2008/05/16

Terrorismo à portuguesa

Lisboa, 16 Mai (Lusa) - De Janeiro a 30 de Abril registaram-se 266 atropelamentos em Lisboa, dos quais 101 foram verificados em passadeiras e 165 fora delas, disse hoje à Lusa o comandante de operações da Divisão de Trânsito da polícia. in noticias.sapo.pt (16 de Maio de 2008, 10:30)

Há condutores que andam a toda a velocidade em plena cidade, por vezes em zonas muito frequentadas por peões, e em zonas onde têm pouca visibilidade e não poderão travar (e parar) em caso de atravessamento imprevisto. O legislador tem de partir do princípio que as cidades são para os peões e que o transporte pessoal motorizado é a excepção. Não é só nas passadeiras que os automobilistas devem ser responsabilizados. Fora delas também o devem ser, porque têm de circular a velocidades que lhes permitam travar atempadamente em caso de necessidade. Não é só, nem principalmente, uma questão de "civismo", que já sabemos ser coisa rara em Portugal (e nos países do sul...). Trata-se de desrespeito total pela vida humana. E por vezes dos animais... Estes números são muito claramente reflexos de um "sistema educativo" que não presta. Que se está a deteriorar por não colocar o respeito pelo "outro" como pilar fundamental da cultura e da educação nas escolas portuguesas. Face a isto há que criminalizar, muito fortemente, estes comportamentos, e há que colocar video-vigilância nas cidades e outros locais "problemáticos". Para grandes males há sempre grandes remédios.


Porqué no te callas, Marinho Pinto?

Depois de falar sobre a corrupção e com isso ter conseguido granjear simpatias em vários sectores, o bastonário da Ordem dos Advogados, talvez animado pela prespectiva de se tornar um bastonário-vedeta-justiceiro, não parou de falar de tudo e por tudo. Ouviram-se os maiores dislates e retomou a tese da "cabala" contra o PS no processo Casa Pia. Isto numa altura em que se suspeita que pedófilos continuam a ocupar lugares de relevo. Depois criticou o Procurador Geral da República, que é o único a demonstrar consciência efectiva das nefastas consequências que advirão, para o país, da indisciplina e violência (que, sim senhor, são coisas diferentes mas eu diria que a última é a consequência natural do evoluir da primeira, se não fôr travada) nas escolas portuguesas. Agora, num país onde se matam mulheres por motivos "passionais", vem dizer que a violência doméstica não deveria ser crime público. O bastonário parece não andar bem. Da cabeça, entenda-se. Se continuar assim ainda lanço uma petição a sugerir que o internem compulsivamente...


Portugal é um paraíso para as organizações terroristas

É este o tema da capa do Destak de 15 de Maio. Eu também estou em crer que sim, mas é melhor "callar-me". É que não tenho guarda pessoal...


Estupores de generais

Birmaneses... impedem a chegada de auxílio às vitímas, comercializam produtos que recebem para auxílio e entregam outros como se fossem "presentes" da Junta Militar. Não há ninguém, nenhuma "potência", que ponha um termo a isto?


Casos Residuais

O tarado dos óculos

‘Professor, vou-te partir os óculos!’

A atitude repete-se e começa a ser preocupante: "Professor, vou-te partir os óculos!" Ao ouvir a frase, proferida por um aluno de 12 anos, do 1º Ciclo da Escola Básica Integrada de Pereira, em Montemor-o-Velho, o docente ainda conseguiu virar-se, mas não a tempo de evitar o estrago.

'Já estava a dobrar os óculos com as mãos', contou ontem ao CM o professor, que pediu para não ser identificado, lembrando que não é a única vítima do rapaz com necessidades educativas especiais. Há pelo menos cinco casos. O aluno ataca sobretudo os óculos de docentes e funcionários. Uma das últimas vítimas foi uma 'colega que me substituiu', em Outubro de 2007, diz o docente. Após uma repreensão, por agredir outras crianças, 'arrancou-lhe os óculos da cara com uma mão e atirou-os ao chão', conta uma testemunha. Como não se partiram e a professora os recolocou na cara, 'arrancou-os novamente e esmigalhou-os com as próprias mãos'. No mesmo dia, 'atirou também ao chão os óculos de dois técnicos que prestam apoio a crianças com necessidades educativas especiais. Não se partiram, mas sofreram danos e tiveram arranjo'.

O primeiro caso registado data de 2 de Outubro de 2007 e o lesado foi um professor que já não se encontra na escola. Recentemente, 'retirou os óculos da cara a outra colega, mas por sorte não se partiram'. E também já destruiu os seus próprios óculos por duas vezes.
...
Alguns funcionários já escondem os óculos antes de entrar numa sala onde o rapaz esteja ou quando se cruzam com ele. 'Mal o vejo, tiro-os logo. Ele é muito rápido e quando damos conta já estão na mão dele a ser dobrados', explicou um docente.
...
Uma responsável do Agrupamento de Escolas de Montemor-o-Velho escusou-se ontem a comentar o comportamento do estudante, limitando-se apenas a afirmar: 'Nada tenho a dizer sobre isso. O assunto tem sido resolvido.' A Direcção Regional de Educação do Centro (DREC), contactada pelo CM, não se pronunciou sobre esta questão até à hora do fecho desta edição. Os professores entendem que o Ministério da Educação – ou algum dos organismos dele dependentes – têm de fazer alguma coisa para prevenir os ataques do rapaz, mas sobretudo para que os prejuízos sejam pagos aos lesados.
in correiomanha.pt (16 Maio 2008 - 12h00)


Branqueamento

Começa a ser preocupante a quantidade de actos de agressão e de violência contra professores nas escolas portuguesas. Todos os dias há um caso novo.
Preocupante, também, é a ordem para silenciar. Os jornais dão conta de que, regra geral, os conselhos executivos procuram que os incidentes não sejam divulgados. É errado silenciar. Os actos de agressões a professores entraram na banalidade. E isso é o pior que pode acontecer. Alguns alunos e pais interiorizaram a ideia de que levar "porrada" faz parte da função do professor. O silêncio do ME ajuda a criar essa ideia. in professoresramiromarques.blogspot.com (16 de Maio de 2008,6:42)



Uma notícia ventilada no Yahoo News do Reino Unido a semana passada dizia que os gigantes do petróleo mundial facturavam £3m por hora e que isso irritava a maioria da população inglesa. Não tanto por questões de equidade ou justiça social, mas porque o preço da "gota" estava cada vez mais caro para a bolsa dos automobilistas.

Ora bem, se as pessoas sentem que as petrolíferas lhes estão a ir ao bolso, que tal começarem a utilizar com mais frequência a rede pública de transportes ou enrijecerem os gémeos? O ambiente agradece, os senhores do petróleo nem por isso. in bichos-carpinteiros.blogspot.com (Maio 15, 2008, posted by hidden persuader @ 12:35)


Lisbon Jazz Summer School

Escrevemos para informar que o prazo de pré-inscrições nos cursos da Lisbon Jazz Summer School foi alargado até 30 de Maio. As inscrições decorrerão até 30 de Junho.

Em anexo encontram o press release, o logo da LJSS e fotos de Mulgrew Miller e Gonçalo Marques, directores pedagógicos dos cursos da LJSS.

Agradecemos desde já a divulgação desta informação.

Obrigada.

Atentamente,

Alexandra Ávila & João Godinho
Lisbon Jazz Summer School
+351 964 491 696

2008/05/15

Mostra da Monstra

Devem estar a brincar... Mas não. Não estão. Aquilo é a sério... Há gente que se ri a bandeiras despregadas, os estrangeiros, há outros, os tugas, os amigos e colegas de trabalho que enchem a sala, que apaudem. E votam. Outros devem pensar que num festival internacional tudo o que é aceite em competição deve ser bom ou pelo menos sofrível... É patético. Não é que os estrangeiros sejam todos bons. Antes pelo contrário. O problema é com os portugueses, que parecem todos maus e muito maus. Felizmente não vieram os dos Palop, e outros falantes da língua portuguesa... Não vale a pena criticar o que não tem "ponta por onde se lhe pegue". Vão trabalhar na agricultura, é a única coisa que me ocorre dizer a muitos "artistas" portugueses-concerteza, desprovidos de criatividade inteligente e "substância", que andam para aí a desbaratar os subsídios que conseguem do Estado para produzirem ridicularias que (eles) acreditam ser geniais. Há uns piores do que os outros. A média é assustadora.

Em competição, até agora, vi dois filmes que merecem "constar": The Tale Of How dos The Blackheart Gang, e Tongue Of The Hidden de David Anderson. Já não é mau...

2008/05/14

Homenagem a Humberto Delgado

Assinalam-se hoje os 50 anos da apoteótica chegada do General Humberto Delgado ao Porto.

Do programa, consta a inauguração de um estátua da autoria de José Rodrigues na Praça Carlos Alberto e o lançamento do livro «Humberto Delgado. Biografia do general sem medo». in blasfemias.net (Publicado por Gabriel Silva em 14 Maio, 2008)


Como em África

Governo aluga helicópteros a empresa condenada por cartelização

O Governo vai pagar mais de 1,44 milhões de euros pelo aluguer de dois helicópteros médios à Helisul, empresa condenada por cartelização de preços num concurso público para o fornecimento de meios aéreos de combate a incêndios.

Há um mês, a outra empresa do consórcio que tinha sido condenada, a Aeronorte, foi a escolhida para assegurar as ligações aéreas entre Lisboa e Bragança.

Questionado pela TSF sobre o facto do Governo assinar contratos com empresas condenadas pelo próprio Estado, o Ministério da Administração Interna remeteu esclarecimentos para a Empresa de Meios Aéreos (EMA).
...
Pelas contas da EMA, o Estado poupa dois milhões de euros, mas outros especialistas contactados pela TSF consideram tratar-se de uma despesa infundada, já que os meios próprios do Estado, os Kamov, poderiam assegurar todas as operações que vão ser feitas por estes dois helicópteros. in tsf.sapo.pt (07:55, 14 de Maio 08)


Igual à Holanda? Em Portugal?!

O CDS-PP vai propor, esta quarta-feira, no Parlamento, um modelo de autonomia escolar que prevê uma autonomia pedagógica e educativa dos estabelecimentos de ensino semelhante aquele que já existe na Holanda. A maioria socialista vai votar contra.

Em declarações à TSF, o líder parlamentar dos centristas lembrou a experiência holandesa na matéria em que dez pais se podem juntar para abrir uma escola, desde que tenham um projecto e um contrato de autonomia.

«Não é para nós essencial quem é o proprietário da escola. Para nós, é essencial o serviço de educação e formação que é dado aos alunos nas escolas», acrescentou Diogo Feio. in tsf.sapo.pt (08:47 / 14 de Maio 08)

Já se está a ver o resultado. Os pais bem informados, normalmente os das classes financeiramente "desafogadas", ir-se-iam juntar e criar escolas hiper-elitistas. Subsidiadas pelo Estado, claro. Os outros... os pobres dos outros continuariam nas "escolas problemáticas". É que na Holanda não existem as desigualdades económicas e culturais que existem em Portugal. Nesse aspecto (e noutros) Portugal pode comparar-se a África. Nunca à Holanda.

2008/05/13

Notícias da Monstra

Ontem fui ver o Yellow Submarine, de George Dunning e percebi porque é unanimemente considerado percursor e genial. Simultaneamente incarna o "espírito da época"... É de facto um trabalho fantástico com base na música dos Beatles.

Antes tinha estado a ver o filme premiado na edição de 2007, One Night in One City, de Jan Balej, e devo dizer que é uma criação genial, com um impacto tremendo, que ironiza re-criando um certo ambiente soturno de fácil reconhecimento para quem viajou frequentemente no chamado "leste" europeu.

Mas a Monstra deste ano é dedicada à animação inglesa e então é obrigatório referenciar as obras impressionantemente corrosivas de Phil Mulloy (que em grande parte delas utiliza música composta por Alex Balanescu), o experimentalismo inteligente de Paul Bush, e os universos surrealistas de David Anderson que tem um filme em competição. Assim se vê a força da animação britânica e o porquê de ser uma referência incontornável para todos os artistas.
Bloggers portugueses praticam auto-censura

Alguns blogs retiraram um "documento", de uma empresa de formação (INA) que parece ser propriedade de um senhor com nome fatal (escrevo com letra pequena porque Fatal é marca registada de um festival de teatro que por acaso está a acontecer), que tinham colocado online com várias críticas e observações ao dito (documento...). Um "documento" que pretende servir como base para a avaliação dos professores, que foi apresentado em acções de formação pagas, tornou-se um objecto público, ainda que protegido pelos direitos do seu autor, passível de ser parcialmente transcrito e criticado (excertos dos artigos e trabalhos de investigação pagos e publicados pelos jornais, excertos de livros, etc, podem ser transcritos livremente desde que seja indicada a fonte). Um "documento" destes não pode, nunca poderia no "espaço europeu", ficar no segredo de alguns. Isso sim, seria muito grave. Este caso de auto-censura a que os blogs se submeteram, devido a e-mail's ameaçadores que receberam enviados pelo tal senhor fatal, é grave. Para evitarem eventuais problemas bastaria transcreverem somente os parâmetros mais ridículos e grotescos, que pelos vistos eram abundantes. E já agora o e-mail que o senhor fatal lhes enviou, recheado de erros de escrita que fariam as pessoas "escacarem-se" de riso. Dessa maneira o dito senhor fatal não poderia acusar os blogs de andarem a publicar "o documento" e a violar os seus direitos de autor. Mas há outro aspecto que faz o senhor fatal fazer figura de parvo: os blogs que publicaram "o documento" (trata-se da parte que enumera os parâmetros considerados para avaliação e portanto um excerto do "documento") não têm qualquer fim lucrativo. A publicação do "documento" pelos blogs pode ser vista como um serviço de interesse público, uma vez que é do interesse do país serem conhecidas as propostas (mesmo as mais idiotas e absurdas) de avaliação dos professores da rede de ensino público paga pelos cidadãos, assim como de todos os estabelecimentos de ensino básico e secundário, que para funcionarem necessitam da autorização do ME. Dever-se-ia alargar, urgentemente, esta filosofia ao ensino superior, que é onde se formaram e continuam a formar, os "quadros" e os políticos responsáveis pelo estado do país. Ensino superior que também diplomou autênticos insultos à inteligência, que agora são "empresários" e se pretendem "formadores"... Adiante: seria seguramente interessante se o senhor fatal avançasse, como ameaçou os bloggers que divulgaram "o documento", com o caso para tribunal... Mas os blogs preferiram retirar "o documento". É uma opção, mas devem estar conscientes que os direitos de autor não se exercem como se poderia deduzir daquilo que o senhor fatal escreveu, e que os e-mails que expediu veículam informação errónea sobre o exercício desses direitos. Como os direitos autorais são protegidos por entidades cujos corpos directivos o senhor fatal nem integra nem representa, há uma usurpação do papel das mesmas para difusão de informações incorrectas sob a forma de ameaças. O que é (muito) grave. Mais: como o e-mail foi expedido em massa (dirige-se a tod@s @s bloggers por "senhor"...), creio que o senhor fatal se colocou numa posição "delicada", que @s bloggers, se estivessem para perder tempo com imbecilidades, poderiam explorar. Aparte questões legais, trata-se basicamente de um caso típico da mentalidade mesquinha e bruta que ainda subsiste em Portugal, mentalidade de gente abjecta que pela coacção procura impôr o silêncio e acabar com a crítica. Uma mentalidade a estripar, liminarmente, se queremos que Portugal sobreviva na Europa dos Cidadãos. Será muito grave se se vier a provar que a empresa do senhor fatal colabora com o ME, ou simplesmente foi reconhecida pelo mesmo ME para dar formação. Mas deixemos isso para mais tarde.

Passo a apresentar o post, com alguns dos comentários dos leitores, onde o Paulo Guinote justifica ter retirado o referido "documento" do seu blog:

Bom Dia,

Deixou hoje de estar online (embora não tenha sido apagado e continue disponível nos arquivos a que só eu tenho acesso) o post sobre as suas 96 condutas (que afinal são 93 porque há algumas repetidas), assim como os 156 comentários que se lhe seguiam.

Mais do que isso não farei, pois não retirarei o texto sobre o curso do INA que é público e divulgado em escolas e outros espaços públicos.

Se me quiser processar acerca da expressão de opiniões sobre factos públicos, essa é uma prerrogativa sua. Provavelmente essa seria uma decisão extremamente errada da sua parte, em virtude da publicidade que isso traria à questão, para além de servir para demonstrar que não tem razão em querer reservar informação que é facultada em acções de formação pagas pelos formandos, num instituto público.

Mas, como escrevo, é um direito que lhe assiste,

Com os cumprimentos possíveis numa situação destas,

Paulo G.

Adenda: E assim o Umbigo praticou o seu primeiro acto de auto-censura. Era fatal como o destino que o dia chegaria. E eu não gosto de limitar as hipóteses do empreendedorismo nacional.

Tita Diz:
Maio 13, 2008 at 9:43 am
Paulo, não havia necessidade!

fernandooliveira Diz:
Maio 13, 2008 at 10:45 am
No Comments.
É a decisão do Paulo.

Ema Diz:
Maio 13, 2008 at 12:08 pm
Très moche, a fatal pressão. Sinal dos tempos.

h5n1 Diz:
Maio 13, 2008 at 12:23 pm
A propósito ou talvez não

Miguel Gaspar refre hoje no Público, a propósito da ASAE e do seu planeamento por objectivos quantificados, que nem a URSS tinha chegado tão longe no seu modus operadi totalitário.

Ora acontece que no tempo de Estaline, a polícia política tinha obejectivos precisos de números de detenções e de execuções por província.

Tudo para que o “exemplo” e o medo se instalasse em todo o território.

E o que aconteceu foi que os esbirros locais, com o propósito de se mostrarem servis, cumpridores e patriotas acima de qualquer suspeita, emulavam-se na ultrapassagem do cálculo previsto, em termos de prisioneiros políticos e de execuções de “contra-revolucionários”.

http://www.amazon.com/Stalin-Court-Simon-Sebag-Montefiore/dp/1400042305

Ou seja, seria bom que os escribas estudassem um pouco mais de hístória e, por outro lado, isto demonstra que os “radicais” ex(?)marxistas que integram a administração Sócrates, sabem muito bem o que andam a fazer.

coeh Diz:
Maio 13, 2008 at 1:14 pm
solidariedade com este blog.
Não à censura.
ameaças dos queixinhas. Isto é meu meu meu… tristes figuras

Alvaro Diz:
Maio 13, 2008 at 1:28 pm
Paulo:

Exatamente! Todos os documentos divulgados publicamente são passíveis de serem discutidos e comentados. Esse senhor deve perceber que Portugal (ainda) não é África. Os emails que ele mandou para os blogs e que me chegaram ao conhecimento revelam a mentalidade de um idiota. Que não percebe minimamente que Portugal está, porque optou, integrado na UE, e que isso implica esta liberdade crítica que ele gostaria que não existisse. É incompetente, o tal senhor fatal, porque dá erros crassos ao escrever e porque diz coisas idiotas falando como se conhecesse muito bem a legislação. É inacreditável que o ME trabalhe, ou aceite a colaboração, de gente assim, incompetente e ignorante (e que molesta mandando emails esquizofrénicos às pessoas), e isso será tratado na devida altura. in educar.wordpress.com (Maio 13, 2008)


ME não se pronuncia...

Da arte de extorquir 200 euros aos incautos

Reuniu hoje, dia 9 de Maio, pela primeira vez, a Comissão Paritária criada na sequência do "Memorando de Entendimento" entre o ME e os Sindicatos, e que visa acompanhar o processo de implementação da avaliação e preparar as negociações, previstas para Junho e Julho de 2009, de onde decorrerá a sua alteração.
...
Na reunião, a FENPROF aproveitou ainda para questionar o ME sobre as acções de formação que o INA está a promover a 200 euros. Sobre essa formação o ME não se pronunciou, recusando dizer se a validava ou não como adequada. Em suma, deu para confirmar que se trata de uma iniciativa destinada a extorquir duas centenas de euros a alguns incautos.

À margem da Ordem de Trabalhos, a FENPROF solicitou o relatório do ME sobre os edifícios escolares que contêm amianto. É inaceitável a forma como o ME desvalorizou o problema. Tratando-se de um problema de saúde pública, a FENPROF exige a resolução urgente da situação. O Secretariado Nacional (da Fenprof)


Boas verdades...

Vale a pena ler o artigo de Eduardo Marçal Grilo e Guilherme d'Oliveira Martins "Escola Pública e Serviço Público de Educação" (Expresso, 8 de Março de 2008).

Neste texto, publicado no dia da manifestação dos professores, os autores apresentam um conjunto de reflexões que importa reter na clarificação do conceito de serviço público de educação. Desde logo "o que é mais importante e deve ser assinalado é que a educação das crianças e dos adolescentes é primeiramente uma responsabilidade dos pais e das famílias". Por outro lado, "não deveconfundir-se escola pública e serviço público de educação, pois que este tanto pode ser prestado por instituições públicas como por instituições privadas", donde "o estatuto das escolas e o grau de autonomia de que gozam devem ser tais que não seja possível distinguir o que é uma escola públicade uma escola cooperativa ou de uma instituição puramente privada". in mobilizacaoeunidadedosprofessores.blogspot.com (12 de Maio de 2008, 17:24:00)


Serão Penalizados Na Avaliação?

Socialistas com mais de 500 faltas

Os deputados socialistas já registaram nesta sessão legislativa, que termina a 18 de Julho, mais de 500 faltas às reuniões plenárias. Perante este cenário, o líder parlamentar do PS, Alberto Martins, chamou a atenção dos deputados e exigiu maior assiduidade.

Será que, quando vierem a apresentar-se novamente (os que o fizerem) a votos, teremos acesso a este tipo de informação e poderemos votar de forma diferenciada nos vários deputados constantes nas listas?

É que se fartam de me dizer que a avaliação dos políticos se faz nas urnas, mas eu só tenho um voto e eles são tantos…

E nem vale a pena doutrinarem-me sobre o facto de eu ter de escolher perante as listas disponíveis no meu círculo eleitoral se, depois de chegados ao Parlamento, eles são «deputados da Nação» e não devem defender interesses particulares como aquel’outro o limiano. in educar.wordpress.com (Maio 13, 2008


El@s não se importam...

João Raio, supervisor do voo TAP, contactado pelo PÚBLICO ainda durante o voo, começou por dizer que aquele era “um voo fretado” e que “às vezes” aquelas situaçõs aconteciam. Questionado pelo PÚBLICO se era ou não proibido disse não ter dúvidas que era. “Às vezes há estas situações de excepção”. Contou então como as coisas aconteceram. “Algumas horas depois de o voo ter partido o ministro Manuel Pinho foi fumar. Ninguém me tinha perguntado se se podia ou não fumar. Fui falar com o comandante que não gostou da situação, mas que disse para arrranjar uma zona para fumar, se não ainda acabariam a fumar no 'cockpit'”.
...
Já em Caracas, o PÚBLICO confrontou Luís Bernardo, assessor do primeiro-ministro que acompanhou a viagem, sobre o facto e sobre as criticas que alguns empresários fizeram. “Já é costume. Já aconteceu em outras viagens. Ouvimos as pessoas que não se importaram”, afirmou. O PÚBLICO não viu, nem ouviu em nenhuma ocasião durante as oito horas de voo algum membro do gabinete do primeiro-ministro questionar fosse quem fosse sobre a possibilidade de se fumar a bordo, num voo onde foi sempre claro que tal era proibido. in ultimahora.publico.clix.pt (13.05.2008 - 13h33 Luciano Alvarez, em Caracas)

Segundo o enviado do Público Luciano Alvarez, o cheiro a fumo era intenso e, apesar da cortina, os empresários que seguiam na comitivia podiam ver tudo. Até que foi a vez do próprio primeiro-ministro quebrar a proibição de fumar por duas vezes entre as 23h30 e as 00h00, apesar da sinalética avisar expressamente que é proibido fumar a bordo do avião, e ter repetido outras vezes durante a madrugada. in diario.iol.pt (13-05-2008 - 14:45h)

Eis o velho argumento dos sacanas e dos totalitários: "el@s não se importam". Que fumemos para cima del@s... que ouçamos a nossa música, que el@s detestam, em alto volume... que o nosso queridinho pit bull @s faça dar a volta ao quarteirão para o evitarem... Que remédio. Porque se se importarem, levam!

2008/05/12

Assassínios por "honra"

Pai de uma iraquiana de 17 anos, sufocou-a e esfaqueou-a até à morte por esta se andar a encontrar com um soldado britânico estacionado em Baçorá.

A minha filha mereceu morrer por se ter apaixonado, disse o monstro.

Em 2007, 47 mulheres foram mortas por terem violado "a honra" da família só em Baçorá e desde Janeiro deste ano a Comissão de Segurança da cidade garante que o número já vai em 36. (fonte: Global, 12 de Maio, pag 11)

Até quando o Ocidente (sempre tão preocupado com os "direitos humanos") vai permitir que estes crimes "tradicionais" contra jovens mulheres que ousam desafiar tradições primitivas, trogloditas e aberrantes, continuem a acontecer?


600 mulheres

Que em silêncio e pacificamente marchavam contra a repressão do Tibete pela China, foram presas em Katmandu, capital do Nepal. (fonte: Meia Hora, 12 de Maio, pag 6)

2008/05/11

Quay Brothers na Monstra 2008

Foram-nos apresentados como sendo uns dos "mais geniais" criadores do cinema de animação da actualidade...

Ontem, no Teatro Maria Matos, em Lisboa, pude ver The Cabinet of Jan Svankmajer (1984), Are we Still Married? (Still Nacht II), de 1991, This Unnameable Little Broom e Can't Go Wrong Without You (Still Nacht IV), ambos de 1993, e Street of Crocodiles de 1986. O comentário é: sim, são geniais.

A Monstra continua.
A agenda oculta do PCP

O PCP é um partido estranho. Mesmo em adolescente, quando era comunista e fui trabalhar para as obras para ser um "proletário a sério", sempre o intuí. Agora, este partido português-concerteza, veio dizer que o Tibete faz parte da China. Sim, faz. Na cabeça pequena e estreita dos dirigentes do PCP.

O PCP também deve achar que com o ditador Putin, a Rússia, finalmente, re-encontrou o bom caminho...

O PCP tem uma agenda própria, não conhecida. Com o mêdo de perder para BE, futuro inevitável, quase diria "escrito nas estrelas", o PCP vai entricheirar-se no "poder local". O "poder local" é o poder da pequena-grande corrupção, da mesquinhez mais redundante e da mediocridade de trazer por casa. É aí, no "poder local" que o PCP conta resistir ao tempo e à história. O PCP não o diz, mas o PCP quer que os professores dependam desse "poder local", como já acontece com as "auxiliares" nas escolas. De concursos nacionais isentos e imparciais, passar-se-ia à contratação por escola. É bom de ver o que iria acontecer se tal viesse a ser aplicado... Os "amiguinhos" seriam contratados e passariam a ser vassalos, agradecidos, das direcções das escolas, assim como dos "paizinhos" que cospem para o chão e batem nas esposas, que passariam a ter voz activa na contratação dos professores. O ensino em Portugal seria rapidamente destruído, e o país também. Então o PCP, que é um dos principais responsáveis pelo clima de desrespeito para com os professores que se vive nas escolas portuguesas, iria aparecer como o "salvador da nação". Mas não. Isto não irá acontecer, apesar do acordo sub-entendido entre os PS e o PCP para depois das eleições legislativas. As escolas e o "poder local" não irão, nunca em Portugal, escolher os professores. Portugal não é a Inglaterra. Muito longe disso. Nem a sociedade portuguesa está suficientemente educada (antes pelo contrário), nem os orgãos de decisão suficientemente sufragados por toda a sociedade civíl, para que isso possa acontecer sem perversões fatais para o futuro do país. Portugal é um país pobre e inculto, minado por "capelinhas" diversas, sobretudo no "poder local". Os concursos nacionais de professores são o garante da isenção e da independência dos professores face aos podres e variados poderes locais. O PCP tem uma aliada de força na Ministra da Educação, que é ex-apoiante da Frelimo e (também) responsável pelas atrocidades que aconteceram em Moçambique após a independência, para onde foi como voluntária aos 17 anos. Mas nem a ministra da educação está para durar dentro do PS, nem o PCP durará como partido de "peso" em Portugal. É certo que conta com a ajuda de Sócrates. Nós sabemos que sim. Mas Sócrates foi um erro de casting no PS, e no PSD, seu (do Sócrates) "lugar natural", o PCP não contará, nem de longe nem de perto, com os apoios que conta dentro do PS.


Únicos e legítimos? Onde?!

Dias da Silva diz que sindicatos são os únicos representantes legítimos dos professores

Pelos vistos, os sindicatos andaram mesmo aos papéis durante muito tempo - já o sabíamos, mas é bom confirmá-lo - e perderam completamente o comboio da contestação ao ME até conseguirem um balão de oxigénio com a manifestação de 8 de Março e depois com o entendimento com o ME.

No fundo, e eu até achei que o entendimento não foi necessariamente negativo e dei-lhe o meu apoio sob reserva, ME e sindicatos queriam era normalizar a situação.

* O ME condescendeu e reconheceu aos sindicatos um papel que lhe negara durante três anos, com o objectivo que eles passassem a enquadrar a acção contestatária multipolar dos professores. Reconhecendo aos sindicatos o direito a estarem presentes em organismos de que antes estariam arredados - substituídos por um Conselho de Escolas que se mostrou meio indócil - o ME precisou dos sindicatos para acalmar os docentes e neutralizar a parte tradicional da contestação.

* Os sindicatos precisaram de ter uma espécie de vitória simbólica para exibir, assim como de recuperar o protagonismo que estavam a sentir ter perdido desde 2005. Incapazes de reagir em seu tempo, os sindicatos uniram-se no sentido de mostrar uma frente única ao ME mas também aos docentes, globalmente fartos do modo de agir de um sindicalismo acomodado, sem imaginação e em risco de ser thatcherizado pela equipa do ME.

Aquilo a que se assiste agora é a uma tentativa dos sindicatos esvaziarem as formas alternativas de organização dos docentes e, nesse sentido, as declarações de João Dias da Silva são bem elucidativas:

Muitos sócios nossos podem ter-se sentido motivados pelos blogues, pelos SMS, pelas mensagens desses movimentos que aliás, durante a contestação, deram um contributo para o reforço do debate entre as pessoas.
(…)
Mas é preciso referir que há diferenças radicais entre o funcionamento dos movimentos informais de cidadãos e os sindicatos. E que, em democracia, a legitimidade da representação dos trabalhadores pertence aos sindicatos e a mais ninguém.
(…)
Não devemos criar confusões com entidades amorfas, que não têm dirigentes eleitos. Prestam contas perante quem? E de quê? Nos sindicatos as opções não resultam de conversas de café ou de encontros na sala de professores, são o resultados de do funcionamento de órgãos constituídos democraticamente. in educar.wordpress.com (Maio 11, 2008)

Vamos lá esclarecer uma coisinha: os sindicatos têm tanta legitimidade para representar os professores como outra qualquer organização de professores. Os sindicatos representam unicamente os seus associados. E pelo que vi no interior dos sindicatos de professores nem isso representam: representam muito menos porque a maior parte dos seus associados só o são para poderem contar com apoio jurídico em caso de necessidade. Também em caso de necessidade os professores saberão impugnar nos tribunais a ideia perversa que Dias da Silva, e todos os sindicalistas profissionais, tentam propagar: que eles são os "únicos representantes legítimos" dos professores. A UE, e suas instituições, pelo menos a este nível, saberão, se fôr caso disso, explicar que a "Europa dos Cidadãos" dá liberdade aos seus cidadãos, ao contrário dos regimes totalitários, de escolherem quem "legitimamente" os representa. Daí ser "Europa dos Cidadãos" e não "Europa das Nações". É que entre um e outro conceito vai a diferença que faz Dias da Silva fazer figura de idiota.


Os possessos

“Se queres conhecer o vilão, põe-lhe um volante na mão!”
[Adágio popular]

Alguns presidentes de conselho executivo — agora nomeados “directores” pela varinha de condão — estão a viver autênticos dias de plenitude profissional nunca antes experimentada. Pelos indícios externos, parece um estado de alma semelhante ao dos adolescentes que acabam de descobrir os segredos do sexo: uma certa lascívia no exercício constante da autoridade “patronal” está a manifestar-se num “quero, posso e desmando” que tem tanto de provinciano como de ridículo: parecem maestros de banda filarmónica, caminhando à frente da trupe, enquanto gesticulam abundantemente, de peito emproado como generais. Depois do 25 de Abril mais triste dos últimos trinta e quatro anos e do 1º de Maio mais sorumbático — e até com o seu quê de “retro”— parece que voltámos ao tempo do medo de falar e dos laconismos cínicos: “porque sim”; “porque eu decidi”; “porque tem de ser”; “estou apenas a cumprir ordens”. Mas… «não nos interroguemos sobre os nossos superiores, porque eles têm preocupações que nós nunca entenderemos», como já se dizia no tempo da senhora dona ditadura.
Alguns empossados, que nós, em tempos, elegemos, mas que hoje — sabendo o que sabemos — não elegeríamos de certeza, estão agora a saborear os aperitivos de um absolutismo que promete, um autoritarismo latente, que esperava apenas pela primeira oportunidade para desabrochar e eclodir. E aí está ele a rebentar, com este "Outono Socratista". Como aprendizes de feiticeiro com alguns truques de magia na varinha, eles estão a repetir os primeiros ensaios, testando a reacção dos seus subordinados, sentindo o prazer da obediência, a satisfação que pode proporcionar uma certa dose de arbitrariedade, o deleite com o medo que se instala. E medo é coisa que não falta aos professores deste país, acossados por todos os lados: toda uma sociedade, com a ministra da Educação e seus acólitos à cabeça, que demite os alunos e respectivos encarregados de educação das suas responsabilidades, atirando todo o ónus do nosso atraso sobre os professores, estigmatizando-os com o rótulo da preguiça e da incompetência. E medo é o que todos os docentes devem sentir com o sistema de avaliação, imposto com o único propósito de poupar dinheiro ao Estado: à custa daqueles que passarão sempre, nunca podendo passar da escolaridade mínima; à custa daqueles que passarão sempre os alunos, nunca atingindo o topo da carreira, nunca sendo respeitados — nem pela tutela, nem pelos alunos, que acabarão por culpá-los pelo seu fracasso, nem por esta casta de “colaboracionistas” , que se colaram como lapas a esta ministra de Educação coveira do ensino público, apoiando todas as suas reformas, mesmo aquelas que mais atentam contra a dignidade da classe docente. E alguns ousaram até ir muito mais além nesta devassa que é o sistema de avaliação: impondo prazos; fazendo aprovar documentos sem distribuição prévia para apreciação e eventuais correcções ou sugestões; ignorando lamentos e críticas dos seus subordinados (antigos colegas), a todos respondendo com um “já está aprovado e não se fala mais no assunto”; criando grelhas de observação e de registo de informação dignas dos “melhores” serviços secretos e a exigirem departamentos de contabilidade específicos — com T.O.C.’s e R.O.C.’s. Só não nos pedem a marca e o tamanho da roupa interior, pelo menos por enquanto! Enfim, estão a fazer o que fizeram alguns timorenses, quando foram invadidos pela Indonésia, o que fizeram alguns franceses quando foram ocupados pelas tropas nazis e o que fazem sempre todos os que têm roupas que podem ser vestidas do avesso: uns sentiram-se imediatamente indonésios, outros sentiram-se imediatamente alemães e outros sentiram-se imediatamente patrões dos colegas, determinados a extorquirem-lhes os “preciosos” números do “sucesso”. Embora eleitos pelos pares, já não os representam e nunca mais os vão representar. Transformaram-se na voz e nas garras deste regime “travesti”, de um diáfano e amaricado autoritarismo democrático, todo ele muito engomado, muito vincado e muito relativo, como convém.
Vislumbro apenas um pequeno senão neste “novo alinhamento”: os professores não se espremem como laranjas e a educação não acontece quando os docentes passam os seus dias apenas na esperança de acordarem deste pesadelo. Actualmente, há cerca de 45 mil professores nos “corredores da morte”, à espera de uma fatídica entrada no ensino, e 200 mil a viverem os seus dias «na esperança de um só dia»: o da saída, como quem espera, numa prisão, pelo fim da pena, arquitectando diariamente uma possibilidade de evasão, ainda que remota ou apenas para manter alguma sanidade mental. Nestas condições, a Escola tornar-se-á o inferno de uns e o purgatório de outros: purgatório de carências, de frustrações, de insatisfação e infelicidade social, de uma revolta crescente. E o futuro julgará aqueles que agora, com conhecimento do terreno, não contestam, não se indignam e até colaboram, como cangalheiros, neste funeral de direitos, liberdades e garantias. O futuro julgará aqueles que são agora “directores” apenas porque foram eleitos para representaram aqueles que agora tiranizam, escudando-se no dever de obediência e no receio da acção disciplinar. A demissão nem sempre é um sinal de fraqueza, de fuga às responsabilidades! Por vezes, pelo contrário, é manifestação evidente de verticalidade e de grandeza de carácter! Por vezes, quando se quer de verdade, quando se ama verdadeiramente o que se faz, é a última arma contra a prepotência e contra o aviltamento, a última bandeira da nossa dignidade!

Sei que muitos pensam como eu, mas quantos terão coragem de se juntar a este grito de indignação? Luís Costa in dardomeu.blogspot.com (9 de Maio de 2008, 23:14)


Irlanda

Ana Casimiro, Licenciada em Ciências Farmacêuticas

Terminei o meu curso em 1994 em Coimbra e voltei para o Alentejo, donde sou originária. Estive a trabalhar como Directora Técnica duma Farmácia durante 10 anos em Campo Maior. Nunca me senti reconhecida pelo meu trabalho. Pelo contrário, senti sempre uma espécie de repulsa. Eles quase preferiam que não fosse sequer á farmácia. A minha presença parecia perturba-los e eu, pouco a pouco, fui-me afastando. Considero que nesses 10 anos regredi na minha profissão, em vez de progredir. Não tinha poder de decisão sobre coisa nenhuma, e andei 10 anos a pedir a informatização da farmácia, o que nunca aconteceu!
O meu marido trabalhava na TMN, e estava francamente farto do trabalho. As oportunidades de trabalho no Alentejo sao muito poucas e ele sentia-se preso, sem qualquer hipótese de sair dum emprego que alem de não o satisfazer profissionalmenteeconomicamente também era mau. Em Agosto de 2005 todos os empregados da empresa tiveram aumento menos 3, entre eles o meu marido. Foi a gota de água e ele começou a procurar na internet trabalho em Espanha, pois vivíamos mesmo na fronteira.
No meio desta pesquisas ele abriu as propostas internacionais e começam a surgir empregos para farmacêuticos todos os dias.
Como a minha situação também não era a melhor, disse-lhe para por o meu CV. Nessa mesma semana começaram os telefonemas de empresas espanholas que se encarregam de procurar farmacêuticos para trabalhar no reino Unido e na Irlanda.
Um deles perguntou-me se estaria interessada na Irlanda, que havia bastante falta de farmacêuticos e que pagavam mais 20000 por ano que no Reino Unido. Respondi que não me importava. No fim de Setembro de 2005 fui a uma entrevista a Barcelona com o dono de 3 farmácias numa pequena cidade no oeste da Irlanda e passado uma semana recebo um telefonema a pedir-me que viesse a Castlebar para ver a cidade, e para decidir se queria mesmo vir. Ele estava um pouco preocupado com o facto de eu "arrastar" comigo o meu marido e 2 filhos,de 4 e 2 anos nessa altura.
Vim no dia 5 de Outubro, achei a cidade pequena e colorida e as pessoas simpáticas, acolhedoras e muito amigáveis.
Despedi-me do meu emprego e no dia 8 de Dezembro estava a trabalhar em Castlebar. Depois de 2 semanas de formação, passei ao cargo de Directora Técnica de 1 das 3 farmácias do grupo. Posso garantir que evolui mais em 2 meses aqui que em 10 anos em Portugal. O meu chefe está satisfeito com o trabalho que faco, sou reconhecida pelo meu trabalho, e estão sempre preocupados com o meu bem-estar e o da minha família.
Os meus filhos, que não falavam uma palavra de inglês, estão na escola, são fluentes, tem amigos. O meu marido trabalha em part-time e ganha o dobro do que ganhava em Portugal!
Considero que a mudança para a Irlanda só pecou por tardia! É claro que nem tudo é fácil, fazem-nos falta muitas coisas de Portugal como o sol, o céu azul, a comida. Mas no geral foi uma escolha acertada. Estou feliz aqui, profissionalmente dei um salto enorme e não tenho planos de voltar para Portugal. Posted by GAP in mindthisgap.blogspot.com, 10.5.08

Nota: os meus primos que foram à vinte anos para a Austrália e que viajam regularmente por todo o mundo, nunca mais puseram o "rabinho" na Tugolândia. Bem hajam!

2008/05/10

Bonito começo

Mota-Engil viu ampliado, pelo Governo, o prazo de concessão do Terminal de Contentores de Alcântara até 2042, diz o Oje. Contra um investimento de 226,5 milhões de euros do grupo Mota-Engil. A obra do regime na expressão do SOL vai ser, portanto, fruto da colaboração entre Governo e Mota-Engil. Bonito começo de mandato para Jorge Coelho. in sol.sapo.pt/Blogs/marcelorsousa (April 29, 2008 8:00 AM)

- Numa altura em que o governo de Sócrates para adiar Portugal optando por esbanjar dinheiro públicos numa nova vaga de Betão e Alcatrão, tal como Cavaco fez. Esse dinheiro devia ser usado na qualificação de recursos humanos. Foi assim que a Irlanda se tornou numa das economias mais fortes da UE. Portugal tem actualmente uma rede de autoestradas de 2100kms. O governo anunciou mais 1793kms de autoestradas. No final teremos 3893kms de autoestradas. Isto é um crime. A maior densidade de autoestradas da UE. A Irlanda tem uma rede de autoestradas de cerca de 191kms.

- Hipocrisia! O PR e os outros políticos sabem muito bem porque é que os jovens (e os menos jovens) se afastam e desinteressam da política. É que, como dizia a Helena Sanches Osório, os partidos portugueses são escolas de crime. Isto só se muda impondo a renovação. A renovação só se impõe por lei. É fundamental que ninguém possa ocupar qualquer cargo político/público ou cargos em partidos por mais de 2 mandatos (8 anos no máximo). Enquanto isso não acontecer continuaremos a ter políticos dinossauros.

- A título de comparação, a Irlanda quando aderiu à então CEE, era um país mais pobre e menos desenvolvido do que Portugal. Em vez de esbanjar os fundos comunitários em obras de regime, a Irlanda investiu os fundos comunitários na qualificação do seu Povo. Em poucas décadas a Irlanda venceu o seu atraso. A Irlanda tem hoje uma das economias mais fortes e que mais crescem da UE. Tem dos salários mais elevados da UE e das populações mais qualificadas. A Irlanda, com uma população de pouco mais de 4 milhões de habitantes, tem uma rede de autoestradas com cerca de 100 Kms. Não tem estádios de futebol novos. O PIB per capita da Irlanda em 1007 foi de $45600. O crescimento do PIB foi de 5,3% em 2007. A taxa de desemprego da Irlanda em 2007 foi de 5%. A Irlanda tinha7% da população a viver abaixo da linha de pobreza em 2005. Hoje tem menos. A Irlanda tem uma dívida pública de 21,1% do PIB.

- Veja-se o disparate de dinheiros públicos que vão ser esbanjados em Betão e Alcatrão. 1.) Novo Aeroporto de Lisboa, 2.) Nova Ponte sobre o Tejo, 3.) TGV, 4.) Novo projecto de Alcântara, 5.) 1793kms de autoestradas. Destas obras públicas só o novo aeroporto de Lisboa é necessário. Todas as restantes obras são desnecessárias e só são feitas para enriquecer mais ainda o lobby do Betão e do Alcatrão e meia dúzia de políticos corruptos. Perante isto, onde está a oposição que nada diz? idem (comentário ao post 25 de Abril e zona ribeirinha, Sunday, May 04, 2008 9:11 PM by Zeus)


Entretanto...

PCP suspeita que criação de um fundo trust tenha sido pedida a sociedade de advogados.

Justiça nega que tenha sido encomendado qualquer contributo a qualquer sociedade de advogados. Finanças mantêm críticas à proposta legislativa.

Será que há um escritório de advogados por detrás da proposta de lei do Governo que visa criar um fundo (trust) em que grandes fortunas ficariam a salvo de credores, designadamente do fisco ou da segurança social?
A dúvida é deixada pelo deputado comunista Honório Novo num conjunto de perguntas enviadas ontem aos ministérios da Justiça e das Finanças, sobre o projecto que se encontra, desde Fevereiro passado, no circuito restrito do Governo. A proposta de lei é composta de um articulado completo em 34 páginas, que regula a figura do trust. Ou seja, trata-se de um fundo detido por um "fiduciante" (pessoa singular ou colectiva) detentor de bens que passam a ser geridos por um "fiduciário" e cujo benefício é a atribuir a si próprio ou a uma terceira pessoa. Esse benefício pode assumir a forma designadamente do rendimento ou gozo pessoal dos bens transferidos - património, direitos de propriedade, de arrendamento, propriedade intelectual, estabelecimentos comerciais, créditos, títulos, instrumentos financeiros ou dinheiro. De referir que, "se o fundo for composto em mais de três quartos do seu valor inicial por instrumentos financeiros ou dinheiro", a função do gestor "só pode ser exercida por intermediário financeiro autorizado", ou seja, uma instituição financeira.
A vantagem do trust decorre de o fundo, segundo o projecto, ter uma "natureza de património autónomo, separado do património do fiduciante, do património do beneficiário e dos outros fundos fiduciários". Isto é, nunca poderá ser lesado por responsabilidades perante terceiros do fiduciante ou do beneficiário. Com a vantagem acrescida de o benefício atribuído a um terceiro poder reverter para o detentor dos bens.
A intenção apadrinhada pelo Ministério da Justiça é criar um instrumento de "promoção do investimento em Portugal", e é citada legislação semelhante em Itália, Holanda, Malta e Luxemburgo. Mas as suas implicações tornam-se evidentes, designadamente na fuga às responsabilidades fiscais.
Em Abril passado, o próprio ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, declarou-o no Parlamento. "Desconheço qualquer iniciativa nesse sentido e devo declarar (..) que discordo inteiramente (...). Não faz sentido, não é coerente nem consistente com (...) o combate à fraude e evasões fiscais". Já o ministro da Justiça, Alberto Costa, defendeu a proposta no Jornal de Negócios como compatível com outros casos na União Europeia e que "uma estratégia afirma-se também frente a novos desafios e inovações".
Foi devido a estas contradições que Honório Novo decidiu avançar com perguntas aos dois ministérios. O deputado levanta a possibilidade de a proposta ter sido elaborada por alguma entidade externa ao Governo, porque, como questiona, não se entende que o ministro das Finanças desconheça uma proposta que eventualmente recebeu a colaboração dos seus serviços. De igual forma, na sua opinião é incompreensível que, face a "matéria fiscal tão vasta relevante (IRC, IRS, IVA, IMI ou IMT), seja a Justiça, e não as Finanças, a elaborar de forma inteiramente completa propostas de alteração aos códigos de seis dos principais impostos nacionais".
"Se não houver respostas, começo a pensar que se tratou de uma encomenda a um gabinete de advogados", afirmou ao PÚBLICO o deputado comunista. 10.05.2008, João Ramos Almeida in jornal.publico.clix.pt


30 jornalistas e 50 bloggers

Encontravam-se presos na China em 2007.

Este ano, devido ao re-acendimento da questão do Tibete com os Jogos Olímpicos, provavelmente o número disparou...
(fonte: artigo do provedor do DN de 10/05/2008)

2008/05/09

Café Müller

É o 8 1/2 da Pina Bausch, disse Fellini. Se em "A Sagração da Primavera", de 1975, que pudemos ver em filme no Teatro São Luiz um dia antes de, no mesmo teatro, vermos ao vivo Café Müller, a coreógrafa utiliza movimentos que poderemos designar como pertencendo a uma estética "neo-clássica", Café Müller (1978) cria uma nova estética que ficou conhecida como "teatro-dança". Da dança neo-clássica anterior nada resta e percebemos que estamos num outro universo que já não é propriamente "dança". Daí a designação Teatro-Dança, adoptada pela própria Pina Bausch. Para a dança Pina Bausch foi um pouco como o Stravinsky para a música: o retorno à "pulsão", contra a racionalidade (não nos deixemos iludir porque Stranvinsky foi um dos maiores "racionalistas" da história da música e não é por acaso que Pierre Boulez o considera talvez a referência maior da "pré-contemporaneidade"). Basicamente porque, tal como na Sagração da Primavera de Stravinsky, o ritmo quadrado pós-romântico é quebrado e desestruturado, criando-se uma nova maneira de pensar e trabalhar o aspecto rítmico, e prespectivando-se um novo mundo musical. Não será por acaso que Pina Bausch decidiu respeitar as indicações coreográficas do compositor da Sagração da Primavera na coreografia que fez desta obra em 1975, mas, na realidade, foi anos mais tarde, trabalhando sobre música barroca e sobre o silêncio com o ruído dos corpos e seus movimentos, que Pina Bausch criou a Sagração da Primavera da dança: Café Müller.


Debussy - Préludes

Em Agosto do ano passado falámos aqui do compositor francês Claude Debussy (1862-1918) referindo, de passagem, os seus Prelúdios. Um prelúdio, tal como o nome o dá a entender, é uma peça instrumental introdutória de uma obra musical. Ou melhor, começou por assim ser, até que, já no século XIX, ganhou vida própria e tornou-se numa peça independente, graças a Frédéric Chopin (1810-1849).

Depois dele, vários outros compositores investiram no género, com especial destaque para Debussy. Com diferenças fundamentais, contudo. Os Prelúdios de Debussy são "cenas da sua vida emocional" e, por via disso e ao contrário dos de Chopin, ostentam títulos. Que, contudo, só aparecem no fim das partituras, como se o compositor nos quisesse esconder até ao limite as motivações de cada um dos 24 que compôs. Por outro lado, Debussy evoca momentos e procura criar uma determinada atmosfera, enquanto Chopin tinha procurado retratar estados de alma.

Os Prelúdios de Debussy dividem-se em dois grupos, de 12 cada. Os que pertencem ao primeiro livro foram compostos num curto espaço de tempo, entre Dezembro de 1909 e Fevereiro do ano seguinte. Quatro deles, os números 1, 2, 10 e 11 foram tocados em público pela primeira vez pelo próprio compositor no dia 5 de Maio de 1910, passam hoje 98 anos. Debussy levou bastante mais tempo a escrever os do segundo livro, deles se tendo ocupado entre 1910 e 1912. Mais difíceis de compor e também de menor aceitação pelo público que, historicamente, sempre manifestou preferência pelo primeiro. A terminar, uma pequena curiosidade: alguns dos prelúdios deste segundo livro foram estreados pelo pianista Ricardo Viñes (1875-1943), o mesmo que, poucos anos antes, tinha estreado a obra Gaspard de la nuit de Maurice Ravel (1875-1937). in desnorte.blogspot.com (Maio 05, 2008)


Lords of Outland

Sou um admirador confesso e declarado do grupo mais dark underground dos vários que o meu amigo Rent Romus tem em marcha, os Lords of Outland. Neste quarteto jogam o versátil Rent Romus, moço trintão versado nas artes do acordeão, e nos saxofones alto, soprano e c-melody, cabendo-lhe também vozear para dentro duma máquina a ver no que dá; há ainda C J Borosque, electrónica e pedais de efeitos; Ray Scheaffer, baixo de 6 cordas; e Philip Everet, bateria, autoharp e electrónica. É desta invulgar e arrevesada combinação de músicos das áreas acústica e electrónica que o saxofonista da West Coast extrai a energia e a inspiração para os seus carrosséis sonoros, vulgo composições, que são tudo o oposto de uma música inócua, descritiva, confortável ou de bons sentimentos. Porque a realidade é grotesca, natural se torna que a arte reflicta esse lado menos conveniente e acomodatício. You Can Sleep When You're Dead (Edgetone Records, 2007), apanha o grupo no maior freakout de que há memória nos Lords of Outland, um dos expoentes do avant-jazz actual, bastante diferente das escolas de Nova Iorque e Chicago. Uma mistura luxuriante de catarse sonora e hipérbole psicótica de visões demoníacas. Mas calma aí, que nada disto se deve confundir com estardalhaço gratuito (gratuito aqui, para mim, só o exemplar que me calhou, porque me foi gentilmente oferecido pela artista, prática assaz saudável, que recomendo a todos os artistas que me interessem ouvir), ou com uma vulgar sessão em que se desatina forte e feio e há porrada de criar bicho. Não, aqui há ideias, há enquadramento, estrutura, mesmo que muito vaga e flexível, maturidade, saber (este pessoal da Califórnia sabe-a toda, de trás para a frente e têm menos cagança que o da Costa Este, em geral), expressividade e sólida cultura musical. O disco é bom, ouve-se várias vezes seguidas sem cansar. Sugere imagens visuais as mais coloridas e assim refresca os neurónios. Nessa medida faria particularmente bem àqueles (neurónios) habituados a uma dieta rigorosa de jazz murcho e copião, tão em voga nos salões da actualidade. Au contraire, a brincadeira aqui é muito a sério e por vezes em You Can Sleep When You're Dead a tensão sobe a pontos de meter medo. Mas não há papão nenhum, é só a mostrar os dentes, não morde. Só Lord (esta foi gira). Acordai, permanecei vigilantes, que tendes tempo para dormir depois do apito, digo, do Juízo Final. in jazzearredores.blogspot.com (8.5.08)


Pierre Boulez and the LSO

Boulez's final appearance with the LSO this season - catch him if you can!

'Boulez at 83 still conducts such music with greater power, clarity and finesse than anyone else ... a dazzling concert.' The Guardian, May 2008

'For a concert offering a showpiece in the classics of 20th-century music, look no further.' Financial Times, May 2008

'an astonishingly bold exploration of 20th-century modernism.' Evening Standard, May 2008

'Boulez is in his prime, warm and sensitive, detailed without being clinical ... this was also thrilling playing ... the LSO at its best.' LSO audience member Jonathan Lamede, May 2008

Sunday 11 May, 7.30pm
Barbican, London

Schoenberg - Die glückliche Hand, Op 18
Matthias Pintscher - Osiris (British premiere)
Bartók - Duke Bluebeard's Castle

Pierre Boulez, conductor
Michelle De Young, mezzo-soprano
Peter Fried, bass
BBC Singers
London Symphony Orchestra
TIME

Friday, May 9, 2008

And the Winner is...

Barack Obama has refused to play by the old political rules. He's about to be rewarded for it.


Presidência portuguesa da UE custou 15 mil euros/hora

E durou 187 dias!

Só 11 milhões foram gastos na cimeira UE/África. Aquela onde se vieram passear os ditadores africanos... (fonte: Destak, 9 de Maio)


Info-pidismos

«A IGE está a entregar aos alunos e encarregados de educação uma ‘arma’, capaz de disparar no silêncio, quiçá no anonimato» , alerta Ilídio Trindade do Movimento para a Mobilização e Unidade dos Professores (MUP), que se diz preocupado com este «convite» à apresentação de queixas.

Para Trindade, o facto de a denúncia poder ser feita pela internet pode levar a «atropelos e difamações» e fazer com que os professores «se sintam intimidados e ainda mais desautorizados».

O dirigente do movimento cívico lembra que os professores não têm um meio idêntico para se queixarem de situações de agressão e que «as burocracias fazem com que muitos não as denunciem». sol.sapo.pt (9 Maio 2008, cerca das 17:30h)
Agitar o charco

2008/05/08

Vê lá quem convidas!

O Jornal de Angola avisou o BES (que foi quem convidou Bob Geldof) para passar a ter mais cuidado com os convidados que traz às palestras que organiza... O BES detém a ESCOM, que está a ser investigada pelo ministério público no caso Portucale e está envolvida no negócio das contrapartidas associadas à venda de equipamento militar às Forças Armadas Portuguesas. A ESCOM tem interesses em Angola associados com a Endiama que é a empresa de diamantes do estado angolano e também vai entrar no sector petrolífero. (fonte: Público, 8 de Maio, pag 17)

Após a intervenção de Geldof o BES demarcou-se imediatamente qualificando-a de "caluniosa". Nós sabemos (o) que é...


As palavras de Bob Geldof

As casas mais ricas do mundo estão na baía de Luanda... Portugal estará entre os primeiros a sofrer o impacto de qualquer problema em África... Deveria promover o seu desenvolvimento... porque (Portugal) tem uma economia muito vulnerável e está paredes meias com África.

Nota: tanto António Guterres como Sócrates visitaram Angola e teceram elogios ao regime, "esquecendo-se", ambos, tanto dos direitos humanos como da corrupção que mina todo o "sistema".


Ele há coisas...

Como a Monstra (festival...) não tem internet ao dispôr fui ao centro comercial na avenida de Roma, ali ao lado, onde há um "net-centro" do pelouro da juventude da CML. Só até aos 30 anos, responderam. Olhe que tenho uma certa urgência, insisti. Não dá, retorquiram. Havia vários computadores livres e quem os paga, a todos, também são os meus impostos. Já agora gostaria de ver os feitos dos jovens portugueses até aos 30 anos que mereçam que lhes sejam atribuídos tamanhos info-privilégios...


Sistema educativo à portuguesa

Sobre o estado do "sistema educativo" português, quero dizer que se estão a criar hordas de incompetentes que não encontrarão trabalho nem em Portugal nem fora de Portugal. Porque não prestam para trabalhar (e muito menos para pensar). Lá fora querem quem trabalhe. Quem trabalhe a sério. Mesmo os portugueses que vão para trabalhar (e "não piar") já encontram problemas. Por exemplo em Espanha, na Galiza, onde os sindicatos os acusam de trabalharem mais por menos dinheiro, competindo ilicitamente (porque aceitam trabalhar sob condições ilegais) com os trabalhadores espanhóis. @s alun@s portugues@s que se vão queixar lá fora como (alguns/algumas) cá se queixam d@s professor@s (incentivados evidentemente pela política infame da ministra da educação). Logo verão a realidade... A verdadeira realidade. Muit@s alun@s portugueses maltratam @s suas/seus professor@s. Maltratam aquel@s que frequentemente são os únicos seres que se interessam verdadeiramente por el@s, educando-@s e formando-@s, e, muitas vezes, detectando e denunciando crimes monstruosos que se passam dentro dos seus lares. Um dia este "sistema educativo" português acabará por estourar. Simplesmente porque é insustentável. E porque Portugal não tem petróleo que lhe permita manter hordas de inúteis. Melhor: hordas de jovens que o "sistema" se encarregou de educar para a inutilidade. Mesmo que tivesse petróleo... Olhe-se para Angola, que tem petróleo e diamantes... Muitos portugueses, seguramente vítimas de um "sistema de ensino" que não lhes desenvolveu as faculdades mentais e intelectuais, parecem padecer de sérias "limitações cognitivas" e imaginam que tudo está definitivamente adquirido. Não conseguem perceber que sob o espectro da "crise", da crise a sério e do desemprego em massa, serão dos primeiros, a seguir aos de "leste", a serem enxutados, como ratos, dos países para onde tiveram e terão de imigrar (ou será que ainda acreditam no milagre dos 150 mil empregos?!). E de nada lhes valerá dizerem que são europeus e pertencem ao espaço Schengen...


Aplicar o sistema...

Já que muitos jornalistas e comentadores defendem e compreendem o modelo proposto para a avaliação dos docentes, estranho que, por analogia, não o apliquem a outras profissões (médicos, enfermeiros, juízes, etc). Se é suposto compreenderem o que está em causa e as virtualidades deste modelo, vamos imaginar a sua aplicação a uma outra profissão, os médicos.

A carreira seria dividida em duas: médico titular (a que apenas um terço dos profissionais poderia aspirar) e médico. A avaliação seria feita pelos pares e pelo director de serviços. Assim, o médico titular teria de assistir a três sessões de consultas, por ano, dos seus subordinados, verificar o diagnóstico, tratamento e prescrição de todos os pacientes observados. Avaliaria também um portefólio com o registo de todos os doentes a cargo do médico a avaliar, com todos os planos de acção, tratamentos e respectiva análise relativa aos pacientes. O médico teria de estabelecer, anualmente os seus objectivos: doentes a tratar, a curar, etc. A morte de qualquer paciente, ainda que por razões alheias à acção médica, seria penalizadora para o clínico, bem como todos os casos de insucesso na cura, ainda que grande parte dos doentes sofresse de doença incurável, ou terminal. Seriam avaliados da mesma forma todos os clínicos, quer a sua especialidade fosse oncologia, nefrologia ou cirurgia estética… in percuciente.wordpress.com (6 Maio, 2008)


Avaliem-se os responsáveis!

Quase dois terços dos processos de corrupção foram arquivados em Portugal, refere um estudo relativo a 2002-2003 divulgado esta terça-feira, que revela ainda que a carta anónima é método usado para denunciar a maioria dos casos. O autor do estudo concluiu ainda que «a Justiça não chega à grande corrupção», noticia a Lusa. in diario.iol.pt (06-05-2008 - 16:05h)


A Monstra começa hoje.


Baltic Sea Festival 2008

21 August, 7.30pm, Stockholm, Berwaldhallen - Opening concert

West-Eastern Divan Orchestra, Daniel Barenboim

Hadyn: Sinfonia concertante

Schoenberg: Variations for Orchestra Op. 31

Brahms: Symphony No 4


21 August, Seminar with Daniel Barenboim

Cooperation and Leadership without borders


22 August, 7.30pm, Stockholm, Berwaldhallen

Baltic Sea Festival Choir, Swedish Radio Choir, Gustaf Sjökvist

Music by Brahms, J Sandström, Tomis and others


23 August, 6pm, Stockholm, Berwaldhallen

Finnish Radio Symphony Orchestra, Esa-Pekka Salonen

Helsinki Philharmonic Choir

Janácek: From the House of the Dead

Petri Bäckström, tenor

Tuomas Katajala, tenor

Dan Karlström, tenor

Jussi Myllys, tenor

Jorma Silvasti, tenor

Gabriel Suovanen, baritone

Mika Kares, bass

Esa Ruuttunen, bass

Anna Danik, sopran


24 August, 6pm, Stockholm, Berwaldhallen

Swedish Radio Symphony Orchestra, Esa-Pekka Salonen

Malena Ernman, mezzo-soprano

Holocene film concert World premiere

Jonas Bohlin, music

Majgull Axelsson, text

Lars Siltberg, film


24 August, Seminar

Is this the end of the world?


25 August, 7.30pm, Stockholm, Berwaldhallen

Sinfonia Varsovia, Krzysztof Penderecki

Penderecki: Agnus Dei

Penderecki: Viola concerto (cello version)

Sjostakovitj: Symphony No 6

Soloist TBA


26 August, 7.30pm, Stockholm, Berwaldhallen

Sinfonia Varsovia, Krzysztof Penderecki

Penderecki: Sinfonietta per archi

Szymanowski: Violin concerto No 1

Dvorák: Symphony No 8

Soloist TBA


27 August, 7.30pm, Stockholm, Berwaldhallen

Swedish Radio Symphony Orchestra, Daniel Harding

Schumann: Overture to Genoveva

Klas Torstensson: The Polar Sea World Premiere

Schumann: Symphony No 3


27 August, Stockholm, Finnish Embassy, WWF-Seminar

The Governments lack of responsibility for the environment in the Baltic Sea


28 August, 7.30pm, Stockholm, Berwaldhallen

Latvian National Symphony Orchestra, Olari Elts

Mischa Maisky, cello

Dvorák: Cello concerto

Tjajkovskij: Symphony No 4


29 August, 7.30pm, Stockholm, Berwaldhallen

Mariinsky Theatre soloists, choir and orchestra, Valery Gergiev

R. Strauss: Elektra


29 August, 9m, Stockholm, Oscarskyrkan

Swedish Radio Choir, Grete Pedersen

Berit Opheim, song

Music by MacMillan, Grieg, J Sandström and others


30 August, 6pm, Stockholm, Berwaldhallen

Mariinksy Theatre Orchestra, Valery Gergiev

Program TBA

2008/05/07

Bob Geldof diz que Angola é gerida por criminosos

Repare bem: no mesmo dia em que Alípio Ribeiro se demite da PJ, o procurador-geral da República reconhece fracassos no combate ao enriquecimento ilícito; as polícias são das áreas com maior risco de corrupção, diz um estudo que inclui também as autarquias e construtoras na lista negra; a direcção do Boavista cai, com o clube à beira da extinção sob fortes indícios de descapitalização (fraudulenta) do clube.

Bob Geldof diz que Angola é gerida por criminosos e Bruxelas processa Portugal por desrespeito em apoios a projectos turísticos, horas antes de a CMVM acusar o BCP de ter mentido. Se este "cocktail" não o deixa assustado, saiba uma última notícia que o deixará: ontem não foi um dia muito diferente dos outros. Pobre país o nosso.
...
Alípio Ribeiro demite-se porque a Polícia Judiciária está a ficar sem meios, sem resultados, sem autoridade e sob dependência do Governo. Fê-lo expondo-se ao ridículo para, na melhor das hipóteses, mostrar o quão ridicularizada está a ser a Judiciária. Mas julgar Alípio Ribeiro pelo que está a suceder é como ver a árvore e não a floresta que está a arder. Quem deve estar sob julgamento é José Sócrates e Alberto Costa, pelo que fizeram e sobretudo pelo que vão agora fazer. Ou pelo que não vão fazer.

PS: O discurso de Bob Geldof num almoço ontem em Lisboa foi empolgante, muito aplaudido, arrancou risos, olhares de consternação e sentimentos de culpa de cidadãos de um país rico que tem um continente com fome a poucas dúzias de quilómetros. Mas só uma vez a plateia se mexeu nervosamente na cadeira: quando a estrela do Live Aid disse que Angola é um país rico e governado por criminosos. A frase caiu como uma bomba numa sala repleta de "relações empresariais" com um país cheio de oportunidades e cheio de dinheiro.

Todavia, o discurso de Bob Geldof deveria ter provocado incómodo maior que esse. O incómodo de uma Europa egoísta nas ajudas a terceiros, arrogante na imagem que faz de si mesma e incapaz de ver a sua própria decadência política e económica num mundo em reequilíbrio. Esse incómodo não se destina a outros povos mas às nossas consciências. Contudo, elas rapidamente ficaram sossegadas depois do almoço e voltaram à vidinha logo depois. Mudar de vida? Mude quem canta rock! Pedro Santos Guerreiro in jornaldenegocios.pt (7 Maio 2008 15:01)

Estou em crer que ainda vai surgir uma petição à UE para que nomeie um directório que governe Portugal... Mal por mal...
Estado do sítio

Condenados por pedofilia podem adoptar crianças pois a lei determina a limpeza do cadastro após cinco a dez anos (Metro, 7 de Maio)

A lei não presta. Como o país...

Não sei se já se esqueceram que Hugo Marçal frequenta o curso para magistrado do ministério público...


1200

É o número dos suicídios anuais em Portugal (a média dos últimos anos ou o número dos que aconteceram em 2007?), segundo o que foi escrito sob o título Brandos Costumes, na edição do diário gratuíto acima referênciada.

Depois digam, como consolação pelo abissal e jamais ultrapassável atraso em relação aos nórdicos, que eles é que se suicidam muito...


Desinteresse pela política? Porque será...

Onde está, então a "boa notícia"?

Para o primeiro-ministro está no facto de este ano, segundo as previsões, Portugal ir crescer tanto como a Europa do euro, ou seja, 1,7%. Chamou a isto convergir. Ora, até um dos muitos jovens que não se interessa por política sabe que, se vamos crescer tanto como os países mais desenvolvidos, a distância mantém-se... Para convergir será necessário que Portugal cresça mais e durante mais anos. São estes jogos de palavras que contribuem para que as pessoas, novas ou velhas, desconfiem dos políticos e da política. Luis Marques in A Europa ao contrário, Expresso-economia, 3 de Maio, pag 3.


Governantes criminosos

Lisboa, 06 Mai (Lusa) - O músico e activista Bob Geldof afirmou hoje em Lisboa que Angola é um país “gerido por criminosos” (este foi também o tema da primeira página do Global de 7 de Maio)


Cereja no bolo (da incompetência)

Inflação "dos pobres" é de 5,6%, o dobro do anunciado pelo Governo

Misericórdia calcula que o preço do cabaz de produtos essenciais, como os alimentares, subiu 3,1% mais que a inflação prevista (pelo governo) in Meia Hora, 7 de Maio.


Quando dizem que os professores portugueses ganham bem devem, concerteza, estar a pensar nestes.

2008/05/06

a Diferença

"Há uma diferença entre o Islão e religiões como o cristianismo, judaísmo, budismo, e hinduísmo: hoje, no Ocidente, apenas o Islão responde com violência", acusa Ayaan Hirsi Ali. (Expresso, 3 de Maio, pag 33)

2008/05/05

Brand Upon the Brain

É o filme por nós (mim) escolhido como o mais interessante e inovador apresentado no ciclo Director's Cut do Indie Lisboa'08. Já aqui falamos de outro trabalho de Guy Maddin que reafirma, e consolida, o seu estilo muito peculiar. Considero que este criador re-actualiza a linguagem do cinema mudo de forma inovadora e inteligente, re-actualizando simultaneamente a "estética surreal" de maneira nova e diferente de tudo o que até agora tinha sido feito. Maddin, em Brand Upon the Brain (2006), utiliza um granulado grande, a preto e branco, que cria um efeito "antigo". Simultaneamente dá-nos flashes do passado e das memórias passadas, em milionésimos de segundos, a cores, invertendo o clássico cores->presente / p/b->passado. O seu estilo narrativo - neste filme pela voz de Isabella Rossellini - é inconfundível, e Maddin criou uma linguagem cinematográfica própria. Para nós (mim) foi o realizador mais interessante que passou pelo Indie Lisboa'08 e a grande revelação desta edição do festival.

2008/05/04

O despertar dos liberais

ruy Diz:
4 Maio, 2008 às 11:45 am

Na perspectiva neoliberal, os pobres são culpados pela pobreza; os desempregados pelo desemprego; os corruptos pela corrupção; os professores pela péssima qualidade dos serviços educacionais. O neoliberalismo privatiza tudo, inclusive também o êxito e o fracasso social. Ambos passam a ser considerados variáveis dependentes de um conjunto de opções individuais através das quais as pessoas jogam dia a dia seu destino, como num jogo de baccarat. Se a maioria dos indivíduos é responsável por um destino não muito gratificante é porque não souberam reconhecer as vantagens que oferecem o mérito e o esforço individuais através dos quais se triunfa na vida. É preciso competir, e uma sociedade moderna é aquela na qual só os melhores triunfam. Dito de maneira simples: a escola funciona mal porque as pessoas não reconhecem o valor do conhecimento; os professores trabalham pouco e não se actualizam, são preguiçosos; os alunos fingem que estudam quando, na realidade, perdem tempo, etc

A resposta neoliberal é simplista e enganadora: promete mais mercado quando, na realidade, é na própria configuração do mercado que se encontram as raízes da exclusão e da desigualdade. É nesse mercado que a exclusão e a desigualdade se reproduzem e se ampliam. O neoliberalismo nada nos diz acerca de como actuar contra as causas estruturais da pobreza; ao contrário, actua intensificando-as.

Os governos neoliberais não só transformam materialmente a realidade económica, política, jurídica e social, também conseguem que esta transformação seja aceite como a única saída possível e dolorosa para a crise.

Francisco Diz:
4 Maio, 2008 às 5:25 pm

“A parcela de riqueza que é destinada aos salários é actualmente a mais baixa desde, pelo menos, 1960 (o primeiro ano com dados conhecidos). Em contrapartida, a riqueza que se traduz em lucros, que remuneram os detentores do capital, é cada vez mais alta.” (nos comentários do blasfemias.net)


Para mim, o "liberalismo" é uma "não-coisa". Poderia recomendar-vos bibliografia variada, inclusivé de prémios Nobel da economia, mas, assim de repente, sugiro-vos o artigo The Bear Trap, da Time (Europa) de 21 de Março.


Estava a navegar...

e abriu-se, sem eu o pretender, uma página onde se lê:

Os equívocos igualitários na Educação III

Não esqueçamos que estes equívocos têm um efeito de cascata. Um aspecto grave do clima beatífico de compreensão e laxismo na avaliação do desempenho dos alunos tem sido a sua transferência para a formação dos próprios futuros professores. Aqueles que hoje são alunos dos nossos “Cientistas da Educação”, e serão futuramente professores e para isso deveriam estar a ser convenientemente formados, são eles próprios objecto da aplicação destas teorias de desculpabilização generalizada e só a custo do seu brio pessoal e profissional conseguem, em alguns casos, ultrapassar esta teia. A teoria da reprodução de Bourdieu e Passeron anda por aqui, embora aplicada numa versão “mutante?, bem como a ideia de que a Escola é um “aparelho ideológico do Estado? (Althusser) também não está longe, só que agora ao serviço de outros senhores e de outros ideais.

Mas o efeito mais pernicioso deste ambiente de irresponsabilidade na Educação é certamente o seu alastramento à área disciplinar, alargando a compreensão pelo incumprimento das obrigações escolares dos alunos às próprias normas de conduta em comunidade. A partir do momento em que esta visão prevalecer, para além de não ser necessário desenvolver um esforço mínimo para obter sucesso não será igualmente necessário sequer respeitar o próximo.

“(…) é preciso dizer que, entre nós, a autoridade do professor, dentro e fora da aula, foi sistematicamente minada por decisões de sucessivos governos durante as últimas décadas. E recebeu com este regulamento [disciplinar] mais um golpe profundo. De acordo com a doutrina que o instituiu e que hoje é dominante na Educação, a indisciplina resolve-se pela mesma via que se procura «resolver» o insucesso escolar: baixando os níveis de exigência, camuflando os resultados, encobrindo o que está mal, varrendo os problemas para debaixo do tapete? (Fernando Madrinha, Expresso, 5 de Fevereiro de 2000, pg 2)

O erro estará sempre, certamente, do lado do professor. Se a criança não se interessa pelo estudo, se adopta comportamento perturbadores, se demonstra atitudes de insubordinação constante, se agride verbal ou fisicamente colegas ou professores, o mal está sempre do outro lado – em quem lhe procura exigir um mínimo de trabalho e correcção. É certo que devem ser procuradas as causas desses comportamentos mas não parece correcto transferir as culpas para os professores. Entre outros problemas, isso apenas serve para agravar o sentimento de vulnerabilidade e insegurança pessoal dos docentes e a desagregação do pouco prestígio social que resta lhe resta enquanto classe.

“Nos tempos que correm, um professor sabe que, por muito alta que seja a sua qualificação profissional, por muito inatacável que seja a sua conduta, poderá acabar por ser culpabilizado pelos pais dos alunos e pelas autoridades académicas. Executa um trabalho difícil e necessário, fundamental mesmo, mas mal pago, mal considerado, que o esgota fisicamente e não lhe traz, na maior parte das vezes, qualquer compensação, agradecimento – ou sequer respeito? (António Muñoz Molina, Visão, 17 a 23 de Fevereiro de 2000, 114)

O resultado desta pretensa democratização do sistema de ensino público será, a médio prazo, o inverso do que se diz pretender porque os pais que se preocuparem verdadeiramente com a qualidade da Educação dos seus filhos, e tiverem meios para isso, fugirão para as escolas de elite, acentuando clivagens que mais tarde se revelam, inapelavelmente, no acesso ao mercado de trabalho.

Não sei se somos filhos, netos ou sobrinhos de Rousseau; o que sei é que somos enteados dos anos 60 e de um espírito requentado de contestação libertária e igualitária (o celebrado “proibido proibir? de Maio de 68, já com mais de três décadas e a necessitar de revisão para os mais nostálgicos da sua adolescência) contra qualquer forma de disciplina e autoridade que já teve o seu tempo mas que, infelizmente, tem poiso na 5 de Outubro onde se tem vindo a enquistar com tenacidade. E, a propósito da influência do espírito de Rousseau na Educação, o mínimo que se pode dizer é que Rousseau era certamente boa pessoa e tinha boas intenções, mas dificilmente teria ideia do que seria uma escola dos subúrbios de uma grande urbe da sociedade industrializada do século XXI.

Alguém terá levado muito a sério, há quase um quarto de século, uma certa canção dos Pink Floyd. Afinal, o melhor é os professores deixarem os alunos em paz. in educar.wordpress.com, Dezembro 12, 2005

Curioso, heim?
Voltar ao marco e acabar de vez com a UE

"Um terço dos alemães quer deixar a moeda única da zona euro e voltar ao marco"

Aparece, muito discretamente, no canto inferior direito de uma página esquerda (o canto no qual 50% - atenção que esta afirmação não é "científica" - dos leitores não reparam) do Público de 3 de Maio, página 42.

Não convém roubar aos portugueses a esperança... Uma vez que em Portugal o futuro se joga entre a Europa e as trevas. Descansem que só são um terço!

Mas... se pensarmos que o palhaço louro que ganhou a câmara de Londres não é propriamente um europeísta... Para não falarmos do fachistóide que ganhou a câmara de Roma, que se esquece dos milhões de italianos que tiveram que fugir do seu país para escapar à miséria e à fome, no passado, e ao desemprego na actualidade.


Para que o partido do táxi se transforme no da biciclete*

O CDS-PP levou ao parlamento português um voto de pesar pelo cónego Melo, que foi um asqueroso bombista de extrema-direita. É preciso lata! Mas lata não falta à gente do "partido do táxi" que quando - pela mão de Barroso e Santana - passaram pelo governo português, logo se encarregaram de encomendar submarinos, num concurso duvidoso cujo montante daria para construir duas pontes Vasco da Gama, para além do caso Portucale e de outros que não chegaram ao conhecimento do público.

O grave não foi a lata da gentalha do CDS-PP ter levado ao parlamento um voto de pesar por um bandido. O grave foi que só meia dúzia, ou pouco mais, de deputados abandonaram o hemicíclo em sinal de protesto: uns poucos do PSD e do PS, e a totalidade dos deputados do BE. Do PCP não chegou notícia... e a "esmagadora maioria" da gente do PS e PSD ficou lá dentro. De facto, sou condicionado a concordar com a teoria da "massa". Ou com a da tribo escorraçada e sitiada pelo Atlântico. Talvez com as duas... * de um lugar


Casos residuais

390 queixas de agressão dos filhos sobre os pais

O número de queixas de agressões de filhos a pais não pára de aumentar em Portugal: se em 2006 a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) recebeu 349 denúncias de pais contra os filhos, no ano passado este tipo de violência doméstica disparou para 390 casos, uma subida de 12 por cento face a 2006. Os actos agressivos de jovens com idades entre 18 e 25 anos já representam 20 por cento do total das denúncias registadas pela APAV.
...
- O fenómeno pode ser mais grave ainda?

– Pensamos que sim. Não é fácil um pai ou uma mãe reconhecer que o seu filho é capaz de ter comportamentos daqueles. E ainda é mais difícil assumir a possibilidade de se queixarem à polícia e aos tribunais. in correiomanha.pt (04 Maio 2008 - 13h00)


Democracia portuguesa é das piores da Europa

A qualidade da democracia portuguesa está longe de ser comparar às melhores democracias europeias. Ao invés, encontra-se bastante abaixo da média, situando-se ao nível de países como a Lituânia e a Letónia, e só acima da Polónia e da Bulgária.

As conclusões são da Demos, uma organização não governamental (ONG) britânica que tem por principal objectivo "pôr a ideia democrática em prática" através, por exemplo, de estudos. A Demos divulgou no final de Janeiro um "top" de avaliação da qualidade democrática em 25 países da UE denominado "Everyday democracy index" (EDI, cuja tradução possível será "index da democracia quotidiana"). Trata-se de uma avaliação sofisticada que envolve mais itens do que o normal em avaliações deste género. O escrutínio não se fica pelos aspectos formais da democracia (eleições regulares, por exemplo). Vai mais longe, avaliando o empenho popular na solução democrática dos seus problemas e, por exemplo, a qualidade da democracia dentro das relações familiares. Os resultados quanto a Portugal contrastam, por exemplo, com o último Democracy Índex mundial divulgado pela revista britânica The Economist, e relativo a 2007. Nessa tabela (ver DN de 5 de Abril), Portugal aparece classificado em 19º lugar (no mundo), posição que sobe para 12º quando vista apenas entre os 27 países da UE.

No EDI, Portugal está em 21º lugar, ficando apenas à frente da Lituânia, da Polónia, da Roménia e da Bulgária. Vários países que até há poucos anos orbitavam no império soviético encontram-se melhores classificados, segundo este "top". O que se passa então com Portugal? Olhando para o gráfico, percebe-se a resposta: de um ponto de um ponto de vista da democracia formal, Portugal fica em 14º lugar, acima de países como a Espanha ou a Grécia ou a Itália. O que puxa a democracia portuguesa para baixo são os outros critérios. Por exemplo: a participação. Aqui a posição portuguesa desce para 19º lugar. Ou seja, as instituições políticas formais estão pouco cercadas de associações cívicas que as escrutinem.

Um aspecto inovador do estudo da Demos é o que avalia também a "democracia familiar". Tenta perceber-se em que países há mais direitos para cada um escolher a estrutura familiar. Entre os 25 países analisados, Portugal ficou em 21º. No cômputo geral, a Demos concluiu o que já se intuía: há um claro padrão geográfico na qualidade das democracias. Os países nórdicos são os melhores. As democracias vão-se fragilizando à medida que se desce no mapa europeu. Os países protestantes tendem a ser mais abertos que os católicos. in dn.sapo.pt (2008/05/04)

Max Weber sempre colocou de um lado os países protestantes, livres e ricos, e do outro, os católicos: repressivos e pobres...


Democracia à africana

As eleições na concelhia do PS na Amadora acabaram nas mãos de José Sócrates - o candidato derrotado apresentou queixa ao secretário-geral do partido pelo que diz serem "irregularidades graves" no processo. À espera da resposta, quer levar o caso às últimas consequências. "Isto não fica assim, quero ver tudo esclarecido", afirma Guilherme Magalhães. Que aponta "irregularidades estatutárias" e admite que haja matéria do "foro criminal".

Avançada ontem pelo semanário Expresso, a polémica envolve a inscrição de cerca de uma centena de novos militantes, que entraram naquela estrutura socialista na data limite (seis meses antes do acto eleitoral) para poderem votar nas eleições concelhias de Março último. O Expresso cita alguns destes novos filiados no PS, que dizem ter recebido cartas com cartões de militante, e as vinhetas que comprovam o pagamento de quotas - sem que, afirmam, alguma vez se tenham inscrito no partido ou pago qualquer valor.

O semanário refere ainda que nos cadernos eleitorais da secção da Amadora o mesmo nome repete-se com moradas diferentes, ou a mesma morada revela dois nomes praticamente iguais. in dn.sapo.pt (2008/05/04)


Pois!

anahenriques Diz:
Maio 4, 2008 at 3:17 am

Os (nossos) jovens estão, neste sentido, a ser sábios. Querem lá saber do sr Silva que tem uma reforma de 800 contos por mês por ter passado pelo banco de Portugal! (dos comentário no "umbigo")


Paulo Portas: a impunidade não pode continuar - 5

Bom, nem vale a pena falar do caso que não é de incúria, mas de despudorada violação criminosa, que levou Paulo Portas a sair do Ministério da Defesa com quase 62.000 fotocópias de documentos classificados como "confidencial", "NATO", "submarinos", "ONU" e "Iraque"; documentos que não são obviamente “pessoais”, como ele alegou, já que se fosse esse o caso, bastaria levar ....os originais.
Resumindo, já que Paulo Portas insiste na necessidade de pôr fim à impunidade no Estado e dos seus agentes, porque não apurar a extensão das suas próprias responsabilidades quando foi governante de Portugal?
A impunidade não dura para sempre. A de Paulo Portas não pode continuar. [Publicado por AG] [23.4.08]

Paulo Portas: a impunidade não pode continuar - 4

Também foi a incúria (no mínimo) de Paulo Portas à frente do Ministério da Defesa que explica como é que foi assinado um contrato de €450 milhões com a AgustaWestland para a aquisição de uma frota de 12 helicópteros EH-101... sem um contrato paralelo de manutenção e operação dos aparelhos, dos quais agora uns são canibalizados para pôr outros a funcionar. É verdade que a AgustaWestland também tem responsabilidades no cartório, no que toca à falta de peças e às falhas mecânicas que regularmente são referidas na imprensa, e que já causaram acidentes com feridos. Mas já em 2001, houve quem questionasse se não era disparate duplicar os encargos logísticos, adquirindo os NH-90 para o Exército e os EH-101 para a Força Aérea - helicópteros de dimensões e capacidades comparáveis, mas de empresas diferentes. Agora a resposta está aí nos aviões parados e avariados (mas avariadas não estarão provavelmente as continhas bancárias de alguns senhores envolvidos no negócio). [Publicado por AG] [23.4.08]

Paulo Portas: a impunidade não pode continuar - 3

Porque foi a incúria (no mínimo) de Paulo Portas pelo interesses do Estado que levou Portugal a enterrar uns faraónicos €1,07 mil milhões na aquisição de dois submarinos - que o país vai ficar a pagar por largos anos - de que o país precisa tanto como ... de um porta-aviões (bem sei, bem sei, que a Marinha invocava o periscópio da Espanha a controlar-nos os mares). Mas a lógica desse contrato começa a ser mais inteligível quando está sob investigação judicial um estranho pagamento na conta em Londres da empresa ESCOM (UK), ligada ao BES, (pelo menos 24 milhões) de onde aparentemente foram desviados fundos para, através de contribuições de militantes imaginários como o tal "Jacinto Leite Capelo Rego", rechear as contas do partido de Paulo Portas... (E não só, e não só!.... uma fonte militar que viveu por dentro o processo da aquisição dos submarinos disse-me recentemente que mal Paulo Portas se meteu a negociar o contrato e fez entrar a ESCOM ao barulho e naturalmente mais gente, de outros partidos na AR, o contrato passou a custar mais 35%! Ao Estado, ao nosso bolso colectivo, sim, sim!)[Publicado por AG] [23.4.08]

Paulo Portas: a impunidade não pode continuar - 2

Porque foi a incúria (no mínimo) de Paulo Portas pelos interesses do Estado que levou, em 2002, à saída de Portugal do consórcio europeu que estava a desenvolver o novo avião de transporte militar A400M.
A participação portuguesa no A400M incluía uma quota-parte no projecto industrial, de que ficariam responsáveis as OGMA, e que poderia beneficiar outras empresas portuguesas. Mas Portas preferiu desistir do consórcio industrial europeu para adquirir vários C-130J americanos - que afinal não adquiriu, porque como eu e muita gente avisou eram aviões com defeito, que ninguém comprava.
O A400M "custava muito dinheiro", disse na altura Paulo Portas, como uma das justificações para nos fazer desistir - em troca de nada - de um projecto em que Portugal já tinha investido muito dinheiro, incluindo na formação de técnicos e militares. Mas Paulo Portas não olhou a despesas no exemplo de incúria gritante que se segue. [Publicado por AG] [23.4.08]

Paulo Portas: a impunidade não pode continuar -1

"O Estado quando falha, não lhe acontece nada"... diz Paulo Portas, revoltado. Contra a impunidade com que são cometido erros na Administração fiscal. Queixa-se de que "o Governo anda há três anos a cometer muitos abusos e a praticar irregularidades."
Ao acusar o Estado de "fanatismo fiscal", Paulo Portas puxa pelo oportunismo populista, que é sua imagem de marca: tais acusações vêm de alguém que nunca se preocupou com a gangrena estrutural da fuga aos impostos que este Governo tenta - talvez de forma imperfeita - atacar.
Mas numa coisa Paulo Portas tem razão: "o erro tem de que ter uma sanção" e ninguém deve ser considerado imune contra processos disciplinares, ou judiciais, nem mesmo os que exerceram as mais altas responsabilidades no Estado.
A lei aplica-se de forma igual a todos.
E é por isso que esta cruzada de Paulo Portas contra a impunidade na Administração Pública pode - e deve - voltar-se contra si próprio.
Porquê? [Publicado por AG] [23.4.08] (Ana Gomes no blog "causa nossa")

2008/05/03

Nag, Nag, Nag - Cabaret Voltaire


Music video for Negativland by Kurt Miller and James Gladman and Negativland
Bolas!

Como se não bastasse ter lido no La Vanguardia a entrevista em que o Saramago dizia que Portugal se encontrava num "processo irreversível" de decadência, já lá vão um bom par de anos, e ter ouvido em directo e em exclusivo o Sequeira Costa (a entrevista está talvez no segundo arquivo mais antigo deste blog) afirmar que a "tribo" que deu origem aos lusitanos foi sendo escorraçada a partir do norte da Europa até ficar sitiada contra o Atlântico (criando assim uma nova teoria para as origens de Portugal), faltava mesmo chegar aos comentários de um blog (o blasfémias) e encontrar a metáfora padeira (a teoria do barro já lá vai...):

tina Diz:
3 Maio, 2008 às 5:20 pm
‘Mas que povo somos no presente, que má mistura fizemos para dar tão bolorenta massa?’

Acho que se esqueceram de adicionar o fermento e a massa nunca subiu… ou então alguém abriu o forno a meio da cozedura e lá se foi o bolo abaixo...

2008/05/02

My Winnipeg

Suposta ficção-documental de 2007, realizada por Guy Maddin, que nos passeia pelas ruas e pela história de Winnipeg, cidade onde nasceu no norte do Canadá. Tratam-se na generalidade de foto e cine-montagens, em que uma voz off vai narrando as curiosidades (para utilizar uma terminologia soft) da cidade, ficando nós sempre no limiar da dúvida (só pode ser ficção!), pois o universo escuro e cinzento em que tudo acontece assemelha-se a uma composição surreal reforçada pela tonalidade monótona da voz do narrador (será o próprio?).

O texto que nos chega, de Maddin ele mesmo, reforça toda a surrealidade imanente:

"Há algo de estranho e ao mesmo tempo onírico a acontecer aqui, onde as pessoas preferem usar as ruelas secundárias em vez das ruas principais, onde os sem abrigo se escondem nos terraços dos prédios abandonados e onde existe uma caricata lei cívica que obriga os actuais proprietários das casas a dar abrigo, por uma noite, ao primeiro habitante ou proprietário da casa."

Basicamente uma criação entre as mais "curiosas" que foram apresentadas neste Indie.
Dinheiros públicos para carros particulares e lazer

Assim acontece, segundo o Público (2 de Maio, pag 4), no parlamento da democracia madeirense, que o Jaime Gama tanto aprecia, vá-se lá saber porquê...


Enquanto isto...

"Coordenadora da PJ diz que Gama foi referido por três miúdos" - DN
A propósito do julgamento da queixa que o Presidente da Assembleia da República, o socialista dr. Jaime José Matos da Gama, move a um jovem casapiano por difamação relativamente a alegada acusação de abuso sexual do próprio menor, em depoimento no primeiro processo de pedofilia da Casa Pia, o DN de 25 de Abril de 2008, trouxe a seguinte notícia, cuja notoriedade é indesmentível e cujo interesse público é evidente, que aqui cito, na íntegra e ipsis verbis, sem qualquer comentário.

«Coordenadora da PJ diz que Gama foi referido por 3 miúdos

Filipa Ambrósio de Sousa

O actual presidente do Parlamento acusa um jovem casapiano de difamação

A coordenadora da Polícia Judiciária (PJ), Rosa Mota, que liderou as investigações do processo Casa Pia, atesta que há pelo menos mais dois jovens que referiram o nome de Jaime Gama, presidente da Assembleia da República, nas suspeitas de alegados abusos sexuais a alunos da instituição.

Ontem, no julgamento do processo por difamação movido por Jaime Gama contra o aluno que o implicou no caso Casa Pia, a coordenadora da investigação criminal, Rosa Mota, contou que há pelo menos mais duas pessoas que não terão prestado declarações para os autos, mas que mencionaram o nome do presidente da Assembleia da República. A coordenadora avisa que a PJ não deu seguimento "a esses factos por já estarem prescritos e que as declarações não terão ficado nos autos por vontade dos próprios".

Mas Rosa Mota confirma que pelo menos três pessoas - o aluno arguido no processo interposto por Jaime Gama por difamação, agora em julgamento - e outros dois - que não quiserem depor para os autos, deram o nome do socialista como um dos envolvidos na suspeita de abusos sexuais. E mais: um desses depoimentos, que depois não foi oficializado para os autos pela testemunha, envolve também Ferro Rodrigues, ex-líder do PS, como suspeito no âmbito da rede de pedofilia que está a ser julgada há três anos e que conta com sete arguidos, entre eles o mediático apresentador de televisão, Carlos Cruz.

O advogado de Jaime Gama, Rui Patrício, sócio da Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva & Associados, sustentou que "se não está no processo, não existe". O DN tentou contactar o advogado até ao fecho desta edição, mas sem êxito.

Na audiência de julgamento, também o motorista do Colégio, Carlos Lopes, confirmou ter ouvido o ex-casapiano a relatar os alegados abusos infligidos pelo presidente da Assembleia da República. Ferro Rodrigues - que também já foi testemunha no processo principal Casa Pia - defende-se e considera estas acusações "inverosímeis e caluniosas".

O socialista, que depôs ontem em tribunal e é também autor de outro processo contra o arguido por difamação, reagiu com "grande sofrimento" às afirmações que alegadamente o envolveriam a si e a Jaime Gama neste caso, apelidando-as de "caluniosas".

"A primeira vez que as afirmações vieram a lume, eu era secretário-geral do PS e tinha uma grande responsabilidade perante o País. E foi necessário ter uma enorme resistência para dirigir o PS e as eleições europeias de 2004", afirma o ex-secretário de Estado.

Já o advogado do arguido, Alexandre Vieira, perguntou: "Então se é uma invenção, quem está por trás?", insistindo em porque é que não houve investigação à alegada cabala. Ferro defendeu-se dizendo que não sabe quem criou tal cabala.»

O Dr. Jaime Gama mantém-se em funções e, que eu saiba, nenhum dirigente político ou deputado manifestou publicamente até agora qualquer posição relativamente a estas denúncias e a este caso referido à personalidade que ocupa o cargo de presidente da Assembleia da República e segunda figura do Estado português.

Limitação de responsabilidade (disclaimer): O dr. Jaime José Matos da Gama, referido nessa notícia e noutras anteriores, não foi arguido, nem acusado, nem pronunciado, por qualquer crime de abuso sexual sobre crianças no âmbito deste primeiro processo de pedofilia da Casa Pia. in doportugalprofundo.blogspot.com (este post foi actualizado às 11:02 de 2-5-2008)


Pacheco Pereira apoia MLR

Fernanda 1 Diz:

E o JPP, professor ISCTE, é amigo do seu amigo porque ainda por cima é convidado. Hum! in educar.wordpress.com (Maio 2, 2008 at 9:12 pm, 2 de Maio)
A Monstra está chegar!










(imagem: Estúdios Aardman)

2008/05/01

INDIE LISBOA' 08

Apesar de não ter pedido a credêncial dentro do prazo "legal" (quando a solicitei o festival já ia no segundo dia) a organização, ultrapassando as dificuldades informáticas uma vez que os "livre-trânsitos" possuem códigos de barras, lá conseguiu arranjar-me o dito "passe". O Indie é já um conhecido festival de cinema internacional. Este ano dedicou uma retrospectiva a Johnnie To, que esteve presente na apresentação do seu último trabalho Sparrow (2008). Este filme, em meu entender, está aquém do resto das criações de To, não deixando por isso de ter (algum) interesse. A meu ver surpreendente, está a ser mostra do novo cinema Romeno. São tantos os trabalhos que considero interessantes que me abstenho de lançar nomes e títulos, pelo menos por agora. Como não tenho ido às sessões dos filmes em competição, a expectativa está evidentemente no último dia, quando os filmes escolhidos pelo júri forem apresentados. Devo no entanto dizer que esta opção de agora ver os "consagrados" (dos "emergentes" só fui à tal mostra do novo cinema romeno) é uma "má política": muitos bons filmes ficam pelo caminho e desta maneira arrisco-me a nunca mais os poder ver.


(in) segurança versus (in) sucesso escolar

Consta que a Polícia Judiciária está a perder, a olhos vistos, capacidade operacional, para além de ter perdido, ultimamente, efectivos. O número de detenções está a diminuir acentuadamente e alguns dos crimes mais graves continuam por resolver. Como notou um leitor do Público, num comentário feito à notícia, este panorama pode ser lido, todavia, à luz da doutrina que está a guiar o «combate» aos chumbos nas escolas. Assim, podemos dizer: há menos detenções porque há mais segurança. Não se prendem corruptos porque não há corrupção. Logo, não são precisos tantos inspectores e quanto menos gente se apanhar maior a eficiência da política governativa. Cada vez tenho mais admiração por Alberto Costa. in averomundo-jcm.blogspot.com (Postado por JCM em 17:24, 1 de Maio)