2009/10/24

Três milhões de libras de luvas

A conclusão das investigações está a ser marcada por revelações: há uma semana, a TVI divulgava um fax atribuído a responsáveis da empresa-mãe do Freeport de Alcochete, segundo os quais teriam sido pagos três milhões de libras de luvas. E, ontem, o semanário Sol revelava que um dos seis arguidos terá dito que um político terá recebido 750 mil euros para a aprovação do outlet. in publico.pt, 24.10.2009 - 09:40

Nota: aceitam-se apostas com o nome do político dos 750 mil euros. E dos outros (3 milhões de libras...). Ou seriam todos políticos?

Falha informática

Continuam retidos em Londres documentos requeridos pelos procuradores titulares do caso Freeport às autoridades britânicas, ao contrário do que o PÚBLICO noticiou anteontem. "Falha informática" foi a razão invocada para a inesperada suspensão da remessa daquela documentação considerada indispensável para a conclusão das investigações.

A permanência da documentação nos arquivos do Serious Office Fraud e da Polícia Metropolitana de Londres foi um contratempo para a conclusão da fase final das investigações.

Procuradores, investigadores e peritos já tinham planificado a análise dos dados provenientes de Inglaterra para definirem o rasto do dinheiro alegadamente usado para o pagamento de "luvas" para levantar os obstáculos à implantação do outlet de Alcochete no interior da Zona Especial de Protecção do Estuário do Tejo.

Enquanto aguardam pela superação da "falha informática", os investigadores e magistrados não devem ficar parados. E devem concentrar esforços na avaliação dos indícios recolhidos para o inquérito aberto em Fevereiro de 2005, na sequência de uma carta anónima remetida para a Polícia Judiciária de Setúbal, que motivou a realização de buscas à Câmara Municipal de Alcochete e em empresas e entidades envolvidas no licenciamento do megaempreendimento no interior da zona protegida do estuário do Tejo.

A ultimação das investigações implicou que os investigadores da Polícia Judiciária de Setúbal, nomeadamente a responsável por este departamento de investigação criminal, Maria Alice Fernandes, se dediquem em exclusivo ao processo Freeport. O envolvimento directo da experiente investigadora nas diligências do inquérito terá sido uma das razões que implicou o afastamento do responsável inicial pela investigação, o inspector-chefe Acúrsio Peixoto, ocorrido há cerca de seis meses e ontem noticiado pelo Diário de Notícias.

Segundo uma fonte da direcção nacional da PJ afirmou ao DN, a responsável pelo DIC de Setúbal terá entendido "que se tornava desnecessária uma chefia intermédia". Contactada pelo PÚBLICO, Cândida Almeida, coordenadora do Departamento Central de Investigação e de Acção Penal (DCIAP), afirmou que este departamento é alheio àquela mudança, sublinhando que, "enquanto titular da acção penal, o MP não escolhe, nem muda os investigadores". "Só há uma escolha, quando se trata da constituição de equipas especiais, cujos elementos são escolhidos pelos procuradores responsáveis." idem

2009/10/21

A propósito dos bónus

Manifestei a Luís Mira Amaral, presidente da comissão executiva do Banco BIC, a minha surpresa face ás notícias de que os banqueiros ingleses e norte-americanos se preparam para receber novos bónus, devido a lucros que têm tudo a ver com as quantidades pornográficas de dinheiro introduzidas no sistema pelos Estados, dinheiro que não foi posto a circular e serviu unicamente para tapar os buracos criados pelas manobras dos financeiros do "fast-money". Eis o que LMA pensa disto:

Tal é chocante por vários motivos:

- mostra que não aprenderam nada com a crise e querem voltar a repetir o mesmo modelo em que os bónus estão ligados a lucros nominais à priori, os quais não têm em conta o desenvolvimento da operação financeira com os riscos que se vão correr. Assim, este modelo incentiva operações ousadas com grandes riscos pois os gestores recebem à cabeça e quando a operação mais tarde der para o torto pagam os accionistas e os contribuintes!

Logo vamos ter dentro de alguns anos uma nova e gravíssima crise financeira.

- os bónus deveriam por isso só ser atribuídos após o fecho da operação, ou seja, depois de conhecidos os riscos e consequentes perdas que a operação provocou.

Trata-se de remunerar os gestores com bónus na base do lucro económico efectivo à posteriori e não do lucro nominal à priori. Aprende-se na Teoria Financeira que o lucro económico em ambiente de risco é o lucro nominal descontado dos riscos incorridos, tal como em ambiente inflacionista, o lucro real (vide taxa de juro real) é o lucro nominal (vide taxa de juro nominal) descontado da inflação.

Estes são os argumentos económico-financeiros que mostram que este sistema de bónus é incorrecto. Do ponto de vista da economia política (mesmo em economia de mercado) também há duas razões para não deixar estes tipos à solta:

- é falso o argumento de que se trata de bancos privados e como tal a remuneração dos gestores é um assunto dos accionistas.

Percebeu-se agora claramente que quando o sistema financeiro dá para o torto, tem que entrar o contribuinte para o salvar.

Logo, o sistema financeiro gere um bem público, a confiança, em nome do poder político que nos representa, e como tal o Estado tem direito de intervir pois quando aquilo dá para o torto, é o Estado (contribuintes) que paga a factura.

-uma empresa privada (ou um banco) só existe e funciona nas nossas sociedades democráticas, porque no fundo há um contrato social implícito entre os accionistas da empresa e a sociedade em que ela funciona.

Tal acontece nos EUA em que a sociedade aceitava lucros elevados e prémios grandes aos gestores, no pressuposto que o problema era deles, não precisando do Estado para atingirem tais performances. Era o mercado a funcionar.

Quando, como se vê agora no sistema financeiro e até no sector automóvel, que o sector privado não se aguenta sozinho, e vai precisar do Estado, o contrato social implícito entre a empresa e a sociedade (contribuintes) rompe-se.

Não mais é possível a sociedade aceitar o argumento que os gestores ganham muito, sendo o problema entre eles e os accionistas. Mesmo a sociedade americana começa a pôr em causa isso e começa a aceitar o princípio de que o Estado pode e deve interferir na atribuição (modo e montante) das remunerações dos gestores, pois quando aquilo der para o torto, o Estado é chamado para pagar a situação.

Foi por isso que Obama despediu o Presidente da GM e quer intervir na remuneração dos gestores das empresas privadas que geram grandes riscos para a economia (os chamados riscos sistémicos).
...
Luís Mira Amaral

2009/10/19

Götterdämmerung

Não vou fazer filosofia mas é preciso saber-se que "O crepúsculo dos deuses" é a parte final da adaptação wagneriana de um ciclo mitológico nórdico, que resultou no maior ciclo mitológico de todos os tempos posto em forma musical (operática). Também convém saber que no final do ciclo, devido às traições entre os "seres superiores" a civilização é eliminada.

Götterdämmerung, que ainda pode ser visto no Teatro São Carlos, em Lisboa, tem duas mais valias, a saber: o chefe de orquestra Marko Letonja (iremos colocar aqui uma entrevista com ele, daqui a umas semanas) e a Orquestra Sinfónica Portuguesa, que talvez inspirada por este líder se ultrapassou. Vou ser franco: eu não fui surdo às desafinações no início, mas a peformance global reduziu esses lapsos à insignificância que de facto têm. O próprio côro (só de vozes masculinas) não esteve mal...

Passando aos solistas quero dizer que a vozes masculinas foram grosso modo melhores que as femininas mas, para além de Stefan Vinke (Siegfried), o único que me convenceu mesmo foi Michael Vier (Gunther). Sei que James Moellenhoff (Hagen) teve um problema vocal por isso não falarei sobre o seu desempenho, que de resto não o envergonhou.

Quanto a Susan Bullock, para ser honesto, acho que não tem nem dimensão vocal nem dramática para interpretar Brünnhilde. Sónia Alcobaça ofereceu-nos uma Gutrune aceitável e sem rasgos, mas de Brünnilde espera-se muito mais pois ela é a figura central que fecha todo o ciclo "O Anel do Nibelungos".

Graham Vick, o encenador, teve 3 momentos de rasgos: aproveitar o candelabro da sala para produzir uma ascensão marcante com luzes, reflexos e sombras, no primeiro Interlúdio. Aproveitar os muitos candeeiros junto aos camarotes para simular o fogo que separava Brünnhilde do resto do mundo, e, no final, com o cadáver de Siegfried presente usando somente os candeeiros do primeiro anel de camarotes como luzes (brancas) de velório. Finalmente, o par de dançarinos que na extinção do acorde final funcionou como uma metáfora poética à humanidade que acabava de se imolar (auto-explodir, neste caso).

Claro que há a forma como utilizou a sala, os figurinos que nos remetiam para um controle social maoísta, por parte dos "seres superiores": Hagen o mau, o que verdadeiramente controla e perde, perdendo todos; Siegfried, o grande líder a quem tudo escapa, que compreende a fala das aves mas ignora o destino; Brünnhilde deusa-mártir (foi anunciado desde o início) que arrasta toda a humanidade consigo; as pessoas-bomba que no final se substituiram ao fogo generalizado que acontece com a imolação de Brunnilde e que acaba com a humanidade; as motorizadas dos caçadores, dois a dois em cada, que nos remetem para as milícias Basij iranianas, etc, etc; mas na minha opinião os três momentos que assinalei são os que considero mais marcantes e genuínos, ainda que nada tragam de inovador. Mas isso que importa?

2009/10/17

Paredes meias

Aqui está um documentário na competição portuguesa do doclisboa 2009 revelando deficiências técnicas pouco aceitáveis nos tempos que correm. No entanto a temática de Paredes meias vale por si, e é paradigmática do que habitualmente acontece em Portugal*: um projecto de habitação social, no centro da cidade, acaba nas mãos dos "filhos do papá", como diz uma moradora da "primeira fase".

Trata-se do Bairro da Bouça, no Porto, desenhado por Álvaro Siza. O projecto data dos anos 70 e ficou a meio. Quando foi elaborado foi discutido e modificado de acordo com a opinião dos interessados. Passados 30 anos foi finalizada a "segunda fase" e, claro, como é no centro da cidade e tem a assinatura Álvaro Siza, logo apareceram os tais "filhos" que compraram as casas a "preços de saldo", dado serem subsidiadas pelo Estado. Os mesmos "filhos" que provavelmente estudaram nas universidades públicas, subsidiadas pelo mesmo Estado, e que agora são arquitectos, engenheiros e "doutores". Enfim, uns filhos da sorte...

Depois há a outra problemática: o projecto foi discutido e alterado de acordo com a opinião de quem dele ia usufruir, mas passados 30 ou mais anos as críticas são mais que muitas. Este aspecto é interessante pois revela como a percepção de qualidade de vida se vai modificando enquanto a obra arquitectónica fica congelada no tempo (o complexo foi finalizado 30 anos depois da conclusão da "primeira fase", seguindo o projecto original que foi discutido e aprovado democraticamente).

Há também uma situação interessante, em que o muro exterior é totalmente "grafitado", e Álvaro Siza aparece a observar a "obra" e dizendo em tom de aceitação que "é assim por todo o lado".

No fim surge Álvaro Siza afirmando que ter uma habitação se não elimina as desigualdades sociais pelo menos melhora a vida das pessoas e o direito à habitação deveria estar consagrado entre os direitos elementares (de facto até está na Constituição...). Mas, uma vez mais, foram os menos necessitados que compraram as casas a preços controlados (um eufemismo para dizer "subsidiadas pelo Estado").

A democracia portuguesa, nesta sua fase "avançada" (não é para rir), não está a funcionar nada bem...

* quem tem vivido em Lisboa lembra-se bem daqueles apartamentos fabulosos, com vista para a Praça do Camões, que foram remodelados ao abrigo do programa Recria. Constava que foram todos atribuídos (por concurso muito público evidentemente) a gente da freguesia, como por exemplo o filho do presidente da Junta (e outros familiares e amigos, segundo se dizia). Residir na dita freguesia era a condição indispensável para se poder concorrer áqueles apartamentos. Um dia mais tarde, depois da polémica esfriar, vi que um desses apartamentos estava para venda (revenda para sermos mais precisos) e do outro lado o número muito bem redondo foi: "400 mil".


Triologia Kenedi

Só vi excertos de dois filmes da triologia mas fiquei elucidado: agora compreendo porque Portugal é o país que melhor acolhe os imigrantes.

O que eu deixou-me aterrado: famílias avisadas de um dia para o outro que iam ser deportadas porque já não eram considerados refugiados. Verem todos os bens e dinheiro ser "apreendido" pelo "SEF" alemão antes de serem repatriadas. Cheguei a pensar que aquilo era uma ficção baseada nas deportações do periodo nazi. Mas não: era a Alemanha do século XXI. Senti-me chocado e defraudado.

Kenedi goes back home, Kenedi lost and found e Kenedi is getting married (este último não vi de todo) são uma triologia muito "pedagógica", a não perder. No doclisboa.
Um Estado ao serviço de quem?
Estado falhou na fiscalização das contrapartidas

A fiscalização do Estado na montagem e gestão dos projectos de contrapartidas devidas pela compra dos submarinos alemães falhou nos momentos determinantes do processo. É o que se retira do teor da acusação do Ministério Público (MP) e do respectivo relatório pericial, contra os sete gestores portugueses e os três alemães acusados de burla qualificada e falsificação de documentos.

O contrato de compra dos dois submarinos, assim como muitos outros de material militar que envolvem quantias avultadas (este vai custar ao Estado perto de mil milhões de euros), implica a contratação de um programa de contrapartidas, que integram negócios e projectos que pretendem ajudar a modernizar e fortalecer o tecido empresarial nacional.

A falha também de regulação explica, por exemplo, que o maior programa de contrapartidas de sempre, envolvendo um consórcio de grandes empresas alemãs, VW incluída, tenha deixado cair o único projecto que o ligou à Autoeuropa. O objectivo era comprometer a maior fábrica do país a aumentar o seu valor acrescentado nacional com a entrada então prevista de um novo veículo, à data o Scirocco, mas nunca avançou.

Insuficiências várias

Nas centenas de páginas da acusação baseadas eme-mails, actas e documentos, é perceptível a incapacidade das entidades fiscalizadoras, nomeadamente as tutelas ministeriais e a Comissão Permanente de Contrapartidas (CPC), de decidir previamente os projectos a apoiar e de verificar a documentação, para além de alusões sucessivas à insuficiência de recursos humanos da CPC.

O MP detectou, por exemplo, situações de dupla facturação na contabilização das contrapartidas e outras em que o valor comunicado era superior ao facturado. O facto não foi detectado pela CPC não só por falta de pessoal, diz o MP, mas também por uma relação de "confiança" que justificava a dispensa da apresentação de facturas, bastando-lhe a listagem das mesmas.

Um dos passos de fragilização da capacidade do Estado ocorreu em Março de 2002, com Brandão Rodrigues à frente da CPC. A entidade deixava, entre outros pontos, de fazer visitas obrigatórias a empresas e passava a aceitar que os pedidos de pagamento fossem acompanhados apenas por uma demonstração do "cumprimento atempado das obrigações de prestação de contrapartidas".

A três meses da assinatura do contrato de contrapartidas, que se realizou em Abril de 2004, era a Ferrostaal, empresa que integrava o consórcio alemão, que sugeria às autoridades portuguesas o método de confirmação das contrapartidas. A arguida Antje Malinowski indica, em Janeiro de 2004, que a CPC teria aceite a sua sugestão de apresentar confirmações escritas assinadas pelos beneficiários, relativamente aos montantes de créditos a submeter, como a Ferrostaal tinha feito na África do Sul (cujo programa de contrapartidas acabaria por ser objecto de investigação judicial) e em Itália. Mais tarde anuncia que a CPC "tinha aceitado uma forma simplificada de comprovação das contrapartidas, dispensando a revisão das facturas por um ROC, encarregando o GSC [consórcio alemão] de autenticar as mesmas", reservando a CPC o direito de, "periodicamente, visar as cópias em poder do GSC", tal como consta na acusação.

O relatório pericial que acompanha o despacho de acusação chama a atenção de que o maior contrato de contrapartidas assinado em Portugal expôs o Estado "a acções em seu prejuízo" e "sem a protecção adequada", citando dois pontos concretos: aprovação tácita de contrapartidas, no prazo de 90 dias, e limite da responsabilidade por parte do GSC a dez por cento do valor total dos projectos. O prazo de 90 dias foi manifestamente curto para a capacidade de resposta da CPC, em vários momentos. A medida permitia libertar automaticamente os créditos para as garantias bancárias referentes aos projectos em causa.

Projecto Autoeuropa

As primeiras referências ao projecto da Autoeuropa surgem na troca de correspondência entre os representantes da Ferrostaaal e da Acecia, em Janeiro de 2004, num momento em que uma boa parte das pré-contrapartidas exibia fracas taxas de execução. O projecto, no valor de 20 milhões de euros, tinha partido de um estudo da Inteli, para aumentar o valor acrescentado nacional nos veículos produzidos na Autoeuropa, aproveitando então o lançamento do Scirocco. O projecto envolvia engenharia de desenvolvimento, o que o tornava mais complexo. O presidente da Acecia alegaria mais tarde que a Autoeuropa não tinha "peso nem capacidade de decisão" e que o projecto não era exequível. Acabou por anunciar aos seus associados que o iria substituir "no silêncio dos bastidores" por outros projectos. Viria então a cair.


DCIAP “não é um departamento para recuperar dinheiro”

O procurador-geral da República, Pinto Monteiro, disse hoje, em Leiria, a propósito da Operação Furacão, que o Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) “não é um departamento para recuperar dinheiro”. “Nunca este departamento pode ser uma operação fiscal”, afirmou, considerando, contudo, que no âmbito deste megaprocesso o DCIAP “tem de fazer as duas finalidades”.

“Na Operação Furacão há ilícitos a que a lei permite a suspensão provisória: portanto, pagaram, estão fora. Há outros ilícitos que não, que têm de ser acusados. É isso que o DCIAP tem de fazer”, declarou Pinto Monteiro à margem da cerimónia de apresentação do livro “A Prova do Crime”, da autoria de Fernando Gonçalves e Manuel João Alves.

O procurador-geral da República sublinhou que o “Código Penal permite hoje uma série de medidas que tentam reduzir tudo a uma mera condenação”, exemplificando com a suspensão provisória do processo.

“Foi requerida a suspensão provisória nalguns casos, que vão ser concedidas. Noutros casos, há os ilícitos criminais”, acrescentou Pinto Monteiro ainda sobre o processo, através do qual já foram recuperados “milhões de euros” , adiantou, sem precisar valores.

Nota: o DCIAP não é um departamento para recuperar dinheiro mas alguém tem de o recuperar e as leis devem ser modificadas para favorecer essa recuperação.


O drama das canetas de feltro

Os casos de cegueira verificados no Hospital de Santa Maria em seis doentes submetidos a tratamentos com Avastin foram provocados pelo uso de um medicamento errado, apurou a investigação do Ministério Público hoje revelada pelo “Correio da Manhã”.

Segundo o jornal tratou-se de um erro levado a cabo na rotulagem e confirmação do medicamento em causa à chegada à farmácia hospitalar. Na preparação, o medicamento é identificado com um rótulo branco, autocolante, onde o nome da substância é escrito à mão com uma caneta de ponta de feltro.

Nota: um dia eu zanguei-me exactamente por causa de uma caneta de feltro mas não vou desenvolver porque quero acreditar que os profissionais da saúde em Portugal não são um bando de imbecis sobretudo preocupados com as horas a que têm de partir para os privados onde também (ou principalmente...) exercem. E também quero acreditar que este caso foi uma excepção, como aquele em que se esqueceram de uma pequena tesoura cirúrgica dentro do paciente operado. Enfim... coisas que podem acontecer a qualquer um...

2009/10/16

Com que voz

Se pensa conhecer Amália Rodrigues mas desconhece o nome Alain Oulman, esqueça. Não conhece a Amália. Se pensa conhecer o "novo fado" e não sabe quem é Alain Oulman, não sabe nada do chamado "novo fado".

Com que voz é um longo trabalho documental realizado por Nicholas Oulman e é um filme tão indispensável para se compreender o "novo fado" como para se compreender a segunda metade do século vinte português. Está em competição na secção de longas metragens do doclisboa 2009, mas por mim a escolha está feita. Este filme é imprescindível. Volta a passar dia 19 pelas 23h no cinema Londres, em Lisboa.


MGM Sarajevo: Man, God, Monster

Qual é a natureza do Mal? Muitos pensadores debruçaram-se sobre esta questão. O psicanalista André Green organizou uma compilação de textos de vários autores muito interessante sob o nome "Le Mal". Jacques Lacan tentou escalpelizar a "natureza do mal" e parte dos "post-lacanianos" continuam a reflectir sobre o tema.

Este documentário é fundamental para quem ainda se interroga sobre a "natureza do mal". A natureza do mal é a própria "humanidade do homem", disse-o Heidegger na "Carta sobre o Humanismo", mas só quando nos confrontamos com o resultado desta natureza é que a perplexidade toma o lugar da reflexão. A perplexidade é a única possibilidade face à "presencialidade" do Mal enquanto parte da humana natureza e da ilimitada reprodução que ele é capaz de engendrar. E como o Mal é intrínseco à nossa humanidade, em vez de nos limitarmos a assistir à sua revelação enquanto "desvelamento do Ser" (o Heidegger não foi um simples observador das atrocidades dos nazis como pretendeu posteriormente), temos de, com a força do próprio Mal transfigurado em Bem - se isso nos fizer sentir melhor - analisá-lo e impedir a sua disseminação. Como Karl Popper dizia, há que defender as "sociedades abertas" com os meios adequados. MGM Sarajevo: Man, God, Monster é um filme-documento duro de se ver, que volta a ser projectado dia 19 pelas 10:45h, na sala pequena da Culturgest.

2009/10/15

Portugal de TGV

Para nos ajudar a compreender o que de facto está implicado no processo de construção do TGV contactei o Engº Luís Mira Amaral, no seguimento de um artigo que ele escreveu sobre o tema publicado no semanário no qual regularmente colabora como colunista, manifestando-lhe a opinião de que o artigo foi expresso numa linguagem mais apropriada para especialistas. Posteriormente coloquei-lhe algumas questões. O Engº Luís Mira Amaral é das pessoas que em Portugal melhor nos pode elucidar sobre a temática do TGV (entre muitas outras). Aqui fica a resposta que gentilmente nos enviou e que agradecemos:

A minha coluna no Expresso só tem 2 000 caracteres, e como tal, os meus textos têm de ser fortemente compactados. Por isso admito que, apesar de usar uma linguagem simples, nem sempre ela seja acessível ao grande público não especializado nos temas que trato.

Não tenho na imprensa o espaço normalmente disponível para a classe política, certamente porque esta trata de assuntos mais importantes…

Tentando responder às suas questões:

- Tem razão. Dizer que o TGV Lx-Madrid é que nos permite ligar à Europa é demagogia…

- Quando falo de bitola europeia, é aquela que também vai ser usada em Espanha e na Europa, França inclusive. Portanto, se tivermos a bitola europeia, as nossas mercadorias passarão de Espanha para França e para a Europa usando sempre linhas com a mesma bitola.

- Quanto falo de linhas mistas, tal significa utilizar as mesmas linhas para os comboios de passageiros e para os comboios de mercadorias, comboios de passageiros circulando a 200Km/h ou mais, e comboios de mercadorias a 100-150Km/h

Não faz qualquer sentido transportar mercadorias a 350Km/h. Tal significaria energias cinéticas brutais devido às toneladas de mercadorias a transportar a velocidades elevadas, o que implicaria custos elevadíssimos de reforço de estrutura das linhas, custos esses que são economicamente incomportáveis.

As mercadorias não precisam de circular a 350Km/h ! Basta que se garanta os tempos de entrega e que a gestão do embarque e do desembarque, bem como as transferências entre os modos rodo e portuário com o modo ferroviário (gestão intermodal) sejam rápidos e eficientes!

- Não haverá pois TGV de mercadorias, mas sim comboios de mercadorias utilizando as linhas de alta velocidade quando nestas não circulam comboios de passageiros!

No TGV, a indústria portuguesa irá aproveitar pouco. Em comboios de velocidade menor e nos comboios de mercadorias, a componente industrial nacional poderá ser maior.
...
Luís Mira Amaral
"Não há condições para qualquer forma de coligação"

A resposta foi directa: Francisco Louçã disse esta manhã a José Sócrates que “não há condições para qualquer forma de coligação” entre o Bloco de Esquerda (BE) e o Partido Socialista.

Ouvida no âmbito da ronda de reuniões que José Sócrates está a fazer com todos os partidos com assento parlamentar e que esta tarde termina com a audição da CDU, a comitiva do Bloco de Esquerda recusou uma ligação directa e permanente ao PS, mas deixou a porta entreaberta a pequenas ajudas pontuais. Público, 15.10, 14h27

Nota: é justo.


* Pois não...

Não disse quando. Mas, depois de ouvidos todos os partidos, e de receber um não de todos a uma possível coligação, José Sócrates anunciou hoje ao país que tomará diligências para apresentar ao Presidente da República, nos próximos dias, um Governo de iniciativa exclusiva do Partido Socialista. E não conta que a legislatura seja interrompida antes dos quatro anos *. Público, 15.10, 20h14


Recandidato

O socialista Alberto Martins, o social-democrata José Luís Arnaut e mais 22 deputados do PS e do PSD subscreveram hoje uma lista para a recandidatura de Jaime Gama ao cargo de presidente da Assembleia da República.

Em declarações à agência Lusa, José Luís Arnaut justificou o seu apoio e de outros 11 deputados do PSD à recandidatura do Jaime Gama à presidência da Assembleia da República dizendo que fazem “uma avaliação positiva” da forma como o socialista exerceu o mandato na anterior legislatura.
...
O PS tem nesta legislatura 97 deputados, o PSD 81, o CDS-PP 21, o BE 16 e a CDU 15. 15.10.2009 - 11h28 Lusa (via Público)

Nota: eu acho que Jaime Gama não é a pessoa indicada para continuar como segunda figura de Estado.


Reeleito

Jaime Gama foi hoje reeleito presidente da Assembleia da República com os votos favoráveis de 204 dos 228 deputados que participaram no escrutínio que decorreu no Parlamento. 15.10.2009 - 16h32 idem


“Mais vivo”

Jaime Gama prometeu hoje “isenção, equilíbrio e equidistância” durante o mandato para que foi reeleito como Presidente da Assembleia da República, prevendo que o Parlamento “eminentemente plural” que hoje iniciou funções será “mais vivo”.

Nota: fantástico! Para desanuviar deste ar bafiento aqui está um blog agradável.
O estágio para a estupidificação continua

Há pouco vi uma "miúda" toda pintada e perguntei-lhe se aquela parvoíce ainda não tinha acabado. É que eu sou da segunda fase, respondeu com ar de "que remédio".

Mais tarde outra disse-me: "ali na cantina velha até puseram os caloiros de gatas".

Eu acho estas práticas um grande mal para o país. Acho que estas práticas criam e estabilizam um credo na autoridade vazia (os "veteranos", expressão militar) que corresponde à essência do credo no grande chefe fascista: obedecer sem questionar. Estas práticas são anti-constitucionais.

Volto a repetir: considero estas práticas um mal maior já que estão a deformar os futuros quadros do país. Considero-as absolutamente inaceitáveis no ensino público, onde os "veteranos" só pagam uma pequenina parte dos custos reais que dão à sociedade. Para grandes males há sempre grandes remédios. É necessário um governo corajoso que acima de tudo ponha os direitos individuais, a liberdade e a democracia, à frente das tradições trogloditas (no Afeganistão a tradição manda apedrejar as mulheres...). Haja coragem!

2009/10/14

MMG vai voltar?

A Entidade Reguladora da Comunicação divulgou hoje a deliberação sobre o fim do Jornal Nacional de sexta-feira da TVI, que considera ter sido uma interferência ilegal da administração na esfera da direcção editorial. O regulador diz ainda que vai avançar com um processo contra-ordenacional para apurar a responsabilidade sobre este episódio.

A deliberação da ERC já estava pronta ontem mas só hoje foi divulgada, após notificação das partes envolvidas. Nela, o regulador dos media conclui que o fim do Jornal Nacional de sexta-feira, da TVI, apresentado por Manuela Moura Guedes e cancelado, por ordem da administração da empresa no dia 3 de Setembro, foi “contrário à lei e lesivo da autonomia editorial e dos direitos dos jornalistas”.

A ERC acusa ainda a administração da TVI de misturar “matéria de gestão empresarial e matéria editorial e afirma que vai “iniciar um procedimento visando o apuramento da responsabilidade contra-ordenacional”.

O regulador afirma ainda que este episódio será tomado em consideração “no momento da avaliação intercalar prevista no artigo 23º da Lei da Televisão”.

Mas o documento vai mais longe e considera ainda “lamentável” o timing da decisão de cancelamento do dito jornal no dia 3 de Setembro, “em pleno período eleitoral e na véspera da data do reinício do ‘Jornal Nacional de Sexta’”, que entretanto estava para regressar de um interregno de férias logo no dia 4. Público, 14.10, 14h13

Nota: se voltar esperemos que se continue a dedicar ao Freeport e à Cova da Beira, mas também aos Submarinos do PP, aos Sobreiros da Portucale e por aí fora...
O jornalista-mercenário

O ditador italiano Benito Mussolini foi um agente secreto inglês antes de ter fundado o regime fascista que lutaria contra os exércitos do Reino Unido durante a II Guerra Mundial, revelou o diário britânico Guardian.

Um historiador de Cambridge, Peter Martland, descobriu nos arquivos britânicos documentos que provam que em 1917 Benito Mussolini foi pago pelo MI5, os serviços secretos de Londres, para escrever artigos a favor da continuação da Itália na I Guerra Mundial ao lado dos aliados e atacar manifestantes pacifistas.

Mussolini, então um jornalista de 34 anos, editava o jornal "Il Popolo d’ Italia" e controlava grupos de antigos veteranos do exército, que atacavam manifestações contra a presença italiana na guerra em Milão.

“Depois da Rússia revolucionária ter saído do conflito, a Itália era o aliado mais falível dos britânicos no conflito. Mussolini recebeu uma soma de cem libras por semana a partir do Outono de 1917 durante pelo menos um ano para manter a campanha pró-guerra – uma verba equivalente a seis mil libras hoje (cerca de 6400 euros)”, disse Peter Martland ao Guardian.

“A última coisa que a Grã-Bretanha queria eram manifestações a favor da paz e greves que parassem as fábricas de armamento em Milão. Era muito dinheiro para um jornalista naquela época, mas comparado com o esforço financeiro britânico – quatro milhões de libras diários – eram apenas trocos”, acrescentou.

O caso já fora mencionado em 1954 nas memórias de Sir Samuel Hoare, o agente do MI5 que recrutou Mussolini, mas esta foi a primeira vez que foram encontradas provas documentais, como os pagamentos feitos ao ditador italiano. Público, 14.10, 10h23

Nota: os ditadores têm sempre ou uma costela artística (a grande frustração do Hitler foi nunca ter sido admitido na Academia de Belas-Artes de Viena, onde o júri, por acaso, era constituído maioritariamente por judeus...) ou uma costela jornalística.


Revelações

Revelações sobre o envolvimento do ditador com serviços secretos britânicos podem dar mais alento à teoria da conspiração de que Winston Churchill interveio na morte de "Il Duce".

O nome de Benito Mussolini não está normalmente associado a espionagem. Mas sabe-se que, antes de se tornar no ditador fascista italiano, Mussolini era um agente dos serviços secretos britânicos MI5. E ganhava um belíssimo ordenado à conta disso: o equivalente a 6400 euros por semana.

Não foi treinado em escutas, nem em transaccionar documentos secretos. O que Mussolini tinha de fazer em 1917, em plena I Guerra Mundial, era dar eco à propaganda pró-conflito, contra a Alemanha. E evitar que as fábricas se transformassem em ninhos pacifistas, para não comprometer o empenho da Itália nos combates.

Já se sabia que Mussolini tinha estado a soldo do MI5, antes de se envolver mais seriamente na política. Agora, o historiador britânico Peter Martland, que ao longo de 12 anos analisou 40 mil documentos, tornou mais específica esta relação no livro sobre o MI5Defence of the Realm, da autoria de Christopher Andrew, publicado na semana passada.

Mussolini era então um jornalista de 34 anos, membro do grupo que depois se tornou no Fasci d"Azione Rivoluzionaria Internazionalista e tinha fundado o jornal Il Popolo d"Italia. Quando a Itália foi arrastada para a guerra, em 1915, ele combateu. Mas dois anos depois era ferido num exercício e regressava a casa. Foi então que os serviços de espionagem britânicos o contactaram.

A pesada derrota da Itália na Batalha de Caporetto, contra as forças austro-húngaras e alemãs, tinha deixado o moral italiano em baixo, com os discursos pacifistas a ganhar terreno. Para Londres, era fundamental impedir uma retirada.

A troco de 100 libras semanais, Mussolini tinha de publicar artigos de propaganda no seu jornal. E também fazer com que os seus "rapazes" - um grupo de veteranos de guerra que seria a sua milícia fascista - tentassem convencer os manifestantes pacifistas a ficar em casa.

"A última coisa que o Reino Unido queria era greves pró-paz a fazer parar as fábricas de Milão. Era muito dinheiro a pagar por um homem que era apenas um jornalista, mas, comparado com os quatro milhões de libras que todos os dias gastava na guerra, eram trocos", comentou Martland, citado pelo The Guardian.

Um aliado frágil

Segundo o investigador, os pagamentos eram autorizados por Sir Samuel Hoare, o homem do MI5 em Roma, que controlava em Itália 100 agentes britânicos - e em cuja documentação Martland foi encontrar estas conclusões.

A Rússia czarista era um forte aliado na Grande Guerra, mas depois da revolução bolchevique (1917) a liderança comunista quis sair do conflito. Os aliados precisavam de garantir as suas alianças, e "o menos fiável para o Reino Unido na altura, depois da retirada da Rússia, era a Itália. Mussolini recebia 100 libras por semana a partir do Outono de 1917 e pelo menos durante um ano para manter uma campanha pró-guerra", explica Martland ao diário. "Seria o equivalente a seis mil libras actualmente".

Não é que o historiador tenha provas, mas há vários indícios de que esse dinheiro servia a Mussolini para satisfazer um dos seus conhecidos vícios: mulheres. "Acho que Mussolini, que era reconhecidamente um mulherengo, gastava uma boa parte do dinheiro com as suas amantes".

Também é sabido que os contactos com Samuel Hoare continuaram depois do fim do conflito de 1914-1918. Estava-se em 1935 quando Hoare, então ministro britânico dos Negócios Estrangeiros, assinou um acordo com o ditador italiano que dava a Roma o controlo sobre a Abissínia (Etiópia), o pacto Hoare-Laval, para manter a Itália fora da órbita germânica.

Nenhum dos intervenientes terá um desfecho feliz. A impopularidade do acordo leva Hoare a demitir-se e a ficar colado a um rótulo de pró-fascista. Em Abril de 1945, Mussolini seria morto por guerrilheiroscomunistas, juntamente com a sua amante Clara Petacci, quando tentava deixar a Itália rumo à Suíça. Os dois cadáveres seriam depois exibidos em Milão, de cabeça para baixo.

Teorias da conspiração

Esta foi a versão oficial da sua morte publicada logo em Novembro de 1945 peloL"Unitá, o órgão do Partido Comunista Italiano. Mas desde sempre houve quem levantasse dúvidas. E uma das explicações da morte do "Duce" mais avançadas envolve novamente o Reino Unido.

O historiador Renzo de Felice, por exemplo, que escreveu uma extensa biografia sobre Mussolini, estava convencido de que houve uma correspondência secreta entre o ditador e Winston Churchill. Felice defendia que o facto de esta correspondência nunca ter sido encontrada era revelador da sua alta importância para o primeiro-ministro britânico.

Os serviços secretos ingleses estavam em Milão, em contacto com o coronel Max Salvadori, o homem que recebera instruções para manter as relações com os partisans e a sua organização CNLAI, que deu a ordem para matar "Il Duce".

Alguns casos de mortes misteriosas ocorreram nos meses seguintes, a maioria de guerrilheiros comunistas que testemunharam a execução. Bruno Lonati foi uma das testemunhas, mas viveu para dizer, nos anos 1990, que a ordem veio de um membro das operações especiais britânicas, o "capitão John", que chegara ao Norte de Itália com a missão de matar o ditador.

"Se dissesse que tenho nas mãos um documento definitivo [sobre a intervenção de Londres] estaria a dizer uma falsidade", afirmou De Felice aoCorriere Della Sera em Novembro de 1995. "Mas estou a recolher uma documentação que evidencia a ingerência inglesa na morte de Mussolini".

O conceituado historiador morreria no ano seguinte a esta declaração. Mas a teoria da conspiração sobre o envolvimento britânico na morte do antigo agente do MI5 sobreviveu. Público (Mundo) 15.10.2009

2009/10/12

Dalai Lama renews autonomy call

The Dalai Lama has repeated his demand for "legitimate and meaningful autonomy" for Tibet.

Correspondent Chris Morris reports on the 50th anniversary of a failed uprising against Chinese rule by the country. news.bbc
Parolice

E o que fez a senhora? Com uma total falta de respeito, gozou com todos os portugueses, terminando a cuspir à porta do Mosteiro dos Jerónimos! A falta de cultura que denota é igual à sua pobreza de espírito.
...
Da próxima vez que comprarem um bilhete para uma peça com Maitê Proença, um dos livros ou simplesmente assistirem a uma novela em que a dita participe, lembrem-se que nós portugueses ( "O Manuel", forma insultuosa com que somos muitas vezes apelidados no Brasil) merecemos desta senhora os comentários que constam neste vídeo.

Nota: a parolice do Governo de Pinto de Sousa é desesperante! Sabendo bem que a generalidade dos brasileiros só gosta de Portugal para conseguir um passaporte europeu para depois gozarem os portugueses a partir de outro país europeu, dizendo que são portugueses porque lhes fica tudo mais fácil, fez-lhes a vontade e assinou o Acordo Ortográfico que nos vai pôr a escrever brasileiro. A Espanha, que nos países de fala hispânica tem interesses económicos muito superiores aos dos portugueses no Brasil, assinou mesmo um acordo similar... Era o assinavas! É que o governo de Espanha não é parolo. Onde é que já se viu transformar um idioma escrito por decreto? Nos países totalitários e sem sucesso (o "servo-croata", que já não existe, foi um exemplo disso).

Isto sem despeito da muita "gente boa", honesta e esforçada, do Brasil, alguns e algumas vivem em Portugal, e daqueles brasileiros e brasileiras de grande valor e grande dimensão. Não são estes os que costumam gozar os portugueses, porque são suficientemente inteligentes para pensarem nos podres dos brasileiros e da sociedade brasileira antes de começarem a gozar e a enxovalhar os outros.


Elementar

As mais-valias obtidas nos mercados de capitais devem ser mais tributadas, sugere o grupo de trabalho para o estudo da política fiscal, nomeado pelo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais. O relatório é hoje apresentado no Ministério das Finanças.

“A generosidade fiscal que, entre nós, existe relativamente às mais-valias obtidas na alienação de valores mobiliários – em particular das acções – é frequentemente considerada fonte de manifesta injustiça fiscal”, refere o relatório. “A nosso ver (...), a perda de receita e a redução da equidade parecem-nos bem mais importantes do que um suposto factor de apoio ao mercado de capitais. Em países como a Espanha ou o Reino Unido, para citar apenas dois exemplos, tributam-se estes ganhos e não é por isso que o seu mercado de capitais se ressente.”


Passivo da EP dispara 1400% num ano e meio

O passivo da Estradas de Portugal (EP) ultrapassou no final de Junho passado os 15,2 mil milhões de euros, o equivalente a quase 10% do PIB. O valor do endividamento da concessionária é avançado pela Direcção-Geral do Tesouro e Finanças no boletim informativo sobre o Sector Empresarial do Estado (SEE) e equivale a um aumento de 1.391% face aos níveis registados pela EP e inscritos no seu relatório e contas de 2007.

Em ano e meio, o passivo da empresa liderada por Almerindo Marques passou de 1.024 milhões de euros para mais de 15 mil milhões.


Santanete e Sousa: o princípio do fim

Foi um resultado histórico aquele que António Costa ontem deu ao PS em Lisboa: nove vereadores, contra os sete eleitos pelo rival da direita, Santana Lopes. Público, 12.10, 01h10

Nota: pode ser desta que o "candidato sempre em pé", Santanete Lopes, decida deixar de "andar por aí"... Sim, porque a derrota foi essencialmente dele. Também se desenhou uma alternativa a Pinto de Sousa e seus vassalos. Digamos, simplificando, que o fenómeno Pinto de Sousa nasceu da derrota de Santanete, para primeiro-ministro, e morreu, ou começou a morrer, com a derrota de Santanete para presidente de Câmara. Aliás a ascenção de ambos aconteceu simultaneamente, desde o tempo em que eram comentadores no mesmo espaço televisivo.

Quanto ao BE, outro grande derrotado destas eleições, terá de repensar a sua estratégia ao nível local e a sua escolha dos candidatos. Não sei se colocar uma estudante, uma "porreiraça", em segundo lugar para uma autarquia como Lisboa é uma boa estratégia. Aparentemente não foi. Fazer política "a sério" não é propriamente andar a "botar discurso" lá para os colegas e professores do Iscte... Mas o BE é que sabe se quer ser um partido nacional e credível ou um grupinho de amigos e "representantes das minorias" (que não são assim tão minorias nem estão assim tão mal representadas...).


Ranking

O Conservatório de Música Calouste Gulbenkian, em Braga, volta aos lugares cimeiros do ranking do ensino secundário feito com base nos resultados dos exames nacionais de 11.º e 12.º ano.
...
Para encontrar outra pública é preciso chegar à 22.ª posição, o lugar que ocupa a básica e secundária Pe. António Morais da Fonseca, em Murtosa, onde apenas foram realizadas 18 provas e a média foi de 13,39 valores, na escala de 0 a 20. Uma ascensão fulgurante, já que em 2008 a escola estava mais perto do fim da lista do que do seu topo. Em 604 escolas, era a 540 do ranking.
...
Em segundo lugar está a Escola Básica da Comunidade Islâmica de Palmela, com 15,03 de média a 15 provas - todas de Economia A/Introdução à Economia. Mas escola privada com mais de 50 exames realizados é o Colégio Luso-Francês, no Porto, com 14,87 de média e 319 provas realizadas, um repetente nestes lugares. Público, 12.10, 13h39

Nota: um Conservatório de Música é totalmente diferente das escolas "normais" de ensino público e não pode servir de padrão: os alunos e pais, ao escolherem essa via, comprometem-se numa espécie de "projecto de vida", onde o esforço e a dedicação é a regra. Um Conservatório de Música nada tem a ver com o ensino público "normal", onde a indisciplina e a brutalidade faz lei. No ensino público "normal", em Portugal, os alunos maus impedem os bons de aprender e ninguém modifica este estado de coisas, até porque é "politicamente incorrecto" dizer-se ou escrever-se isto. Simplex!


Resolver querelas

Marcelo Rebelo de Sousa continua a ponderar sobre a possibilidade de disputar a liderança do PSD. Contudo, por ora, defende que a grande prioridade dos sociais-democratas é arrumar a casa, sarar feridas e resolver querelas. idem, 12.10, 17h51

Nota 1: talvez o professor Marcelo conheça a fórmula da poção mágica do Astérix...

Nota 2: também há a solução à moda de Ermelo...


Portucale

Os antigos ministros do Governo PSD-CDS/PP Costa Neves (Agricultura) e Luís Nobre Guedes (Ambiente) são ouvidos hoje, como testemunhas, na instrução do caso Portucale, relacionado com a autorização para abate de sobreiros naquela herdade em Benavente.

A audição em fase de instrução de Costa Neves e Luís Nobre Guedes está marcada para as 14h30 no Tribunal Central de Instrução Criminal, pelo juiz Carlos Alexandre, no Parque das Nações, em Lisboa.

O caso Portucale surge relacionado com um despacho assinado por Luís Nobre Guedes (ex-ministro do Ambiente), Carlos Costa Neves (ex-ministro da Agricultura) e Telmo Correia (ex-ministro do Turismo) poucos dias antes das eleições legislativas de 2005 e que permitiu à Portucale, empresa do Grupo Espírito Santo, proceder ao abate de mais de dois mil sobreiros na Herdade da Vargem Fresca, em Benavente, com vista ao arranque do projecto turístico-imobiliário.

Luís José de Mello e Castro Guedes, conhecido como Luís Nobre Guedes, Costa Neves e Telmo Correia não foram acusados da prática de qualquer crime pelo Ministério Público, na investigação do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), mas 11 pessoas, incluindo o ex-dirigente do CDS-PP Abel Pinheiro, foram acusadas de crimes que vão desde tráfico de influências, abuso de poder e falsificação de documentos.


Empreiteiros

Dezasseis pessoas foram constituídas arguidas pela suspeita da prática de crimes de fraude fiscal e branqueamento que lesaram o Estado em mais de dois milhões de euros, foi hoje anunciado pela Polícia Judiciária. Os crimes terão sido cometidos entre 1997 e 2006, através de “um elaborado e complexo esquema ilícito de facturação cruzada entre empresas do sector da construção civil”.

A PJ adianta, em comunicado, que no âmbito da investigação, desenvolvida pelo Departamento de Investigação Criminal de Braga, foram recolhidos dados que apontam para um esquema que teve como objectivo “ludibriar o Estado para obtenção de vantagens patrimoniais elevadas”.

Os crimes foram cometidos através de sociedades constituídas propositadamente para o efeito, com sede fiscal em Felgueiras, Esposende, Fafe e Espanha.

De acordo com a Judiciária, o principal arguido, um empresário do ramo da construção civil, de 39 anos, dedicava-se desde 1997 à constituição de sociedades na mesma área, através das quais mantinha o esquema de facturação cruzada. “Através da simulação de negócios”, o arguido ocultava os “valores efectivamente recebidos”, conseguindo uma “importante diminuição da receita tributária (IVA e IRC)” e “elevadas vantagens patrimoniais à custa do Estado”.

O arguido agiu com o apoio de alguns familiares e de um técnico oficial de contas, entre outros, conseguindo ao longo de nove anos burlar o Estado em mais de dois milhões de euros.

Nota: ainda bem que a PJ detecta estes casos e os leva à justiça. Bem haja, porque "grão a grão enche a galinha o papo". Mas o que são dois milhões de euros face a "negociatas de Estado" de dezenas, senão centenas de milhões, feitas nas nossas "barbas" e em toda a legalidade?


Prémio Nobel da Economia 2009

A economista americana Elinor Ostrom tornou-se hoje a primeira mulher a vencer o Prémio Nobel da Economia. Oliver E. Williamson, também americano, partilhou o prémio.

Os dois premiados trabalham actualmente nos Estados Unidos: Elinor Ostrom na universidade de Bloomington (Indiana) e Oliver Williamson na de Berkeley (Califórnia).

Os dois economistas foram galardoados pelo trabalho que desenvolveram na área de investigação e análise da governação económica.

Nas suas investigações, Elinor Ostrom demonstrou como a propriedade comum pode ser gerida de uma forma rentável pelas associações de utilizadores. Oliver Williamson desenvolveu uma teoria que mostra que as empresas podem funcionar como estruturas de resolução de conflitos e trouxe para a primeira linha de preocupações a questão da governação económica.

No ano passado, o prémio (cerca de 1 milhão de euros), foi atribuido a Paul Krugman, universitário, cronista do The New York Times, pelos trabalhos desenvolvidos na área do comércio mundial.

Nota: "demonstrou como a propriedade comum pode ser gerida de uma forma rentável pelas associações de utilizadores".
Nobel: Ostrom and Williamson

Hearty, heartfelt congratulations to Elinor Ostrom and Oliver Williamson for winning this year’s Economics Nobel! From the press release:

"Economic transactions take place not only in markets, but also within firms, associations, households, and agencies. Whereas economic theory has comprehensively illuminated the virtues and limitations of markets, it has traditionally paid less attention to other institutional arrangements. The research of Elinor Ostrom and Oliver Williamson demonstrates that economic analysis can shed light on most forms of social organization.

Elinor Ostrom has challenged the conventional wisdom that common property is poorly managed and should be either regulated by central authorities or privatized. Based on numerous studies of user-managed fish stocks, pastures, woods, lakes, and groundwater basins, Ostrom concludes that the outcomes are, more often than not, better than predicted by standard theories. She observes that resource users frequently develop sophisticated mechanisms for decision-making and rule enforcement to handle conflicts of interest, and she characterizes the rules that promote successful outcomes.

Oliver Williamson has argued that markets and hierarchical organizations, such as firms, represent alternative governance structures which differ in their approaches to resolving conflicts of interest. The drawback of markets is that they often entail haggling and disagreement. The drawback of firms is that authority, which mitigates contention, can be abused. Competitive markets work relatively well because buyers and sellers can turn to other trading partners in case of dissent. But when market competition is limited, firms are better suited for conflict resolution than markets. A key prediction of Williamson’s theory, which has also been supported empirically, is therefore that the propensity of economic agents to conduct their transactions inside the boundaries of a firm increases along with the relationship-specific features of their assets."

Few other economists have influenced my thinking as much as Ostrom and Williamson. Congratulations! Lynne Kiesling


Elinor Ostrom may arguable be considered the mother of field work in development economics. She has worked closely investigating water associations in Los Angeles, police departments in Indiana, and irrigation systems in Nepal. In each of these cases her work has explored how between the atomized individual and the heavy-hand of government there is a range of voluntary, collective associations that over time can evolve efficient and equitable rules for the use of common resources.

With her husband, political scientist Vincent Ostrom, she established the Workshop in Political Theory and Policy Analysis in 1973 at Indiana University, an extraordinarily productive and evolving association of students and professors which has produced a wealth of theory, empirical studies and experiments in political science and especially collective action. The Ostrom's work bridges political science and economics. Both are well known at GMU since both have been past presidents of the Public Choice society and both have been influenced by the Buchanan-Tullock program. You can also see elements of Hayekian thought about the importance of local knowledge in the work of both Ostroms (here is a good interview). My colleague, Peter Boettke has just published a book on the Ostrom's and the Bloomington School.

Elinor Ostrom's work culminated in Governing the Commons: The Evolution of Institutions for Collective Action which uses case studies to argue that around the world private associations have often, but not always, managed to avoid the tragedy of the commons and develop efficient uses of resources. (Ostrom summarizes some of her findings from this research here). Using game theory she provided theoretical underpinnings for these findings and using experimental methods she put these theories to the test in the lab.

For Ostrom it's not the tragedy of the commons but the opportunity of the commons. Not only can a commons be well-governed but the rules which help to provide efficiency in resource use are also those that foster community and engagement. A formally government protected forest, for example, will fail to protect if the local users do not regard the rules as legitimate. In Hayekian terms legislation is not the same as law. Ostrom's work is about understanding how the laws of common resource governance evolve and how we may better conserve resources by making legislation that does not conflict with law. Alex Tabarrok


In Adam Smith there is the pin factory and the market and from that beginning we trace the long literature in economics focused on the twin questions, What price to set? How much to produce? Following Coase, Williamson asks different questions, Why a pin factory? Why are the 18 steps to make a pin performed by a single firm rather than two or more? Why are there many firms instead of one large firm? Why does the pin factory not vertically integrate upwards to buy the steel factory and downwards to buy the retail hardware shop?

Williamson's answer rest on the notions of bounded rationality, contract incompleteness, asset specificity and opportunism. Start at the end, asset specificity and opportunism. When a deal has been sealed the parties typically move from having many potential partners to being locked in. That's bad because it raises the possibility of opportunism--one party can exploit the other. But it's also good because when the lock-in is credible each party may be more willing to invest in assets which are extra-productive but specific to the relationship.

Marriage, for example, takes away some possibilities but it adds others. With marriage, for example, come the possibility of a child (n.b. asset specificity, the child is of extra value but only to the specific parties involved in the marriage) but that very benefit also means that one of the parties has the leverage to be opportunistic. Knowing all of this when they enter the contract the parties bargain ex-ante, they exchange promises and make investments (the ring), they establish rules for ex-post bargaining or decide on the background rules to apply in that eventually (pre-nup, no fault divorce, covenant marriage). The rules are never perfect and the contacts are always incomplete.

Transaction cost economics is all about applying these ideas in different settings to figure out the best governance structures (marriage, vertical integration etc.) in different circumstances. How does one deal with expensive investments (such as highly individual dies or plant construction) that are specific to a given trade and put the investor at risk yet which increase productivity? Williamson analyzes how firms come to rely on long term contracts or vertical integration or other seemingly non-competitive solutions to enhance market productivity. Early generations of antitrust enforcers often saw these as monopolistic dealings, but scholars such as Williamson helped us understand how these are essential to the workings of the invisible hand.

Williamson's paper, The Economics of Governance (working version) published in the May 2005 AER is an excellent recent summary of his views in the area. Williamson's work is notable for inspiring a large body of empirical and theoretical work in modern industrial organization and having influence in law, political science, and management. His work has been widely cited, and by some counts he was the most widely cited economist in the world. I especially thank John Nye who contributed to this post. Alex Tabarrok


When I was in Bloomington, Indiana last week, Justin Ross and I talked about the "Bloomington school of public choice," meaning Elinor Ostrom. (see Aligica and Boettke.) Little did I know that she was about to be awarded a Nobel Prize, along with Oliver Williamson. She is known for looking at ways that private individuals cooperate to manage what we think of as "pubilc goods," or "common pool resources."

For example, to prevent overfishing, mainstream economics says that government must regulate. Nobel Laureate Ronald Coase says that an alternative is to define property rights carefully. Ostrom studied cases in which private individuals established rules that worked. Meanwhile, government regulations (including assignment of property rights) often failed, particularly when individuals did not buy in to the purpose of the regulation.

With the advent of the Internet, the issue of private provision of public goods has emerged once again. Think of Wikipedia, or perhaps Twitter, or the various task forces that monitor security issues and define software standards.

Williamson is known for looking at the issue of the boundaries of the firm. This is another issue that interested Coase. I think of Williamson as looking at the issue in terms of central planning vs. markets.

For example, in health care delivery, I think we need more central planning. Not by government, but by corporations competing to offer better quality and efficiency. The problem is that the corporate model threatens the status of doctors. However, as Michael Cannon and I argued here, when a patient has a complex set of problems, the model of doctor autonomy can work very poorly. In Williamson's terms, the corporate model can resolve the conflicts that arise between different doctors more effectively than our existing model. For example, when my father was moved to eight different hospital units in fourteen days, a new doctor was in charge of him at each unit. The priorities and treatment plan changed each time. In my opinion, these autonomous hospital units should have been replaced by a hierarchy, in which care is directed by a project manager accountable to the patient.

I prefer a more Hayekian take on industrial organization. That is, I think that industrial organization ought to be aligned with knowledge. Decentralization of power makes sense when information is decentralized. When information can be usefully concentrated, then concentration of power can be efficient. In my forthcoming Unchecked and Unbalanced, I argue that knowledge is becoming more specialized and decentralized, and that this conflicts with the trend for political power to become more concentrated. Arnold Kling


Apart from issuing my now-annual October lament that Armen Alchian and Gordon Tullock still do not have Nobel Prizes, I applaud this year’s selection of Elinor Ostrom and Oliver Williamson. Williamson’s 1985 book The Economic Institutions of Capitalism remains a classic that repays careful study, even in 2009. And Ostrom’s work on how people often solve public-goods problems voluntarily is too often overlooked — until today, that is! Don Boudreaux

2009/10/11

Histórias do far-west europeu

O marido da presidente da Junta de Freguesia de Ermelo, Mondim de Basto, foi hoje morto a tiro junto à assembleia de voto pelo candidato adversário do PS. "Agiu em legítima defesa", alega Humberto Cerqueira, candidato socialista à autarquia de Mondim de Basto. Alegado homicida está ferido e terá fugido para o Parque Natural do Alvão. Vários jipes da GNR estão a patrulhar a área. Público, 11.10, 09h57


A realidade "real" *

Para o El País, somos assim: ” Um governo frágil e extremamente dependente, deverá lidar, no país mais pobre da União Europeia, com alarmantes níveis de dívida, déficit público e desemprego”. Quem, nós?

Mas então este não é o país de Sócrates ? O país maravilhosamente governado?

E segue o director do Jornal de Negócios “… o déficit orçamental vai mais que duplicar este ano para 5.9% do PIB….olhando para a dívida pública (75% este ano, 80% no próximo) ficamos a saber que Portugal nunca deveu tanto dinheiro. Só nos juros que pagamos todos os anos gastamos mais dinheiro que todo o investimento público. …um rol da desgraça que os políticos calam porque dizem que o fundamental é pôr a economia a crescer, isso diluirá o peso da dívida e dos déficits. É verdade ! Mas como se põe a economia a crescer? Como, se não damos estímulos fiscais e em vez disso temos de subir sucessivamente os impostos para obter receitas?

Em Espanha acaba de ser apresentado um Orçamento de Estado que agrava, em muito, os impostos. Na Alemanha, o grande objectivo é chegar a zero no déficit orçamental para 2015. Na Holanda, o governo prepara-se para cortar 20% nas despesas públicas, incluindo pensões e habitação social.

E nós? TGV, Aeroporto, Terceira Ponte, autoestradas, Contentores de Alcântara… (Pedro S. Guerreiro na Sábado)

* ou para além da realidade ficcionada (com o Acordo Ortográfico como se escreverá isto? "ficionada"?!).

Nota: "cortar 20% nas despesas públicas, incluindo pensões e habitação social": num país onde as pensões mais baixas valem o triplo das pensões mais baixas dos portugueses e onde o custo de vida não excede o dobro, será possível cortar-se 20% no valor de todas as pensões, ainda que para haver justiça social devesse ser escalonado, porque 20% não significa o mesmo para quem recebe 1000 e para quem tem 10.000 euros de reforma. Em Portugal também seria possível, se o corte não fosse cego: pense-se somente nas dezenas de milhares de pensionistas que disfrutam de uma pensão superior a 3000 euros, ou nas centenas de milhares que recebem reformas superiores a 2000 euros, a maioria ex-funcionários do Estado, num país onde o ordenado mínimo não chega aos 500 euros.

No que toca à habitação social, como esta diz respeito a um leque restrito de beneficiários e alguns podem estar a beneficiar de habitações económicas à custa de declarações falsas, ou de outros "esquemas", o corte de 20% afectará um número relativamente reduzido de pessoas obrigando a maior rigor na atribuição dessas habitações pagas com o dinheiro dos contribuintes. É importante realçar que na Holanda a disparidade entre os salários mínimo e médio e os preços médios da habitação não é uma absurdidade terceiro-mundista como em Portugal, sendo possível aos seus habitantes alugar ou adquirir habitação sem sacrifícios suplementares.
Raped, sodomized and sentenced to death

Iranian officials have sentenced to death three protesters who participated in demonstrations following the nation’s disputed presidential election in June, according to ISNA, Iran’s semiofficial news agency.

The news service quoted an unnamed spokesman for the Tehran prosecutor’s office saying that the three were sentenced to be hanged and that they had been part of what Iran considered terrorist organizations.

The death sentences are the first to be made public in cases involving the hundreds charged in the vast protests that followed the government’s declaration of a landslide victory for the incumbent, Mahmoud Ahmadinejad, in the June 12 presidential election.

Reform-aligned Web sites reported last week that a prisoner named Mohammad-Reza Ali-Zamani had received a death sentence. The announcement on Saturday, which said a man with the initials M. Z. would be put to death, appears to confirm that sentence and report two others.

According to the report Saturday, two of the protesters were members of the Kingdom Assembly of Iran, a group that wants to restore the monarchy.

The third, identified as N. A., was said to be a member of People’s Mujahedeen of Iran, an exile group that Iran says works to overthrow the government.

The news of death sentences sparked immediate condemnation from international human rights groups. In the weeks after the election, millions of Iranians marched in the streets of Tehran, charging that Mr. Ahmadinejad stole the race. At least 30 people were killed in a government crackdown that quelled the protests but failed to end the simmering discontent.

“Zamani’s trial was a mockery of justice,” the executive director of Amnesty International USA, Larry Cox, said in a statement. “To impose the death sentence is beyond deplorable. Iran should immediately rescind this sentence.”

The ISNA report, without giving details, said the court also sentenced 18 other protesters. That raised concerns about the hundreds of journalists, former government officials, academics and protesters still held in prison, many incommunicado, said the International Campaign for Human Rights in Iran, a group based in the United States.

There have been many charges of protesters’ being tortured while in prison, and the government has agreed that some prisoners were abused, although it has continued to dispute accusations that some were raped and sodomized.

2009/10/10

O Tratado

O Presidente polaco, Lech Kaczynski, já assinou o Tratado de Lisboa, noticiou a AFP. Numa cerimónia no palácio presidencial em Varsóvia, Kaczynski concluiu assim a ratificação polaca.

“A mudança de opinião do povo irlandês fez com que o Tratado ressuscitasse e que já não haja mais obstáculos à sua ratificação”, afirmou o euro-céptico Kaczynski. O Presidente afirmara que assinaria o acto de conclusão da ratificação do Tratado logo que os irlandeses dessem, em referendo, o seu acordo ao texto, o que aconteceu há uma semana. “Hoje é um dia muito importante para a história da Polónia e da União Europeia”, adiantou. 10.10.2009 - 11h34 PÚBLICO

Nota: a Constituição Europeia foi chumbada em França e Holanda. Depois inventou-se o Tratado para não ter de ser referendado nos países que chumbaram a Constituição. A Irlanda, depois de muito apaparicada, lá acabou por aprovar o Tratado. Agora os outros, um a um, lá o vão assinando porque ninguém quer ficar com a responsabilidade de o matar em cima dos ombros. Mas todos sabemos que se o Tratado fosse referendado em todos os países não passaria do primeiro round. E viva a democracia...


Rica liderança

O Presidente Barack Obama afirmou-se “surpreendido” e disse ter recebido com “profunda humildade” o Prémio Nobel da Paz. Este prémio não é um reconhecimento dos seus “próprios sucessos”, declarou, mas uma “afirmação da liderança americana em nome das expectativas de pessoas em todo o mundo”.

O líder norte-americano adiantou que estava longe de esperar ser galardoado com o Nobel. “Estou ao mesmo tempo surpreendido e sinto-me profundamente humilde com a decisão do comité Nobel”, disse aos jornalistas reunidos na Casa Branca. “Não olho para isto como um reconhecimento dos meus próprios sucessos, mas sim como uma afirmação da liderança americana em nome da aspirações das pessoas em todo o mundo”, cita a Reuters. Público, 09.10.2009, 16h48

Nota: que se saiba, pelo menos até ao momento, a liderança americana só tem conduzido a guerras sangrentas e ineficazes. E que falta de gosto, tentar condicionar um presidente dando-lhe um prémio pecuniário...

E aqui está:

Com a atribuição do prémio Nobel da Paz, Barack Obama tem a obrigação de conseguir a paz na Palestina, obrigando Israel a aceitar a criação de um Estado palestiniano nos territórios ocupados e obrigando os palestinianos a aceitar a existência e a segurança de Israel.

2009/10/09

Blair as President of the European Council? NO !
Genocide forgotten

In the autumn of 1915, an Austrian engineer called Litzmayer, who was helping build the Constantinople-Baghdad railway, saw what he thought was a large Turkish army heading for Mesopotamia. But as the crowd came closer, he realised it was a huge caravan of women, moving forward under the supervision of soldiers.

The 40,000 or so women were all Armenians, separated from their men – most of whom had already had their throats cut by Turkish gendarmerie – and deported on a genocidal death march during which up to 1.5 million Armenians died.

Subjected to constant rape and beatings, some had already swallowed poison on their way from their homes in Erzerum, Serena, Sivas, Bitlis and other cities in Turkish western Armenia. "Some of them," Bishop Grigoris Balakian, one of Litzmayer's contemporaries, recorded, "had been driven to such a state that they were mere skeletons enveloped in rags, with skin that had turned leathery, burned from the sun, cold, and wind. Many pregnant women, having become numb, had left their newborns on the side of the road as a protest against mankind and God." Every year, new evidence emerges about this mass ethnic cleansing, the first holocaust of the last century; and every year, Turkey denies that it ever committed genocide.

Yet on Saturday – to the horror of millions of descendants of Armenian survivors – the President of Armenia, Serg Sarkissian, plans to agree to a protocol with Turkey to re-open diplomatic relations, which should allow for new trade concessions and oil interests. And he proposes to do this without honouring his most important promise to Armenians abroad – to demand that Turkey admit it carried out the Armenian genocide in 1915.

In Beirut yesterday, outside Mr Sarkissian's hotel, thousands of Armenians protested against this trade-for-denial treaty. "We will not forget," their banners read. "Armenian history is not for sale." They called the President a traitor. "Why should our million and a half martyrs be put up for sale?" one of them asked. "And what about our Armenian lands in Turkey, the homes our grandparents left behind? Sarkissian is selling them too."

The sad truth is that the 5.7 million Armenian diaspora, scattered across Russia, the US, France, Lebanon and many other countries, are the descendants of the western Armenians who bore the brunt of Turkish Ottoman brutality in 1915.

Tiny, landlocked, modern-day Armenia – its population a mere 3.2 million, living in what was once called eastern Armenia – is poor, flaunts a dubious version of democracy and is deeply corrupt. It relies on remittances from its wealthier cousins overseas; hence Mr Sarkissian's hopeless mission to New York, Los Angeles, Paris, Beirut and Rostov-on-Don to persuade them to support the treaty, to be signed by the Armenian and Turkish Foreign Ministers in Switzerland.

The Turks have also been trumpeting a possible settlement to the territory of Nagorno-Karabagh, part of historic Armenia seized from Azerbaijan by Armenian militias almost two decades ago – not without a little ethnic cleansing by Armenians, it should be added. But it is the refusal of the Yerevan government to make Turkey's acknowledgement of the genocide a condition of talks that has infuriated the diaspora.

"The Armenian government is trying to sweeten the taste for us by suggesting that Turkish and Armenian historians sit down to decide what happened in 1915," one of the Armenians protesting in Beirut said.

"But would the Israelis maintain diplomatic relations if the German government suddenly called the Jewish Holocaust into question and suggested it all be mulled over by historians?"

Betrayal has always been in the air. Barack Obama was the third successive US President to promise Armenian electors that he would acknowledge the genocide if he won office – and then to betray them, once elected, by refusing even to use the word. Despite thunderous denunciations in the aftermath of the Armenian genocide by Lloyd George and Churchill – the first British politician to call it a holocaust – the Foreign Office also now meekly claims that the "details" of the 1915 massacres are still in question.

Yet still the evidence comes in, even from this newspaper's readers. In a letter to me, an Australian, Robert Davidson, said his grandfather, John "Jock" Davidson, a First World War veteran of the Australian Light Horse, had witnessed the Armenian genocide: "He wrote of the hundreds of Armenian carcasses outside the walls of Homs. They were men, women and children and were all naked and had been left to rot or be devoured by dogs.

"The Australian Light Horsemen were appalled at the brutality done to these people. In another instance his company came upon an Armenian woman and two children in skeletal condition. She signed to them that the Turks had cut the throats of her husband and two elder children."

In his new book on Bishop Balakian, Armenian Golgotha, the historian Peter Balakian (the bishop's great-nephew) records how British soldiers who had surrendered to the Turks at Kut al-Amara in present-day Iraq and were sent on their own death march north – of 13,000 British and Indian soldiers, only 1,600 would survive – had spoken of frightful scenes of Armenian carnage near Deir ez-Zour, not far from Homs in Syria. "In those vast deserts," the Bishop said, "they had come upon piles of human bones, crushed skulls, and skeletons stretched out everywhere, and heaps of skeletons of murdered children."

When the foreign ministers sit down to sign their protocol in Switzerland on Saturday, they must hope that blood does not run out of their pens. Robert Fisk
Noruega (sempre) na vanguarda

Os pontos mais problemáticos para a definição de um novo acordo global para as alterações climáticas permanecem sem solução, após mais uma ronda de negociações que terminou hoje em Banguecoque, Tailândia. Apesar de avanços em alguns pontos, a comunidade internacional permanece dividida quanto a novas metas de redução de emissões de gases com efeito de estufa do mundo industrializado e quanto ao financiamento para que os países em desenvolvimento consigam enfrentar o problema do aquecimento global.

Depois de duas semanas de negociações, representantes de cerca de 180 países conseguiram eliminar muitas divergências contidas num vasto documento inicial com quase duas centenas de páginas. Mas, a dois meses de uma conferência decisiva em Copenhaga, muito trabalho ainda está por fazer.

“Está na hora de recuar nos interesses próprios e deixar o interesse comum prevalecer”, disse Yvo de Boer, secretário executivo da Convenção Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas.

Até Copenhaga, haverá ainda uma última ronda negocial, no princípio de Novembro, em Barcelona. “Os negociadores têm três semanas para receber, nas suas capitais, orientação dos seus líderes políticos de modo a completar o trabalho”, acrescentou Yvo de Boer. Segundo o líder da ONU na área climática, é preciso uma “liderança forte” para que sejam removidos os obstáculos essenciais em torno da questão das metas e do financiamento.

A nota mais bem recebida da reunião de Banguecoque foi o compromisso anunciado ontem pela Noruega de reduzir as suas emissões em 30 por cento até 2020, em relação a 1990, ou 40 por cento, caso haja um acordo substantiva em Copenhaga.

2009/10/08

Raymond Federman morreu no dia 6

O romancista e académico Raymond Federman morreu, no dia 6 de Outubro, aos 81 anos. Também conhecido pela sua poesia, ensaios, traduções e crítica, Federman é um escritor de estilo experimental, que procura a desconstrução tradicional da prosa.

Embora tenha nascido em Montrouge, França, depois de ter servido o exército americano na Coreia e Japão entre 1951 e 1954, Raymond Federman emigrou para os Estados Unidos logo em 1947. Foi aqui que teve toda a sua formação, uma vez que estudou na Universidade de Columbia e doutorou-se na Universidade da Califórnia em Los Angeles, com um trabalho em Literatura Comparativa sobre Samuel Beckett.

Nutrindo o gosto pela ficção experimental, este escritor bilingue foi co-fundador da Fiction Collective, uma casa de publicação dedicada a este género literário. A par das actividades de escrita, Federman ensinou em vários departamento de francês de universidades americanas, como é o casa da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, e a de Estatal de Nova Iorque, em Buffalo.

Os seus livros estão traduzidos em várias línguas, como o alemão, italiano, francês, húngaro, polaco, holandês, romeno, servo, grego, português, hebraico, japonês e chinês. Alguns deles, como é o caso do "Double or Nothing", que venceu o prémio Frances Steloff Fiction e The Panache Experimental Fiction, tiveram muito sucesso entre os leitores.

Já a sua ficção, poesia e tradução, apareceu em várias revistas literárias, incluindo "Partisan Review", "Paris Review", "Chicago Review", "Fiction International" e outros.



Herta Müller ficou muito contente

Batendo nomes favoritos, como Amos Oz e Philip Roth, a escritora germano-romena foi anunciada hoje como a mais recente prémio Nobel da Literatura.

A escritora alemã Herta Müller "ficou muito, muito contente, e nós também" por ter recebido hoje o Prémio Nobel da Literatura, reagiu em Munique Leonie Obalski, a porta-voz da sua editora, a Hanser Verlag. ionline, 8 Outobro
Começou a sangria

Um tribunal iraniano condenou à morte um homem que participou nas manifestações que rodearam as presidenciais de Junho, informou o site reformista Mowjcamp. Esta é a primeira notícia sobre a imposição da pena capital contra aqueles manifestantes pró-oposição.

Mohammad-Reza Ali-Zamani ficou a saber na segunda-feira da decisão do juiz, adiantou a mesma fonte. Não são conhecidos os detalhes das acusações que pendiam sobre ele, mas em Agosto a agência semi-oficial Mehr adiantara que Ali-Zamani estava a ser acusado de ter lutado contra o sistema islâmico e que era membro activo de uma associação monárquica “terrorista”, entre outros crimes. Também não há, até agora, comentários das autoridades iranianas à condenação.

As presidenciais, que reconduziram o Presidente Mahmoud Ahmadinejad ao cargo, foram altamente contestadas nas ruas, com a oposição a denunciar fraude. Ali-Zamani estava entre os 100 apoiantes da oposição, que incluem figuras reformistas importantes, acusados de fomentar os protestos numa série de julgamentos que decorreram em Agosto, denunciado por vários analistas como “espectáculo”.

Segundo o Mowjcamp, o arguido fez “extensas confissões” durante a sessão. O ex-Presidente reformista Mohammad Khatami, que apoiou o líder da oposição Mir Hossein Mousavi na corrida, afirmou que as confissões usadas nestes julgamentos foram obtidas sob “condições extraordinárias” e que são inválidas.

Dos quatro mil então detidos, centenas continuam na prisão, segundos os números oficiais. Há revelações de maus tratos, torturas, e a exigência de fianças milionárias.


Para memória futura

"À matéria dos autos disse:

«Que confirma as declarações prestadas no âmbito do presente inquérito as quais dá neste acta como reproduzidas.

«Que no ano de 1986, quando tinha apenas 5 anos de idade entrou para a Casa Pia de Lisboa, como semi-interno e para o Colégio Maria Pia. No ano seguinte e quando tinha seis anos, iniciou a escola primária, ainda como semi-interno, tendo passado ao regime de internato no início do ano seguinte, ou seja em 1988. Nesse ano de 1988, e mais concretamente no início do mês de Agosto, o depoente foi para uma colónia de férias para o Algarve, sendo certo que, acompanhava os outros colegas num autocarro da CPL, seguindo na retaguarda uma outra viatura que transportava material de apoio e conduzida pelo Cárlos Silvino e pelo senhor Óscar. Pararam numa área de serviço que não consegue identificar, mas que habitualmente e nos percursos efectuados de e para as colónias no Algarve é sempre utilizada para uma paragem habitual. Mal chegaram aquela área de serviço, o "Bibi" abordou o depoente, bem como o [...] e o [...] tendo-lhes pago um gelado. Ali o depoente bem como os seus colegas, foram à casa de banho, tendo o Carlos Silvino entrado, ao mesmo tempo que os seus colegas saíam e o depoente ainda ali permanecia.
...
«Em consequência dos abusos de que foi vítima nas alturas referidas, o depoente teve problemas de saúde que se reflectiam na incontinência das fezes, facto que a família e educadores associavam ao nervosismo em razão da morte da sua mãe, facto que não correspondia de todo à verdade e de que só o depoente conhecia o verdadeiro motivo. O que o levava a manter o silêncio era o medo que o Bibi lhe incutia e temia que a revelação dos factos pudesse ter consequências ainda piores, pelo menos na mentalidade do depoente e em razão da sua pouca idade.
...
Que ainda se recorda e sem qualquer dúvida que quando tinha apenas 10 anos o Bibi levou o depoente, bem como, dois colegas que apenas sabe chamarem-se [...] e [...] e que eram alunos do Colégio Pina Manique, até uma residência sita em Cascais, onde estavam três senhores, os quais identifica sem qualquer dúvida, como sendo o Dr. Ferro Rodrigues, o Embaixador Jorge Ritto e o Dr. Jaime Gama, cujas fotografias constam no apenso AJ, com os números 3, 15 e 60 respectivamente.


Fast-justiça

«O Ministério Público determinou a abertura de um inquérito para investigar a autoria e circunstâncias em que nasceu a carta anónima recebida, há pouco mais de um mês, pela Polícia Judiciária, envolvendo um primo de José Sócrates nas suspeitas de corrupção no licenciamento do outlet de Alcochete. Perante a confirmação de que as informações dadas são “objectivamente falsas”, a carta foi remetida para o Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa “para o devido procedimento penal. » - PODEMOS ENTÃO CONCLUIR QUE EM MÊS E MEIO O MINISTÉRIO PÚBLICO CONSEGUIU DAR COMO PROVADO QUE AS ACUSAÇÕES FORMULADAS NA DITA CARTA SÃO FALSAS. AO MENOS ALGUMA COISA SE INVESTIGOU RAPIDAMENTE EM PORTUGAL E CHEGOU A CONCLUSÃO CLARAS: AS ACUSAÇÕES FORMULADAS NA CARTA SÃO FALSAS. AINDA BEM.

2009/10/07

Corrupção boa...

Naquele jornaleco verde que se chama Metro e que se apanha no Metro, aparece o Rui Zink (edição de 7 de Outobro) a apoiar o Costa para continuar em Lisboa, e escreve textualmente: "se há colesterol bom, porque não boa corrupção?". Sempre pode ter escrito aquilo sob o efeito de uns copos de tintol, mas da próxima será melhor que espere que o efeito passe antes de enviar a coisa para o jornaleco. Também posso ter lido mal...

Mas se li bem, concluo que o Costa é para o Zink o representante do colesterol, perdão, da corrupção boa. Só me resta mesmo dizer que de todo não votarei no Costa, entre outras coisas porque não acredito na "corrupção boa".

Entretanto, e já que estamos voltados para os gratuítos, abri o Destak e logo na página dois aparece o Fazenda a dizer "combater o alto preço do metro quadrado e democratizar o acesso à habitação".

Só quem não sabe é que ignora que o preço do metro quadrado em Lisboa é semelhante a Berlim, com a diferença de Berlim ser uma capital central em todos os aspectos e Lisboa ser uma capital periférica em todos os aspectos. Portanto o discurso do Fazenda nem é ficção nem demagogia, porque o preço da habitação em Portugal é ridiculamente superior áquilo que de facto vale.

Só com grande vontade política e sem qualquer complacência com a corrupção (má ou "boa"...), que sempre andou bem entremeada nos negócios imobiliários (será tonto dizer-se que o mercado imobiliário português, especialmente o lisboeta, tem servido de lavagem para muitas centenas de milhões de euros de dinheiro sujo?), é que será possível baixar o preço da habitação em Lisboa para o nível do seu valor real. Costa nem foi capaz disso, nem demonstrou vontade disso, nem faz disso um tema prioritário na sua campanha.


Especulativo e "irracional"

Os mercados bolsistas de Wall Street, contariariamente ao esperado, abriram hoje em baixa, após três dias consecutivos de alta e de alguma euforia, criticada pelo Prémio Nobel da Economia, Joseph Stiglitz, que a considera "irracional".


Há que acabar com este monopólio

O governo norte-americano quer continuar a manter a vigilância sobre a gestão da Internet, apesar do acordo que tem com o ICANN, organização privada sem fins lucrativos que gere os domínios Internet a nível mundial, expirar amanhã.

A notícia, que foi avançada pelo jornal espanhol El País, refere que o acordo que agora termina permite que os EUA vetem qualquer decisão do ICANN e que as autoridades norte-americanas já fizeram chegar a este organismo a sua intenção de renovar o acordo, para que possam manter a mesma influência.

A posição do governo é apoiada tanto por democratas como por republicanos, que já manifestaram o seu desagrado pela possibilidade dos EUA virem a perder a sua influência neste domínio.

Em sentido oposto manifestou-se a Comissária Europeia para a Sociedade da Informação e Média, Viviane Reding, que em Maio passado afirmou «ser insustentável que o governo de um só país mantenha o controlo da rede usada por milhões de pessoas em todo o mundo».

A Comissária Europeia sugeriu, na mesma altura, a criação de uma entidade, à semelhança do G-12, para assumir a direcção política deste aspecto crucial do funcionamento da Internet, sendo que as questões técnicas continuariam a ser geridas pelo ICANN. Sol.pt, 30 SET 09

2009/10/04

Alexander Scriabin plays Etude Op.8 No.12 (Welte-Mignon recording)
Nicolaï Lugansky - Liszt' s Transcendental Etude 12 "Chasse-neige"

2009/10/01

As elites piolhosas e as outras

Um país sem "elites" de qualidade (que implica dimensão e "substância" humana) está condenado a definhar, disse o filósofo tal. Quando olho para Portugal vem-me sempre à memória esta máxima e quanto melhor olho mais esta máxima parece adquirir consistência lógica.

Quando ambos os invasores (nazis e russos) espartilharam a Polónia a primeira coisa que fizeram foi eliminar as suas elites, porque sabiam que o poder da "alma" polaca residia em parte nelas. Não lhes adiantou: Chopin já tinha imortalizado as danças populares polacas nas suas Polonaises e Mazurkas: mesmo que a Polónia desaparecesse completamente aquelas pequenas peças haviam de a imortalizar ad-aeternum. Em Portugal, se invasores houvesse, não necessitariam de eliminar as elites porque as "elites" portuguesas antes da invasão se concretizar já estariam a denunciar os seus compatriotas e a lamber as botas aos invasores. Não seria caso único na história, é certo, mas seria um caso antológico, dado tratar-se (segundo afirmou o poeta ex-deputado Manuel Alegre) da "mais velha nação da Europa".

As "elites" portuguesas para além de serem asquerosas são ruins. E são ruins não só nem essencialmente por serem mediocres: são ruins porque incarnam o "mal", ou pelo menos duas facetas do "mal": a maldade e a perversidade. O desprezo que Eça de Queiroz manifestou pelas "elites" portuguesas não teve origem só na constatação da sua mediocridade: é impossível desprezar-se e ridicularizar-se daquela maneira seres "somente" mediocres.

Bem isto a propósito de mais uma cena que testemunhei ontem (30 de Setembro) na Cinemateca Portuguesa (em Lisboa): um senhor parece ter feito uns ruídos com uns sacos de plástico que levava com ele. Levar sacos de plástico para a cinemateca pode ser já um risco face aos m........ dos supostos "artristas" e "intelectuais" que por lá aparecem de tempos a tempos. Ao entrar com um saco de plástico deve-se ir preparado para confrontar o primeiro "intelectual" ou "artrista" tugolês que comece a chatear mandando "bocas" ou assumindo poses de um desprezo irritante e provocante.

Portanto, para evitar chatices aconselho a não levar sacos de plástico para os filmes, na Cinemateca Portuguesa, em que previsivelmente os jovens tugoleses "artristas" e "intelectuais" por lá apareçam (claro que não são só os jovens, mas quando se trata de jovens é muito mais preocupante pois conclui-se que Portugal não mudou rigorosamente nada).

O tal senhor lá fez os ruídos com os sacos de plástico e claro que alguém se sentiu muito incomodado, mandando "bocas" ao senhor. A coisa, se entre gente normal estivessemos, ficaria por ali, esperando-se que o senhor se acalmasse e acabasse o seu delírio, pois já estava a falar em "radiações perigosas" e todo o discurso típico dos seres alienados, que de resto é sempre um discurso curioso, ainda que pouco inovador.

Mas não: os jovens "artristas" e "intelectuais" tugoleses não podiam deixar de aproveitar estarem perante uma pessoa debilitada, só e facilmente ridicularizável, para mostarem a sua "virilidade". Vai de aí que um jovem tugolês se dirige ao senhor para o "meter na ordem". Houve logo os outros tugoleses jovens a acalmar o tugolês "artrista" ou "intelectual" (aquelas cenas do sub-género "agarrem-me senão mato-o"), que voltou ao seu lugar de peito inchado.

A verdade é que os tugoleses jovens "artristas" e "intelectuais" que protagonizaram a cena (especialmente o "mauzão" que que pretendia meter o senhor na "ordem") prejudicaram muito mais a visualização do filme que o discurso delirante do senhor dos sacos de plástico. Bastou alguém ir falar pacientemente para ele parar com o seu discurso alucinado, que foi desencadeado, há que dizer, por um, ou uma, "intelectual" qualquer, cioso (a) da sua muy autêntica concentração cinéfila.

Se estes jovens tugoleses são o futuro, o futuro de Portugal é desaparecer sem deixar saudades. Ha! Depois há toda aquela lixeira estrangeira que, sabendo bem que quem tem um olho em terra de cegos pode ser rei, vem cá parar... Evidentemente que não me estou a referir aos imigrantes que vêm para "trabalhar no duro", ou aqueles que vêm trabalhar seriamente.

Nota 0: correndo o risco de me tornar ainda mais politicamente incorrecto quero manifestar o meu espanto em relação ás cenas porcas que alguns gays vão fazer para a Cinemateca Portuguesa, especialmente na sala pequena. Não há direito! Há gente que vai à Cinemateca para ver só os filmes que passam no écran! Os funcionários e a direcção da Cinemateca sabem disto e se não tomarem medidas um dia alguém as há-de tomar.

Nota 1: no que toca ás tugolesas "elites", basta ir apreciar as "praxes" universitárias levadas a cabo pelos universitários "veteranos", com o consentimento (ou sem uma reacção eficaz e liminar) por parte dos universitários "caloiros" e por parte da sociedade em geral, para se compreender para onde estas "elites" conduzirão o triste reino.

Nota 2: claro que para além destas elites piolhosas existem as outras (sem prejuízo das inter-conexões que existem e não são raras): os que tiveram "pára-quedas dourados", que estão entre os que conseguiram sair de cena com milhões para acomodar e proteger um futuro incerto; aqueles que garantem sempre bons cargos para (quase) toda a família sem terem de os mendigar ou sequer de os sugerir; aqueles que em cargos de administração nas empresas que já foram do Estado ganham 100 vezes mais que a média dos assalariados portugueses; os que fizeram e fazem grandes negociatas do ou com o Estado que lhes proporcionaram e continuam a proporcionar milhões escondidos sob um número nos off-shores; aqueles que com negociatas variadas do Estado ou "poder local" garantiram para si, familiares e descendentes, um futuro próspero e confortável (coisa dificílima de ser detectada dada a dupla descontinuidade - de tempo e de sujeitos - entre o "serviço", o benefício, e os beneficiados) . Esses são a "autêntica" elite portuguesa, que arruinou e destruiu o país e que se ri, se ri muito, das elites piolhosas e dos seus rituais ridículos e inofensivos (ofensivos para as vítimas mas inofensivos para eles, a elite que domina e ganha).

Nota 3: "Quase todos os contratos de obras públicas celebrados nos últimos três meses foram por ajuste directo. Segundo os dados do Observatório de Obras Públicas, que está a recolher a informação prestada desde o dia 26 de Junho, do total de 4023 contratos firmados até à passada sexta-feira, houve ajuste directo em 3957 deles." (publico.pt, 06.10.2009, 07h14)