2008/04/07

Sócrates em Inglaterra

José Sócrates visita a Inglaterra e vai jantar com a rainha.

Às tantas, pergunta:

- Vossa majestade, a senhora impressiona-me. Como pode estar sempre cercada de gente inteligente? Como é que a senhora faz?

Ela responde:

- É muito simples. Eu deixo-os sempre em alerta. Faço um teste de QI regularmente, só para ver se a inteligência deles ainda está bem viva.

Sócrates, surpreendido:

- E como é que a senhora faz isso?

A rainha concorda em mostrar um exemplo. Pega no telefone e liga ao Tony Blair:

- Bom dia, Tony. Tenho um pequeno teste para ti…

Tony, todo educado:

- Bom dia, Majestade. Tudo bem. Estou pronto para o teste. Pode perguntar.

- Muito bem, Tony. O teste é o seguinte:

“é filho do teu pai e da tua mãe, mas não é teu irmão nem tua irmã. Quem é?”

- Muito simples, Majestade. Sou eu mesmo…

- Bravo, Tony. Como sempre, inteligente. Até à próxima.

Sócrates fica impressionadíssimo. De volta a Portugal, decide pôr em prática a técnica que aprendeu com a rainha. Telefona à ministra da educação Maria de Lurdes Rodrigues e pergunta:

- Maria, é o Sócrates, companheira. Tenho aqui um pequeno teste de inteligência para ti.

- Tudo bem, pergunta.

- É o seguinte: é filho da tua mãe e do teu pai, mas não é teu irmão nem tua irmã. Quem é?

- Ah, Sócrates, eu não esperava um teste assim, de repente. Tenho que pensar alguns minutos. Telefono-te depois, ok?

- Sem problemas. Até logo.

Ela de seguida liga para o Cavaco Silva, já que ele tem fama de inteligente. Faz a mesma pergunta que lhe foi feita, ao que o Cavaco responde:

- Ora bolas Maria, sou eu mesmo, como é óbvio!…

- Muito bem, perfeito, Cavaco! Obrigado. E volta a ligar ao Sócrates:

- Sócrates, podes repetir a tua pergunta, por favor? Creio que tenho a resposta.

- Muito bem: é filho da tua mãe e do teu pai, mas não é teu irmão nem tua irmã. Quem é?

E a ministra da educação, vitoriosa:

- Simples!!! Ora bolas, é o Cavaco Silva!!!

- Não, estúpida!!! Tens que treinar mais!!! É o Tony Blair!!! in http://educar.wordpress.com (Abril 8, 2008, comentário 8 ao post "Despachando")

O Emplastro
BOYS and JOBS

ERSE – ENTIDADE REGULADORA DOS SERVIÇOS ENERGÉTICOS

Tutelado pelo Ministério da Economia, tem 63 colaboradores. O orçamento de 2008, é de 8,1 milhões de euros, e o Conselho de Administração é nomeado por um período de cinco anos, renovável uma vez. Tal como acontece na Anacom, o salário mensal do Presidente da Erse, Vitor Martins, é de 16.300,00 euros mensais. (Expresso 08/03/2008)

ANACOM – AUTORIDADE NACIONAL DE COMUNICAÇOES

Teve um orçamento de 60,7 milhões de euros em 2007, e emprega 400 pessoas.

Dedica-se à supervisão e fiscalização no terreno do sector das comunicações. É tutelado pelo ministério da obras públicas. O mandato do conselho de adminstração dura cinco anos, e não é renovável. O vencimento mensal bruto do Presidente, Amado da Silva, é de 16.300,00 euros mensais, equivalente ao vice-governador do Banco de Portugal.

COMISSÃO DO MERCADO DE VALORES MOBILIÁRIOS

São 163 os trabalhadores. A polícia da bolsa, é responsável pela supervisão e regulação dos emitentes, auditores, intermediários financeiros e fundos, tem um orçamento para 2008 de 19,8 milhões de euros. O Presidente, Carlos Tavares, teve um rendimento anual de 236,9 mil euros.

Rede Eléctrica Nacional

Recebi juntamente com o jornal que adquiro diariamente, um exemplar do Relatório e Contas - 2006 - da REN - Redes Energéticas Nacionais... que brevemente avaliei e com especial interesse... as remunerações dos membros do Conselho de Administração. Para o efeito (e os dados são publicitados como manda a Lei), de pg.s 127/8 podem retirar-se as seguintes conclusões:

1 Presidente Eng.º José Penedos (Partido Socialista)
4 Vogais (Vítor Baptista, Aníbal Santos, Henrique Gomes e Soares de Pinho)
Remunerações (anuais) do Presidente :
"Venc. base" 272 658
Plano comp. de reforma 45 443
Subs. alimentação 2 238
Desp. representação 8 529
Total geral = 328 868 (Euros)
Média mensal = 27 405 (Euros) «» 5 495 contos !
Remunerações (anuais ) de cada um dos 4 Vogais):
"Venc. base" 172 205
Plano comp. de reforma 28 701
Subs. alimentação 2 238
Desp. representação 8 529
Total geral = 211 673 (Euros)
Média mensal = 17 639 (Euros) «» 3 536 contos

Complementarmente...

"O Presidente e os Vogais têm direito à utilização de viatura da empresa, com um plafond de 75 mil euros e 65 mil euros, respectivamente, em relação ao qual não beneficiam do direito de opção de compra, nos termos da Resolução do Conselho de Ministros n.º 121/2005."

Presidente da Ren - vencimento anual = 328.868,00

4 vogais da administração = 211.673,00 x 4 = 846.692,00

TOTAL ANUAL = 1.175.560,00 EUROS

BANCO DE PORTUGAL

O Conselho de Administração do Banco de Portugal, composto por seis membros, que auferem salários anuais de 1,596 milhões de euros anuais (uma média de 266 mil euros por ano).

A este valor médio de 266.000,00 euros por ano, acresce: cartão de crédito para despesas de representação, telemóveis, viagens, carro topo de gama com motorista e segurança privada a tempo integral, etc, etc, etc. A estas benesses, acresce também o facto destes senhores, no fim do mandato no Banco de Portugal, terem "direito" a uma pensão de reforma integral (mesmo que só tenham passado 4 ou 5 anos no cargo).

Agora vamos aos nomes e salários:

Vitor Constâncio

Rendimentos em 2006 – 282.191,00 euros

José Agostinho Martins de Matos

Rendimentos em 2005 – 244.536,00 euros

Pedro Duarte Neves

Rendimentos em 2006 – 254.586,00 euros

Jose Silveira Godinho

Rendimentos em 2005 – 364.184,00 euros (Salário Administrador Banco de Portugal + pensão Banco de Portugal de 139.550,00 euros).

Manuel Sousa Sebastião

Rendimentos em 2006 – 226.081,00 euros

Vitor Manuel Pessoa

Rendimentos em 2006 – 225.240,00 euros (salario Salário Administrador Banco de Portugal + pensão de 30.101,00 euros )

Em comparação com outros países, temos que na América (EUA), o Presidente da Federal Reserve Board - Ben Shalom Bernanke, que tem formação académica na Universidade de Havard, Massachussets Institute de Stanford, New York University, Princeton Universit, entre outras, ganha 126.938,80 euros anuais.

Tutelado pelo Ministério das Finanças, o Banco de Portugal tem 1687 trabalhadores. O Banco de Portugal é responsável pela regulação e supervisão das instituições financeiras, e não divulgou o orçamento que teve em 2007, nem tampouco o que tem para 2008. Expresso 08/03/2008 (texto em e-mail enviado por um leitor, sem identificação da fonte, editado pelo autor do blog)


OS REFORMADOS DA POLÍTICA

* Fernando Nogueira, Ministro da Presidência, Justiça e Defesa (governos de Cavaco Silva) / agora - Presidente do BCP Angola.

* José de Oliveira e Costa, Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais (governos de Cavaco Silva) / agora - ex-Presidente do Banco Português de Negócios (BPN)

* Rui Machete, Ministro dos Assuntos Sociais / agora - Presidente do Conselho Superior do BPN + Presidente do Conselho Executivo da FLAD

* Armando Vara, Ministro adjunto do Primeiro Ministro / agora - Vice-Presidente do BCP, antes foi Administrador da CGD com 20.000,00 euros por mês.

* Paulo Teixeira Pinto, Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros (governos de Cavaco Silva) / ex-Presidente do BCP (Saiu com 10 milhões de indemnização e mais 35.000€ x 15 meses por ano até morrer…)

* António Vitorino, Ministro da Presidência e da Defesa / agora - Vice-Presidente da PT Internacional - Presidente da Assembleia Geral do Santander Totta (e ainda umas "patacas" como comentador RTP).

* Celeste Cardona, Ministra da Justiça / agora - Vogal do Conselho de Administração da CGD, com um salário mensal de 17.000,00 euros.

* José Silveira Godinho, Secretário de Estado das Finanças / agora - Administrador do BES.

* João de Deus Pinheiro, Ministro da Educação e Negócios Estrangeiros de Cavaco Silva / agora - Vogal do CA do Banco Privado Português (entre outros cargos e funções)

* Elias da Costa, Secretário de Estado da Construção e Habitação / agora - Vogal do CA do BES.

* Ferreira do Amaral, Ministro das Obras Públicas de Cavaco Silva (foi quem entregou todas as pontes a jusante de Vila Franca de Xira à Lusoponte) / agora - Presidente da Lusoponte, com quem se tem de renegociar o contrato da nova ponte sobre o Tejo.

* Manuela Ferreira Leite, Ministra da Economia / agora no Banco de Portugal. (idem)

Nota: esta lista está desactualizada. O Jornal de Negócios de 11 Abril de 2008 traz uma lista actualizada, na pag 6 e seguintes.

Por precaução e por causa dos milhares de manifestantes anti-China espalhados pelas ruas da capital francesa por onde a chama vai passar, a polícia decidiu guardar a tocha dentro de um autocarro.

Por momentos chegou a pensar-se que a chama tinha sido apagada, mas não acabou por ser. Minutos depois e à saída de um dos muitos túneis de Paris, a tocha já seguia nas mãos de um outro atleta, mas não foi por muito tempo. A tocha olímpica voltou a entrar para o autocarro.

Nas ruas de Paris estão mais de três mil polícias. Nos céus da cidade vários helicópteros acompanham todo o percurso bem como várias patrulhas no rio Sena. in www.tvi.iol.pt (2008-04-07 13:34)

Nota: segundo o Meia-Hora de 8 de Abril, a chama olímpica dos chineses - na sua passagem por Paris - foi apagada 3 vezes, antes de viajar em bus.

2008/04/06


Imagem de um governante português

Natural de Penamacor, Valter Lemos tem 51 anos, é casado e possui uma licenciatura em Biologia: até aqui nada a apontar. Os problemas surgem com o curriculum vitae subsequente. Suponho que ao abrigo do acordo que levou vários portugueses a especializarem-se em Ciências da Educação nos EUA, obteve o grau de mestre em Educação pela Boston University. A instituição não tem o prestígio da vizinha Harvard, mas adiante. O facto é ter Valter Lemos regressado com um diploma na "ciência" que, por esse mundo fora, tem liquidado as escolas. Foi professor do ensino secundário até se aperceber não ser a sala de aula o seu habitat natural, pelo que passou a formador de formadores, consultor de "projectos e missões do Ministério da Educação" e, entre 1985 e 1990, a professor adjunto da Escola Superior do Instituto Politécnico de Castelo Branco.

Em meados da década de 1990, a sua carreira disparou: hoje, ostenta o pomposo título de professor-coordenador, o que, não sendo doutorado, faz pensar que a elevação académica foi política ou administrativamente motivada; depois de eleito presidente do conselho científico da escola onde leccionava, em 1996 seria nomeado seu presidente, cargo que exerceu até 2005, data em que entrou para o Governo. Estava eu sossegadamente a ler o Despacho ministerial nº 11 529/2005, no Diário da República, quando notei uma curiosidade. Ao delegar poderes em Valter Lemos, o texto legal trata-o por "doutor", título que só pode ser atribuído a quem concluiu um doutoramento, coisa que não aparece mencionada no seu curriculum. Estranhei, como estranhei que a presidência de um politécnico pudesse ser ocupada por um não doutorado, mas não reputo estes factos importantes. Aquando da polémica sobre o título de engenheiro atribuído a José Sócrates, defendi que os títulos académicos nada diziam sobre a competência política: o que importa é saber se mentiram ou não.

Deixemos isto de lado, a fim de analisar a carreira política do sr. secretário de Estado. Em 2002 e 2005, foi eleito deputado à Assembleia da República, como independente, nas listas do Partido Socialista. Nunca lá pôs os pés, uma vez que a função de direcção de um politécnico é incompatível com a de representante da nação. A sua vida política limita-se, por conseguinte, à presidência de uma assembleia municipal (a de Castelo Branco) e à passagem, ao que parece tumultuosa, pela Câmara de Penamacor, onde terá sofrido o vexame de quase ter perdido o mandato de vereador por excesso de faltas injustificadas, o que só não aconteceu por o assunto ter sido resolvido pela promulgação de uma nova lei.
...
Chegada aqui, deparei-me com uma problema: como saber o que pensa do mundo este senhor? Depois de buscas por caves e esconsos, descobri um livro seu, O Critério do Sucesso: Técnicas de Avaliação da Aprendizagem. Publicado em 1986, teve seis edições, o que pressupõe ter sido o mesmo aconselhado como leitura em vários cursos de Ciências da Educação. Logo na primeira página, notei que S. Excia era um lírico. Eis a epígrafe escolhida: "Quem mais conhece melhor ama." Afirmava seguidamente que, após a sua experiência como formador de professores, descobrira que estes não davam a devida importância ao rigor na "medição" da aprendizagem. Daí que tivesse decidido determinar a forma correcta como o docente deveria julgar os estudantes. Qualquer regra de bom senso é abandonada, a fim de dar lugar a normas pseudocientíficas, expressas num quadrado encimado por termos como "skill cognitivos".

Navegando na maré pedagógica que tem avassalado as escolas, apresenta depois várias "grelhas de análise". Entre outras coisas, o docente teria de analisar se o aluno "interrompe o professor", se "não cumpre as tarefas em grupo" e se "ajuda os colegas".

Apenas para dar um gostinho da sua linguagem, eis o que diz no subcapítulo "Diferencialidade": "Após a aplicação do teste e da sua correcção deverá, sempre que possível, ser realizado um trabalho que designamos por análise de itens e que consiste em determinar o índice de discriminação, [sic para a vírgula] e o grau de dificuldade, bem como a análise dos erros e omissões dos alunos. Trata-se portanto, [sic de novo] de determinar as características de diferencialidade do teste." Na página seguinte, dá-nos a fórmula para o cálculo do tal "índice de dificuldade e o de discriminação de cada item". É ela a seguinte: Df= (M+P)/N em que Df significa grau de dificuldade, N o número total de alunos de ambos os grupos, M o número de alunos do grupo melhor que responderam erradamente e P o número de alunos do grupo pior que responderam erradamente.

O mais interessante vem no final, quando o actual secretário de Estado lamenta a existência de professores que criticam os programas como sendo grandes demais ou desadequados ao nível etário dos alunos. Na sua opinião, "tais afirmações escondem muitas vezes, [sic mais uma vez] verdades aparentemente óbvias e outras vezes "desculpas de mau pagador", sendo difícil apoiá-las ou contradizê-las por não existir avaliação de programas em Portugal". Para ele, a experiência dos milhares de professores que, por esse país fora, têm de aplicar, com esforço sobre-humano, os programas que o ministério inventa não tem importância.

Não contente com a desvalorização do trabalho dos docentes, S. Excia decide bater-lhes: "Em certas escolas, após o fim das actividades lectivas, ouvem-se, por vezes, os professores dizer que lhes foi marcado serviço de estatística. Isto é dito com ar de quem tem, contra a sua vontade, de ir desempenhar mais uma tarefa burocrática que nada lhe diz. Ora, tal trabalho, [sic de novo] não deve ser de modo nenhum somente um trabalho de estatística, mas sim um verdadeiro trabalho de investigação, usando a avaliação institucional e programática do ano findo." O sábio pedagógico-burocrático dixit.

O que sobressai deste arrazoado é a convicção de que os professores deveriam ser meros autómatos destinados a aplicar regras. Com responsáveis destes à frente do Ministério da Educação, não admira que, em Portugal, a taxa de insucesso escolar seja a mais elevada da Europa. Valter Lemos reúne o pior de três mundos: o universo dos pedagogos que, provindo das chamadas "ciências exactas", não têm uma ideia do que sejam as humanidades, o mundo totalitário criado pelas Ciências da Educação e a nomenklatura tecnocrática que rodeia o primeiro-ministro. Maria Filomena Mónica (em e-mail enviado por leitor sem indicação da fonte)



Londres, 06 Abr (Lusa) - A polícia inglesa deteve hoje 36 pessoas que tentaram perturbar a passagem da chama olímpica por Londres enquanto protestavam contra a alegada repressão no Tibete pela China, país anfitrião dos Jogos Olímpicos em 2008.

Um dos manifestantes mais audazes tentou apagar a chama, transportada desde a cidade grega de Atenas, com um extintor, tendo sido rapidamente impedido pela polícia.

Outro tentou arrancar a tocha da mão da apresentadora de televisão Konnie Huq e chegou a segurá-la durante alguns segundos, até ser arrastado e imobilizado para que a marcha continuasse.

Os incidentes registaram-se ao longo dos cerca de 48 kilómetros que a chama percorreu desde o estádio nacional de Wimbledon, no norte da cidade, à O2 Arena, no sul, onde chegou perto das 18:00 horas.

Milhares de manifestantes pró-tibete aproveitaram a ocasião para protestar contra a China, que organiza este ano os Jogos Olímpicos em Pequim, e a forma como lidou com os recentes tumultos na capital tibetana, Lassa.
...
Pelo menos dois mil polícias foram alocados para proteger a chama olímpica e os intervenientes duraste os 48 kilómetros do percurso, numa operação com um custo estimado em um milhão de libras (1,27 milhões de euros). Lusa, 2008-04-06 19:55:02


O ovo e a serpente

São as grandes e poderosas sociedades de advogados que tecem, em Portugal, as intrincadas teias da legislação. Assim, as leis mais relevantes, as que definem quem ganha as grandes fortunas, são concebidas fora do sistema legislativo, naqueles gabinetes. O Governo e o Parlamento limitam-se a subscrevê-las. A regulamentação da actividade financeira, do urbanismo e ordenamento do território, as concessões de pontes e auto-estradas, estão assim longe do controlo democrático.

A alegada complexidade de algumas áreas legislativas é o pretexto para a contratação de jurisconsultos e sociedades de advogados, constituídas por deputados, antigos, actuais e futuros membros do Governo. Em funções públicas, declaram-se incapazes, mas contratam-se a si mesmos, enquanto privados.

São assim requisitados serviços jurídicos a troco de centenas de milhar de euros, através de contratos que não são alvo de concurso ou controlo. O resultado são leis extensas, complexas e confusas. Desta forma, tais sociedades garantem e cativam o aliciante mercado dos pareceres jurídicos: ser-lhes-ão contratados ‘ad eternum’ esclarecimentos sobre as leis indecifráveis que eles próprios engendraram. Por último, vão ainda oferecer às empresas os seus préstimos; pois, melhor do que ninguém conhecem as lacunas da lei, que podem beneficiar os privados e os seus negócios. A serpente, o veneno e o antídoto saem todos do mesmo ovo.

Houve tempos em que os poderosos subornavam governantes para introduzir uma vírgula numa lei, como então denunciava a jornalista Sanches Osório. Ainda hoje há casos extremos em os governos recebem ordens directas das empresas sobre como legislar, como ocorreu com o Casino Lisboa. Mas, mais grave, é que de forma sistemática este tráfico de influências acabou institucionalizado por sociedades de advogados que confundem interesse público com os interesses particulares dos seus clientes.

Por cá, já não é ‘a ocasião que faz o ladrão’. É cada ladrão que faz a sua própria ocasião. Paulo Morais in Correio da Manhã, 06/04/2008


Corrupção?! Onde?

Para Jorge Coelho, como para muitos gestores e ex-políticos, a passagem do público para o privado é um acto natural. Do conjunto de administradores das empresas do PSI 20, 10% já passaram por um ou mais governos. Alguns, fizeram carreira na banca, passaram para o Governo e voltaram à banca, como fez Armando Vara na Caixa Geral de Depósitos e no BCP. Ao todo, metade das vinte maiores empresas nacionais têm administradores que ocuparam cargos no Executivo. Olhando para osvinte CEO, só cinco assumiram funções em governos liderados pelo PS e PSD.

É assim que o Diário Económico encara o assunto da transferência do participante no programa de tv, Quadratura do Círculo, para a actividade empresarial, tipo executivo de topo. CEO, como se usa agora dizer.

Há uns tempos atrás, João Cravinho, outro socialista que abandonou o Parlamento e a intervenção política directa, passando para uma instituição financeira internacional e pública, por designação governamental, disse que o core business, da corrupção, em Portugal , residia mesmo no coração do Estado.

Um ex-Secretário de Estado deste governo, Amaral Tomás, avançou um pouco mais. Afirmou que algumas das mil maiores empresas, praticavam activamente o desporto nacional de fuga aos impostos, com a maior das naturalidades.

Ainda segundo o Diário Económico:

“ Contactados pelo Diário Económico, Pina Moura (antigo ministro das Finanças e actual presidente da Média Capital e da Iberdrola) e Manuela Ferreira Leite (administradora do Santander e também ex-ministra das Finanças) recusam-se a falar sobre o tema."

Vejamos o caso singular da... Cimpor, segundo aquele jornal:

“A Cimpor é um caso paradigmático. “A maioria do conselho de administração da Cimpor passou pelo Governo, mas não me recordo de todos”, conta fonte oficial da empresa, que sublinha o facto de esta ter pertencido ao Estado: “Os membros eram todos nomeados.” No fundo, é tudo uma questão de “elasticidade”, segundo um destacado empresário que ocupou cargos políticos. “

E outro ainda: Luís Filipe Pereira, o ex-governante de Cavaco Silva ( não temos salvação alguma):
“Quando criei os hospitais SA, tive uma preocupação com a gestão dos recursos”, diz Luís Filipe Pereira, que garante ter sido melhor ministro da Saúde (nos Governos de Durão Barroso e Santana Lopes) precisamente pelos vários anos de experiência que tinha como gestor. “Tive muitas propostas quando sai do ministério”, diz.

Os adubos da Quimigal e os choques eléctricos da EDP, deram-lhe o arcaboiço intelectualmente necessário para governar e agora para administrar a Efacec, depois de ter passado pela CUF e de ter administrado coisa na Saúde pública. Com muitos milhões de permeio, enterrados no sistema.

Dir-se-á: são os melhores! A nossa elite. A vida das empresas e dos negócios é assim mesmo.

É mesmo assim?! Então fiquemos por este pequeno apontamento do próprio Mira Amaral, sobre alguns destes génios das lâmpadas da fortuna:

“Falou Mira Amaral: “O Paulo Teixeira Pinto quando chegou ao Governo nem sabia o que era um banco e o Pina Moura o que era energia”, lembra o ex-ministro do Trabalho, que quando foi convidado por Cavaco Silva para ganhar 600 contos no Governo, em 1985, recusou o dobro que uma empresa privada lhe oferecia. “
Numa entrevista de época, Mira Amaral, perguntado que carro gostaria de ter um dia, respondeu candidamente: Um Mercedes 200 kompressor. Era então governante. Hoje, deve ter ultrapassado o seu então proclamado standard do luxo automobilístico, com toda a certeza.

As minhas perguntas continuam a ser as mesmas, tendo em conta que este panorama é o retrato mais perfeito que podemos ter de quem nos governa e das elites que os escolhem, nos últimos trinta anos:

Antes do 25 de Abril de 1974 era pior do que isto? Não? Então para que serviu a Revolução?

Para fazermos um país de bananas? Ou de laranjas, no caso, com algumas rosas de permeio?

Porca miseria.

Não entendem que é precisamente por causa disto que aí fica descrito que estamos atrás de todos, na Europa? Que somos um país submergente em vias de nos cruzarmos com os emergentes, na descida aos infernos da desgraça colectiva? in grandelojadoqueijolimiano.blogspot.com (Abril 03, 2008, 18:20)

2008/04/05

Eduqueses surrealistas - 1

Ano lectivo 2003/04, Escola EB23 nº 1 de Telheiras, teste de inglês. Aluno faz desenho "peculiar" e escreve "Fock you!". Professora faz participação. Pai do aluno é convocado. Trata-se de um jornalista, docente na Escola Superior de Jornalismo. O paizinho ouve, olha o teste do filhinho e diz da sua sábia justiça: existem aqui duas incorrecções por parte da professora. 1ª: ao mostrar o teste à Comissão Executiva da Escola violou a privacidade do meu filho. 2ª: a professora não corrigiu o erro de escrita (Fuck you!).

Não é anedota. Melhor: em qualquer parte do mundo civilizado ou pouco civilizado seria uma anedota. Em Portugal foi uma realidade, embora não deixe de ser uma anedota... O que demonstra que, por vezes, os portugueses "não são de outro país mas de outro planeta" (quem tornou esta frase famosa foi quem inventou o termo "comedor de sardinhas").

2008/04/02


Violências colectivistas de uma ministra

Há uma fase da vida da ministra que todos gostariamos de conhecer melhor, os seu tempos de “voluntariado”, em Moçambique, nos primeiros tempos da independência. É que a ministra participou, como conselheira, numa das maiores violências colectivistas praticadas contra o povo moçambicano, sob a batuta da então ultra marxista Frelimo.

O conhecimento dessa fase da sua vida explicaria, certamente, muito daquilo que é o seu actual comportamento: insensibilidade social, centralismo, espírito de vanguarda iluminada, arrogância, prepotência... (nos comentários ao post "A Sábado Em Busca De Uma Juventude Perdida", 3 de Abril, in educar.wordpress.com)


Filosofia do eduquês

"... A vida é hoje cada vez mais multifuncional. Ao mesmo tempo vemos televisão, lemos, escrevemos, jogamos e falamos! É isso que os jovens estudantes fazem...
A escola é cada vez mais isso nos intervalos... mas não tem ainda condições para ser isso nos periodos formais das aulas..." Acção Socialista (18 de Março), citada por Santana Castilho in Público, 2 Abril 2008, pag 45 (sublinhado nosso)


Outros valores

... o excesso de tolerância na educação das crianças e dos jovens transforma-os precisamente em indivíduos pouco tolerantes.
...
Existem outros valores que devem ser ensinados e transmitidos aos nossos jovens. Mas, infelizmente, vivemos cada vez mais numa sociedade light, na qual vinga a cultura da superficialidade, a procura do prazer imediato e o individualismo. Pedro Afonso (psiquiatra) idem pag 46

2008/03/31

A música do eduquês

Os professores generalistas para o primeiro ciclo do ensino básico podem inscrever-se no Mestrado em Ensino de Educação Musical no Ensino Básico e passarão, num ano e meio, a professores de música. Se tivermos em conta que os rudimentos musicais aprendidos durante os anos do curso para professores do 1º ciclo não podem ser considerados mais que umas "coisitas" e se olharmos para o plano do mestrado que abaixo transcrevemos, ficamos esclarecidos sobre a qualidade dos profs de música que saem das ESE's e departamentos universitários que formam professores para ensinar Ed. Musical aos alunos do 2º ciclo. Sem falar naqueles que, por obra e graça de amigos coordenadores de departamentos universitários, ficaram a dar aulas de música, em universidades públicas, aos cursos de formação de educadores de infância e professores para o ensino básico...

Mestrado em Ensino de Educação Musical no Ensino Básico

Autorizado em 25 de Fevereiro 2008, por despacho do Ministro da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior.

Número de créditos necessário à obtenção do grau: 90 ECTS.
Duração normal do ciclo de estudos: três semestres.

Áreas científicas e créditos que devem ser reunidos para a obtenção do grau:

Área científica Sigla Créditos
Didácticas Específicas DID 23
Formação Educacional Geral FEG 23
Formação na Área da Docência FAD 8
Iniciação à Prática Profissional IPP 36
Total 90

Assim não nos espantemos que apareçam pérolas destas:

Ouve a BARDINERIE de J. S. Bach...

Que tipo de orquestra executa esta obra musical? (ligeira ou de câmara)

Do Exame (Nacional) de Equivalência à Frequência de Educação Musical - 2º Ciclo do Ensino Básico - 2006 (1ª Chamada)

2008/03/29

2008/03/28

Não comprem produtos chineses!




Verificar sempre o Made in...

Grandes marcas ocidentais fabricam na China devido ao preço irrisório da mão-de-obra

Pequim, 26 Mar (Lusa) - A China, confrontada com maiores pressões internacionais à medida que se aproximam os Jogos Olímpicos em Pequim, acusou hoje a imprensa ocidental de deformar a realidade no Tibete, criticando os países que aceitarem receber o Dalai Lama.
...
Confrontado com as críticas dos defensores dos direitos humanos sobre uma ausência de combatividade face a Pequim, Sarkozy não afastou terça-feira um boicote à cerimónia de abertura dos Jogos, a 08 de Agosto, para protestar contra a repressão no Tibete.

O porta-voz chinês advertiu ainda contra qualquer recepção oficial do Dalai Lama por Paris ou outras capitais.

"O governo chinês opõe-se firmemente a qualquer forma de contacto oficial com o Dalai Lama, seja de que país for", disse Qin, em reacção a declarações da secretária de Estado francesa para os Direitos Humanos, Rama Yade, que se declarou pronta a receber o chefe espiritual tibetano.
...
Hoje, Pequim indicou que mais de 600 pessoas se entregaram à polícia depois dos sangrentos tumultos de Lassa e dos confrontos nas regiões vizinhas do Tibete. As autoridades referiram 20 mortos, 18 civis "inocentes" e dois polícias.

O presidente do Parlamento tibetano no exílio Karma Chophel afirmou que os motins no Tibete fizeram pelo menos 135 mortos e mil feridos, e que cerca de 400 pessoas foram detidas desde 10 de Março. in ww1.rtp.pt/noticias (27 de Março 2008)


Motoristas ao nível de dirigentes

Os motoristas ao serviço da Secretaria-Geral da Presidência do Conselho de Ministros têm uma remuneração mensal três vezes superior ao respectivo vencimento base, auferindo mesmo salários equiparados aos do pessoal dirigente da Administração Pública. O que significa que a maioria dos sessenta motoristas ao serviço da Presidência do Conselho de Ministros recebe cerca de dois mil euros líquidos.

O relatório da comissão técnica do Programa de Reestruturação da Administração Central do Estado (PRACE) revela que esta situação é de 'difícil gestão', pelo que a prazo terá de ser ultrapassada através da 'não substituição dos que se aposentarem' ou pela 'não renovação das requisições de pessoal de outros quadros'.
O documento precisa que em relação aos veículos usados pela Secretaria-Geral, gabinetes governamentais e outras entidades integradas na Presidência do Conselho de Ministros a frota tem um custo anual de manutenção de quase meio milhão de euros. Com uma idade média de 6,5 anos, os 118 automóveis afectos aos gabinetes governamentais encontram-se em tal estado de degradação que são 'inadequados para os fins a que se destinam'.
Por isso, a eventual substituição da frota automóvel, como sugere o relatório, terá sempre de ser feita de modo gradual, de forma não contribuir para a despesa pública.
Desde 2002 que a gestão da manutenção da frota é efectuada por um prestador externo de serviços que representa um custo adicional de 9813 euros por ano, facto que é alvo de críticas.
A Secretaria-Geral garante que esta gestão é eficiente e com menores custos. O relatório apresenta dúvidas e assegura que esta situação 'não se poderá manter por muito tempo.'

322 MIL EUROS EM RENDAS

O PRACE avaliou a gestão do património imobiliário à guarda da Secretaria-Geral da Presidência do Conselho de Ministros (SG PCM) e especifica que o valor das rendas pago em 2005 rondou 22 mil euros. A SG PCM opera em seis edifícios que são propriedade do Estado, sendo que os restante 12 locais de trabalho pagam uma renda cujos valores variam de caso para caso.
A renda mais cara é paga pela 1.ª Delegação da Direcção-Geral do Orçamento: 6309 euros por mês. A própria Secretaria-Geral, na Av. Infante Santo, em Lisboa, paga quatro mil euros por um rés-do-chão.
O relatório diz que a SG PCM não dispõe de pessoas com a experiência necessária para fazer uma gestão adequada de todo este património, pelo que recomenda um reforço técnico e qualificado de pessoal. Pedro H. Gonçalves in http://ocartel.blogspot.com (Março 24, 2008)

2008/03/26

A Casa de Sócrates

A Casa de Sócrates no registo predial, não passa de um simples apartamento.

Na verdade trata-se de uma casa senhorial no coração de Lisboa. São cinco assoalhadas dum 3º andar no edifício Heron Castilho. Tem 150 metros quadrados, avaliados em 800.000 euros, que custaram em Fevereiro de 1996, 240.000 euros.

Antes vivia num modesto apartamento T2 na calçada Eng. Miguel Pais, em São Bento. Na garagem tem um Mercedes C230. Longe vão os tempos em que conduzia um modesto Rover 111.

Além disto frequenta restaurantes caros e usa fatos de marca. Como pode Sócrates viver como um homem rico, com 82 mil euros brutos (57 mil líquidos) que declarou ao Tribunal Constitucional ganhar por ano? Diz não ter rendimentos de quaisquer empresas, acções ou planos de poupança. O único património que diz ter é o carro, a casa e ordenado.

Esqueceu-se de dizer que foi sócio da Sovenco? Sociedade de Venda de Combustíveis Lda., com sede na Reboleira, Amadora, em que está registado na matrícula da sociedade. No seu site, Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, não consta este pormenor.

Segundo fontes, o Ministério Público está a investigar os investimentos governamentais efectuados nas áreas do tratamento de resíduos urbanos, e a sua relação com o financiamento de actividades partidárias, durante o período em que José Sócrates exerceu funções governativas (Ministro do Ambiente de António Guterres).

Uma das principais dúvidas recai sobre o processo de adjudicação do concurso para o sistema da recolha e tratamento de resíduos do Planalto Beirão.

A Sovenco, criada em 1990, era uma Sociedade de Venda de Combustíveis. A sua constituição: Armando Vara, Fátima Felgueiras, José Sócrates, Virgílio de Sousa.

Sócrates finge, agora, não se lembrar dessa sociedade que fez. E porque se tenta ele esquecer?

Porque:

Armando Vara - condenado a 4 anos de prisão (pena suspensa); no entanto recebeu o prémio do amigo José Sócrates, e agora é ADMINISTRADOR DA CAIXA GERAL DE DEPÓSITOS, com 20.000,00 euros por mês, mais extras.

Fátima Felgueiras - andou foragida da Justiça no Brasil dois anos; HOJE É ELEITA PRESIDENTE DE CAMARA DE FELGUEIRAS, e tem imunidade parlamentar.

Virgílio de Sousa - condenado a prisão por um processo de corrupção no Centro de Exames de Condução de Tábua.

Compreende-se que Sócrates não se queira lembrar. Que "ricos" amigos, hein?...Como é mesmo aquele provérbio?...

"Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és!"

Sócrates já não se lembra... Convém que o pessoal não se esqueça!!! (texto enviado por leitor identificado - imagem extraída de http://ferroadas2.blogspot.com)


O homem da pasta

Sou professora há 35 anos e tenho uma colega na escola que foi colega de curso do Valter Lemos em Biologia. Logo que ele entrou para o governo, a referida colega comentou que "tínhamos um belo Secretàrio de Estado. Foi meu colega na Faculdade de Ciências e passou o curso todo a copiar nos exames. Era conhecido como o "homem da pasta", pois tamanhas eram as cábulas.... "
Aos 20/23 anos já se é adulto ( digo eu...) e os traços de carácter já lá estão!!!!!!
Quanto ao Politécnico de Castelo Branco, nem vale a pena acrescentar mais... Eu vi uma reportagem num dos canais generalistas, há uns tempos, em que uma Prof. do referido Politécnico se dizia vítima das arbitrariedades e ilegalidades desse senhor. Foi preterida em concurso a favor de uma "amiguinha" muito menos qualificada, pelo que tinha posto uma acção em Tribunal contra o EXCELSO /COMPETENTE/ HIPERACTIVO PLANTADOR DE UNIVERSIDADES que dá pelo nome de Valter Lemos.
Claro está que a dita professora pode esperar sentada o desfecho da acção... Como sempre, em Portugal, sempre que a acção é contra um "poderoso" o povo pode esperar... (em email de leitora identificada)


Lemos perdeu mandato

Valter Lemos insistiu que a perda de mandato por excesso de faltas implicaria a existência nos arquivos camarários de um processo de que nunca foi alvo. O secretário de Estado reafirma que suspendeu o mandato de vereador "devido ao acréscimo significativo de trabalho" no Instituto Politécnico de Castelo Branco, onde leccionava. Garantindo que "não deu nenhuma falta injustificada", classificou as acusações de Francisco Louçã e da Fenprof como uma "tentativa de assassinato de carácter" e "baixa política".

BE insiste na demissão

O BE insiste Valter Lemos "não tem capacidade para se manter" no Governo. Ao JN, Fernando Rosas argumentou que o secretário de Estado da Educação se colocou "numa situação muito embaraçosa", ontem, ao constatar-se que "mentiu" por duas vezes desde que a polémica rebentou. Primeiro, quando afirmou "que nunca tinha faltado", depois ao garantir que "não há nenhum documento camarário" que comprove a perda de mandato. A acta da reunião de Câmara existe, "o que não há é um processo" porque a decisão da vereação foi anulada por se basear numa lei que já não estava em vigor, explicou o deputado. Ou seja, concluiu, Valter Lemos "refugiou-se num subterfúgio" processual para apagar as faltas que, efectivamente, deu.

"É uma personalidade política inquietante mente e quando é apanhado refugia-se num subterfúgio", insistiu o dirigente do BE.

Confirmada a perda de mandato

O presidente da Câmara de Penamacor confirmou, ontem, por comunicado enviado à Lusa, a perda de mandato por Válter Lemos aprovada, em 1993, numa reunião camarária. O problema, especificou o autarca eleito pelas listas do PS, Domingos Torrão, em defesa do secretário de Estado, é que essa decisão foi anulada, porque se baseava numa lei de 1984, alterada cinco anos depois. Por isso, nunca chegou a ser instituído processo a Válter Lemos. Segundo a nota de Imprensa, da acta da reunião camarária de 7 de Dezembro de 1993, cinco dias antes das autárquicas, consta que Valter lemos "ficou abrangido" pelos termos constantes da Lei nº 100/84, tendo o executivo "declarado a perda de mandato". in jn.sapo.pt/2005/11/24/politica/


António Pinto de Sousa

É o novo responsável pelo gabinete de comunicação e imagem do IDT (Instituto da Droga e Toxicodependência).

Tem competência atribuída , para empossar quem quiser, independentemente da sua qualificação académica e profissional, para os cargos dirigentes do Instituto, contrariando os próprios estatutos do IDT.

ahahah... que já me esquecia de dizer:

é irmão de José Sócrates. (em e-mail de leitor identificado)



2008/03/25

UTAD: Universidade pública em família



Serafim Rodrigues de Albuquerque in "A Podridão" (ed. do autor)

2008/03/22

O regresso do cacete

Ségolène Royal - que a estupidez e o machismo de alguns franceses preteriu a favor do actual presidente/show-man - não teve problemas em preconizar o enquadramento militar dos jovens violentos. Eu diria mais: todos os violentos (violência não é só agressão física) têm de ser monitorados, e os violentos que recebem subsídios e outras prestações sociais deveriam ser obrigados a desempenhar um serviço cívico que poderia ser tutelado pelos militares. Charles Melman - psicanalista histórico fundador do "movimento" psicanalítico ao qual me encontro ligado - ironizou com esta faceta de Ségolène num editorial que esteve online no site do "movimento", editorial que tinha o título deste post. Permito-me discordar e dizer que Ségolène estava correcta. Sabemos bem que se não existir uma "castração" adequada desenvolvem-se indivíduos perversos. Não percebo por isso qual o espanto se alguns jovens - provavelmente uma percentagem ínfima - forem enquadrados militarmente, onde receberão uma educação melhor que aquela oferecida pelos pais e a escola. Dada a sua especificidade como educandos...

Os "especialistas da educação" criaram case studies em Portugal. Não me refiro à agora famosa portuguesa, de 15 anos, que há dias tratou mal uma professora idosa e franzina, tornando-se assim uma vedeta - portuguesa concerteza - da internet. Refiro-me aos mais velhos, na casa dos 30/40 anos, que são puros parasitas e vivem à custa de familiares que maltratam (dos pais ou das esposas pois mais ninguém está para os aturar). Existem muitos, demasiados para um país pequeno, que são fruto da pedagogia de pacotilha que vigora há demasiado tempo em Portugal. Deveriam ser enviados para as casas dos "pedagogos" que teorizaram e criaram o "sistema educativo" português, porque são eles os verdadeiros pais desses infelizes crápulas que são simultaneamente vítimas de um "sistema" que não os soube educar para o trabalho e para o respeito pelos outros. E nem falo dos "novos criminosos". Dos que com vinte e tais anos, e menos, cometem crimes sistemáticos e violentos. Porque esses são a prova cabal da total falência e do escandaloso bluff que é o "sistema educativo" dos "pedagogos" e "especialistas da educação". Sobre os crimes só tenho uma coisa a dizer: no início da era pós-socrática (é que sou licenciado em Filosofia...) uma das primeiras medidas terá de ser a alteração do novo Código Penal. Do absurdo Código Penal que este governo impôs ao país. A idade para imputabilidade da responsabilidade criminal tem de baixar e o peso das penas tem de aumentar. Entre outras coisas.

Agora trata-se do Estado, dos cidadãos informados, dos cidadãos que pagam impostos e intervêm honestamente na vida do país, serem capazes de responsabilizar os verdadeiros culpados por este estado de coisas. Na crónica de hoje (22 de Março) na última página do jornal "Público", Vasco Pulido Valente chamou os bois pelos nomes. Este governo que está no poder com maioria absuluta há três anos é responsável pelo agravamento das situações de indisciplina nas escolas, que não são residuais ao contrário daquilo que a ministra da educação e respectivos secretários dizem. Muitos casos são escondidos da própria "comunidade educativa" e os casos mais graves não são conhecidos do público. Como, por exemplo, o daquele aluno que pontapeou uma professora grávida causando-lhe um aborto. Porque a professora se recusou a ajudá-lo num teste escrito para avaliação! Aconteceu há anos numa escola de Lisboa e parece que o aluno foi suspenso 10 dias mas continuou na mesma escola pelo menos até ao final do ano lectivo! Será isto normal? Será isto aceitável? Este seria um caso para o tal enquadramento militar proposto por Ségolène Royal e todos sabemos que há mais. É necessário acabar com esta farsa que vai matar o país. É necessário acabar com a farsa do actual Ministério da Educação que dá verbas absurdas à confederação de pais que o apoia. Os professores só podem ser avaliados quando tiverem condições dignas para o exercício da sua profissão. Sem insultos, sem mêdos, sem agressões, sem indisciplina. É necessário que o país tenha a coragem, e a capacidade, de pedir contas a quem realmente tem contas a prestar, como muito bem diz VPV na referida crónica. Acabe-se de vez com a hipocrisia e com o teatrito de andarem a arranjar bodes espiatórios para crucificação pública - não são os professores os principais responsáveis pelo estado a que chegou o ensino básico em Portugal (mas não estão isentos de responsabilidades pois muitos professores e membros das direcções das escolas têm sido veículos do "eduquês" que destruiu o país) - porque senão é Portugal que acaba. E se acabar vai acabar mal. Pior do que imaginam.* AST

* os sindicatos dos trabalhadores espanhóis acusam os portugueses (que são muitos milhares a ocupar empregos pouco qualificados em Espanha) de fazerem concorrência desleal ao trabalharem mais horas por menos dinheiro. Não pensem os portugueses que andam a maltratar os professores que vão encontrar a salvação em Espanha, ou onde quer que seja, porque não vão.

* Consulado diz nada ter a ver com o problema. Três portugueses enganados por um patrão holandês estão naquele país sem casa, comida nem dinheiro e acusam o Consulado de Portugal em Roterdão de os maltratar e deixá-los ao abandono... Sem casa e sem dinheiro, os portugueses conseguem comida graças a uma cabo-verdiana que tem um café e lhes dá umas "sandes e uns sumos". in publico.pt (23.03.2008 - 16h34 Lusa). Nota do Editor: e são trabalhadores especializados! "A história deste português de 29 anos, um serralheiro-tubista que em Portugal fazia tubagens para navios, começou há um mês quando foi contactado para ir com urgência para a Holanda." idem. Que será de alunos como os do "9ºC em grande"? Alguém os quererá como trabalhadores, funcionários, ou mesmo figurantes de novelas rascas? A pergunta poderá ser formulada de outra maneira: servirão esses portugueses do "9ºC em grande", e outros similares, para alguma coisa?


Batemos no fundo

Governantes, pais e professores saem muito mal do "filme" da sala de aula do Carolina Michaelis. Um a aluna aos gritos, batendo na professora e tratando-a a por tu, uma turma inteira satisfeita e gozando com a desordem e com a incapacidade da professora - "a velha" - , tudo isto é um retrato mau do estado a que deixamos chegar a situação.

Os pais acomodam-se com o recibo da propina que pagam à escola, como se a sua responsabilidade acabasse aí. Os filhos são entregues à escola, onde entram e saem com ligeiras e rápidas passagens por casa, para comer e dormir. Casas onde não se discute problema nenhum e nada se questiona. Casas onde muitas vezes nem tempo há para se falar, conversar.

Nas escolas, as regras são o que se sabe. Seriam assim tão maus os tempos em que os alunos se levantavam quando o professor entrava na sala? Seria assim tão penoso o silêncio que se fazia enquanto o professor falava? Seria assim tão pouco natural que um aluno fosse posto fora da aula se estivesse a perturbar os colegas e o professor? Seria assim tão fora do senso comum que um estudante que não tivesse aproveitamento fosse obrigado a repetir o ano?

Porque mudaram as leis, porque deixámos as coisas cair neste "deixa andar"?

O 25 de Abril, que nos trouxe a liberdade, levou, nos tempos revolucionários, regras que eram boas mas que voaram com o lixo fascista. Os tempos revolucionários passaram, vieram tempos democráticos, ministros de todos os partidos e o edifício escolar nunca se compôs, nunca foi capaz de responder aos desafios da democracia.

O filme vergonhoso do Carolina, que infelizmente não é nem caso isolado nem o mais grave, deve encher-nos a todos de tristeza. Pura e simplesmente somos uma sociedade que não sabe educar os seus filhos, que não tem nem valores nem referências para lhes dar. Batemos no fundo. E enquanto não conseguirmos restaurar a autoridade na escola, não sairemos da cepa torta. José Leite Pereira in Jornal de Notícias (23 Março 2008)


Pais indulgentes potenciam o bullying nas escolas

Os jornais ingleses The Guardian e The Daily Telegraph publicaram, ontem, a propósito da relação entre o bullying e pais indulgentes, as conclusões de um estudo encomendado pelo Sindicato Nacional de Professores (National Union of Teachers), que merece a nossa reflexão:

O mau comportamento nas escolas é alimentado por pais "super indulgentes" que não sabem dizer não aos seus filhos, de acordo com os estudos. Os professores estão a lidar com um "pequeno mas significativo" número de alunos que fazem birras na aula quando a sua vontade não é satisfeita, ficam exaustos porque se deitam tarde e têm pais "beligerantes" que tomam o partido dos filhos contra os professores.
"Estes pais, eles próprios sob pressão social e muitas vezes incapazes de lidar com o comportamento dos filhos, podem ser muito agressivos, por vezes recorrem à violência para proteger os interesses dos filhos." Os professores descreveram pais "altamente permissivos que permitem tudo para não se aborrecerem e que não recorrem a sanções ou incentivos." in http://ramiromarques.blogspot.com (23 de Março de 2008)


Toca a rir pessoal, que a galhofa faz bem à alma lusa

Quer-se que a Escola recupere um atraso centenar como um milagre de alminhas. Basta lembrar que em 1910 cerca de 80% da população era analfabeta (taxa maior de escolaridade tinham os netos dos antigos escravos americanos) e que à beira do 25 de Abril de 1974, esta percentagem atingia ainda os 35%. Também na entrada da revolução dos cravos o número de licenciados ficava-se pelos míseros 4%, enquanto a França contava com 40%. Sociedade, cultura e mentalidade não se alavancam de um momento para o outro, daí a demagogia feroz das comparações. Então comparemos a estatura dos nossos políticos, com a dos seus homólogos franceses, alemães e até espanhóis e toca a rir pessoal, que a galhofa faz bem à alma lusa.

É certo que os professores não estão isentos de culpas. Aceitaram e até embarcaram nas ridículas modas pedagógicas, não questionaram firme e publicamente o desvario disciplinar, o severo e preocupante desajustamento curricular, a absurda hora lectiva. Resignaram-se em demasia, vencidos pela hierarquia ou pela comodidade de não fazer mais ondas, quando o mar encapelado já torna tão difícil a vida da tripulação. António Maduro in www.tintafresca.net (edição nº 89)


Portugal pode-se dar ao luxo de perder os imigrantes que possuem qualificações?!

Imigração. A taxa de desemprego em Portugal está a levar os imigrantes de Leste a sair do País. São sobretudo ucranianos que o fazem, a maior comunidade originária desta zona . Por outro lado, os que conseguem estabilidade já trazem a família
O dia-a-dia de Maria Didych é feito a pensar no que vai deixar para trás em Portugal. Os amigos, o mar, a comida... é o que lhe irá fazer mais falta na Ucrânia, para onde regressará em Julho. Mas também parte com uma enorme frustração, a de não ter conseguido o reconhecimento das habilitações: uma licenciatura em biologia, a base da sua formação enquanto analista. "Os meus filhos sempre me pediram para regressar. Viam-me com uma bata branca e agora vêem-me com uma esfregona. Não gostam!" in dn.pt (23 Março 2008)


Et OUI!

1. Sabem em que consiste a "manutenção" do site do ministério da justiça? Não? Ok! Eu esclareço: trata-se de actualizar conteúdos, um trabalho que provavelmente muitos dos v/ filhos fazem lá na escola ou em casa "com uma perna às costas". Por falar em "costas" acham que o ministro Costa recorreu ao OTL e pediu um puto qualquer para tratar do assunto? Não! Trata-se de uma tarefa altamente técnica que justifica uma remuneração de 3.254,00 euros mais o subsídio de almoço, claro!!!

2. E sabem quem tem o perfil adequado a essa extremamente especializada função? Não? Ok! Eu esclareço. Trata-se de Susana Isabel Costa Dutra. Susana Isabel Costa Dutra, é (por um acaso daqueles que só acontecem... em Portugal!) filha do ministro Alberto Costa. Et OUI! (e-mail de leitor identificado)

2008/03/21



A professora não apresentou queixa. Não vale o incómodo...

O vídeo "altamente" abriu os telejornais das televisões privadas. Informaram que a professora não apresentou queixa. Por certo para não ser duplamente enxovalhada. "Os da educação" interrogá-la-iam "de pé atrás", chamar-lhe-iam talvez "resistente à mudança" e outras coisas em eduquês perfeito. Sei que não vem a propósito, mas lembrei-me do caso de Felizberta no fundo do poço, assassinada por jovens "irreverentes". Dá volta ao estômago. in www.didacticadoportugues.blogspot.com (20 de Março de 2008)


Professores contratados coagidos a assinar

Acabei de saber por uma colega indignada que hoje, na sua escola – do concelho de Sintra, foi chamada ao CE, assim como os seus colegas contratados, tendo-lhes sido comunicado que segundo recentes directivas do ME, iriam ser avaliados e que para dar início ao processo, deveriam antes redigir um documento no qual teriam de dizer expressamente "quero" ser avaliado.
Como é óbvio, os colegas nem queriam acreditar e lá foram argumentando como puderam mas nada... Ordens da tutela às quais temos de obedecer!
Se pensarmos que estamos em período de interrupção escolar e que os professores tem menos capacidade de se juntarem e de discutirem, só nos podemos indignar e denunciar!. A Sra. Ministra vai poder anunciar à comunicação social que o processo de avaliação decorre com toda a normalidade e que até foram os professores que a pediram. Eles estão a sair do armário. in http://ramiromarques.blogspot.com (18 de Março de 2008, 16:31)


Bullying

O bullying não resulta do insucesso, mas da falta de civismo, de regras e de respeito pelos outros.

Os acidentes por excesso de velocidade não acontecem por causa das pessoas estarem atrasadas e existirem outros carros no caminho, mas por não respeitarem as regras de trânsito e os direitos dos outros.

O bullying, como a condução agressiva, não resultam do insucesso escolar ou do despertador não ter tocado tarde. Resultam da má formação de quem os pratica.

Ponto final.

Só não é parágrafo, porque a ilação óbvia de tal associação (insucesso escolar=desmotivação=bullying sobre os docentes) é que se os professores garantirem o sucesso aos alunos estarão a «incentivá-los», a «motivá-los» e a prevenir o bullying e, de certa forma, a protegerem a sua própria integridade.

Ora isto já é legitimar, mesmo se indirectamente, a coacção e a chantagem a um nível insuportável. in http://educar.wordpress.com (Março 20, 2008)

2008/03/20

Pelo Tibete

Em Março de 1959, uma revolta contra a ocupação chinesa foi esmagada e S.S. o Dalai Lama viu-se obrigado a deixar o seu país, encontrando exílio na vizinha Índia, onde chefia hoje o Governo Tibetano no exílio. Foi seguido por cerca de 80.000 tibetanos.

Como resultado da ocupação chinesa, morreram mais de um milhão de Tibetanos: um sexto da população. Os Tibetanos, devido ao contínuo afluxo de imigrantes Chineses, são actualmente uma minoria no seu próprio país

Os Tibetanos são frequentemente presos e torturados de forma arbitrária devido à sua prática religiosa ou a qualquer espécie de demonstração/resistência contra a ocupação chinesa. Toda a actividade política, qualquer iniciativa a favor dos Direitos Humanos, ainda que pacífica, é considerada como o mais grave dos crimes e é punida com penas que vão até à prisão perpétua ou mesmo a morte. Os Tibetanos são desta forma condenados por possuir uma fotografia do Dalai Lama, segurar a bandeira nacional tibetana e gritar “Tibete Livre” em manifestações pacíficas, colar cartazes, traduzir para Tibetano e divulgar a Declaração Universal dos Direitos Humanos ou, simplesmente, falar da situação dos direitos humanos no Tibete com turistas ou jornalistas estrangeiros.

Mais de 6.000 mosteiros foram demolidos e 80% dos Tibetanos que vivem no Tibete são analfabetos. Devido à discriminação de que são alvo têm um reduzido acesso quer à educação, quer aos cuidados de saúde.

O ecosistema do planalto tibetano tem vindo a ser devastado pelo Governo chinês e o “tecto do mundo” é hoje palco da produção de armas nucleares, factor de risco para todo o planeta.

Por todos estes motivos, e tendo em conta que nos Princípios fundamentais da Constituição Portuguesa (artigo 7, 2-3) se estabelece que “Portugal reconhece o direito dos povos à autodeterminação e independência” e “preconiza a abolição do imperialismo, do colonialismo e de quaisquer outras formas de agressão, domínio e exploração nas relações entre os povos”, os subscritores desta Petição dirigem-se à Assembleia da República pedindo que seja aprovada uma moção que condene a Violação dos Direitos Humanos e da Liberdade Política e Religiosa no Tibete.

SONGTSEN – CASA DA CULTURA DO TIBETE (www.casadaculturadotibete.org) / UNIÃO BUDISTA PORTUGUESA
Artista da treta

Em 2007, Guillermo Vargas Habacuc, recolheu um cão abandonado na rua, atou-o a uma corda na parede de uma galeria de arte e deixou-o ali para morrer lentamente de fome e sede.

Tanto o autor como os visitantes da galeria de arte presenciaram impassíveis a agonia do animal, até que este finalmente morreu de inanição.

A prestigiada Bienal Centroamericana de Arte decidiu, incompreensivelmente, que o que tinha sido apresentado era arte, e deste modo Guillermo Vargas Habacuc foi convidado a repetir a sua acção cruel na mesma Bienal em 2008.

Existe uma petição para evitar que este homem seja chamado artista e repita o mesmo acto:

www.petitiononline.com/13031953/petition.html




2008/03/19

Liberalismo? Que é isso?

Quando era pequeno era marxista. Leninista e por aí fora... Quando estive na Albânia o susto foi muito menor que aquilo que esperava. Por este canto ocidental da Europa diz-se cobras e lagartos dos albaneses. Nem câmara fotográfica levei com mêdo de ser assaltado... Lembro-me da minha indignação, na primeira vez que estive na Holanda, por terem achado não ser eu bem português devido aos cabelos castanho-claros e à pele demasiado branca, segundo eles, para alguém vindo do extremo sul da Europa. Se não sou bem português não é seguramente devido à côr da pele. Ou dos cabelos... Apesar disso fiquei adepto do "liberalismo". Na altura não distinguia entre liberalismo-liberalismo e liberalismo à holandesa, que no fundo era (ainda é...) "estado-social". Explicaram-me, por exemplo, sobre aquele grande teatro que tinham acabado de construir, que não só não tinham havido derrapagens orçamentais como isso se devia à ausência de corrupção. Também me falaram do interesse dos holandeses pela cultura, ficando eu definitivamente conquistado para o "liberalismo". Nessa altura ainda não conhecia a Koninklijk Concertgebouworkest (Royal Concertgebouw Orchestra) que é uma das 3 melhores do mundo, assim de vistas restritas porque, felizmente, existem mais que 3 orquestras "melhores do mundo"... Um dia Slavoj Žižek (por um mero acaso conheci-o pessoalmente) disse-me que o fim do comunismo não melhorou a situação das pessoas na ex-Jugoslávia. Agora, quando olhamos para a Rússia actual, Rússia sobre a qual parece pender uma qualquer fatalidade (como diz uma personagem em Andrei Rubliov, obra de Andrei Tarkovsky que é talvez o filme mais genial de todos os tempos), ficamos com poucas dúvidas disso. Na realidade a ex-Jugoslávia "comunista" (para muitos "revisionista", ou pior...) era bem mais "liberal" que a Rússia economicamente "liberal" de Putin. Não sou comunista. Isso foi quando era pequeno (adolescente, porque quando era pequeno fui "anarco-comunalista"...). No início do ensino preparatório fiquei logo a simpatizar com o socialismo porque um professor me disse que socialismo era dividirmos a nossa comida com aqueles que têm fome. Graças aos professores que fui tendo, alguns acusados de "comunistas" sem o serem (e mesmo que fossem!), fui compreendendo que as coisas eram, infelizmente, bem mais complicadas. Por curiosidade, também decidi estudar música mais a sério devido ao incentivo do professor de educação musical que tive no ensino preparatório... Actualmente considero que o "liberalismo" é uma ficção. Se tal coisa existisse os Estados deixariam falir os grandes bancos que cometem erros fatais, em vez de os salvarem directa ou por interposta pessoa. Dizerem que a falência dessas instituições privadas conduziria à descredibilização do "sistema", vale rigorosamente o mesmo que todos os "senãos" colocados ao funcionamento dos "sistemas comunistas" e todas as objecções à sustentabilidade a prazo do "estado social". Na verdade a insustentabilidade do "sistema liberal" não é uma possibilidade a prazo. Já aconteceu quando o Estado interveio na banca privada, mal gerida, para salvar o "sistema". Basicamente, no que à Europa diz respeito, a análise de Max Weber sobre o sul católico (a África e Médio Oriente islâmicos...), pobre e fechado e o norte protestante, aberto e próspero, mantém a pertinência. É só olhar, sem sequer ser necessário ver bem. Nuances há-as seguramente, nomeadamente despoletadas pelas grandes migrações populacionais, mas essencialmente o norte e o centro europeus vão manter a tradição do "estado social". O Sul não se percebe que sendeiros trilhará mas será quem sofrerá mais com as alterações climáticas. Isso já se percebe bem. AST

Nota: um dos livros interessantes e recentes que aborda esta questão, traduzido para português, é "Tornar Eficaz a Globalização", do prémio Nobel da economia (2001) Joseph Stiglitz. A revista TIME (Europa), March 31, 2008, pag 22 e seguintes, traz uma peça muito interessante e elucidativa sobre a temática deste post. Esta edição da revista é dedicada ao Dalai Lama. Um valor acrescentado para este número da revista.



2008/03/17

in www.asianews.it - 10/11/2007


More infos:

www.freetibet.org

2008/02/20

Impressing the Czar







O Royal Ballet of Flandres colocou a sua transcendente técnica e arte ao serviço de um agregado de quadros coreografados por William Forsythe que parodiam o classicismo (o andamento do quarteto de cordas de Beethoven que serve de base musical ao primeiro quadro é transfigurado até ficar com um ritmo "tcha-tcha-tcha"), sendo a cenografia de Michael Simon. Um Forsythe conhecido pelo seu estilo neo-clássico abriu-se às influências do "teatro-dança", cuja origem foi lá mais para o centro da Europa, assim como às estéticas minimais mas, em Impressing the Czar, criação de 1988, são sobretudo evidentes influências da obra de Anne Teresa de Keersmaeker. O resultado é interessante e o coreógrafo mantém os "rasgos" neo-clássicos que sempre o caracterizaram, mas não se pode dizer que William Forsythe conseguiu construir um estilo singularizado. Outra observação seria a inexistência de uma coesão estilística no interior desta obra. Isso é evidente na fraca relação entre o primeiro e o segundo quadros. AST (fotos: Álvaro Teixeira. Todas as imagens são do primeiro quadro, excepto a última)


10.000 anos!

«o país piorou porque os mais ricos têm hoje uma arrogância como nunca tiveram», dando Louçã o exemplo das indemnizações recebidas por cinco ex-administradores do BCP - 80 milhões de euros.

Nas contas do deputado e economista, «esta pequena indemnização são dez mil anos de salários de um português». in Diário Digital (21-02-2008 13:45:00)


Sensações reais...

A sensação de que existem crimes que permanecem impunes, porque quem os comete consegue manobrar o sistema, é uma sensação real... Helena Pinto in Meia-Hora, 21 Fevereiro 2008, pag 4


Faça a diferença

Aplique esse valor em acções reais de redução da pobreza extrema e de melhoria de condições de vida dignas, tais como: saúde, alimentação, água potável e educação.

Ao preencher os impressos para o IRS, no quadro 9 do anexo H, linha 901, com o Número de Identificação Colectiva da oikos (NIPC: 502 002 859) pode destinar 0,5% do valor final colectado do seu IRS para os projectos que desenvolvemos.

A transparência é um dos nossos valores. A oikos é a primeira ONGD portuguesa com Relatório de Sustentabilidade, com validação externa pela SGS. As actividades e os Relatórios de Gestão e Contas, Auditoria externa e sustentabilidade estão disponíveis em www.oikos.pt



2008/02/19

Cholos!*

Buenos Aires, 19 de febrero (Reporter). La cantante mexicana Paulina Rubio deberá desembolsar unos 5 mil dólares por haber posado desnuda y sólo cubierta por la bandera de su país para una producción fotográfica en una revista española.

La Dirección de Fomento Cívico de la Secretaría de Gobernación mexicana determinó que la cantante de "Y yo sigo aquí" había deshonrado a la bandera en la atrevida foto para la edición española de la revista Cosmopolitan.

La multa -de 53 mil pesos mexicanos- representa más de 250 veces el salario mínimo de México, una dura condena por haber ofendido a uno de los símbolos de la nación azteca. Es más, si se comprueba que Rubio cobró por esa producción, el castigo se cuadriplicaría, ya que el delito se agrava si significó una ganancia monetaria para quien ofendió a la patria.

Sin embargo, la fotógrafa involucrada -la mexicana Teresa Peyrí- dijo que las imágenes correspondían a un proyecto suyo de 2002, en donde 36 famosas se vestían de hombres para quitarse de a poco la ropa.

"Paulina se vistió de mariachi -declaró Peyrí a la prensa mexicana- se fue desvistiendo y terminó con la foto de la bandera. Pero fue sin fines de lucro, no cobró ni un duro".

in http://ar.entertainment.yahoo.com (martes 19 de febrero, 12:01 AM) *cholo = labrego

Paulina! Amiga! A crítica está contigo!





2008/02/16

Quem "desaconselhou" os alunos de alguns conservatórios regionais a participarem na manifestação? (fotos: António Ricardo Baltazar)

Ana Paula Russo, António Vitorino d'Almeida e Mário Laginha actuando contra a política do governo. No melhor estilo chico-espertista a ministra da educação anunciou mais dinheiro para o ensino da música (à sua moda) na altura em que os estudantes dos conservatórios se manifestavam em frente ao parlamento, mas não disse quantos e quais os artistas produzidos pelo sistema integrado que a ministra deseja e que existe há muito no conservatório de Braga (a outra vertente que ela preconiza, o ensino da música como actividade de complemento curricular nas escolas do ensino básico, resultará na bandalheira e indisciplina que caracterizam estas escolas, apesar do esforço e dedicação dos professores que a ministra parece detestar, vá-se lá saber porquê... Todos sabemos que nada de muito grave acontece aos pequenos vândalos que insultam os professores e aterrorizam os colegas. Foi necessário vir o Procurador-Geral da República dizer que esta situação não pode continuar para que os crimes contra os professores passassem a ser tratados com a gravidade que de facto têm). Seria curioso se fosse verdade o que "por aí" consta: uma familiar da ministra fez testes de entrada para uma escola de música pública e foi rejeitada por carência de requesitos ao nível da musicalidade e da audição, acabando por ser admitida numa academia particular onde completou o 8º grau de flauta com uma nota fraca. Acreditamos que o impto reformista da ministra nada tem a ver com esta situação (...) e a familiar da ministra não tem de todo culpa das atitudes desta, além de que esta "notícia" pode não passar de um "disse que disse" que nos fizeram chegar aos ouvidos. No dia seguinte à manifestação dos artistas o primeiro-ministro reuniu com os professores militantes do seu partido para os convencer da bondade das políticas do governo para a educação. Parece que foi assobiado... Mas lá por ter ouvido assobios, eventualmente afinados, não venha acusar os músicos... Partido Socialista, cujo ex-secretário-geral e ex-Presidente da República Mário Soares, alertou, no congresso dos sindicatos que aconteceu no dia da manifestação, para o facto de Portugal ser o país da Europa onde se verificam mais desigualdades. No mesmo lugar, o secretário-geral da confederação dos sindicatos afirmou que as desigualdades terceiro-mundistas que se verificam em Portugal, onde cerca de 10% da população detém mais de 70% da riqueza, devem-se à corrupção. Não é o primeiro a dizê-lo. Nem será o último...





2008/02/14

Ética

Steven Spielberg não aceitou continuar no cargo de conselheiro artístico para os Jogos Olímpicos de Pequim porque a China não tem feito o que deveria e poderia fazer para acabar com o genocídio que está a acontecer no Darfur.

<"Neste momento, não quero consagrar o meu tempo e a minha energia às cerimónias olímpicas, mas quero fazer tudo para que terminem os crimes inomináveis contra a humanidade que continuam a ser cometidos no Darfur", frisa o cineasta.

Recorde-se que a China é um dos maiores parceiros económicos do Sudão e os seus laços com o regime de Cartum são considerados um dos "travões" aos esforços internacionais para fazer pressão sobre o Governo sudanês no que diz respeito ao problema do Darfur.

A colaboração de Steven Spielberg com as autoridades chinesas no âmbito dos Jogos Olímpicos de Pequim fora criticada pela actriz americana Mia Farrow, embaixadora itinerante da Unicef - organismo das Nações Unidas para a infância. A decisão de Spielberg foi saudada pela Human Rights Watch, uma organização não governamental de defesa dos direitos humanos.> in http://dn.sapo.pt (14.02.08)

Pessoas como Mia Farrow e Spielberg provam que a consciência ética existe. Consciência ética que o governo português esqueceu durante a última-última presidência portuguesa do Conselho da Europa e na Cimeira Europa-África, em Lisboa.


2008/02/12

Ayaan Hirsi Ali

Os holandeses retiraram-lhe a protecção porque ela - ex-eurodeputada pela Holanda e um dos principais alvos a abater pelos islâmicos - disse que Maomé foi um tirano e um perverso. A França vai atribuir-lhe nacionalidade francesa e protecção. Viva a França que uma vez mais demonstra estar pelo menos um degrau acima de uma ficção chamada União Europeia.


Tata Güines


Morreu nesta segunda-feira o percussionista cubano Federico Aristides Soto, conhecido como Tata Güines.

O músico ficou famoso em Cuba a partir da década de 50 ao criar um formato rítmico mais experimental. Nos últimos anos, se destacou por sua participação em diversos shows da nova geração de músicos cubanos de jazz.

Tata Güines nasceu em 18 de junho de 1930. Em 1942, ele começou a tocar bongô e contrabaixo e aprendeu os rudimentos da musica cubana.

O percussionista chegou a se apresentar em Nova York, onde viveu por dois anos, ao lado de nomes como Joséphine Baker, Frank Sinatra e Charlie Parker. in http://musica.terra.com.br (Segunda, 4 de fevereiro de 2008, 12h53)


Aceder às complexas estruturas e intrincado volteio deste álbum de Sun Ra é um desafio de grande envergadura, mesmo para ouvintes habituados à abstracção do free jazz de Ascension, de John Coltrane, por exemplo, com o qual The Magic City em parte desafia comparação, ou da música do Séc. XX de autores tão diferentes como Anton Webern, Alban Berg, Edgar Varese, Bela Bartók, Luigi Nono, Karlheinz Stockhausen, Pierre Boulez ou Frank Zappa. Por este disco assombroso passa toda uma multiplicidade de estados de alma, da alegria exuberante, à introspecção melancólica, humor sardónico e terror sinistro (aqui arrepiantemente administrado pelo uso que Ra faz do claviolino, um dos muitos instrumentos de teclas que o músico utilizou, alguns deles por si inventados). Sun Ra a gerir a mistura dos diferentes timbres instrumentais, sublinhando as suas intervenções com ecos do saxofone de Marshall Allen e do contrabaixo de Ronnie Boykins, até toda a banda entrar em acção. É assim a abertura de The Magic City (referência à Birmingham natal de Ra, estado do Alabama), disco de 1965, gravado em Nova Iorque com a Solar Arkestra. Originalmente publicado pela El Saturn, a editorazinha caseira de Herman 'Sun Ra' Blount, foi reeditado em 1993 pela Evidence Music. Grande música cósmica (uma evidência...) e um dos melhores exemplos em disco da visão afro-ancestral-futurística-espacial do mestre. Ra-novatos devem considerar seriamente a oportunidade de procurar outras portas de entrada neste universo, porque alguns dos discos da década de 60, como The Magic City, ou When Sun Comes Out, The Heliocentric Worlds of Sun Ra (Vols. I e II), e Other Planes of There, podem efectivamente representar uma carga de trabalhos insustentável para quem ainda não tenha calo ou não esteja preparado para entrar na nave espacial, a caminho de Saturno. Sun Ra and his Solar Arkestra - The Magic City (Evidence Music) in http://jazzearredores.blogspot.com (12.2.08)






2008/01/31

3 x mais que os alemães. Uau!

Em Portugal segundo um estudo da Mercer Consulting, os altos dirigentes de empresas só ganham 32 vezes mais que os seus trabalhadores. É certo que é mais do dobro do que ganham os administradores espanhóis e ingleses e do triplo dos alemães... in Notícias Magazine, 27 Janeiro 2008, pag 82

Deve ser por isso que Portugal está 2 vezes melhor que Espanha e o Reino Unido e três vezes melhor que a Alemanha... Tem lógica!


Juiz impedido de falar

Com esta deliberação do CSM, o Ministério Público, representado no processo pela procuradora Manuela Galego, perde uma das principais testemunhas.

PROCESSO EM SEGREDO

A juíza Amélia Puna Loupo decidiu fechar as portas do julgamento de Paulo Pedroso contra o Estado, apesar de nenhuma das partes o ter solicitado. O CM e outros órgãos de Comunicação Social já requereram que a exclusão de publicidade seja revogada – alegando, entre outras coisas, que o próprio julgamento do caso de pedofilia decorre à porta aberta –, mas até ao momento ainda não houve decisão, uma vez que as partes foram chamadas a pronunciar-se. Enquanto não houver despacho, o calendário de audição de testemunhas também não é público, razão pela qual se desconhece quem serão as próximas pessoas a depor e quando. Certo é que das 40 testemunhas arroladas, pelo menos metade, as escolhidas por Paulo Pedroso, já foram ouvidas – entre as quais o ex-líder do PS Ferro Rodrigues, o socialista António Costa e a mulher do ex-deputado, Ana Catarina Mendes. O julgamento teve início a 7 de Janeiro, no Palácio da Justiça, em Lisboa, e todas as audiências decorreram à porta fechada.

CATALINA ENFRENTA PEDROSO

A ex-provedora da Casa Pia Catalina Pestana é hoje ouvida como testemunha contra Paulo Pedroso. A audição está marcada para as 10h00, no Palácio da Justiça, em Lisboa, e deverá decorrer à porta fechada, apesar dos sucessivos requerimentos da Comunicação Social para que seja revogada a decisão da juíza de excluir a publicidade deste julgamento.

Esta será a primeira vez, desde a divulgação do escândalo de pedofilia, que Catalina estará frente a frente com o ex-deputado, de quem era amiga antes do processo – Paulo Pedroso tem estado presente em praticamente todas as audiências.

O julgamento da acção cível contra o Estado começou a 7 de Janeiro e já foram ouvidas todas as testemunhas de Pedroso. in http://www.correiomanha.pt (2008-01-31 - 13:01:00)





2008/01/27

Barcelona contra o uso de peles (Foto: Albert Gea/Reuters)

2008/01/26

Das Märchen

O acontecimento musical do ano português veio, no meio das expectativas mais elevadas, à luz no Teatro São Carlos de Lisboa, transmitido em directo por esse mundo português fora, com direito a sopinhas e bolinhos no final. Devo dizer que em uma ópera paga pelos portugueses, que do pouco (ou muito) que possuem constam poetas e escritores no mínimo interessantes, se esperaria que fosse trabalhado um texto em português. E não seria difícil encontrar, na poesia ou na literatura portuguesa, algo que funcionasse melhor que o texto escolhido pelo compositor. O conto de Goethe encontra-se traduzido para português por João Barrento. É uma pequena ficção que até se lê bastante bem. Emmanuel Nunes conseguiu transformá-la numa ópera de 4 horas... A maneira como geriu e contextualizou o texto resultou em aquilo que podemos ver (e ouvir).

É verdade que Nunes nasceu em Portugal, mas também é verdade que foi embora na infância, é verdade que não se identifica com Portugal, e tem as suas - boas ou más - razões, é verdade que fala alemão com o filho... Uma ópera alemã paga pelos otários dos portugueses, quase que se poderia dizer... E vem-me imediatamente à memória os alegados 700.000 euros pagos pelo ministro da economia, com dinheiros públicos claro, a um fotógrafo estrangeiro para fazer umas foto-montagens foleiras. Supostamente para promover o país...

Mas vamos ao que há de bom em tudo isto: a falta de dinheiro. É a falta do belo mas perigoso ouro, digo dinheiro, que nos salva de o Emmanuel nos brindar com uma tetralogia, com 4 horas cada parte. Sabem que estou a brincar... Na verdade uma tetratologia salvaria este país do afundamento. Uma tetralogia colocar-nos-ia na vanguarda pós-Stockausen (esse cretino que disse lembrar-se do ex-aluno e compositor Jorge Peixinho mas desconhecer quem é o Emmanuel Nunes). Uma tetralogia livrar-nos-ia definitivamente do especto Saramago/Corghi. Uma tetralogia estabeleceria, finalmente, o Teatro de São Carlos no lugar que lhe compete: à cabeça da inteligencia mundial e Portugal, de novo, a dar mundos ao mundo. AST

Nota: Das Märchen pareceu-me um retalho estilístico com momentos absolutamente brilhantes. Mas a uma ópera não basta ter partes bem conseguidas. Se existe um fio condutor para além do texto, o que pretende ser uma "lógica" musical, deve estar nos cálculos que o Emmanuel Nunes fez e no conceito Leiträume, que é a intersecção das personagens com um ambiente determinado (Leitstimmungen). E que ironicamente pode ter contribuído para a falta de consistência desta ópera como um todo... Em Das Märchen não é audível uma unidade global, elemento essencial em uma obra de arte. Especialmente em uma obra que habite o espectro estético sob o qual vive Emmanuel Nunes.

Nota 2: no tempo de Das Märchen quero lembrar Pli selon Pli, de Pierre Boulez; Requiem für einen jungen Dichter, de Bernd Alois Zimmermann; o solo do camarada Mao em Nixon na China, de John Adams; L'amour de Loin, de Kaija Saariaho com base no livro de Amin Maalouf; Medeamaterial, de Pascal Dusapin; Cries of London, de Luciano Berio, e sobretudo ...sofferte onde serene... de Luigi Nono.


Se em alguma parte do mundo um país tiver uma orquestra juvenil administrada por um chantagista promíscuo, significa que esse país está gravemente doente. Se os jovens dessa orquestra aceitarem as chantagens, não se juntarem para denunciar publicamente o criminoso, ou simplesmente fingirem que nada de anormal está a acontecer, significa que o país não terá um futuro brilhante e que esses jovens não passam e nunca passarão de uma caricatura de artistas. Se pessoas com responsabilidades souberam do que está a acontecer e nada fizeram, significa que esse país, se existe (consta que sim...), necessita de uma limpeza grande e geral.


Em A Capital! Eça dá-nos um retrato caricatural, muito negativo, dos republicanos, num capítulo relativo a uma reunião de um clube republicano da Rua do Príncipe, em Lisboa. in Semanário, 25 Janeiro, 2008, pag 44

Uma instituição de vários séculos de idade não cairia só porque mataram o rei. Havia a ideia de que o País estava numa fase decadente e que a monarquia já não o podia salvar. in Meia Hora, 28 Janeiro, 2008, pag 13








2008/01/23

Ciclo Beethoven

Decorreu no CCB, em Lisboa, um ciclo de piano dedicado essencialmente a Beethoven. Assisti aos últimos três recitais e considero que a iniciativa foi interessante. Stephen Kovacevich, o pianista em quem depositava mais expectativas, na primeira parte do seu recital tocou a Partita BWV 828 de Bach sem nada acrescentar ao que se costuma ouvir feito pelos pianistas. Já nas Kinderszenen de Robert Schumann resolveu comprimir as dinâmicas entre o pianíssimo (ppp) e o piano (p), resultando uma leitura no mínimo bizarra... Na segunda parte ofereceu-nos umas Diabelli Op. 120, de Beethoven, consistentes, apresentando uma leitura depurada e reduzida ao essêncial. Um momento importante deste ciclo. Já Giovanni Bellucci tentou fazer um fogo de artifício com a transcrição por Liszt da 5ª Sinfonia de Beethoven, mas o que conseguiu foi um pedal excessivo que impediu qualquer clareza e uma leitura sem o mínimo de consistência da transcrição, que na prática é uma redução para piano da "5ª Sinfonia", que será eventualmente a obra mais conhecida de toda a "música clássica", transcrição que deveria tocar em casa ou em serões entre amigos - sem querer ofender a memória do grande Liszt - mas nunca em recital. Já na sonata Hammerklavier, do mesmo Beethoven, da qual é apresentado como um "especialista", esteve muito bem. Ou não fosse a sua especialidade... A surpresa veio do mais jovem: Cédric Tiberghien. Fixem este nome porque vai dar que falar*. A par de uma técnica impecável, o artista revelou uma inteligência musical e uma sensibilidade dignas de um grande músico. Foi quem fez o recital mais regular em termos interpretativos e estilísticos, encerrando o ciclo com a mítica Op. 111, a última sonata para piano escrita por Ludwig, a que Cédric deu vida de maneira singular, inspirada e musical. AST *uma maneira de dizer pois o artista já possui uma apreciável carreira internacional.










2008/01/22

Juntas médicas

Atendendo a que existem cidadãos a quem as juntas médicas a que recorreram lhes negaram o direito à situação de reforma, agradeço que Paulo Teixeira Pinto divulgue os nomes dos membros da junta que julgaram o seu caso, a fim de qualquer cidadão recorrer à mesma junta. Luis Ribeiro in Público, 22 Janeiro 2008, pag 42



Pede-se também ao senhor primeiro-ministro que nos explique se o presidente do conselho de administração da Portugal Telecom ganha 185.000 euros mensais, 14 meses por ano, e a ser verdade (consta que é) o porquê de este salário milionário (talvez porque a PT deteve, e ainda detém de certa maneira, o monopólio das telecomunicações em Portugal, prestando serviços mediocres a preços elevados).



Já agora solicita-se ao senhor ministro da economia que explique porque escolheu o fotógrafo Nick Knight para uma acção publicitária sobre Portugal, se acha que fotógrafos portugueses (afinal tratava-se de promover a imagem de Portugal com figuras portuguesas) não podiam fazer melhor (não seria difícil...), e se os honorários de Knight (não contando com os da agência que organizou a campanha) andaram à volta dos 700.000 euros. Também seria interessante que o senhor ministro nos fizesse vislumbrar o motivo de aqueles grandes, enormes, estendais com as foto-montagens de Knight a publicitar Portugal cá dentro. Aparentemente a campanha destinava-se a atrair turistas do exterior...







2008/01/07

Luiz Pacheco

Luís José Gomes Machado Guerreiro Pacheco (Lisboa, 7 de Maio de 1925 — Montijo, 5 de Janeiro de 2008) foi um escritor, editor, polemista, epistológrafo e crítico de literatura português.

Nasceu no seio de uma família da classe média, de origem alentejana, com alguns antepassados militares. O pai era funcionário público e músico amador. Na juventude, Luiz Pacheco teve alguns envolvimentos amorosos com raparigas menores como ele, que haveriam de o levar por duas vezes à prisão.

Desde cedo manifestou enorme talento para a escrita. Chegou a frequentar o primeiro ano do curso de Filologia Românica da Faculdade de Letras de Lisboa, onde foi óptimo aluno (Vitorino Nemésio, na sua cadeira, atribuiu-lhe 18 valores, de 0 a 20), mas optou por abandonar os estudos. A partir de 1946 trabalhou como agente fiscal da Inspecção Geral dos Espectáculos, acabando um dia por se demitir dessas funções, por se ter fartado do emprego. Desde então teve uma vida atribulada, sem meio de subsistência regular e seguro para sustentar a família crescente (oito filhos de várias mulheres), chegando por vezes a viver na maior das misérias, à custa de esmolas e donativos, hospedando-se em quartos alugados e albergues. Esse período difícil da vida inspirou-lhe o conto Comunidade, considerado por muitos a sua obra-prima. Nos anos 60 e 70, por vezes viveu fora de Lisboa, nas Caldas da Rainha e em Setúbal.

Começa a publicar a partir de 1945 diversos artigos em vários jornais e revistas, como O Globo, Bloco, Afinidades, O Volante, Diário Ilustrado, Diário Popular e Seara Nova. Em 1950, funda a editora Contraponto, onde publica escritores como Raul Leal, Vergílio Ferreira, José Cardoso Pires, Mário Cesariny, António Maria Lisboa, Natália Correia, Herberto Hélder, etc., tendo sido amigo de muitos deles. Dedicou-se à crítica literária e cultural, tornando-se famoso (e temido) pelas suas críticas sarcásticas, irreverentes e polémicas. Denunciou a desonestidade intelectual e a censura imposta pelo regime salazarista.

A sua obra literária, constituída por pequenas narrativas e relatos (nunca se dedicou ao romance ou ao conto) tem um forte pendor autobiográfico e libertino, inserindo-se naquilo a que ele próprio chamou de corrente "neo-abjeccionista". Em O Libertino Passeia por Braga, a Idolátrica, o Seu Esplendor (escrito em 1961), texto emblemático dessa corrente e que muito escândalo causou na época da sua publicação (1970), narra um dia passado numa Braga fantasmática e lúbrica, e a sua libertinagem mais imaginária do que carnal, que termina de modo frustrantemente solitário. in http://pt.wikipedia.org (07/01/2008, 22:45h)