2008/03/31

A música do eduquês

Os professores generalistas para o primeiro ciclo do ensino básico podem inscrever-se no Mestrado em Ensino de Educação Musical no Ensino Básico e passarão, num ano e meio, a professores de música. Se tivermos em conta que os rudimentos musicais aprendidos durante os anos do curso para professores do 1º ciclo não podem ser considerados mais que umas "coisitas" e se olharmos para o plano do mestrado que abaixo transcrevemos, ficamos esclarecidos sobre a qualidade dos profs de música que saem das ESE's e departamentos universitários que formam professores para ensinar Ed. Musical aos alunos do 2º ciclo. Sem falar naqueles que, por obra e graça de amigos coordenadores de departamentos universitários, ficaram a dar aulas de música, em universidades públicas, aos cursos de formação de educadores de infância e professores para o ensino básico...

Mestrado em Ensino de Educação Musical no Ensino Básico

Autorizado em 25 de Fevereiro 2008, por despacho do Ministro da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior.

Número de créditos necessário à obtenção do grau: 90 ECTS.
Duração normal do ciclo de estudos: três semestres.

Áreas científicas e créditos que devem ser reunidos para a obtenção do grau:

Área científica Sigla Créditos
Didácticas Específicas DID 23
Formação Educacional Geral FEG 23
Formação na Área da Docência FAD 8
Iniciação à Prática Profissional IPP 36
Total 90

Assim não nos espantemos que apareçam pérolas destas:

Ouve a BARDINERIE de J. S. Bach...

Que tipo de orquestra executa esta obra musical? (ligeira ou de câmara)

Do Exame (Nacional) de Equivalência à Frequência de Educação Musical - 2º Ciclo do Ensino Básico - 2006 (1ª Chamada)

2008/03/29

2008/03/28

Não comprem produtos chineses!




Verificar sempre o Made in...

Grandes marcas ocidentais fabricam na China devido ao preço irrisório da mão-de-obra

Pequim, 26 Mar (Lusa) - A China, confrontada com maiores pressões internacionais à medida que se aproximam os Jogos Olímpicos em Pequim, acusou hoje a imprensa ocidental de deformar a realidade no Tibete, criticando os países que aceitarem receber o Dalai Lama.
...
Confrontado com as críticas dos defensores dos direitos humanos sobre uma ausência de combatividade face a Pequim, Sarkozy não afastou terça-feira um boicote à cerimónia de abertura dos Jogos, a 08 de Agosto, para protestar contra a repressão no Tibete.

O porta-voz chinês advertiu ainda contra qualquer recepção oficial do Dalai Lama por Paris ou outras capitais.

"O governo chinês opõe-se firmemente a qualquer forma de contacto oficial com o Dalai Lama, seja de que país for", disse Qin, em reacção a declarações da secretária de Estado francesa para os Direitos Humanos, Rama Yade, que se declarou pronta a receber o chefe espiritual tibetano.
...
Hoje, Pequim indicou que mais de 600 pessoas se entregaram à polícia depois dos sangrentos tumultos de Lassa e dos confrontos nas regiões vizinhas do Tibete. As autoridades referiram 20 mortos, 18 civis "inocentes" e dois polícias.

O presidente do Parlamento tibetano no exílio Karma Chophel afirmou que os motins no Tibete fizeram pelo menos 135 mortos e mil feridos, e que cerca de 400 pessoas foram detidas desde 10 de Março. in ww1.rtp.pt/noticias (27 de Março 2008)


Motoristas ao nível de dirigentes

Os motoristas ao serviço da Secretaria-Geral da Presidência do Conselho de Ministros têm uma remuneração mensal três vezes superior ao respectivo vencimento base, auferindo mesmo salários equiparados aos do pessoal dirigente da Administração Pública. O que significa que a maioria dos sessenta motoristas ao serviço da Presidência do Conselho de Ministros recebe cerca de dois mil euros líquidos.

O relatório da comissão técnica do Programa de Reestruturação da Administração Central do Estado (PRACE) revela que esta situação é de 'difícil gestão', pelo que a prazo terá de ser ultrapassada através da 'não substituição dos que se aposentarem' ou pela 'não renovação das requisições de pessoal de outros quadros'.
O documento precisa que em relação aos veículos usados pela Secretaria-Geral, gabinetes governamentais e outras entidades integradas na Presidência do Conselho de Ministros a frota tem um custo anual de manutenção de quase meio milhão de euros. Com uma idade média de 6,5 anos, os 118 automóveis afectos aos gabinetes governamentais encontram-se em tal estado de degradação que são 'inadequados para os fins a que se destinam'.
Por isso, a eventual substituição da frota automóvel, como sugere o relatório, terá sempre de ser feita de modo gradual, de forma não contribuir para a despesa pública.
Desde 2002 que a gestão da manutenção da frota é efectuada por um prestador externo de serviços que representa um custo adicional de 9813 euros por ano, facto que é alvo de críticas.
A Secretaria-Geral garante que esta gestão é eficiente e com menores custos. O relatório apresenta dúvidas e assegura que esta situação 'não se poderá manter por muito tempo.'

322 MIL EUROS EM RENDAS

O PRACE avaliou a gestão do património imobiliário à guarda da Secretaria-Geral da Presidência do Conselho de Ministros (SG PCM) e especifica que o valor das rendas pago em 2005 rondou 22 mil euros. A SG PCM opera em seis edifícios que são propriedade do Estado, sendo que os restante 12 locais de trabalho pagam uma renda cujos valores variam de caso para caso.
A renda mais cara é paga pela 1.ª Delegação da Direcção-Geral do Orçamento: 6309 euros por mês. A própria Secretaria-Geral, na Av. Infante Santo, em Lisboa, paga quatro mil euros por um rés-do-chão.
O relatório diz que a SG PCM não dispõe de pessoas com a experiência necessária para fazer uma gestão adequada de todo este património, pelo que recomenda um reforço técnico e qualificado de pessoal. Pedro H. Gonçalves in http://ocartel.blogspot.com (Março 24, 2008)

2008/03/26

A Casa de Sócrates

A Casa de Sócrates no registo predial, não passa de um simples apartamento.

Na verdade trata-se de uma casa senhorial no coração de Lisboa. São cinco assoalhadas dum 3º andar no edifício Heron Castilho. Tem 150 metros quadrados, avaliados em 800.000 euros, que custaram em Fevereiro de 1996, 240.000 euros.

Antes vivia num modesto apartamento T2 na calçada Eng. Miguel Pais, em São Bento. Na garagem tem um Mercedes C230. Longe vão os tempos em que conduzia um modesto Rover 111.

Além disto frequenta restaurantes caros e usa fatos de marca. Como pode Sócrates viver como um homem rico, com 82 mil euros brutos (57 mil líquidos) que declarou ao Tribunal Constitucional ganhar por ano? Diz não ter rendimentos de quaisquer empresas, acções ou planos de poupança. O único património que diz ter é o carro, a casa e ordenado.

Esqueceu-se de dizer que foi sócio da Sovenco? Sociedade de Venda de Combustíveis Lda., com sede na Reboleira, Amadora, em que está registado na matrícula da sociedade. No seu site, Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, não consta este pormenor.

Segundo fontes, o Ministério Público está a investigar os investimentos governamentais efectuados nas áreas do tratamento de resíduos urbanos, e a sua relação com o financiamento de actividades partidárias, durante o período em que José Sócrates exerceu funções governativas (Ministro do Ambiente de António Guterres).

Uma das principais dúvidas recai sobre o processo de adjudicação do concurso para o sistema da recolha e tratamento de resíduos do Planalto Beirão.

A Sovenco, criada em 1990, era uma Sociedade de Venda de Combustíveis. A sua constituição: Armando Vara, Fátima Felgueiras, José Sócrates, Virgílio de Sousa.

Sócrates finge, agora, não se lembrar dessa sociedade que fez. E porque se tenta ele esquecer?

Porque:

Armando Vara - condenado a 4 anos de prisão (pena suspensa); no entanto recebeu o prémio do amigo José Sócrates, e agora é ADMINISTRADOR DA CAIXA GERAL DE DEPÓSITOS, com 20.000,00 euros por mês, mais extras.

Fátima Felgueiras - andou foragida da Justiça no Brasil dois anos; HOJE É ELEITA PRESIDENTE DE CAMARA DE FELGUEIRAS, e tem imunidade parlamentar.

Virgílio de Sousa - condenado a prisão por um processo de corrupção no Centro de Exames de Condução de Tábua.

Compreende-se que Sócrates não se queira lembrar. Que "ricos" amigos, hein?...Como é mesmo aquele provérbio?...

"Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és!"

Sócrates já não se lembra... Convém que o pessoal não se esqueça!!! (texto enviado por leitor identificado - imagem extraída de http://ferroadas2.blogspot.com)


O homem da pasta

Sou professora há 35 anos e tenho uma colega na escola que foi colega de curso do Valter Lemos em Biologia. Logo que ele entrou para o governo, a referida colega comentou que "tínhamos um belo Secretàrio de Estado. Foi meu colega na Faculdade de Ciências e passou o curso todo a copiar nos exames. Era conhecido como o "homem da pasta", pois tamanhas eram as cábulas.... "
Aos 20/23 anos já se é adulto ( digo eu...) e os traços de carácter já lá estão!!!!!!
Quanto ao Politécnico de Castelo Branco, nem vale a pena acrescentar mais... Eu vi uma reportagem num dos canais generalistas, há uns tempos, em que uma Prof. do referido Politécnico se dizia vítima das arbitrariedades e ilegalidades desse senhor. Foi preterida em concurso a favor de uma "amiguinha" muito menos qualificada, pelo que tinha posto uma acção em Tribunal contra o EXCELSO /COMPETENTE/ HIPERACTIVO PLANTADOR DE UNIVERSIDADES que dá pelo nome de Valter Lemos.
Claro está que a dita professora pode esperar sentada o desfecho da acção... Como sempre, em Portugal, sempre que a acção é contra um "poderoso" o povo pode esperar... (em email de leitora identificada)


Lemos perdeu mandato

Valter Lemos insistiu que a perda de mandato por excesso de faltas implicaria a existência nos arquivos camarários de um processo de que nunca foi alvo. O secretário de Estado reafirma que suspendeu o mandato de vereador "devido ao acréscimo significativo de trabalho" no Instituto Politécnico de Castelo Branco, onde leccionava. Garantindo que "não deu nenhuma falta injustificada", classificou as acusações de Francisco Louçã e da Fenprof como uma "tentativa de assassinato de carácter" e "baixa política".

BE insiste na demissão

O BE insiste Valter Lemos "não tem capacidade para se manter" no Governo. Ao JN, Fernando Rosas argumentou que o secretário de Estado da Educação se colocou "numa situação muito embaraçosa", ontem, ao constatar-se que "mentiu" por duas vezes desde que a polémica rebentou. Primeiro, quando afirmou "que nunca tinha faltado", depois ao garantir que "não há nenhum documento camarário" que comprove a perda de mandato. A acta da reunião de Câmara existe, "o que não há é um processo" porque a decisão da vereação foi anulada por se basear numa lei que já não estava em vigor, explicou o deputado. Ou seja, concluiu, Valter Lemos "refugiou-se num subterfúgio" processual para apagar as faltas que, efectivamente, deu.

"É uma personalidade política inquietante mente e quando é apanhado refugia-se num subterfúgio", insistiu o dirigente do BE.

Confirmada a perda de mandato

O presidente da Câmara de Penamacor confirmou, ontem, por comunicado enviado à Lusa, a perda de mandato por Válter Lemos aprovada, em 1993, numa reunião camarária. O problema, especificou o autarca eleito pelas listas do PS, Domingos Torrão, em defesa do secretário de Estado, é que essa decisão foi anulada, porque se baseava numa lei de 1984, alterada cinco anos depois. Por isso, nunca chegou a ser instituído processo a Válter Lemos. Segundo a nota de Imprensa, da acta da reunião camarária de 7 de Dezembro de 1993, cinco dias antes das autárquicas, consta que Valter lemos "ficou abrangido" pelos termos constantes da Lei nº 100/84, tendo o executivo "declarado a perda de mandato". in jn.sapo.pt/2005/11/24/politica/


António Pinto de Sousa

É o novo responsável pelo gabinete de comunicação e imagem do IDT (Instituto da Droga e Toxicodependência).

Tem competência atribuída , para empossar quem quiser, independentemente da sua qualificação académica e profissional, para os cargos dirigentes do Instituto, contrariando os próprios estatutos do IDT.

ahahah... que já me esquecia de dizer:

é irmão de José Sócrates. (em e-mail de leitor identificado)



2008/03/25

UTAD: Universidade pública em família



Serafim Rodrigues de Albuquerque in "A Podridão" (ed. do autor)

2008/03/22

O regresso do cacete

Ségolène Royal - que a estupidez e o machismo de alguns franceses preteriu a favor do actual presidente/show-man - não teve problemas em preconizar o enquadramento militar dos jovens violentos. Eu diria mais: todos os violentos (violência não é só agressão física) têm de ser monitorados, e os violentos que recebem subsídios e outras prestações sociais deveriam ser obrigados a desempenhar um serviço cívico que poderia ser tutelado pelos militares. Charles Melman - psicanalista histórico fundador do "movimento" psicanalítico ao qual me encontro ligado - ironizou com esta faceta de Ségolène num editorial que esteve online no site do "movimento", editorial que tinha o título deste post. Permito-me discordar e dizer que Ségolène estava correcta. Sabemos bem que se não existir uma "castração" adequada desenvolvem-se indivíduos perversos. Não percebo por isso qual o espanto se alguns jovens - provavelmente uma percentagem ínfima - forem enquadrados militarmente, onde receberão uma educação melhor que aquela oferecida pelos pais e a escola. Dada a sua especificidade como educandos...

Os "especialistas da educação" criaram case studies em Portugal. Não me refiro à agora famosa portuguesa, de 15 anos, que há dias tratou mal uma professora idosa e franzina, tornando-se assim uma vedeta - portuguesa concerteza - da internet. Refiro-me aos mais velhos, na casa dos 30/40 anos, que são puros parasitas e vivem à custa de familiares que maltratam (dos pais ou das esposas pois mais ninguém está para os aturar). Existem muitos, demasiados para um país pequeno, que são fruto da pedagogia de pacotilha que vigora há demasiado tempo em Portugal. Deveriam ser enviados para as casas dos "pedagogos" que teorizaram e criaram o "sistema educativo" português, porque são eles os verdadeiros pais desses infelizes crápulas que são simultaneamente vítimas de um "sistema" que não os soube educar para o trabalho e para o respeito pelos outros. E nem falo dos "novos criminosos". Dos que com vinte e tais anos, e menos, cometem crimes sistemáticos e violentos. Porque esses são a prova cabal da total falência e do escandaloso bluff que é o "sistema educativo" dos "pedagogos" e "especialistas da educação". Sobre os crimes só tenho uma coisa a dizer: no início da era pós-socrática (é que sou licenciado em Filosofia...) uma das primeiras medidas terá de ser a alteração do novo Código Penal. Do absurdo Código Penal que este governo impôs ao país. A idade para imputabilidade da responsabilidade criminal tem de baixar e o peso das penas tem de aumentar. Entre outras coisas.

Agora trata-se do Estado, dos cidadãos informados, dos cidadãos que pagam impostos e intervêm honestamente na vida do país, serem capazes de responsabilizar os verdadeiros culpados por este estado de coisas. Na crónica de hoje (22 de Março) na última página do jornal "Público", Vasco Pulido Valente chamou os bois pelos nomes. Este governo que está no poder com maioria absuluta há três anos é responsável pelo agravamento das situações de indisciplina nas escolas, que não são residuais ao contrário daquilo que a ministra da educação e respectivos secretários dizem. Muitos casos são escondidos da própria "comunidade educativa" e os casos mais graves não são conhecidos do público. Como, por exemplo, o daquele aluno que pontapeou uma professora grávida causando-lhe um aborto. Porque a professora se recusou a ajudá-lo num teste escrito para avaliação! Aconteceu há anos numa escola de Lisboa e parece que o aluno foi suspenso 10 dias mas continuou na mesma escola pelo menos até ao final do ano lectivo! Será isto normal? Será isto aceitável? Este seria um caso para o tal enquadramento militar proposto por Ségolène Royal e todos sabemos que há mais. É necessário acabar com esta farsa que vai matar o país. É necessário acabar com a farsa do actual Ministério da Educação que dá verbas absurdas à confederação de pais que o apoia. Os professores só podem ser avaliados quando tiverem condições dignas para o exercício da sua profissão. Sem insultos, sem mêdos, sem agressões, sem indisciplina. É necessário que o país tenha a coragem, e a capacidade, de pedir contas a quem realmente tem contas a prestar, como muito bem diz VPV na referida crónica. Acabe-se de vez com a hipocrisia e com o teatrito de andarem a arranjar bodes espiatórios para crucificação pública - não são os professores os principais responsáveis pelo estado a que chegou o ensino básico em Portugal (mas não estão isentos de responsabilidades pois muitos professores e membros das direcções das escolas têm sido veículos do "eduquês" que destruiu o país) - porque senão é Portugal que acaba. E se acabar vai acabar mal. Pior do que imaginam.* AST

* os sindicatos dos trabalhadores espanhóis acusam os portugueses (que são muitos milhares a ocupar empregos pouco qualificados em Espanha) de fazerem concorrência desleal ao trabalharem mais horas por menos dinheiro. Não pensem os portugueses que andam a maltratar os professores que vão encontrar a salvação em Espanha, ou onde quer que seja, porque não vão.

* Consulado diz nada ter a ver com o problema. Três portugueses enganados por um patrão holandês estão naquele país sem casa, comida nem dinheiro e acusam o Consulado de Portugal em Roterdão de os maltratar e deixá-los ao abandono... Sem casa e sem dinheiro, os portugueses conseguem comida graças a uma cabo-verdiana que tem um café e lhes dá umas "sandes e uns sumos". in publico.pt (23.03.2008 - 16h34 Lusa). Nota do Editor: e são trabalhadores especializados! "A história deste português de 29 anos, um serralheiro-tubista que em Portugal fazia tubagens para navios, começou há um mês quando foi contactado para ir com urgência para a Holanda." idem. Que será de alunos como os do "9ºC em grande"? Alguém os quererá como trabalhadores, funcionários, ou mesmo figurantes de novelas rascas? A pergunta poderá ser formulada de outra maneira: servirão esses portugueses do "9ºC em grande", e outros similares, para alguma coisa?


Batemos no fundo

Governantes, pais e professores saem muito mal do "filme" da sala de aula do Carolina Michaelis. Um a aluna aos gritos, batendo na professora e tratando-a a por tu, uma turma inteira satisfeita e gozando com a desordem e com a incapacidade da professora - "a velha" - , tudo isto é um retrato mau do estado a que deixamos chegar a situação.

Os pais acomodam-se com o recibo da propina que pagam à escola, como se a sua responsabilidade acabasse aí. Os filhos são entregues à escola, onde entram e saem com ligeiras e rápidas passagens por casa, para comer e dormir. Casas onde não se discute problema nenhum e nada se questiona. Casas onde muitas vezes nem tempo há para se falar, conversar.

Nas escolas, as regras são o que se sabe. Seriam assim tão maus os tempos em que os alunos se levantavam quando o professor entrava na sala? Seria assim tão penoso o silêncio que se fazia enquanto o professor falava? Seria assim tão pouco natural que um aluno fosse posto fora da aula se estivesse a perturbar os colegas e o professor? Seria assim tão fora do senso comum que um estudante que não tivesse aproveitamento fosse obrigado a repetir o ano?

Porque mudaram as leis, porque deixámos as coisas cair neste "deixa andar"?

O 25 de Abril, que nos trouxe a liberdade, levou, nos tempos revolucionários, regras que eram boas mas que voaram com o lixo fascista. Os tempos revolucionários passaram, vieram tempos democráticos, ministros de todos os partidos e o edifício escolar nunca se compôs, nunca foi capaz de responder aos desafios da democracia.

O filme vergonhoso do Carolina, que infelizmente não é nem caso isolado nem o mais grave, deve encher-nos a todos de tristeza. Pura e simplesmente somos uma sociedade que não sabe educar os seus filhos, que não tem nem valores nem referências para lhes dar. Batemos no fundo. E enquanto não conseguirmos restaurar a autoridade na escola, não sairemos da cepa torta. José Leite Pereira in Jornal de Notícias (23 Março 2008)


Pais indulgentes potenciam o bullying nas escolas

Os jornais ingleses The Guardian e The Daily Telegraph publicaram, ontem, a propósito da relação entre o bullying e pais indulgentes, as conclusões de um estudo encomendado pelo Sindicato Nacional de Professores (National Union of Teachers), que merece a nossa reflexão:

O mau comportamento nas escolas é alimentado por pais "super indulgentes" que não sabem dizer não aos seus filhos, de acordo com os estudos. Os professores estão a lidar com um "pequeno mas significativo" número de alunos que fazem birras na aula quando a sua vontade não é satisfeita, ficam exaustos porque se deitam tarde e têm pais "beligerantes" que tomam o partido dos filhos contra os professores.
"Estes pais, eles próprios sob pressão social e muitas vezes incapazes de lidar com o comportamento dos filhos, podem ser muito agressivos, por vezes recorrem à violência para proteger os interesses dos filhos." Os professores descreveram pais "altamente permissivos que permitem tudo para não se aborrecerem e que não recorrem a sanções ou incentivos." in http://ramiromarques.blogspot.com (23 de Março de 2008)


Toca a rir pessoal, que a galhofa faz bem à alma lusa

Quer-se que a Escola recupere um atraso centenar como um milagre de alminhas. Basta lembrar que em 1910 cerca de 80% da população era analfabeta (taxa maior de escolaridade tinham os netos dos antigos escravos americanos) e que à beira do 25 de Abril de 1974, esta percentagem atingia ainda os 35%. Também na entrada da revolução dos cravos o número de licenciados ficava-se pelos míseros 4%, enquanto a França contava com 40%. Sociedade, cultura e mentalidade não se alavancam de um momento para o outro, daí a demagogia feroz das comparações. Então comparemos a estatura dos nossos políticos, com a dos seus homólogos franceses, alemães e até espanhóis e toca a rir pessoal, que a galhofa faz bem à alma lusa.

É certo que os professores não estão isentos de culpas. Aceitaram e até embarcaram nas ridículas modas pedagógicas, não questionaram firme e publicamente o desvario disciplinar, o severo e preocupante desajustamento curricular, a absurda hora lectiva. Resignaram-se em demasia, vencidos pela hierarquia ou pela comodidade de não fazer mais ondas, quando o mar encapelado já torna tão difícil a vida da tripulação. António Maduro in www.tintafresca.net (edição nº 89)


Portugal pode-se dar ao luxo de perder os imigrantes que possuem qualificações?!

Imigração. A taxa de desemprego em Portugal está a levar os imigrantes de Leste a sair do País. São sobretudo ucranianos que o fazem, a maior comunidade originária desta zona . Por outro lado, os que conseguem estabilidade já trazem a família
O dia-a-dia de Maria Didych é feito a pensar no que vai deixar para trás em Portugal. Os amigos, o mar, a comida... é o que lhe irá fazer mais falta na Ucrânia, para onde regressará em Julho. Mas também parte com uma enorme frustração, a de não ter conseguido o reconhecimento das habilitações: uma licenciatura em biologia, a base da sua formação enquanto analista. "Os meus filhos sempre me pediram para regressar. Viam-me com uma bata branca e agora vêem-me com uma esfregona. Não gostam!" in dn.pt (23 Março 2008)


Et OUI!

1. Sabem em que consiste a "manutenção" do site do ministério da justiça? Não? Ok! Eu esclareço: trata-se de actualizar conteúdos, um trabalho que provavelmente muitos dos v/ filhos fazem lá na escola ou em casa "com uma perna às costas". Por falar em "costas" acham que o ministro Costa recorreu ao OTL e pediu um puto qualquer para tratar do assunto? Não! Trata-se de uma tarefa altamente técnica que justifica uma remuneração de 3.254,00 euros mais o subsídio de almoço, claro!!!

2. E sabem quem tem o perfil adequado a essa extremamente especializada função? Não? Ok! Eu esclareço. Trata-se de Susana Isabel Costa Dutra. Susana Isabel Costa Dutra, é (por um acaso daqueles que só acontecem... em Portugal!) filha do ministro Alberto Costa. Et OUI! (e-mail de leitor identificado)

2008/03/21



A professora não apresentou queixa. Não vale o incómodo...

O vídeo "altamente" abriu os telejornais das televisões privadas. Informaram que a professora não apresentou queixa. Por certo para não ser duplamente enxovalhada. "Os da educação" interrogá-la-iam "de pé atrás", chamar-lhe-iam talvez "resistente à mudança" e outras coisas em eduquês perfeito. Sei que não vem a propósito, mas lembrei-me do caso de Felizberta no fundo do poço, assassinada por jovens "irreverentes". Dá volta ao estômago. in www.didacticadoportugues.blogspot.com (20 de Março de 2008)


Professores contratados coagidos a assinar

Acabei de saber por uma colega indignada que hoje, na sua escola – do concelho de Sintra, foi chamada ao CE, assim como os seus colegas contratados, tendo-lhes sido comunicado que segundo recentes directivas do ME, iriam ser avaliados e que para dar início ao processo, deveriam antes redigir um documento no qual teriam de dizer expressamente "quero" ser avaliado.
Como é óbvio, os colegas nem queriam acreditar e lá foram argumentando como puderam mas nada... Ordens da tutela às quais temos de obedecer!
Se pensarmos que estamos em período de interrupção escolar e que os professores tem menos capacidade de se juntarem e de discutirem, só nos podemos indignar e denunciar!. A Sra. Ministra vai poder anunciar à comunicação social que o processo de avaliação decorre com toda a normalidade e que até foram os professores que a pediram. Eles estão a sair do armário. in http://ramiromarques.blogspot.com (18 de Março de 2008, 16:31)


Bullying

O bullying não resulta do insucesso, mas da falta de civismo, de regras e de respeito pelos outros.

Os acidentes por excesso de velocidade não acontecem por causa das pessoas estarem atrasadas e existirem outros carros no caminho, mas por não respeitarem as regras de trânsito e os direitos dos outros.

O bullying, como a condução agressiva, não resultam do insucesso escolar ou do despertador não ter tocado tarde. Resultam da má formação de quem os pratica.

Ponto final.

Só não é parágrafo, porque a ilação óbvia de tal associação (insucesso escolar=desmotivação=bullying sobre os docentes) é que se os professores garantirem o sucesso aos alunos estarão a «incentivá-los», a «motivá-los» e a prevenir o bullying e, de certa forma, a protegerem a sua própria integridade.

Ora isto já é legitimar, mesmo se indirectamente, a coacção e a chantagem a um nível insuportável. in http://educar.wordpress.com (Março 20, 2008)

2008/03/20

Pelo Tibete

Em Março de 1959, uma revolta contra a ocupação chinesa foi esmagada e S.S. o Dalai Lama viu-se obrigado a deixar o seu país, encontrando exílio na vizinha Índia, onde chefia hoje o Governo Tibetano no exílio. Foi seguido por cerca de 80.000 tibetanos.

Como resultado da ocupação chinesa, morreram mais de um milhão de Tibetanos: um sexto da população. Os Tibetanos, devido ao contínuo afluxo de imigrantes Chineses, são actualmente uma minoria no seu próprio país

Os Tibetanos são frequentemente presos e torturados de forma arbitrária devido à sua prática religiosa ou a qualquer espécie de demonstração/resistência contra a ocupação chinesa. Toda a actividade política, qualquer iniciativa a favor dos Direitos Humanos, ainda que pacífica, é considerada como o mais grave dos crimes e é punida com penas que vão até à prisão perpétua ou mesmo a morte. Os Tibetanos são desta forma condenados por possuir uma fotografia do Dalai Lama, segurar a bandeira nacional tibetana e gritar “Tibete Livre” em manifestações pacíficas, colar cartazes, traduzir para Tibetano e divulgar a Declaração Universal dos Direitos Humanos ou, simplesmente, falar da situação dos direitos humanos no Tibete com turistas ou jornalistas estrangeiros.

Mais de 6.000 mosteiros foram demolidos e 80% dos Tibetanos que vivem no Tibete são analfabetos. Devido à discriminação de que são alvo têm um reduzido acesso quer à educação, quer aos cuidados de saúde.

O ecosistema do planalto tibetano tem vindo a ser devastado pelo Governo chinês e o “tecto do mundo” é hoje palco da produção de armas nucleares, factor de risco para todo o planeta.

Por todos estes motivos, e tendo em conta que nos Princípios fundamentais da Constituição Portuguesa (artigo 7, 2-3) se estabelece que “Portugal reconhece o direito dos povos à autodeterminação e independência” e “preconiza a abolição do imperialismo, do colonialismo e de quaisquer outras formas de agressão, domínio e exploração nas relações entre os povos”, os subscritores desta Petição dirigem-se à Assembleia da República pedindo que seja aprovada uma moção que condene a Violação dos Direitos Humanos e da Liberdade Política e Religiosa no Tibete.

SONGTSEN – CASA DA CULTURA DO TIBETE (www.casadaculturadotibete.org) / UNIÃO BUDISTA PORTUGUESA
Artista da treta

Em 2007, Guillermo Vargas Habacuc, recolheu um cão abandonado na rua, atou-o a uma corda na parede de uma galeria de arte e deixou-o ali para morrer lentamente de fome e sede.

Tanto o autor como os visitantes da galeria de arte presenciaram impassíveis a agonia do animal, até que este finalmente morreu de inanição.

A prestigiada Bienal Centroamericana de Arte decidiu, incompreensivelmente, que o que tinha sido apresentado era arte, e deste modo Guillermo Vargas Habacuc foi convidado a repetir a sua acção cruel na mesma Bienal em 2008.

Existe uma petição para evitar que este homem seja chamado artista e repita o mesmo acto:

www.petitiononline.com/13031953/petition.html




2008/03/19

Liberalismo? Que é isso?

Quando era pequeno era marxista. Leninista e por aí fora... Quando estive na Albânia o susto foi muito menor que aquilo que esperava. Por este canto ocidental da Europa diz-se cobras e lagartos dos albaneses. Nem câmara fotográfica levei com mêdo de ser assaltado... Lembro-me da minha indignação, na primeira vez que estive na Holanda, por terem achado não ser eu bem português devido aos cabelos castanho-claros e à pele demasiado branca, segundo eles, para alguém vindo do extremo sul da Europa. Se não sou bem português não é seguramente devido à côr da pele. Ou dos cabelos... Apesar disso fiquei adepto do "liberalismo". Na altura não distinguia entre liberalismo-liberalismo e liberalismo à holandesa, que no fundo era (ainda é...) "estado-social". Explicaram-me, por exemplo, sobre aquele grande teatro que tinham acabado de construir, que não só não tinham havido derrapagens orçamentais como isso se devia à ausência de corrupção. Também me falaram do interesse dos holandeses pela cultura, ficando eu definitivamente conquistado para o "liberalismo". Nessa altura ainda não conhecia a Koninklijk Concertgebouworkest (Royal Concertgebouw Orchestra) que é uma das 3 melhores do mundo, assim de vistas restritas porque, felizmente, existem mais que 3 orquestras "melhores do mundo"... Um dia Slavoj Žižek (por um mero acaso conheci-o pessoalmente) disse-me que o fim do comunismo não melhorou a situação das pessoas na ex-Jugoslávia. Agora, quando olhamos para a Rússia actual, Rússia sobre a qual parece pender uma qualquer fatalidade (como diz uma personagem em Andrei Rubliov, obra de Andrei Tarkovsky que é talvez o filme mais genial de todos os tempos), ficamos com poucas dúvidas disso. Na realidade a ex-Jugoslávia "comunista" (para muitos "revisionista", ou pior...) era bem mais "liberal" que a Rússia economicamente "liberal" de Putin. Não sou comunista. Isso foi quando era pequeno (adolescente, porque quando era pequeno fui "anarco-comunalista"...). No início do ensino preparatório fiquei logo a simpatizar com o socialismo porque um professor me disse que socialismo era dividirmos a nossa comida com aqueles que têm fome. Graças aos professores que fui tendo, alguns acusados de "comunistas" sem o serem (e mesmo que fossem!), fui compreendendo que as coisas eram, infelizmente, bem mais complicadas. Por curiosidade, também decidi estudar música mais a sério devido ao incentivo do professor de educação musical que tive no ensino preparatório... Actualmente considero que o "liberalismo" é uma ficção. Se tal coisa existisse os Estados deixariam falir os grandes bancos que cometem erros fatais, em vez de os salvarem directa ou por interposta pessoa. Dizerem que a falência dessas instituições privadas conduziria à descredibilização do "sistema", vale rigorosamente o mesmo que todos os "senãos" colocados ao funcionamento dos "sistemas comunistas" e todas as objecções à sustentabilidade a prazo do "estado social". Na verdade a insustentabilidade do "sistema liberal" não é uma possibilidade a prazo. Já aconteceu quando o Estado interveio na banca privada, mal gerida, para salvar o "sistema". Basicamente, no que à Europa diz respeito, a análise de Max Weber sobre o sul católico (a África e Médio Oriente islâmicos...), pobre e fechado e o norte protestante, aberto e próspero, mantém a pertinência. É só olhar, sem sequer ser necessário ver bem. Nuances há-as seguramente, nomeadamente despoletadas pelas grandes migrações populacionais, mas essencialmente o norte e o centro europeus vão manter a tradição do "estado social". O Sul não se percebe que sendeiros trilhará mas será quem sofrerá mais com as alterações climáticas. Isso já se percebe bem. AST

Nota: um dos livros interessantes e recentes que aborda esta questão, traduzido para português, é "Tornar Eficaz a Globalização", do prémio Nobel da economia (2001) Joseph Stiglitz. A revista TIME (Europa), March 31, 2008, pag 22 e seguintes, traz uma peça muito interessante e elucidativa sobre a temática deste post. Esta edição da revista é dedicada ao Dalai Lama. Um valor acrescentado para este número da revista.



2008/03/17

in www.asianews.it - 10/11/2007


More infos:

www.freetibet.org

2008/02/20

Impressing the Czar







O Royal Ballet of Flandres colocou a sua transcendente técnica e arte ao serviço de um agregado de quadros coreografados por William Forsythe que parodiam o classicismo (o andamento do quarteto de cordas de Beethoven que serve de base musical ao primeiro quadro é transfigurado até ficar com um ritmo "tcha-tcha-tcha"), sendo a cenografia de Michael Simon. Um Forsythe conhecido pelo seu estilo neo-clássico abriu-se às influências do "teatro-dança", cuja origem foi lá mais para o centro da Europa, assim como às estéticas minimais mas, em Impressing the Czar, criação de 1988, são sobretudo evidentes influências da obra de Anne Teresa de Keersmaeker. O resultado é interessante e o coreógrafo mantém os "rasgos" neo-clássicos que sempre o caracterizaram, mas não se pode dizer que William Forsythe conseguiu construir um estilo singularizado. Outra observação seria a inexistência de uma coesão estilística no interior desta obra. Isso é evidente na fraca relação entre o primeiro e o segundo quadros. AST (fotos: Álvaro Teixeira. Todas as imagens são do primeiro quadro, excepto a última)


10.000 anos!

«o país piorou porque os mais ricos têm hoje uma arrogância como nunca tiveram», dando Louçã o exemplo das indemnizações recebidas por cinco ex-administradores do BCP - 80 milhões de euros.

Nas contas do deputado e economista, «esta pequena indemnização são dez mil anos de salários de um português». in Diário Digital (21-02-2008 13:45:00)


Sensações reais...

A sensação de que existem crimes que permanecem impunes, porque quem os comete consegue manobrar o sistema, é uma sensação real... Helena Pinto in Meia-Hora, 21 Fevereiro 2008, pag 4


Faça a diferença

Aplique esse valor em acções reais de redução da pobreza extrema e de melhoria de condições de vida dignas, tais como: saúde, alimentação, água potável e educação.

Ao preencher os impressos para o IRS, no quadro 9 do anexo H, linha 901, com o Número de Identificação Colectiva da oikos (NIPC: 502 002 859) pode destinar 0,5% do valor final colectado do seu IRS para os projectos que desenvolvemos.

A transparência é um dos nossos valores. A oikos é a primeira ONGD portuguesa com Relatório de Sustentabilidade, com validação externa pela SGS. As actividades e os Relatórios de Gestão e Contas, Auditoria externa e sustentabilidade estão disponíveis em www.oikos.pt



2008/02/19

Cholos!*

Buenos Aires, 19 de febrero (Reporter). La cantante mexicana Paulina Rubio deberá desembolsar unos 5 mil dólares por haber posado desnuda y sólo cubierta por la bandera de su país para una producción fotográfica en una revista española.

La Dirección de Fomento Cívico de la Secretaría de Gobernación mexicana determinó que la cantante de "Y yo sigo aquí" había deshonrado a la bandera en la atrevida foto para la edición española de la revista Cosmopolitan.

La multa -de 53 mil pesos mexicanos- representa más de 250 veces el salario mínimo de México, una dura condena por haber ofendido a uno de los símbolos de la nación azteca. Es más, si se comprueba que Rubio cobró por esa producción, el castigo se cuadriplicaría, ya que el delito se agrava si significó una ganancia monetaria para quien ofendió a la patria.

Sin embargo, la fotógrafa involucrada -la mexicana Teresa Peyrí- dijo que las imágenes correspondían a un proyecto suyo de 2002, en donde 36 famosas se vestían de hombres para quitarse de a poco la ropa.

"Paulina se vistió de mariachi -declaró Peyrí a la prensa mexicana- se fue desvistiendo y terminó con la foto de la bandera. Pero fue sin fines de lucro, no cobró ni un duro".

in http://ar.entertainment.yahoo.com (martes 19 de febrero, 12:01 AM) *cholo = labrego

Paulina! Amiga! A crítica está contigo!





2008/02/16

Quem "desaconselhou" os alunos de alguns conservatórios regionais a participarem na manifestação? (fotos: António Ricardo Baltazar)

Ana Paula Russo, António Vitorino d'Almeida e Mário Laginha actuando contra a política do governo. No melhor estilo chico-espertista a ministra da educação anunciou mais dinheiro para o ensino da música (à sua moda) na altura em que os estudantes dos conservatórios se manifestavam em frente ao parlamento, mas não disse quantos e quais os artistas produzidos pelo sistema integrado que a ministra deseja e que existe há muito no conservatório de Braga (a outra vertente que ela preconiza, o ensino da música como actividade de complemento curricular nas escolas do ensino básico, resultará na bandalheira e indisciplina que caracterizam estas escolas, apesar do esforço e dedicação dos professores que a ministra parece detestar, vá-se lá saber porquê... Todos sabemos que nada de muito grave acontece aos pequenos vândalos que insultam os professores e aterrorizam os colegas. Foi necessário vir o Procurador-Geral da República dizer que esta situação não pode continuar para que os crimes contra os professores passassem a ser tratados com a gravidade que de facto têm). Seria curioso se fosse verdade o que "por aí" consta: uma familiar da ministra fez testes de entrada para uma escola de música pública e foi rejeitada por carência de requesitos ao nível da musicalidade e da audição, acabando por ser admitida numa academia particular onde completou o 8º grau de flauta com uma nota fraca. Acreditamos que o impto reformista da ministra nada tem a ver com esta situação (...) e a familiar da ministra não tem de todo culpa das atitudes desta, além de que esta "notícia" pode não passar de um "disse que disse" que nos fizeram chegar aos ouvidos. No dia seguinte à manifestação dos artistas o primeiro-ministro reuniu com os professores militantes do seu partido para os convencer da bondade das políticas do governo para a educação. Parece que foi assobiado... Mas lá por ter ouvido assobios, eventualmente afinados, não venha acusar os músicos... Partido Socialista, cujo ex-secretário-geral e ex-Presidente da República Mário Soares, alertou, no congresso dos sindicatos que aconteceu no dia da manifestação, para o facto de Portugal ser o país da Europa onde se verificam mais desigualdades. No mesmo lugar, o secretário-geral da confederação dos sindicatos afirmou que as desigualdades terceiro-mundistas que se verificam em Portugal, onde cerca de 10% da população detém mais de 70% da riqueza, devem-se à corrupção. Não é o primeiro a dizê-lo. Nem será o último...





2008/02/14

Ética

Steven Spielberg não aceitou continuar no cargo de conselheiro artístico para os Jogos Olímpicos de Pequim porque a China não tem feito o que deveria e poderia fazer para acabar com o genocídio que está a acontecer no Darfur.

<"Neste momento, não quero consagrar o meu tempo e a minha energia às cerimónias olímpicas, mas quero fazer tudo para que terminem os crimes inomináveis contra a humanidade que continuam a ser cometidos no Darfur", frisa o cineasta.

Recorde-se que a China é um dos maiores parceiros económicos do Sudão e os seus laços com o regime de Cartum são considerados um dos "travões" aos esforços internacionais para fazer pressão sobre o Governo sudanês no que diz respeito ao problema do Darfur.

A colaboração de Steven Spielberg com as autoridades chinesas no âmbito dos Jogos Olímpicos de Pequim fora criticada pela actriz americana Mia Farrow, embaixadora itinerante da Unicef - organismo das Nações Unidas para a infância. A decisão de Spielberg foi saudada pela Human Rights Watch, uma organização não governamental de defesa dos direitos humanos.> in http://dn.sapo.pt (14.02.08)

Pessoas como Mia Farrow e Spielberg provam que a consciência ética existe. Consciência ética que o governo português esqueceu durante a última-última presidência portuguesa do Conselho da Europa e na Cimeira Europa-África, em Lisboa.


2008/02/12

Ayaan Hirsi Ali

Os holandeses retiraram-lhe a protecção porque ela - ex-eurodeputada pela Holanda e um dos principais alvos a abater pelos islâmicos - disse que Maomé foi um tirano e um perverso. A França vai atribuir-lhe nacionalidade francesa e protecção. Viva a França que uma vez mais demonstra estar pelo menos um degrau acima de uma ficção chamada União Europeia.


Tata Güines


Morreu nesta segunda-feira o percussionista cubano Federico Aristides Soto, conhecido como Tata Güines.

O músico ficou famoso em Cuba a partir da década de 50 ao criar um formato rítmico mais experimental. Nos últimos anos, se destacou por sua participação em diversos shows da nova geração de músicos cubanos de jazz.

Tata Güines nasceu em 18 de junho de 1930. Em 1942, ele começou a tocar bongô e contrabaixo e aprendeu os rudimentos da musica cubana.

O percussionista chegou a se apresentar em Nova York, onde viveu por dois anos, ao lado de nomes como Joséphine Baker, Frank Sinatra e Charlie Parker. in http://musica.terra.com.br (Segunda, 4 de fevereiro de 2008, 12h53)


Aceder às complexas estruturas e intrincado volteio deste álbum de Sun Ra é um desafio de grande envergadura, mesmo para ouvintes habituados à abstracção do free jazz de Ascension, de John Coltrane, por exemplo, com o qual The Magic City em parte desafia comparação, ou da música do Séc. XX de autores tão diferentes como Anton Webern, Alban Berg, Edgar Varese, Bela Bartók, Luigi Nono, Karlheinz Stockhausen, Pierre Boulez ou Frank Zappa. Por este disco assombroso passa toda uma multiplicidade de estados de alma, da alegria exuberante, à introspecção melancólica, humor sardónico e terror sinistro (aqui arrepiantemente administrado pelo uso que Ra faz do claviolino, um dos muitos instrumentos de teclas que o músico utilizou, alguns deles por si inventados). Sun Ra a gerir a mistura dos diferentes timbres instrumentais, sublinhando as suas intervenções com ecos do saxofone de Marshall Allen e do contrabaixo de Ronnie Boykins, até toda a banda entrar em acção. É assim a abertura de The Magic City (referência à Birmingham natal de Ra, estado do Alabama), disco de 1965, gravado em Nova Iorque com a Solar Arkestra. Originalmente publicado pela El Saturn, a editorazinha caseira de Herman 'Sun Ra' Blount, foi reeditado em 1993 pela Evidence Music. Grande música cósmica (uma evidência...) e um dos melhores exemplos em disco da visão afro-ancestral-futurística-espacial do mestre. Ra-novatos devem considerar seriamente a oportunidade de procurar outras portas de entrada neste universo, porque alguns dos discos da década de 60, como The Magic City, ou When Sun Comes Out, The Heliocentric Worlds of Sun Ra (Vols. I e II), e Other Planes of There, podem efectivamente representar uma carga de trabalhos insustentável para quem ainda não tenha calo ou não esteja preparado para entrar na nave espacial, a caminho de Saturno. Sun Ra and his Solar Arkestra - The Magic City (Evidence Music) in http://jazzearredores.blogspot.com (12.2.08)






2008/01/31

3 x mais que os alemães. Uau!

Em Portugal segundo um estudo da Mercer Consulting, os altos dirigentes de empresas só ganham 32 vezes mais que os seus trabalhadores. É certo que é mais do dobro do que ganham os administradores espanhóis e ingleses e do triplo dos alemães... in Notícias Magazine, 27 Janeiro 2008, pag 82

Deve ser por isso que Portugal está 2 vezes melhor que Espanha e o Reino Unido e três vezes melhor que a Alemanha... Tem lógica!


Juiz impedido de falar

Com esta deliberação do CSM, o Ministério Público, representado no processo pela procuradora Manuela Galego, perde uma das principais testemunhas.

PROCESSO EM SEGREDO

A juíza Amélia Puna Loupo decidiu fechar as portas do julgamento de Paulo Pedroso contra o Estado, apesar de nenhuma das partes o ter solicitado. O CM e outros órgãos de Comunicação Social já requereram que a exclusão de publicidade seja revogada – alegando, entre outras coisas, que o próprio julgamento do caso de pedofilia decorre à porta aberta –, mas até ao momento ainda não houve decisão, uma vez que as partes foram chamadas a pronunciar-se. Enquanto não houver despacho, o calendário de audição de testemunhas também não é público, razão pela qual se desconhece quem serão as próximas pessoas a depor e quando. Certo é que das 40 testemunhas arroladas, pelo menos metade, as escolhidas por Paulo Pedroso, já foram ouvidas – entre as quais o ex-líder do PS Ferro Rodrigues, o socialista António Costa e a mulher do ex-deputado, Ana Catarina Mendes. O julgamento teve início a 7 de Janeiro, no Palácio da Justiça, em Lisboa, e todas as audiências decorreram à porta fechada.

CATALINA ENFRENTA PEDROSO

A ex-provedora da Casa Pia Catalina Pestana é hoje ouvida como testemunha contra Paulo Pedroso. A audição está marcada para as 10h00, no Palácio da Justiça, em Lisboa, e deverá decorrer à porta fechada, apesar dos sucessivos requerimentos da Comunicação Social para que seja revogada a decisão da juíza de excluir a publicidade deste julgamento.

Esta será a primeira vez, desde a divulgação do escândalo de pedofilia, que Catalina estará frente a frente com o ex-deputado, de quem era amiga antes do processo – Paulo Pedroso tem estado presente em praticamente todas as audiências.

O julgamento da acção cível contra o Estado começou a 7 de Janeiro e já foram ouvidas todas as testemunhas de Pedroso. in http://www.correiomanha.pt (2008-01-31 - 13:01:00)





2008/01/27

Barcelona contra o uso de peles (Foto: Albert Gea/Reuters)

2008/01/26

Das Märchen

O acontecimento musical do ano português veio, no meio das expectativas mais elevadas, à luz no Teatro São Carlos de Lisboa, transmitido em directo por esse mundo português fora, com direito a sopinhas e bolinhos no final. Devo dizer que em uma ópera paga pelos portugueses, que do pouco (ou muito) que possuem constam poetas e escritores no mínimo interessantes, se esperaria que fosse trabalhado um texto em português. E não seria difícil encontrar, na poesia ou na literatura portuguesa, algo que funcionasse melhor que o texto escolhido pelo compositor. O conto de Goethe encontra-se traduzido para português por João Barrento. É uma pequena ficção que até se lê bastante bem. Emmanuel Nunes conseguiu transformá-la numa ópera de 4 horas... A maneira como geriu e contextualizou o texto resultou em aquilo que podemos ver (e ouvir).

É verdade que Nunes nasceu em Portugal, mas também é verdade que foi embora na infância, é verdade que não se identifica com Portugal, e tem as suas - boas ou más - razões, é verdade que fala alemão com o filho... Uma ópera alemã paga pelos otários dos portugueses, quase que se poderia dizer... E vem-me imediatamente à memória os alegados 700.000 euros pagos pelo ministro da economia, com dinheiros públicos claro, a um fotógrafo estrangeiro para fazer umas foto-montagens foleiras. Supostamente para promover o país...

Mas vamos ao que há de bom em tudo isto: a falta de dinheiro. É a falta do belo mas perigoso ouro, digo dinheiro, que nos salva de o Emmanuel nos brindar com uma tetralogia, com 4 horas cada parte. Sabem que estou a brincar... Na verdade uma tetratologia salvaria este país do afundamento. Uma tetralogia colocar-nos-ia na vanguarda pós-Stockausen (esse cretino que disse lembrar-se do ex-aluno e compositor Jorge Peixinho mas desconhecer quem é o Emmanuel Nunes). Uma tetralogia livrar-nos-ia definitivamente do especto Saramago/Corghi. Uma tetralogia estabeleceria, finalmente, o Teatro de São Carlos no lugar que lhe compete: à cabeça da inteligencia mundial e Portugal, de novo, a dar mundos ao mundo. AST

Nota: Das Märchen pareceu-me um retalho estilístico com momentos absolutamente brilhantes. Mas a uma ópera não basta ter partes bem conseguidas. Se existe um fio condutor para além do texto, o que pretende ser uma "lógica" musical, deve estar nos cálculos que o Emmanuel Nunes fez e no conceito Leiträume, que é a intersecção das personagens com um ambiente determinado (Leitstimmungen). E que ironicamente pode ter contribuído para a falta de consistência desta ópera como um todo... Em Das Märchen não é audível uma unidade global, elemento essencial em uma obra de arte. Especialmente em uma obra que habite o espectro estético sob o qual vive Emmanuel Nunes.

Nota 2: no tempo de Das Märchen quero lembrar Pli selon Pli, de Pierre Boulez; Requiem für einen jungen Dichter, de Bernd Alois Zimmermann; o solo do camarada Mao em Nixon na China, de John Adams; L'amour de Loin, de Kaija Saariaho com base no livro de Amin Maalouf; Medeamaterial, de Pascal Dusapin; Cries of London, de Luciano Berio, e sobretudo ...sofferte onde serene... de Luigi Nono.


Se em alguma parte do mundo um país tiver uma orquestra juvenil administrada por um chantagista promíscuo, significa que esse país está gravemente doente. Se os jovens dessa orquestra aceitarem as chantagens, não se juntarem para denunciar publicamente o criminoso, ou simplesmente fingirem que nada de anormal está a acontecer, significa que o país não terá um futuro brilhante e que esses jovens não passam e nunca passarão de uma caricatura de artistas. Se pessoas com responsabilidades souberam do que está a acontecer e nada fizeram, significa que esse país, se existe (consta que sim...), necessita de uma limpeza grande e geral.


Em A Capital! Eça dá-nos um retrato caricatural, muito negativo, dos republicanos, num capítulo relativo a uma reunião de um clube republicano da Rua do Príncipe, em Lisboa. in Semanário, 25 Janeiro, 2008, pag 44

Uma instituição de vários séculos de idade não cairia só porque mataram o rei. Havia a ideia de que o País estava numa fase decadente e que a monarquia já não o podia salvar. in Meia Hora, 28 Janeiro, 2008, pag 13








2008/01/23

Ciclo Beethoven

Decorreu no CCB, em Lisboa, um ciclo de piano dedicado essencialmente a Beethoven. Assisti aos últimos três recitais e considero que a iniciativa foi interessante. Stephen Kovacevich, o pianista em quem depositava mais expectativas, na primeira parte do seu recital tocou a Partita BWV 828 de Bach sem nada acrescentar ao que se costuma ouvir feito pelos pianistas. Já nas Kinderszenen de Robert Schumann resolveu comprimir as dinâmicas entre o pianíssimo (ppp) e o piano (p), resultando uma leitura no mínimo bizarra... Na segunda parte ofereceu-nos umas Diabelli Op. 120, de Beethoven, consistentes, apresentando uma leitura depurada e reduzida ao essêncial. Um momento importante deste ciclo. Já Giovanni Bellucci tentou fazer um fogo de artifício com a transcrição por Liszt da 5ª Sinfonia de Beethoven, mas o que conseguiu foi um pedal excessivo que impediu qualquer clareza e uma leitura sem o mínimo de consistência da transcrição, que na prática é uma redução para piano da "5ª Sinfonia", que será eventualmente a obra mais conhecida de toda a "música clássica", transcrição que deveria tocar em casa ou em serões entre amigos - sem querer ofender a memória do grande Liszt - mas nunca em recital. Já na sonata Hammerklavier, do mesmo Beethoven, da qual é apresentado como um "especialista", esteve muito bem. Ou não fosse a sua especialidade... A surpresa veio do mais jovem: Cédric Tiberghien. Fixem este nome porque vai dar que falar*. A par de uma técnica impecável, o artista revelou uma inteligência musical e uma sensibilidade dignas de um grande músico. Foi quem fez o recital mais regular em termos interpretativos e estilísticos, encerrando o ciclo com a mítica Op. 111, a última sonata para piano escrita por Ludwig, a que Cédric deu vida de maneira singular, inspirada e musical. AST *uma maneira de dizer pois o artista já possui uma apreciável carreira internacional.










2008/01/22

Juntas médicas

Atendendo a que existem cidadãos a quem as juntas médicas a que recorreram lhes negaram o direito à situação de reforma, agradeço que Paulo Teixeira Pinto divulgue os nomes dos membros da junta que julgaram o seu caso, a fim de qualquer cidadão recorrer à mesma junta. Luis Ribeiro in Público, 22 Janeiro 2008, pag 42



Pede-se também ao senhor primeiro-ministro que nos explique se o presidente do conselho de administração da Portugal Telecom ganha 185.000 euros mensais, 14 meses por ano, e a ser verdade (consta que é) o porquê de este salário milionário (talvez porque a PT deteve, e ainda detém de certa maneira, o monopólio das telecomunicações em Portugal, prestando serviços mediocres a preços elevados).



Já agora solicita-se ao senhor ministro da economia que explique porque escolheu o fotógrafo Nick Knight para uma acção publicitária sobre Portugal, se acha que fotógrafos portugueses (afinal tratava-se de promover a imagem de Portugal com figuras portuguesas) não podiam fazer melhor (não seria difícil...), e se os honorários de Knight (não contando com os da agência que organizou a campanha) andaram à volta dos 700.000 euros. Também seria interessante que o senhor ministro nos fizesse vislumbrar o motivo de aqueles grandes, enormes, estendais com as foto-montagens de Knight a publicitar Portugal cá dentro. Aparentemente a campanha destinava-se a atrair turistas do exterior...







2008/01/07

Luiz Pacheco

Luís José Gomes Machado Guerreiro Pacheco (Lisboa, 7 de Maio de 1925 — Montijo, 5 de Janeiro de 2008) foi um escritor, editor, polemista, epistológrafo e crítico de literatura português.

Nasceu no seio de uma família da classe média, de origem alentejana, com alguns antepassados militares. O pai era funcionário público e músico amador. Na juventude, Luiz Pacheco teve alguns envolvimentos amorosos com raparigas menores como ele, que haveriam de o levar por duas vezes à prisão.

Desde cedo manifestou enorme talento para a escrita. Chegou a frequentar o primeiro ano do curso de Filologia Românica da Faculdade de Letras de Lisboa, onde foi óptimo aluno (Vitorino Nemésio, na sua cadeira, atribuiu-lhe 18 valores, de 0 a 20), mas optou por abandonar os estudos. A partir de 1946 trabalhou como agente fiscal da Inspecção Geral dos Espectáculos, acabando um dia por se demitir dessas funções, por se ter fartado do emprego. Desde então teve uma vida atribulada, sem meio de subsistência regular e seguro para sustentar a família crescente (oito filhos de várias mulheres), chegando por vezes a viver na maior das misérias, à custa de esmolas e donativos, hospedando-se em quartos alugados e albergues. Esse período difícil da vida inspirou-lhe o conto Comunidade, considerado por muitos a sua obra-prima. Nos anos 60 e 70, por vezes viveu fora de Lisboa, nas Caldas da Rainha e em Setúbal.

Começa a publicar a partir de 1945 diversos artigos em vários jornais e revistas, como O Globo, Bloco, Afinidades, O Volante, Diário Ilustrado, Diário Popular e Seara Nova. Em 1950, funda a editora Contraponto, onde publica escritores como Raul Leal, Vergílio Ferreira, José Cardoso Pires, Mário Cesariny, António Maria Lisboa, Natália Correia, Herberto Hélder, etc., tendo sido amigo de muitos deles. Dedicou-se à crítica literária e cultural, tornando-se famoso (e temido) pelas suas críticas sarcásticas, irreverentes e polémicas. Denunciou a desonestidade intelectual e a censura imposta pelo regime salazarista.

A sua obra literária, constituída por pequenas narrativas e relatos (nunca se dedicou ao romance ou ao conto) tem um forte pendor autobiográfico e libertino, inserindo-se naquilo a que ele próprio chamou de corrente "neo-abjeccionista". Em O Libertino Passeia por Braga, a Idolátrica, o Seu Esplendor (escrito em 1961), texto emblemático dessa corrente e que muito escândalo causou na época da sua publicação (1970), narra um dia passado numa Braga fantasmática e lúbrica, e a sua libertinagem mais imaginária do que carnal, que termina de modo frustrantemente solitário. in http://pt.wikipedia.org (07/01/2008, 22:45h)







2007/12/30

da série Luzes II*





Bom ano 2008

Paz no mundo
para as Mulheres
de Boa Vontade







Se fosse em Portugal seria considerado trabalho infantil. Em Portugal, com esta idade, a "normalidade" manda insultar e bater nos professores... Depois digam que eles (os orientais) são mecanicistas, desprovidos de musicalidade e outras barbaridades sem sentido. Outro tecnicista. E ainda outro para ficarmos só por alguns artistas, jovens, mundialmente conhecidos. Já agora, por mera curiosidade, onde estão os grandes solistas alemães (os grandes chefes-de-orquestra - não são solistas mas intérpretes - italianos que, evidentemente, abandonaram o país de origem e dirigem algumas orquestras alemãs, austríacas, americanas, etc, não contam, o mesmo acontecendo com os pianistas, violinistas e outros solistas com carreira mundial, russos e de "leste", que vivem na Alemanha)?








* imagem protegida por copyright

2007/12/28

Oscar Emmanuel Peterson
August 25, 1925 - December 23, 2007

When Summer Comes

Music by Oscar Peterson
Lyrics by Elvis Costello
Originally Performed by Diana Krall


The land was white
While the winter moon as absent from the night
And the blackness only pierced by far off stars
But as every day still succeeds the darkest moments we have known
When season turn
Springtime colours will return
And as the first pale flowers of the lengthening hours
Seem to brighten the twilight and that melancholy cloak
Then a fresh perfume just seems to burst from each bloom
Until the green shoots through each day
As it arrives in every shade of hope
When Summer Comes
There will be a dream of peace
And a breath that I've held so long that I can barely release
Then perhaps I may even find a room somewhere
Just a place I can still speak to you









2007/12/19

Exército para quê?

Portugal tem um general por cada três sargentos-mor no Exército. No topo da carreira de oficiais, existem 61 generais, sendo 45 de 2 estrelas e 16 de 3 estrelas.
...
Para quê tantas estrelas, galões, divisas, e euros; tantas viaturas e quartéis, tanto armamento, bandas militares e charangas, se não há nada a defender, a não ser o tacho de cada um? in Jornal do Norte, 2007/12/17, pag 3

Os grandes perigos para Portugal vêm de dentro, não do exterior. A Noruega, que é um país desenvolvido, seguro e respeitado, não tem exército, apesar de ter petróleo e estar perto da Rússia.


Portugal perde com a Grécia...

Nessa Europa a 12, lutávamos com a Grécia para não sermos os últimos. A Espanha estava já demasiado longe para ser ultrapassada, mas os gregos, pouco mais de dez milhões como nós, pareciam um adversário razoável. Depois vieram as Europas a 15, a 25 e a 27 e deixámos de ter medo do fundo da tabela. Mas e a Grécia? Bem, quase sem notarmos, tem hoje um rendimento por habitante que chega aos 98% da média da União Europeia , enquanto Portugal se fica pelos 75%. Ao mesmo tempo, os espanhóis acabam de celebrar a ultrapassagem aos italianos (105% contra os 103%). E no topo do campeonato lá está o Luxemburgo, que, graças ao minúsculo tamanho e à avalanche de instituições financeiras, exibe uns astronómicos 280% do rendimento médio europeu. No fim, a Bulgária.

Desde 2001 que falhamos o tal ideal de convergência que justificou tantas verbas vindas de Bruxelas e cujas marcas são bem visíveis pelo menos nas auto-estradas (passou-se de 207 km em 1986 para mais de 2000 km hoje). Estamos a desenvolver-nos, sim, mas outros países estão a ter melhores resultados. E não apenas a Grécia (que ainda por cima foi campeã europeia de futebol há três anos derrotando Portugal e logo em Lisboa). Também República Checa, Malta, Eslovénia e Chipre nos ultrapassaram na listagem da UE, onde estamos em 19.º lugar. E a queda tem-se notado também noutra classificação, a do Índice de Desenvolvimento da ONU, em que Portugal já esteve em 23.º, mas surge agora em 29.º.

Vale a pena algum optimismo? Certamente, pois a economia dá sinais de recuperar (1,8 este ano, 2,2 % em 2008, 2,8 em 2009 - finalmente a reiniciar-se a convergência com o resto da UE) e o benefício das duras reformas governamentais vai sentir-se mais cedo ou mais tarde. O controlo do défice é já o primeiro resultado e garante que a revista The Economist não voltará a chamar a Portugal "o novo homem doente da Europa" como fez em Abril. Mas a falta de êxitos não pode ser só culpa dos governos, há-de haver outros responsáveis. Talvez todos nós, uns mais que os outros. E a Grécia? Vai crescer 4,1% este ano, 3,8 em 2008, 3,7% em 2009. Continua a ganhar-nos. No futebol e não só. in http://dn.sapo.pt (2007/12/24/opiniao)


Democracia adoentada

O ano passado morreram 33 mulheres às mãos dos seus maridos ou companheiros.
...
Há dois anos que o Governo fala da colocação de pulseiras electrónicas nos agressores mais violentos. Agora, veio dar o dito pelo não dito e anunciar que em vez de pulseiras electrónicas vai distribuir telemóveis às vítimas. Um telefone para evitar uma agressão? Ouve-se e não se acredita. Como é que o Governo espera que as mulheres se defendam com um telemóvel? Atirando-o ao agressor ou pedindo-lhe para interromper o ataque para fazer uma chamada para a polícia? in Meia Hora, 20 Dezembro 2007, pag 4

O facto de as ruas das nossas cidades, as escolas e, por vezes, até as famílias se terem convertido em campos de batalha não é senão o resultado da erosão da autoridade.
...
Devíamos exigir o fim da deriva permissiva que os sucessivos governos têm protagonizado, por mero facilitismo ou cedência à "expertise" mais do que duvidosa dos especialistas em educação. in Diário Económico, 20 Dezembro 2007, pag 3

Esta demagogia democrática conduziu à escola dos dias de hoje, em que ninguém é responsável, em que campeiam a indisciplina e a violência, em que a tão necessária autoridade do professor é posta em causa por alunos, pais, e até pelos restantes funcionários das escolas.

Esta escola dita democrática só pode produzir analfabetos e bandos de pequenos malfeitores, matéria-prima para os gangs de bairro, das actividades da noite e outras. in Oje, 20 de Dezembro de 2007, pag 4


Foto do ano 2007 da UNICEF

Mostra um afegão de 40 anos ao lado de uma menina de 11. Se não houvesse legendas pensar-se-ia que eram pai e filha. Nas legendas lê-se serem marido e mulher. Perguntaram à menina o que estava a sentir. Ela respondeu que não estava a sentir nada e questionou sobre o que deveria sentir por um homem que nunca tinha visto anteriormente. Foi mais um casamento arranjado. Tal como costuma acontecer por aquelas paragens. A foto é de Stephanie Sinclair.


Reino das arábias

Na página 15 do diário Global Notícias (18/12/07) lê-se que o rei da Arábia Saudita - obscuro país propriedade de uma família que o Reino Unido e os EUA consideram um "aliado" - indulta mulher vítima de violação. No corpo da notícia fica-se a saber que a jovem de 19 anos foi violada por sete homens e seguidamente condenada a seis meses de prisão e 200 chicotadas (que o rei indultou). Porque na altura se encontrava num carro na companhia de um "desconhecido"...


A reter

Um estudo da revista Fortune sobre as 500 empresas mais lucrativas do mundo, demonstra que quando existem mulheres em lugares top os lucros acontecem num crescendo e a longo prazo. Segundo um estudo do Barclays e da revista Economist, em 2025 60% dos bilionários serão bilionárias, mulheres.

A Universidade de Reykjavik, desde que dirigida por mulheres, melhora o seu estado financeiro todos os anos e 95% dos que lá trabalham dizem-se muito satisfeitos. (fonte: Education Guardian, 11 Dezembro 2007, pag 1)

No Lewisham College, no sul de Londres, os alunos com idades entre os 14 e os 16 anos aprendem a construir muros e casas. (fonte: idem, pag 3)


A UE até já fala grosso e tudo...

Denpasar, Indonésia, 13 Dez (Lusa) - A União Europeia boicotará a reunião sobre alterações climáticas organizada pelos EUA no Havai se Washington se recusar a aceitar objectivos de redução das emissões de gases poluentes em Bali, alertou hoje o ministro alemão do ambiente.

"Se não houver resultados en Bali, não haverá outras reuniões das economias mais poderosas", disse o ministro alemão Sigmar Gabriel, referindo-se à Iniciativa das Grandes Economias (MEI), uma série de reuniões sobre o clima iniciadas em Setembro pelo presidente norte-americano, George W. Bush, e que deverão prosseguir no próximo mês em Honolulu, Havai. in http://noticias.sapo.pt (13 de Dezembro de 2007, 12:39)

Há que compreender que qualquer acordo que não inclua, para além dos EUA, pelo menos a China e a India, entre os grandes poluidores, será pouco mais que folclore pois estes países são dos mais poluidores e vão continuar a aumentar os níveis de emissões poluentes. Há igualmente que proteger as florestas tropicais desvastadas sobretudo nos "países em vias de desenvolvimento", como a Indonésia, para comércio das "madeiras exóticas". É verdade que se os habitantes dos países ricos se recusassem liminarmente a comprar essas madeiras o problema estaria em parte resolvido. Mas também é verdade que se a sua importação fosse declarada ilegal pelos países ricos a destruição das florestas e selvas tropicais se poderia atenuar substancialmente.


Bem comer e bem beber?!

«Como nos podem exigir que bebamos café em copos de plástico, como podem impedir a venda de bolas de Berlim nas praias, ou proibir que os cafés vendam produtos de fabrico próprio não empacotados?» pode ler-se no documento, cujos autores reclamam defender as «tradições do bem comer e bem beber portuguesas». in http://sol.sapo.pt (17/12/2007)

Olhando para a quantidade de baixos (as) e gordos (as) em Portugal ficamos conversados. Quanto ao plástico sem dúvida que destrói o planeta. Na realidade é um cancro. Não se percebe como aqueles que agora se reclamam das tradições do "bem comer e bem beber", e até falam justamente na malignidade dos copos de plástico, não se insurgem contra o lixo desmesurado que representam os sacos de plástico distribuídos gratuitamente pelos super-mercados portugueses, que seguem o mau exemplo dado pelo Reino Unido. Afinal os portugueses sempre foram seguidistas... E o governo português, que tem tomado medidas impopulares de necessidade duvidosa, recuou na ideia, correcta, de taxar este lixo fácil mas impressionantemente nocivo e duradouro. Em Portugal os lobbys financeiros, mesmo sussurrando, falam mais alto que manifestações com dezenas de milhares de trabalhadores...


2008 vai ser bonito

À semelhança da festa que fizemos no #211 da AVENIDA, com 13 concertos, em 13 salas numa sexta-feira 13, irá haver 21 concertos - não em 21 salas – de um grupo de gente que vai tornando a tuga um sítio incrível para se presenciar música contemporânea, medido em que escala seja (ainda para mais em véspera de solstício). As portas abrem às 21h e o som arranca às 21h30, logo com três concertos - Phoebus e p.ma, Osso Exótico com Francisco Tropa e Heatsick, pelo que atrasar é mesmo desperdiçar. Mais, para quem não está numa de jantar a correr para chegar a horas, a Comida do Povo vai fazer também refeições a 5€ (cous cous vegetariano e brownies). Um bom Natal para vocês. 2008 vai ser bonito. Beijos e abraços, Filho Único (www.filhounico.com) in http://jazzearredores.blogspot.com (19.12.07)







2007/12/10


Karlheinz Stockhausen

22 Agosto 1928 - 5 Dezembro 2007


Desde que, em 1951, conheceu Mode de valeurs et d' intensitées de Olivier Messiaen, nos cursos de Darmstadt, Stockhausen iniciou um peculiar percurso criativo. No ano seguinte, 1952, foi para Paris estudar com Messiaen e com Pierre Shaeffer. Foi por esta altura que escreveu Spiel und Punkt e Kontra-Punkt. Em 1953 regressou a Koln onde, em 1956, escreveu Gesang der Jünglinge. Neste ano de 1956 escreveu igualmente Klavierstuck XI, onde o executante escolhe a ordem dos acontecimentos. Foi por esta altura que completou Gruppen, para 3 orquestras que rodeavam os ouvintes. Kontakte foi escrito entre 1958 e 1960 e Moment entre 1962 e 64. A partir de 1970 Stockhausen voltou a utilizar a pauta musical convencional*, o que nada tem de mal, mas entrou numa fase que culminou no ciclo Licht, no qual uma esquizofrenia grandiloquente "para-wagneriana" vai de par com uma pobreza de ideias e uma falta de musicalidade que parecem provir de um ser diferente de aquele que, com Pierre Boulez e Luigi Nono, entre outros, estabeleceu um mundo musical radicalmente diferente de aquilo que o "post-romantismo" nos legou (sem nos esquecermos de figuras tutelares da primeira metade do século XX como Arnold Schönberg, Alban Berg - onde o "post-romantismo" atinge o seu limite** - Anton Webern e Edgar Varèse***). György Ligeti é provavelmente o mais interessante representante do "outro lado" da música da segunda metade do século vinte. Ligeti, um húgaro nascido na Roménia, dado o isolamento face às "novidades" produzidas em Darmstadt****, desenvolveu sistemas composicionais pessoais e inovadores - existindo, aparentemente, influências de Edgar Varèse no tratamento das massas sonoras em algumas obras - sendo as suas estéticas, muito diferenciadas entre si, altamente singularizadas e dotadas de grande inspiração.

* Boulez nunca deixou de a utilizar mas deve-se compreender que Pierre Boulez nunca se interessou realmente pela música electro-acústica com a qual a notação convencional não se compagina. Boulez "saltou" a fase electro-acústica passando directamente para a electrónica em tempo-real, inventada no IRCAM no periodo em que ele o presidiu, sendo o programa MAX, que é permanentemente actualizado, o resultado mais conhecido e relevante desse periodo (algumas obras musicais utilizando o MAX são o resultado mais interessante...). Como normalmente a electrónica em tempo real acontece a partir de notas musicais (transformadas no momento, por isso se diz em tempo-real), funciona perfeitamente com a partitura convencional. Enquanto na electro-acústica a criação dos sons era a essência, no "tempo-real" funciona como uma espécie de "coloratura" complexificada sendo a partitura musical o fundamento da obra.

** igualmente sem nos esquecermos de Richard Strauss, Stravinsky e Bela Bartok que exploraram a linguagem tonal no limite do que seria ainda inovador. Strauss no aspecto orquestral, Stravinsky e Bartok principalmente no ritmo. Costuma dizer-se que Berg adaptou o sistema serial, inventado por Schoenberg que foi seu professor, a uma estética "ultra-romântica" sem abandonar verdadeiramente a tonalidade. A dissolução desta na verdade estava anunciada desde as últimas obras para piano de Liszt mas foi Gustav Malher quem, na sinfonia 7 e no adagio da 10, desconstruiu definitivamente a tonalidade partindo do seu interior. Depois temos Debussy que criou um universo sonoro diferente de tudo o que tinha sido feito, influenciado pela música oriental e eventualmente pelas últimas obras para piano de Liszt. Na conjunção do serialismo de Schoenberg com o fabuloso mundo de Debussy (Ravel igualmente genial e com uma estética próxima de Debussy revela uma vertente mais clássica) aparece Olivier Messiaen...

*** Edgard Varèse, originalmente Edgar Varèse (1883 - 1965)

Compositor francês nascido em Paris, importantíssimo e pioneiro das composições da música eletro-acústica. Estudou na Schola Cantorum (1903-1905) e no Paris Conservatoire (1905-1907), e mudou-se para Berlin, onde encontrou Strauss e Busoni. Retornou para Paris (1913) e dois anos depois emigrou para New York (1915). Durante estes anos europeus foi aluno de Vincent d'Indy, Albert Roussel e Charles Widor e foi incentivado por Romain Rolland e Claude Debussy. Nos Estados Unidos fundou em Nova York (1921), a International Guild of Composers e, cinco anos depois, a Pan-American Association of Composers, entidades responsáveis pela apresentação de obras de compositores como Béla Bartók, Ravel, Webern e Poulenc. Com Amérique (1921), obra para sopros, cordas e percussão, rompeu com as influências do passado. Depois compôs, entre outras, Hyperprism (1923), Octandre (1923) e Arcana (1926). Esteve por alguns anos em Paris (1928-1933), período em que compôs a percussão para orquestra, Ionisation (1931). Após o surgimento das fitas magnéticas (1950), concentrou-se na música eletrônica e compôs Déserts (1950-1954), primeira obra em que se combinam sons naturais e organizados do mundo industrial. Depois apresentou, na Exposição Universal de Bruxelas, seu Poème électronique (1958), que utilizava 425 alto-falantes. Morreu em Nova York. in www.dec.ufcg.edu.br/biografias/EdgaVare.html

**** Sobre a música na segunda metade do século vinte:
www.geocities.com/franciscomonteir/musicanova.html






2007/12/07

Cimeira Europa – África

Ele (Salih Mahmoud Osman) diz que a situação no Darfur é pior do que imaginamos. Que as pessoas querem ser protegidas dos assassínios que se repetem todos os dias. Em Lisboa, em vésperas da cimeira UE-África, ele pede que a Europa lidere a força internacional para ajudar os refugiados a voltar para casa e salvar as suas vidas. Sem isso, o genocídio vai continuar. Ele sabe que a cimeira não pôs o Darfur no topo da agenda e está espantado com isso. in Público-P2, 7 Dezembro 2007


O primeiro-ministro britânico não estará presente - devido à nossa preocupação com a tragédia que se está a desenrolar no Zimbabwe, que afecta pessoas de todas as raças e que acreditamos ser culpa de Robert Mugabe. David Miliband e Douglas Alexander in Público, 7 Dezembro 2007, pag 54


O convidado

El invitado y sus muchachas





2007/12/06

Suicídio: relevante causa de morte em Portugal

Seis suicídios por dia!

... sendo esta uma das principais causas de morte no país, segundo dados da Aliança Europeia Contra a Depressão. Os últimos dados fidedignos sobre o suicídio são de 2002 e revelam que a média diária era de quatro casos. O psiquiatra Ricardo Gusmão, coordenador deste programa explicou que "a taxa de suicídio em Portugal está artificialmente reduzida, em menos 25 a 50%, por deficiência de registos de óbitos" in Global notícias, 6 de Dezembro de 2007, pag 5


Escandaloso!

O coordenador da Polícia Judiciária do Porto que, no início do mês passado, emitiu um mandado de detenção contra três indivíduos com longo cadastro por diversos crimes está a braços com um processo-crime por prisão ilegal e pode vir a ser acusado de sequestro. Os suspeitos são acusados de sovarem e atarem a um poste um indivíduo que depois tentaram imolar, tendo por fim roubado meia-dúzia de euros.

O caso é justificado por o novo Código de Processo Penal só prever detenções quando se verifica o perigo de fuga, que tem de ser devidamente fundamentado. Caso os arguidos afirmem que se apresentam voluntariamente à justiça, em dia a combinar posteriormente, há magistrados que entendem que as novas regras determinam que devem ser imediatamente soltos.

“Uma verdadeira anedota. Perguntamos ao suspeito se ele se apresenta e libertamo-lo. Depois ele foge e somos nós que temos de ir outra vez atrás dele?”, indaga um elemento da Polícia Judiciária, visivelmente indignado com a situação, que está a causar uma verdadeira onda de choque na PJ do Porto.
...
O perigo de fuga, fundamental agora para determinar a prisão de alguém, é subjectivo. A PJ muitas vezes tem em conta o carácter dos suspeitos, designadamente o cadastro e a probabilidade de serem condenados a elevadas penas de cadeia. Uma situação que agora parece dever ser ignorada já que, neste caso, um dos agressores, de etinia cigana, é muito conhecido pelo seu carácter conflituoso e por problemas com a justiça. Tinha antecedentes criminais por crimes contra o património, ofensas à integridade física e condução sem habilitação legal. Mas o MP entendeu que iria apresentar-se e libertou-o.
...
O Código de Processo Penal entrou em vigor a 15 de Setembro – e logo no dia a seguir a secção de homicídios sentiu os efeitos na prática: um homem disparou sobre a própria mulher, depois levou-a ao hospital e entregou o revólver à PSP de Belém, Lisboa. E, à luz da nova lei penal, era um homem livre. Bastou que se entregasse.
...
Quando a discussão estalou entre o casal, o marido pôs fim à conversa com um tiro na mulher. Por sorte, a bala só a atingiu num braço. O agressor apresentou-se à PSP com o revólver e, chamada uma brigada da PJ, os inspectores foram confrontados com a lei.

“Como se apresentou, tem de se partir do princípio de que não há perigo de fuga”. E nem um mês depois, na Ericeira, quatro homens foram corridos à facada por um grupo de três. Três recuperaram mas um rapaz de 22 anos morreu com um corte na barriga. Os três brasileiros fugiram mas dois dias depois atenderam o telemóvel à PJ. Apresentaram-se e – com a nova lei – voltaram para casa.
...
VIOLADOR CONTINUA SOLTO

Fábio, o rapaz de 17 anos que violou até à morte uma criança de seis, continua em liberdade. Foi condenado mas o novo código abriu portas à sua libertação enquanto correm os recursos.

RECURSOS AUMENTARAM

Nos tribunais superiores aumentaram os recursos pedindo a libertação de indivíduos por excesso de prazo de prisão. Outros pretendem que as leis já se aplicassem aos seus casos, o que aumentou a litigância.

REFORMA À PRESSA

A entrada em vigor dos novos códigos imediatamente após o Verão provocou grandes conflitos nos tribunais. Ninguém se entendia sobre a interpretação a dar a muitos artigos legais.

NOVOS ARTIGOS 256 E 257

Os artigos 256 e 257 do novo Código de Processo Penal são explícitos: não é permitida qualquer detenção à polícia fora de flagrante delito, a menos que seja provado o perigo de fuga dos suspeitos.

PINTO DA COSTA ANTECIPOU-SE

Pinto da Costa ‘antecipou’ as alterações ao Código de Processo Penal e processou o Estado por prisão ilegal. Alegou que não podia ser preso por se ter apresentado livremente às autoridades.

DETENÇÃO

A falta de entendimento entre os magistrados é clara. Muitos entendem que o perigo de fuga é abstracto, outros defendem que deve ser fundamentado de modo factual. Sem jurisprudência sobre o assunto, as polícias não sabem muito bem o que fazer. in www.correiodamanha.pt (2007-12-06 - 13:00:00)

Nota: e o caso do homem que denunciou os mafiosos da noite à PSP e acabou morto à bomba (jornal 24 Horas, 06-12-2007)? Uma bomba sofisticada... As máfias da noite estão instaladas na PSP? Portugal, mais de trinta anos e biliões de euros após ser admitido na UE, parece não ir pelo bom caminho... A UE passou de berço do "estado social" a terra das máfias. Basta olhar para países como a Bulgária e a Roménia* que agora recebem rios de dinheiro da União Europeia que só vão reforçar o "polvo" que tudo domina e controla naqueles países.

* Segundo o "Barómetro da corrupção global em 2007", da Transparency International, "Os países onde o suborno é mais frequente, com níveis acima dos 33%, são, entre outros, a Albânia, Camboja, Roménia, Senegal e Paquistão" (Global notícias, 7 Dezembro 2007, pag 03)







2007/12/05

Convencidos e mediocres

Os alunos portugueses de 15 anos são dos que mais valorizam a importância do conhecimento científico... são mesmo os que mais desejam seguir uma carreira nesta área. A maioria acredita que o seu desempenho é bom e que aprendem rapidamente, demonstrando uma atitude bem mais confiante que os seus colegas finlandeses, que lideram o ranking.

Mas na hora de mostrar as suas competências, só três países se saem pior - Grécia, Turquia e México.

Esta é uma das constatações do último relatório do PISA (Programme for International Student Assessment), o maior estudo internacional sobre as competências dos alunos de 15 anos...

E o país tem uma percentagem e dispersão de alunos com um baixo estatuto económico mais elevada que a média. "Tal como o México e a Turquia, estes países enfrentam um desafio maior para combater o impacto do contexto socioeconómico", lê-se no relatório.

República Checa, Eslováquia, Polónia ou Hungria têm um PIB per capita semelhante ou mesmo inferior e os resultados dos alunos são melhores.

No caso do custo por estudante, verifica-se, por exemplo, que a Eslováquia gasta menos de metade (do básico ao secundário) e os seus alunos têm desempenhos bem superiores aos colegas portugueses. in Público, 5 Dezembro 2007, pag 12

Os alunos portugueses de 15 anos têm resultados abaixo da média em Ciências, Leitura e Matemática, quando comparados com os colegas de mais 56 países.
...
Curioso é verificar que 38,8 por cento dos alunos portugueses pretende seguir carreira científica, o valor mais elevado na OCDE. in www.correiodamanha.pt (2007-12-05)


1300 versus 402+1252+322

O número de agressões, efectuadas ou tentadas, nas escolas portuguesas de ensino não superior, no ano lectivo de 2006/07. 1092 envolvendo alunos, 185 professores e 147 funcionários. Se acrescentarmos injúrias e calúnias, o número no que toca aos professores sobe para 402, alunos 1252 e funcionários 322. Supostamente 6% das escolas concentram todos os casos de violência... (fonte: dn.sapo.pt 04-12-2007)