2007/11/06

Alô América!

A Comissão Europeia, presidida por José Manuel*, considerou que as medidas do governo italiano não violam as disposições comunitárias. Alô States! Alô Canadá! Já sabem o que fazer quando se quiserem ver livres de alguns europeus: achamos que és uma ameaça por isso vais despachado para a porcaria da tua terra, cabrão!

* o novo tratado europeu tem pelo menos o mérito de reduzir os poderes destas comissões dirigidas por tipos cinzentos como Prodi e Barroso.


Por volta da mesma altura em que o romeno assassinou a mulher italiana, um italiano de 23 anos participou num crime horrendo em que uma estudante Erasmus inglesa foi assassinada depois de ter sido abusada sexualmente. A polícia italiana deteve 3 dos supostos criminosos (foram recolhidas impressões digitais de um quarto elemento) em 4 dias. Encontram-se detidos para além do italiano (na página que criou no myspace aparece mascarado de cirurgião com uma faca de carniceiro numa mão e o que aparenta ser uma embalagem com ácido na outra) mais duas pessoas. Uma é dos EUA, tem 20 anos e foi educada num colégio jesuíta*. É namorada do italiano, partilhava o apartamento com a vítima e trabalhava para o terceiro suspeito, que é um africano do Congo com 37 anos. Trata-se de um conhecido empresário local e músico de reggae que colaborava com a universidade de Perugia. É casado com uma polaca e pai de uma criança. Foi quem consumou a violação previsivelmente ajudado pelos outros criminosos. Alegadamente foi quem desferiu os golpes que causaram a morte de Meredith Kercher. De de acordo com as perícias efectuadas a estudante teve uma morte lenta e dolorosa. Sabe-se que anteriormente o congolês se tinha declarado a Meredith e tinha recebido uma resposta negativa, no entanto durante o primeiro interrogatório afirmou não a conhecer... Todos proclamam estar inocentes, mas na face da vítima foram encontradas marcas feitas pelos dedos da americana e nos lençóis impressões digitais do italiano. Um homem, em Roma, afirma ter recebido, por engano, um sms a dizer "para mim Meredith vai morrer esta noite ou amanhã", escrita em inglês, mas como não reconheceu o número desgravou a mensagem... Muito recentemente a Itália viveu outro caso mediático em que o namorado (italiano) de uma jovem (italiana), muito estimado e aceite pela família da mesma, lhe esmagou o rosto com um objecto de metal. Também se declarou inocente... Nem o governo italiano tomou medidas para proteger as mulheres deste tipo de violência, que não é nova, nem aconteceram movimentações da "sociedade civil" nesse sentido. Impressionante contraste...

* In July Ms Knox, who was educated at a $12,000-a-year (£5,750) Jesuit college, was fined $269 over a “residential disturbance”. She wrote on Facebook: “I don’t get embarrassed and therefore have very few social inhibitions.” in Meredith Kercher ‘killed after refusing orgy’ in http://www.timesonline.co.uk (November 7, 2007)


Neste dia soube-se que as emissões de gazes poluentes produzidos pelos paises ricos em 2005 só encontram níveis equivalentes se recuarmos até 1990. Um brilhante futuro... talvez um pouco acinzentado...










2007/11/03

Vergonha!

Os italianos, conhecidos por constituirem das maiores comunidades imigrantes em todo o mundo ocidental, decidiram que os imigrantes, em Itália, que sejam considerados "ameaças à segurança pública" possam ser expulsos automaticamente por decisão de um juiz, sem ser necessário julgamento. Toda uma histeria colectiva devida a um crime praticado por um imigrante romeno, denunciado por uma elemento da mesma comunidade que colocou a sua própria segurança em risco. Mas este facto, sem o qual talvez ainda andassem à procura do criminoso, não parece sensibilizar o bom povo italiano... Se todos os países expulsassem os italianos que cometeram crimes, a Itália encontrar-se-ia a com um problema sério...

Seguindo a "vontade do povo", as autoridades italianas destruiram as barracas onde se aglomeravam os imigrantes romenos nos arredores de Roma, deixando-os desalojados, criando assim um dos cenários mais infâmes do pós-guerra. A Presidência da União Europeia e a Comissão Europeia deveriam explicar aos italianos que na Europa, pelo menos na Europa da UE, não vale tudo.










2007/11/02

Contabilizando tudo e tendo em conta que a Inglaterra ao contrário de Portugal tem poder, poderia ajudar a mudar o mundo para melhor mas na verdade tem andado a lixar meio mundo*, quem deveria ir levar no .. é a rainha de Inglaterra e toda a porcaria da família real que vive de chular os ingleses e estrangeiros que trabalham em Inglaterra, pelas taxas, e chulam ainda toda a Comunidade Europeia pelos subsídios que a rainha (que é quem mais terras possui na Europa e por isso quem mais apoios consegue) leva anualmente, ou seja, 544,000 libras. O filho, Charles, recebe 225,000 libras anuais da UE. Outros grandes proprietários ingleses recebem igualmente fortunas anuais, pagas pela UE, que em alguns casos chegam às 400,000 libras.

* Portugal e Espanha no passado lixaram e roubaram cada qual uma metade do mundo. Não seria exactamente meio mundo mas por lá andou... Ainda que Espanha se auto-considere uma "potência média" (ha, ha, ha), não lhes serviu para muito...

Neste dia soube-se que o resultado da segunda bateria dos testes feitos por um laboratório inglês apontam, aparentemente, no sentido de os McCann estarem implicados no desaparecimento da filha Maddie. As pessoas, os portugueses que os apuparam, devem guardar os assobios para si mesmos, para o que de mal fizeram durante a vida e continuam a fazer, porque os McCann, se forem culpados, devido à imagem mundial que eles mesmos construiram, para além da punição legal serão bem punidos para o resto da vida.











2007/10/31

Apanhado?

Consta que Banksy (www.banksy.co.uk) foi finalmente apanhado no acto (de fazer grafitti...)!

Por outro lado o site www.briansewell.com garante ser esta a verdadeira imagem de Banksy:

Não posso acreditar que vocês estúpidos (morons) compraram aquelas merdas --> comentário de Banksy sobre as suas obras e quem as adquire.












2007/10/30

Eu avisei...

Aparentemente os McCann possuem mais "contactos" que Portugal (um país que funciona na base dos "contactos", dos "conhecimentos" e das "amizades"...) todo junto. Isso poderia ter sido torneado se tivesse ficado evidente aos olhos de todos a grande capacidade e profissionalismo dos investigadores portugueses. Foi exactamente o oposto que ficou claro. Agora bem podem chamar racista, ou o que mais lhes apetecer, ao sujeito que apelidou o embaixador de Portugal de "comedor de sardinhas" (a sua estúpida boca de comedor de sardinhas) e o mandou "levar no .." (up yours) porque isso será para exclusivo consumo interno, totalmente desprovido de qualquer impacto real. O sujeito escreveu igualmente que os portugueses que vaiaram o casal (cujos filhos e netos eventualmente insultam e agridem os professores) não são de outro país mas sim de outro planeta. Claro! São do planeta do insulto e do "disse que disse". Que direito lhes assistiu para vaiarem os suspeitos? Que sabem que possa ajudar a solucionar o caso? Provavelmente se soubessem calar-se-iam "para evitar chatices", não é verdade? Não passam de uns patéticos voyeurs que da tragédia alheia fazem show. Além da impressionante humilhação a que Portugal foi sujeito através de quem oficialmente o representa, pode vir a configurar-se uma situação em que alguém venha a ser crucificado para polir a imagem dos ingleses, no ponto a que as coisas chegaram. Não seria a primeira vez que os ingleses sacrificariam inocentes*. Quanto ao desaparecimento de Maddie acredito que os ingleses estão (quase) todos interessados em que se descubra a verdade. De resto, uma associação de utentes questionou se Gerry McCann não deveria se impedido de voltar a exercer as suas funções profissionais enquanto estiver na condição de suspeito. De facto Gerry vai ser monitorizado pelos colegas durante alguns meses, e os utentes se o solicitarem não serão atendidos por ele. Parecem recear que não os trate convenientemente... Quando as coisas lhes tocam os ingleses excedem-se em zêlos... que não tiveram com as jovens assassinadas pelos familiares (por questões de honra!), apesar de terem sido (bem) alertados pelas vítimas e por amigos delas... Adiante. Portugal parece ser largamente desprezado e eu duvido que seja unicamente devido ao caso McCann e aos recentes afogamentos. Esta irritação contra Portugal não parece vir de agora. Lembro-me, por exemplo, de uma entrevista, publicada em vários países, durante a qual J.K. Rowlings disse não estar interessada em falar da sua "experiência portuguesa" (ela viveu em Portugal e teve um namorado português...). Mas deixemos isso para a história. Na verdade, se voltar a acontecer alguma terrível injustiça será graças à tremenda incompetência dos portugueses e a imagem de Portugal ficará definitivamente degradada em todo o planeta. Por outro lado, se acontecer terem feito a vida negra aos McCann e vier a ser provado estarem inocentes, Portugal arrisca-se a perder muito mais que o "bom nome". O facto de eu crer, e muitos portugueses crerem, que os McCann são culpados vale o que vale, ou seja, rigorosamente nada. As amostras de dna poderiam, tal como tem sido constantemente assinalado, ter sido contaminadas. Os investigadores portugueses andaram de carro em carro (parece que tiverem um pequeno acidente com o carro do "arguido" Robert Murat!) quando deveriam ter selado imediatamente todas as viaturas utilizadas pelos suspeitos. E, tal como foi igualmente dito por especialistas ingleses, os pais de Maddie deveriam ter sido declarados suspeitos imediatamente após o seu desaparecimento pois, exactamente como os investigadores portugueses não se cansaram de repetir, os estudos demonstram que nestes casos, e nos de abuso de menores, os criminosos costumam ser familiares das vítimas. AST

* conheço o caso que todos conhecem: o dos jovens irlandeses que foram condenados por um atentado que não praticaram e mantidos presos mesmo depois das autoridades inglesas saberem que não tinham sido eles. Ver In the Name of the Father de Jim Sheridan. Um caso recente é o do cientista que supostamente se suicidou pressionado pela polémica da existência ou não de armas de destruição maciça no Iraque. Os ingleses demonstram ter duas faces: por um lado recusam ir a Lisboa por causa de Mugabe, que é concerteza um bandido, mas recebem com honras de estado o rei da Arábia Saudita... E não foi a ministra da cultura portuguesa que fez uma visita oficial a esse reino-pária, propriedade de uma família, onde os opositores são brutalmente reprimidos? Contabilizando tudo e tendo em conta que a Inglaterra ao contrário de Portugal tem poder, poderia ajudar a mudar o mundo para melhor mas na verdade tem andado a lixar meio mundo, quem deveria ir levar no .. é a rainha de Inglaterra e toda a porcaria da família real que vive de chular os ingleses e estrangeiros que trabalham em Inglaterra, pelos impostos, e chulam ainda toda a Comunidade Europeia pelos subsídios que a rainha (que é quem mais terras possui na Europa e por isso quem mais apoios consegue) leva anualmente. .... ... ma'am.


"OH, UP YOURS, SENOR

Tony Parsons 29/10/2007

Portugal's ambassador to Britain, Senor Antonio Santana Carlos, says that the Madeleine McCann case has seriously damaged relations between the two countries. Well, whose fault is that?
It is the fault of the spectacularly stupid, cruel Portuguese police. I have never much cared for the convention of calling cops "pigs" or "filth", but I am happy to make an exception.
They have tried to cover their humiliation at coming nowhere close to finding that stolen child by fitting up her parents.
The decline in relations is also the fault of the appalling Portuguese media, happy to print any piece of poisonous trash spoon-fed to them by "police sources" treating the abduction of a small child as light entertainment.
And the Portuguese public must also take their share of the blame. The sight of locals jeering at Kate McCann as she went in for questioning made me feel as though these leering bumpkins were not from another country, but another planet.
And the good ambassador can also be blamed for the decline in relations.
When he should be exercising a little diplomacy, he huffs and he puffs about the McCanns' tragic decision to leave their children sleeping alone on the night Madeleine was stolen.
"In Portugal we have the concept of a nuclear family," sniffs Senor Carlos. "That the families all live together."
They made a mistake, ambassador. Their lives have been wrecked. That is punishment enough, without your asinine, unwanted comments.
And I would respectfully suggest that in future, if you can't say something constructive about the disappearance of little Madeleine, then you just keep your stupid, sardine-munching mouth shut." in http://www.mirror.co.uk/















2007/10/28

Quartetos de Franz Schubert por The Lindsays

The Lindsays, na re-edição de uma compilação de 1992, oferecem-nos interpretações arrebatadas, que denotam um perfeccionismo técnico e uma compreensão interpretativa paradigmáticos, de vários quartetos para cordas de Schubert, e do quinteto D 956. Tive oportunidade de escutar este agrupamento ao vivo, na interpretação dos quartetos para cordas de Beethoven e devo dizer que não é um exagero quando vários guias para a compra de cd's clássicos os colocam como primeira referência neste repertório. Na verdade, não há diferença digna de ser assinalada entre o que o agrupamento faz em concerto e o que apresenta em registo discográfico. A compilação de quatro cd's de Schubert (cerca de 15 euros) da Sanctuary Classics (que também editou uma compilação com a integral dos quartetos de Beethoven pelo mesmo grupo) é uma oferta fantástica e contém o cd com os quartetos D 112 e D 804, obras sublimes, que ficam com este registo, concretizado em 1988, imortalizadas no seu grau interpretativo máximo. Podem ser feitas interpretações diferentes, igualmente inspiradas, destas criações, mas não superiores ao que The Lindsays atingiram nestes cd's. Death and the Maiden também encontra nos The Lindsays intérpretes em que a técnica suprema e a inteligência analítica andam a par com a grande emoção, ainda que neste caso particular se possam falar de mais 2 ou 3 grandes leituras feitas por diferentes agrupamentos. AST




Marinheiro...

Enviaram-me excertos de uma divertida entrevista do embaixador de Portugal em Inglaterra. O diplomata, que afirma ser marinheiro, explicou que o local onde os ingleses se afogaram, que diz conhecer muito bem, é de facto muito perigoso devido às correntes e foi uma grande infelicidade (o fado...) aquilo que aconteceu aos ingleses. Em determinada altura o jornalista escreve, jocosamente, que o embaixador parece extremamente sincero... Muito mesmo porque se todas autoridades conheciam bem a perigosidade de um local desprovido dos devidos avisos formais, todos deveriam ser processados por homicídio por negligência. O facto de um surfista ter avisado os ingleses de estarem num local perigoso não iliba os responsáveis por não terem colocado avisos oficiais.
Depois o embaixador refere o sol e a ausência de terrorismo em Portugal. Quanto ao sol, qualquer diplomata africano pode gabar-se do mesmo, sobre o terrorismo deveria ser mais comedido pois se não tem acontecido terrorismo, em Portugal, tal não se deve provavelmente à impressionante eficácia das autoridades portuguesas nem à grande ética de um estado que acolheu os senhores que iniciaram a guerra do Iraque, mas a outros factores como a pouca significância de Portugal. Sem se compreender exactamente a causa, o embaixador refere que os jovens têm mais independência em Inglaterra que em Portugal... Choques de cultura, ou atraso educacional de Portugal em relação a toda a Europa onde os jovens são mais independentes porque o sistema de ensino os habilita para isso? Não se percebe onde pretendeu chegar (que tem isto a ver com o abandono de crianças de 4 anos e menos?) ou se pretendeu chegar a algum lado. Tenta contra-atacar dizendo que acontecem mais raptos em Inglaterra que em Portugal. O jornalista escreve que grande parte desses raptos se resolvem em 24 horas... O embaixador parece ignorar os casos de "crimes de honra", cometidos por imigrantes normalmente islâmicos, crimes que poderiam ter sido evitados se as autoridades inglesas tivessem escutado devidamente as vítimas (uma foi acusada pela polícia de estar a imaginar coisas...), tendo sido assassinadas várias jovens e adolescentes. Perdeu uma boa oportunidade para arremessar com algo que todos conhecem e sabem ser verdade. Finalmente o senhor Santana Carlos fala na muito estafada e aborrecida "velha aliança". O jornalista refere a tal "aliança" como sendo algo que o embaixador afirma. Quando um dos parceiros de determinado casamento, namoro ou "caso", pretende esquecer o passado, ou não lhe atribui muita importância, faz parte da educação elementar a outra parte não estar constantemente a referir-se a algo que deixou de possuir qualquer actualidade. Que eu saiba os ingleses não visitam Portugal para conviver com os portugueses (o que é absolutamente compreensível pois eu faria o mesmo) mas para disfrutarem do sol, dos preços e conviverem entre eles, tal como faziam nas antigas colónias. Dizer que "velha aliança" se traduz, na actualidade, em 2 milhões de turistas ingleses que visitam Portugal anualmente é uma palermice porque 2 milhões são uma pequena fatia das dezenas de milhões de turistas ingleses que viajam anualmente para o estrangeiro. O embaixador parece não "atingir" e o resultado foi uma entrevista ridícula que saiu no The Times de 27 de Outobro. Com élites assim percebe-se bem o estado em que Portugal se encontra. AST











2007/10/19

Portuguese didn't tape any McCann interviews

Eis o tema central do Lite-London de 25 de Outobro de 2007*. A ser verdade, venham outra vez insinuar que Portugal anda a ser perseguido pela imprensa inglesa... E pelo resto do mundo que evidentemente recebe ecos, ou mais que ecos, destas "curiosidades portuguesas"... entre elas o facto de somente depois de acontecerem mortes terem decidido colocar placas a avisar da perigosidade de algumas praias em zonas que vivem principalmente do turismo... ou do ignorado controlo aos pilares de uma ponte que posteriormente desabou causando a morte a mais de 50 pessoas...

* no dia seguinte o tema do referido jornal voltou a ser o mesmo mas numa vertente totalmente hilariante: os detectives portugueses filmaram, secretamente, as longas entrevistas feitas a ambos os McCann, mas esqueceram-se de activar a entrada de som... Agora contrataram especialistas para tentarem ler os movimentos labiais dos suspeitos... Claro que aproveitando toda a trapalhada e incapacidade dos portugueses foi posta a circular em todo o mundo a imagem, desenhada, do "verdadeiro" suspeito que, note-se, os portugueses impediram ser divulgada antes: cabelo negro e aparentando ser do sul da Europa. Tal "comme il faut"...


Fim à impunidade nas escolas portuguesas

...o procurador-geral da República diz que a impunidade nas escolas tem de acabar... in http://sol.sapo.pt (20 Outobro 2007)

Se não acabarem, definitivamente, com o regime de impunidade protector dos pequenos malfeitores que insultam e agridem os professores, que não aprendem nem deixam os colegas aprender, que instauram a lei do mais forte e o vale-tudo nas escolas, Portugal vai ser ainda mais pobre, vai divergir muito mais da média comunitária, vai ver a criminalidade aumentar e vai perder a pouca competitividade que ainda possui. O resto é show-off e folclore para estrangeiro ver.


Tratado de Lisboa

"Cerca de 2,1 milhões de portugueses (19 por cento da população) estão em situação de pobreza monetária", ou seja, vivem com rendimentos mensais, por pessoa, inferiores a 360 euros. "Destes, quase 1,4 milhões (13 por cento da população) vivem com rendimentos abaixo de 300 euros por adulto". E ainda dentro destes, "cerca de 740 mil (sete por cento) têm menos de 240 euros por mês". São José Almeida in Público, 20 Outobro 2007, pag 42


O verdadeiro liberalismo

Se os milhares de funcionários de um banco pedirem aumentos, dir-se-á que o banco perde competitividade. Se um cliente não pagar a prestação do empréstimo, o banco fica-lhe com a casa. Se o Estado quiser aumentar impostos sobre os lucros da banca, responde-se que os prejudicados serão os clientes com os gastos que o banco terá de ir buscar "a algum lado". Mas para aumentar executivos e perdoar dívidas a familiares ou sócios, as premissas são as opostas. Rui Tavares in Público, 18 Outobro 2007, pag 52


Se tivessem vergonha...

E, só para dar dois exemplos, se Joe Berardo fizesse um leilão de uma parte da sua colecção para criar um fundo de luta contra a pobreza ou se Jardim Gonçalves abdicasse a favor dos pobres de uma parte substancial dos seus... recursos financeiros... talvez outros se sentissem envergonhados por nada fazerem e as coisas começassem a mudar. José Miguel Júdice in Público, 19 Outobro 2007, pag 45


Porque será?

"Em Espanha é tudo melhor. Num quilómetro a vida muda totalmente" in Jornal de Notícias (edição norte), 19 de Outobro de 2007, pag 27

Creio que a pessoa se refere à Galiza, que no passado foi uma das regiões mais pobres de toda a Península Ibérica...











2007/10/15

190,3 milhões

Para o ano de 2008... o governo decidiu reservar 190,3 milhões de euros para o pagamento de estudos, pareceres, projectos e consultadoria. in Público, 15 Outobro 2007, pag 39


Não será isto a aplicação light e new figure do que Hitler fez?
Os professores não vão para a câmara de gáz ou para os fornos mas vão para um regime agoniante e indigno da condição humana de mobilidade especial (balelas, porque, como está a economia, ninguém arranja novo emprego e colocação noutra área) idem, pag 43


Para cumprir as metas de 2008, o ministro das Finanças tem de contar que a conjuntura o ajude... Todos os organismos internacionais são bastante mais pessimistas... E, normalmente, estes organismos internacionais não falham. in Oje (especial), 15 de Outobro de 2007, pag IV















2007/10/14

0.000003%

Segundo o site www.alexa.com é esta a percentagem* dos utilizadores mundiais da internet (Percent of global Internet users) que visitam este blog.

http://jazzearredores.blogspot.com conquista 0.0002% dos internautas mundiais. www.lemonde.fr é visitado por 0,108%, www.publico.pt por 0.003% e www.dn.pt por 0.00009%, menos que o blog acima referido... No top está o yahoo (+-27%) seguido do google (+-25%). O que não quer dizer que o yahoo seja o motor de busca mais utilizado. Muitas pessoas têm o email e lêm as notícias no yahoo mas fazem as buscas principalmente no google. Blogger.com ocupa a 13ª posição.

* média dos últimos 3 meses













2007/10/13

Porcaria de televisão

"No último mês de Agosto, a RTP, a SIC, e a TVI emitiram um conjunto de 68646 peças publicitárias, o que equivale a uma média diária de quatro horas por canal, praticamente o tempo médio (três horas e meia) que os portugueses dedicam por dia à televisão. Num país tradicionalmente miserável, a televisão transformou-se no refúgio de quem, nos tempos livres, não tem outra solução que não seja a de permanecer em casa. É por isso que aquilo que exibe - telenovelas mais publicidade mais concursos - me escandaliza. Nem todos podem, como eu, desligar o aparelho e encomendar DVD à Amazon." Maria Filomena Mónica in Meia Hora, 12 de Outobro de 2007, pag 02

Eu, que não uso televisão pois emprestei-a aos vizinhos estrangeiros para ouvirem e treinarem o português, devo ser um caso marginal. No entanto, nem os casos marginais deveriam ser obrigados a pagar por algo que liminarmente rejeitam. Mesmo se utilizasse o aparato, evidentemente que não iria desgraçar o meu tempo, e o espírito, a ver os canais das televisões acima enunciadas. Até o designado "canal cultural", do qual fui convidado várias vezes nos tempos em que existiam programas musicais de qualidade e eu fazia música, executou um crescendo de degradação que me levou a deixar de o sintonizar. No tempo em que ainda me apetecia ver um pouco de televisão com alguma qualidade, tive de pagar a uma empresa que detesto, que milhares de portugueses detestam, para ver canais por cabo, pois era (ainda é?) a única que servia o centro de Lisboa. Não vejo as televisões portuguesas porque são despudoradamente mediocres, exceptuando talvez um canal privado de notícias por cabo, e porque estão entre os grandes responsáveis, juntamente com os teóricos da educação, pelo "estado de bovinidade" que reina em Portugal. Mesmo que só existissem dez como eu em todo o país, a sua simples existência obrigaria um Estado de bem a desobrigar esses cidadãos de pagar aquilo que não utilizam. Mais: a pagarem um produto que para além de não utilizarem consideram embrutecedor, estúpido e castrador das mentes e das sensibilidades. Se os privados oferecem porcaria, e se os portugueses gostam de a consumir, é lá com eles. Agora, ser o Estado a desbaratar o nosso dinheiro em canais de televisão mediocres para conseguirem competir (em mediocridade) com os privados, isso não está nada bem. Acabe-se de vez com a "televisão do estado". AST

"Aliás, não é legítimo que o Estado me obrigue a pagar um bem que não uso. Um dia destes ainda o ponho em tribunal." idem













2007/10/10

Ser forte e outras curiosidades

Portugal parece necessitar de um governo "forte". Todos os países, na época do crime globalizado, necessitam. Mas ser forte não significa vigiar os sindicatos, instaurar processos e tentar controlar a informação gastando milhões com canais mediocres de televisão e rádio públicas. Forte significa ser capaz de combater eficazmente, com meios potentes e legislação apropriada, o banditismo e a corrupção. Assassinos, traficantes, pistoleiros, pedófilos e outros criminosos, não podem gozar direitos iguais aos dos cidadãos que respeitam a lei. As suas fortunas, quando existem, não devem servir para pagar a advogados que dão a "volta ao sistema" e os conseguem ilibar. O mesmo em relação à corrupção económica e à "corrupção de estado". Ser forte significa capacidade para impôr exigência e qualidade no sistema de ensino, com os professores e não contra eles, para que os jovens possam adquirir boa formação e qualificações que lhes permitam ser bem sucedidos e enriquecer o país. Só com uma fortaleza desta natureza é que Portugal conseguirá "chegar lá". AST

Um exemplo: algures no Norte do país (poderia ser no centro ou sul) um professor do ensino básico denunciou o caso de um pai-pedófilo. O resultado foi o professor ser perseguido pelos irmãos da vítima, filhos "machos" do criminoso pedófilo. Teve de "meter baixa" para salvaguardar a vida... Um estado que não consegue proteger professores que denunciam crimes e que nega protecção a magistrados que vão julgar crimes de corrupção, não é um estado que mereça ser escrito com letra maiúscula. Quero enaltecer e louvar aquele, e outros professores, que neste país disfuncional continuam a ser os verdadeiros garantes dos direitos das crianças.

Nota: a polícia municipal, em Lisboa, começou "bem", sob as ordens do novo presidente... Sem aviso atempado bloquearam e posteriormente rebocaram os carros que se encontravam em locais onde anos e anos a fio a mesma polícia permitiu que aparcassem, locais onde as pessoas se habituaram a deixar os veículos por longos periodos de tempo. Agora os carros continuam a poder estacionar no local: do outro lado da rua, agora considerado o correcto, mas onde anteriormente, anos e anos a fio, a polícia multou, bloqueou e rebocou os carros que lá estacionaram... Indicações do novo presidente da câmara de Lisboa ou uma ideia que, repentinamente, surgiu nas iluminadas cabeças dos polícias municipais?


Portugal gera pouca riqueza

Portugal está no penúltimo lugar na criação de riqueza per capita na Península Ibérica, ficando, apenas, à frente da região espanhola da Extremadura.
...
A liderar a criação de riqueza por pessoa na Pensínsula Ibérica está o País Basco, seguido de Navarra e da Catalunha. Portugal ocupa o penúltimo lugar, à frente da Extremadura, mas imediatamente atrás da Andaluzia.
...
O relatório da SaeR realça ainda, que, "a médio prazo, a convergência (de Portugal) para o nível da União Europeia dependerá do PIB real", que terá de crescer a ritmos muito superiores à média europeia. in Jornal de Notícias, 10 de Outobro de 2007, pag 64


Corrupção: Mulheres resistem mais do que os homens

Deauville, 13 Out (Lusa) - As mulheres resistem mais à corrupção do que os homens, revela um estudo efectuado em quatro países e divulgado sexta-feira no III Foro das Mulheres para a Economia e a Sociedade, na cidade francesa de Deauville.

O estudo assinala que 58 (italianos) a 67 por cento (franceses) dos inquiridos consideram que, se mais mulheres ocupassem cargos de chefia, haveria menos corrupção, uma vez que o sexo feminino é mais díficil de corromper do que o masculino.

Ainda segundo o inquérito, entre 34 (italianos) e 67 por cento (norte-americanos) defenderam que o dinheiro e o poder são, sobretudo, preocupações dos homens.

A sondagem foi realizada em Itália, França, Estados Unidos e Alemanha. A esmagadora maioria dos inquiridos considera o seu país corrupto. in http://noticias.sapo.pt (13 de Outubro de 2007, 00:29)


Carl Flesch (1873-1944)

Henryk Szeryng (1918-1988) e Max Rostal (1905-1991), dois extraordinários violinistas que foram alunos do grande professor húngaro Carl Flesch, ele próprio um reputadíssimo violinista... além dos dois já referidos, Szymon Goldberg (1909-1993), Ida Haendel (1923?-), Louis Krasner (1903-1995) e Ginette Neveu (1919-1949).
...
O facto de ter nascido no seio de uma família judaica impossibilitou-o de levar uma vida pacata. Refira-se, por exemplo, o facto de, em 1935, lhe ter sido retirada a si e à sua família a cidadania alemã, obtida 5 anos antes. Já em 1934 tinha deixado voluntariamente a Musikhochschule de Berlim, onde tinha começado por dar master classes em 1921 e onde leccionava de uma forma regular desde 1928; outro interveniente, a mesma triste história, claro, pois já o compositor Franz Schreker (1878-1934) tinha passado exactamente pelo mesmo 3 anos antes. Os processos eram tristemente consistentes... Carl Flesch nasceu há 134 anos, no dia 9 de Outubro de 1873. in http://desnorte.blogspot.com (Outubro 09, 2007)


FME

Depois de Cuts; Live at the Glenn Miller Café; e Underground, Montage (Okka Disk, 2006) é o quarto avanço em disco do FME (Free Music Ensemble), plataforma triangular pensada e estruturada por Ken Vandermark (saxofones e clarinetes), com Nate McBride (contrabaixo) e Paal Nilssen-Love (bateria). Desta vez o compositor e improvisador de Chicago elege os realizadores de cinema como musas inspiradoras dos 7 movimentos em que se desenvolve o CD duplo, gravado ao vivo em dias seguidos (22 e 23 de Setembro de 2005), no Artists at Large, em Boston, EUA, e no festival Suoni Per Il Popolo, em Montreal, Canadá. Vandermak homenageia Leone, Eisenstein, Fellini, Kitano, Buster Keaton, Cassavetes, Kubrick, Greenaway, Kurosawa e Welles, partindo de uma mesma base temática, que é reinterpretada módulo a módulo. Ao fim de um certo número de audições sequenciais, a repetição dos módulos de um disco para o outro permite apreender a estimulante tensão dialéctica entre composição e improvisação, a procura de novos modos de dizer a partir da mesma matéria-prima de base, e o modo como, assente nas mesmas coordenadas, se constrói a diferente narrativa de cada "filme". in http://jazzearredores.blogspot.com (9.10.07)


Durante anos esperámos por uma Lei para o Estatuto do Artista, e finalmente ela aí está (quase)!

No meio da magnitude dos problemas de insegurança e precariedade, desemprego e falta de protecção social que afectam os Profissionais do Espectáculo, e a que o presentes diplomas em discussão (PS, PCP e BE) ensaiam uma resposta, facilmente passariam despercebidas, para a maior parte das pessoas, as catastróficas implicações do conteúdo do Artº.17 da proposta do Governo.

Não só a GDA, como também muitos e muitos Artistas, Actores, Músicos e Bailarinos lutaram ao longo de duas décadas para por fim à cedência coerciva dos seus Direitos de Propriedade Intelectual.
A Lei 50/2004 veio finalmente, no seu Artº178, consagrar a Gestão Colectiva Necessária como a única forma de garantir o livre, equilibrado e efectivo exercício dos nossos Direitos individuais, utilizando um mecanismo de analogia com Directivas europeias transpostas para a nossa legislação em 1997, o qual nunca foi posto em causa do ponto de vista constitucional ou qualquer outro.

O Governo vem agora, de forma algo cínica, à boleia das carências da situação sócio-profissional dos Profissionais do Espectáculo, ceder às pressões, nomeadamente das Televisões e Operadores de Exploração de Conteúdos Digitais, impondo a regulação dos nossos Direitos de Propriedade Intelectual através de Contrato de Trabalho ou Instrumento de Regulação Colectiva, no sentido de reverter as coisas para a situação anterior a 2004.

Leiam todo o texto dirigido ao Presidente da A.R. se tiverem a paciência mas, pelo menos, meditem na conclusão e ASSINEM A PETIÇÃO!!!

http://www.PetitionOnline.com/N17132X/

(em email expedido pelo trombonista Hugo Assunção)














2007/10/03

Far-West

Na conversa com um professor do segundo ciclo, que no passado orientou estagiários-candidatos a "professores de música" (agora professores de educação musical), percebi que ele foi dispensado há anos, sendo as suas antigas funções actualmente desempenhadas por um departamento da universidade, na realidade o ex-centro de formação onde ele exercia, tendo sido substituído por uns "doutores". O Estado português é rico. E como é muito rico pode dar-se ao luxo de substituir alguém que faz parte dos seus quadros por "doutores" que vão acabar com honorários três vezes superiores (e com horários de trabalho três vezes inferiores) a esta pessoa competente tanto ao nível musical como pedagógico. Este ex-formador de professores foi "maestro" de uma "banda filarmónica", onde também exercia funções pedagógicas pois era ele, também executante, que orientava os principiantes. Comentamos, rindo, que seria interessante fazer-se um pequeno teste de formação musical aos actuais professores de música das escolas superiores de educação (e departamentos universitários aparentados)... De algumas, porque em outras, nas que possuem uma tal "via especializada" no ensino da educação musical, quero acreditar que todos os professores de música têm, pelo menos, ao par de outro tipo de formação, cursos completos feitos nos conservatórios de música que lhes garantem os "mínimos" no aspecto musical. De facto parece um expediente fácil terminar o curso de "professor primário" (professor do primeiro ciclo do ensino básico), durante o qual se estudam umas "coisitas" (poucas) de música, seguidamente fazer um ano de "especialização em música" em escolas privadas de qualidade duvidosa, seguindo imediatamente para um doutoramento em Espanha onde qualquer um é admitido, e posteriormente voltar a Portugal para ocupar um lugar num departamento de formação de professores para o ensino básico numa universidade pública. Lugar que parecia estar reservado... Está claro que este expediente não seria possível se não houvesse alguém "importante" no departamento que apoiasse quem o pratica. Existem doutores em ciências musicais especializados em ensino e doutores com origem nas escolas superiores de música que se vocacionaram para o ensino geral da música que poderiam estar interessados(as) se tivessem sido abertos, e devidamente publicitados, concursos públicos para provimento daqueles cargos docentes. Tratavam-se afinal de muito confortáveis postos de professores universitários no ensino público português...

A filosofia que sustenta a estruturação dos cursos de professores de música para o ensino básico é simplesmente aberrante: curso de professor para o primeiro ciclo do ensino básico seguido de um ano de "especialização" no ensino da música... Os "pedagogos" e outros "especialistas" da educação que conceberam estes cursos devem pensar que ensinar música é como limpar chaminés (sem desconsideração dos limpa-chaminés que com certeza demonstrarão muito mais competência no seu desempenho que a generalidade dos "pedagogos" que conceberam e arquitectaram o "sistema educativo" português): um ano de especialização e já está. Assim se compreende o "estado da arte" em Portugal e o atraso cultural crónico dos portugueses, com as consequências a todos os níveis que isso condiciona. AST

Nota: o caso do ensino da música em Portugal, ao nível do ensino básico com as consequências que tem aos níveis superiores onde qualquer charlatão com discurso ou escrita fluídos consegue fazer-se passar por "entendido" e "especialista" (não entre os músicos evidentemente, mas entre o público supostamente "erudito" e "culto"), bem pode servir de "case-study": a pessoa de quem falo no início, ex-formador e orientador pedagógico de professores, antes de ser "maestro" de banda foi durante muitos anos membro da Banda da Marinha que, dentro do género, em Portugal, é um agrupamento-referência. Musicalmente vale um milhão de vezes mais que todos os doutores-lixo que ocupam os lugares na formação de professores de educação musical em Portugal. No entanto, porque os ex-centros de formação de professores conseguiram ser integrados nas universidades, os seus diplomados passaram a poder aceder ao grau de doutor, tal como os diplomados pelas mais rigorosas instituições universitárias, com a vantagem evidente que um 16 adquirido num desses departamentos é fácil de alcançar (excepto se os docentes decidirem complicar para tentarem demonstrar que aquilo até é difícil...), embora não seja evidentemente um 16 da Escola Superior de Música*, nem sequer um 16 adquirido no curso de Ciências Musicais da FCSH. Na realidade um 20 adquirido num desses departamentos universitários que formam professores para o ensino básico, não é o mesmo que um 9, um 8, um 7, um 6 ou mesmo um 5, numa Escola Superior de Música: é incrivelmente menos porque um aluno de uma ESM pode estudar toda a pedagogia e didácticas que desejar, mas um aluno de um desses departamentos nunca poderá adquirir nada, rigorosamente nada, ao nível dos conhecimentos musicais superiores se não estudar (muito e muito) à margem dos seus "curricula" e se não fôr bem apoiado por especialistas "a sério". Mas para efeitos de admissão a doutoramento, de atribuição de bolsas, etc, o 16 desses departamentos vale o mesmo que o 16 da ESM...
É fácil de compreender porque é que esses centros de formação de professores para o ensino básico quiseram ser integrados nas universidades: os seus docentes passaram a professores universitários, ao lado, por exemplo, dos docentes da faculdade de economia da Universidade Nova de Lisboa, única instituição do ensino superior em Portugal que consta dos rankings europeus. O efeito foi absolutamente perverso: sujeitos que reprovariam num exame de admissão a um conservatório (nem falo num exame de admissão a uma Escola Superior de Música porque isso ser-lhes-ia completamente transcendente e incomprensível), que sairam dos departamentos de formação de professores com média igual ou superior a 16, rapidamente adquiriram doutoramentos em Espanha e "passaram a perna" a pessoas com muitos anos de prática e conhecimentos musicais, didácticos e pedagógicos que os deixam a anos-luz (seria, por exemplo, interessante saber-se se, na Universidade Pontificia de Salamanca, por exemplo, houve enfermeiros portugueses, sem licenciatura, que "arrancaram" graus de doutor para poderem leccionar nos cursos superiores de enfermagem em Portugal, graus esses que não têm qualquer validade em Espanha mas que foram reconhecidos nas escolas superiores portuguesas graças à autonomia de que gozam. Não estou a insinuar que estes profissionais sejam mediocres. Provavelmente até serão profissionais muito competentes sendo aceitável que possam ser professores no ensino superior se por mérito da sua elevada qualidade e excelência profissionais. Para isso é que existe a figura do professor-convidado e não para qualquer coordenador convidar os amigos para ficarem a trabalhar com ele no departamento... Seria também interessante, por mera curiosidade, saber-se se alguém com o grau de "bacharel", no tempo em que isso existia, sem completar qualquer licenciatura, conseguiu ser admitido a doutoramento na Sorbonne, em Paris, e, sem fazer passar o diploma de doutor que adquiriu em França pelo reconhecimento via diplomática, viu, graças à lei da autonomia universitária em Portugal, o doutoramento sem licenciatura ser-lhe reconhecido para exercer numa universidade pública portuguesa).

* "consta" que um professor de uma ESM para além de manter relações com as alunas as fotografava (nuas e em "pose") e enviava as fotos aos amigos. Também "consta" que um administrador de uma orquestra de jovens chantageava alguns dos jovens músicos para manterem relações com ele, chegando a dispensar alguns que não aceitaram.


Estado do sítio

Pelo caminho despacharam para um exílio dourado João Cravinho, socialista, que apresentou algumas propostas inovadoras para tentar prevenir a pouca vergonha que entra pelos olhos adentro de todo e qualquer cidadão que não ande distraído neste sítio cada vez mais corrupto, mais perigoso e mais mal frequentado.
...
O estado corrupto que permite há dezenas de anos que as crianças da Casa Pia sejam abusadas sexualmente e alimentem redes nacionais e internacionais de pedofilia, vai agora ensinar aos alunos a sua ética republicana. A pouca vergonha, pelos vistos, não tem limites.

As crianças deste sítio já sofreram na pele as consequências de um sistema de ensino miserável que as atira para a vida sem preparação e muito menos qualificação. Agora vão ser confrontadas com uma ética feita por gente corrupta e sem moral para falar na República. António Ribeiro Ferreira in Correio da Manhã, 08/10/2007, pag 02


Os pedófilos podem dormir descansados. Se praticarem vários crimes de abuso sobre o mesmo menor, têm bónus do Estado. O limite máximo é de 8 anos. Antes poderia chegar aos 25 anos. Rui Rangel, juiz, citado in Jornal de Notícias, 08/10/2007, pag 12


Lisboa, 05 Out (Lusa) - O Presidente da República pediu hoje aos deputados que "aprofundem o esforço" para concretizar as iniciativas legislativas para aumentar a eficácia na luta contra a corrupção, retomando um apelo que fez há um ano. in www.expresso.pt (14:18, Sexta-feira, 5 de Out de 2007)


Polícia sem controlo no tráfico de mulheres
Diário de Notícias, 9 de Outobro de 2007


Nazis

As ameaças nazis em Portugal não são uma treta. São seguramente oriundas de uma faixa muito marginal mas existem. in Jornal de Notícias, 9 de Outobro de 2007, pag 20


Rotinas...

Ou não será revelador que um primeiro-ministro recorra à força das autoridades para tentar calar um protesto...

Ou que a polícia tenha ido, ontem, às instalações de um desses sindicatos fazer uma acção de "rotina"...

No governo como no principal partido da oposição, o pecado original não é diferente: colocar a manutenção ou a conquista do poder à frente das boas práticas democráticas. editorial, Público, 9 Outobro 2007


Madeira...

Segundo João Carlos Gouveia, o PS decidiu desencadear esta denúncia porque "os magistrados do Ministério Público (MP) têm dependência hierárquica. Há situações, que toda a gente conhece, e que o Ministério Público deveria ter investigado e não o fez. Tem havido negligência. Porquê? Não sei", disse ao DN, João Carlos Gouveia.

Isto significa "promiscuidade entre a política regional e as magistraturas", designadamente procuradores-gerais adjuntos e juízes, uma denúncia há muito feita no parlamento regional pelo líder e deputado socialista? in www.sapo.pt (+- 19:45h, 08/10/2007)


Anna Politkovskaya morreu há um ano

A feroz crítica de Vladimir Putin foi assassinada no seu apartamento em Moscovo. Um ano depois o caso continua envolto em mistério. in www.expresso.pt (11:26, Domingo, 7 de Out de 2007)


18

o caso de Anna Politkovskaya é um dos 18 assassínios de jornalistas na Rússia desde que Vladimir Putin tomou posse como presidente, em Março de 2000. in Público, 8 Outobro 2007, pag 12


Birmânia

Gambari foi enviado à Birmânia para tentar persuadir a junta militar no poder a pôr fim à repressão violenta das manifestações, que causou 10 mortos, segundo um balanço oficial, claramente mais de acordo com diplomatas, e mais de 2.000 detenções. in www.sapo.pt (5 de Outubro de 2007, 18:08)


Une répression brutale

A quoi jouent les généraux de Naypyidaw, dans leur capitale factice, en pleine jungle birmane ? Les signaux contradictoires ne manquent pas. Le numéro un de la junte, le général Than Shwe, a fini par recevoir l'émissaire de l'ONU, Ibrahim Gambari, après lui avoir fait subir une attente humiliante, mais qualifie son passage de "visite de courtoisie". Il veut bien rencontrer Aung San Suu Kyi, principale figure de l'opposition birmane et Prix Nobel de la paix, assignée à résidence, mais ne suggère pas pour autant de la libérer. Préalablement, il exige qu'Aung San Suu Kyi renonce à toute velléité de "confrontation", mais rend public un bilan des arrestations de civils - plus de 2 000 - d'autant plus inadmissible que tout porte à croire qu'il est bien en deçà de la réalité, après la répression brutale, à balles réelles, des manifestations pacifiques.

Cette junte jusqu'ici si hermétique aux pressions de l'extérieur semble vouloir faire passer le message que, cette fois, elle entend. Cela ne l'empêche pas, pourtant, de continuer à fonctionner dans l'opacité la plus totale ni de maintenir un black-out impitoyable sur l'information. L'Internet est toujours coupé, le réseau de téléphonie mobile extérieur paralysé, de nombreuses lignes téléphoniques suspendues, et les consulats de Birmanie n'accordent plus de visas aux touristes, afin d'éviter les visiteurs trop curieux, les journalistes, par exemple.

A l'heure de la mondialisation, les généraux ont franchi un degré supplémentaire dans l'isolement de leur pays. Leur calcul est simple : très vite, le monde extérieur, privé de son régime quotidien d'images, passera à d'autres émotions et oubliera la Birmanie. LE MONDE | 05.10.07 | 13h51 • Mis à jour le 05.10.07 | 13h51














2007/09/18


Que fazer? (La Biennale)

Por Pilar Villa

Lenine interrogou-se, Stalin, posteriormente, declarou-o doente e respondeu por ele. Felizmente a arte dispensa este dilema e dispensa absolutismos. Pierre Boulez, uma das figuras mais importantes e determinantes da cena musical e da Arte actuais, declarou, na entrevista que deu ao autor deste blog, ser a contemporaneidade rica, interessante e variada. A Bienal de Veneza acaba de demonstrar isso mesmo: ao lado da previsibilidade de alguns "clássicos" (as aborrecidas "Fontes Venezianas" de Bruce Nauman, para dar um exemplo berrante), os novos impuseram-se (pelo menos demonstraram capacidade para se mostrarem - ou para que os mostrem - num dos eventos mais importantes do mundo) e outros reafirmaram-se. Se o consagrado León Ferrari, da Argentina, criou a imagem de marca desta bienal:


da Guatemala, da India, de Taiwan (Taipei Fine Arts Museum), de Singapura, da Ucrânia, do México e de Itália, chegaram-nos boas e muito interessantes novidades, que nos parece serem relevantes para o futuro da arte (na actualidade, depois de tudo ter sido mal ou bem experimentado, o termo novidade tem de ser entendido com alguma generosidade):











Nota: no topo temos uma imagem de Dusasa II (2007), de El Anatsui (Gana/Quénia)



Dubois...

É bem conhecido o facto de Maurice Ravel (1875-1937), entre os anos de 1901 e 1905, ter, sem sucesso, concorrido ao Prix de Rome. Théodore Dubois (1837-1924), um compositor bem menos conhecido, venceu-o, em 1861; em 1905, contudo, Dubois ver-se-ia forçado a sair do Conservatório de Paris, de que era director desde 1896, precisamente por ter-se recusado a atribuir o Prix de Rome a Maurice Ravel. As peripécias entre os dois não ficariam por aqui: em Maio de 1911, num concerto na Société Musical Indépendante (Paris) em que os autores das obras executadas não foram indicados, o público atribuiu a autoria das Valses Nobles et Sentimentales aos mais diversos compositores, nomeadamente a... Théodore Dubois! in http://desnorte.blogspot.com (Setembro 28, 2007)













2007/09/16

Avé Maria

30 ans après sa disparition, Maria Callas continue à nous hanter, tant par sa vie tumultueuse que par sa voix exceptionnelle. in http://fr.yahoo.com (16 Setembro 2007)











2007/09/09

Sublime atrocidade

Imprint (2006), de Miike Takashi, foi uma encomenda para o final da primeira época de Masters of Horror (que foram transmitidos na televisão via circuíto fechado), séries cujo produtor executivo é o realizador Mick Garris. Imprint seria o 13º episódio da primeira série que acabou só com 12. Apesar de ir passar via cabo, tal não chegou a acontecer por ter sido considerado "demasiado forte". O próprio Mick Garris definiu-o como sendo o filme "mais perturbador" que jamais tinha visto. Não podemos deixar de estabelecer um (virtual) paralelo com o (virtual) "La fin absolue du monde", em Cigarette Burns (2005) de John Carpenter, que também foi uma encomenda de Garris para MOH.

Mas que há em Imprint, que foi exibido em Lisboa integrado no primeiro Festival Internacional de Cinema de Terror, que aconteceu de 5 a 9 de Setembro? Primero gostaria de expressar que, ao contrário da influência que Takashi reivindica (Tarantino), considero que os tempos plasmados das sequências, que são um dos aspectos essenciais deste filme, que têm paralelo no discurso teatralizado das personagens, elemento-chave da dramatização, não é nem a Tarantino, nem à América, que Takashi os deve. A violência em Imprint nada tem a ver com a dos filmes do referido Tarantino. A violência de Miike Takashi também está longe da que vemos em Hostel 2, de Eli Roth, que não é nem banal nem gratuíta, e que tem como antecessor não o seu primeiro Hostel, ou os filmes de quem o produziu (Tarantino again...), mas Saló ou os Cem Dias de Sodoma, de Pier Paolo Pasolini (que foi assassinado pouco depois de terminar o filme...). Estas obras, em vez de serem rotuladas como "pornografia", deveriam conduzir a uma reflexão, a uma indagação, sobre se tudo aquilo que lá aparece é mera ficção. A outra indagação, no caso de termos concluído que toda a ficção tem sólidos alicerces na(s) realidade(s), seria o porquê, a motivação "profunda", "essencial", de tal perversão que assume inquietante realidade nos snuff *. Heidegger escreveu, na "Carta sobre o Humanismo", que a atrocidade faz parte da humanidade do homem. Muitos dizem que para justificar a sua complacência com o nazismo. E não fará a atrocidade, de facto, parte da "humanidade" dos humanos? Que nos diz isto? Não será esta afirmação uma tentativa de reduzir a compreensão do síntoma à simples constatação da sua existência? Não será o limite de uma visão de superfície que procura impedir a análise da(s) "essência(s)"? Não implicará esta constatação, feita com uma curiosa dose de cândura, uma teoria de impotência militante? Do outro lado temos um Karl Popper proclamando que aos inimigos das "sociedades abertas" é necessário opôr toda a força necessária para impedir que eles as destruam. Sociedades abertas que, teoricamente, são constituídas por indivíduos capazes de intuir onde se encontram os limites da sua liberdade individual. A "pedagogia" serve para isso. Se não o conseguir é uma farsa e não passa de uma burla. Ao Estado compete proteger os indivíduos das perversões daqueles que não conseguiram estabelecer fronteiras interiores e criar limites "automáticos" e "naturais" nos seus comportamentos face ao "outro". Na verdade, para os perversos, o "outro" não existe enquanto pessoa: o perverso reduz os outros a meros objectos que ele utiliza para o seu gozo peculiar. Ao Estado compete utilizar a força e metodologias adequadas para proteger os neuróticos e histéricos, que são basicamente sãos, dos perversos e dos "psicopatas".

Quem acontece afinal em Imprint? Nesta obra acontece, simplesmente, que a atrocidade, a "atrocidade limite", para ir buscar uma pertinente definição de Jaspers, é elevada à categoria de sublime. Não no sentido, idiota, com que Stockhausen classificou o ataque às torres gémeas, mas na medida em que, apesar de termos de apertar as mãos, e uma ou duas vezes fechar os olhos, estarmos perante uma obra acabada, onde o monstruoso é, consistentemente, manipulado e colocado ao dispôr de um projecto, plenamente conseguido, de estetização. Imprint não é de todo um "filme de terror" e este festival teve, pelo menos, o mérito de nos permitir visionar esta obra, no mínimo "interessante", da criação contemporânea. AST

* muitos pretendidos snuff (a generalidade dos que se podem ver na net) são encenados. Parte dos verdadeiros são, muito provavelmente, encomendados e inacessíveis a quem esteja fora desse circuito. A discussão seria se existe um gozo, por parte do autor moral (quem faz a encomenda), "meramente" na posição de voyeur, ou se este passa ao acto por interposta pessoa (tal como Zizec refere em um dos capítulos da compilação de textos traduzida para português com o título "A Subjectividade por Vir"). Isto importa unicamente como curiosidade pois tratam-se, ambos os tipos, de criminosos (assim como os "realizadores" e outros colaboradores). No fundo todos os criminosos são perversos.












2007/09/06

Luciano Pavarotti

1935 - 2007

Pavarotti, no tempo em que representava óperas, antes de usar uma orquestra privada com um maestro de serviço, foi um grande tenor e um grande intérprete. Depois comercializou-se. Restam os registos discográficos que foram feitos de algumas das óperas em que participou.

"J'espère qu'on se souviendra de moi comme d'un chanteur d'opéra, comme représentant d'une forme d'art qui a trouvé sa plus forte expression dans mon pays", l'Italie, avait écrit Pavarotti sur son site internet à l'époque où il entamait son tour d'adieu en 2004, interrompu en juillet 2006 pour des raisons de santé. AFP - Jeudi 6 septembre, 14h06 in http://fr.news.yahoo.com


Voici les principaux disques de Luciano Pavarotti:

- "I Puritani", de Bellini, dirigé par Richard Bonynge

- "La Fille du Régiment" de Donizetti, dirigé par Bonynge

- "L'Elisir d'Amor" de Donizetti, dirigé par Bonynge

- "Lucia di Lammermoor" de Donizetti, dirigé par Bonynge

- "La Bohème" de Puccini, dirigé par Herbert von Karajan

- "Tosca" de Puccini, dirigé par Nicola Rescigno

- "Turandot" de Puccini, dirigé par Zubin Mehta

- "Guillaume Tell" de Rossini, dirigé par Riccardo Chailly

- "Aïda" de Verdi, dirigé par Lorin Maazel

- "Un Ballo in Maschera" de Verdi, dirigé par Georg Solti

- "Rigoletto" de Verdi, dirigé par Bonynge

- "La Traviata" de Verdi, dirigé par Bonynge

...

DVD

- "L'Elisir d'Amore" de Donizetti, au Metropolitan Opera

- "Pagliacci" de Leoncavallo, au Metropolitan Opera

- "La Bohème" de Puccini, au Metropolitan Opera

- "Un Ballo in Maschera" de Verdi, au Metropolitan Opera

- "Le Trouvère" de Verdi, au Metropolitan Opera.

AP - Jeudi 6 septembre, 13h14, idem












2007/08/04

Michelangelo Antonioni

Ferrara, 29 de Setembro, 1912

Roma, 30 de Julho, 2007


No Festival de Cannes, em 1960, L'Avventura escandalizou pela falta de "fio conductor", pelo tempo lento e pela opacidade do texto. Foi assim que Antonioni fundou o cinema moderno. Michelangelo Antonioni faleceu um dia depois de Ingmar Bergman.

"A Aventura" proporcionou-me um dos mais profundos choques que já tive no cinema. Martin Scorsese in Ipsilon, 5 Outobro 2007



Morreu Ingmar Bergman

Ingmar Bergman morreu "calma e pacificamente", anunciou Eva Bergman

Nascido a 14 de Julho de 1918 em Uppsala, a norte de Estocolmo, Ingmar Bergman realizou ao longo da sua extensa carreira mais de 40 filmes... in http://sic.sapo.pt (30-07-2007, 09:58)



Um certo modo de dizer

O que hoje recordo de Eduardo Prado Coelho, agora falecido, não é tanto a multiplicidade dos temas e domínios em que ele se aventurava, desde a crítica à poesia, da literatura ao cinema, da política à sociedade, da filosofia à música, do erudito ao banal..., mas sobretudo um modo de dizer inconfundível que misturava harmoniosamente a força dos argumentos e a brandura da voz. in http://naoseiquediga.blogspot.com (25.8.07)



Nem todos são néscios...

Mas se uma boa parte dos psicólogos (nem-todos) são néscios tanto em relação ao inconsciente quanto ao sintoma como mal-estar e como incurável, uns poucos porque a clínica é a forma de enriquecerem e disso nada querem saber, outros muitos por uma certa tolice teórica, espanta-me que os psicanalistas venham de mansinho pactuar com a lógica da higienização e de terapeutização da sociedade. Ao menos que fizessem a sua própria ordem consentânea com a especificidade do seu trabalho e com os seus próprios jogos de poder, até porque o que acaba por ficar obnubilidado para o grande público dos consumidores são as lutas para a constituição da ordem dos psicólogos, a desavergonhada luta de poder (como eu presenciei) que preconiza um futuro inquietante, uma luta que doravante seguirá como a melhor forma para a monopolização do seu negociozito. Pau que nasce torto morre torto... in http://www.paginconsciente.blogspot.com (August 22, 2007)



Capitais da máfia

É normal que haja histeria, mediática ou não, quando as duas principais cidades portuguesas se parecem com capitais da máfia.
... há um submundo criminal que actua a seu bel-prazer a coberto de uma actividade legal e altamente popular como é a diversão nocturna.
...
Como passaram estas actividades pelas barbas da polícia? Quantas investigações foram feitas depois de ser sinalizado este perigo - que, obviamente, terá sido detectado?
É a estas questões que as autoridades têm de responder. in Diário de Notícias, 3 de Setembro 2007, editorial, pag 6



Guião para um filme

... circuíto próprio que conta, muitas das vezes, com a cumplicidade das autoridades. Só assim se justifica a aparente passividade das polícias e dos políticos e o papel insignificante que representam neste guião. Domingos de Andrade in Jornal de Notícias, 3 de Setembro 2007, pag 9



Gangues da noite têm ramificações na PSP

Seguranças de casas nocturnas actuam como traficantes de droga, armas e mulheres. Entre eles há agentes da polícia... in Expresso, 8 de Setembro 2007



Liberdade...

Uma sociedade aterrorizada por bandos, ainda que se trate de questões "internas", não é verdadeiramente livre. Vive oprimida pelo terror dos mais fortes, mesmo que estes estejam nas sombras. Nuno Rogeiro in Jornal de Notícias, 31 de Agosto 2007, pag 23



Uma sociedade permeável à corrupção está igualmente à mercê do crime organizado - Fernando Ventura, juiz, citado in Público, 28 de Março 2007, pag 13



Pedagogia...

Nas Ilhas Lofoten, na Noruega, são as crianças que têm o monopólio do arranjo das línguas de bacalhau. É assim que ganham o seu dinheiro e que se ligam à actividade de um arquipélago que vive para o peixe. in Público-P2, 28 de Março 2007, pag 8

Queremos que eles saibam o valor de ganhar o seu próprio dinheiro e de trabalhar - é uma parte muito importante da educação - Øyvind Arne Jensen, idem

Nota: A Noruega tem sido consecutivamente avaliada como o país socialmente mais desenvolvido do mundo. Em Portugal, que é um dos países social, económica e culturalmente mais atrasados da Europa, isto seria provavelmente ilegal. Seria considerado trabalho infantil e "anti-pedagógico". A pedagogia portuguesa é outra e os resultados estão (bem) à vista. Tão à vista que há pessoas que consideram que Portugal está num "processo de decadência irreversível"*. O problema não é ser um, mesmo internacionalmente conhecido, a dizê-lo. O problema é se muitos, conhecidos ou não, o pensam mas não o dizem. Ou dizem o que consideram "politicamente correcto"... Os "pedagogos", e outros teóricos "especialistas" da educação, assobiam para o lado. Devem achar que não é nada com eles. Ou esperam que as pessoas acreditem que a culpa não é deles. Deve ser da internet...

* Saramago em entrevista ao La Vanguardia (Barcelona), muito, muito antes, da entrevista que deu ao Diário de Notícias de Portugal.



Sonatas para piano de Leos Janácek

Conforme já referido aqui, só nos inícios do século XX as obras do compositor checo Leos Janácek (1854-1928) começaram a gozar de alguma popularidade. Tal ficou a dever-se, no essencial, ao facto de ter passado a incorporar nelas temas folclóricos moldavos, resultado de um trabalho de investigação e recolha que iniciou em 1885.

Janácek não deixou, todavia, de dar atenção aos acontecimentos sociais, como aquele que esteve na base da Sonata para Piano 1.X.1905: a morte de um trabalhador, Frantisek Pavlik, durante uma manifestação anti-germânica e a favor da instalação da Universidade de Brno, em Outubro de 1905. O prefácio que Janácek escreveu para a obra é mais ou menos assim:

The white marble steps of the Beseda in Brno
Frantisek Pavlik, a humble worker, sinks down covered in blood
He came, his heart filled with passion, for the university,
And was struck down by brutal murderers.

Passam hoje 79 anos sobre a morte de Leos Janácek. in http://desnorte.blogspot.com (Agosto 12, 2007)



Miguel Torga é uma referência de Portugal

Segundo o vice-presidente da Assembleia da República (Manuel Alegre), "o iberismo de Miguel Torga não põe em causa aquilo a que ele chamava a sua pátria cívica, nem a viabilidade e independência de Portugal, que é um dado adquirido".
...
O Prémio Nobel português José Saramago defendeu recentemente que Portugal deveria tornar-se numa província de Espanha e integrar um país que passaria a chamar-se Ibéria para não ofender "os brios" dos portugueses.
...
António Arnaut, fundador do PS e amigo do poeta homenageado, destacou, em declarações à agência Lusa, o "grande rigor ético, integridade e cidadania" de Torga, caracterizando-o como "uma referência cultural e moral de Portugal".

"É o escritor mais autenticamente português, no sentido de ter penetrado mais profundamente na alma lusa e de ser fiel às suas origens", acentuou.

Para o jurista e poeta, Torga, que viveu várias décadas em Coimbra, "é um mestre da língua" portuguesa e é necessário ler os Diários "para perceber o Portugal dos últimos 60 anos". in http://noticias.sapo.pt (12 de Agosto de 2007, 14:58)



Número de imigrantes em Portugal atinge nível mais baixo dos últimos cinco anos in http://ultimahora.publico.clix.pt (13.08.2007 - 08h59)

A verdade é que, para quem quer trabalhar, Portugal não presta. Isto está óptimo é para os Bancos transformarem sobreiros em "greens", vender água engarrafada ao preço da gasolina super, fazer OPA's sobre tudo o que sirva para explorar quem paga e não bufa, conceder crédito aos tótós que não resistem à propaganda bancária, para depois lhes sacar os apartamentos. idem (comentários)

Nota: o estudo a que remete a notícia cujo título foi acima transcrito, revelou que a comunidade que mais debandou de Portugal foi a ucraniana. Se tivermos em consideração que esta é a comunidade imigrante que maior nível de estudos possui, teremos uma pequena ideia de quanto Portugal é pouco atractivo para a mão-de-obra com formação.



Somos um país extraordinário

De fora, dando descanso à cabeça e ao computador, lendo despreocupadamente os jornais à beira-mar, dou-me conta de como, em vários aspectos, somos mesmo um país extraordinário, daqueles que, não existindo, teria de ser inventado.

Os sinais desta singularidade abundam mesmo nas páginas da imprensa de Verão – onde, supostamente, nada mais há para contar do que o vazio de notícias da estação. O mais fantástico exemplo é, sem dúvida, o da nova ponte sobre o Tejo, chamada ponte da Lezíria. Há milhares de anos que a humanidade sabe que uma ponte serve para passar por cima mas também para passar por baixo. Nós, porém, somos excepção: só depois da ponte estar feita e inaugurada é que as forças vivas locais e os utilizadores de barcos no rio descobriram que a ponte não dá passagem a barcos, porque é baixa de mais. Estiveram ali anos a vê-la ser construída e nunca pensaram no assunto antes de a verem pronta. Agora, todos reclamam e exigem uma 'solução'(?).

No mesmo sector das obras públicas 'urgentes', temos também o caso do novo terminal do aeroporto da Portela, baptizado de Terminal 2, e onde se gastaram milhões em obras 'inadiáveis' de um aeroporto que, oficialmente, só tem mais uns anos de vida. Pois o terminal lá ficou pronto para facilitar a vida a todos e servir melhor as ligações internas. Mas, ao fim de quinze dias, a insuportável e tradicional espera pelas malas que caracteriza o aeroporto da Portela, ficou pior do que nunca e, no Porto, chega a atingir horas de espera. Explicação simples e eloquente do responsável da empresa de "handling" dos aeroportos: "a inauguração do Terminal 2 não correu bem". Eis como a solução se transforma em problema.

Mais obras, públicas e privadas – ou tudo à mistura, como também acontece. O primeiro-ministro foi ao Algarve anunciar mais sete megaprojectos imobiliário-turísticos, os quais, segundo acusação do eng.º Macário Correia, determinaram o adiamento da entrada em vigor do PROTAL, o plano de ordenamento do território aprovado pelo próprio Governo: é que, à luz das normas do plano, e se este já estivesse em vigor, os projectos não poderiam ser aprovados, nem como PIN. Assim, movido pelas melhores intenções, o Governo dispõe-se a pôr alguma ordem no 'desenvolvimento' do Algarve. Mas, movido por ainda melhores intenções, trata primeiro de aprovar aquilo que possa contrariar as suas próprias leis. Na ria de Alvor, uma das raras paisagens naturais ainda preservadas de Portugal, o primeiro-ministro deleitou-se a ouvir sete empresários chegarem-se sucessivamente ao microfone para elogiar a grande compreensão demonstrada pelo Governo em prol do 'desenvolvimento'. E, imaginando já uma paisagem PIN, semeada de hotéis, golfes, vivendas e milhares de camas, onde antes só havia verde, Redes Natura, "habitats" protegidos por directivas europeias e 'obstáculos' quejandos, José Sócrates contemplou este Portugal do futuro e, embevecido pela sua visão, exclamou: "Haverá sempre quem faça críticas, mas é disto que o país precisa!".

Dias depois, como relatava o 'Sol', o primeiro-ministro que jurou apostar num desenvolvimento baseado na qualificação e na excelência, reuniu-se em segredo com os grandes clientes das obras públicas (justamente alarmados com as críticas crescentes à Ota e ao TGV), para em conjunto estudarem novas parcerias para aquele que é será sempre o único verdadeiro "cluster" da economia portuguesa: as obras e encomendas públicas. O Governo encomenda, os bancos financiam, os escritórios de advogados do sistema fazem os contratos, as construtoras constroem e os contribuintes pagam. O país está cheio de porsches e ferraris que saíram directamente do nosso bolso para ajudar a 'desenvolver' Portugal. Miguel Sousa Tavares in http://expresso.clix.pt (13 de Agosto de 2007, 8:00)



A média...

A incerteza cria nas pessoas ainda a necessidade do pai. Do pai salazarista ou do controleiro do PCP. E, quem criticar ou sair da média é rapidamente aniquilado pela inveja e pela mediocridade reinante. in Semanário, 30 de Março 2007, pag 04



Honestidade...

Várias revistas internacionais decidiram fazer um "teste de honestidade", deixando telemóveis de gama média nos bancos de centros comerciais, nas capitais de vários países em todo o mundo. Depois dos artefactos (linda palavra) serem levados por alguém, os jornalistas telefonavam para o telemóvel dizendo à pessoa que se tinham esquecido do aparelho e pedindo a sua devolução. Em Lisboa, muitos dos telemóveis foram desligados imediatamente, para evitarem quaisquer contactos por parte dos proprietários (tanta sabedoria...). Foram devolvidos 15% da totalidade dos aparelhos. Quinze por cento de cidadãos honestos que merecem ser louvados e felicitados, tal é a sua excepcionalidade em Portugal... De acordo com as operadoras de telemóveis portuguesas este resultado até foi muito bom porque são raros os casos em que alguém aparece para entregar um aparelho encontrado. Portugal, uma vez mais e para não variar, ficou no fundo da tabela. No fundo da "tabela da honestidade"... Mas não é por isto que, como Saramago, vou defender a integração de Portugal em Espanha, até porque não há integração que resolva o problema das mentalidades e hábitos culturais. Saramago, que eu saiba, nunca propôs um sistema educativo que educasse para o rigor e a integridade, que procurasse acabar com as práticas do "chico-espertismo", um sistema de educação que impedisse a propagação do mito "o mundo é dos espertos" e colocasse a busca da qualidade e da generosidade à frente da procura dos pequenos benefícios imediatos. Este mito representa uma ideologia que, na essência, proclama a desonestidade e a corrupção como ideais, ideologia que atravessa boa parte da sociedade portuguesa. A não ser radicalmente removida (estripada), pode condicionar muito, mesmo muito negativamente, o futuro do país numa Europa de grandes padrões educacionais e elevadas performances individuais. Na verdade, não me parece valer a pena (tentar-se) incrementar a natalidade em Portugal se não fôr para criar cidadãos de boa qualidade. E isso começa no ensino básico, tal como Sequeira Costa muito bem o disse, já lá vão anos. Por um lado. Por outro, através de um sistema judicial que combata eficazmente a corrupção e todo o tipo de criminalidade. No que diz respeito ao combate à corrupção, aparentemente estão a ser dados bons passos, sendo a Polícia Judiciária uma força fundamental para o sucesso desta luta. Saramago, nomeadamente quando foi director do jornal que agora se faz porta-voz dos seus delírios*, não parece ter tido como preocupação principal (ou secundária) elevar a qualidade da literacia em Portugal, o fomento da crítica inteligente e livre, assim como o respeito pelas pessoas enquanto seres singulares, factores que poderiam ter ajudado a alterar as mentalidades deste país nos trinta anos, ou mais, que entretanto passaram. Por isso, que vá dizer aos bascos e aos catalães que se integrem mais em Espanha, em vez de andar a dizer absurdidades que denotam já um certo grau de senilidade. AST

* não foi nada de bom gosto, muito antes pelo contrário, o Diário de Notícias ter colocado em primeira página (por coincidência em dia de eleições para a câmara da capital de Portugal...) uma frase do escritor dizendo que inevitavelmente Portugal iria integrar Espanha.













2007/07/22

Portugal atrofiado

Alexandre Castro Caldas, professor de Neurologia, recordou... que o cálculo mental, tal como a memorização... permite o desenvolvimento de partes do cérebro que, sem esse treino, ficam atrofiadas
...
Contudo, a ideia de recomendar a utilização da calculadora nos primeiros anos do ensino básico está de volta. in Público, 23 Julho, 2007, pag 42



O Presidente e o país do senhor Alberto

O aborto continuará, pois, a ser clandestino no país de Alberto João Jardim.
...
Exige-se-lhe (ao PR) que não pactue com este desrespeito pelo Estado e pelos legítimos direitos dos cidadãos. in Público, 22 Julho, 2007, pag 44



NAZANIN

El 14 de enero de 2006 los jueces de un tribunal penal de Teherán absolvieron de asesinato con premeditación a MAHABAD FATEHI, conocida como NAZANIN, de 19 años, tras una vista oral celebrada el 10 de enero, si bien resolvieron que la joven debía entregar «dinero de sangre» a la familia del hombre al que había matado en defensa propia en marzo de 2005. La habían condenado a muerte por asesinato en enero de 2006, pero, gracias a las protestas internacionales, entre ellas la de Nazanin Afshin-Jam, reina de la belleza canadiense, de origen iraní, su condena a muerte fue anulada por el Tribunal Supremo en mayo de 2006 y la causa fue remitida para que se celebrara un nuevo juicio. in http://web.es.amnesty.org/pena-muerte-iran/eje_casos.php?autorizo=&id=














2007/07/18

Romeo & Julieta

A aposta de Oskaras Korsunovas (Lituânia) em encenar um clássico, já trabalhado de (quase) todas as formas e feitios, numa pizzaria, duas para ser mais preciso, que nem sequer são tipicamente italianas (e ainda bem), poderia resvalar para um caricato "dejá-vu". Na verdade por aí andou frequentemente, e o final tombou no lugar comum devido ao último movimento de caída dos amantes. Bastaria mantê-los na posição em que se encontravam, a rodar na máquina de amassar (a massa para as pizzas...), que de resto foi inteligentemente utilizada ao longo de todo o trabalho, e criar-se-ia um efeito de perenidade. O movimento de caída dos corpos, já mortos (ainda que este facto não tenha relevância), foi trivial e desnecessário. Estúpida banalidade de um gesto que significa "fim", e desencadeia o início das ovações... A trivialidade atravessou toda a criação, num movimento pendular entre riso e emoção (sem que o riso seja sempre e necessariamente trivial, e sabendo que o mesmo expressa emoções). No entanto, esta oscilação foi seguramente vista e revista pelo criador, sendo o resultado global não só inovador, como tem momentos de uma força dramática incomum, sobretudo se pensarmos que estamos a tratar de duas famílias burguesas, proprietárias de pizzarias, aparecendo, não se sabe como, um conde que quer desposar a plebeia Julieta. Talvez necessitasse do dote... Ou talvez a Julieta o atraísse (muito) especialmente. De facto havia um rolo de massa metido num dos bolsos dianteiros das calças do conde que nos remetia deliberada e ostentatoriamente para a simbologia fálica, que dominou toda a peça até à iminência da morte dos amantes, que surge como uma castração radical. Castração do prazer, da vida, da arte, de tudo. O "caso" entre a ama e o frade não pode deixar de nos remeter para a leitura que Peter Sellars fez na encenação de Don Giovanni, de Mozart, e que Zizec referiu em "Goza o teu Sintoma" (que é o sub-título da obra em causa mas que, para mim, é o que possui "significância"). Mas tudo isto são "quase-minudências"... As luzes, de Eugenijus Sabaliauskas, transformaram as pizzarias, primeiro em espaço de luta, depois em igreja e finalmente em tumba, com uma improvável eficácia plástica para um cenário imutável (levantaram-se as mesas, na cena final, para criar uma área delimitada, que foi o espaço onde aconteceu a morte dos amantes). O mecanismo de relógio, que aparecia esplendorosamente iluminado e activado durante as cenas entre os amantes, funcionou como potente simbolismo. O incrível texto de Julieta, re-criado com base na obra do inglês, foi um dos elementos que introduziram elevada "poiésis" nesta produção. A branca farinha esteve associada à morte, substituindo-se ao vermelho do sangue e ao veneno que conduz à morte, o que foi absolutamente eficaz, ou não funcionasse o branco como um símbolo, directo, da palidez da morte. A ideia de, no funeral de Julieta, serem grandes talheres a fazer de oferendas, em vez das tradicionais flores, foi brilhante, e a cena seguinte, com Romeu a rebolar-se, desesperado de morte (desesperado para a morte...), em cima das metálicas oferendas, foi outro momento conseguido. A convicção e desempenho dos actores foi um factor fundamental, mas, a parte sonora, de Antas Jasenka, foi (com o fantástico desenho de luzes) um dos "elementos primordiais" (o compositor partiu, em determinadas contextos, dos ruídos previsíveis, repetindo-os em "loops", criando, desta maneira, contextos de abstracto simbolismo; utilizou, em outras situações, sons electrónicos que conseguiam efeitos de um suspense antecipatório das sucessivas tragédias; nos momentos de hilariante euforia foi utilizada música popular, trespassada de uma sub-reptícia ironia, que fez lembrar os "scherzos" em ritmo ternário acelerado nas sinfonias de Shostakovitch - com as devidas distâncias - que impediu a queda no trivial; nas cenas dos amantes foi feita música com um "efeito etéreo" que não caíu no "cliché do costume") que fez desta re-criação da célebre tragédia, na minha opinião, a mais relevante (e interessante) da actualidade, que muito provavelmente ficará entre as mais marcantes baseadas no "Romeu e Julieta" de Shakespeare. Foi possivel vê-la em Lisboa, no Mite'07, que decorre no Teatro Nacional D. Maria II. AST



Tristes números

E é muito difícil acreditar em programas de reconversão do perfil económico da nação, como o Plano Tecnológico, quando um em cada quatro estudantes tem nota 1 nos exames de Matemática do 9º ano, em que apenas um em cada quatro alunos consegue passar. in Diário Económico, 17 de Julho, 2007, pag 36



Martírio diário

... este é o pior governo para a área educativa não superior de que guardo memória.
...
Tudo o que seria importante para promover a qualidade do sistema de ensino ou não foi realizado ou foi objecto de medidas que degradaram ainda mais o que já era mau.
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Aumentou o facilitismo e a idiotização do ensino.
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Promoveu-se o clientelismo e premiou-se a delação e o servilismo.
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Mudou-se a legislação disciplinar, mas continua a ser mais fácil falsificar uma nota de 50 que actuar com eficácia sobre os pequenos delinquentes, que tornam a vida dos colegas e dos professores um martírio diário. Santana Castilho in Público, 19 Julho, 2007, pag 42



(in)Disciplina

João Dotti, vice-presidente da Associação Industrial Portuguesa (AIP)... considera, por exemplo, que a mão-de-obra mais jovem é pouco responsável perante o trabalho e "tem problemas de disciplina" in Diário Económico, 20 de Julho, 2007, pag 10



Mais formação e qualificações certas

Para Paula Carvalho, economista do banco BPI, "este ciclo vicioso só se vai quebrar quando a população activa tiver mais formação e qualificações certas, o que leva tempo"...
Quando a qualidade dos negócios fôr superior "as empresas vão querer segurar os empregados mais qualificados e investir mais nas pessoas, privilegiando vínculos laborais mais duradouros", juntou. idem



Pedagogia portuguesa

E o que se passa nos bastidores é horrendo. Sob a retórica igualitária, que pulula nesses círculos, sob os discursos dos pedagogos que dizem ser preciso valorizar os "saberes" que os alunos trazem de casa, sob a máscara de uma escola para todos, estamos a destruir o futuro das crianças mais pobres. Maria Filomena Mónica in Meia Hora, 6 de Julho de 2007, pag 4



Portugal tem dos piores gestores do mundo

O aumento da qualidade de gestão nas empresas é fundamental para melhorar a produtividade e competitividade do país.
...
De acordo com um estudo realizado junto de quatro mil empresas, nos EUA, Ásia e Europa, pela Mckinsey, as empresas nacionais ficam sempre nos últimos lugares das tabelas classificativas. in Diário Económico, 16 de Julho, 2007, pag 8



Gestão é um reflexo do próprio país
...
O empresário considera que o défice educativo é um dos grandes problemas das empresas, que lhes diminui a capacidade de competir e de inovar. idem



Sine Qua Non

A imprensa escrita livre é a base da nossa sociedade democrática e os governos não devem intervir na regulação da imprensa escrita. É uma regra sine qua non. Viviane Reding, Comissária Europeia para os "media", citada in Diário Económico, 18 de Julho, 2007, pag 38

Nota: a comissária estava, concerteza, a referir-se a todos os "media" e não exclusivamente à "imprensa escrita".



Frases divertidas

Santana Lopes - alguém que, em lugar de "andar por aí", devia antes "desandar daqui"

CDS de Paulo Portas, cada vez mais um partido em riscos de nem um táxi encher no futuro... in Público, 18 Julho, 2007, pag 42














2007/07/01

IVANOVO DETSVO

A Infância de Ivan, de 1962, é o segundo filme de Andrei Tarkovsky. Trata-se de uma obra onde a estética peculiar do grande artista se afirma desde o primeiro instante. O filme trata a heroicidade de um orfão, adolescente, que se sacrifica no combate contra o exército nazi, mas é sobretudo uma obra de cariz "esteticizante", onde a plasmação da imagem em prolongadas sequências estabelece, consistentemente, a semiologia e a sensibilidade de Tarkovski que, anos depois, irá realizar o seu terceiro filme, que é uma obra prima essencial do cinema e da arte: Andrei Rubliov (1966). É "curioso" que o protagonista do grande "quadro" final de Andrei Rubliov, a fundição do grande sino, é igualmente um adolescente, orfão, que assume um empreendimento que a ser mal sucedido lhe custaria a vida. É "curiosa" a persistência da água que pinga em ambientes degradados, criando-se aqui o paradoxo do símbolo decaído da purificação, que vai atravessar toda a criação tarkovskiana. As cenas com cavalos, símbolo da virilidade e da mudança, em A Infância de Ivan, são uma sequência onírica trespassada por uma positividade que não permanecerá nos filmes seguintes, onde os cavalos surgem associados à guerra e, numa sequência de um outro filme, aparecem caídos. As cenas oníricas, em A Infância de Ivan, são "momentos chave" que pontuam, suspendendo e subvertendo, o tempo da narrativa. Muito sintomática a auto-interrogação do camponês com quem Ivan se cruza na sua fuga à tranquilidade e segurança que lhe querem impôr: quando é que isto terá um fim? É uma interrogação enigmática pois não sabemos se o "isto" é aquela guerra específica, ou é aquela guerra como mais um episódio de uma história sangrenta. A cena é toda ela surrealista, finalizando com o idoso a trancar a porta de uma casa completamente destruída e sem paredes... Não teremos aqui uma súbtil metáfora da Rússia? O péssimismo e a angustia gerada pela história russa, aqui, em meu entender, apenas aflorados, serão o "leit-motiv" de todos os filmes de Tarkovski. O grande cineasta não chegou a conhecer a Rússia actual, que é muito pior que aquilo que se poderia deduzir da negatividade que paira na sua ficção esteticizada. A Cinemateca Portuguesa fez a primeira projecção em Portugal de A Infância de Ivan, no dia 30 de Junho de 2007. Deveria re-apresentar com maior regularidade as obras do grande génio, prematuramente desaparecido, que são oito criações incontornáveis da história do cinema e da arte. Tratam-se de paradigmas de uma determinada maneira de pensar, e sentir, os actos de filmar e montar, paradigmas que são vitais para a formação de todos os artistas e para a educação da sensibilidade de todos os cidadãos. AST




Terror na Rússia

O senhor (Putin) comprovou ser tão bárbaro e desumano como os seus críticos mais ferozes o descrevem. Alexander Litvinenko, Londres, 21 de Novembro de 2006 in Terror na Rússia, Porto Editora, 2007

Desde então, várias pessoas que nos tinham ajudado foram mortas. Yuri Felshtinsky, idem




Putin

In July he (Alexander Litvinenko) claimed...that the President (Vladimir Putin) was a habitual pedophile...also contented that Putin had been on the take from Mafia groups for years... in Time-Europe, December 18, 2006, pag 26





Bestas nazis

É que os nazis roubaram e destruiram tanto no Ocidente como nos países de Leste, como no caso da Rússia, onde terão destruído e saqueado mais de 300 mil peças. É gigantesco. Às vezes, quando estava a fazer investigação, tudo isto me parecia ficção científica. Héctor Feliciano, autor de "O Museu Desaparecido", in Focus, 4 de Julho de 2007, destacável, pag 75





Corrupção

A corrupção (em Portugal) existe e está a agravar-se. João Cravinho in Focus - Portugal, nº 402, pag 20




Little country - big deals

A Polícia Judiciária (PJ) está a investigar o rasto de cerca de 24 milhões de euros que o consórcio alemão GSC, com o qual o Estado português contratualizou a compra de dois submarinos em 2004, transferiu para a Escom UK, empresa do Grupo Espírito Santo (GES) sedeada no Reino Unido. O inquérito procura apurar se existe alguma relação entre o destino final desse dinheiro e o resultado do controverso concurso público dos navios de guerra submergíveis. Este foi ganho pelos alemães do "Germain Submarine Consortium", que propuseram a venda dos dois submarinos por 845 milhões de euros e comprometeram- -se a proporcionar negócios para empresas portuguesas no valor de 1,2 mil milhões de euros (as chamadas contrapartidas).

A investigação foi despoletado por conversas telefónicas, alegadamente interceptadas pela PJ, entre o ex-ministro da Defesa Nacional, Paulo Portas, e o ex-director financeiro do CDS-PP, Abel Pinheiro, no âmbito do inquérito-crime "Portucale". O Ministério Público ordenou a separação processual, abrindo então um novo inquérito para os submarinos.

Fonte ligada ao processo disse que a Escom do Reino Unido (o GES tem outras empresas com o mesmo nome sedeadas nas Ilhas Virgens Britânicas e em Portugal) poderá ter transferido parte dos 24 milhões de euros para escritórios de advogados, empresas ligadas a tecnologias de ponta e à investigação, ao ramo automóvel e ao sector da construção civil.

A transferência das verbas para estas empresas é justificada com a prestação de serviços ligados ao contrato de fornecimento dos submarinos, mas, em vários casos, a PJ suspeita de que isso não corresponderá à verdade. Procura apurar, por isso, se se trata de serviços simulados e se, na realidade, aquelas transferências de verbas não estarão relacionadas com a vitória do GSC, em 2003, no referido concurso público internacional. in http://jn.sapo.pt (2007/07/08/nacional)