2008/02/20

Impressing the Czar







O Royal Ballet of Flandres colocou a sua transcendente técnica e arte ao serviço de um agregado de quadros coreografados por William Forsythe que parodiam o classicismo (o andamento do quarteto de cordas de Beethoven que serve de base musical ao primeiro quadro é transfigurado até ficar com um ritmo "tcha-tcha-tcha"), sendo a cenografia de Michael Simon. Um Forsythe conhecido pelo seu estilo neo-clássico abriu-se às influências do "teatro-dança", cuja origem foi lá mais para o centro da Europa, assim como às estéticas minimais mas, em Impressing the Czar, criação de 1988, são sobretudo evidentes influências da obra de Anne Teresa de Keersmaeker. O resultado é interessante e o coreógrafo mantém os "rasgos" neo-clássicos que sempre o caracterizaram, mas não se pode dizer que William Forsythe conseguiu construir um estilo singularizado. Outra observação seria a inexistência de uma coesão estilística no interior desta obra. Isso é evidente na fraca relação entre o primeiro e o segundo quadros. AST (fotos: Álvaro Teixeira. Todas as imagens são do primeiro quadro, excepto a última)


10.000 anos!

«o país piorou porque os mais ricos têm hoje uma arrogância como nunca tiveram», dando Louçã o exemplo das indemnizações recebidas por cinco ex-administradores do BCP - 80 milhões de euros.

Nas contas do deputado e economista, «esta pequena indemnização são dez mil anos de salários de um português». in Diário Digital (21-02-2008 13:45:00)


Sensações reais...

A sensação de que existem crimes que permanecem impunes, porque quem os comete consegue manobrar o sistema, é uma sensação real... Helena Pinto in Meia-Hora, 21 Fevereiro 2008, pag 4


Faça a diferença

Aplique esse valor em acções reais de redução da pobreza extrema e de melhoria de condições de vida dignas, tais como: saúde, alimentação, água potável e educação.

Ao preencher os impressos para o IRS, no quadro 9 do anexo H, linha 901, com o Número de Identificação Colectiva da oikos (NIPC: 502 002 859) pode destinar 0,5% do valor final colectado do seu IRS para os projectos que desenvolvemos.

A transparência é um dos nossos valores. A oikos é a primeira ONGD portuguesa com Relatório de Sustentabilidade, com validação externa pela SGS. As actividades e os Relatórios de Gestão e Contas, Auditoria externa e sustentabilidade estão disponíveis em www.oikos.pt



2008/02/19

Cholos!*

Buenos Aires, 19 de febrero (Reporter). La cantante mexicana Paulina Rubio deberá desembolsar unos 5 mil dólares por haber posado desnuda y sólo cubierta por la bandera de su país para una producción fotográfica en una revista española.

La Dirección de Fomento Cívico de la Secretaría de Gobernación mexicana determinó que la cantante de "Y yo sigo aquí" había deshonrado a la bandera en la atrevida foto para la edición española de la revista Cosmopolitan.

La multa -de 53 mil pesos mexicanos- representa más de 250 veces el salario mínimo de México, una dura condena por haber ofendido a uno de los símbolos de la nación azteca. Es más, si se comprueba que Rubio cobró por esa producción, el castigo se cuadriplicaría, ya que el delito se agrava si significó una ganancia monetaria para quien ofendió a la patria.

Sin embargo, la fotógrafa involucrada -la mexicana Teresa Peyrí- dijo que las imágenes correspondían a un proyecto suyo de 2002, en donde 36 famosas se vestían de hombres para quitarse de a poco la ropa.

"Paulina se vistió de mariachi -declaró Peyrí a la prensa mexicana- se fue desvistiendo y terminó con la foto de la bandera. Pero fue sin fines de lucro, no cobró ni un duro".

in http://ar.entertainment.yahoo.com (martes 19 de febrero, 12:01 AM) *cholo = labrego

Paulina! Amiga! A crítica está contigo!





2008/02/16

Quem "desaconselhou" os alunos de alguns conservatórios regionais a participarem na manifestação? (fotos: António Ricardo Baltazar)

Ana Paula Russo, António Vitorino d'Almeida e Mário Laginha actuando contra a política do governo. No melhor estilo chico-espertista a ministra da educação anunciou mais dinheiro para o ensino da música (à sua moda) na altura em que os estudantes dos conservatórios se manifestavam em frente ao parlamento, mas não disse quantos e quais os artistas produzidos pelo sistema integrado que a ministra deseja e que existe há muito no conservatório de Braga (a outra vertente que ela preconiza, o ensino da música como actividade de complemento curricular nas escolas do ensino básico, resultará na bandalheira e indisciplina que caracterizam estas escolas, apesar do esforço e dedicação dos professores que a ministra parece detestar, vá-se lá saber porquê... Todos sabemos que nada de muito grave acontece aos pequenos vândalos que insultam os professores e aterrorizam os colegas. Foi necessário vir o Procurador-Geral da República dizer que esta situação não pode continuar para que os crimes contra os professores passassem a ser tratados com a gravidade que de facto têm). Seria curioso se fosse verdade o que "por aí" consta: uma familiar da ministra fez testes de entrada para uma escola de música pública e foi rejeitada por carência de requesitos ao nível da musicalidade e da audição, acabando por ser admitida numa academia particular onde completou o 8º grau de flauta com uma nota fraca. Acreditamos que o impto reformista da ministra nada tem a ver com esta situação (...) e a familiar da ministra não tem de todo culpa das atitudes desta, além de que esta "notícia" pode não passar de um "disse que disse" que nos fizeram chegar aos ouvidos. No dia seguinte à manifestação dos artistas o primeiro-ministro reuniu com os professores militantes do seu partido para os convencer da bondade das políticas do governo para a educação. Parece que foi assobiado... Mas lá por ter ouvido assobios, eventualmente afinados, não venha acusar os músicos... Partido Socialista, cujo ex-secretário-geral e ex-Presidente da República Mário Soares, alertou, no congresso dos sindicatos que aconteceu no dia da manifestação, para o facto de Portugal ser o país da Europa onde se verificam mais desigualdades. No mesmo lugar, o secretário-geral da confederação dos sindicatos afirmou que as desigualdades terceiro-mundistas que se verificam em Portugal, onde cerca de 10% da população detém mais de 70% da riqueza, devem-se à corrupção. Não é o primeiro a dizê-lo. Nem será o último...





2008/02/14

Ética

Steven Spielberg não aceitou continuar no cargo de conselheiro artístico para os Jogos Olímpicos de Pequim porque a China não tem feito o que deveria e poderia fazer para acabar com o genocídio que está a acontecer no Darfur.

<"Neste momento, não quero consagrar o meu tempo e a minha energia às cerimónias olímpicas, mas quero fazer tudo para que terminem os crimes inomináveis contra a humanidade que continuam a ser cometidos no Darfur", frisa o cineasta.

Recorde-se que a China é um dos maiores parceiros económicos do Sudão e os seus laços com o regime de Cartum são considerados um dos "travões" aos esforços internacionais para fazer pressão sobre o Governo sudanês no que diz respeito ao problema do Darfur.

A colaboração de Steven Spielberg com as autoridades chinesas no âmbito dos Jogos Olímpicos de Pequim fora criticada pela actriz americana Mia Farrow, embaixadora itinerante da Unicef - organismo das Nações Unidas para a infância. A decisão de Spielberg foi saudada pela Human Rights Watch, uma organização não governamental de defesa dos direitos humanos.> in http://dn.sapo.pt (14.02.08)

Pessoas como Mia Farrow e Spielberg provam que a consciência ética existe. Consciência ética que o governo português esqueceu durante a última-última presidência portuguesa do Conselho da Europa e na Cimeira Europa-África, em Lisboa.


2008/02/12

Ayaan Hirsi Ali

Os holandeses retiraram-lhe a protecção porque ela - ex-eurodeputada pela Holanda e um dos principais alvos a abater pelos islâmicos - disse que Maomé foi um tirano e um perverso. A França vai atribuir-lhe nacionalidade francesa e protecção. Viva a França que uma vez mais demonstra estar pelo menos um degrau acima de uma ficção chamada União Europeia.


Tata Güines


Morreu nesta segunda-feira o percussionista cubano Federico Aristides Soto, conhecido como Tata Güines.

O músico ficou famoso em Cuba a partir da década de 50 ao criar um formato rítmico mais experimental. Nos últimos anos, se destacou por sua participação em diversos shows da nova geração de músicos cubanos de jazz.

Tata Güines nasceu em 18 de junho de 1930. Em 1942, ele começou a tocar bongô e contrabaixo e aprendeu os rudimentos da musica cubana.

O percussionista chegou a se apresentar em Nova York, onde viveu por dois anos, ao lado de nomes como Joséphine Baker, Frank Sinatra e Charlie Parker. in http://musica.terra.com.br (Segunda, 4 de fevereiro de 2008, 12h53)


Aceder às complexas estruturas e intrincado volteio deste álbum de Sun Ra é um desafio de grande envergadura, mesmo para ouvintes habituados à abstracção do free jazz de Ascension, de John Coltrane, por exemplo, com o qual The Magic City em parte desafia comparação, ou da música do Séc. XX de autores tão diferentes como Anton Webern, Alban Berg, Edgar Varese, Bela Bartók, Luigi Nono, Karlheinz Stockhausen, Pierre Boulez ou Frank Zappa. Por este disco assombroso passa toda uma multiplicidade de estados de alma, da alegria exuberante, à introspecção melancólica, humor sardónico e terror sinistro (aqui arrepiantemente administrado pelo uso que Ra faz do claviolino, um dos muitos instrumentos de teclas que o músico utilizou, alguns deles por si inventados). Sun Ra a gerir a mistura dos diferentes timbres instrumentais, sublinhando as suas intervenções com ecos do saxofone de Marshall Allen e do contrabaixo de Ronnie Boykins, até toda a banda entrar em acção. É assim a abertura de The Magic City (referência à Birmingham natal de Ra, estado do Alabama), disco de 1965, gravado em Nova Iorque com a Solar Arkestra. Originalmente publicado pela El Saturn, a editorazinha caseira de Herman 'Sun Ra' Blount, foi reeditado em 1993 pela Evidence Music. Grande música cósmica (uma evidência...) e um dos melhores exemplos em disco da visão afro-ancestral-futurística-espacial do mestre. Ra-novatos devem considerar seriamente a oportunidade de procurar outras portas de entrada neste universo, porque alguns dos discos da década de 60, como The Magic City, ou When Sun Comes Out, The Heliocentric Worlds of Sun Ra (Vols. I e II), e Other Planes of There, podem efectivamente representar uma carga de trabalhos insustentável para quem ainda não tenha calo ou não esteja preparado para entrar na nave espacial, a caminho de Saturno. Sun Ra and his Solar Arkestra - The Magic City (Evidence Music) in http://jazzearredores.blogspot.com (12.2.08)






2008/01/31

3 x mais que os alemães. Uau!

Em Portugal segundo um estudo da Mercer Consulting, os altos dirigentes de empresas só ganham 32 vezes mais que os seus trabalhadores. É certo que é mais do dobro do que ganham os administradores espanhóis e ingleses e do triplo dos alemães... in Notícias Magazine, 27 Janeiro 2008, pag 82

Deve ser por isso que Portugal está 2 vezes melhor que Espanha e o Reino Unido e três vezes melhor que a Alemanha... Tem lógica!


Juiz impedido de falar

Com esta deliberação do CSM, o Ministério Público, representado no processo pela procuradora Manuela Galego, perde uma das principais testemunhas.

PROCESSO EM SEGREDO

A juíza Amélia Puna Loupo decidiu fechar as portas do julgamento de Paulo Pedroso contra o Estado, apesar de nenhuma das partes o ter solicitado. O CM e outros órgãos de Comunicação Social já requereram que a exclusão de publicidade seja revogada – alegando, entre outras coisas, que o próprio julgamento do caso de pedofilia decorre à porta aberta –, mas até ao momento ainda não houve decisão, uma vez que as partes foram chamadas a pronunciar-se. Enquanto não houver despacho, o calendário de audição de testemunhas também não é público, razão pela qual se desconhece quem serão as próximas pessoas a depor e quando. Certo é que das 40 testemunhas arroladas, pelo menos metade, as escolhidas por Paulo Pedroso, já foram ouvidas – entre as quais o ex-líder do PS Ferro Rodrigues, o socialista António Costa e a mulher do ex-deputado, Ana Catarina Mendes. O julgamento teve início a 7 de Janeiro, no Palácio da Justiça, em Lisboa, e todas as audiências decorreram à porta fechada.

CATALINA ENFRENTA PEDROSO

A ex-provedora da Casa Pia Catalina Pestana é hoje ouvida como testemunha contra Paulo Pedroso. A audição está marcada para as 10h00, no Palácio da Justiça, em Lisboa, e deverá decorrer à porta fechada, apesar dos sucessivos requerimentos da Comunicação Social para que seja revogada a decisão da juíza de excluir a publicidade deste julgamento.

Esta será a primeira vez, desde a divulgação do escândalo de pedofilia, que Catalina estará frente a frente com o ex-deputado, de quem era amiga antes do processo – Paulo Pedroso tem estado presente em praticamente todas as audiências.

O julgamento da acção cível contra o Estado começou a 7 de Janeiro e já foram ouvidas todas as testemunhas de Pedroso. in http://www.correiomanha.pt (2008-01-31 - 13:01:00)





2008/01/27

Barcelona contra o uso de peles (Foto: Albert Gea/Reuters)

2008/01/26

Das Märchen

O acontecimento musical do ano português veio, no meio das expectativas mais elevadas, à luz no Teatro São Carlos de Lisboa, transmitido em directo por esse mundo português fora, com direito a sopinhas e bolinhos no final. Devo dizer que em uma ópera paga pelos portugueses, que do pouco (ou muito) que possuem constam poetas e escritores no mínimo interessantes, se esperaria que fosse trabalhado um texto em português. E não seria difícil encontrar, na poesia ou na literatura portuguesa, algo que funcionasse melhor que o texto escolhido pelo compositor. O conto de Goethe encontra-se traduzido para português por João Barrento. É uma pequena ficção que até se lê bastante bem. Emmanuel Nunes conseguiu transformá-la numa ópera de 4 horas... A maneira como geriu e contextualizou o texto resultou em aquilo que podemos ver (e ouvir).

É verdade que Nunes nasceu em Portugal, mas também é verdade que foi embora na infância, é verdade que não se identifica com Portugal, e tem as suas - boas ou más - razões, é verdade que fala alemão com o filho... Uma ópera alemã paga pelos otários dos portugueses, quase que se poderia dizer... E vem-me imediatamente à memória os alegados 700.000 euros pagos pelo ministro da economia, com dinheiros públicos claro, a um fotógrafo estrangeiro para fazer umas foto-montagens foleiras. Supostamente para promover o país...

Mas vamos ao que há de bom em tudo isto: a falta de dinheiro. É a falta do belo mas perigoso ouro, digo dinheiro, que nos salva de o Emmanuel nos brindar com uma tetralogia, com 4 horas cada parte. Sabem que estou a brincar... Na verdade uma tetratologia salvaria este país do afundamento. Uma tetralogia colocar-nos-ia na vanguarda pós-Stockausen (esse cretino que disse lembrar-se do ex-aluno e compositor Jorge Peixinho mas desconhecer quem é o Emmanuel Nunes). Uma tetralogia livrar-nos-ia definitivamente do especto Saramago/Corghi. Uma tetralogia estabeleceria, finalmente, o Teatro de São Carlos no lugar que lhe compete: à cabeça da inteligencia mundial e Portugal, de novo, a dar mundos ao mundo. AST

Nota: Das Märchen pareceu-me um retalho estilístico com momentos absolutamente brilhantes. Mas a uma ópera não basta ter partes bem conseguidas. Se existe um fio condutor para além do texto, o que pretende ser uma "lógica" musical, deve estar nos cálculos que o Emmanuel Nunes fez e no conceito Leiträume, que é a intersecção das personagens com um ambiente determinado (Leitstimmungen). E que ironicamente pode ter contribuído para a falta de consistência desta ópera como um todo... Em Das Märchen não é audível uma unidade global, elemento essencial em uma obra de arte. Especialmente em uma obra que habite o espectro estético sob o qual vive Emmanuel Nunes.

Nota 2: no tempo de Das Märchen quero lembrar Pli selon Pli, de Pierre Boulez; Requiem für einen jungen Dichter, de Bernd Alois Zimmermann; o solo do camarada Mao em Nixon na China, de John Adams; L'amour de Loin, de Kaija Saariaho com base no livro de Amin Maalouf; Medeamaterial, de Pascal Dusapin; Cries of London, de Luciano Berio, e sobretudo ...sofferte onde serene... de Luigi Nono.


Se em alguma parte do mundo um país tiver uma orquestra juvenil administrada por um chantagista promíscuo, significa que esse país está gravemente doente. Se os jovens dessa orquestra aceitarem as chantagens, não se juntarem para denunciar publicamente o criminoso, ou simplesmente fingirem que nada de anormal está a acontecer, significa que o país não terá um futuro brilhante e que esses jovens não passam e nunca passarão de uma caricatura de artistas. Se pessoas com responsabilidades souberam do que está a acontecer e nada fizeram, significa que esse país, se existe (consta que sim...), necessita de uma limpeza grande e geral.


Em A Capital! Eça dá-nos um retrato caricatural, muito negativo, dos republicanos, num capítulo relativo a uma reunião de um clube republicano da Rua do Príncipe, em Lisboa. in Semanário, 25 Janeiro, 2008, pag 44

Uma instituição de vários séculos de idade não cairia só porque mataram o rei. Havia a ideia de que o País estava numa fase decadente e que a monarquia já não o podia salvar. in Meia Hora, 28 Janeiro, 2008, pag 13








2008/01/23

Ciclo Beethoven

Decorreu no CCB, em Lisboa, um ciclo de piano dedicado essencialmente a Beethoven. Assisti aos últimos três recitais e considero que a iniciativa foi interessante. Stephen Kovacevich, o pianista em quem depositava mais expectativas, na primeira parte do seu recital tocou a Partita BWV 828 de Bach sem nada acrescentar ao que se costuma ouvir feito pelos pianistas. Já nas Kinderszenen de Robert Schumann resolveu comprimir as dinâmicas entre o pianíssimo (ppp) e o piano (p), resultando uma leitura no mínimo bizarra... Na segunda parte ofereceu-nos umas Diabelli Op. 120, de Beethoven, consistentes, apresentando uma leitura depurada e reduzida ao essêncial. Um momento importante deste ciclo. Já Giovanni Bellucci tentou fazer um fogo de artifício com a transcrição por Liszt da 5ª Sinfonia de Beethoven, mas o que conseguiu foi um pedal excessivo que impediu qualquer clareza e uma leitura sem o mínimo de consistência da transcrição, que na prática é uma redução para piano da "5ª Sinfonia", que será eventualmente a obra mais conhecida de toda a "música clássica", transcrição que deveria tocar em casa ou em serões entre amigos - sem querer ofender a memória do grande Liszt - mas nunca em recital. Já na sonata Hammerklavier, do mesmo Beethoven, da qual é apresentado como um "especialista", esteve muito bem. Ou não fosse a sua especialidade... A surpresa veio do mais jovem: Cédric Tiberghien. Fixem este nome porque vai dar que falar*. A par de uma técnica impecável, o artista revelou uma inteligência musical e uma sensibilidade dignas de um grande músico. Foi quem fez o recital mais regular em termos interpretativos e estilísticos, encerrando o ciclo com a mítica Op. 111, a última sonata para piano escrita por Ludwig, a que Cédric deu vida de maneira singular, inspirada e musical. AST *uma maneira de dizer pois o artista já possui uma apreciável carreira internacional.










2008/01/22

Juntas médicas

Atendendo a que existem cidadãos a quem as juntas médicas a que recorreram lhes negaram o direito à situação de reforma, agradeço que Paulo Teixeira Pinto divulgue os nomes dos membros da junta que julgaram o seu caso, a fim de qualquer cidadão recorrer à mesma junta. Luis Ribeiro in Público, 22 Janeiro 2008, pag 42



Pede-se também ao senhor primeiro-ministro que nos explique se o presidente do conselho de administração da Portugal Telecom ganha 185.000 euros mensais, 14 meses por ano, e a ser verdade (consta que é) o porquê de este salário milionário (talvez porque a PT deteve, e ainda detém de certa maneira, o monopólio das telecomunicações em Portugal, prestando serviços mediocres a preços elevados).



Já agora solicita-se ao senhor ministro da economia que explique porque escolheu o fotógrafo Nick Knight para uma acção publicitária sobre Portugal, se acha que fotógrafos portugueses (afinal tratava-se de promover a imagem de Portugal com figuras portuguesas) não podiam fazer melhor (não seria difícil...), e se os honorários de Knight (não contando com os da agência que organizou a campanha) andaram à volta dos 700.000 euros. Também seria interessante que o senhor ministro nos fizesse vislumbrar o motivo de aqueles grandes, enormes, estendais com as foto-montagens de Knight a publicitar Portugal cá dentro. Aparentemente a campanha destinava-se a atrair turistas do exterior...







2008/01/07

Luiz Pacheco

Luís José Gomes Machado Guerreiro Pacheco (Lisboa, 7 de Maio de 1925 — Montijo, 5 de Janeiro de 2008) foi um escritor, editor, polemista, epistológrafo e crítico de literatura português.

Nasceu no seio de uma família da classe média, de origem alentejana, com alguns antepassados militares. O pai era funcionário público e músico amador. Na juventude, Luiz Pacheco teve alguns envolvimentos amorosos com raparigas menores como ele, que haveriam de o levar por duas vezes à prisão.

Desde cedo manifestou enorme talento para a escrita. Chegou a frequentar o primeiro ano do curso de Filologia Românica da Faculdade de Letras de Lisboa, onde foi óptimo aluno (Vitorino Nemésio, na sua cadeira, atribuiu-lhe 18 valores, de 0 a 20), mas optou por abandonar os estudos. A partir de 1946 trabalhou como agente fiscal da Inspecção Geral dos Espectáculos, acabando um dia por se demitir dessas funções, por se ter fartado do emprego. Desde então teve uma vida atribulada, sem meio de subsistência regular e seguro para sustentar a família crescente (oito filhos de várias mulheres), chegando por vezes a viver na maior das misérias, à custa de esmolas e donativos, hospedando-se em quartos alugados e albergues. Esse período difícil da vida inspirou-lhe o conto Comunidade, considerado por muitos a sua obra-prima. Nos anos 60 e 70, por vezes viveu fora de Lisboa, nas Caldas da Rainha e em Setúbal.

Começa a publicar a partir de 1945 diversos artigos em vários jornais e revistas, como O Globo, Bloco, Afinidades, O Volante, Diário Ilustrado, Diário Popular e Seara Nova. Em 1950, funda a editora Contraponto, onde publica escritores como Raul Leal, Vergílio Ferreira, José Cardoso Pires, Mário Cesariny, António Maria Lisboa, Natália Correia, Herberto Hélder, etc., tendo sido amigo de muitos deles. Dedicou-se à crítica literária e cultural, tornando-se famoso (e temido) pelas suas críticas sarcásticas, irreverentes e polémicas. Denunciou a desonestidade intelectual e a censura imposta pelo regime salazarista.

A sua obra literária, constituída por pequenas narrativas e relatos (nunca se dedicou ao romance ou ao conto) tem um forte pendor autobiográfico e libertino, inserindo-se naquilo a que ele próprio chamou de corrente "neo-abjeccionista". Em O Libertino Passeia por Braga, a Idolátrica, o Seu Esplendor (escrito em 1961), texto emblemático dessa corrente e que muito escândalo causou na época da sua publicação (1970), narra um dia passado numa Braga fantasmática e lúbrica, e a sua libertinagem mais imaginária do que carnal, que termina de modo frustrantemente solitário. in http://pt.wikipedia.org (07/01/2008, 22:45h)







2007/12/30

da série Luzes II*





Bom ano 2008

Paz no mundo
para as Mulheres
de Boa Vontade







Se fosse em Portugal seria considerado trabalho infantil. Em Portugal, com esta idade, a "normalidade" manda insultar e bater nos professores... Depois digam que eles (os orientais) são mecanicistas, desprovidos de musicalidade e outras barbaridades sem sentido. Outro tecnicista. E ainda outro para ficarmos só por alguns artistas, jovens, mundialmente conhecidos. Já agora, por mera curiosidade, onde estão os grandes solistas alemães (os grandes chefes-de-orquestra - não são solistas mas intérpretes - italianos que, evidentemente, abandonaram o país de origem e dirigem algumas orquestras alemãs, austríacas, americanas, etc, não contam, o mesmo acontecendo com os pianistas, violinistas e outros solistas com carreira mundial, russos e de "leste", que vivem na Alemanha)?








* imagem protegida por copyright

2007/12/28

Oscar Emmanuel Peterson
August 25, 1925 - December 23, 2007

When Summer Comes

Music by Oscar Peterson
Lyrics by Elvis Costello
Originally Performed by Diana Krall


The land was white
While the winter moon as absent from the night
And the blackness only pierced by far off stars
But as every day still succeeds the darkest moments we have known
When season turn
Springtime colours will return
And as the first pale flowers of the lengthening hours
Seem to brighten the twilight and that melancholy cloak
Then a fresh perfume just seems to burst from each bloom
Until the green shoots through each day
As it arrives in every shade of hope
When Summer Comes
There will be a dream of peace
And a breath that I've held so long that I can barely release
Then perhaps I may even find a room somewhere
Just a place I can still speak to you









2007/12/19

Exército para quê?

Portugal tem um general por cada três sargentos-mor no Exército. No topo da carreira de oficiais, existem 61 generais, sendo 45 de 2 estrelas e 16 de 3 estrelas.
...
Para quê tantas estrelas, galões, divisas, e euros; tantas viaturas e quartéis, tanto armamento, bandas militares e charangas, se não há nada a defender, a não ser o tacho de cada um? in Jornal do Norte, 2007/12/17, pag 3

Os grandes perigos para Portugal vêm de dentro, não do exterior. A Noruega, que é um país desenvolvido, seguro e respeitado, não tem exército, apesar de ter petróleo e estar perto da Rússia.


Portugal perde com a Grécia...

Nessa Europa a 12, lutávamos com a Grécia para não sermos os últimos. A Espanha estava já demasiado longe para ser ultrapassada, mas os gregos, pouco mais de dez milhões como nós, pareciam um adversário razoável. Depois vieram as Europas a 15, a 25 e a 27 e deixámos de ter medo do fundo da tabela. Mas e a Grécia? Bem, quase sem notarmos, tem hoje um rendimento por habitante que chega aos 98% da média da União Europeia , enquanto Portugal se fica pelos 75%. Ao mesmo tempo, os espanhóis acabam de celebrar a ultrapassagem aos italianos (105% contra os 103%). E no topo do campeonato lá está o Luxemburgo, que, graças ao minúsculo tamanho e à avalanche de instituições financeiras, exibe uns astronómicos 280% do rendimento médio europeu. No fim, a Bulgária.

Desde 2001 que falhamos o tal ideal de convergência que justificou tantas verbas vindas de Bruxelas e cujas marcas são bem visíveis pelo menos nas auto-estradas (passou-se de 207 km em 1986 para mais de 2000 km hoje). Estamos a desenvolver-nos, sim, mas outros países estão a ter melhores resultados. E não apenas a Grécia (que ainda por cima foi campeã europeia de futebol há três anos derrotando Portugal e logo em Lisboa). Também República Checa, Malta, Eslovénia e Chipre nos ultrapassaram na listagem da UE, onde estamos em 19.º lugar. E a queda tem-se notado também noutra classificação, a do Índice de Desenvolvimento da ONU, em que Portugal já esteve em 23.º, mas surge agora em 29.º.

Vale a pena algum optimismo? Certamente, pois a economia dá sinais de recuperar (1,8 este ano, 2,2 % em 2008, 2,8 em 2009 - finalmente a reiniciar-se a convergência com o resto da UE) e o benefício das duras reformas governamentais vai sentir-se mais cedo ou mais tarde. O controlo do défice é já o primeiro resultado e garante que a revista The Economist não voltará a chamar a Portugal "o novo homem doente da Europa" como fez em Abril. Mas a falta de êxitos não pode ser só culpa dos governos, há-de haver outros responsáveis. Talvez todos nós, uns mais que os outros. E a Grécia? Vai crescer 4,1% este ano, 3,8 em 2008, 3,7% em 2009. Continua a ganhar-nos. No futebol e não só. in http://dn.sapo.pt (2007/12/24/opiniao)


Democracia adoentada

O ano passado morreram 33 mulheres às mãos dos seus maridos ou companheiros.
...
Há dois anos que o Governo fala da colocação de pulseiras electrónicas nos agressores mais violentos. Agora, veio dar o dito pelo não dito e anunciar que em vez de pulseiras electrónicas vai distribuir telemóveis às vítimas. Um telefone para evitar uma agressão? Ouve-se e não se acredita. Como é que o Governo espera que as mulheres se defendam com um telemóvel? Atirando-o ao agressor ou pedindo-lhe para interromper o ataque para fazer uma chamada para a polícia? in Meia Hora, 20 Dezembro 2007, pag 4

O facto de as ruas das nossas cidades, as escolas e, por vezes, até as famílias se terem convertido em campos de batalha não é senão o resultado da erosão da autoridade.
...
Devíamos exigir o fim da deriva permissiva que os sucessivos governos têm protagonizado, por mero facilitismo ou cedência à "expertise" mais do que duvidosa dos especialistas em educação. in Diário Económico, 20 Dezembro 2007, pag 3

Esta demagogia democrática conduziu à escola dos dias de hoje, em que ninguém é responsável, em que campeiam a indisciplina e a violência, em que a tão necessária autoridade do professor é posta em causa por alunos, pais, e até pelos restantes funcionários das escolas.

Esta escola dita democrática só pode produzir analfabetos e bandos de pequenos malfeitores, matéria-prima para os gangs de bairro, das actividades da noite e outras. in Oje, 20 de Dezembro de 2007, pag 4


Foto do ano 2007 da UNICEF

Mostra um afegão de 40 anos ao lado de uma menina de 11. Se não houvesse legendas pensar-se-ia que eram pai e filha. Nas legendas lê-se serem marido e mulher. Perguntaram à menina o que estava a sentir. Ela respondeu que não estava a sentir nada e questionou sobre o que deveria sentir por um homem que nunca tinha visto anteriormente. Foi mais um casamento arranjado. Tal como costuma acontecer por aquelas paragens. A foto é de Stephanie Sinclair.


Reino das arábias

Na página 15 do diário Global Notícias (18/12/07) lê-se que o rei da Arábia Saudita - obscuro país propriedade de uma família que o Reino Unido e os EUA consideram um "aliado" - indulta mulher vítima de violação. No corpo da notícia fica-se a saber que a jovem de 19 anos foi violada por sete homens e seguidamente condenada a seis meses de prisão e 200 chicotadas (que o rei indultou). Porque na altura se encontrava num carro na companhia de um "desconhecido"...


A reter

Um estudo da revista Fortune sobre as 500 empresas mais lucrativas do mundo, demonstra que quando existem mulheres em lugares top os lucros acontecem num crescendo e a longo prazo. Segundo um estudo do Barclays e da revista Economist, em 2025 60% dos bilionários serão bilionárias, mulheres.

A Universidade de Reykjavik, desde que dirigida por mulheres, melhora o seu estado financeiro todos os anos e 95% dos que lá trabalham dizem-se muito satisfeitos. (fonte: Education Guardian, 11 Dezembro 2007, pag 1)

No Lewisham College, no sul de Londres, os alunos com idades entre os 14 e os 16 anos aprendem a construir muros e casas. (fonte: idem, pag 3)


A UE até já fala grosso e tudo...

Denpasar, Indonésia, 13 Dez (Lusa) - A União Europeia boicotará a reunião sobre alterações climáticas organizada pelos EUA no Havai se Washington se recusar a aceitar objectivos de redução das emissões de gases poluentes em Bali, alertou hoje o ministro alemão do ambiente.

"Se não houver resultados en Bali, não haverá outras reuniões das economias mais poderosas", disse o ministro alemão Sigmar Gabriel, referindo-se à Iniciativa das Grandes Economias (MEI), uma série de reuniões sobre o clima iniciadas em Setembro pelo presidente norte-americano, George W. Bush, e que deverão prosseguir no próximo mês em Honolulu, Havai. in http://noticias.sapo.pt (13 de Dezembro de 2007, 12:39)

Há que compreender que qualquer acordo que não inclua, para além dos EUA, pelo menos a China e a India, entre os grandes poluidores, será pouco mais que folclore pois estes países são dos mais poluidores e vão continuar a aumentar os níveis de emissões poluentes. Há igualmente que proteger as florestas tropicais desvastadas sobretudo nos "países em vias de desenvolvimento", como a Indonésia, para comércio das "madeiras exóticas". É verdade que se os habitantes dos países ricos se recusassem liminarmente a comprar essas madeiras o problema estaria em parte resolvido. Mas também é verdade que se a sua importação fosse declarada ilegal pelos países ricos a destruição das florestas e selvas tropicais se poderia atenuar substancialmente.


Bem comer e bem beber?!

«Como nos podem exigir que bebamos café em copos de plástico, como podem impedir a venda de bolas de Berlim nas praias, ou proibir que os cafés vendam produtos de fabrico próprio não empacotados?» pode ler-se no documento, cujos autores reclamam defender as «tradições do bem comer e bem beber portuguesas». in http://sol.sapo.pt (17/12/2007)

Olhando para a quantidade de baixos (as) e gordos (as) em Portugal ficamos conversados. Quanto ao plástico sem dúvida que destrói o planeta. Na realidade é um cancro. Não se percebe como aqueles que agora se reclamam das tradições do "bem comer e bem beber", e até falam justamente na malignidade dos copos de plástico, não se insurgem contra o lixo desmesurado que representam os sacos de plástico distribuídos gratuitamente pelos super-mercados portugueses, que seguem o mau exemplo dado pelo Reino Unido. Afinal os portugueses sempre foram seguidistas... E o governo português, que tem tomado medidas impopulares de necessidade duvidosa, recuou na ideia, correcta, de taxar este lixo fácil mas impressionantemente nocivo e duradouro. Em Portugal os lobbys financeiros, mesmo sussurrando, falam mais alto que manifestações com dezenas de milhares de trabalhadores...


2008 vai ser bonito

À semelhança da festa que fizemos no #211 da AVENIDA, com 13 concertos, em 13 salas numa sexta-feira 13, irá haver 21 concertos - não em 21 salas – de um grupo de gente que vai tornando a tuga um sítio incrível para se presenciar música contemporânea, medido em que escala seja (ainda para mais em véspera de solstício). As portas abrem às 21h e o som arranca às 21h30, logo com três concertos - Phoebus e p.ma, Osso Exótico com Francisco Tropa e Heatsick, pelo que atrasar é mesmo desperdiçar. Mais, para quem não está numa de jantar a correr para chegar a horas, a Comida do Povo vai fazer também refeições a 5€ (cous cous vegetariano e brownies). Um bom Natal para vocês. 2008 vai ser bonito. Beijos e abraços, Filho Único (www.filhounico.com) in http://jazzearredores.blogspot.com (19.12.07)







2007/12/10


Karlheinz Stockhausen

22 Agosto 1928 - 5 Dezembro 2007


Desde que, em 1951, conheceu Mode de valeurs et d' intensitées de Olivier Messiaen, nos cursos de Darmstadt, Stockhausen iniciou um peculiar percurso criativo. No ano seguinte, 1952, foi para Paris estudar com Messiaen e com Pierre Shaeffer. Foi por esta altura que escreveu Spiel und Punkt e Kontra-Punkt. Em 1953 regressou a Koln onde, em 1956, escreveu Gesang der Jünglinge. Neste ano de 1956 escreveu igualmente Klavierstuck XI, onde o executante escolhe a ordem dos acontecimentos. Foi por esta altura que completou Gruppen, para 3 orquestras que rodeavam os ouvintes. Kontakte foi escrito entre 1958 e 1960 e Moment entre 1962 e 64. A partir de 1970 Stockhausen voltou a utilizar a pauta musical convencional*, o que nada tem de mal, mas entrou numa fase que culminou no ciclo Licht, no qual uma esquizofrenia grandiloquente "para-wagneriana" vai de par com uma pobreza de ideias e uma falta de musicalidade que parecem provir de um ser diferente de aquele que, com Pierre Boulez e Luigi Nono, entre outros, estabeleceu um mundo musical radicalmente diferente de aquilo que o "post-romantismo" nos legou (sem nos esquecermos de figuras tutelares da primeira metade do século XX como Arnold Schönberg, Alban Berg - onde o "post-romantismo" atinge o seu limite** - Anton Webern e Edgar Varèse***). György Ligeti é provavelmente o mais interessante representante do "outro lado" da música da segunda metade do século vinte. Ligeti, um húgaro nascido na Roménia, dado o isolamento face às "novidades" produzidas em Darmstadt****, desenvolveu sistemas composicionais pessoais e inovadores - existindo, aparentemente, influências de Edgar Varèse no tratamento das massas sonoras em algumas obras - sendo as suas estéticas, muito diferenciadas entre si, altamente singularizadas e dotadas de grande inspiração.

* Boulez nunca deixou de a utilizar mas deve-se compreender que Pierre Boulez nunca se interessou realmente pela música electro-acústica com a qual a notação convencional não se compagina. Boulez "saltou" a fase electro-acústica passando directamente para a electrónica em tempo-real, inventada no IRCAM no periodo em que ele o presidiu, sendo o programa MAX, que é permanentemente actualizado, o resultado mais conhecido e relevante desse periodo (algumas obras musicais utilizando o MAX são o resultado mais interessante...). Como normalmente a electrónica em tempo real acontece a partir de notas musicais (transformadas no momento, por isso se diz em tempo-real), funciona perfeitamente com a partitura convencional. Enquanto na electro-acústica a criação dos sons era a essência, no "tempo-real" funciona como uma espécie de "coloratura" complexificada sendo a partitura musical o fundamento da obra.

** igualmente sem nos esquecermos de Richard Strauss, Stravinsky e Bela Bartok que exploraram a linguagem tonal no limite do que seria ainda inovador. Strauss no aspecto orquestral, Stravinsky e Bartok principalmente no ritmo. Costuma dizer-se que Berg adaptou o sistema serial, inventado por Schoenberg que foi seu professor, a uma estética "ultra-romântica" sem abandonar verdadeiramente a tonalidade. A dissolução desta na verdade estava anunciada desde as últimas obras para piano de Liszt mas foi Gustav Malher quem, na sinfonia 7 e no adagio da 10, desconstruiu definitivamente a tonalidade partindo do seu interior. Depois temos Debussy que criou um universo sonoro diferente de tudo o que tinha sido feito, influenciado pela música oriental e eventualmente pelas últimas obras para piano de Liszt. Na conjunção do serialismo de Schoenberg com o fabuloso mundo de Debussy (Ravel igualmente genial e com uma estética próxima de Debussy revela uma vertente mais clássica) aparece Olivier Messiaen...

*** Edgard Varèse, originalmente Edgar Varèse (1883 - 1965)

Compositor francês nascido em Paris, importantíssimo e pioneiro das composições da música eletro-acústica. Estudou na Schola Cantorum (1903-1905) e no Paris Conservatoire (1905-1907), e mudou-se para Berlin, onde encontrou Strauss e Busoni. Retornou para Paris (1913) e dois anos depois emigrou para New York (1915). Durante estes anos europeus foi aluno de Vincent d'Indy, Albert Roussel e Charles Widor e foi incentivado por Romain Rolland e Claude Debussy. Nos Estados Unidos fundou em Nova York (1921), a International Guild of Composers e, cinco anos depois, a Pan-American Association of Composers, entidades responsáveis pela apresentação de obras de compositores como Béla Bartók, Ravel, Webern e Poulenc. Com Amérique (1921), obra para sopros, cordas e percussão, rompeu com as influências do passado. Depois compôs, entre outras, Hyperprism (1923), Octandre (1923) e Arcana (1926). Esteve por alguns anos em Paris (1928-1933), período em que compôs a percussão para orquestra, Ionisation (1931). Após o surgimento das fitas magnéticas (1950), concentrou-se na música eletrônica e compôs Déserts (1950-1954), primeira obra em que se combinam sons naturais e organizados do mundo industrial. Depois apresentou, na Exposição Universal de Bruxelas, seu Poème électronique (1958), que utilizava 425 alto-falantes. Morreu em Nova York. in www.dec.ufcg.edu.br/biografias/EdgaVare.html

**** Sobre a música na segunda metade do século vinte:
www.geocities.com/franciscomonteir/musicanova.html






2007/12/07

Cimeira Europa – África

Ele (Salih Mahmoud Osman) diz que a situação no Darfur é pior do que imaginamos. Que as pessoas querem ser protegidas dos assassínios que se repetem todos os dias. Em Lisboa, em vésperas da cimeira UE-África, ele pede que a Europa lidere a força internacional para ajudar os refugiados a voltar para casa e salvar as suas vidas. Sem isso, o genocídio vai continuar. Ele sabe que a cimeira não pôs o Darfur no topo da agenda e está espantado com isso. in Público-P2, 7 Dezembro 2007


O primeiro-ministro britânico não estará presente - devido à nossa preocupação com a tragédia que se está a desenrolar no Zimbabwe, que afecta pessoas de todas as raças e que acreditamos ser culpa de Robert Mugabe. David Miliband e Douglas Alexander in Público, 7 Dezembro 2007, pag 54


O convidado

El invitado y sus muchachas





2007/12/06

Suicídio: relevante causa de morte em Portugal

Seis suicídios por dia!

... sendo esta uma das principais causas de morte no país, segundo dados da Aliança Europeia Contra a Depressão. Os últimos dados fidedignos sobre o suicídio são de 2002 e revelam que a média diária era de quatro casos. O psiquiatra Ricardo Gusmão, coordenador deste programa explicou que "a taxa de suicídio em Portugal está artificialmente reduzida, em menos 25 a 50%, por deficiência de registos de óbitos" in Global notícias, 6 de Dezembro de 2007, pag 5


Escandaloso!

O coordenador da Polícia Judiciária do Porto que, no início do mês passado, emitiu um mandado de detenção contra três indivíduos com longo cadastro por diversos crimes está a braços com um processo-crime por prisão ilegal e pode vir a ser acusado de sequestro. Os suspeitos são acusados de sovarem e atarem a um poste um indivíduo que depois tentaram imolar, tendo por fim roubado meia-dúzia de euros.

O caso é justificado por o novo Código de Processo Penal só prever detenções quando se verifica o perigo de fuga, que tem de ser devidamente fundamentado. Caso os arguidos afirmem que se apresentam voluntariamente à justiça, em dia a combinar posteriormente, há magistrados que entendem que as novas regras determinam que devem ser imediatamente soltos.

“Uma verdadeira anedota. Perguntamos ao suspeito se ele se apresenta e libertamo-lo. Depois ele foge e somos nós que temos de ir outra vez atrás dele?”, indaga um elemento da Polícia Judiciária, visivelmente indignado com a situação, que está a causar uma verdadeira onda de choque na PJ do Porto.
...
O perigo de fuga, fundamental agora para determinar a prisão de alguém, é subjectivo. A PJ muitas vezes tem em conta o carácter dos suspeitos, designadamente o cadastro e a probabilidade de serem condenados a elevadas penas de cadeia. Uma situação que agora parece dever ser ignorada já que, neste caso, um dos agressores, de etinia cigana, é muito conhecido pelo seu carácter conflituoso e por problemas com a justiça. Tinha antecedentes criminais por crimes contra o património, ofensas à integridade física e condução sem habilitação legal. Mas o MP entendeu que iria apresentar-se e libertou-o.
...
O Código de Processo Penal entrou em vigor a 15 de Setembro – e logo no dia a seguir a secção de homicídios sentiu os efeitos na prática: um homem disparou sobre a própria mulher, depois levou-a ao hospital e entregou o revólver à PSP de Belém, Lisboa. E, à luz da nova lei penal, era um homem livre. Bastou que se entregasse.
...
Quando a discussão estalou entre o casal, o marido pôs fim à conversa com um tiro na mulher. Por sorte, a bala só a atingiu num braço. O agressor apresentou-se à PSP com o revólver e, chamada uma brigada da PJ, os inspectores foram confrontados com a lei.

“Como se apresentou, tem de se partir do princípio de que não há perigo de fuga”. E nem um mês depois, na Ericeira, quatro homens foram corridos à facada por um grupo de três. Três recuperaram mas um rapaz de 22 anos morreu com um corte na barriga. Os três brasileiros fugiram mas dois dias depois atenderam o telemóvel à PJ. Apresentaram-se e – com a nova lei – voltaram para casa.
...
VIOLADOR CONTINUA SOLTO

Fábio, o rapaz de 17 anos que violou até à morte uma criança de seis, continua em liberdade. Foi condenado mas o novo código abriu portas à sua libertação enquanto correm os recursos.

RECURSOS AUMENTARAM

Nos tribunais superiores aumentaram os recursos pedindo a libertação de indivíduos por excesso de prazo de prisão. Outros pretendem que as leis já se aplicassem aos seus casos, o que aumentou a litigância.

REFORMA À PRESSA

A entrada em vigor dos novos códigos imediatamente após o Verão provocou grandes conflitos nos tribunais. Ninguém se entendia sobre a interpretação a dar a muitos artigos legais.

NOVOS ARTIGOS 256 E 257

Os artigos 256 e 257 do novo Código de Processo Penal são explícitos: não é permitida qualquer detenção à polícia fora de flagrante delito, a menos que seja provado o perigo de fuga dos suspeitos.

PINTO DA COSTA ANTECIPOU-SE

Pinto da Costa ‘antecipou’ as alterações ao Código de Processo Penal e processou o Estado por prisão ilegal. Alegou que não podia ser preso por se ter apresentado livremente às autoridades.

DETENÇÃO

A falta de entendimento entre os magistrados é clara. Muitos entendem que o perigo de fuga é abstracto, outros defendem que deve ser fundamentado de modo factual. Sem jurisprudência sobre o assunto, as polícias não sabem muito bem o que fazer. in www.correiodamanha.pt (2007-12-06 - 13:00:00)

Nota: e o caso do homem que denunciou os mafiosos da noite à PSP e acabou morto à bomba (jornal 24 Horas, 06-12-2007)? Uma bomba sofisticada... As máfias da noite estão instaladas na PSP? Portugal, mais de trinta anos e biliões de euros após ser admitido na UE, parece não ir pelo bom caminho... A UE passou de berço do "estado social" a terra das máfias. Basta olhar para países como a Bulgária e a Roménia* que agora recebem rios de dinheiro da União Europeia que só vão reforçar o "polvo" que tudo domina e controla naqueles países.

* Segundo o "Barómetro da corrupção global em 2007", da Transparency International, "Os países onde o suborno é mais frequente, com níveis acima dos 33%, são, entre outros, a Albânia, Camboja, Roménia, Senegal e Paquistão" (Global notícias, 7 Dezembro 2007, pag 03)







2007/12/05

Convencidos e mediocres

Os alunos portugueses de 15 anos são dos que mais valorizam a importância do conhecimento científico... são mesmo os que mais desejam seguir uma carreira nesta área. A maioria acredita que o seu desempenho é bom e que aprendem rapidamente, demonstrando uma atitude bem mais confiante que os seus colegas finlandeses, que lideram o ranking.

Mas na hora de mostrar as suas competências, só três países se saem pior - Grécia, Turquia e México.

Esta é uma das constatações do último relatório do PISA (Programme for International Student Assessment), o maior estudo internacional sobre as competências dos alunos de 15 anos...

E o país tem uma percentagem e dispersão de alunos com um baixo estatuto económico mais elevada que a média. "Tal como o México e a Turquia, estes países enfrentam um desafio maior para combater o impacto do contexto socioeconómico", lê-se no relatório.

República Checa, Eslováquia, Polónia ou Hungria têm um PIB per capita semelhante ou mesmo inferior e os resultados dos alunos são melhores.

No caso do custo por estudante, verifica-se, por exemplo, que a Eslováquia gasta menos de metade (do básico ao secundário) e os seus alunos têm desempenhos bem superiores aos colegas portugueses. in Público, 5 Dezembro 2007, pag 12

Os alunos portugueses de 15 anos têm resultados abaixo da média em Ciências, Leitura e Matemática, quando comparados com os colegas de mais 56 países.
...
Curioso é verificar que 38,8 por cento dos alunos portugueses pretende seguir carreira científica, o valor mais elevado na OCDE. in www.correiodamanha.pt (2007-12-05)


1300 versus 402+1252+322

O número de agressões, efectuadas ou tentadas, nas escolas portuguesas de ensino não superior, no ano lectivo de 2006/07. 1092 envolvendo alunos, 185 professores e 147 funcionários. Se acrescentarmos injúrias e calúnias, o número no que toca aos professores sobe para 402, alunos 1252 e funcionários 322. Supostamente 6% das escolas concentram todos os casos de violência... (fonte: dn.sapo.pt 04-12-2007)









2007/11/28

40ºs

Os empresários portugueses costumam reclamar que são os impostos que condicionam a perca de competividade do país e o tornam desinteressante para os investidores. A revista Time na sua edição europeia de 26 de Novembro, na peça The Best Countries for Business, demonstra que não existe relação directa entre o grau de atracção que um país consegue face aos investidores e a quantidade de impostos que estes irão pagar. A Dinamarca, a Suécia e a Finlândia são dos países onde mais impostos se pagam em todo o mundo. Pois estes países ocupam respectivamente a 3ª, 4ª e 6ª posições no ranking mundial que escalona os países em termos da atractividade que apresentam para novos investimentos. Portugal aparece na 40ª posição imediatamente atrás da Lituânia e da Eslovénia. O país considerado como sendo o melhor para desenvolver negócios são os Estados Unidos, seguidos pela Suiça. Nas 5ª e 7ª posições encontram-se respectivamente a Alemanha e a Singapura.


Aumenta-se a idade da reforma e diminuem-se os montantes, mas...

Eduardo Catroga aposentou-se em Abril com 9693 euros, que junta regimes público e privado.

O número de beneficiários da Caixa Geral de Aposentações (CGA) com pensões mensais acima de quatro mil euros mantém um ritmo de crescimento imparável: só este ano reformaram-se 256 funcionários do Estado com ‘reformas douradas’. Desde 1997, segundo dados da CGA, o número de indivíduos com pensões daquela ordem de grandeza cresceu 596 por cento, uma média de 317 novos ‘reformados milionários’ por ano. Ao todo, desde 1997, a CGA já atribuiu pensões de ‘luxo’ a 3710 pessoas, universo que representa um acréscimo de 7,4 por cento face ao ano passado.

Os dados da CGA deixam claro que o envelhecimento da população tem implicado um aumento progressivo do número de beneficiários com pensões elevadas nos últimos dez anos, em particular desde 2002: se entre 1997 e 2001 o número de ‘pensionistas milionários’ aumentou de 533 para 1363, já de 2002 a 2007 esse universo disparou de 1834 para 3710.

Entre esses pensionistas encontram-se personalidades tão conhecidas como Alberto João Jardim, presidente do Governo Regional da Madeira, Luís Filipe Pereira, ex-ministro da Saúde do Governo de Durão Barroso, Alfredo de Sousa, ex-presidente do Tribunal de Contas, Rodrigues Maximiano, ex-inspector-geral da Administração Interna, e Cândido Gouveia, juiz-desembargador que foi presidente do Conselho Fiscal do Benfica.

Entre os novos 256 reformados de ‘luxo’ de 2007 aparecem Eduardo Catroga, ex-ministro das Finanças, Leopoldo José Guimarães, ex-reitor da Universidade Nova de Lisboa, e o tenente-general Garcia Leandro. Ao todo, as 3710 ‘pensões douradas’ representam uma despesa anual mínima de 14,8 milhões de euros. in www.correiodamanha.pt (2007-12-03 - 13:01:00)

Reformaram-se este ano 256 funcionários públicos com direito a uma pensão superior a quatro mil euros. Destaque para um inspector-geral dos CTT, com uma reforma superior a 6800 euros, um juiz conselheiro com mais de 5800 euros e um juiz desembargador com 5600 euros. in http://sic.sapo.pt (Publicação: 03-12-2007 12:02)


Organismos internacionais traçam panorama negro

A OCDE e a UNESCO divulgaram, no mesmo dia, relatórios internacionais sobre o estado da educação e, em ambos, os alunos portugueses registam avaliações francamente negativas. No caso do estudo da OCDE, os estudantes de 15 anos estão "significativamente abaixo" da média dos seus colegas de outros países a nível de conhecimentos científicos. in Metro, 30 de Novembro de 2007


A nova queda e a central de ondas

Portugal volta a cair no Indice de Desenvolvimento Humano

Estamos agora em 29º na tabela que mede, entre outros indicadores, o poder de compra, literacia e esperança de vida. Na Europa fomos ultrapassados pela Eslovénia, Grécia e Chipre. Atrás de nós apenas a Hungria, Polónia e Bulgária. in Meia Hora, 28 de Novembro de 2007

... as dezenas de técnicos, directores-gerais e presidentes de vários institutos e ministérios não conseguiram articular entre si as obras dos molhes do Douro e da central das ondas. E o que é espantoso é que o IPM confessa que se desistiu porque não conseguiram fazer uma articulação "muito rigorosa entre as duas obras". HM in Público, 28 Novembro 2007, pag 52


Portugal das famílias

Eurodeputados contratam familiares para assessores. in Destak, 29 Novembro 2007, pag 07


Demo...

De acordo com um relatório da União da Imprensa da Rússia, citado pelo site do jornal espanhol El Mundo, o Canal 1 da televisão (pública) dedicou 93% dos programas políticos à campanha eleitoral de Putin. O Presidente teve direito a 41% das notícias, o Governo a 35% e o Partido Rússia Unida a 17%, sendo que o seu teor foi considerado "positivo ou neutral".

Os opositores ao regime, como a União de Forças de Direita e o Iabloko tiveram 0,5% de atenção noticiosa. O líder do Iabloko, Grigory Yavlisnky, prometeu, mesmo assim, não desistir: "Tenho a certeza que há muitos milhões de pessoas que apoiam a alternativa, que querem que regresse a democracia".
...
A repressão violenta de manifestações anti-Governo, nomeadamente a organizada no dia 24 de Novembro por Garry Kasparov, ex-campeão de xadrez, foi outro marco do condicionamento de Putin. Kasparov, que cumpriu cinco dias de prisão, foi impedido de concorrer as estas eleições com base nalguns dos novos preceitos da lei eleitoral. in www.sic.sapo.pt (Publicação: 29-11-2007 18:53)







2007/11/24

O ensino

Platão pretendeu ser pedagogo porque pensava que o ensino molda os homens. Se a República é a proposta de uma aberração eugénica, a ideia base está correcta. O ensino universitário tem de se submeter às mais elevadas exigências cientíticas e aos mais bem qualificados padrões internacionais. Já o ensino básico é o espaço (físico e temporal) onde se formam e estruturam os futuros cidadãos. O presente dos países resulta de aquilo que o ensino básico de cada país foi capaz de produzir. O futuro, em um mundo cada vez mais globalizado (passe o chavão), dependerá ainda mais da eficácia dos sistemas de ensino geral e elementar (designados como "básico" em Portugal), que criam e imprimem uma dinâmica que se vai extender directamente nos ensinos secundário e profissional. Como as universidades aparecem na sequência do ensino secundário estão implicadas e dependentes de aquilo que se passa na formação básica. Sequeira Costa tinha toda a razão quando afirmou que tudo reside na formação básica. Não só na música mas em tudo.

Todo o ciclo do ensino básico é o momento de crescimento mais determinante, após a relação com os pais, para a formação do futuro cidadão. Aí acontecerá a sedimentação de padrões comportamentais que perdurarão. Por outro lado, e isto Platão já não disse, a figura do professor pode ser substituta ou concomitante à do pai simbólico. Este aspecto é particularmente relevante nas chamadas famílias "desestruturadas". A ausência de pai "castrador" é normalmente mais grave que a presença de um pai autoritário porque deixa o caminho livre à estruturação de uma personalidade perversa. O pai autoritário é o fundamento da estrutura do neurótico mas não há notícia de neuróticos comuns andarem a violar, a assassinar, ou simplesmente usarem e servirem-se dos outros por sistema. Se não há ninguém que diga "isto não podes e não vais fazer porque prejudica aquela pessoa" está escancarada a porta para o crescimento de um futuro perverso. Basicamente o perverso vê as pessoas unicamente como objectos de gozo sendo a perversão uma estrutura psíquica que se sedimenta na infância, como todas as outras. A questão do bullying nas escolas do ensino básico é particularmente grave pois este comportamento pode ser a base de todas as redes de corrupção no futuro: um chefe que se impõe pela força sendo seguido acriticamente pela "massa", servindo-se dos mais fracos, que humilha, para impôr o seu "carisma". A "massa" passa a fazer das vítimas escolhidas pelo chefe alvos dos seus impulsos sádicos, coisa que lhes satisfaz e reforça o "ego" sendo concomitantemente uma maneira de bajularem o "boss". Estamos ao nível daquilo que de mais primitivo existe na natureza humana. Estamos no grau zero de aquilo que sustentou todo o género de atrocidades praticadas pelo homem ao longo da sua relativamente curta mas terrivelmente trágica história. As direcções das escolas que não saibam identificar as formas de bullying praticadas sobre professores e alunos são no mínimo incompetentes (em vez de falarem nas faltas dos primeiros seria interessante se fôsse feito um estudo, sério, sobre as depressões entre os professores do ensino básico em Portugal e respectivas causas). Aquelas que tendo conhecimento de casos de bullying os ignoram, ou agem como se nada de grave estivesse a acontecer, são simplesmente criminosas. Duplamente criminosas: primeiro, estão a participar numa espiral em que jovens se estruturam para serem futuros corruptos e criminosos; segundo, estão a participar, por omissão, num acto de violação da dignidade humana dos professores e alunos que são vítimas de bullying. Triplamente criminosas quando sabem que determinados professores ficam deprimidos (e obviamente faltam) devido a serem alvos de bullying e depois penalizam, ou permitem que tal aconteça, esses "docentes" devido ao seu elevado número de faltas e (muito cinicamente) acusam-os de não terem "pedagogia" para lidarem com essas situações. O mesmo em relação aos alunos que faltam com mêdo de serem insultados e até agredidos pelos colegas, alunos esses que são vítimas e não podem ser penalizados (mais penalizados...) pelas faltas que dão. Se o ministério da educação (estamos a falar de Portugal) e os seus organismos intermédios, as direcções regionais, em vez de analisarem devidamente o que deprime os professores que faltam sistematicamente por motivos "psíquicos", os penalizarem, estarão a colaborar em situações criminosas que acabarão por ser denunciadas internacionalmente e envergonharão ainda mais o país. Cabe ao governo mandar especialistas, autónomos e independentes das direcções das escolas, identificarem devidamente os casos de bullying para seguidamente tomar medidas adequadas, tanto em relação às vítimas como em relação aos agressores, cúmplices e responsáveis que substimaram as situações ou não agiram adequadamente. É fundamental criarem-se mais escolas especializadas, regulares e profissionalizantes, para onde deverão ser encaminhados os alunos que agridem verbal ou fisicamente e aqueles que por sistema impedem o bom funcionamento das aulas. Fazer luz e corrigir definitivamente as situações de bullying, agressão e indisciplina é elementar para que o sistema educativo em Portugal possa avançar e produzir resultados que possibilitem um futuro digno para o país. AST


Afinal é mesmo tudo relativo...

O vice-reitor da Universidade de Coimbra (UC) Pedro Saraiva congratulou-se com o facto de a instituição ser considerada a melhor a nível nacional no "ranking" mundial THES-QS, publicado pelo "The Times". "É o reconhecimento do esforço desenvolvido sermos, pela segunda vez consecutiva, a universidade mais cotada do universo nacional", disse o catedrático à agência Lusa.

Relativo a 2007, o "ranking" THES-QS, divulgado recentemente pelo Times Higher Education Supplement, coloca a UC como a quarta melhor universidade da Península Ibérica e a terceira melhor do mundo lusófono.

Na classificação de 2006, a Universidade de Coimbra foi considerada também a melhor dos países de língua portuguesa, sendo ultrapassada este ano pelas congéneres brasileiras de São Paulo e Campinas.

Pedro Saraiva desvaloriza esta descida, atribuindo-a a alterações nos critérios de avaliação.

Universidades do mundo anglo-saxónico estão no topo do THES-QS World Universities Rankings 2007, arrebatando os 16 primeiros lugares da classificação, com Harvard (EUA), Cambridge (Reino Unido), Yale (EUA) e Oxford (Reino Unido) à cabeça.

No ranking de 500 instituições, a UC surge na 319 posição, seguida da Universidade Nova de Lisboa (no 341 lugar) e da Católica.

Em termos europeus, a mais antiga universidade portuguesa ocupa a 153ª posição." in http://sic.sapo.pt (Publicação: 24-11-2007 20:59)

Se aparecer em 319º lugar é motivo de festejo... Dentro do "top 200" (as melhores 200) estão a Universidade de São Paulo e a Universidade de Campinas. A Universidade de Barcelona é a melhor da Península Ibérica, ocupando o 194º lugar. A última do "top 200", onde nunca constou nenhuma universidade portuguesa, é a sul-africana de Cape Town.


LAR DE PAULO R. FECHA POR CAUSA DOS MÉDIA

A Casa Pia fechou o Lar Cruz Filipe, local onde trabalhava o educador Paulo R. e estava internado o jovem de 14 anos que diz ter sido sido abusado no ateliê dos escultores Carlos Amado e Lagoa Henriques, em Junho passado, durante uma festa de São João.

Contactada pelo CM, a directora da Casa Pia, Joaquina Madeira, confirmou o encerramento. “Os jovens foram muito perturbados por alguns órgãos de comunicação social. Foi exactamente por isso que fechou.”

Segundo soube o CM, há mais de ano e meio que a decisão de fechar o Cruz Filipe tinha sido determinada, por este não oferecer, entre outras, condições de segurança para as crianças ali internadas. No entanto, só no passado dia 15 fechou portas, já depois de Joaquina Madeira saber do caso, que envolve o educador Paulo R. Os dez jovens que estavam no Lar Cruz Filipe foram transferidos para o Colégio de Santa Catarina.

VÍTIMA PRESTA DEPOIAMENTO CONSISTENTE NO DIAP

O jovem de 14 anos que disse ao semanário ‘Sol’ ter sido abusado no ateliê dos escultores Carlos Amado e Lagoa Henriques, em Lisboa, prestou um “depoimento consistente” no Departamento de Investigação e Acção Penal.

Segundo apurou o CM, José (nome fictício), de 14 anos, confirmou que foi abusado sexualmente durante uma festa de São João, em Junho, patrocinada por Carlos Amado e Lagoa Henriques, em que estiveram, entre outros, o musicólogo Rui Vieira Nery, que chegou a fazer parte de um governo liderado por António Guterres, de que também faziam parte Paulo Pedroso e Ferro Rodrigues.
...
PROTECTORES

Maria Augusta Amaral

A antiga directora do Instituto Jacob Rodrigues Pereira é conhecida na Casa Pia por ter desvalorizado os abusos sexuais de que foram alvo a maioria dos alunos e alunas surdos-mudos do instituto. Quando o pedopsiquiatra Pedro Strecht falou dessa situação, Augusta Amaral tentou que a provedora Catalina Pestana o desmentisse. Não conseguiu.

Amândio Coutinho

O assessor de Maria Augusta Amaral sempre esteve contra Catalina Pestana e tentou tudo para travar a reestruturação da Casa Pia. Catalina pediu a Augusta Amaral que o afastasse mas Coutinho permaneceu no cargo, embora sem receber a remuneração-extra a que tinha direito. Com Joaquina Madeira na Casa Pia, voltou a receber essa remuneração. in www.correiodamanha.pt (2007-11-24)


Viva a Austrália!

O novo primeiro-ministro autraliano, eleito hoje, prometeu retirar os soldados australianos do Iraque e, note-se bem, assinar o Tratado de Quioto.


Viva a Irlanda!

A Irlanda decidiu enviar forças para o Darfur, demonstrando ser muito mais que um mero "milagre económico".


logo da campanha Por Darfur


Segundo www.alexa.com continuamos a ser lidos por somente 0.000003% do total dos internautas mundiais. Pois... Parece que só existem 26 links a apontar para aqui... Obrigado aos 26! Jazzearredores.blogspot.com consegue conquistar 0.000225% dos internautas. Bravo!










2007/11/22

Maurice morreu. Viva Béjart!
Seu livro "O outro canto da daná" (1974) foi "profundamente inspirado" nas obras do filósofo e orientalista francês Henry Corbin (1973-1978), especialista em Islã iraniano. E os nomes de suas escolas de dança, "Mudra" e "Rudra", faziam referências a divindades indianas.

"Sempre achei que a dança estava ligada à divindade, que o sagrado se misturava ao movimento da dança, um universo trascendente que recorre ao inconsciente, diria, inclusive, às forças obscuras", insistiu este místico em seu livro de entrevistas.

O coreógrafo, que criticava o pensamento sectário, condenava o integrismo muçulmano e seus "derivados", colocando-o ao lado de outras religiões: "Inquisição espanhola ontem, integrismo muçulmano hoje, a História às vezes nos serve os mesmos pratos", dizia.

Como uma ironia do destino, um de seus balés, dedicado ao cantor árabe Oum Kalsum, foi censurado no Líbano, em novembro de 1999, por "ofensas ao Islã". No trecho criticado, homens oram enquanto que mulheres dançam em torno deles vestidas como vestais. in http://afp.google.com (22-11-2007)


2007/11/21

Há algo

de estranho neste comportamento suicidário. Ou talvez não...

Relatório das Nações Unidas refere que Portugal está em quarto lugar quando se fala de diagnóstico de novos casos (de HIV), mas não relaciona números com proporção populacional. Quando se fazem essas contas, passamos de imediato para o primeiro lugar. in Meia-Hora, 21 de Novembro 2007

Se pensarmos na diminuição dos nascimentos e cruzarmos com esta informação, que não é novidade, parece que os portugueses, inconscientemente, decidiram que Portugal não vai continuar a existir. É uma maneira de tirarem o tapete às "élites": sem população deixam de ter país para explorarem... Não vale é a pena andarem a suicidar-se aos pedaços, e de todo morrerem como criminosos ao arrastarem desprevenidos. Como acontece, por exemplo, nas ruas e estradas portuguesas...


Contrastes

Estudo europeu conclui que, em Portugal, ter um emprego não significa que se esteja a salvo da miséria. Portugal é também o país com maior disparidade nos rendimentos.
...
França quer mais poder de compra. in Global notícias, 23 de Novembro de 2007


De cabalos para vurros

o PIB per capita português equivalia em 2005 a 69 por cento da média dos 30 países daquela instituição (OCDE), contra 72 por cento três anos antes. in Público, 22 Novembro 2007, pag 40


Ui...

Responsável suíço acusa "comunidade portuguesa de não ter cabeça"

Conselheiros das Comunidades Portuguesas indignados e apontam culpas para o embaixador
...
O documento constata que os alunos portugueses obtêm os resultados mais baixos entre estrangeiros, estão sobre-representados nas turmas de ensino especial e raramente acedem a uma formação pós-obrigatória.
...
No documento, refere, entre outros aspectos, que os fracos resultados escolares das crianças portuguesas devem-se "ao desinteresse total dos pais em acompanhar" a educação dos filhos e à "origem socio-cultural modesta" das famílias. in Semanário, 9 de Novembro de 2007, pag 20








2007/11/17

Ateliê em Lisboa frequentado por artistas e outras figuras conhecidas
...
Um jovem de 14 anos, acolhido no Lar Cruz Filipe, já prestou declarações no inquérito, que é conduzido pelo procurador João Guerra (magistrado que investigou os casos de 2002).
...
Este caso é muito recente e não constava da denúncia feita em Maio por Catalina Pestana.

As denúncias de José (nome fictício) são corroboradas por outros jovens
...
Havia muita gente importante, até políticos

Folheia uma revista da Casa Pia e reconhece alguns.
...
No ateliê, José passa a ser presença frequente a partir das quatro da tarde. Aí vê o primeiro filme porno: «António, o patrão do Renato, tinha filmes num armário. Cheguei a ver um em que homens violavam mulheres e depois matavam-nas. Depois abusavam de homens e faziam-lhes o mesmo».

Foi o colega do lar quem um dia lhe disse: «O António gostava de curtir contigo». Aos poucos, o homem foi avançando. José solta as lágrimas: «Tocava-me na pilinha e dava-me tapas no rabo».
...
Entre as várias mesas na festa, uma era só destinada ao seu lar. Paulo R. e a educadora Sandra estavam com duas raparigas menores e com Manuel, um colega de José. Os mais velhos serviam as bebidas e ajudavam no fogareiro. Cantava-se o fado, quando o educador lhe disse para tomar um medicamento. O miúdo estranhou: «Mas depois vou ficar com sono». E ficou. Buprex é um analgésico para dores violentas e ao mesmo tempo um opiáceo. Não é aconselhável a menores de 18 anos e provoca perturbações do foro psicológico e confusão mental.

José tombava de sono e o educador, depois de contornar uma escultura que se encontra no início da escadaria, sobe com ele o primeiro lanço: «Fiquei logo no primeiro quarto. Para cima há mais dois». O miúdo acordou com o frio. Estava quase nu e um líquido espesso colado à pele fê-lo desconfiar. Chorou muito antes de descer. Doía-lhe o corpo e desabafou com o educador, que lhe respondeu: «Isso é do crescimento e de teres suado enquanto dormias».

Quando a festa acabou, António foi à rua despedir-se dos putos. Distribuiu um chocolate a cada um: «A mim deu-me dois, porque me tinha portado bem». Quando chegou ao lar e se despiu, uma mancha vermelha de sangue nas cuecas voltou a alarmá-lo. Insistiu com Paulo R., mas este não mostrava qualquer preocupação: «Se continuar, logo vamos ao médico».
...
O jardim em frente ao Instituto Jacob – onde antigamente os surdos esperavam diplomatas das embaixadas em volta, que a troco de transístores e outras bagatelas compravam os favores sexuais dos alunos – serve de miradouro. No horário das aulas, Renato e Clemente (amigo e irmão de José) queimam aí o tempo.
...
Foi o educador quem o levou a primeira vez à vivenda do mestre: «Estava lá um homem velho, subi as escadas e, no quarto, meteu-me a pilinha na boca e fez-me o mesmo que fez ao José. Mas o Paulo R. não me lembro de me ter feito maldades».

Os minutos saltam sem que lhe saia palavra. O corpo treme ao menor ruído, o olhar percorre desconfiado quem passa. Tem um profundo distúrbio emocional e é medicamentado. É o regresso ao passado que o ajusta à realidade.
...
Paulo R., colega de curso de um irmão - que também trabalhou no instituto - de Amândio Coutinho, assessor da anterior directora do Instituto Jacob, fora colocado como educador no lar dos surdos, quatro anos antes. No Jacob, dizia-se à boca cheia que era o educador preferido da directora. Sem concluir os estudos como animador cultural, rapidamente chega a coordenador do lar. in http://sol.sapo.pt (Sábado, 17 Novembro)

O escultor Carlos Amado confirma a festa no seu ateliê: uma sardinhada de São João, para amigos e vizinhos, onde estiveram artistas plásticos e gente da música e do espectáculo. Passaram pela festa 60 a 80 pessoas, incluindo um grupo de alunos da Casa Pia.

"Um rapaz que é o Paulo Ramos, e a Sandra que o acompanha sempre, têm um grupo de miúdos dos quais tomam conta e para os quais organizam festas, ou vão ver espectáculos. E ele pediu-nos para vir também aqui à sardinhada. Porque não?", alega.

Paulo Ramos é educador do Lar Cruz Filipe, da Casa Pia e foi suspenso há dias, por suspeita de angariar crianças para a prática de abusos sexuais. Chegou a arranjar trabalho no ateliê para um aluno, amigo do rapaz que alega ter sido abusado.

Carlos Amado confirma esse facto, mas nega qualquer abuso durante a festa.
...
O caso está a ser investigado pelo Ministério Público, que no entanto ainda não pediu a colaboração da Polícia Judiciária. in http://sic.sapo.pt (18-11-2007 20:17)


A ONU e a UE em vez de andarem a perder tempo a aprovar resoluções contra a pena de morte que não terão efeitos práticos para além de eventualmente prolongarem o tempo de vida de algum assassino em série, deveriam era mandar tropas para o Darfur, onde cada dia que passa morrem inocentes. É muito fácil (e hipócrita) falar-se de "humanidade", "civilização" e outros chavões, enquanto se permite que um genocídio aconteça no Darfur e na Europa Portugal continue a ser um paraíso para pedófilos e outros criminosos.









2007/11/15

Torpes

O assessor de imprensa de um eurodeputado inglês disse que o governo da Inglaterra apoia os McCann porque a polícia portuguesa é corrupta e Portugal não tem tradição de respeito pelas liberdades individuais. Um ministro português classificou de "torpes" estas afirmações. Não sei se alguém se vai dar ao trabalho de traduzir "torpes" mas o soundbit foi produzido pelas afirmações do assessor de imprensa. Toda a gente sabe que polícias portugueses estiveram implicados com as máfias da noite. Daí a misturar-se tudo e todos (são portugueses e polícias...) vai um passo. Todos viram agentes da PJ de fato e gravata ou vestidos normalmente trabalharem no local de onde desapareceu a criança britânica, quando em todo o mundo se vê esses mesmos agentes utilizarem vestuário adequado. Mas todos imaginamos que os primeiros a não preservarem o cenário do crime foi a força policial regular que inicialmente foi chamada. Ou ligaram logo para a PJ?! Independentemente da primeira hipótese ter sido a de rapto havia que selar e isolar o local para recolha de materiais que até poderiam conduzir ao raptor. Se fosse esse o caso... Não será portanto de espantar que agora o resultado das análises executadas pelo laboratório inglês seja "inconclusivo" devido à contaminação das amostras. E ficaremos sem saber se na realidade assim é ou se aconteceram pressões para que assim fosse. Não seria a primeira vez que isso aconteceria em Inglaterra para salvaguardar os superiores interesses do reino... O que as televisões internacionais mostrarão (já mostraram) são as imagens que comprovam a incompetência e falta de profissionalismo dos agentes portugueses. Noutra dimensão, todos em todo o mundo sabem que em Portugal há cães raivosos que circulam nas estradas, insultando, buzinando e atropelando quem tenha a infelicidade de se lhes atravessar à frente, tipos que num país que respeitasse a vida e a dignidade humanas estariam há muito inibidos de conduzir e na prisão os que praticaram atropelamentos com mortes ou feridos com gravidade. Um país de características terceiro-mundistas com um povo inculto e pouco qualificado não pode dar-se ao luxo de ter uma legislação decalcada de um país tido como culto e civilizado (o código penal português inspirou-se no alemão e no que toca à Alemanha e à sua civilidade muita água poderia correr porque a história recente não é para esquecer). Todo o mundo soube do abuso de menores por figuras "maiores" numa instituição do estado português e todo o mundo vai ter notícia da incompetência (no mínimo!) de uma provedora que permitiu que os abusos recomeçassem. Foi necessário uma ex-provedora vir à praça pública dizer que os abusos continuam para que se fizesse alguma coisa! É vergonhoso e inaceitável! A Europa e a comunidade internacional têm de manter Portugal debaixo de olho porque sob o europeísmo de superfície esconde-se um país muito mais atrasado do que aparenta, dominado por élites pouco íntegras. Mas, se esses assessores de imprensa ao serviço dos gabinetes ministeriais, muito bem pagos com dinheiros públicos, tivessem outras competências para além das manobras de bastidores para tentarem controlar os meios de informação, teriam informado o ministro de que actualmente existem fortes críticas e polémicas em relação a Ian Blair, conhecido chefe da polícia londrina muito apoiado pelo governo britânico, que para além de o responsabilizarem pela morte de Jean Charles de Menezes que a polícia confundiu (e matou!) com um bombista suícida, o envolvem em escândalos ligados à gestão de dinheiros. Se em vez de lhes chamar "torpes", que é mais um termo português very tipical como "arguido", o ministro tivesse respondido "está enganado senhor assessor de imprensa pois quem é acusado de corrupção e incompetência é sir Ian Blair", o soundbit seria outro. AST


Os créditos são dos mais elevados, como se sabe. A fama vem de longe, sucessivamente revista e aumentada pelo olhar que sobre ele foram deitando luminárias como Miles Davis, que mandava os pianistas dos seus primeiros grupos tocar como ele toca. A música de Miles, ela própria, deve muito às concepções de Ahmad Jamal. Se se atentar, por exemplo, na forma de tratar o espaço e o silêncio, no cromatismo e no tipo de progressão harmónica num e noutro caso, descobrem-se inúmeras afinidades entre eles. E ontem à noite (13 de Novembro), diante dos olhos e dos ouvidos do público presente no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, que enchia por completo a sala, percebeu-se porque é que Jamal tem sido motivo de inspiração para tanta gente, de há cinco décadas para cá. A verdade é que mestre Ahmad Jamal, 77 anos, tecnicista com alma, pianista de pianistas, deu um grande concerto com o seu quarteto maravilha. Assim foi, por todo um amplo conjunto de razões: tratamento do piano com extrema elegância, força percussiva e agilidade harmónica; variação dinâmica e verve lírica; mão esquerda poderosa, a gerir ritmo e harmonia, mão direita inefável e arrebatadora. in http://jazzearredores.blogspot.com (14.11.07)










2007/11/13

Integral das sinfonias de Sibelius

Los Angeles Philharmonic, dirigida por Esa-Pekka Salonen, apresentou em quatro concertos no Barbican a integral das sinfonias de Sibelius. Salonen, esperadamente, fez uma leitura clara e imaginativa do seu contemporâneo mas foi a surpreendente excelência da orquestra americana o que mais impressionou. Salonen, no concerto de 1 de Novembro, apresentou a sua obra Wing on Wing e o meu conselho é que continue a ser um bom chefe de orquestra em vez de ser um mau compositor a vaguear por lugares desprovidos de originalidade e interesse. Já de Quatre Instants, para soprano e orquestra da compositora Kaija Saariaho, interpretada no concerto de 9 de Novembro, devo dizer que é uma obra inspirada e interessante na linha estética que a criadora tem vindo a desenvolver ao longo da sua carreira. Na voz tivemos uma fantástica Karita Mattila que soube investir toda a emoção que esta obra exige. A sala, esgotada, aplaudiu de pé. No concerto de 2 de Novembro tinha sido interpretada Radical Light, criação dotada de uma orquestração notável, do compositor Steven Stucky. Já que estamos a falar de obras contemporâneas devo referir o concerto de 27 de Outobro, no mesmo local, onde Anne-Sophie Mutter com a London Symphony Orchestra, dirigida por André Previn, interpretaram In tempus praesens (Violin Concerto No 2), de Sofia Gubaidulina, obra emotiva e forte que levantou das cadeiras o público que enchia a sala. Livios Pereyra


Mas que rico país...

Deputados vão gastar 18 mil euros por dia em deslocações. in Destak, 13 Novembro de 2007

Em época de contenção orçamental, e com a administração pública sujeita a restrições na aquisição de viaturas novas, por indicação do Decreto de Execução Orçamental para 2007, o ministro da Justiça acaba de comprar cinco automóveis topo de gama. O negócio, sem incluir o imposto automóvel (IA), de que as instituições públicas estão isentas, rondou um valor global de quase 176 mil euros (35 mil contos) e foi por ajuste directo, sem recurso a concurso público...

...um dos contemplados com um novo carro de alta cilindrada foi o presidente do IGFIEJ, com um Audi Limousine 2.0TDI, de 140 cavalos. Esta viatura, sem o IA, custou ao Estado 38 615,46 euros, com 2831 euros de equipamento opcional, nomeadamente caixa de 6 CD, computador de bordo a cores, sistema de navegação plus, sistema de ajuda ao parqueamento, alarme e pintura metalizada. Antes, João Manuel Pisco de Castro tinha ao seu dispor um outro Audi A6, com motorista de serviço, e um Peugeot 404, que conduzia pessoalmente. Estas viaturas tinham sido adquiridas em 2003. Mas também quatro Volkswagen Passat Limousine 2.0TDI - 34 257,40 cada -, foram para o Ministério: um para o gabinete de Alberto Costa, outro para o secretário de Estado João Tiago Silveira, outro para Conde Rodrigues, e o último para a secretaria geral.

O Ministério da Justiça, conforme foi explicado ao DN, recorre geralmente, para o seu serviço e inclusivamente para uso do ministro, a viaturas aprendidas, a maior parte oriunda do tráfico da droga. São, em geral, bons carros. Esta prática terá sido abandonada em época de contenção financeira. in http://dn.sapo.pt (2007/11/13)


E não é verdade?

Se os artistas se recusarem a pagar as sanções devem mesmo ser detidos, defendem os advogados. Os acusados foram autores de uma caricatura publicada como forma de satirizar o anúncio, por parte do Governo de José Luís Rodriguez, de que cada família iria receber 2500 euros de cada vez que tivessem um filho.

No cartoon aparece retratado Felipe e Letizia a terem relações sexuais, enquanto o príncipe diz: «Estás a ver? Se engravidares… isto vai ser o mais parecido a trabalhar que eu fiz na vida!». in http://sol.sapo.pt (3a-feira, 13 Novembro)