculo mental, tal como a memorização... permite o desenvolvimento de partes do cérebro que, sem esse treino, ficam atrofiadas
...
Contudo, a ideia de recomendar a utilização da calculadora nos primeiros anos do ensino básico está de volta. in Público, 23 Julho, 2007, pag 42



O Presidente e o país do senhor Alberto

O aborto continuará, pois, a ser clandestino no país de Alberto João Jardim.
...
Exige-se-lhe (ao PR) que não pactue com este desrespeito pelo Estado e pelos legítimos direitos dos cidadãos. in Público, 22 Julho, 2007, pag 44



NAZANIN

El 14 de enero de 2006 los jueces de un tribunal penal de Teherán absolvieron de asesinato con premeditación a MAHABAD FATEHI, conocida como NAZANIN, de 19 años, tras una vista oral celebrada el 10 de enero, si bien resolvieron que la joven debía entregar «dinero de sangre» a la familia del hombre al que había matado en defensa propia en marzo de 2005. La habían condenado a muerte por asesinato en enero de 2006, pero, gracias a las protestas internacionales, entre ellas la de Nazanin Afshin-Jam, reina de la belleza canadiense, de origen iraní, su condena a muerte fue anulada por el Tribunal Supremo en mayo de 2006 y la causa fue remitida para que se celebrara un nuevo juicio. in http://web.es.amnesty.org/pena-muerte-iran/eje_casos.php?autorizo=&id=














2007/07/18

Romeo & Julieta

A aposta de Oskaras Korsunovas (Lituânia) em encenar um clássico, já trabalhado de (quase) todas as formas e feitios, numa pizzaria, duas para ser mais preciso, que nem sequer são tipicamente italianas (e ainda bem), poderia resvalar para um caricato "dejá-vu". Na verdade por aí andou frequentemente, e o final tombou no lugar comum devido ao último movimento de caída dos amantes. Bastaria mantê-los na posição em que se encontravam, a rodar na máquina de amassar (a massa para as pizzas...), que de resto foi inteligentemente utilizada ao longo de todo o trabalho, e criar-se-ia um efeito de perenidade. O movimento de caída dos corpos, já mortos (ainda que este facto não tenha relevância), foi trivial e desnecessário. Estúpida banalidade de um gesto que significa "fim", e desencadeia o início das ovações... A trivialidade atravessou toda a criação, num movimento pendular entre riso e emoção (sem que o riso seja sempre e necessariamente trivial, e sabendo que o mesmo expressa emoções). No entanto, esta oscilação foi seguramente vista e revista pelo criador, sendo o resultado global não só inovador, como tem momentos de uma força dramática incomum, sobretudo se pensarmos que estamos a tratar de duas famílias burguesas, proprietárias de pizzarias, aparecendo, não se sabe como, um conde que quer desposar a plebeia Julieta. Talvez necessitasse do dote... Ou talvez a Julieta o atraísse (muito) especialmente. De facto havia um rolo de massa metido num dos bolsos dianteiros das calças do conde que nos remetia deliberada e ostentatoriamente para a simbologia fálica, que dominou toda a peça até à iminência da morte dos amantes, que surge como uma castração radical. Castração do prazer, da vida, da arte, de tudo. O "caso" entre a ama e o frade não pode deixar de nos remeter para a leitura que Peter Sellars fez na encenação de Don Giovanni, de Mozart, e que Zizec referiu em "Goza o teu Sintoma" (que é o sub-título da obra em causa mas que, para mim, é o que possui "significância"). Mas tudo isto são "quase-minudências"... As luzes, de Eugenijus Sabaliauskas, transformaram as pizzarias, primeiro em espaço de luta, depois em igreja e finalmente em tumba, com uma improvável eficácia plástica para um cenário imutável (levantaram-se as mesas, na cena final, para criar uma área delimitada, que foi o espaço onde aconteceu a morte dos amantes). O mecanismo de relógio, que aparecia esplendorosamente iluminado e activado durante as cenas entre os amantes, funcionou como potente simbolismo. O incrível texto de Julieta, re-criado com base na obra do inglês, foi um dos elementos que introduziram elevada "poiésis" nesta produção. A branca farinha esteve associada à morte, substituindo-se ao vermelho do sangue e ao veneno que conduz à morte, o que foi absolutamente eficaz, ou não funcionasse o branco como um símbolo, directo, da palidez da morte. A ideia de, no funeral de Julieta, serem grandes talheres a fazer de oferendas, em vez das tradicionais flores, foi brilhante, e a cena seguinte, com Romeu a rebolar-se, desesperado de morte (desesperado para a morte...), em cima das metálicas oferendas, foi outro momento conseguido. A convicção e desempenho dos actores foi um factor fundamental, mas, a parte sonora, de Antas Jasenka, foi (com o fantástico desenho de luzes) um dos "elementos primordiais" (o compositor partiu, em determinadas contextos, dos ruídos previsíveis, repetindo-os em "loops", criando, desta maneira, contextos de abstracto simbolismo; utilizou, em outras situações, sons electrónicos que conseguiam efeitos de um suspense antecipatório das sucessivas tragédias; nos momentos de hilariante euforia foi utilizada música popular, trespassada de uma sub-reptícia ironia, que fez lembrar os "scherzos" em ritmo ternário acelerado nas sinfonias de Shostakovitch - com as devidas distâncias - que impediu a queda no trivial; nas cenas dos amantes foi feita música com um "efeito etéreo" que não caíu no "cliché do costume") que fez desta re-criação da célebre tragédia, na minha opinião, a mais relevante (e interessante) da actualidade, que muito provavelmente ficará entre as mais marcantes baseadas no "Romeu e Julieta" de Shakespeare. Foi possivel vê-la em Lisboa, no Mite'07, que decorre no Teatro Nacional D. Maria II. AST



Tristes números

E é muito difícil acreditar em programas de reconversão do perfil económico da nação, como o Plano Tecnológico, quando um em cada quatro estudantes tem nota 1 nos exames de Matemática do 9º ano, em que apenas um em cada quatro alunos consegue passar. in Diário Económico, 17 de Julho, 2007, pag 36



Martírio diário

... este é o pior governo para a área educativa não superior de que guardo memória.
...
Tudo o que seria importante para promover a qualidade do sistema de ensino ou não foi realizado ou foi objecto de medidas que degradaram ainda mais o que já era mau.
...
Aumentou o facilitismo e a idiotização do ensino.
...
Promoveu-se o clientelismo e premiou-se a delação e o servilismo.
...
Mudou-se a legislação disciplinar, mas continua a ser mais fácil falsificar uma nota de 50 que actuar com eficácia sobre os pequenos delinquentes, que tornam a vida dos colegas e dos professores um martírio diário. Santana Castilho in Público, 19 Julho, 2007, pag 42



(in)Disciplina

João Dotti, vice-presidente da Associação Industrial Portuguesa (AIP)... considera, por exemplo, que a mão-de-obra mais jovem é pouco responsável perante o trabalho e "tem problemas de disciplina" in Diário Económico, 20 de Julho, 2007, pag 10



Mais formação e qualificações certas

Para Paula Carvalho, economista do banco BPI, "este ciclo vicioso só se vai quebrar quando a população activa tiver mais formação e qualificações certas, o que leva tempo"...
Quando a qualidade dos negócios fôr superior "as empresas vão querer segurar os empregados mais qualificados e investir mais nas pessoas, privilegiando vínculos laborais mais duradouros", juntou. idem



Pedagogia portuguesa

E o que se passa nos bastidores é horrendo. Sob a retórica igualitária, que pulula nesses círculos, sob os discursos dos pedagogos que dizem ser preciso valorizar os "saberes" que os alunos trazem de casa, sob a máscara de uma escola para todos, estamos a destruir o futuro das crianças mais pobres. Maria Filomena Mónica in Meia Hora, 6 de Julho de 2007, pag 4



Portugal tem dos piores gestores do mundo

O aumento da qualidade de gestão nas empresas é fundamental para melhorar a produtividade e competitividade do país.
...
De acordo com um estudo realizado junto de quatro mil empresas, nos EUA, Ásia e Europa, pela Mckinsey, as empresas nacionais ficam sempre nos últimos lugares das tabelas classificativas. in Diário Económico, 16 de Julho, 2007, pag 8



Gestão é um reflexo do próprio país
...
O empresário considera que o défice educativo é um dos grandes problemas das empresas, que lhes diminui a capacidade de competir e de inovar. idem



Sine Qua Non

A imprensa escrita livre é a base da nossa sociedade democrática e os governos não devem intervir na regulação da imprensa escrita. É uma regra sine qua non. Viviane Reding, Comissária Europeia para os "media", citada in Diário Económico, 18 de Julho, 2007, pag 38

Nota: a comissária estava, concerteza, a referir-se a todos os "media" e não exclusivamente à "imprensa escrita".



Frases divertidas

Santana Lopes - alguém que, em lugar de "andar por aí", devia antes "desandar daqui"

CDS de Paulo Portas, cada vez mais um partido em riscos de nem um táxi encher no futuro... in Público, 18 Julho, 2007, pag 42














2007/07/01

IVANOVO DETSVO

A Infância de Ivan, de 1962, é o segundo filme de Andrei Tarkovsky. Trata-se de uma obra onde a estética peculiar do grande artista se afirma desde o primeiro instante. O filme trata a heroicidade de um orfão, adolescente, que se sacrifica no combate contra o exército nazi, mas é sobretudo uma obra de cariz "esteticizante", onde a plasmação da imagem em prolongadas sequências estabelece, consistentemente, a semiologia e a sensibilidade de Tarkovski que, anos depois, irá realizar o seu terceiro filme, que é uma obra prima essencial do cinema e da arte: Andrei Rubliov (1966). É "curioso" que o protagonista do grande "quadro" final de Andrei Rubliov, a fundição do grande sino, é igualmente um adolescente, orfão, que assume um empreendimento que a ser mal sucedido lhe custaria a vida. É "curiosa" a persistência da água que pinga em ambientes degradados, criando-se aqui o paradoxo do símbolo decaído da purificação, que vai atravessar toda a criação tarkovskiana. As cenas com cavalos, símbolo da virilidade e da mudança, em A Infância de Ivan, são uma sequência onírica trespassada por uma positividade que não permanecerá nos filmes seguintes, onde os cavalos surgem associados à guerra e, numa sequência de um outro filme, aparecem caídos. As cenas oníricas, em A Infância de Ivan, são "momentos chave" que pontuam, suspendendo e subvertendo, o tempo da narrativa. Muito sintomática a auto-interrogação do camponês com quem Ivan se cruza na sua fuga à tranquilidade e segurança que lhe querem impôr: quando é que isto terá um fim? É uma interrogação enigmática pois não sabemos se o "isto" é aquela guerra específica, ou é aquela guerra como mais um episódio de uma história sangrenta. A cena é toda ela surrealista, finalizando com o idoso a trancar a porta de uma casa completamente destruída e sem paredes... Não teremos aqui uma súbtil metáfora da Rússia? O péssimismo e a angustia gerada pela história russa, aqui, em meu entender, apenas aflorados, serão o "leit-motiv" de todos os filmes de Tarkovski. O grande cineasta não chegou a conhecer a Rússia actual, que é muito pior que aquilo que se poderia deduzir da negatividade que paira na sua ficção esteticizada. A Cinemateca Portuguesa fez a primeira projecção em Portugal de A Infância de Ivan, no dia 30 de Junho de 2007. Deveria re-apresentar com maior regularidade as obras do grande génio, prematuramente desaparecido, que são oito criações incontornáveis da história do cinema e da arte. Tratam-se de paradigmas de uma determinada maneira de pensar, e sentir, os actos de filmar e montar, paradigmas que são vitais para a formação de todos os artistas e para a educação da sensibilidade de todos os cidadãos. AST




Terror na Rússia

O senhor (Putin) comprovou ser tão bárbaro e desumano como os seus críticos mais ferozes o descrevem. Alexander Litvinenko, Londres, 21 de Novembro de 2006 in Terror na Rússia, Porto Editora, 2007

Desde então, várias pessoas que nos tinham ajudado foram mortas. Yuri Felshtinsky, idem




Putin

In July he (Alexander Litvinenko) claimed...that the President (Vladimir Putin) was a habitual pedophile...also contented that Putin had been on the take from Mafia groups for years... in Time-Europe, December 18, 2006, pag 26





Bestas nazis

É que os nazis roubaram e destruiram tanto no Ocidente como nos países de Leste, como no caso da Rússia, onde terão destruído e saqueado mais de 300 mil peças. É gigantesco. Às vezes, quando estava a fazer investigação, tudo isto me parecia ficção científica. Héctor Feliciano, autor de "O Museu Desaparecido", in Focus, 4 de Julho de 2007, destacável, pag 75





Corrupção

A corrupção (em Portugal) existe e está a agravar-se. João Cravinho in Focus - Portugal, nº 402, pag 20




Little country - big deals

A Polícia Judiciária (PJ) está a investigar o rasto de cerca de 24 milhões de euros que o consórcio alemão GSC, com o qual o Estado português contratualizou a compra de dois submarinos em 2004, transferiu para a Escom UK, empresa do Grupo Espírito Santo (GES) sedeada no Reino Unido. O inquérito procura apurar se existe alguma relação entre o destino final desse dinheiro e o resultado do controverso concurso público dos navios de guerra submergíveis. Este foi ganho pelos alemães do "Germain Submarine Consortium", que propuseram a venda dos dois submarinos por 845 milhões de euros e comprometeram- -se a proporcionar negócios para empresas portuguesas no valor de 1,2 mil milhões de euros (as chamadas contrapartidas).

A investigação foi despoletado por conversas telefónicas, alegadamente interceptadas pela PJ, entre o ex-ministro da Defesa Nacional, Paulo Portas, e o ex-director financeiro do CDS-PP, Abel Pinheiro, no âmbito do inquérito-crime "Portucale". O Ministério Público ordenou a separação processual, abrindo então um novo inquérito para os submarinos.

Fonte ligada ao processo disse que a Escom do Reino Unido (o GES tem outras empresas com o mesmo nome sedeadas nas Ilhas Virgens Britânicas e em Portugal) poderá ter transferido parte dos 24 milhões de euros para escritórios de advogados, empresas ligadas a tecnologias de ponta e à investigação, ao ramo automóvel e ao sector da construção civil.

A transferência das verbas para estas empresas é justificada com a prestação de serviços ligados ao contrato de fornecimento dos submarinos, mas, em vários casos, a PJ suspeita de que isso não corresponderá à verdade. Procura apurar, por isso, se se trata de serviços simulados e se, na realidade, aquelas transferências de verbas não estarão relacionadas com a vitória do GSC, em 2003, no referido concurso público internacional. in http://jn.sapo.pt (2007/07/08/nacional)














2007/06/19

O genocídio às nossas portas

Before she died, Heshu wrote this letter: "Me and you will probably never understand each other, but I'm sorry I wasn't what you wanted, but there's some things you can't change. Hey, for an older man you sure have a strong punch and kick. I hope you enjoyed testing your strength on me. It was fun being a 16-year-old at the receiving end. Well done."

in The Independent, 13 June 2007, pag 33

Descobriu-se que o grosso dos suicídios entre as jovens asiáticas (os britânicos incluem nesta designação as jovens procedentes do médio-oriente...) que residem no Reino Unido é um suicídio imposto pela família, devido a "questões de honra". É imprescindível que seja feito um estudo sobre as jovens das mesmas comunidades a residir nos outros países da UE, nomeadamente na Alemanha, Holanda e Bélgica. Agora sabe-se (na verdade as autoridades do "reino" já o sabiam há muito) que quando uma jovem "asiática" desaparece, no Reino Unido, e a familia diz que foi "para fora", provavelmente foi assassinada, ou obrigada a praticar um "suicídio assistido". Tudo por "questões de honra". Essas "questões de honra" prendem-se normalmente com a recusa em submeterem-se a "casamentos arranjados", por escolherem parceiros que as familias não aprovam ou por se afastarem do estilo de vida "devido". Os números em Inglaterra são assustadores. No resto da Europa são simplesmente desconhecidos. Quando a Europa assistiu, com ténues protestos, à re-habilitação da pena de morte no Iraque para enforcar Sadam, mas ao mesmo tempo ignora dentro de portas o genocídio das jovens que ousam contrariar as tradições das suas comunidades de origem, com as quais frequentemente não se identificam, questiono-me se (a "Europa") faz algum sentido. A mesma Europa que ignora este genocídio atroz, inaceitável e brutal, é a mesma Europa que manda milhões de euros para países estruturalmente corruptos, como a Roménia e a Bulgária*, que agora fazem parte da UE, muitos milhões de euros que irão, evidentemente, repousar nas contas dos mafiosos que controlam aquelas economias, e reforçar os esquemas de corrupção que dominam completamente aqueles países, sufocando os seus cidadãos e produzindo desigualdades que só encontram paralelo no hipocritamente já não chamado "terceiro-mundo". Será que os orgãos da UE desconhecem que no que toca à Roménia, por exemplo, "consta" que para qualquer projecto de envergadura ver futuro é necessário que os investidores acrescentem mais 17% em relação ao investimento total previsto? A ser verdade, será que a UE desconhece este facto, o que é incompetência manifesta, será que a UE institucionaliza a corrupção, fechando os olhos, ou será que a UE fechou ou vai fechar a "torneira" até o estado de coisas se alterar (se se alterar...)? Pelo passado podemos extrapolar que a "torneira" continuará a jorrar... Adiante. Yasmin Alibhai-Brown, no artigo acima citado, propõe que os assassinos por "questões de honra" sejam condenados a penas mais longas. Outros e outras falam na re-habilitação da pena de morte no Reino Unido: argumentam que se o Reino Unido permitiu, e apoiou, essa re-habilitação no Iraque, com maior grau de razão a deve re-habilitar dentro de portas, nomeadamente para a aplicar a estes "patriarcas" horrorosos, e seus cúmplices, que por supostas "questões de honra" não hesitam em pôr termo à vida de jovens dignas e corajosas que, contra os proclamados hábitos das suas comunidades de origem, preferem a morte à submissão a maridos asquerosos e violentos. Claro que o "reino" deixa a pena de morte para os outros. O "reino" auto-considera-se o exemplo acabado da "civilização ocidental" e portanto não pratica barbaridades... Mas a história demonstra que as grandes barbaridades humanas só foram estancadas com outras barbaridades, as guerras, por exemplo. De resto, os que estudamos um pouco sobre o assunto sabemo-lo muito bem, da mesma maneira que um "serial-killer" só hipocritamente se arrepende, também algumas formas de crença, nomeadamente a crença na sacralidade da tradição, podem ser irreversíveis, sendo o eventual arrependimento um "arrependimento" oportunista e hipócrita. Fundamentalmente não devemos esquecer as jovens assassinadas: são heroínas e exemplos de integridade, que não foram devidamente protegidas pelo "reino" e pela "Europa". O "reino" e a "Europa" devem tomar medidas, rápidas e eficazes, para pôr um travão, definitivo, aos matadores. Um dia os cidadãos ("europeus", porque os do "reino" estarão, como habitualmente acontece, ocupados com a raínha, os herdeiros e os pequenos escândalos entre celebridades que diariamente preenchem os jornais mais lidos pelos muito cultivados súbditos de "sua magestade") irão cansar-se de tanto crime, evitável, se fosse feito tudo o que deve, e pode, ser posto em prática para os parar. AST


* Se, como entre os "eurocratas" se pretende, todas as polícias da UE tiverem acesso às bases de dados umas das outras, nomeadamente às dos registos das licenças de condução, significa que os mafiosos romenos e búlgaros ficarão na posse desses dados. Toda a gente sabe que a máfia desses países está bem presente nas respectivas polícias, tribunais, "poder local" e até nos governos. O Reino Unido, porque se trata da segurança dos ingleses, já disse que esse assunto está completamente fora de questão. Se não tomar medidas "radicais", o que não é provável (...), a UE está condenada a abrigar as máfias, e outros criminosos, que nasceram ou residem nos países que actualmente a integram. Foi sem dúvida um alargamento "histórico", que augura um futuro brilhante para a UE. Já agora metam-se a Turquia e a Albânia, e teremos a "família", com os respectivos "padrinhos", completa. Seria muito interessante, antes de se imaginarem sequer novos alargamentos, fazer-se um estudo, sério e exaustivo, sobre o estado da corrupção, tanto entre os "novos", como entre os "velhos" membros da UE. É que da Roménia e da Bulgária todos sabem e todos comentam. E na Hungria, por exemplo? Já acabaram com os mafiosos e os proxenetas, que andam sempre muito ligados? E qual a situação exacta de um membro "sénior", como Portugal? Quais os tipos, localização e profundidade, das formas de corrupção actuais? Não vá o velho Portugal ser também estruturalmente corrupto, ainda que num registo mais elaborado e "soft", se comparado com a corrupção "crua e dura" que acontece na Roménia e Bulgária... E as liberdades? Como estamos de liberdades na velhinha Lusitânia de tradição autoritária?


Nota: depois de investir milhões num determinado país, a UE não deve, e não vai, simplesmente expulsa-lo ao verificar a incapacidade do mesmo para atingir "metas básicas" como a total eliminação da corrupção e a plena efectividade das liberdades e direitos fundamentais (aqueles que a existência de corrupção e máfias impedem de se efectivarem) para os seus cidadãos. Se um país não tem capacidade para levar por diante essa tarefa, apesar dos milhões de ajudas, terá de ser a própria UE a encarregar-se dela. É possivel que hajam países no seio da união que não o consigam. Nesse caso, a UE deve sentir-se absolutamente responsável para concretizar esse objectivo fundamental. Quem aceita receber milhões e sabe que não os vai poder devolver, está, implícita e explicitamente, a fazer um contrato com quem lhe "oferece" o "maná". Acredito que para os cidadãos honestos desses países seria uma excelente notícia se a UE decidisse encarregar-se dos seus destinos, subtraindo-os ao despotismo dos corruptos nacionais.







Velha Europa

Primeira-dama italiana é atropelada à porta do palácio

Clio Napolitano, de 72 anos, foi atropelada numa passadeira em frente ao Quirinale, por uma condutora de 74 anos... in http://sol.sapo.pt (6a-feira, 29 Junho)



Portugal...

Em Portugal, no ano de 2006, foram mortas pelos namorados e maridos 39 mulheres. in Focus - Portugal, nº400



Cultura

Treze milhões de italianos foram ao teatro em 2006, cifra superior, pela primeira vez nos últimos anos, aos 12,7 milhões que assistiram a acontecimentos desportivos. in Meia Hora, 26 de Junho de 2007



Embuste total

Esses cursos *, se o Ministério quer poupar, devem ser encerrados de imediato!!! Qualquer aluno com um mediano 5º grau de um Conservatório (vamos chamar assim para que todos compreendam), o equivalente a um 9.º ano, sabe mais do que qualquer licenciado nos Escolas Superiores de Educação se nunca recorreram a instituições onde possam aprender música!
É o embuste total! Cursos cheios de pedagogia, mas sem um mínimo de curricular de música não conferindo qualquer competência, nem como professor e muito menos como músico! in http://ideias-soltas.net/2007/06/12/ensino-artistico-a-caminho-de-uma-peticao/#comments

* ministrados nas Escolas Superiores de Educação



Imensas coisas!

... defendeu uma pedagogia “próxima do brincar, actividade em que a criança aprende imensas coisas”, que tem por base a teoria do lazer: descansar, divertir e desenvolver.
...
Isto só pode ser brincadeira! Continuo, francamente, sem perceber para que servem estas Escolas Superiores de Educação, em especial, no que à educação artística diz respeito e que cada vez cativam menos alunos para os seus politécnicos cursos!

É a estes especialistas, sejam os das Escolas Superiores de Educação sejam os das Ciências da Educação que o Ministério da Educação se agarra para, paulatinamente, ir empobrecendo a educação das crianças e adolescentes e desmotivando (não tenho a mínima dúvida) os bons professores!
...
Num momento em que sobre tudo e todos recaem suspeições, seria prudente que o Governo evitasse de alguma forma que se possa pensar que há estudos encomendados à medida dos interesses do Ministério da Educação! in http://ideias-soltas.net (22Jun07)



2007/06/16

Alfred Brendel contra a tosse

Talvez os "tossantes" não tenham percebido, mas a mensagem de Brendel ao levantar a mão era clara: ou se calam ou vou-me embora. Felizmente, entre os milhares que enchiam o renovado Royal Festival Hall, cuja sonoridade não melhorou sensivelmente, somente um ou dois exprimiram de novo a sua tosse, e com "surdina"... Apesar da brendeliana austeridade, as tosses foram menos que as notas erradas e esmagadas que Brendel deu ao longo do recital, para não falarmos da "passagem desaparecida" no primeiro movimento da sonata de Mozart. Acontece... O Haydn esteve mais ou menos bem. Anos-luz aquém daquilo que Brendel oferece nos discos... A op 110 de Beethoven foi tocada com muito cérebro e pouca emotividade. Não percebo porque é que um espectador, que estava ao meu lado a abanar-se e a mexer os dedos, como quisesse dizer "eu faria assim", se emocionou e chorou... O Schubert foi supremo. Brendel é um dos maiores shubertianos de sempre e isso ficou claro no "encore", que foi talvez o melhor de todo o recital. Os ouvintes ingleses são o que são... Depois de um "encore" fora de série, ovacionaram muito brevemente, levantaram-se e abandonaram a sala. Em contrapartida, fartaram-se de gritar bravos a uma sonata de Mozart cujo andamento central foi aborrecido e desprovido de veia... Livios Pereyra

2007/06/12

Richard Rorty

04/10/1931 - 08/06/2007


Rorty foi um dos pensadores mais importantes do sec. XX. Condicionou o advento do "pos-modernismo" ao proclamar que se deve abandonar a procura da "verdade objectiva". Foi igualmente um leitor inteligente e prespicaz de muitos autores, sendo a obra que dedicou a Aristoteles uma entre as relevantes para o estudo do pensador grego. Philosophy and the Mirror of Nature (1979) e Contingency, Irony and Solidarity (1989) são os seus livros mais importantes.









UK: Mahmod Mahmod murdered daughter Banaz

The victim of an "honour killing" had been dismissed by police as a fantasist

Mr Sulemani (Banaz's boyfriend) was deemed unsuitable because he did not come from the villages in Iraqi Kurdistan where the Mahmods originated.

Banaz feared for her life when her father came towards her menacingly, wearing gloves, and she jumped through a window.

When she told a police officier, PC Angela Cornes, about what happened, her account was dismissed as fantasy.

Mr Cornes even wanted to have her charged with criminal damage for breaking the window.

One of the men later admitted his part in the crime, while the other two have fled the country.

in Metro UK, June 12, 2007


Because Mr Sulemani was not a strict Muslim and not from the Mirawaldy region, Miss Mahmod's father ruled that she would never marry him.

When Ari Mahmod (Banaz's oncle) saw the photograph of the embrace (taken by a member of the Kurdish community), he contacted a gang of Kurdish thugs and planned the murders.

in The Times, June 12, pag 7


In the pictures of them (Banaz's murders) in the newspapers, their eyes shine bright. No shades of self-doubt

in The Independent, 13 June, 2007, pag 33







The possibility that such crimes were going undetected was strengthened when it emerged that three times as many Asian women aged between 16 and 24 commited suicide, compared with the national average.

in The Times, June 12, pag 6







"You will be the next", Asian woman is told

Violence is behind high suicide rates

in The Times, June 13, 2007, pag 15













Portugal...

A mulher de 76 anos que alegadamente roubou um creme de beleza de 3,99 euros num supermercado em Paranhos, no Porto, sofreu hoje uma reviravolta em tribunal, com a procuradora do Ministério Público a pedir a sua absolvição.

Segundo o advogado oficioso da arguida, Sousa da Silva, o juiz ordenou na sessão anterior a entrega por parte do Lidl de meios de prova e o próprio supermercado entregou ao tribunal um talão que prova que a mulher pagou o creme naquele dia 18 de Outubro de 2005, às 11h54.

Perante estes dados, a procuradora do Ministério Público pediu a absolvição da ré e o mesmo solicitou o seu advogado. O juiz vai agora "analisar o processo" e ditará a sentença no próximo dia 21, pelas 15h30.

O julgamento desta septuagenária, natural de um concelho minhoto, teve início a 23 Maio nos Juízos Criminais do Porto. Apesar do valor irrelevante do creme de beleza alegadamente roubado (3,99 euros), o Ministério Público decidiu avançar com a acusação, num processo que custará centenas de euros ao Estado, sendo que só o advogado oficioso da arguida recebe 264 euros por cada sessão do julgamento

13.06.2007 - 13h44 Lusa









O ALARIDO DOS INOCENTES

No dia 3 de Junho, a seguir às notícias das 20.00, a RTP1 entrevistou um sujeito que está pronunciado pelo homicídio de três raparigas, cometido em circunstâncias particularmente chocantes. Sem a autorização e a complacência da autoridade prisional, a entrevista não teria sido possível.

Tratou-se de um genial acesso de sensacionalismo da televisão do Estado, para antecipar, face à concorrência, a rotunda negação da prática dos crimes que, no dia seguinte, iria ser feita pelo acusado na audiência de julgamento.

...

- o Serapião Cuco, acusado de tráfico de armas, a jurar que as dez metralhadoras, as seis granadas de mão, as 18 pistolas de guerra, os pacotes de munições e os 50 mil euros em rolos de notas tinham sido encontrados numa serapilheira pelo filhinho de tenra idade, quando andava a brincar atrás de uma moita no pinhada Remontada de Baixo;

- o Libânio Surrobeco, acusado de violação, a contar como é que viu passar Isménia ao lusco-fusco e se limitou a pedir-lhe lume, para o que ela teve de tirar o isqueiro do soutien e, como não o encontrava, teve de tirar o soutien, prestando-se mui esbraseada a tudo o que se passou em seguida.

Se já ninguém acredita na Justiça, porque é que a RTP não há-de ter o desvelo carinhoso e solidário de dar voz aos inocentes?

Os dramas de faca e alguidar e o insuperável gabarito intelectual das entrevistas sacudirão a brandura atávica dos nossos costumes, provocarão o tremendo abalo catártico das almas, exarcebarão titilações sincopadas dos sentimentos, educarão para a cidadania, produzirão cultura da melhor, evitarão os erros judiciários, contribuirão para a aprendizagem ao longo da vida, potenciarão o aproveitamento escolar, porão de cócoras os nossos parceiros europeus e farão com que as audiências subam na vertical.

A RTP e a autoridade prisional continuarão a achar que colaboram num verdadeiro serviço público.

Ninguém lhes vai à mão. Ninguém responsabiliza ninguém. Ninguém vai para a rua. O Governo, esse, inimputável, impávido e sereno, assobia para o lado.

V G Moura in http://dn.sapo.pt/2007/06/13









Portugal de sempre

- Perdão... Que o Diabo lhe tire a sua dor de cabeça, senhora baronesa!
O velho democrata desaparecera discretamente. E da antessala Ega avistou logo ao fundo, no tablado, sobre um mocho muito baixo que lhe fazia roçar pelo chão as longas abas da casaca - o Cruges, com o nariz bicudo contra o caderno da Sonata, martelando sabiamente o teclado. Foi então subindo em pontas de pés pela coxia tapetada de vermelho, agora desafogada, quase vazia: um ar mais fresco circulava: as senhoras, cansadas, bocejavam por traz dos leques.
Parou junto de D. Maria da Cunha, apertada na mesma fila com todo um rancho intimo, a marquesa de Soutal, as duas Pedrosos, a Teresa Darque. E a boa D. Maria tocou-lhe logo no braço para saber quem era aquele músico de cabeleira.
- Um amigo meu, murmurou Ega. Um grande maestro, o Cruges.
O Cruges... O nome correu entre as senhoras, que o não conheciam. E era composição dele, aquela coisa triste?
- É de Beethoven, sr.ª D. Maria da Cunha, a «Sonata Patética».
Uma das Pedrosos não percebera bem o nome da Sonata. E a marquesa de Soutal, muito séria, muito bela, cheirando devagar um frasquinho de sais, disse que era a «Sonata Pateta».
Por toda a bancada foi um rastilho de risos sufocados. A «Sonata Pateta»! Aquilo parecia divino!
Da extremidade o Vargas gordo, o das corridas, estendeu a face enorme, imberbe e cor de papoula:
- Muito bem, senhora marquesa, muito catita!

Eça de Queiroz, Os Maias (in tonicadominantepb.blogspot.com)








Portugal jovem

Já no carro-patrulha, o desordeiro continuou agressivo, pontapeando o banco da viatura. A fúria continuou na esquadra. Segundo fonte policial, o desempregado tentou "automutilar-se" desferindo várias cabeçadas no chão e nas paredes. Actos que repetiu no Hospital de S. João, onde foi conduzido por uma equipa médica do INEM. Ali, continuou às cabeçadas, inclusive em algumas macas. in http://jn.sapo.pt (2007/05/07)

A recusa de um cigarro terá estado na origem de um desentendimento entre dois jovens que terminou com um deles, de 21 anos, atingido a tiro numa perna. idem














2007/05/19


Fabuloso Amadigi por Hogwood

A Academy of Ancient Music, conduzida pelo seu fundador, ofereceu-nos uma brilhante leitura, não encenada, de "Amadigi di Gaula", de Handel, em Londres. Christopher Hogwood, um grande e experiente artista, conseguiu extrair da orquestra "timings" contrastantes e sonoridades sugestivas, ao mesmo tempo que os cantores demonstravam a sua grande categoria, como seria de esperar, nomeadamente, de um Lawrence Zazzo, que representou "Amadigi". A contralto Patricia Bardon foi um alucinante "Dardano", as sopranos Simone Kermes uma contundente "Melissa" e Klara Ek uma apaixonada "Oriana", todas elas com excelentes performances. No final do segundo acto, e no terceiro, o trompete teve um desempenho no limiar do perfeito, o que muito raramente acontece quando se utiliza um instrumento "natural", como foi o caso, recebendo o instrumentista a mesma carga de aplausos que o e as solistas. Particularmente as cordas da orquestra estiveram sublimes. As madeiras "antigas" nem sempre oferecem a mais bela sonoridade, mas estiveram tecnicamente bem. O "continuum" esteve muito bem. Resultado: uma grande noite para o Barbican e para todos os presentes, que quase encheram a sala principal. Livios Pereyra







As "raízes" e a "real" democracia

"O lamentável nas discussões sobre a Europa foi acreditar que as raízes democráticas eram romanas, cristãs, quando as autênticas, as reais, eram gregas"
...
Lane Fox assegura que se os gregos antigos vissem a democracia das sociedades contemporâneas diriam que "não é real".
...
Lane Fox explica como foi inventada na Grécia a democracia, que era odiada por nobres e ricos e mais ainda pelos romanos, e como o cristianismo cresceu nas cidades.

in http://noticias.sapo.pt (29 de Maio, 23:17)


Sobre a "real" democracia, deve ser dito que a da Grécia antiga foi uma "democracia" de homens que andavam com rapazinhos imberbes, "democracia" na qual as mulheres não entravam, "democracia" cujo sustentáculo produtivo era a escravatura.
Parece portanto faltar algo fundamental na teoria de Fox sobre as "raízes democráticas"... O cristianismo ao atribuir um papel central à figura feminina criou a base das sociedades modernas. Basta comparar com o islamismo, onde o papel da mulher se resume a procriar e tratar do bem estar dos homens. Como na antiga Grécia, onde seguramente encontra as "raizes". Neste aspecto o cristianismo teve um papel diferenciador que não deve ser omitido. De resto, para muitos estudiosos, Maria Madaglena foi "o discípulo" (o termo era sempre empregue no masculino) "que Jesus amava", e que se encontrava "ao lado da mãe", junto à cruz.








With Biblical barbarity, a beautiful teenage girl is battered to death by a baying mob of men. Her crime? Daring to fall in love with an Iraqi boy from the "wrong" religion...

in Dailly Mail, May 17, 2007, pags 42 & 47


Quem foi o idiota, espanhol, ex-governante, que disse estarem o mundo, e o Iraque, melhores depois da queda de Sadam?








Good men...

Blair: "I have admired him as President, and I regard him as a friend"

Bush: "My relationship with this good man (Mr Blair) is where I' ve been focused"

in The Times, May 18, 2007, pag 9