2009/05/06

Velha Europa

A velha europa, sempre agarrada ás suas velhas tradições, quer agora controlar o acesso à internet, dando a possibilidade dos fornecedores venderem pacotes, como o que acontece com o acesso ás televisões por cabo. Se quer aceder a determinados sites, terá de pagar mais. Toma lá! Basta pensar que em países pouco desenvolvidos, como Portugal, canais como o ARTE ou o Mezzo, quando estão disponíveis (porque por vezes nem sequer constam), fazem sempre parte do "pacote" mais caro, e que o valor dos "pacotes" de televisão por cabo são, nesses países, em termos relativos, e frequentemente absolutos (nominais), substancialmente mais caros que nos países mais desenvolvidos. A velha europa há-de andar sempre a anos-luz dos EUA, e os "cérebros" hão-de continuar a preferir os EUA, pois a velha europa nunca se há-de conseguir libertar dos seus tiques controladores* e das suas tradições obsoletas.

"Um operador pode cobrar tarifas diferenciadas a alguns sites para os incluir no seu pacote ou então cortar o acesso a determinado serviço (exemplo: uma empresa que é também detentora de uma rede de telemóveis corta o acesso ao Skype, que é um serviço concorrente). Ou pode pura e simplesmente exercer censura."

* exceptuando os bancos, que têm feito o que querem sem qualquer controle eficaz. Basta olhar para os casos dos portugueses BPP e BPN.


Conselho Europeu derrotado

Na sequência do texto aqui publicado ontem, é bom informar-vos que o Parlamento Europeu (PE), reunido em Estrasburgo, acaba de decidir, numa emocionante e complexa votação em que os dois grandes grupos políticos e o Conselho Europeu foram derrotados, que as operadoras de internet ou as autoridades administrativas não poderão cortar o acesso de internet aos utilizadores sem uma prévia decisão judicial, respondendo assim positivamente às propostas de inúmeros movimentos de cidadãos utilizadores da internet.

O PE aprovou uma emenda adoptando “o princípio de que, na falta de decisão judicial prévia, não pode ser imposta qualquer restrição aos direitos e liberdades fundamentais dos utilizadores finais, previstos, designadamente, no artigo 11º da Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia, em matéria de liberdade de expressão e de informação, salvo quando esteja em causa a segurança pública, caso em que a decisão judicial pode ser ulterior“.

Esta posição tinha sido subscrita pelos grupos GUE/NGL, IND/DEM, Verdes/ALE e alguns liberais, bem como pela Comissão parlamentar responsável, e era apresentada contra uma posição de compromisso negociado entre o Conselho e os dois grandes grupos políticos que constituem a maioria do parlamento, os socialistas do PSE (onde se inclui o PS português), e o PPE/DE (onde se incluem os nossos PSD e PP), a que se tinha associado o grupo liberal ALDE.

Tudo estava preparado para que esta emenda dos pequenos grupos nem sequer fosse sujeita a votação, já que a lista de voto preparada pelos serviços previa que se votasse antes o compromisso do PPE/DE + PSE e que a emenda dos grupos mais pequenos fosse considerada prejudicada pelo voto antecedente. Isto aliviaria os deputados dos grandes partidos da responsabilidade de terem votado contra um direito fundamental dos utilizadores da internet, o que em véspera de eleições é sempre problemático.

A primeira batalha era, pois, a alteração da ordem do voto. No meio da discussão, os liberais informam que decidiram na véspera à noite, por maioria, retirar-se do acordo com o PPE/DE e o PSE, o que acrescentou algum dramatismo à situação. Vota-se e a alteração da ordem da lista de voto foi aprovada. Ganho este ponto, e tendo sido solicitado pela esquerda que o voto sobre a sua emenda fosse registado nominalmente, não havia mais forma de os deputados dos grandes grupos fugirem à questão.

Procedeu-se então ao voto e a emenda foi aprovada com 407 votos a favor e 57 contra. O PE acabava de rejeitar o compromisso estabelecido para segunda leitura pelos dois grandes grupos políticos com o Conselho Europeu. Em consequência, a Directiva não foi aprovada e entra agora numa nova fase do processo legislativo chamado de conciliação.

Foi uma importante vitória, mas nada está definido; o assunto continua em aberto e a merecer a nossa atenção nos próximos meses.

Nota: mas que credibilidade tem uma europa cujo conselho e os principais partidos representados no seu parlamento apoiam uma proposta daquelas?


Apoio à corrupção

Este governo veio permitir a adjudicação, por ajuste directo nas empreitadas de obras públicas, para contratos até 5 150 000 euros. No parlamento, foi aprovada legislação que permite que os donativos aos partidos, em numerário, possam atingir valores superiores a 1.250.000 euros.

As leis portuguesas sempre foram permissivas com a corrupção. Agora, apoiam-na descaradamente.


Sócrates projectista

A Concelhia da Guarda do PCP divulgou hoje um comunicado onde "lamenta" o arquivamento do inquérito ao caso dos projectos de obras assinados por José Sócrates na década de 1980.

Depois de uma denúncia apresentada pelos vereadores do PSD na Câmara da Guarda, o Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Coimbra mandou arquivar o inquérito aos projectos de obras assinados pelo actual primeiro-ministro por considerar que os eventuais crimes já prescreveram.

Em nota hoje enviada, o PCP local "lamenta o arquivamento de um processo que exigia uma investigação séria e aprofundada e que as leis sejam de tal modo permissivas que impeçam que os suspeitos de corrupção da gestão pública sejam investigados e punidos".

A concelhia também lastima que "a maioria PS, na Câmara Municipal da Guarda, perante tão graves acusações, tenha apenas nomeado uma comissão interna para averiguar suspeitas que envolviam directa ou indirectamente o presidente" da autarquia, o socialista Joaquim Valente.

A estrutura comunista recorda que nunca se pronunciou sobre o assunto porque "estava no âmbito dos Tribunais", só o fazendo agora, após ter conhecimento da decisão do DIAP.

O despacho do DIAP de Coimbra justifica a decisão quanto ao processo, referente a procedimentos internos do município da Guarda para aprovação dos projectos, recordando que "decorreram mais de dez anos sobre a data dos factos em apreciação, o que importa, por força da lei, a extinção do respectivo procedimento criminal, por efeito da prescrição".

O mesmo entendimento é tido quanto à autoria dos projectos e em relação a um eventual "crime de favorecimento pessoal" devido à circunstância do actual autarca ter nomeado uma comissão interna que elaborou um inquérito relativo aos procedimentos verificados na altura. in dn.pt, 12 de Maio


Um banqueiro amigo de Sócrates

O fundador do Banco Privado Português (BPP), João Rendeiro, terá pago despesas pessoais relacionadas com processos judiciais, com dinheiro de uma "offshore" pertencente ao próprio banco, segundo um relatório da Deloitte encomendado pela actual gestão do banco. A denúncia, a confirmar-se, indicia um acto doloso de gestão ruinosa.

Na sua avaliação ao BPP, em relatório datado de 2009, os auditores dão conta de um conjunto de factos que, a provarem-se, indiciam irregularidades especialmente graves, no quadro do artigo 211 do Regime Geral das Instituições de Crédito, envolvendo alegadas falsificações de contabilidade e inexistência de contabilidade organizada; e actos dolosos de gestão ruinosa em detrimento dos depositantes, investidores e credores. E, a confirmarem-se, podem ainda indiciar crimes de branqueamento de capitais.
...
Contactado para comentar as suspeitas que pendem sobre a sua acção à frente do BPP, João Rendeiro limitou-se a dizer: “Não tenho nada para lhe dizer. Consigo não falo, porque você não merece que eu fale consigo”.

De acordo com o documento a que o PÚBLICO teve acesso, e que já está nas mãos das autoridades, a Deloitte começa por esclarecer que vai apresentar um “conjunto de assuntos que chegaram ao nosso conhecimento no decorrer da presente auditoria e que, pela sua natureza, são da maior importância para avaliar a situação financeira e patrimonial do BPP a 31 de Dezembro de 2008”.

Entre outros pontos ... a auditoria revela ter-lhe sido “comunicado recentemente a existência de offshores, cujos beneficial owner eram entidades do Grupo Privado Holding”, accionista única do BPP, sociedades que eram “denominadas por contas de recuperação”. As offshores “financiavam-se através de emissão de divida que colocavam na carteira de clientes”, tendo como “principais objectivos” proceder ao “alisamento de resultados”, ao parqueamento de posições e ao “pagamentos de bónus à administração e a alguns colaboradores”. in publico.pt, 07.05.2009 - 22h39


Um político amigo de Sócrates

Entrou na política a ganhar quarenta contos e só lucrou quando saiu. Ficou rico com a valorização do grupo de José Roquette e declarou rendimentos superiores a Belmiro de Azevedo. Gosta de poker e diverte-se a ganhar dinheiro. Será pecado? in jn.sapo.pt, 2008-12-02 (título original: O primeiro milhão de Dias Loureiro)


Dias Loureiro mentiu à comissão de inquérito

O ex-ministro Dias Loureiro disse no passado dia 27 de Janeiro à comissão de inquérito ao caso BPN, não saber da existência da Excellence Assets Fund, que permitiu uma compra ruinosa de duas empresas tecnológicas em Porto Rico, da qual resultou um prejuízo de 38 milhões de dólares. O semanário “Expresso”, garante, porém, na sua edição de hoje, que o Dias Loureiro assinou dois contratos onde esse fundo é parte.

“Ou seja, além de ter participado em todo o negócio”, como semanário já tinha divulgado na semana passada, Dias Loureiro “não disse a verdade ao Parlamento, o que é considerado grave, uma vez que as Comissões de Inquérito funcionam com a mesma dignidade que os inquéritos da Justiça”, avança a edição de hoje do “Expresso”.


Um professor amigo de Sócrates

O primeiro-ministro foi arrolado como testemunha de Ana Maria Simões, acusada de corrupção passiva e branqueamento de capitais no caso da Cova da Beira. O processo começou com denúncias de corrupção contra José Sócrates, mas as suspeitas foram arquivadas por falta de provas.

José Sócrates vai ser chamado a testemunhar no julgamento do ‘caso Cova da Beira’. O primeiro-ministro é o primeiro nome da lista de testemunhas de Ana Maria Simões que foi pronunciada pelos crimes de corrupção passiva e de branqueamento de capitais relativamente ao concurso e adjudicação da obra de central de tratamento de resíduos sólidos da Associação Intermunicipal da Cova da Beira no final dos anos 90.

A primeira sessão do julgamento está marcada para o próximo dia 14 de Outubro.

O nome de José Sócrates consta na denúncia anónima que deu origem à investigação judicial do caso Cova da Beira. Quando o concurso da central de tratamento de resíduos sólidos foi lançado (1996), José Sócrates desempenhava as funções de secretário de Estado do Ambiente do Governo de António Guterres, tendo a tutela do Programa Estratégico dos Resíduos Sólidos Urbanos.

Segundo a denúncia, José Sócrates, Jorge Pombo (então presidente da Câmara da Covilhã) e João Cristóvão (assessor de Pombo) teriam recebido dinheiro do grupo HLC a troco da vitória no concurso da Cova da Beira. O Ministério Público considerou que não havia qualquer prova que sustentasse as suspeitas originais, tendo decidido arquivar o processo contra Sócrates, Pombo e Cristóvão.

Ana Maria Simões foi casada com António Morais – também pronunciado pelos crimes de corrupção passiva e de branqueamento de capitais, por alegadamente ter recebido cerca de 60 mil euros de Horácio Carvalho (presidente do grupo HLC), através de uma conta bancária de que era titular, juntamente com a mulher, na ilha de Guernesey (localizada no canal da Mancha e sob jurisdição britânica), para favorecer o grupo HLC.

Ana Maria Simões sustenta na sua contestação apresentada esta semana no Tribunal da Boa-Hora que foi ‘usada’ por António Morais, de quem se divorciou litigiosamente, acrescentando que desconhecia totalmente a existência da conta bancária na ilha de Guernesey até ao momento em que foi confrontada com a mesma, em 2006, pela Polícia Judiciária. António Morais, por seu lado, assegurou ao Tribunal que os pagamentos do grupo HLC estão relacionados com trabalhos que realizou para aquele este grupo empresarial depois da adjudicação da obra da central de compostagem da Cova da Beira.

Em 1996, quando o concurso da Cova da Beira foi lançado, Morais era director-geral do Gabinete de Estudos e Planeamento de Instalações (GEPI) do Ministério da Administração Interna (por nomeação de Armando Vara) e era professor de José Sócrates na Universidade Independente. Já no Governo de José Sócrates, Morais foi nomeado pelo ministro da Justiça para presidente do Instituto de Gestão Financeira e Patrimonial, tendo apresentado a demissão em Janeiro de 2006, na sequência da requisição de uma funcionária sem realização do devido concurso. in sol.sapo.pt, 7 de Maio


PS com Sócrates favoreceu corrupção

Henrique Neto, empresário e ex-dirigente do PS afirmou hoje, em declarações ao Rádio Clube, que o PS de José Sócrates “favorece, facilita ou não combate claramente a corrupção". Neto comentava assim aquela que lhe parece ser a conclusão sobre a recente aprovação da lei do financiamento dos partidos.

“O partido socialista da era Sócrates favorece, facilita ou não combate claramente a corrupção”. Afirmou Henrique Neto.

O ex-dirigente socialista lembra o pacote anti-corrupção apresentado por João Cravinho no passado, que não colheu o apoio do PS, e acusa os partidos políticos de nunca terem desejado a transparência e diz não ter confiança num parlamento que aprovou, por unanimidade a nova lei do financiamento dos partidos. Para o empresário a decisão não prestigiou a Assembleia da República.

“Os partidos políticos, no seu conjunto, nunca desejaram a transparência. A corrupção sempre existiu nos partidos políticos. Agora passa a estar permitida por lei. A minha confiança nas pessoas que fazem leis destas é muito limitada, não apenas no PS. A lei foi votada por unanimidade”, defendeu o empresário. in publico.pt, 07.05.2009 - 10h29


Freeport

Main Discussion Thread



Os MacCann na Oprah

O caso Maddie é de antologia e tem contornos surreais. A última pincelada de surrealidade foi dada por Gerry McCann no programa de Oprah: então viu que a porta não se encontrava na posição em que a deixou (a porta foi deixada "5 graus" aberta, segundo o que Gerry MacCann afirmou no programa da Oprah Winfrey), e não foi verificar se se encontrava tudo em ordem, simplesmente porque as crianças não estavam a chorar?! Depois há aquela "coisa" dos MacCann terem dito que o "raptor" saiu por uma janela (raptor-acrobata, porque seria mais fácil, e levantaria menos suspeitas, sair pela porta), janela na qual a polícia parece ter encontrado impressões digitais unicamente de Kate MacCann.

Por outro lado até parece haver uma coincidência entre a necessidade dos MacCann voltarem a encher o fundo criado supostamente para encontrar Maddie e a nova campanha publicitária a divulgar a virtual imagem de uma Maddie com 6 anos. Claro que todos compreendemos que é mesmo coincidência... mais que não seja para não sermos processados por difamação... Mas aqui vai uma opinião mais contundente:

The entire Madeline tragedy has finally been shown to be an immoral obscene, moneymaking enterprise. Almost daily it seems, there are new sightings reported or old witnesses suddenly remember incidents and observations 8 months down the line that could not be recalled on the day the child vanished, bulletins are rehashed with a different spin by the family spokesperson invariably at the identical moment as fresh, more relevant news is released.

Sobre as sucessivas "teorias" dos MacCann:

The Mccanns latest theory is that Madeleine wandered off out of the apartment, met her abductor and was whooshed away.

That's all fine except here is Sue Healy on TV on 11.05.07 telling the world something quite different, and something everyone, at the time, was quite prepared to believe:

Transcript - Sue Healy : "Kate and Gerry knew immediately that Madeleine, that someone had broken in and taken Madeleine. There was no doubt in their mind. Madeleine would not have left the apartment therefore - she's a little girl of three".

So it's all change now.

Sue was wrong. Brian too probably - maybe thats' why he looks so cross. There were a couple of other Brians, one in Rothley and one in Manchester, who also went along with the smashed shutters and the the whole pedo smash and grab in the apartment thing.

Kate and Gerry were wrong. Renwick was wrong. Philomena was wrong. Corner was wrong. Trish was wrong. Tricky Dicky too (I am pleased to say).

Last but not least the entire worlds media was also wrong and that also includes Mitchell, Hughes, McGuinness, several PR agencies and not forgetting all the politicans in Westminster who so fervently supported the Mccanns including Alex Salmond and Gordy, all their agents, spin doctors, press attaches, communication experts, and anyone else in the UK who gave money to the millionaire Mccanns fund.

This is a bit like an Ocscar acceptance speech. It's very long and very boring but hey some one has to keep a record of the Mccanns and their lies, or they just might get away with it.

One last thought on Sues frank opinions about what Kate and Gerry knew when they found Madeleine gone. That opening line, "Kate and Gerry knew immediately that Madeleine,"...What was she going to say? Madeleine was dead?.. Kate and Gerry knew immediately that Madeleine was dead?


Outras leituras:

Here it is in all it's glorious 32bit realplayer blocky annimation. Grabbed from a Dutch video the clunk translates as "hup" highlighted in the top picture. The hand gesture Kate used was sweeping and extensive, which suggested a slap either to the face or the body.

Her expression immediately thereafter appears quite stern, cold, and errily detatched.

These parental characteristics that Kate is enacting on camera suggest that either Madeleine was, in her eyes, always deserving of a "good slap" or that on the night in question she had been particulary disobedient.


Sistema educativo que gera analfabetos (e corruptos)

ARF – Falámos há pouco na EFTA. O que é que Portugal teria de fazer para atrair investimentos estrangeiros?

Medina Carreira - Não é só estrangeiro. Investimento para produzir coisas que possamos exportar e que possam ser vendidas cá por serem competitivas. Uma economia que possa exportar e que substitua importações. Investimentos próprios para isso. Mas com o sistema educativo que gera analfabetos que não sabem fazer contas o senhor não arranja mão-de-obra. Se o senhor tiver uma burocracia infernal não investe. Ainda alguém me dizia há pouco tempo que tinha um PIN encravado há três anos. Com esta corrupção, com esta justiça que não ataca corruptos mas que condena pilha galinhas, não temos mercado de arrendamento, a lei fiscal não está bem e os tribunais fiscais não funcionam acham que alguém vem investir cá? Para arranjarem uma licença camarária têm de comprar o presidente da Câmara? Isto não é possível.

PERFIL

Henrique Medina Carreira nasceu em Bissau a 14 de Janeiro de 1931. Licenciado em Ciências Pedagógicas e em Direito, frequentou ainda o curso de Economia, que não concluiu. Secretário de Estado do Orçamento no VI Governo Provisório, foi ministro das Finanças entre 1976 e 1978, tendo negociado um empréstimo com o FMI nesse período. in correiodamanha.pt, 03 Maio 2009 - 00h30


Ensino em Portugal é uma intrujice

ARF – O investimento estrangeiro não vem para cá neste estado de coisas?

Medina Carreira - Não. Nós tivemos nos anos 60, 70 um factor de grande atracção de investimento. Foi a nossa entrada para a EFTA e o baixos salários. Como nós podíamos exportar com facilidade muita gente veio investir em Portugal. Muitas coisas que os senhores vêem das manufacturas, das montagens de automóveis, das cabelagens, dos electrodomésticos, do concentrado de tomate, da beterraba, isso veio tudo para aqui nessa altura. Porque o investidor nacional e estrangeiro vinham beneficiar de um factor favorável do ponto de vista do capital que era o salário baixo. Além de outros factores atraentes nessa época. Como a inexistência de sindicatos, ordem nas ruas e essas coisas que atraem o investidor.

LC – Mas o principal factor, os salários baixos, não era o ideal.

- Mas o ideal do ponto de vista da mão-de-obra não é este que se prega aqui. Nós para termos uma mão-de-obra que ganhe bem temos de ter outra escola. Nós não podemos andar a formar analfabetos e depois dizermos para arranjarem empregos bons a esta gente. A gente tem de ir à escola.

ARF – Aumentar a escolaridade obrigatória nestas condições é uma ideia má?

- Teoricamente é uma boa medida. Como mexer na Justiça também seria uma boa medida.

LC – Mas é preciso que a escola seja boa.

- Agora mexer na escola e ficar tudo na mesma não interessa. Se os alunos estiverem lá e são tão bons os bons como são bons os maus, quer dizer, anda lá um número grande a atrapalhar o trânsito, em nome de uma coisa esquisitíssima e que eu não aceito que é a escola inclusiva. Ora, a escola é inclusiva se as pessoas estão lá para aprender. Se não estão para aprender têm de ir para outro sítio. Um estádio de futebol, põe-se lá toda a gente aos pontapés na bola. Agora, na escola só pode estar quem queira aprender. Mas isso tem de ser aferido. Nós temos todos os anos de verificar se eles aprenderam.

ARF – Têm de ter exames, não é?

- Fazer exames. Nós temos de ter programas decentes, feitos por intelectuais, por artistas, por técnicos. Nem sei quem é que os fez. São uns programas horríveis, os manuais são de fugir. E depois inverte-se tudo. Nós não podemos ter professores a ensinar bem se os alunos nem os ouvem. O senhor pode arranjar 200 mil catedráticos que não consegue ensinar esta gente. Porque eles não querem aprender. Oitenta por cento dos que estão lá não querem aprender. Bons são sempre bons. Quando nós éramos crianças também havia bons e havia maus. E havia uns médios e estes estudavam por causa dos exames.

LC – Seriam a maioria.

- Isso foi ontem, é hoje e será na próxima geração. Agora não. Temos os bons que eram bons e temos o resto. E como não há exames nunca chega a ocasião para estudar. Portanto isto é uma falsificação. O ensino em Portugal é uma intrujice. Uma intrujice cara. E depois inverte-se isto. Vamos avaliar os professores, nem sei quais são os critérios. No estado em que aquilo está parece-me uma tontice, mas não se avaliam os alunos. Isto tem pés e cabeça? Isto é de uma sociedade de gente com juízo?

ARF – Esta nossa escola é uma certa escola, que dura há anos e anos.

- É uma escolinha. Não é uma escola, é uma escolinha. É um grupo de gente que está a praticar um crime gravíssimo que vai liquidar uma geração. Se não mais. Mas a próxima geração maioritariamente está liquidada. As pessoas não aprendem a língua. Nós pensamos em português. Se a gente não sabe bem português não pensa bem. Nós não sabemos fazer contas, nós não sabemos geografia. Se perguntarem a um rapazito qualquer onde é que é Washington não faz ideia nenhuma, é capaz de dizer que é na Ásia.

LC – Acha que a geração que vai estar no mercado de trabalho daqui a dez , vinte anos vai ser pior?

- Vai ser cada vez pior. Porque está a enraizar-se esta decadência do ensino. O ensino está numa decadência profunda. idem


Gangrena

LC – Muito bem. O que temos em cima da mesa é um primeiro-ministro chamado José Sócrates, uma líder do PSD chamada Manuela Ferreira Leite e depois temos os outros partidos. Qual é a solução para sair desta situação que acaba de nos relatar?

Medina Carreira - Eu acho que é muito difícil sair da situação porque os partidos estão gangrenados. Os partidos não trabalham em função de valores, de ideologias, de objectivos, de programas. Os partidos trabalham em função do assalto ao Orçamento. Porque o Orçamento dá para colocar os amigos, dá para fazer negócios.
...
ARF – Não perceberam que vivem em Portugal?

- Não. Porque cada um tinha uma concepção. António Guterres era palavreado. A política de Guterres era saber quantos por cento do PIB iam para a Educação. O que se fazia com os tais por cento era indiferente. Este que está lá agora, o José Sócrates, é um homem de espectáculo, é um homem e circo. Desde a primeira hora. É gente de circo. Eles prezam o espectáculo. Porque eles não percebem que os problemas não se resolvem com espectáculo. E prezam o espectáculo porque querem enganar a sociedade, para sobreviver. E sobreviver para continuar a tomar conta do dinheiro do Estado, para pôr os amigos e negociar com os amigos.

ARF – Mas o tacho tem um fundo.

- Pois tem. Foi o que o Estado Novo não percebeu. Que aquilo tinha de acabar e estes se calhar vão perceber tarde demais que isto tem de acabar. Porque se nós continuarmos num nível de empobrecimento relativo isto não vai dar um bom resultado.


Rico país...

2,2 mil milhões perdidos em negócios militares

A execução dos projectos de investimento estrangeiro obtidos com a compra de equipamento militar para as Forças Armadas é um autêntico fiasco: a meio do prazo de aplicação dos contratos de contrapartidas desde 2002, os fornecedores só cumpriram ainda com 22 por cento da verba total prevista, de 2,9 mil milhões de euros. Em plena crise económica, mais de 40 empresas portuguesas correm sérios riscos de perder oportunidades de negócio no valor de 2,2 milhões. A situação é tão grave que a própria Comissão Permanente de Contrapartidas considera "já inexequível" o programa dos submarinos, onde está por cumprir 75 por cento do contrato. in correiodamanha.pt, 04 Maio 2009 - 02h11


Portugalinho: o regresso da PIDE (2)

Em dez anos, João Ubaldo Ribeiro foi duas vezes censurado, no nosso País, por um zeloso vigilante da moral. O grupo proprietário da cadeia de supermercados Jumbo, voltou a pôr, no seu Índex privado, A Casa dos Budas Ditosos, por sinal um belíssimo romance. Acusação: o livro "é um produto pornográfico". Ubaldo é baiano, escritor importante, viveu em Portugal, e já foi distinguido com o Prémio Camões, valha isso o que valer. Em condições outras, a extraordinária proibição suscitaria, entre os "intelectuais" portugueses, um alarido de protestos, de abaixo-assinados, de repulsa, e a comunicação social seria levada a transformar a vergonha em causa.

Nada disso aconteceu. Os "intelectuais" portugueses andam tão exaustos de escrever livros maus, de participar em colóquios ridículos, debates patéticos, conferências inúteis no estrangeiro, que são indiferentes às minudências da solidariedade para com os seus camaradas. Neste caso, a João Ubaldo Ribeiro.

Que abstrusos critérios levaram alguém do Jumbo a apontar à execração o romance do brasileiro? Que conceito de "pornografia" possui o pequeno Torquemada de supermercado? E de que extraordinário poder dispõe, que iluminada noção de valores contém, com que espírito superior foi bafejado para assim atirar pedras a uma obra literária editada em numerosos idiomas? E, sobretudo, quem é ele? Esse "ele" não tem nome, como aqueles blogues que insultam, injuriam, mentem, caluniam com absoluta impunidade. Esse alguém, misterioso e, certamente, crudelíssimo, de olho feroz e ânimo comprometido com as trevas, usa uma "agência de comunicação" para revelar as suas tristes decisões. Não dá a cara: é um esboço de pessoa, um ser vago, estéril, arfante de gozo como todo o censor que se preza.

O romance foi proibido no supermercado e - insisto - que fizeram os nossos desenvoltos "intelectuais"? Limitaram-se ao silêncio que tem sido a capa da cobardia na qual se envolvem. Nelson de Matos, o editor, diz que tem recebido solidariedade de "gente grada". Ninguém sabe, ninguém viu, como se canta no samba. Essa "gente grada" também não tem nome? Protesta por sussurro? Telefona-se com cauta indignação e voz baixinha? Então, e a APE, e a SPA, também andam meio aladas?

Ao longo dos últimos vinte anos temos assistido à mais vil das demissões daqueles que deveriam arriscar o ónus da sua pretendida importância. Habita, neste mutismo miseravelmente defensivo, uma viscosa e esgueirada indignidade. Claro que é uma imprudência, um perigo, um desafio alguém afrontar os poderes que se constituíram como as estruturas da sociedade. Porém, há ocasiões em que os "intelectuais" têm de estar à altura das circunstâncias - as próprias e as históricas. Baptista-Bastos, dn.pt, opinião, 6 de Maio (título original: Os ausentes da indignação)


Vasco Granja (1925-2009)

Não obstante todas as piadas que fizemos a propósito do programa deste homem, nunca saberemos o quanto lhe devemos em termos da formação da nossa sensibilidade estética. Era a diferença, era a surpresa de programa para programa, era o reconhecimento da animação como cinema... e nunca isso nos impediu de esperarmos todas as semanas pelo programa, desejosamente.

Obrigado, Vasco Granja! in artedoperigo2.blogspot.com, 6.5.09


English Translation

2009/04/30

Martha Argerich - Chopin - Preludes Op 28 (16 - 24)

2009/04/20

Sarko


Berlus-coni

Après dix-neuf ans de mariage, trente ans de vie commune et trois enfants ensemble, l'ancienne comédienne, âgée de 53 ans, qui a abandonné le théâtre pour se consacrer à la vie de famille, a décidé de mettre à l'épreuve l'état de grâce du numéro un italien en demandant le divorce. «J'ai été contrainte de le faire, a-t-elle confirmé à deux quotidiens, je ne peux rester aux côtés d'un homme qui fréquente des jeunes filles mineures.» Veronica Berlusconi in Libération

2009/04/09

Causas naturais

Cândida Almeida vai a Londres convencer o Serious Fraude Office de que o "Freeport" tem "causas naturais", como a "Independente", e "é para esquecer".


Mais causas naturais

O consultor Charles Smith terá recebido, em Janeiro de 2002, 80 mil euros como prémio de “boa fé” por ter conseguido marcar uma reunião entre o grupo inglês e o então ministro do Ambiente, José Sócrates, noticia o jornal "Expresso" na sua edição "online".
...
Para conseguir a reunião, Smith telefonou ao tio de Sócrates, Júlio Monteiro, que diz ter intercedido junto do sobrinho. Na reunião estiveram presentes os representantes do Freeport, o presidente da câmara de Alcochete, o presidente do ICN e José Sócrates – o primeiro-ministro assumiu ter participado no encontro que se realizou antes de ter dado entrada no ICN um novo estudo de impacto ambiental que já incluía alterações ao projecto original. in publico.pt, 30.04.2009 - 21h28


Triste país

Os meninos e as meninas da chamada Casa da Democracia cozinharam muito em segredo umas alterações à lei do financiamento dos partidos. Pela calada da noite, sem ondas nem debates escaldantes, trotskistas, comunistas, verdes, socialistas, sociais-democratas e centristas deram uma valente machadada num diploma que, em nome dessa coisa extraordinária a que chamam transparência, tinham aprovado há bem pouco tempo.

A partir de agora, os partidos políticos podem receber em dinheiro vivo um milhão e duzentos mil euros, 55 vezes mais do que o montante definido anteriormente. Mas mais do que isso, qual cereja em cima do bolo, os partidos políticos não são responsabilizados se, por exemplo, um pato-bravo muito agradecido decidir mandar imprimir uns cartazes com as fronhas dos líderes partidários ou do autarca lá da terra. Essas despesas, obviamente, não entram nas contas das campanhas eleitorais, não são considerados actos de corrupção e estão muito longe de configurar qualquer crime de tráfico de influências.

Os partidos não têm culpa da generosidade do pato-bravo e este, coitado, vai sempre dizer que só quis exprimir o seu amor à democracia e ao partido que tantos sacrifícios faz pelos indígenas. Do conjunto de 230 meninos e meninas, apenas um votou contra esta vergonha e outra optou pela abstenção. Os dois do partido do senhor presidente do Conselho. Tudo isto acontece numa altura em que aumenta o desemprego, há milhares e milhares de pessoas desesperadas e outras tantas com medo de ficarem de um dia para o outro sem trabalho. Tudo isto acontece depois de o senhor Presidente da República ter feito um apelo solene à contenção e de ter pedido expressamente aos partidos que tenham respeito pelos indígenas.

Obviamente que a tentação do dinheiro falou mais alto. Obviamente que esta atitude unânime revela a degradação ética e moral a que chegaram os partidos deste sítio manhoso, pobre, deprimido, cada vez mais miserável e obviamente cada vez mais mal frequentado. Depois façam-se de virgens ofendidas, aos gritinhos, muito indignados, a falar em liberdade, democracia, tolerância e outras patacoadas. Depois de mostrarem tanto desprezo por quem sofre as consequências de políticas económicas criminosas, tudo o que de mal acontecer a estes políticos é bem merecido. Temos muita pena, mas o direito à indignação é como o Sol. Quando nasce é para todos. António Ribeiro Ferreira, correiodamanha.pt, 04 Maio 2009 - 09h00


Puxadela de lapela

O prémio Nobel da Literatura desafiou o secretário-geral do PCP a expulsar os "agressores de Vital Moreira", a comprovar-se que se tratam de militantes do partido. E afirma que "alguma explicação haverá" para nunca ter sido convidado a ocupar um lugar de deputado. "Espero que não seja por me considerarem a mim também traidor", diz José Saramago.
...
"De repente, ninguém parece interessado em saber quem foram os agressores, dignos continuadores daqueles célebres caceteiros que exerceram uma importante actividade política pela via da cachaporra em épocas passadas", acrescenta o escritor que vê nas acusações de traição dirigidas a ao cabeça de lista do PS o "cordão umbilical que liga o desprezível episódio do desfile do 1º. de Maio à saída de Vital Moreira do Partido Comunista há vinte anos".

Nota: nas escolas portuguesas, os alunos insultam e agridem os professores e ninguém parece preocupar-se muito com isso, apesar das declarações de intenção. Na "vida real" (porque a escola em Portugal é uma ficção que vai acabar mal) os respectivos "paizinhos" começam a agredir (neste caso foi um puxão na lapela) os políticos, que são os verdadeiros responsáveis pelo estado da nação(zinha). Parece fazer sentido. Mas, já agora, que esperava a "vítima" que acontecesse ao aparecer numa manifestação comemorativa do 1º de Maio, mas também de protesto contra as políticas do governo que apoia? Esperava uma salva de aplausos? Ou fê-lo, arriscando uma situação como a que aconteceu, para ganhar algum protagonismo eleitoral?


Portugalinho: o regresso da PIDE

Vários meses depois de a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, ter sido recebida com ovos, a Inspecção-Geral de Educação (IGE) foi ouvir os estudantes, maiores de 16 anos, da Escola Secundária de Fafe. A Associação de Pais contesta o método de interrogatório que, diz, incentiva a um "comportamento denunciante" e "é absolutamente inconcebível depois do 25 de Abril".

Os pais já enviaram cartas ao procurador-geral da República, ao provedor de Justiça e aos grupos parlamentares. A IGE assegura, através de ofício, que nada de ilegal ocorreu.

O protesto que deu origem às averiguações da IGE ocorreu em Novembro. Maria de Lurdes Rodrigues dirigia-se a um edifício próximo da Escola Secundária de Fafe, para participar numa sessão de entrega de diplomas do programa Novas Oportunidades, quando cerca de 200 alunos se aproximaram, vaiando a ministra e arremessando ovos contra as viaturas oficiais. A ministra nem chegou a sair do automóvel e a manifestação não durou muito, ao contrário das consequências, que se prolongaram no tempo.

O conselho executivo da escola, os pais e as associações sindicais vieram a terreiro criticar a forma como os estudantes protestaram contra o estatuto do aluno. Mas nem assim os ânimos serenaram. Vinte quatro horas depois, em Baião, miúdos armados com ovos esperaram por um governante que não apareceu. E, dias mais tarde, era a vez de os secretários de Estado Jorge Pedreira e Valter Lemos serem alvejados com ovos e tomates, em Lisboa, ao que reagiram dizendo não acreditar que as manifestações fossem espontâneas.

“As perguntas feitas aos alunos permitem-nos deduzir que é isso que pretenderão provar — que eles foram manipulados, nomeadamente pelos professores”, comentou ontem, em declarações ao PÚBLICO, Paulo Nogueira Pinto, ele próprio docente (noutra escola) e pai de uma das alunas interrogadas pelo inspector da DGE. “Como é que souberam que a ministra vinha a Fafe? Quem é que se lembrou de fazer a manifestação? Os professores deram aulas? Marcaram faltas a quem não esteve na sala? Como é que os alunos saíram da escola? Estava algum funcionário à porta?”, desfia Nogueira Pinto, exemplificando perguntas a que a sua filha, aluna do 10.º ano, teve de responder.
...
Aquele pai contesta o facto de a aluna, de 16 anos, ter sido levada para uma sala que não conhecia para ser interrogada durante cerca de uma hora, e também o facto de, na sua perspectiva, ter sido “incitada a acusar e denunciar pessoas, nomeadamente os seus professores, pelos quais se espera que tenha respeito como figuras de autoridade”. “No fim, fizeram-na assinar uma folha com a suposta transcrição das suas declarações, feitas por uma pessoa que a DGE identifica como sendo o secretário do inspector”, relatou. in publico.pt, 29.04.2009 - 07h24


Cairá de podre

Primeiro foi Manuela Ferreira Leite a admiti-lo na recente entrevista a Mário Crespo, afirmando-se “confortável com qualquer solução (…)”, embora viesse logo de seguida manifestar o desconforto por ter dito o que disse. No dia seguinte, João Cravinho vem considerá-lo como uma “inevitabilidade”. Agora temos um representante dos grandes interesses quase a apelar à sua concretização.

Está a criar-se todo um caldo de cultura para apresentá-lo daqui a alguns meses como a única solução, um imperativo patriótico. O que poderá não ser mau de todo. Depois dele, o regime cairá de podre.


Fim do sigilo bancário

O Parlamento Europeu aprovou na passada Sexta feira um relatório do eurodeputado Benoît Hamon que defende o fim do sigilo bancário sobre os rendimentos de poupança em toda a União Europeia, o mais tardar até 2014.

A Comissão Europeia vai propor a limitação dos prémios aos gestores de bancos e empresas cotadas.

O relatório do deputado socialista francês Benoît Hamon, aprovado na passada Sexta feira pelo Parlamento Europeu, salienta: "É legítimo, no momento em que se pede aos contribuintes europeus para virem socorrer o sector bancário, que o sector bancário faça esforços para ajudar os Estados a lutarem contra a fraude fiscal". O relatório avalia em 200 mil milhões de euros por ano a fraude fiscal na União Europeia.

Entretanto, a Comissão Europeia vai propor, na próxima Quarta feira, que os prémios, bónus e indemnizações aos gestores e às empresas cotadas em bolsa sejam limitados.

Segundo o Diário Económico desta Segunda feira, a Comissão Europeia pretende que a remuneração variável dos gestores esteja mais em sintonia com a fixa, vinculando-se a factores que tenham em conta o progresso real da empresa e a criação real de riqueza, que os rendimentos sejam especificados e que não sejam dadas indemnizações caso o despedimento tenha origem em mau desempenho ou que elas não excedam dois salários por ano.

Em Portugal, iniciativas deste tipo foram propostas pelo Bloco de Esquerda e aprovadas na Assembleia da República no passado dia 16 de Abril.


Os moderados portugueses do costume

Como (a)noto um entendimento implícito entre os comentadores pró-ME deste blogue, diversos comentadores pró-sindicatos e vários analistas e comentadores auto-proclamados responsáveis e não destinados ao martírio (mesmo quando não arriscam nada nesta luta), no sentido de dar o conflito em torno da avaliação por encerrado, deslocando a disputa para a arena eleitoral, gostaria de apelar para que me esclarecessem o seguinte:

Porque é que quando saiu o simplex e aqui se colocou a hipótese de trocar a aceitação desta avaliação da treta por uma revisão a sério do ECD responderam que o ME não negoceia de boa-fé e que, portanto, essa jogada era perigosa, oferecendo algo em troca do incerto? Se quiserem poderei ir em busca da fundamentação do que afirmo.

Porque será que, após a greve de 19 de Janeiro, que alguém clamou acima dos 90%, subitamente se deu um refluxo da presença dos lutadores com pergaminhos nas escolas e só depois da data limite definida por muitos PCE para a entrega dos OI é que surgiram uns papelitos nos placards, ficando muita gente com a sensação que algo esquisito se tinha passado nos bastidores?

Porque é que, em off, há muito tempo alguns analistas encartados dão como encerrada a batalha da avaliação sem que nada de substancial se saiba das negociações em torno do ECD, excepto algo próximo da teoria da conspiração surgida há uns meses e que tinha como actores estereotipados o ME (que abriria negociações acerca do Estatuto), a FNE (que teria uma proposta razoável e moderada para a dita negociação chegar a um bom termo) e a Fenprof (que manteria a posição de radicalização para capitalizar os descontentes)?

Porque será que, sem qualquer garantia de lado nenhum que o Estatuto será revisto de acordo com as principais queixas dos docentes, agora existe uma coligação evidente entre sindicatos, movimentos e blogueiros de influência reconhecida como o Ramiro, no sentido de apostar tudo nas eleições e aceitar que a avaliação seja feita nos moldes impostos pelo ME e depois logo se vê?

E por fim a questão para um milhão de patacas:

Desta vez existe um entendimento só que não assinado em público?

Se me responderem de forma clara, a começar por esta última questão, talvez seja possível compreender como os guerreiros tisnados por muitas vigílias, muitas lutas de bombo ao alto, muitos pergaminhos, reuniões, abaixo-assinados e sei lá mais o quê, decidiram deitar a toalha ao chão apostando no incerto e apelando ao cumprimento responsável e adulto daquilo que levaram meses de punho no ar a contestar.

Nesse caso, perceberei melhor até que ponto isto se tornou clownesco, vulgo, uma palhaçada


PS não quer combater a corrupção

O diploma do PSD será hoje discutido na reunião do grupo parlamentar do PS, na qual o líder parlamentar socialista, Alberto Martins, defenderá o voto contra, disse à agência Lusa um dirigente deste partido.

Na sessão plenária de hoje serão também debatidos e votados o projecto de lei do PCP que criminaliza o enriquecimento ilícito e uma recomendação do PSD para que o "estatuto de arrependido" previsto na legislação para quem denunciar crimes de corrupção seja aplicado.

O PSD tinha apresentado em 2007 um projecto para introduzir na legislação penal portuguesa o crime de enriquecimento ilícito dos titulares de cargos públicos, punível com pena de prisão de até cinco anos, que foi na altura chumbado pelo PS.

Hoje será debatido um novo projecto de lei entregue sexta-feira pelo PSD, com mais uma norma do que o anterior.

Através dessa norma, o PSD estabelece que "a prova da desproporção manifesta" entre o "património ou modo de vida" do funcionário público e "o seu rendimento" e de que esta não resulta de nenhum meio lícito "incumbe por inteiro ao Ministério Público". 23.04.2009 - 08h56 Lusa in publico.pt


Cancro

A corrupção é um cancro tão perigoso, a longo prazo, como os talibãs e a Al-Qaeda. (Hillary Clinton)


Festa estragada

O primeiro ministro reuniu ontem com peritos para debater a anunciada medida (anunciada pela 5ª vez) de alargar a escolaridade obrigatória para 12 anos. Fê-lo com pompa e circunstância na companhia da ministra da educação e do ministro do trabalho com o objectivo de ganhar os 5 minutos habituais no prime-time das televisões. Era para ser uma festa marcada por aplausos mas António Nóvoa, Reitor da Universidade de Lisboa e um dos maiores especialistas portugueses em Educação, estragou a festa com perguntas e afirmações incómodas.

O reitor da Universidade de Lisboa pegou numa tabela apresentada pelo Ministério da Educação sobre taxas de escolarização para sublinhar que, entre os anos lectivos de 2005/2006 e 2007/2008, a taxa dos jovens na escola com 18 anos tinha descido de 67,4 para 65,4 por cento. António Nóvoa apelou aos membros do Governo presentes na sessão para que "actuem" sobre "o essencial", os primeiros seis anos de escolaridade, medida que defendeu ser mais importante do que fixar objectivos nos 12 anos de escolaridade. Depois de apontar deficiências no Ensino Secundário e de contestar a forma como os professores primários têm sido tratados pelos últimos executivos, o reitor da Universidade de Lisboa advogou ainda que alguns países europeus sem uma escolaridade obrigatória tão longa apresentam melhores resultados do que Portugal em termos de escolarização.

A ministra da educação não gostou e, ao seu estilo habitual, referiu que os dados da tabela mencionada pelo reitor da Universidade de Lisboa não traduziam com rigor a percentagem total de jovens com 18 anos a frequentar a escola. A ministra da educação aproveitou a interpelação para ameaçar com nova reestruturação curricular do ensino secundário a curto prazo.


Portugueses... 12 anos na escola...

Reconheço que os partidos políticos e os sindicatos dificilmente poderão dizer outra coisa senão que é "uma medida positiva mas que precisa de ser acompanhada de medidas que tornem o alargamento eficaz e promotor do sucesso educativo". E blá...blá...blá.

Mas eu, que não pertenço a nenhum partido nem sindicato, posso dizer realmente aquilo que penso sobre mais esta disparatada medida.

Em primeiro lugar, é uma medida que atenta contra a liberdade, o bom senso e a economia. Obrigar jovens delinquentes a permanecer na escola até aos 18 anos de idade é transformar o espaço escolar num centro de delinquência.

Em segundo lugar, é um atentado ao direito à aprendizagem dos alunos que querem estudar.

Em terceiro lugar, é impedir alunos de 16, 17 e 18 anos, de aprenderem uma profissão. Todos sabemos que as escolas secundárias, nos nossos dias, não ensinam competências profissionais.

Em quarto lugar, vai estender a onda de facilitismo, degradação do ensino e demagogia aos 10º, 11º e 12º anos.

Em quinto lugar, é uma medida demagógica porque ninguém estuda e aprende porque é obrigado.

O facto de serem poucos a criticar esta medida demagógica e perigosa só revela o estado de anomia em que se encontra a sociedade portuguesa.


Somente 22 anos?

As filhas contaram ao tribunal o sofrimento por que passaram durante os 12 anos com os abusos do pai e deram conta do embaraço em relatar o que se passava a terceiros. A mãe confirmou ter visto o companheiro "uma única vez", com a filha mais velha, quando ela tinha seis anos, mas acreditou que ele não voltaria a fazê-lo.

O tribunal considerou "inverosímil o alegado desconhecimento" por parte da mãe. A juíza-presidente censurou a mulher pela "tentativa de esconder a sua responsabilidade, por permissividade".

O acórdão condenou Carlos Correia a uma pena única de 22 anos por cúmulo jurídico das penas de sete anos de prisão por cada um dos dois crimes de abuso sexual de crianças, 4 anos por cada um dos dois crimes de abuso sexual de menores dependentes e 8 anos pelos dois crimes de violação. in dn.sapo.pt, 10 Abril

Nota: e a mãe que encobriu a monstruosidade, sendo portanto outro monstro? Nem uma pena suspensa?


Doidos num mundo perfeito

Manifestantes chineses acusam as autoridades de os classificar como doentes mentais para silenciar os seus protestos e denúncias de corrupção. (Público online, 9 Abril 2009 - 10h10)

Nota: claro! Quem se queixe de um mundo perfeito como a China tem mesmo de ser maluco...


English Translation

2009/04/02

Sanctions against tax havens

At the conclusion of the first economic summit meeting to rivet world attention in decades, Prime Minister Gordon Brown of Britain announced that the leaders had committed to $1.1 trillion in additional loans and guarantees to finance trade and bail out troubled countries.
...
Among the steps Mr. Brown detailed are strict new regulations on hedge funds and rating agencies, as well as a crackdown on tax havens, which will be publicly named and subject to sanctions if they do not agree to share tax information with the authorities of other countries.
...
The announcements came after negotiators from the United States and Europe worked frantically to hash out an agreement on new regulations, a day after France and Germany signaled a rift over the level of scrutiny that regulators should have over hedge funds and other global financial institutions.
...
France other Europeans countries also pressed China to accept action against tax havens, a step it has resisted because of the possible consequences for its coastal banking centers, Hong Kong and Macao.

“I think we’re going to see an agreement,” said Stephen Timms, the financial secretary to the Treasury. “I am expecting sanctions against tax havens. We want that pressure to be maintained.”

Britain began talks on Wednesday on a tax information exchange agreement with Liechtenstein, an Alpine principality used by wealthy Europeans and others as a place to stash money.


Helsinki Festival

This August, Helsinki Festival 2009 will be bringing a line up of international stars to Finland’s capital city. The festival, which last year celebrated its 40th anniversary, now casts an eye into the future with a programme of new music, never-before-seen guests, unique ensembles and a host of premieres.

The festival kicks off with a visit by classical music legend Pierre Boulez, who arrives in Helsinki with his French Ensemble Intercontemporain, led by Music Director Susanna Mälkki. Hailing from London, the Philharmonia Orchestra returns to Finland, now directed by newly appointed Principal Conductor Esa-Pekka Salonen. Osmo Vänskä makes a long-awaited appearance at the helm of a Helsinki Orchestra, as he takes up the baton for a concert with the Finnish Radio Symphony Orchestra.

A Helsinki Festival and Korjaamo Theatre joint venture, the Stage Helsinki Theatre Festival has established itself as a major European theatre event. Now in its third year, the festival will be showcasing ten international ensembles, two Finnish premieres and a review of Finnish theatre. Programme highlights include the latest from Alvis Hermanis from Latvia, Dmitri Krymov from Russia and the Swiss Stefan Kaegi, as well as the Finnish premiere of circus artist Jani Nuutinen’s much-awaited new production.

The Helsinki Festival dance programme, created by Artistic Advisor Kenneth Kvarnström is headlined by the Shaolin combat acrobatics-inspired Sutra and fea-tures Kvarnström’s Destruction Song choreographed for his own ensemble. Circus rolls into town in the shape of a Russian clown troupe. Semianyki delivers laughter therapy for the whole family with a joyously anarchic twist.

A total of 17 international and Finnish acts will be taking to the stage at the festival’s legendary Huvila venue. The Huvila programme treats audiences to a stellar line up of world music’s leading stars from the Malian Oumou Sangare to the L’Orchestra di Piazza Vittorio from Italy. Top Finnish performers include Maija Vilkkumaa, celebrating her 20-year career and the ever-popular Scandinavian Music Group. Adding American flavour to the proceedings will be jazz musicians Joshua Redman and Paquito d’Rivera together with Wilco, here making their Finnish debut appearance. The Huvila season will be brought to a close with a joint performance by Lou Reed and Laurie Anderson.

The Amos Anderson Art Museum is to play host to a joint exhibition by Susanne Gottberg and Markus Kåhre. Titled A Dialogue, the duo’s unique spatial exercise was many years in the making. The cinema programme culminates in a retrospective of the work of the Japanese film director Nagisa Oshima, while the free outdoor cinema screenings at the Kinopiha celebrate the fall of the Berlin wall.

The Children’s Festival programme features four Finnish premieres. Junior audiences will love Compañía Kaari Martin’s fresh and flamenco-inspired take on the iconic Pippi Longstocking and Glims & Gloms Dance Company’s new interpretation of the classic Finnish fairytale Pessi and Illusia. At the Suvilahti big top, kids and adults alike will be whisked away on a whirlwind tour of Vietnam in the company of a water puppetry troupe.

The Night of the Arts takes over Helsinki on Friday 21 August - programme to be announced in early August. Flow Festival returns to Suvilahti from 14 to 16 August and the Poetry Moon shines on the city from 26 to 27 August. The Viapori Jazz Festival grooves Suomenlinna Island from 26 to 29 August, while the Art goes Kapakka festival makes its presence felt in Helsinki restaurants from 13 to 22 August.

The 2009 Helsinki Festival programme was created by Risto Nieminen, who has led the festival with great success for the past 12 years. He will depart at the end of April 2009. New Festival Director Erik Söderblom is set to assume his role from May 2009. Press Release


musikfest berlin 09 - Shostakovich, Xenakis, Haydn

14 orchestras perform 50 works at 24 concerts on 19 different days

Opening the concert season and running from September 3rd to 21st will be the musikfest berlin 09, Berlin's preeminent international orchestra festival. Organized by the Berliner Festspiele in collaboration with the Foundation of the Berliner Philharmoniker, musikfest berlin cordially invites you to take part in a festival program that includes 50 works by 26 composers performed at 24 concerts.

Performing in addition to the Rundfunkchor Berlin and the city's four prominent orchestras with their artistic directors will be Chicago Symphony Orchestra under the direction of Bernard Haitink, the Koninklijk Concertgebouworkest Amsterdam with Mariss Jansons, the four orchestras of the musical metropolis of London (the BBC Symphony Orchestra, the London Philharmonic Orchestra, the Philharmonia Orchestra London, and the London Symphony Orchestra), and ensembles from Birmingham, Bamberg, Freiburg, and Vienna. Also making guest appearances in Berlin will be Latvian Radio Choir radio and the "Latvija", the State Choir of the Republic of Latvia, singers Angela Denoke, Christiane Oelze, Matthias Goerne, Dietrich Henschel, and Thomas Quasthoff. Other invited soloists include Colin Currie, Håkan Hardenberger, Marco Blaauw, Steven Osborne, and Lars Vogt.

The center of musikfest berlin 09 will be the symphonic achievement of Dmitri Shostakovich. Interpreters include prominent Shostakovich experts such as conductors Mariss Jansons, Valery Gergiev, and Vladimir Ashkenazy. Forming provocative counterpoints to Shostakovich's symphonies will be works by Iannis Xenakis and Joseph Haydn, as well as compositions by Bartók, Janáček, Poulenc, Rachmaninov, Schnittke, Tishchenko, Gubaidulina, Britten, Turnage, Yun, Nono, Mozart, Schubert, Zemlinsky, Reger, Berg, B. A. Zimmermann, Eisler, Dessau, Enno Poppe, Helmut Lachenmann, and Hans Zender. Presented on the September 3 on the evening preceding the opening concert of musikfest berlin 09 will be Karlheinz Stockhausen's electronic composition Hymnen.

The main concert venue is the Berlin Philharmonic. An additional venue is the Konzerthaus at Gendarmenmarkt, which marks its 25 Year Jubilee. To take place in the Chamber Music Hall of the Berlin Philharmonic will be two prestigious benefit concerts marking 25 years of the IPPNW Concerts and featuring top-flight performers. Press Office
Joaquim de Sousa Teixeira

2 de Janeiro de 1916 - 2 de Abril de 2009

Resistente anti-fascista

Comendador da Ordem da Liberdade

English Translation

2009/03/30

Um país aberrante

Em Portugal, resultado das pedagogias "modernas", os alunos insultam e agridem os professores e aterrorizam os colegas mais fracos. Em Salou, na Catalunha, há um hotel que, devido ao estado em que os alunos portugueses deixaram os quartos, se recusa a receber mais excursões de portugueses, segundo informação contida no jornal Correio da Manhã, edição impressa de 30 de Março.

Em Portugal, alegadamente devido aos "direitos individuais" (que de resto são permanente violentados nas escolas, onde professores e alunos são molestados, o mesmo acontecendo na sociedade que resulta desse tipo de escola), o PS e o PSD não aceitam que quem demonstra um estilo de vida além daquilo que o que legalmente ganha lhe permitiria, tenha explicar como arranjou os bens ou o dinheiro para os comprar. Qualquer um que os tivesse ganho de maneira legal não teria qualquer problema em dar essas explicações. Mas para o PS e o PSD tal exigência não é aceitável.

Dois exemplos do comportamento aberrante dos tugueses, digo portugueses, a que assisti:

O pianista Artur Pizarro teve de interromper um recital devido ao telefone de um sujeito que tocou 4 (quatro) vezes, sujeito que acabou por atender e falar alto durante alguns minutos!!! Nada incomodou o bronco (que vai a concertos "eruditos"), mas no final uma advogada (portuguesa obviamente...) falou em processar o Artur por ele não ter tocado tudo o que estava anunciado no programa. Eu gostaria muito que ela o tivesse processado: o Artur reside em Inglaterra, parte do julgamento seria em Inglaterra, e seria mais uma oportunidade dos por-tugueses mostrarem ao mundo como de facto são.

Um dia fiz a enorme asneira de pedir a artistas que colaboravam comigo para tocarem umas obras "modernas" numa "vernissage" de uma galeria de arte, em Lisboa. Os ilustrados ouvintes passaram o tempo a falar enquanto os artistas (dos melhores musicos portugueses que na altura viviam em Portugal, acrescente-se) tocavam. Fi-los parar e declarei que aquele comportamento dos (não) ouvintes era uma tremenda falta de respeito face aos excutantes e ao compositor, que felizmente não estava presente. Um "erudito" replicou que eu devia aceitar que os artistas tocassem com as conversas a decorrer *. Que a minha atitude revelava "pouca pedagogia"... Evidentemente que num lugar habitado por gente (erudita...) desta natureza casos vergonhosos como o Casa Pia teriam de acontecer.

* o sujeito afirmou que deviam ser os executantes a conquistar os ouvintes que falavam... Eis um bom exemplo da pedagogia rasca portuguesa que diz que deve ser a qualidade a conquistar a mediocridade, em vez de serem os mediocres a trabalharem para conseguirem atingir alguma qualidade.

Basicamente está-se a criar (a criar... ou já está criado?) um país de párias, corruptos (as leis ajudam: crimes sim, mas por acto lícito, isto é, "crimezinhos" que todos, ou quase todos, os políticos cometem... em Portugal, claro!) e imbecis, um país com passado (longínquo), mas sem presente nem futuro. Na capa do jornal Público de 30 de Março, vem a notícia de que num referendo realizado na Ilha de Mayotte 95,5 por cento da população preferiu perder a independência e integrar-se totalmente na França. Seria interessante se fosse feito um referendo idêntico em Portugal, perguntando aos portugueses se querem integrar-se em Espanha ou se preferem continuar assim.


Nota: evidentemente que grande corrupção rima com off-shores, mas foi o governo Sócrates quem não aceitou as propostas de João Cravinho para avançar com medidas eficazes nessa frente. Para já não falarmos no novo Estatuto dos magistrados, através do qual o governo de Sócrates pretende acabar com a independência do poder judicial em relação ao poder político, que é um dos pilares fundamentais que caracterizam um regime democrático. Num país corrupto tudo fica sob suspeita, desde os projectos e empreendimentos económicos até à política cultural, onde os artistas "oficiais" são os escolhidos pela teia mafiosa que domina todo o sistema.


O exemplo vem de cima

Eis um ditado popular portuguesmente cristalino, que se tem aplicado sobeja e amplamente... O que o ditado deveria dizer era: os "de cima", governantes, gestores e outros que tais, encontram-se obrigados ao bom exemplo.

Dou obviamente como adquirido que os políticos, porque têm as suas vidas mais expostas à devassa pública, estão obrigadas a regras de comportamento e de carácter mais rigorosas que o comum dos cidadãos


As portuguesas de "élite"

"meninas mais afectadas e estúpidas jamais vistas em qualquer país bárbaro". Cartas de William Warre, in Público P2, 29 Março, pag 10


English Translation

2009/03/29

Arquivar o caso Freeport?

O arquivamento do processo Freeport, no todo ou em parte, está a ser discutido pela hierarquia do Ministério Público, e os magistrados que lideram a investigação têm sido pressionados para fechar o caso. A palavra final vai pertencer a Cândida Almeida, coordenadora do DCIAP, e a Pinto Monteiro, procurador-geral da República. in Correio da Manhã, 29 de Março

Se isto acontecer (um arquivamento por encomenda) Portugal arrisca-se a entrar em grandes e sérias convulsões e Portugal não tem nem robustez económica nem consistência social para aguentar isso. Sócrates deve compreender que a sua carreira política chegou ao fim. Retirar-se da vida pública com a dignidade possível, sem se fazer passar por vítima de uma imensa e complexa cabala internacional, seria o caminho normal em qualquer parte do "mundo civilizado".


Sócrates e Costa citados nas pressões

Os nomes de José Sócrates e do ministro da Justiça, Alberto Costa, foram referidos nas conversas entre o procurador Lopes da Mota e os magistrados que investigam o caso Freeport. O CM sabe que os dois magistrados Vítor Magalhães e António Paes Faria mantiveram pelo menos dois contactos com Lopes da Mota na semana em que o assunto foi discutido. in correiomanha.pt, 04 Abril 2009, 02h10

Quem tinha dito que o ministro Alberto Costa não fazia nada? Claro que faz!


O ex-bastonário e os seus clones

O ex-bastonário da Ordem dos Advogados perora na TVI sobre investigações e provas. O mais espantoso é o tom do senhor que diz que é natural que os portugueses estejam confusos com a complexidade da questão, particularmente com a questão da prova. E depois, doutoral, começa a explicar aquilo que para ele é claríssimo e só nós por estranha falta de subtileza não percebemos. Há anos que esta loucura dura: uns clones do dr. Rogério Alves criaram um enredo legal que apenas serve as suas contas bancárias e dá um substancial jeito a quem tem poder e meios para os contratar. A clivagem entre os portugueses e a sua justiça é total. No fim disto somos tratados como parvos porque não percebemos a subtileza da coisa. De facto deve existir um algures subtil para explicar que nos casos de corrupção os corrompidos e corruptores tenham de autorizar a gravação das conversas que os incriminam. Nas próximas semanas é de esperar este desfile de especialistas para explicarem que não existem provas, que as provas que existem incriminam o contínuo que deixou entrar uma pessoa que não devia para uma reunião qualquer, que ninguém está sob investigação… e todos aqueles que não perceberem isto arriscam-se a levar um processo porque duvidar disto é não ter confiança na justiça portuguesa.


Terá de ser devidamente estudado

Sobre o caso Freeport é possível dizer de tudo: que tem sido moroso, que não se compreende por que é que não se ouviu pessoas há mais tempo, por que são tão arrastadas as perícias e por aí adiante. Este caso, por tudo o que envolve, terá de ser devidamente estudado, e isso há-de ter o seu tempo. No curto prazo, porém, muitos se interrogam sobre o que fazer com esta investigação, dada a potencial contaminação do ciclo político e eleitoral que envolve.

Sendo isto um problema do País, não é maior do que aquele que teríamos caso não se resistisse à tentação de embrulhar uma solução rápida, como um arquivamento que resulte de uma qualquer filigrana jurídica sobre uma eventual prescrição. Cozinhar um arquivamento apressado seria, mais uma vez, dar um profundo golpe na independência do Poder Judicial.

Qualquer decisão mal amanhada que venha a ser tomada nos próximos dias, para arrumar o caso antes de chegar o ciclo eleitoral mais em força, será uma forma enviesada de demolir a integridade da investigação criminal. Isso aconteceu, pela primeira vez, no ‘Apito Dourado’, com o vergonhoso afastamento dos coordenadores da investigação, e depois no processo Maddie. Deixar que uma coisa parecida ocorra, desta vez por despacho do Ministério Público, será um ataque brutal à sanidade do regime, que já é aquilo que se sabe...


English Translation

2009/03/26

Lógica da batata

"Os salários dos gestores portugueses não impedem que a nossa produtividade seja baixa. E se reduzirem os salários dos gestores portugueses a nossa produtividade não vai aumentar. O mais provável é que diminua e que eles emigrem para a Alemanha."

Vão para a Alemanha? Lavar pratos?! Porque suspeito que a Alemanha passa bem sem portugueses gestores a gerirem as suas empresas... Mas há algo curioso nesta frase de um "liberal" português (só podia): diminui-se-lhes os salários desproporcionados e absurdos num país pobre e atrasado como Portugal, e eles, os gestores portugueses, reduzem os resultados. O melhor mesmo é deixá-los ir para a Alemanha... Aqui vai um exemplo do tipo de gestão praticada pelos "brilhantes" gestores tugueses, perdão portugueses: a metáfora da maçâ podre e do pomar são...

Nota: depois da divulgação do conteúdo do vídeo de que todos falavam, que em Portugal não é prova mas constitui prova em Inglaterra e em muitos países desenvolvidos, Sócrates deve afastar-se do governo e dedicar-se a provar a sua inocência (já que insiste estar inocente). A sua permanência no governo como primeiro-ministro é vergonhosa para o país e coloca Portugal na situação de Estado pária com um chefe de governo sob a suspeita de ter praticado actos de corrupção, para além das polémicas da licenciatura, que muitos continuam a achar que foi forjada, e da sua antiga actividade como desenhador de casas com poucas preocupações estéticas e ambientais. O facto de Charles Smith vir dizer que nunca se referiu negativamente em relação a Sócrates depois de ouvirmos o contrário nas gravações só demonstra que algo lhe mete muito mêdo, coisa que não abona mesmo nada a favor de Sócrates. Há também uma história qualquer de abate de sobreiros e um empreendimento turístico, que começou no governo de PSD/PP mas acabou no governo de Sócrates... Já basta haver um conselheiro de Estado sob suspeitas várias, mas como não é um cargo executivo e não possui qualquer poder político efectivo (para além de estar completamente desacreditado e em risco de acabar na prisão quando perder a imunidade), a situação não é tão grave nem tem tanta visibilidade internacional. Curiosamente o conselheiro de Estado sob suspeita foi quem escreveu o prefácio a um livro que chamava Sócrates de menino de oiro...


No país do cinzentismo crónico

No editorial do Público de 26 de Março, chama-se "cobardes" aos que partiram uns vidros da casa de Fred Goodwin. Fred Goodwin é um terrorista económico que conduziu aos desemprego 20.000 pessoas, obrigou à nacionalização de um banco que vale 20% do PIB português, e garantiu para ele mesmo uma "reforma dourada" (mas ainda assim mais baixa que aquelas que alguns dos "brilhantes" gestores tugueses, perdão portugueses, garantiram para eles mesmos em instituições que não valem um "chavo" quando comparadas com o RBS). Num mundo justo, Goodwin e similares não andavam por aí à solta. Na verdade sujeitos como Goodwin podem causar tanto dano ao mundo e às pessoas como os terroristas tradicionais. Como é dito no mesmo editorial, um sindicalista francês suicidou-se ao compreender que não ia evitar o desemprego de 80 dos trabalhadores que representava. Esta vaga de desemprego foi causada pelos terroristas económicos que andaram a indexar os seus prémios de "produtividade" a ganhos trimestrais devidos a truques financeiros, que eles sabiam perfeitamente não terem correspondência na economia real. São uns chicos-espertos sem escrúpulos que nunca almejaram um crescimento consistente mas somente os ganhos de curtíssimo prazo que lhes garantiam prémios de dezenas de milhões, para além de honorários fixos milionários e outras mordomias. Num mundo justo esta gente não só não andaria à solta como já teriam contribuído para o amenizar da pobreza que causaram com a totalidade dos seus bens pessoais. Quando um editorialista de um suposto diário "referência" chama cobardes aos que tiveram a coragem de expressar com grande visibilidade mundial a indignação de milhões, estamos perante gente que ou faz o jogo dos terroristas que destruiram a economia mundial, ou assim escrevem porque são simplesmente portugueses correctos... Eu pessoalmente nunca me empenharia em atirar pedras a vidros, ou ao que quer que fosse. No entanto não posso deixar de reconhecer a coragem daqueles que expressando a indignação de milhões de pessoas que estão a sofrer os actos de terroristas como Fred Goodwin, arriscaram a sua liberdade num acto fútil mas simbólico (na Inglaterra partir vidros com intrusão numa propriedade privada pode resultar em prisão efectiva). Só a imprensa de um país cinzento, ultrapassado e em decadência, poderia chamar a esses "voluntaristas" de cobardes.


Jornalismo acinzentado

Lê-se no Público de 26 de Março, na página 26: "O jornal britânico The Daily Telegraph até já concedeu honras de primeira página a esta antiga apresentadora de televisão", referindo-se a Christine Kelly, provável futura ministra do governo Sarkozy.

O que aparece no diário britânico? Uma enorme foto da jornalista em biquini com os peitos bem delineados, encabeçada pelo título "Sarkozy's new minister". No texto por baixo da imagem diz-se que Kelly é bem conhecida por posar em biquini. Se Sarkozy é uma vez mais ridicularizado, nomeadamene quando diz que Kelly é não só atraente como está em contacto com o mundo actual (qualquer rapariguinha que pose em biquini e coloque as fotos no facebook também estará...), de Kelly fica a imagem de quem vai subindo na vida devido a outros dotes que não exactamente os intelectuais. No fundo é a França que é ridicularizada pois trata-se do presidente francês e de uma futura ministra. A isto a imprensa de um país cinzento e acrítico chama "honras de primeira página".

Muito pior foi quando outro jornal que se acredita uma "referência" no país cinzento, elevou a herói um bufo português que era pago pelos nazis para espiar as movimentações das embarcações dos aliados. A informação avançada como "história" pelo cinzento diário era falsa: aquilo que o bufo português não pôde transmitir aos nazis (porque entretanto foi preso pelos aliados) não só não foi fundamental, como se escreveu no cinzento jornal, como nem sequer foi muito relevante para a vitória dos aliados.

Nota: os ingleses podem gozar os franceses mas a verdade é que os islâmicos radicais estão em Inglaterra, têm nacionalidade britânica, estão cada vez mais radicais (apesar do governo britânico ter retirado o holocaustro dos curricula das escolas para não ferir as susceptibilidades islâmicas) e na primeira oportunidade farão explodir o Reino Unido. Os muçulmanos franceses são moderados (limitam-se por vezes a queimar uns carros, o que até dinamiza a indústria automóvel francesa...) e têm orgulho em serem franceses. O resto é conversa da treta à portuguesa com pitadas de humor inglês com pouca piada.


Sócrates: um rapazinho português *

Alan Perkins: O que desencadeou a acção da polícia? A queixa era sobre corrupção...

Charles Smith: O primeiro-ministro, o ministro do Ambiente é corrupto.

Alan Perkins: Quando tudo estava a ser construído qual era a posição dele?

Charles Smith: Este tipo, Sócrates, no final de Fevereiro, Março de 2002, estava no Governo. Era ministro do Ambiente. Ele é o tipo que aprovou este projecto. Ele aprovou na última semana do mandato, dos quatro anos. Em primeiro lugar, foi suspeito que ele o tenha aprovado no último dia do cargo... E não foi por dinheiro na altura, entende? Isto foi mesmo ser estúpido...

Alan Perkins: Quando foram feitos os pagamentos? Como estava em posição de receber pagamentos se aprovou o projecto no último dia do cargo?

Charles Smith: Foram feitos depois. Ele pediu dinheiro a dada altura, mas não...

Charles Smith: João, foi aprovado e os pagamentos foram posteriormente?

João Cabral: Certamente... Houve um acordo em Janeiro. Eles tinham um acordo com o homem do Sócrates, penso que é em Janeiro.

Charles Smith: Sean (Collidge) reuniu-se com o tipo. Sean reuniu-se com funcionários dele, percebe? Sean e Gary (Russel) reuniram-se com eles.

Alan Perkins: Houve um acordo para pagar?

Charles Smith: Para pagar uma contribuição para o partido deles.

Charles Smith: Nós fomos o correio. Apenas recebemos o dinheiro deles. Demos o dinheiro a um primo... a um homem...

Alan Perkins: Mas como o Freeport vos fez chegar esse dinheiro?

Charles Smith: Passou pelas nossas contas

Alan Perkins: Facturaram ao Freeport, ok?

Charles Smith: Ao abrigo deste contrato. Era originalmente para ser 500 mil aqui, desacelerámos, parámos a este nível, certo? Isso foi discutido na reunião, lembra-se? Ele disse: «Nós não queremos pagar». Se ler esse contrato, diz aí que recebemos três tranches de 50, 50, 50... Gary disse: «Enviamos o dinheiro para a conta da vossa empresa».

* para não confundir com o filósofo


Porque não se devem salvar os bancos

Criou-se uma espécie de consenso segundo o qual os bancos têm de ser salvos senão o mundo vai abaixo. Há que dizer que este mito foi inventado pelos conselheiros e assessores financeiros dos governantes. Quem são os conselheiros financeiros de Gordon Brown, que anda a dar a volta ao mundo tentando convencer o mundo a disponibilizar quantidades pornográficas de dinheiro para salvar o "sistema"? Um dos seus conselheiros mais proeminentes foi Fred Goodwin, o homem que destruiu o RBS mas que garantiu para si mesmo uma reforma dourada, que agora está a causar escândalo e indignação generalizada. Claro que com estes conselheiros e assessores a mensagem será sempre: o "sistema" tem de ser salvo custe o que custar. Com o dinheiro dos contribuintes, evidentemente.

No entanto o "sistema" não tem salvação: os valores que foram aplicados em derivativos (esse truque financeiro criado pelos bancos para conseguirem lucros grandes e rápidos) e "activos tóxicos" (empréstimos insolventes) excedem largamente a quantidade de dinheiro disponível em todo o mundo. Lançar dinheiro para salvar os bancos é lançar dinheiro num poço sem fundo. Paul Krugman, entre outros, já avisou que o pacote de triliões que Obama prepara não vai resultar. Tem razão. Dar dinheiro aos bancos é deitar o dinheiro fora, garantindo, claro, as reformas milionárias de quem destruiu o "sistema".

Dar dinheiro aos bancos é fazer duplamente de idiotas os contribuintes: 1º diz-se-lhes que sem essas injecções de dinheiro o sistema vai entrar em colapso, quando na verdade o sistema já está em colapso. 2º depois de os convencer que têm de pagar, subtrai-se dos cofres públicos quantias absolutamente inimagináveis de dinheiro que davam para pagar as dívidas de todos os que estão a ser postos na rua por falharem as prestações das casas e ainda sobrava dinheiro para distribuir aos que não têm casa própria para aquisição de habitação, aliviando-os de rendas frequentemente inflaccionadas, e às empresas, produtivas e viáveis no longo prazo, que estão em dificuldades, no sentido de estimular o consumo e fazer sentir às pessoas que o Estado existe em função delas e não dos banqueiros e "gestores". Quanto às apostas em derivativos é dinheiro perdido. Quem andou a apostar nesses produtos de lucro fácil e rápido, mas de elevado risco, sabia que podia perder tudo. O Estado não tem que lhes dar rigorosamente nada. Se salvar esses também tem de salvar os jogadores de casino e todos os jogadores que perderam dinheiro. É impensável, e ridículo, não é?

Há aqui algo de profundamente imoral pois está-se a tentar fazer pagar aos mesmos de sempre os erros dos que deles se têm aproveitado para que tudo volte ao "normal". Isso não pode acontecer. Isso não vai acontecer. O governador do banco de Inglaterra já disse que o país não tem mais dinheiro para salvar bancos. O encontro dos G20 vai ser um acto falhado porque ninguém, excepto os EUA (que têm os seus próprios timings e não andam a reboque da Inglaterra, antes pelo contrário...), vai considerar seriamente o "plano" de Brown. Por mais que custe aos grandes banqueiros que se andam a reunir com Gordon Brown, nada vai ficar como dantes. Na verdade, por bem menos já aconteceram guerras terríveis. É verdade que grande parte das populações estão embrutecidas por sistemas de ensino que as conduziu à ignorância, à estupidez e à total incapacidade reflexiva. É fácil convencer gente assim. Apesar das dificuldades continuam anestesiadas pelo futebol e pelos dramas das estrelas inventadas por televisões que trabalham no registo que corresponde exactamente ao nível intelectual (he, he, he) dessas populações. Mas será demasiado ingénuo pensar-se que, com o agudizar da situação económica a estádios nunca vividos anteriormente por gente habituada à relativa prosperidade do pós-guerra, esta gente continuará eternamente colada às televisões e a chorar as (verdadeiramente) suas estrelas (de) cadentes. Muitos já despertaram da letargia televisiva para o mal pois alguns sistemas de ensino transformaram-os em ignorantes que começam a manifestar sinais de racismo e nacionalismo. Há que pensar que a história da Europa foi sempre uma história de guerras e atrocidades. A paz na Europa é algo recente. Não é uma abstracção e muito menos um dado adquirido. É simplemente uma construção que figuras ilustres da história (que já não se estuda no ensino básico público em Inglaterra e é desleixada em países menores, felizmente poucos, que lhe seguem as pisadas) conseguiram com génio e brilhantismo.


English Translation

2009/03/13

Iannis Xenakis - Psappha
Performed by Steven Schick

2009/03/10

Free Tibet
Ver o Sol aos quadradinhos

Mario soares diz que (*) devem ser todos presos mas é testemunha de jardim gonçalves.Vá lá a gente perceber esta gente

(*) os corruptos


Simplesmente aos quadradinhos

Neste momento, começa a ser difícil descrever o caso BPN só em palavras – temos de recorrer à graça peculiar que a banda desenhada sugere. Alguns dos nomes dos protagonistas parecem fadados para histórias aos quadradinhos. Leio que alguém, sintomaticamente chamado ‘Caprichoso’, recusa falar na comissão de inquérito. Outro, designado por ‘Comprido’, revelou ter a memória em estado directamente oposto àquele com que foi baptizado e limitou-se a dizer “não me recordo”, “não tenho presente”. Há notícia de que um tal ‘Fantasia’ comprou os terrenos do futuro aeroporto de Alcochete pouco antes de a Ota ser abandonada.

Seria bom que surgisse um António ‘Indiscreto’ ou um Jorge ‘Linguareiro’ para ver se a história era deslindada de uma vez.


Estranha ideia de vida

O Vaticano condenou a interrupção da gravidez de gémeos de uma menina brasileira de 9 anos, justificada pelos médicos por aquela ser muito miúda de corpo (36 kg) e ter sido violada pelo padrasto. A gravidez, para além de resultar de um crime abjecto, colocava a vida da menina em sério risco.

Agora o Vaticano voltou a protestar. Desta vez, contra os apoios que Obama decidiu dar à investigação com células estaminais embrionárias. Segundo especialistas, estes estudos poderão conduzir à descoberta de cura para doenças hoje fatais.

O Vaticano jura que está a defender a vida. Na minha balança de valores, deixar morrer aquela menina e os muitos milhões que sofrem de diabetes e de Parkinson é esvaziar o próprio conceito de vida. E isso é um crime ainda mais grave.


Fim de ciclo

O sistema de gestão que permitiu aos presidentes das empresas ganhar 400 vezes os ordenados médios dos empregados - há duas décadas era 40 vezes mais - minou qualquer possibilidade de cortes fiscais para as classes mais abastadas. Remunerações indexadas aos ganhos trimestrais em vez de indexadas ao crescimento de longo prazo, combinadas com pára-quedas dourados... minou a produtividade.

Pontes para lado nenhum não correspondem à recuperação económica. Têm de existir pontes para ligar actividades económicas entre dois pontos para que o crescimento líquido seja fomentado no longo prazo. Paul Samuelson (Visão - 5 de Março).


English Translation

2009/03/06

MaerzMusik Festival

As the international music Festival of the Berliner Festspiele, MaerzMusik not only familiarizes guests with the latest developments in contemporary music, but is also a consistent place of encounter, a much favored rendezvous point for composers, performers, and the public. Presented at the festival between March 20th and 29th will be 10 world premieres and 23 German premieres, with many composers in attendance. Delivering the welcoming address on March 20th at the Haus der Berliner Festspiele will be composer Dieter Schnebel.

The thematic focus on the “American Avant-garde” has succeeded in luring several of the most important representatives of “Minimal und Conceptual music” to Berlin. Composer Ben Johnston – rediscovered to great acclaim in 2008 at the Donaueschinger Musiktage – will attend the German premiere of his String Quartet on March 22nd beneath the glass-roofed courtyard of the Jewish Museum. Steve Reich will be in Berlin to attend a performance of his Drumming (1971) in the Chamber Music Hall of the Philharmonie on March 25th. His most recent composition Double Sextet will be performed on March 27th at the Haus der Berliner Festspiele – a German first performance and a German debut of the Chicago ensemble eighth blackbird. To conclude this concert, the Curtis Ensemble, among others, will perform a work commissioned by MaerzMusik, a trio for clarinet, tuba and cello by Alvin Lucier. This sound artist – famous for his experimental work in the realm lying between art and science – will be present in Berlin for nearly the duration of the festival, and will participate together with Michael Nyman and Steve Reich in a podium discussion on the topic of The American Avantgarde Revisited on March 25th. Also commissioned to compose a piece for MaerzMusik is Christian Wolff. The son of publisher Kurt Wolff, who emigrated to the US in 1941, Wolff is a central figure in the contemporary music scene in the United States and will be present on March 28th for the world premiere of his For 2 Violinists, Violist and Cellist. Performing at the festival conclusion on Sunday, March 29th at the Haus der Berliner Festspiele will be vocal composer Robert Ashley together with the MAE Ensemble Amsterdam.

An Englishman who has been consistently interested in musical events in the USA is composer Michael Nyman – well-known for his film scores, among them the one for The Piano. On March 26th at the Sonic Arts Lounge, he will present his first collaborative work with Carsten Nicolai (alva noto), pretty talk for george brecht.

Composers from Russia will in attendance present at a concert performance on March 22nd beneath the glass-roofed courtyard of the Jewish Museum: Valentin Silvestrov, Vadim Karassikov, Sergej Newski, Boris Filanovski, and Dmitri Kourliandski. Kourliandski, currently residing in Berlin as a DAAD Fellow, will present altogether five works during the festival, including two world premieres.

“Eurasische Schwellen” (Euroasian Thresholds) is the title of the concert scheduled for March 23rd at Radialsystem V. The Nieuw Ensemble of Amsterdam and MaerzMusik have jointly commissioned four compositions, and will be hence presenting the most recent works by Jamilia Jazylbekova from Kazakhstan, Farangis Nurulla-Khoja from Tadzchikistan, Artjom Kim from Uzbekistan, Tigran Mansurian and Petros Ovsepyan from Armenia. All four will be present at their premieres. And of course, French composer Mark Andre, who lives in Berlin, will be in attendance at the world premiere of his orchestral trilogy …auf…, performed in the Large Hall of the Berlin Philharmonic by Sylvain Cambreling and the SWR Sinfonieorchester. (press release)

2009/03/02

Ligetti - Estudi "Galamb-Borong"

2009/02/26

Se os alemães não pagarem?

No passado fim-de-semana, Sócrates fez gazeta à cimeira europeia para ficar em casa, a aquecer-se ao calor do rebanho socialista em congresso. Ferreira Leite estranhou. Mas, como foi decretado que tudo o que a senhora diz é gafe até prova em contrário, também a atenção nacional preferiu Espinho a Bruxelas. No entanto, a ausência de Sócrates ainda pode vir na História: como símbolo da distracção paroquial de que somos capazes, mesmo à beira do vulcão.

A cimeira de Bruxelas pôs o ‘Wall Street Journal’ e o ‘Economist’ a especularem sobre o fim do actual modelo de unidade europeia. Não é alarmismo sem fundamento. Os países mais pobres do continente (como Portugal) convergiram com a Europa rica em consumo, mas não em produtividade. Agora sofrem por isso: a leste, desvalorizam-se as moedas; a sul, encarece o crédito externo. E todos esperam e pedem o socorro dos países ricos – isto é, da Alemanha.

E se os alemães não quiserem pagar? E se, pagando, isso não chegar? Habituámo-nos a dar por adquirido o tio rico da Europa, e a pensar que ele nos garantiria tudo. Os economistas explicam-nos que, fora do euro, já teríamos passado por uma bancarrota argentina. Há tempos, o dr. Soares imaginava que sem a UE haveria tanques na rua. O que acontecerá se a UE, tal como a conhecemos, for uma baixa da crise? Preferem não pensar nisso?

Nota: um estudo revelou que 2/3 dos alemães desejam abandonar o euro e voltar ao antigo marco. Há alguns aspectos a considerar: 1º os alemães já tiveram a experiência de ter de reconstruir a ex-Alemanha de "leste" e ainda persistem diferenças entre parte ocidental e a oriental, apesar dos biliões dispendidos pela parte ocidental. 2º a Alemanha também está a sofrer da crise e não acredito que possa aguentar com toda a crise europeia, mesmo que tenha essa vontade. 3º a Inglaterra manter-se-á de fora, especialmente em tempo de crise, e reforçará a ideia de manter a libra. A libra está a descer e isso só favorece o aumento das exportações inglesas e o turismo. A Inglaterra não vai contribuir mais para os cofres europeus: estará dentro da UE para o que lhe convém e não estará para o que lhe desagrada ou entende que não lhe convém, como aliás sempre fez. 4º a ideia de que países como Portugal não souberam aproveitar os biliões que receberam durante mais de 30 anos tem fundamento e não pode ser interpretada como racismo ou nacionalismo por parte dos alemães.


Censura

Segundo o PÚBLICO «O incidente entre José Eduardo Martins (PSD) e Afonso Candal (PS), que acabou quinta-feira com insultos do social-democrata ao deputado socialista, não vai ter consequências internas e as frases polémicas nem sequer vão figurar nas actas da reunião, que ontem estavam ainda a ser transcritas pelos serviços da Assembleia da República (AR).

Tanto a direcção da bancada do PS como a do PSD e a própria mesa da AR se certificaram de que as frases não seriam transcritas na acta.

Nota: é como fazem muitas comissões executivas das escolas básicas e secundárias portuguesas. O Correio da Manhã, edição impressa de sábado 7 de Março de 2009, informou que numa escola um aluno ameaçou outro com uma arma de fogo. Pois a Comissão Executiva da escola disse que se tratava de uma arma de brincar! O jornal confirmou que era uma arma a sério. A ministra da educação anteriormente tinha afirmado não corresponder à realidade o alerta do Procurador Geral da República para o facto de existirem armas de fogo nas escolas portuguesas e de que facas (e navalhas) são "às centenas"...


Autoridade de Estado

A autoridade do Estado só se pode apreciar devidamente depois de se verificar onde se aplica e onde se desvanece. Entrar numa livraria para apreender livros, num sindicato para indagar em patrulhamento de proximidade o itinerário de uma manifestação de professores, identificar manifestantes à porta de uma fábrica, pode fazer vibrar os apoiantes da velha ordem e outros da nova. Mas deixar que uma testemunha seja insultada e maltratada à saída de um sítio problemático como um tribunal em acto de soberania, serve de compensação ao excesso de zelo, ou faz parte da mesma cultura castiça?

Nota: é a mesma cultura castiça que considera pouco relevantes as agressões e insultos aos professores nas escolas e que tem como consequência quase meia centena de mulheres assassinadas pelos respectivos companheiros (muitos ex-companheiros que continuavam a considerar as ex-esposas e ex-namoradas como "suas", note-se o grau de anormalidade e de aberração que trespassa o "mundo português") só durante o ano 2008. Tudo "danos colaterais" pois o país, esse continua na senda de alcançar os seus desígnios grandiosos que o consagrarão mundialmente (ainda mais...) como um Estado sério, democrático, eficaz e respeitado...


Do mundo pseudo-desenvolvido e da reforma de Goodwin

Quantas vezes menos vale o maior banco privado português se comparado com o Royal Bank of Scotland? 50 vezes menos? 100 vezes menos? Tende para não ter qualquer valor quando comparado com o RBS (o facto de ter sido salvo com 20 biliões de libras, independentemente de se achar bem ou mal, mostra a sua importância)?

Sabe-se que o CEO de um banco privado de Portugal foi dispensado e compensado (pelo seu mau desempenho...) com 30.000.000 euros, mais algumas horas de uso mensal do jacto privado do banco. Fred Goodwin, ex-CEO do RBS, abandonou o lugar e ficou a receber 693.000 libras/ano, vitaliciamente, quantia que parece ter sido aceite sem pestanejar pelo mesmo governo trabalhista que agora se mostra indignado e quer reduzir o montante para metade. Muitos contestam a metade e consideram que Goodwin deveria retirar-se sem levar nada, dado seu mau desempenho ("mau desempenho" neste caso significou, para além da perda de cerca de 25 biliões de libras, 20.000 postos de trabalho que desapareceram). A discussão pública vai continuar, mas Goodwin diz que foi tudo acordado com o governo. Outros acham que o banco deveria ser deixado falir e o fundo especial de 17.000.000 libras que foi criado para garantir a reforma de Goodwin evaporar-se-ia. O governo de Gordon Brown promete batalhar nos tribunais... Melhor: diz que pode alterar as leis para impedir que Fred continue a receber o "bolo" anual! Surpreendente vindo de um governo tido como "mole", mas se não fosse a internet e a imprensa, ou vice-versa, ficaria tudo no "segredo dos deuses". Nos Estados terceiro-mundistas paga-se logo o "bolo" inteiro: os banqueiros e os administradores de empresas podem-se escapar sem correrem o risco que Goodwin corre actualmente. Hi Fred! Porque não escolheu Portugal, ou outro parecido, para "trabalhar"? (afinal parece que aquilo de retirarem o "bolo" a Goodwin foi somente uma "boca" de uma ministra... que o governo não pode dizer e desdizer ao mesmo tempo e aprovar leis para funcionarem rectroactivamente, gorando as expectativas criadas nas pessoas... parece que isso acontece nos países terceiro-mundistas... mas que nesses países terceiro-mundistas essas coisas más com retroactividade nunca se aplicam aos banqueiros e administradores, sujeitos que, nesses países, normalmente pobres e socialmente muito atrasados, levam sempre o bolo inteiro... e que devem estar a pensar de tudo isto os 20.000 desempregados originados por Goodwin? Bem... provavelmente devem estar mais protegidos e ter melhor qualidade de vida que os empregados nos países "em vias de desenvolvimento", e aparentados... mas... Fred Goodwin não juntou uma fortuna que lhe permite rescindir da reforma sem ter de prescindir do seu luxuoso estilo de vida? Quer deixar fortuna suficiente para os herdeiros não se confrontarem com aborrecimentos como eventualmente terem de trabalhar?)

Nota: como parece terem existido irregularidades no processo de estabelecimento do contrato de reforma de Goodwin, o governo britânico e a actual administração do RBS vão impugnar o mesmo nos tribunais. Em Portugal nada disto aconteceria e Fred nunca teria estes problemas: um "pacote" de dezenas de milhões como alguns levaram (nem que fosse "somente" de dez milhões...), um "off-shore"... Problema resolvido. Viva o mundo pseudo-desenvolvido!


PJ faz buscas no Ministério da Educação

As buscas foram realizadas em Fevereiro na sede do ministério. Em causa está um contrato com João Pedroso que não foi cumprido.

O Ministério da Educação foi alvo de buscas por parte de uma equipa de investigadores do Ministério Público e da Polícia Judiciária. No início de Fevereiro, sete elementos das duas entidades entraram nas instalações da sede do ministério na Avenida 5 de Outubro, em Lisboa, no âmbito de uma investigação ao contrato de 288 mil euros assinado entre o ministério e o magistrado, João Pedroso. in economico.sapo.pt, 03/03/09, 00:06

Nota: mais um caso de polícia...


2009/02/21

Iannis Xenakis- Mycenae Alpha
Xenakis created the music using the UPIC which makes sound based on drawings that Xenakis made. in youtube.com/user/d21d34c55

2009/02/15

Gyorgy Ligeti - Artikulation
In the 70's, Rainer Wehinger created a visual listening score to accompany Gyorgy Ligeti's Artikulation. in youtube.com/user/d21d34c55

2009/02/12

1%... do PIB...

Cruzei-me recentemente com um dos poucos políticos * que, num país social e culturalmente atrasado como Portugal, anda de transportes públicos. No decurso da conversa por mim iniciada contou-me algo alucinante:

- Sabe que o presidente do Conselho de Administração do banco x ficava com um terço (1/3) dos lucros do banco? Já confrontei o ministro das finanças com os números, acrescentou.

Pergunta: como foi isto possível?

Espero que este político, e outros que se dediquem verdadeira e honestamente à "causa pública" e ao "bem comum", continue em frente e consiga ter êxito para mudar profundamente Portugal (se isso fôr possível... é melhor que seja...).

* Há muitos anos costumava ver Salgado Zenha regularmente esperando o metro na estação de Entrecampos. Zenha foi um modelo de integridade, coerência e independência. Infelizmente nunca conversei com ele.

Nota: trata-se de facto do BPN, tal como me foi confirmado por e-mail: "Sim, mas falei-lhe do BPN, Oliveira e Costa. Agora, já se sabe que o buraco do banco é pelo menos de 1800 milhões de euros (1% do PIB português)".

Questão: será possível que um homem só se "abotoasse" com 1% do PIB?

Nota 2: a violência, verbal e física, que existe nas escolas portuguesas, está a originar uma sociedade sem princípios, agressiva, de má qualidade e isenta de laços de cidadania e solidariedade. Arrisca-se à entropia máxima...

Nota 3: lembro-me de uma professora de estética que não se cansava da referir a relação que, segundo ela, Wittgenstein estabeleceu entre ética e estética. A ética segundo Wittgenstein, dizia ela, é algo que não se adquire: ou se tem ou não se tem. Um poco como o talento, atrevo-me a acrescentar eu... No entanto, refutando sem desfazer, o que seria manifestamente difícil, o argumento de Wittgenstein, ao contrário do talento, a ética, na minha pouco relevante opinião, pode ser ensinada, desde que "de pequenino se torça o pepino". Tal como a técnica de tocar piano, por exemplo. Ao contrário da técnica de tocar piano que sem talento será pouco mais que irrelevante, a aprendizagem ética terá manifesta positividade no "tecido social", no desenvolvimento global das sociedades, no "bem estar geral" e na "felicidade" dos indivíduos.

------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

ADVOGADA AMIGA DE SÓCRATES

Paula Lourenço, advogada de Manuel Pedro e de Charles Smith, dois dos arguidos do processo Freeport, é amiga de José Sócrates e do seu pai, o arquitecto Fernando Pinto de Sousa. Além disso, a advogada, que defendeu José Braga Gonçalves no caso da Universidade Moderna, é também a defensora de Carlos Santos Silva, um empresário muito conhecido da Cova da Beira, também amigo de longa data de José Sócrates.

Carlos Santos Silva era proprietário da empresa Conegil, que participou no consórcio vencedor da construção e exploração de uma Estação de Tratamento de Resíduos Sólidos promovido pela Associação de Municípios da região. Este concurso deu origem a um processo que está agora à espera da marcação da data de julgamento na Boa-Hora. Um dos arguidos é Horácio Luís de Carvalho, proprietário da empresa HCL, que adquiriu uma parte do capital da empresa de Carlos Santos Silva , mas que o manteve à frente da Conegil.

Outro dos arguidos é António José Morais, também amigo de José Sócrates e professor de quatro das cinco cadeiras feitas pelo primeiro-ministro na Universidade Independente. António Morais está acusado dos crimes de corrupção passiva para a prática de acto ilícito e de branqueamento de capitais. Horácio Luís de Carvalho é acusado de crimes de corrupção activa e branqueamento de capitais.

'MAGALHÃES'

Paula Lourenço é a advogada da empresa J. Sá Couto, que está a produzir os célebres computadores ‘Magalhães’ para os alunos portugueses. in correiomanha.pt, 20 Fevereiro 2009, 02h05


Provavelmente vai ser necessária uma solução

Eis um texto aparentemente tirado do site da TVI que aparece no comentário 7 ao "post" do Blasfémias intitulado "Itália à vista?":

A TVI sabe que a promotora da construção é participada da SLN e tem fortes ligações ao BPN.

José Sócrates aprovou em 2001, como ministro do Ambiente, o estatuto de imprescindível utilidade pública de um plano de pormenor de um projecto em Setúbal, sem que o dito plano existisse na realidade.

É um caso de alegado favorecimento que envolve o nome do actual Primeiro-ministro e outro ministro de então, e que diz respeito ao projecto imobiliário «Nova Setúbal», considerado de grande importância pelo Governo.

A TVI sabe que a empresa promotora da construção é participada da Sociedade Lusa de Negócios e tem fortes ligações ao Banco Português de Negócios (BPN).

De uma só vez, em poucas horas de uma manhã, perante o olhar das autoridades, quase 800 sobreiros centenários vão abaixo.

A autorização para o abate chegou pelas mãos da autoridade florestal, no desfecho, ainda que provisório, de um processo complicado e questionável.

O processo começou em 2001 quando a autarquia de Setúbal, então socialista, requereu a imprescindível utilidade pública para o Plano de Pormenor do Vale da Rosa e Setúbal Oriental, uma zona fora da cidade, com povoações de sobreiro.

A carta enviada para o Ministério da Agricultura está datada de 7 de Novembro. Apenas 12 dias depois, um verdadeiro recorde, é publicado em «Diário de República», o despacho conjunto dos ministérios da Agricultura e Ambiente, a decretar o dito plano como de imprescindível utilidade pública.

O despacho é assinado pelo ministro da Agricultura, Capoulas Santos, e pelo colega do Ambiente, José Sócrates.

O problema é que o Plano de Pormenor, considerado de imprescindível utilidade pública, só viria a ser aprovado anos depois. Em 2008 é finalmente publicado em «Diário de República». Ou seja, os dois Ministérios aprovaram um plano que não existia. O mesmo é dizer que não conheciam. Além do mais, a aprovação é dada sem uma avaliação de impacto ambiental.

O estatuto de imprescindível utilidade pública é dado com base na infra-estrutura desportiva a construir, ou seja, o futuro campo do Vitória Futebol Clube.

Na zona onde se abateram os sobreiros vai nascer apenas um centro comercial junto à estrada para o Algarve. Noutra zona povoada por árvores vão erguer-se casas 7500 fogos para 30 mil pessoas, ou seja, um terço da população actual da cidade.

Longe de tudo isto, está o esperado estádio de utilidade pública, que está previsto para uma zona deserta, a dois quilómetros da área do abate.

A promotora do empreendimento, a empresa Pluripar, escusou-se a prestar esclarecimentos sobre o caso. A empresa disse apenas que a lei do montado, que protege os sobreiros, foi cumprida para as árvores abatidas.

A Pluripar não adiantou qualquer outro pormenor sobre o processo. A TVI sabe que a empresa é participada pela Sociedade Lusa de Negócios (SLN), esteve no universo do BPN e dois dos membros da direcção, entre eles o até há pouco tempo presidente, Emídio Catum, têm ligações directas com o banco.

Contactado pela TVI, o presidente da câmara em 2001, Mata Cáceres, defende que não houve qualquer ilegalidade no processo, nem tão pouco favorecimento ou tráfico de influências. O certo é que o despacho assinado pelos ministros da Agricultura e Ambiente é feito dias antes das eleições autárquicas. Curiosamente, nessa altura, Júlio Monteiro, tio de José Sócrates, era deputado municipal em Setúbal.

A Polícia Judiciária chegou a investigou o caso, mas sem grandes novidades até agora. O processo continua no Departamento de Investigação e Acção Penal de Setúbal. Em causa poderão estar crimes de prevaricação, corrupção passiva para acto ilícito e abuso de poder
.


Fim de regime

Quando o caso Freeport se tornou ameaçador, Sócrates e aquela espécie de sacristão do poder cuja função é amplificar a voz do dono até que os limites do razoável sejam desbaratados, Santos Silva, em vez de aclararem o imbróglio optaram por clamar que era tudo uma ‘campanha negra’ e que qualquer alusão ao assunto era ‘insultuosa’.

Depois o caso SLN/BPN inchou. Figuras aleitadas no período cavaquista mostraram a sua pior face. Agora soube-se que um ‘testa de ferro’ da SLN terá comprado cerca de 6000 hectares na zona do novo aeroporto pouco antes dos estudos e as pressões presidenciais a escolherem.

É o regime que se afunda enquanto as várias facções da Corte acreditarem que se atirarem porcaria para cima umas das outras a sua própria podridão fica escondida. Carlos Abreu Amorim in www.correiomanha.pt, 16 Fevereiro 2009, 00h30


Certas metodologias de investigação em "ciências humanas"...

Já aqui falei da forma ligeira, mas altamente reveladora, como Maria de Lurdes Rodrigues reagiu ao parecer elaborado pelo doutor Garcia Pereira. De acordo com o que afirmações recentes:

"Não valorizo os pareceres. Os pareceres são encomendados e devem ser valorizados por quem os encomendou. Não pedi nada ao professor Garcia Pereira, portanto, não tenho que valorizar nada."

Já aqui se referiu em outro post que isto é contraditório com o facto do ME andar a encomendar, ele próprio, pareceres a alegados peritos, que não são nomeados.

Mas neste momento gostaria mais de analisar a forma como a Ministra da Educação parece encarar as encomendas e a sua utilidade, à luz do que conhecemos sobre algumas das encomendas do ME.

Vejamos:

* A João Pedroso foi pedida a elaboração de algo entre o estudo e a base de dados sobre legislação em matéria de Educação - pensando bem, JP tem tinha razão em pedir mais tempo e dinheiro depois do primeiro porque a tarefa de colocar ordem no aparato legislativo em matéria de Educação é hercúlea - que acabou como sabemos, por cumprir e imensas dúvidas a correrem sobre muitos aspectos que não convém agora especificar muito por causa de…

* A um grupo de visitantes estrangeiros ilustres, ajudados por um especialista nacional, foi encomendado um estudo do tipo OCDE-mas-apenas-quase-OCDE, que validou as políticas do Governo para o 1º CEB com uma semana de trabalho, visitas a pouco mais de meia dúzia de autarquias e quase todas do partido do governo e uma bibliografia que parece uma estante de publicações oficiais do ME.

* Mas a mais notável, porque cândida na sua inusitada sinceridade, foi a feita logo no primeiro ano de mandato a João Freire sobre a reorganização da Carreira Docente, na qual se pode ler, a páginas 104 do relatório final, como é que um encomendado deve preparar a encomenda quando o encomendador é a equipa do ME:
...
Quem trabalha assim, ou melhor, quem faz trabalhar assim os autores das suas encomendas, compreendo que lhe seja possível entender que algo seja feito de forma diferente e transparente, em que o pedido, o método de trabalho e os resultados finais são claros e estiverem sempre à vista de todos, sem truques.