2005/12/03

SONATAS PARA VIOLINO E PIANO DE ERNEST BLOCH

A editora Naxos trouxe ás estantes das discotecas um registo de obras para violino e piano, nomeadamente da primeira e segunda sonatas, de Ernest Bloch, com Miriam Kramer no violino e Simon Over no piano, registo este efectuado em 1998 e que será uma das referências na interpretação daquelas duas sonatas do compositor suiço.

A segunda sonata, intitulada Poema Místico e escrita em 1924, é uma obra em um só andamento onde o essencial de todo o material é extraído da frase inicial apresentada a solo no violino. Trata-se de uma obra de grande folgo à qual Miriam Kramer, que possuiu uma sonoridade intensa e uma fraseado inteligente, restitui a dimensão de "chef-d'oeuvre".

Mas a primeira sonata, escrita em 1921, é, em nosso entender, a obra mais interessante apresentada neste disco. Trata-se de uma obra impressionante onde as influências de um Bartók, no ritmado tema do início, coexistem com a melodia de sonoridades hebraicas que constitui o segundo tema e que introduz no andamento inicial a sensação de uma angústia latente. O segundo movimento inicia-se com notas arpejadas no piano sobre as quais o violino desenvolve uma espécie de cantilena que vai desenvolver, arpejos estes que anunciam a paisagem desoladora à qual o movimento vai aportar depois de um auge expressivo no seguimento de um curto episódio com "pizzicattos" no violino. No andamento final, que começa com um ritmo de dança muito acentuado, é feita a re-apresentação dos temas, transpostos ou metmorfoseados, dos andamentos anteriores. A sonata termina num clima de grande tranquilidade, no modo maior, onde dois acordes, curtos e seguidos, sob a nota sustentada do violino, a última de toda a obra, parecem servir de suporte a uma prespectivação positiva do mundo. A interpretação dos dois artistas é plena de musicalidade, sendo a grande técnica suporte para a elevada e conseguida expressão desta obra genial.

Neste cd podem ser escutadas outras peças do compositor, nomeadamente a Suite Hebraica, escrita em 1950, onde acontece um retorno ás melodias hebraicas e onde a grande intuição e talento é transversal a todos os temas que ele aqui recria. As notas que acompanham o cd orientam o ouvinte na compreensão da estrutura genérica das duas sonatas. AST
















Índios denunciam na França extinção de seu território

da Efe, em Paris

Representantes de diferentes povos indígenas do Estado do Amazonas denunciaram hoje em Paris o desaparecimento progressivo do território que habitam e os problemas que enfrentam como povo.

O ato, no qual participaram membros dos povos Kayapo, Pareci e Yawalipiti, foi organizado pela parte francesa da AI (Anistia Internacional) e pela Wayanga, associação de defesa dos direitos dos povos da Amazônia brasileira.

Daniel Cabixi, do povo Pareci, deu um alerta para a crescente expansão das monoculturas, como a soja ou a cana de açúcar. Caso continue este aumento, disse Cabixi, "o Estado do Amazonas se transformará em um grande deserto, no lugar dos pequenos cultivos que nos dão o que comer".

"Para nós, o meio ambiente representa a vida que nos alimenta", disse Bepkampo Metyktire, representante do povo kayapo e neto do reconhecido líder indígena Raoni.

Outras comunidades do Amazonas têm de enfrentar diferentes problemas, como o desflorestamento, a "falta de cultura" ou a superpopulação, lembrou Izanoel dos Santos Sodré, indigenista da Funai (Fundação do Índio). "O Brasil é um país multicultural que conta com 215 povos indígenas", lembrou Izanoel ao explicar que a Constituição de 1988 "reconhece essa diversidade".

Representando o Greenpeace, Ludovic Frere disse que, segundo um relatório de 2003, 80% das explorações de madeira no Amazonas acontecem de maneira ilegal e a França é o principal importador europeu de madeira dessa região.

Ao resumir as violações dos direitos dos povos indígenas do Brasil, o representante da AI, Genevieve Garrigos, afirmou que "os povos que perdem sua terra apresentam uma taxa de mortalidade infantil duas vezes maior que os que não perdem, por causa da desnutrição".

Ele denunciou também que "quando tentam recuperar pacificamente suas terras, são vítimas de ameaças", lembrando que os índios foram "vítimas de diversos massacres".

www1.folha.uol.com.br (06/12/2005 - 10h17)














Relatora da ONU recebe denúncias sobre índios assassinados

BRASÍLIA – O assassinato de indígenas no país e a situação de risco de defensores dos direitos humanos foram denunciados hoje por representantes de movimentos sociais e entidades. Eles estiveram reunidos, em Brasília, com a relatora da Organização das Nações Unidas (ONU) para defensores dos direitos humanos, Hina Jilani, que, após visitar diversos estados brasileiros, deve lançar um relatório preliminar com a conclusão dos pontos analisados.
Durante o encontro, o vice-presidente do Conselho Indigenista Brasileiro (Cimi), Saulo Feitosa, apresentou um panorama da situação geral do índio no país. Segundo ele, além de ameaças de morte e atentados, comunidades indígenas sofrem "criminalização" e passam de vítimas a réus. "Invasores de terra criam situações em que índios acabam respondendo por crimes que não cometeram. Nós entendemos isso como uma forma de violência porque essas calúnias são apresentadas sem nenhum fundamento", contou ele.
Além da criminalização, foram abordados o assassinato de duas lideranças indígenas do grupo Truká, ocorrida em junho deste ano no município de Cabrobó (PE), por policiais militares; a violência sofrida por missionários do Cimi em Minas Gerais e as ameaças de linchamento de que foram vítimas; atentados à terra indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, quando um grupo invadiu a área e ateou fogo a uma escola local; e as ameaças sofridas por povos que vivem isolados no Mato Grosso. http://jbonline.terra.com.br [ 06/12/2005 ] [ 21:54 ]















TRIBUNAL DE CONTAS APROVA COMPRA DE 24 TORPEDOS POR 46,2 MILHÕES
...
A compra de submarinos recebeu há mais de um ano aprovação do tribunal de Contas...
o estado português terá de pagar um total de 769,3 milhões de euros ao German Submarine Consortium (GSC). Público, 5(?) de Dezembro, pag.12















País dos fenómenos

Lia-se na crítica de música do dia 6 de Dezembro, num suposto "jornal-referência" (tem de se inventar uma equação que nos permita definir os limites da "coisa-referência", tão em voga em Portugal), algo do género: ... o "touché" ... uma interpretação "embebida".

Pois é... Depois dos pastorinhos de Fátima e dos fenómenos do Entroncamento temos agora o caso da interpretação que se "embebeu". AST















Lideranças indígenas querem denunciar governo brasileiro em seminário internacional

Líderes de comunidades indígenas pretendem denunciar a violação de seus direitos por parte do governo federal. É o que afirma o coordenador geral da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia (Coiab), Jecinaldo Barbosa Cabral. Segundo o membro do povo Saterê Mawé, índios da América Latina estarão reunidos até o início de 2006 para discutirem a conservação ambiental de áreas protegidas. O encontro acontecerá na região do rio Xingu, no Pará, onde será construída a Usina Hidrelétrica de Belo Monte.
...
"O direito à consulta prévia dos índios – estipulado desde 1988 pela Constituição Federal –foi completamente afrontado", conta o advogado do Instituto Socioambiental (ISA), Raul Silva Telles do Valle. Segundo ele, qualquer obra, ato administrativo ou legislativo que afete direta ou indiretamente um determinado povo indígena, só pode ser efetivado mediante consulta prévia. "Isso serve não só para que as comunidades conheçam o projeto, mas para que possam opinar sobre ele e negociar com relação a ele."
Ainda de acordo com Raul do Valle, o projeto de instalação afeta diretamente terras indígenas, com a inundação de uma área de 18 mil quilômetros quadrados, além de peixes (principal alimento para sobrevivência faz comunidades), da fauna e da agricultura. "A energia elétrica é sim necessária, mas temos que fazer isso de forma a preservar nossos rios e manter um equilíbrio e uma sustentabilidade, o que não vem acontecendo, pois parte dessa energia produzida vai para grandes empresas que são beneficiadas em detrimento dessas comunidades afetadas", informa ele.
Representantes da Coiab, do ISA, do Greenpeace e do Centro dos Direitos das Populações dos Carajás estudam agora a possibilidade de questionar na justiça a autorização concedida ontem. www.24horasnews.com.br (04/12/2005 - 04h03)

















Malditos críticos

Por Joaquim Noguero

Se dice a menudo que el crítico no tiene quien le critique. Y es cierto que faltan estudios sobre su práctica, pero criticarle y hasta insultarle, por favor, ¿quién no ha tirado aún su penúltima piedra? “¡Disparen al crítico!”, prueben suerte, denle como en una barraca de feria, gritaba irónicamente el titulo de un ensayo sobre la crítica cinematográfica. Y Francesc Burguet Ardiaca, periodista lúcido e incisivo excrítico de teatro en El País, me contó de una vez que, sentado en la barra de un bar, ve entrar en el local un afamado director teatral acompañado de su hijo, lo mira, se le acerca, lo señala al niño y dice en voz alta: “mira hijo, este es el hijo de puta que pretende quitarnos el plato de la mesa”.
No hace falta decir más. Puede parecer un ejemplo extremo, pero todo el mundo sabe de la falta de crédito que merece muchas veces la crítica. Y eso cuando, bien ejercida, podría ser hoy más imprescindible que nunca, en la misma medida en la que el siglo XX multiplicó el bombardeo incesante de estímulos culturales, información, lenguajes y saberes entre los que hoy se mueven, se alimentan y crean los artistas. Suma, reelaboración o rechazo de tradiciones anteriores, los lenguajes artísticos se han vuelto mucho más complejos. Por eso es tan cierta la reflexión que lúcidamente la coreógrafa Christine Cloux pronunció en una de las mesas redondas de hace dos años en Dansa Valencia, reproducida en el número 1 de Diálogos de Danza: “Existe la tentación de decir que cualquier producción, si es buena, tiene una acogida inmediata por parte del público, pero todos sabemos que no es así: que para reconocer ciertas propuestas o entender determinados códigos hay que manejar y haber asimilado referencias que conforman lo que podríamos llamar nuestra cultura personal”.
Chapeau, sí señora. Ya era hora de que algunos creadores comenzaran a darse cuenta de que no sirve de mucho repetir la cantinela del “no hay que entender nada, limitaros a sentir” si luego la realidad la desmiente una y otra vez. Es cierto que el espectador no debe traducir (conscientemente) los espectáculos. Pero también lo es que si estos no producen algún tipo de eco en él (o sea, se produce algún tipo de reconocimiento, a menudo inconsciente) el neófito espectador mayoritario se aburrirá solemnemente y no recibirá sensación ninguna. ¿Que es una cuestión de sensibilidad? De acuerdo. Pero la sensibilidad se educa tanto como la razón. Este supuesto espectador puede desconocerlo todo de la danza, y aun así disfrutar el espectáculo por razones plásticas, musicales, rítmicas o incluso porque le ha despertado determinadas reminiscencias personales. Pero la mayor parte del público ha sido educado en términos de una cierta linealidad narrativa por parte de la televisión y el cine de masas, y para la mayor parte de espectáculos de danza estas lentes de aproximación no van a servirle. Trabajo del crítico es ayudarle a formarse otras con que enfocar mejor una propuesta coreográfica. Y es que, en nuestro país, donde la escuela no ha contribuido demasiado a formarnos en este sentido, dicha tarea resulta fundamental incluso para que el coreógrafo disponga de mayor libertad creativa. Si no, a menudo, lo que ocurre es que los programadores piden al creador que se acerque al público en lugar de poner los medios para lo contrario: que cierta complejidad cultural pueda ser divertida (en tanto que su dificultad resulte interesante y motivadora), en lugar de confundir toda forma de diversión en cultura (del ocio) y rebajar unos planteamientos que convertirían el trabajo del coreógrafo en una repetición manierista o en una ingenuidad con respecto a la tradición de su arte (a la que se debe y con la que está obligado).
La tarea del crítico consiste en una selección y criba argumentadas. Su objetivo no es tanto decirnos qué debemos ver, y ni mucho menos corregir al coreógrafo, sino establecer una suerte de puente entre espectadores y creadores. Evidentemente, el sentido principal de su trabajo no consiste en el suministro de materiales para el dossier de las compañías. Claro que si la crítica crea muchos malentendidos es a menudo por realidades como ésta de su praxis. No por aquello que debería ser, pues, sino por lo que es (mera descripción sin selección de lo pertinente, adjetivación decorativista, fabulación sobre posibles contenidos, valoraciones viscerales), y quizás aún más por lo que en algunos casos no sabe ser (contextualización, análisis, juego de creación de sentidos, de subrayado de las conexiones, coherencias y “rimas” internas de la obra).
No es lo que más abunda. Lean en el ya mencionado número 1 de esta revista la intervención del excelente crítico y periodista Omar Khan. Él establecía allí la tipología de dos extremos posibles poco recomendables de crítico: por un lado, el modelo ingenuo de quien se limita a describir punto por punto lo que ve sin saber contextualizarlo o sintetizarlo (lo que de hacerse ya implicaría una interpretación, algún tipo de análisis); por otro, el tipo (demasiado) listo que barre para casa y construye sin manías bonitos castillos en el aire retóricos, consciente que, al fin y al cabo, no va a llevar a nadie al teatro pero, por eso mismo, pocas posibilidades habrá también de que nadie lo desmienta o pruebe su incompetencia.
Ambos extremos, como nos contaba Khan con buenas dosis de ironía, han hecho mucho mal a un arte como la danza. Pero que sean posibles (¿quien admitiría como crítica cinematográfica el simple resumen del argumento o un cuelgue simbólico o psicoanalítico, semiológico o psicodélico, onanista y psicotrónico?), o sea, que se publiquen críticas de danza que no ayudan a entenderla (¡ojo!, “entenderla” ya he dicho que no significa “narrativamente”: hay danza que cuenta historias y mucha danza que es abstracta, danza que reflexiona sobre temas y otra que construye sus coreografías sólo a partir de planteamientos formales, rítmicos o plásticos), en definitiva, pues, que demasiado a menudo podamos leer supuestas críticas de danza que marean la perdiz (y Khan, en esa charla, citaba un par) prueba que la recepción de la danza no es tan inmediata, ni natural, ni instintiva, como muchos pretenden. Que en último término debe ser emocional, sí. Pero es que resulta que sólo nos arrancan emociones íntimas aquellos estímulos externos que caen en terreno abonado previamente.
La figura del crítico, pues, debería situarse en los términos en los que lo imagina el novelista portugués António Lobo Antunes en una entrevista para el suplemento Babelia de El País (20-03-2004): “Hacer crítica es muy difícil y para mí un mal crítico es un hombre que no tiene amor por la escritura y sólo tiene teorías. La crítica es un acto de amor, es alguien que te ayuda a leer. Ahora lo que he conseguido en la crítica de la mayor parte de los países son concatenaciones de adjetivos. En España hay buena crítica, y muy buena en Alemania y en Suecia, siempre es gente que intenta ayudar a los lectores a leer. Porque a leer se aprende. Si tú eres un buen escritor tienes que enseñar a tus lectores, tienen que aprender a caminar por tus libros. La primera vez que leí a Cernuda, me resultó muy frío y tuve que leerlo más veces para comprender que de frío no tenía nada, que era mi problema, no el del escritor, había algo en él que no comprendía emocionalmente, que no conectaba con mi experiencia, y un día conectas”. Fíjense: conexión emocional, conexión con la experiencia de uno. Y hacer algo más que encadenar adjetivos como forma simple de valoración. Y apasionarse por el arte al que uno festeja con su escritura. Y ayudar a leer la coreografía, es decir, a conectar unas partes con otras de la obra, y la obra con otras obras, y su creador con otros creadores. Y saber indicar en qué medida la obra constituye coherentemente el todo que pretende ser. Y saber comunicarlo. Con analogías clarificadoras y por medio de síntesis explicativas. Manejar datos y exponer dudas. Ser inquisitivo y no inquisitorial. Al servicio de una crítica interrogativa, interrogadora con la obra y por los espectadores. La crítica como instrumento de construcción de sentidos, como una humilde y amiga forma de creación. Lo que no la exime, claro, de su responsabilidad de hablar honestamente claro cuando así se requiera.
Así, la crítica no debe ser un faro sino una cámara. No se debe exigir tanto plantear modelos (ésa es tarea de los creadores y de los programadores), sino seleccionar entre los modelos existentes, para difundir los que considere más útiles o adecuados a su comunidad, y subrayar aspectos de dichos modelos que, si no, podrían pasarnos desapercibidos. Es obligación de la crítica dar luz al objeto de su comentario en lugar de autoproponerse iluminada. Puede servir de guía del espectador, y bueno es que asuma esta tarea con responsabilidad, como un deber, nunca como un privilegio, como si fuera la única opinión con derecho a sentar cátedra. El crítico no ha de querer ejercer ningún poder (en la práctica, un factor externo otorgado por la tirada y la audiencia potencial del medio en el que uno publica y del espacio que ahí se le concede) sino que, si acaso, debe aspirar a que se le reconozca una cierta autoridad en la materia: credibilidad, ascendencia… El poder se aplica, la autoridad te la conceden tus lectores, fruto de la lógica desarrollada dentro de tu escrito presente y de la coherencia entre todo lo que uno lleva publicado con los años. No es que el crítico no pueda evolucionar: es que el lector, si le ha sido fiel, debe poder entender las razones con las que ahora matiza o corrige sus opiniones de ayer.
Esta voluntad de máxima racionalidad e hiperconciencia de sus recursos y objetivos no me parece incompatible ni con la sensibilidad ni con la subjetividad con las que el crítico ha visto la coreografía. No hay que confundir voluntad de estilo con visceralidad, ni la sincera pasión por una disciplina con sonrojante parcialidad. Además, como señalaba en un artículo el profesor del Institut del Teatre de Barcelona Joan Casas, el crítico debe abandonarse a sentir con el máximo de apasionamiento el espectáculo cuando está sentado en el teatro, pero está obligado a enfriar dicho entusiasmo (a favor o en contra) una vez sentado ante el ordenador. Y no al revés, como ocurre tantas veces, sobre todo cuando uno quiere disimular la inercia con la que puede estar viviendo ya su reiterado papel de espectador obligado.
La crítica es subjetiva. Pero se trata de una subjetividad argumentada. Ni cualquier opinión vale, mientras no demuestre que merece nuestro crédito, ni la crítica deja de ser válida por tratarse sólo de la opinión de una persona. El crítico no puede decir lo que le da la gana. Un buen crítico informa, valora y, sobre todo, interpreta; es decir, mezcla y cose con sentido los datos pertinentes de la información que maneja, y luego argumenta y justifica verazmente sus valoraciones y juicios de valor. Porque de la misma forma que no hay una sola forma de ver el mundo, y los coreógrafos pueden interpretarlo y acercarse a él desde técnicas y lenguajes distintos de la danza, la crítica no aspira tampoco a una única Verdad de fondo en mayúsculas, sino a la corrección formal (compositiva), entendida ésta no como a tener que corregir a nadie, no como prescripción tampoco (lo que implicaría un pre-juicio, una plantilla o programa previos impuestos ahora sobre el trabajo del coreógrafo del que hablamos), sino como una descripción y una valoración justificadas plausiblemente, lógicamente, argumentativamente, coherentemente, en la trabazón de un discurso personal; o sea, como un juicio elaborado a posteriori de la visión de la obra a partir del reconocimiento y la asunción (o no) de los presupuestos y propósitos explícitos e implícitos en el trabajo del coreógrafo.
Eso complica la vida al crítico, ciertamente. Al tener que exponerse a explicar cuáles son los instrumentos y fines del creador, para analizarlo desde su aplicación, se arriesga a quedar en evidencia. Pero solo asumiendo este riesgo gana crédito y sus escritos consiguen superar la mera y efímera gacetilla. Un ejemplo. A veces el crítico puede estar enteramente de acuerdo con un espectáculo y, por el contrario, disentir de lo que el autor afirma en las entrevistas acerca de su trabajo. Éste es el caso de cuando el coreógrafo Maurice Béjart afirmaba haber sido extraordinariamente fiel en espíritu a los propósitos del dramaturgo Samuel Beckett con su coreografía L’heure exquise (2002), libremente inspirada en la pieza teatral Oh! Les beaux jours. Coartados por las declaraciones del prestigioso coreógrafo, la mayoría de críticos coincidieron a subrayar esta declarada fidelidad. Y, sin embargo, el mero hecho de cotejar el significado y las connotaciones de los dos títulos ya evidenciaba la capital diferencia de tono y de fondo entre la pieza teatral y la propuesta coreográfica.
L’heure exquise no era una mera traducción o adaptación danzada de Oh! Les beaux jours. En la obra de Beckett, cuando tomamos conciencia de la realidad de Winnie (la protagonista), el título aparece ante nuestros ojos como un llanto desesperanzado: lo doloroso no es el paso del tiempo, ver como quedaron atrás esos “días felices”, sino constatar la irrealidad de ese recuerdo tópico, su carácter de espejismo, de pantalla de humo, disfraz de una vida vacía, inane, aburrida, estéril. No hubo días felices para la Winnie de Beckett, una mujer condenada a la soledad, con un marido al que no vemos, puesto que su cháchara no ha conseguido despertarlo y obtener de él respuesta. Pero Winnie charla que charla. Se repite y se retrata en largas cadenas de clichés verbales. Su vida está tan quieta y muerta como ella misma. Y lo que es peor: sabemos que lo sabe, como subraya la omnipresente pistola, más una tentación que una amenaza.
En la obra de Béjart, en cambio, sí hubo un tiempo exquisito, una hora feliz, un pasado de primera bailarina que puede y merece ser recordado, sin que sea una excusa o una simple tapadera moral para sobrevivir al propio fracaso. El personaje recreado por Béjart está más cerca del universo moral de Chejov que del vacío de Beckett: el coreógrafo esquiva el endulzamiento romántico, pero en absoluto renuncia al lirismo, que rezuma de las grietas de la realidad, de sus tonos grises. El pasado de la bailarina ha huido, pero existió, hubo viejos días de gloria. Por eso Béjart no entierra a la protagonista en el recordado montículo de tierra yerma de la escenografía planteada por Beckett, que coartaba tanto como definía la agónica pasividad de Winnie. Béjart la sumerge dentro de la montaña de sus recuerdos, escenográficamente representados por un montón de viejas zapatillas de punta usadas, abierto metafórica y literalmente en la escenografía a los momentos vividos durante su etapa de formación, los grandes ballets que protagonizó, etc. De acuerdo con ese tono, Béjart no sólo da un marido visible a Winnie, sino que lo convierte en un partenaire atento, en un amante amoroso. Como en Chejov, lo mejor ya ha quedado atrás, fuera de la obra, en off, sin el esplendor del en otros tiempos compartido jardín de los cerezos. ¡Pero qué lejos estamos de la desesperanza de Beckett! Aquí no está su parodización, su caricatura inmisericorde de los clichés, sino homenaje y elegía. Por ello, desde su madurez física instalada en la cincuentena y la sesentena, los dos bailarines ya retirados elegidos por Béjart estaban espléndidos: expresivos, tiernos, precisos en su caracterización y con una gran forma.
Deber del crítico es señalar, más allá de lo declarado por Béjart, que L’heure exquise es una obra extraña y coherente a un tiempo. Extraña por como se aparta casi en sentido contrario de la obra que dice recrear, pese a lo afirmado por el coreógrafo. Coherente por como la herencia neoclásica del francés ya conducía a ello. Sería Pina Bausch la que por lógica podría retomar coreográficamente la Winnie beckettiana consiguiendo un trabajo equivalente sobre la gestualidad cotidiana del que Beckett, Ionesco y Pinter plantearon teatralmente sobre el habla. En cambio, Béjart no deja de ser un clásico, pese a que en L’heure exquise desnudó al máximo su estilo de movimiento, admitió la fealdad, asumió rupturas y aprovechó la inmovilidad. Hay lirismo en la obra. Y, quizás por ello, también la monotonía a veces inherente a la memoria y al recuerdo algo complaciente de viejas glorias pasadas. Es tarea de la crítica señalar este juego de contradicciones y coherencias. Porque la obra puede parecer buena o mala según el espectador haga hincapié en uno u otro aspecto. Sería una obra fallida si el criterio de valoración fuera precisamente el de la fidelidad pretendidamente aducida por Béjart. Pero las obras pueden ser mucho más (y también mucho menos) que sus creadores. Y el crítico es ese amigo que, no siempre simpáticamente, se siente legitimado a comentar en voz alta tus pros y tus contras. “Explícate y convénceme” es lo único que debe exigírsele. Corrección, veracidad, coherencia. No es poco y lo es todo.

















CRUCIFIXOS

Sempre pensei que a fé fosse algo interior.
Que não necessitasse da ostentação de símbolos para ser vivênciada.
Também imaginei que numa comunidade, sendo a maioria, a "grossa maioria" ou mesmo a "esmagadora maioria", do clube "a" ou da religião "y", se deveria manter, oficialmente, a neutralidade, no sentido de não criar situações de constrangimento a um e um só que não partilhe das opiniões e opções da "enormérrima maioria".
O mesmo se passa num qualquer transporte público não dotado de auscultadores individuais: basta um e um só sentir-se incomodado com o relato de futebol, por exemplo, que o condutor decidiu radiodifundir para todo o veículo, como manda a "tradição" em Portugal, para este ter de ser imediatamente suspenso. Na realidade o condutor deve simplesmente abster-se de radiodifundir o que quer que seja, excepto se fôr para auscultadores individuais.
Mas parece que questões de lógica elementar nem sempre são evidentes em Portugal...
A propósito de uma suposta "tradição católica" (onde é que já se ouviu isto?) pôde ler-se nos jornais portugueses escritos de pessoas que vêm a terreiro contestar uma medida que só ainda não foi aplicada porque não se fez cumprir a lei e que não belisca um milímetro que seja a fé católica, ou outra, de qualquer fiel que tenha o mínimo de razoabilidade.
As escolas europeias não podem ostentar simbolos religiosos. Mesmo que sejam da religião que alguns dizem fazer parte da "cultura europeia".
Cultura também é a actualidade, que um dia será "tradição", da qual fazem parte hábitos culturais considerados elementares por grande parte dos cidadãos dos países europeus, hábitos esses que infirmam a afirmação de que a religião católica seja uma característica da sua cultura.
Hábitos "novos" que têm de ser interiorizados e respeitados pelos arautos da "tradição" (já se pensou quão absurdo e inaceitável é, na actualidade, o ditado popular, muito "tradicional", que diz "entre marido e mulher ninguém mete a colher", "máxima" esta em correspondência directa e total com uma mentalidade que suporta e branqueia actos de selvajaria que persistem na sociedade portuguesa?). AST

















Pasen y beban, de farra con la danza

Por Joaquim Noguero

Hablar de novedad a propósito de cualquier arte parece siempre que tenga que implicar dificultades, elitismo, insalvable complejidad. A veces no hay más remedio. Un artista crea estableciendo órdenes y jerarquías personales por encima de un enorme legado. No parte de cero. Entra en conversación con lo que le interesa de otros, con el pasado de su tradición, con el suyo propio (personal y creativo) y también con el de otros colaboradores (bailarines, escenógrafos, músicos) con los que cuenta en un momento concreto para una coreografía. Uno ni siquiera puede disfrutar plenamente las pequeñas libertades del estilo neoclásico si no tiene con qué compararlo, clásico o contemporáneo. Y menos complacerán aún propuestas al linde mismo de la performance si no se conocen y comprenden determinadas concepciones contemporáneas con respecto al cuerpo, el espacio o la sociedad de algunas líneas creativas desarrolladas por las artes plásticas.
Hay obras, sin embargo, que son la excepción que confirma la regla: trabajos que deben sus mejores virtudes a las capas que albergan bajo el caparazón pero que, a primera vista, no asustan por lo que esconde la tosquedad o la sencillez de su corteza. Y, en el panorama español de la danza, el espectáculo De farra, de Roberto Oliván, se presenta seductoramente como un soplo de aire fresco. Nos sorprende su mezcla de inmediatez física y emocional, de elaborado trabajo de taller y de leve sugerencia de las historias que cabe suponer en los personajes con los que a su vera la escena se llena de texturas cinematográficas. Así nos seduce su suma de imaginación y vida real, plena y palpitante, su aporte de elementos de circo, danza, teatro y cine, sus aires naturalistas de barrio auténtico y de nomadismo, su imaginativa elaboración de ruidos y ritmos dispuestos juguetonamente como música,. ¿Alguien da más?
Como bailarín y coreógrafo, Roberto Oliván (Tortosa, en la provincia de Tarragona, 1972) se ha educado en Bélgica, donde aún tiene afincada su compañía (www.enclaveinn.be). Estuvo dos años en PARTS (Performing Arts Research and Training Studios) y entró en la compañía belga Rosas. Cuatro años después, se atrevió ya con la suya propia: la Roberto Olivan Enclave Dance Company, una especie de agitado parque de atracciones que le incluye a él como bailarín, a un breaker marroquí contactado en el metro de París, a un rumano, a un eslovaco de etnia gitana que da ese tono de música zíngara a algunas escenas, mezcla de bohemia y nomadismo, y así hasta siete miembros. No es extraño que la compañía parezca una troupe circense. Ése ha sido el envoltorio formal escogido para De farra. Un cierto aire de circo se presentó a Oliván como un formato mucho más adecuado para recoger la diversidad de elementos que le interesaba poner en juego (y este microcosmos circense ¿no está hoy presente, además, en el mundo joven de los okupas y del movimiento antiglobalización, tan propensos a los juegos de malabares y de tragafuegos, por poner sólo un par de ejemplos?).
¿De qué trata De farra? Pues de lo que el mismo título designa, tanto argumental como temática o estructuralmente. Pongamos que presenta el encuentro entre una serie de gente, la feliz reunión de unos personajes populares, vecinos de suburbio, emigrantes de muy distintos lugares lejanos del mundo, que se juntan todos con sus respectivos bagajes humanos, folklóricos y expresivos, y juntos hacen gala en seguida de sus ganas de divertirse en grupo. Dramatúrgicamente, lo que relaciona sus distintas aportaciones son las ganas o la necesidad de diversión, de fiesta, de encuentro, de fiestorro multicultural, de juerga y desmelene, todo lo cual concede al proceso creativo una enorme libertad compositiva. Nada de ello resulta gratuito ni evasivo, el coreógrafo traslada al escenario una realidad omnipresente en las ciudades europeas: la convivencia multicultural, la precariedad de trabajo y vital y, con ello, la lógica necesidad de evasión, de recreo compartido, de confraternización.
Este entusiasmo se contagia al público. El espectáculo empieza y termina siempre como un pasacalles, delante del teatro, con un par de músicos jaleando a la gente y con los bailarines invitándola a mover el esqueleto y a acudir al teatro. Una vez dentro, la maquinaria musical del francés Pierre Bastien (París, 1953) parece introducirnos con su sola presencia en un universo mágico. Bastien construyó en 1977 su primer ingenio musical, máquinas imposibles de las que extrae sonidos y composiciones. Desde entonces hasta ahora ha diseñado sorprendentes y elaborados engranajes, y su actual adecuación al universo urbano de De farra es absoluto. Música y propuesta dramatúrgica comparten la capacidad de convertir en arte, en poesía, materiales de deshecho reciclados y recreados. Ambas cuentan con la habilidad de convertir la mecánica del oficio artesanal en un juego creativo. Ambas se complacen también en la simplicidad: parten de piezas sencillas y las engrandecen con su cosido, con la combinación y la cocción de sus componentes, finalmente muy por encima de las expectativas que generaban por separado (aquí 1+1=3 porque la operación es biológica, fecundante, orgánica y no matemática). Y, finalmente, música, coreografía y dramaturgia coinciden sobre todo en su gusto por el juego como principal instrumento creador. Es su espíritu lúdico lo que tanto anima los juguetes musicales de Bastien como el encuentro de los personajes que Oliván nos presenta estando de farra, con sus cantos y bailes, desde la sintaxis compositiva del estilo contemporáneo que lo integra todo hasta las puntuales pero enriquecedoras aportaciones léxicas del hip hop, el breakdance o los distintos ritmos étnicos de sus integrantes (eslavos y árabes).
Esta sociedad es contemplada de primera mano, sin rodeos, como tantas veces lo ha hecho el cine, incluso cuando se recurre como en este caso a materiales reciclables y de segunda mano. La textura conseguida remite ciertamente a este otro medio de comunicación, pero no al de ficción y gran formato norteamericano, sino a modelos europeos con más visos de autenticidad cercana, incluso al moderno documental de creación cuando se acerca a realidades como la del Raval barcelonés en un caso como En construcción (2000) de José Luís Guerín. Las melodías nacidas de la repetición de engranajes mecánicos en De farra, esta recreación de un universo suburbano casi futurista, recuerdan escenas análogas como esa del film francés Delicatessen (1990), de Jean-Pierre Jeunet y Marc Caro, donde el protagonista empieza a hacer chirriar rítmicamente los muelles de la cama donde está sentado con su chica, en una coreografía de seducción tan divertida como enternecedora. Y el aire zíngaro de la parte más de pasacalles de De farra, así como el primer encuentro entre los protagonistas, cuando chulescamente se retan nada más toparse a ver quien baila mejor, recuerda planteamientos de fiesta parecidos al de ese gozoso enfrentamiento musical entre judíos centroeuropeos y gitanos de los Balcanes, como relajamiento en su huida del Holocausto nazi, del mucho más reciente El tren de la vida (1999, de producción franco-belga precisamente), un largometraje del rumano Radu Mihaileanu: otra farra que era como un grito necesario en medio de la locura y la desolación imperantes. He sabido luego que éstas no son asociaciones mentales nada desencaminadas o excesivamente personales. Aquí las planteo, en cualquier caso, como analogía, para dar cuenta de una atmósfera, de unas texturas: nunca como fuente. Pero resulta que Oliván se inspiró ciertamente en universos parecidos: el de las películas (y, en consecuencia, en su música) de Emir Kusturica (Bosnia, 1954), largometrajes como Underground (1995) y Gato negro, gato blanco (1998): ese mundo loco y real a un tiempo, fascinante y de un cierto onirismo futurista, pero humilde y lacerado. Sin duda todo esto añade resonancias a la creación de Oliván, pero no nos confundamos: no nace ahí. Sus bailarines son rumanos, eslavos y árabes. Y sus mismos orígenes personales como catalán del sur (Tortosa), casi en la frontera valenciana, le dan el puntillo de un cierto gusto fallero que puede llegar a germinar con la fuerza de una Sol Picó o de un Carles Santos. Así, en De farra no se representa un universo itinerante y nómada: sus integrantes lo son y se muestran como tales en sí mismos, con la diversidad de sus distintas geografías de partida y de los lenguajes expresivos a los que recurren, dando cuenta a un tiempo de la situación presente en el hervidero cultural de nuestros arrabales urbanos.
Una de las virtudes de Roberto Oliván fue darse cuenta de que podía contar con un envase formal capaz de acoger con mayor naturalidad que la danza contemporánea todos estos componentes: el formato del circo. De farra es un “pasen y vean” reconvertido por la fiesta y la suma de componentes en un “pasen y beban” mucho más desmadrado, porque no se acoge a la simple alineación de números del circo sino a su organicidad interna y a la libertad y aventura de su halo mítico. Ya lo reconoce así el vídeo con el que se inicia el espectáculo: dicha proyección videográfica sirve para adentrar al espectador en un itinerario mágico, en una especie de viaje aventurero hacia otro país de las maravillas (la música de engranajes y mecanismos de relojería conlleva resonancias parejas) y el juego con todos los personajes que se crucen en su camino. Pero, al mismo tiempo, los dibujos de ese vídeo de animación inicial remiten directamente al mundo del circo como un reconocimiento implícito de una de sus claves. El paso del vídeo a la escena nos sitúa en seguida en ese mismo ambiente (además de otorgarle el tono naturalista cinematográfico ya comentado) cuando los personajes entran en el escenario a cuestas de un achacoso motocarro de tres ruedas. Reivindicar el circo es subrayar lo artesanal del teatro frente a la espectacularidad tecnológica, representa reclamar un arte pobre, sencillo, cercano, inmediato, compartido en tiempo presente, por delante de la exhibición superflua. E implica también la posibilidad de asumir como propias cualidades del pequeño microcosmos circense que, incluso como antídoto, podrían considerarse recomendablemente extrapolables al acelerado mundo de cambios actual. Al fin y al cabo, el circo es el emblema máximo de un mundo donde la diferencia y la diversidad son extremas sin que dejen de vivirse en ejemplar convivencia: el enano al lado de la mujer barbuda, el payaso cerca de la contorsionista o del forzudo de feria. Con integrantes procedentes de cualquier rincón del mundo, el circo ha sido siempre una babel gozosa.
Todo esto está en la obra. Como un juego. Con una gran capacidad de seducción. Con la modernidad innegable que le otorga servirse de elementos tradicionales, folklóricos, ancianos, urbanos, de segunda, y etcétera y etcétera. Y con la valentía de hacerlo sin complejos y con auténtico compromiso hacia los pequeños mundos que nos rodean. Esto es modernidad con base, modernidad sin esnobismo, modernidad con raíces y sin fosilizaciones, en perpetuo cambio. Hay una línea creativa en Francia que, por este camino del humor y de la aparente sencillez formal, relacionaría la compañía de Oliván con la Cia Montalbo: la apuesta por una complejidad invisible, por la transparencia e inmediatez formales, puestas con humor al servicio de la babel europea como nueva tierra de remisión ante hornadas globalizadoras neocons, neocapitalistas y neofundamentalistas (laicas, cristianas o islámicas, da igual, puesto que la marca de la bala con la que se dispara es lo de menos). Con lirismo, estilizados en estilo contemporáneo, el dolor y las compulsividades contemporáneas también tienen su lugar en la pieza, como en esa expresiva coreografía de uno de los bailarines llenándose la boca de caramelos, a punto de explotar las mejillas, los ojos idos. Que se apueste por soltar lastre, no significa que De farra cierre los ojos a nada. Los tiene tan abiertos como los de la gente que retrata. Y pide pista. Abran paso.
















A polícia teve de actuar esta semana para salvar in extremis uma das tribos mais isoladas da bacia do Amazonas, no Brasil. Foram detidas 29 pessoas. A operação ocorreu depois de um numeroso grupo de indivíduos ter invadido as terras ancestrais da tribo Rio Pardo, no estado de Mato Grosso, no Nordeste do país. Os detidos incluíram vários homens de negócios, madeireiros e fazendeiros. "Já não há mais intrusos na região", disse Marcos António Farias, chefe da polícia de Cuiaba, capital do estado, às agências noticiosas. Alguns dos invasores serão membros de uma associação local de proprietários de terras. O grupo Rio Pardo é muito pouco conhecido. A última vez que houve notícia dele foi há poucos dias, quando a televisão brasileira transmitiu imagens de vários indígenas da região cortando o tronco de uma árvore. A Federação Nacional do Índio vem avisando contra a sua "aniquilação" se não forem tomadas medidas para o proteger. http://indios.blogspot.com (Dezembro 03, 2005)















Povo Miqueleno faz assembléia sob ameaça

A 5a. Assembléia anual do povo indígena Miqueleno, realizada entre os dias 29 de novembro e 1o. de dezembro em Porto Murtinho, no município de São Francisco de Guaporé,Rondônia, somente pode iniciar sob proteção policial requerida pelo Ministério Público Federal, depois que um numeroso grupo de fazendeiros e colonos invadiram a casa do líder indígena Tanadi Miqueleno.
O motivo da invasão foi o trabalho da comissão interinstitucional, criada pelo Ministério Público Federal, com objetivo de delimitar o território tradicional deste povo indígena Miqueleno, que tem cerca de 170 sobreviventes, disseminados em diversas localidades do estado de Rondônia.
Eles realizam seu encontro anual e pedem a demarcação de seu território tradicional, além de educação e saúde específicas e diferenciadas. Os Miqueleno lutam pelo direito de voltar a Limoeiro, de onde foram expulsos pelo Ibama em 1986 para a criação da Reserva Biológica do Guaporé. Outra parte de seu território foi loteada, vendida ou grilada por fazendeiros. A perspectiva do reconhecimento oficial do território tradicional Miqueleno provocou reação dos atuais ocupantes do território indígena, que temem perder as terras em litígio.
Os Miquelenos estão sendo atemorizados e ameaçados, e solicitam proteção policial. (Pe. Josep Iborra, cmf)
http://www.cimi.org.br (02/12/2005 - 13:53)

















2005/11/25

CONCERTOS PARA VIOLINO E ORQUESTRA DE SHOSTAKOVICH E PROKOFIEV

A generalidade das etiquetas "convencionais" perceberam que tinham que fazer re-edições a preços reduzidos no sentido de equilibrarem a quebra, que se verifica desde há alguns anos, na venda de cd's a "preço forte", preço este que também tem vindo a descer. Ainda que tal abaixamento não se note em Portugal...

Excluindo as re-edições da Brilliant Classics e associadas e as de uma etiqueta produzida nos Eua que re-edita gravações de grandes intérpretes russos, da qual falaremos em breve, as re-edições da série encore da Emi estão entre as que oferecem melhor relação qualidade-preço.

Assim iremos assinalar a re-edição, a um preço de venda ao público que varia entre os 5 e os 6,5 euros, dos concertos para violino de Sergei Prokofiev numa excelente interpretação do violinista Frank Peter Zimmermann, acompanhado pela Berliner Philharmoniker sob batuta de Lorin Mazel. A qualidade sonora do concerto nº1, gravado em 1987, é relativamente fraca, orientando-nos pelos elevados padrões a que a gravação digital nos habitutou. Já o concerto nº2, com a Philharmonia Orchestra dirigida por Mariss Jansons, gravado 1991, assim como a sonata para violino e piano nº2 (com Alexander Lonquich ao piano), curiosamente também gravada em 1987, revelam uma sonoridade de muito melhor qualidade.
Apesar disso a interpretação do concerto nº1 é dotada, como seria de esperar destes intérpretes de eleição, de uma qualidade artística fora-de-série. Zimmermann revela uma elevada uniformidade tímbrica que, com o trabalho de contraste que exigem estes concertos a que o violinista responde com grande intuição, nos dá um resultado caracterizado pelo grande nível técnico-interpretativo.

Claro que podemos sempre comparar o desempenho de Zimmermann com a de Maxim Vengerov, que acompanhado pela London Symphony Orchestra tutelada por Mstislav Rostropovich, gravou os primeiros concertos para violino e orquestra de Prokofiev e de Dimitri Shostakovich para a Teldec no ano de 1994.

Vengerov tem uma sonoridade mais intensa e é um violinista mais expressivo. Zimmermann é um artista mais introvertido e conceptual, ainda que no primeiro andamento do concerto nº2 utilize um vibrato exagerado, por vezes irritante. De resto, no que toca exclusivamente à obra, o segundo concerto para violino de Prokofiev, se comparado com o primeiro, não passa de um fait-divers, de uma obra pouco conseguida.
O início do primeiro concerto de Prokofiev é simplesmente maravilhoso sob os dedos de Maxim Vengerov cuja paleta dinâmica é mais alargada mas mais desiquilibrada, revelando alguma heterogeneidade tímbrica entre os registos agudos e os médios e graves, onde consegue uma sonoridade envolvente e calorosa. Deve ter-se em conta que o instrumento Stradivarius que Vengerov utiliza tem um brilho muito intenso nos agudos o que pode acentuar esse desiquilibrio entre registos que de resto existe um pouco em todos os instrumentos de corda. No terceiro andamento do 1º concerto a dupla Vengerov/Rostropovich consegue re-criar de maneira mais fantástica o carácter onírico, se assim nos podemos exprimir, deste incrível movimento.

Quanto à impressionante obra que é o Concerto para Violino e Orquestra nº1 de Dmitri Shostakovich, a interpretação de Vengerov é fabulosa. Nesta criação de grandes rasgos o sombrio dramático de Nocturne (Moderato) convive com o nervosismo irónico do Scherzo (Allegro), onde o compositor introduz a sua assinatura pelo conhecido motivo ré - mi bemol - do - si, que na notação alemã é d - es -c - h (D. Sch), que o compositor mistura com temas da música tradicional hebraica numa identificação ao destinatário da obra: o grande violinista David Oistrakh. Este andamento introduz também o tema que serve de ostinato à Passacaglia e que é o motivo da violência extraído da ópera Lady Macbeth.
Concerto genial onde a profundidade meditativa da Passacaglia (Andante), que assume o carácter de um Requiem em memória das vítimas do regime, tendo por ostinato o simbólico tema da violência, desemboca na Burlesque (Allegro con brio), onde o ostinato do movimento anterior passa a tema, aqui re-trabalhado com toda ironia e sarcasmo típicos dos andamentos em forma de valsa que Shostakovich utiliza em algumas sinfonias e nos quartetos de cordas. O retomar do motivo da violência adquire aqui, no remate desta grande obra sinfónica com solista, a significativa mensagem de que a violência e a atrocidade tendem a perpetuar-se. Escusado seria dizer-se que esta criação só pôde ser estreada após a morte de Stalin...

Maxim Vengerov e Mstislav Rostropovich conseguem dar-nos uma visão grandiosa e empolgante desta obra de génio supremo, num registo que poderá estar muito próximo de "a referência". Seria altura da Teldec fazer uma re-edição, a preço competitivo, desta magnífica (também pela qualidade sonora) gravação realizada há mais de dez anos. AST
















O avá- guarani, o delegado federal e a justiça da "supremacia branca"

A cena apareceu no telejornal. O delegado federal foi incisivo: "ou você fala português ou não fala". A observação era para o índio avá- guarani, líder de um grupo que há dois meses e meio ocupa seu território ancestral, o Parque Nacional do Iguaçu. O líder avá iria determinar a saída dos avás do parque, cumprindo determinação de um juiz federal.

O líder avá- guarani não falou. Foi humilhante ver o líder de uma nação que já foi grande ser impedido de falar em seu idioma com seu povo. Mesmo que fosse para obedecer a injusta determinação da Justiça da "supremacia branca".

O policial federal e o juiz que determinou a saída dos avás do parque podem alegar que obedeciam as leis. E a lei, feita pela "supremacia branca", determina que o parque não pode ser habitado pelos seus históricos moradores, os avá- guarani. O parque pode ser explorado comercialmente e terceirizado para atrair turistas, de preferência gringos com moeda forte. Isso pode. É a tal parceria público privada que agrada aos paladares neoliberais. É o tal do sr. mercado, outra invenção da "supremacia branca".

Aos avá- guarani resta a miséria e o aniquilamento lento e desesperado na diminuta reserva demarcada para eles. Afinal, sua cultura não "agrega" valores econômicos ao Ibama e à Funai. Muito menos à sociedade mercantilista e cada vez mais insensível que temos. Pobres avá- guarani. Primeiro tomamos sua terra. Agora proibimos sua língua.

Mas tem também os ecologistas. Onde estão eles?. Antes, quando da reabertura da estrada do Colono, foram céleres em defender o fechamento da estrada, mesmo com todo prejuízo social para o confinado sudoeste paranaense que isso representou. Ou será que quando falam em defesa do ambiente não sabem que os índios pertencem ao meio? Será que 16 quilômetros de mata que a estrada corta são mais importantes para os nossos ecologistas que toda uma história da nação avá-guarani.
http://www.scalassara.com.br/lendo_publicacoes.asp?id=707
(23/11/2005 17:25:43)














PROPONEN AL GUARANÍ COMO SEGUNDO IDIOMA DE MISIONES
...
A través de una iniciativa parlamentaria la diputada del PJ, Blanca Acosta, pretende establecer al Guaraní como “Idioma Oficial Alternativo” de la provincia de Misiones. Quieren incorporar su enseñanza en todos los niveles del sistema educativo. Entre otras cosas, el proyecto de Acosta apunta a crear un “Órgano Permanente de Rescate y Revalorización de la Cultura Guaraní”, y promover la capacitación de docentes en este idioma, a través del Ministerio de Cultura y Educación. Pero la idea ya tuvo críticos, la secretaria general de la UDPM (mayor gremio docente de Misiones), Marilú Leverberg, dijo que primero hay que fortalecer el castellano.

Para la diputada “la lengua guaraní, heredada de la etnia autóctona precolombina, resistió a los años de conquista y se mantuvo viva en casi todo el territorio de la provincia. Es un patrimonio cultural que, por ser parte de la identidad del pueblo misionero, debe ser protegido y promocionado”.

Hoy en día el idioma Guaraní es hablado por aproximadamente seis millones de personas, principalmente en Paraguay, Bolivia, Brasil y Argentina.
http://www.ellibertadorenlinea.com.ar/paginas_moviles/pol_local/440.htm

















DO MERCADO LIVRE

As editoras discográficas querem ganhar dinheiro. Nenhuma delas é uma associação filantrópica, por mais que digam que só lhes interessa a "arte". Todos sabemos bem disso. No caso dos cd's o que impressiona é o descalabro entre o custo real e o preço ao público. Um pouco como os desiquilibrados e esquizofrénicos valores do imobiliário em Portugal, país periférico, onde se praticam preços da habitação idênticos ou superiores aos praticados no centro da Europa e em países onde o salário mínimo é três ou quatro vezes superior ao português. Trata-se do "mercado livre", em versão portuguesa, no seu esplendor máximo.
No caso dos compact disc's a revolução da Brilliant Classics foi demonstrar que com preços de venda ao público de 3 ou 3,5 euros por cd uma editora pode gerar lucros. E este é um dado irreversível.
É evidente que todas as esquizofrenias são possiveis. Até foi possivel, em Portugal, editar-se e vender-se ao "preço forte", com a chancela de uma conhecida casa internacional (emi), os "quadros" de um pianista que não consegue tocar uma escala correctamente. O problema é mais da editora que do pianista, pois ela, editora, demonstrou-nos, desta forma, que pensa estritamente nas vendas sem salvaguardar o mínimo de qualidade artística. Mas o mais interessante foi ver aquele registo inenarrável ser louvado por toda a "imprensa-referência" portuguesa. Claro que isto são "coisas à portuguesa" que não interferem, minimamente, com o fluir dos acontecimentos no mundo. Felizmente. AST
















2005/11/20

MARIA JOÃO PIRES INTERPRETA AS SONATAS DE MOZART

A Brilliant Classics teve a ideia genial de colocar à disposição do público a integral das sonatas para piano de Amadeus Mozart, gravadas no longínquo ano de 1974 pela grande pianista portuguesa, gravação esta feita em Tókio, dotada de uma muito excepcional qualidade sonora possuída por uma belíssima sonoridade cristalina. Já sabemos que esta etiqueta tem "mexido" com o mercado discográfico mundial que a olha cada vez com mais receio. Editar uns músicos holandeses dos quais ninguém ouviu falar, apesar de serem excepcionais, ao mesmo tempo que re-edita um Gilels ou um Richter que estão mortos, é uma coisa. Re-editar uma pianista viva e activa, que actualmente grava para a mais prestigiada etiqueta de música clássica do mundo, é outra. Sobretudo se se trata de um registo que corre o risco de se tornar um marco na interpretação do compositor austríaco. Mas assim é. Felizmente para a humanidade. Será escusado acrescentar que o preço do estojo de cinco cd's da Brilliant Classics arruína toda e qualquer concorrência. O que não é nada bom. A verdade é que a "concorrência" recusa rever os preços artificiais e inaceitáveis dos cd's. Assim sendo não é de prever grande futuro para as etiquetas que parecem não perceber que nos tempos que correm cd's a 15 e 20 euros não são minimamente aceitáveis e acabarão, um dia não longínquo, por ficar nas prateleiras na sua quase totalidade.

Agora voltemo-nos para a música que é para isso que por aqui andamos.
Quando se trata de um vulto grande da interpretação musical, como é o caso, as comparações ajudam-nos a tentar objectivar aquilo que intuímos logo ás primeiras audições. Um grande só pode ser comparado com outro grande mas neste caso, dado que Maria João foi durante muito tempo considerada como a maior, ou uma das maiores intérpretes de Mozart, vamos compará-la com ela própria.

No ano de 1984, exatamente passados dez anos da gravação que nos ocupa (foram ambas realizadas durante o mês de Fevreiro), Maria João voltou a gravar algumas sonatas de Mozart para a Erato. Num dos cd's gravou a Fantasia Kv 475 seguida da sonata em Dó menor Kv 457, tal como tinha acontecido na década anterior. Ambas as peças estão na sombria tonalidade de dó menor. Foi uma gravação muito saudada pelo público e pela crítica. Em 1984 Maria João já era uma vedeta internacional.

Que conclusões extrair de uma audição comparativa?
Sem termos que ouvir e refletir longamente, a interpretação de 1974 é nitidamente mais espontânea, utiliza andamentos mais rápidos mas é mais clara porque existe uma utilização muito mais criteriosa do pedal de sustentação, sendo na generalidade uma realização mais inspirada. Em 1974 Maria João estava em sintonia com a imensidão do génio mozartiano onde a espontaneidade é alimentada pela genialidade da sua inesgotável e fluída inspiração. Em 1984 a interpretação é mais artificial, artificialidade que se manifesta, nomeadamente, no "forcing" contrastante e nos andamentos mais lentos que adoptou, provavelmente para reforçar o carácter dramático de obras onde o dramatismo tem de ser conseguido de forma espontânea e intuitiva, tal como o que realizou na década anterior. Também se verifica um pedal mais fundo que quebra a clareza luminosa que conseguiu em 1974, ano em que concretizou o que será, provavelmente, a "grande-referência" das sonatas para piano de Wolfgang Amadeus Mozart. AST




EX-DIRECTOR DE LA FENICE?

Propomos-lhe um pequeno exercício de carácter lúdico.
Entre na página do Teatro La Fenice (www.teatrolafenice.it). Aquele onde supostamente o actual director-artístico do Teatro Nacional de São Carlos em Lisboa exerceu cargo idêntico.
Ao entrar na referida página abrir-se-á uma janela que diz "Archivio Storico/Digitale della Fenice". Tenha a bondade de clicar. Irá dar aqui: http://81.75.233.46:8080/fenice/GladReq/index.jsp
Em baixo de "Schede informative" clique em "Persone". Colocando o apelido e o nome do actual director artístico do TNSC sair-lhe-á isto:
Pinamonti, Paolo - Nuova vers. mus., 1985; Relatore, 2000; Ripr. finale napoletano 1831, 1988; riprist. vers. orig., 1987
Aparentemente o actual director-artístico do TNSC nunca exerceu cargo idêntico no La Fenice... AST



Abuse payout for native Canadians

Canada has offered to pay more than C$2bn (US$1.7bn) compensation to indigenous people who were abused at government-funded residential schools.
Some 80,000 people who attended the schools over decades are eligible.
About 15,000 of them have begun legal claims against the government and Church, which ran the schools - to be dropped if they accept the deal.
The draft package must still be agreed by the courts but has been welcomed by indigenous leaders.
Thousands of former pupils at the 130 boarding schools have made allegations of physical and sexual abuse spanning seven decades.
...
Justice Minister Irwin Cotler described the abuse which took place as "the single most disgraceful, racist and harmful act in our history".
He said he hoped the settlement would mark a turning point for Canada.
http://news.bbc.co.uk/1/hi/world/americas/4465102.stm


Today marks the first step towards closure on a terrible, tragic legacy

Phil Fontaine
First Nations chief



Frente Parlamentar em Defesa do Povo Pataxó Hã-Hã-Hãe e Tupinambá de Olivença

Reza o bom direito que, para se atingir a justiça social, é necessário que o Estado trate “desigualmente os desiguais”, na medida de suas desigualdades, para que estes se igualem. Os povos indígenas e as comunidades negras formaram a mola mestra que impulsionou o surgimento da Nação Brasileira. O Brasil foi gerado às custas do massacre de milhares de índios que, ao longo de centenas de anos, foram sendo expulsos de suas terras, ora por conta da escravidão, ora por conta da exploração do pau-brasil; da expansão da criação de gado; da busca pelas riquezas contidas nas seringueiras; e, mais recentemente, pela atividade cacaueira na região Sul do Estado da Bahia. Em todos estes casos, o Estado Brasileiro, à revelia de suas próprias normas constitucionais, fez a temerária opção de aprofundar as desigualdades sociais de nossa Nação ao relegar aos povos indígenas o desterro em solo que consideram sagrado e que, por direito, lhes pertence. Desta forma, privilegiou as camadas sociais mais abastadas e influentes politicamente, em detrimento daqueles que deveria cobrir com o manto da dignidade e da justiça social.
Segundo fontes do Conselho Indigenista Missionário, nestes mais de 500 anos de “achamento” do Brasil, mais de 1470 povos indígenas foram extintos. Restaram aproximadamente 235 povos distribuídos em 841 terras indígenas, que ainda preservam suas 180 línguas. Milhares foram morar nos centros urbanos e perderam suas identidades étnicas. O Censo Demográfico do IBGE de 2000 aponta a existência de 734.131 índios no Brasil; os índios baianos representam 8,75% da população indígena brasileira, o que equivale ao número de 64.240 índios. (documento completo em http://www.cimi.org.br/?system=news&action=read&id=1586&eid=342)



Música de origen mapuche

Beatriz Pichi Malen, mensajera de la palabra entonada

Escribe Mariana Fossati

Desde Bahía Blanca - Argentina

Una de las notas por las cuales la autora obtuvo una Mención Especial en el XIII Premio Latinoamericano de Periodismo José Martí. Fue publicada originalmente el 22-07-04


Beatriz recuerda la escena con precisión: fue cuando era adolescente. El cuerpo le avisó que algo no andaba bien y ella decidió “ponerle oído al cuerpo, como dicen las viejitas mapuche”. Fue así que se sentó frente a su madre y le dijo que algo le pasaba, pero que no podía precisar qué era.

-Entonces habrá que volver a Los Toldos -dijo la mujer.

Beatriz había nacido allí, y su familia había sido despojada de su tierra y echada de ese pueblo de la Provincia de Buenos Aires.

-¿A qué vamos a volver? Yo no tengo nada que ver, ahí no conozco nada.

-Usted nació ahí.

Esa respuesta corta fue el comienzo de una larga búsqueda, la de la identidad de quien hoy es cantante mapuche: Beatriz Pichi Malen. El primer viaje lo hizo con su madre, y tiempo después reflexionó que “fue un gran acto de amor el de ella porque hay que ser desalojado del lugar y volver”. En esos primeros viajes Beatriz empezó a preguntar a la gente de Los Toldos por los mapuche , sin saber cómo hacerlo, pero con la convicción y el deseo de querer llegar a la verdad. “Recuerdo que lo primero que nos dijeron cuando nos servían el café con leche una mañana de mucho frío fue: acá no hay indios, con un desprecio como diciendo ¿qué viene a buscar acá? Esto de andar me enseñó también a preguntar, y entonces no me encontré con respuestas tan duras, me encontré con respuestas, y en algunos casos con silencios”.

Con la insistencia y los viajes sucesivos a su pago natal, se encontró con algunos parientes y pudo comenzar a ahondar en la cultura mapuche. Pero aquella época no era la mejor para preguntar, Beatriz se encontró en Los Toldos con que había una gran negación del ser mapuche, cosa que hoy ya no sucede. “Esta cuestión de no ser, no querer ser, querer parecer. Con los años yo me vengo a dar cuenta de que eso trasunta un gran temor, el querer parecerse a quienes nos invadieron, nos impusieron y nos sojuzgaron. Indudablemente nunca se va a ser como esa agente, ni desde el aspecto ni desde lo interno. ¿Pero por qué nuestra gente quiso ser de esa forma, parecerse así? Justamente porque lo otro era sinónimo de muerte, entonces mejor callar todo. Parecerse al invasor era una forma que aquellos antiguos que sobrevivieron decidieron para poder seguir viviendo.”

A pesar de que ya pasaron muchos años del comienzo de la búsqueda de Beatriz Pichi Malen y de que hoy canta en lengua mapuche por los más diversos lugares de Latinoamérica y el mundo, es consciente de que el trabajo nunca está completo. “Yo no dije un día: ¡eureka, ya sé quién soy! porque todavía estoy en esa búsqueda de partes, pedazos de una cultura que estamos tratando de recuperar entre todos, de reorganizar y de poner en funcionamiento”.
(trabalho completo em http://www.ellibertadorenlinea.com.ar/paginas_moviles/cultura/239.htm )


EE.UU. advierte a España que no venda armas a Venezuela

PRESION DE LA CASA BLANCA: UN CONTRATO POR 2.000 MILLONES DE DOLARES

Se trata de 10 buques y 12 aviones que incluyen tecnología estadounidense. Para Washington, la venta es "un factor desestabilizador" en Latinoamérica. Madrid afirma que "es una cuestión entre empresas".

El litigio entre España y EE.UU. por la venta de ocho naves patrulleras, dos buques de aprovisionamiento y 12 aviones a Venezuela, se agravó ayer cuando el embajador norteamericano en Madrid, Eduardo Aguirre, afirmó que su país esperaba que el compromiso no se firme el próximo 28 como está previsto. Añadió que las naves y los aviones "incluyen tecnología norteamericana" y que Washington debe decidir si concede su "permiso para esa utilización".

Se trata de la mayor operación de este tipo en la historia de la industria de defensa española ya que alcanzará un total de 2.000 millones de dólares. Chávez quiere otorgar a la firma de la operación el mayor contenido político. Por eso espera que el ministro de Defensa español, José Bono, viaje a Caracas para la suscripción del acuerdo. Este fin de semana, el presidente venezolano dijo que el acuerdo con España es una prueba de la "derrota" de Estados Unidos. "España dijo 'no' a la pretensión de Washington para que no nos vendieran esos equipos. El doctor Pepe Bono viene a firmar los contratos", señaló Chávez.
...
A su vez, el canciller español, Miguel Angel Moratinos, sostuvo que la operación es una "cuestión entre empresas" y se negó a opinar sobre el derecho de veto que se arroga EE.UU.
www.ellibertadorenlinea.com.ar/paginas_moviles/pol_internacional/613.htm



A silenciosa violência dos nossos brandos costumes

Portugal, que se orgulha pachorrentamente dos seus brandos costumes, não é em brandura que se excede ao conseguir ficar à frente da maioria das nações Europeias no campo da violência doméstica e ser campeão absoluto dos dezassete países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) em 2004, no que toca à violência contra crianças.
Esta façanha colectivamente caseira de abusar fisicamente e matar de maus tratos as mulheres e as crianças traduz-se numericamente nas assustadoras cifras de 4 mulheres mortas por semana no primeiro semestre de 2005 e, em média, 66 crianças anualmente mortas por maus tratos e negligência, existindo 150 mil crianças a viver no limiar do perigo. http://pt.indymedia.org (23-11-2005 às 17:55:18)



Sofia: Protestos contra as bases militares americanas na Bulgária

A 12 de Novembro ocorreu em Sofia (capital da Bulgária) um protesto contra as bases militares dos Estados Unidos, situadas nos arredores das vilas de Novo Selo, Bezmer e perto do porto de Burgas. Mais de 500 pessoas marcharam nas ruas centrais de Sofia, manifestando a sua posição contra as bases militares. O protesto terminou em frente do Teatro Nacional "Ivan Vazov". No protesto participou um bloco anarquista de grupos autónomos e anti-autoritários denominado "AnarchoResistance" (cerca de 60 pessoas). Alguns nacionalistas do BNS (União Nacional Búlgara) estiveram também presentes mas abandonaram o local rapidamente depois da manifestação.
Na noite de 10 de Novembro dois activistas foram detidos e brutalmente agredidos quando colavam cartazes convocando o protesto perto da Sinagoga. A policia alegou que Vladimir Trichkov e Stefan Andonov estavam colando os cartazes no muro da Sinagoga (o que é uma completa mentira!) e eles resistiram à ordem de prisão. A sua presença na área da Sinagoga foi usada pela Policia para os acusar de escreverem palavras de ordem «anti-semitas» e «nacionalistas» (o que é completamente falso!). Desde 12 de Novembro os dois encontram-se em greve de fome depois da recusa pela policia dos pedidos de ajuda médica e de visita dos seus familiares. Foram ambos acusados em processo sumário. O Ministro do Interior, Rumen Petkov, reconheceu no fim de semana o "trabalho perfeito" dos dois policias que prenderam Vladimir e Stefan, tentando com isto pressionar o tribunal e convencê-lo da «culpa» dos dois activistas. http://www.indymedia.org/pt (22 Nov 2005)
Marco Aurelio Treuer, aún camina libre por las calles!!


A 3 años del asesinato de Alex Lemun a manos de la policía

El 7 de noviembre del 2002 mientras el joven (17) Alex Lemun participaba junto a su comunidad de una recuperación de tierras apropiadas por la empresa forestal Mininco fue impactado por un balín de acero (al igual que Daniel Menco en el ‘99) de la policía antimotines. Alex sufrió la agonía durante 5 días en el Hospital Regional de Temuco, para posteriormente perecer. http://valparaiso.indymedia.org (7 de Noviembre)



A QUIEN COMBATE POR LA VIDA, NO LO MATA NI LA MUERTE
...
Así, el Estado chileno y su democracia capitalista se han caracterizado por una política permanente de represión, encarcelamiento y asesinato de chilenos y Mapuche. Desde 1990 a la fecha, cientos de compañeros han sido apresados por luchar, muchos son perseguidos y más de 30 han sido asesinados durante el período democrático.
Reivindicamos a nuestros luchadores y luchadoras, reconocemos en ellos la mejor calidad humana, la entrega, la generosidad, y denunciamos el intento sistemático de criminalizar las luchas sociales catalogando a los mejores hombres y mujeres como delincuentes, como antisociales. Quienes han dado su vida por una transformación profunda de la sociedad, no pueden ser sino nuestros hermanos/as.
Luis, Aldo, Julio, Ariel, Emilio, Odin, Enrique, Ignacio, Sergio, Juan, Mauricio, Fabián, Alex, Pablo, Mario, Andrés, José Miguel, Pedro, Mauricio, José Luis, Norma, Alejandro, Yuri, Raúl, Francisco, Fernando, Claudia, Daniel, Alex, Carlos, Alfredo...
lucharon contra el capital, por la conquista de los derechos del pueblo, por una democracia justa y verdadera, por territorio autónomo, por una vida verdadera para todos/as...
...
1990-2005: 31 compañeros y compañeras asesinados en "democracia"...

http://chilesur.indymedia.org




Se rebelan indígenas de Tianguistenco y deciden luchar por su dignidad

Detenciones arbitrarias los obligan a migrar a Estados Unidos

http://mexico.indymedia.org/tiki-index.php (08-nov-05 02:25 UTC)



AS PALAVRAS NÃO DITAS

Nélia Pinheiro, da Companhia de Dança Contemporânea de Évora, apresentou a coreografia com aquele título, sob supervisão de Susanne Linke que "poliu" o trabalho de portuguesa até ao resultado final que pudemos ver no dia 19 na "box" do CCB.

Este trabalho da bailarina-coreógrafa portuguesa, supervisionada pela histórica Susanne Linke, constitui-se como um marco na dança contemporânea portuguesa. Nomeadamente porque há uma singularização estética que mantém laços evidentes com a história recente da dança. Nélia é claramente uma artista pós-Pina Baush (tal como na música há o ante e o pós Schoenberg, por exemplo, também na dança há o ante e o pós Pina), encarnando uma estética já longe da ironia-kitsh de Pina Baush(evidentemente que não nos estamos a referir à Pina dos últimos inócuos trabalhos, nem seria necessário dizê-lo...). O corpo trabalhado por Nélia é o corpo instrumentalizado (o da manuseabilidade a que o instrumento se presta tratado por Heidegger) que resulta, ciclicamente, num corpo convulsionado. O trabalho de Nélia não é um trabalho esteticizante. Basta olhar para um cenário feito de "quase detritos". É o trabalho de um corpo trespassado por uma instrumentalização insuportável que o conduz à ultrapassagem do limite. Aí já não funciona, já não se presta ao manuseamento nem a qualquer funcionalidade: é o corpo convulso.

O trabalho do espaço é também claramente pós-Pina: é um "open space" demarcado pelos instrumentos que servem também de filtro ao olhar do público e de lugar de demarcação. Não existem "gags" dirigidos ao público, nem existem saídas para a plateia. O espaço dramático não pretende integrar o público que simplesmente está lá para testemunhar. O espaço dramático extravasa da "cena", não na direcção da "plateia" mas noutra qualquer direcção, no final, pelo som. Pelo som daquilo que já perdemos de vista, que já se escapou (a mala de viagem esteve omnipresente, como simbolo e no final fica em "cena"). O som dos passos de uns pés mal inseridos nuns sapatos altos, brilhantes, que não encaixam.AST


SHEN WEI DANCE ARTS

A célebre Sagração da Primavera, na versão de Fazil Say para piano a quatro mãos, é aqui trabalhada pelo coreógrafo, cenarista e figurinista Shen Wei de maneira totalmente diferente que aquilo que estamos habituados a ver quando se coreógrafa esta obra.

Nada de simetrias sistemáticas. Nada de posssantes e vigorosos movimentos de conjunto geometrizados. Nada de inspirações em "danças tribais". As simetrias são pontuais e regra geral em dupla simetria (dois grupos fazem simetria diferentes), os movimentos são redondos e nunca há utilização da força simetrica do conjunto. Aqui o movimento emerge do chão desenvolvendo-se para cima e para os lados, ao contrário da generalidade das coreografias da "sagração", onde os movimentos mais característicos são sobretudo no ar (saltos repetidos em simetria).

Trata-se portanto de algo diferente, subtilmente trabalhado, em que em vez da potência do grupo há um (a) bailarino (a) que desencadeia movimentos diferenciados em cascata, como de diferentes solos se tratassem, o que resulta num trabalho, bem conseguido, de estetização do movimento utilizando uma obra musical fundamentalmente ritmíca. O interessante deste trabalho é exatamente a forma inteligente como o criador trabalha e conjuga o carácter da obra musical com um trabalho de estética visual e do movimento.

Já em Folding onde utilizou cânticos tibetanos e música plasmada, pobre em acontecimentos, de John Tavener, Shen Wei situou-se na estetização da imagem. Os movimentos muito lentos levam-nos a concentrar-nos nas figurações que lentamente se vão construindo num despojado fundo oceânico. A cenografia, os figurinos e o tipo de movimentação dos "seres", conduzem-nos a um universo habitado por uma fantástica irrealidade. Seres híbridos, por vezes siameses que se desconstroem, deslocam-se contemplando a luminosidade que brota da superficie (ou contemplando o vazio à sua frente), para a qual se projectaram, finalmente, em lenta e espectacular ascensão, quando a noite caiu... Um trabalho que arrancou prolongados bravos do público que enchia completamente o grande auditório do CCB. AST


MÁS DE 500 EFECTIVOS Y TANQUETAS DE LA FUERZA PÚBLICA CONTRA COMUNIDAD INERME EN EL JAPIO, CALOTO, CAUCA, COLOMBIA

Bajo el argumento gubernamental de no conversar hasta tanto se desalojen los más de 15 predios liberados por las comunidades indígenas en departamento del Cauca, el gobierno nacional ordena el desalojo violento de las mismas haciendo uso de las fuerzas antimotines. Es así que desde el día 8 de los corrientes los uniformados han iniciado ataques indiscriminados usando gases lacrimógenos y disparos con armas de fuego contra la comunidad que permanece pacíficamente en posesión del predio El Japio, en el municipio de Caloto. La comunidad en proceso de recuperación denuncia que como consecuencia de la represión oficial hay 4 heridos y un número indeterminado de detenidos.

Como se recordará, el pasado 12 de octubre, en el departamento del Cauca se dio inicio a un proceso denominado Liberación de la Madre Tierra buscando la atención del gobierno nacional para que cumpla viejos compromisos adquiridos con los pueblos indígenas y las organizaciones sociales, en especial aquellos referidos a la problemática de tierras.

Teniendo en cuenta que los predios afectados por los procesos de Liberación de la Madre Tierra son de más de 100 hectáreas, un ejemplo es El Japio que mide 4.000 hectáreas y al parecer el titular no vive en el departamento del Cauca, y al observar la fuerza de la represión, que según versiones sobrepasa los 500 efectivos y más de 10 tanquetas, se hace incompresible que estas titularidades sean defendidas con tanto ahínco por el Gobierno nacional, mientras ha permitido que más de 3 millones de colombianos hayan sido desplazados de sus territorios por acción de los paramilitares y sus territorios estén hoy produciendo banano, palma africana o pertenezcan a empresas mineras o petroleras.

Se interrogan los indígenas, cómo es posible que el mismo gobierno que ataca estos procesos desarrollados por vías pacíficas en busca de una verdadera reforma agraria, haya permitido que se irrespeten los títulos colectivos de las tierras adjudicadas a las comunidades afrocolombianas de Jiguamiandó y Curvaradó. En este caso, la opinión pública conoce que dichas comunidades fueron expulsadas por paramilitares y sus tierras fueron ocupadas por empresarios de palma aceitera y que el gobierno nacional ordenó, por intermedio del Incoder, descontar al titulo de las comunidades las tierras ocupadas por la empresa; es decir que las comunidades afrocolombianas por acción de los paramilitares fueron expulsadas de sus territorios y con la acción "legal" del gobierno nacional resultaron expropiadas de 10.162 has. La pregunta sencilla de las comunidades es por qué en esos casos el gobierno y las fuerzas antimotines no reaccionaron contra los paramilitares y por el contrario hoy se mantienen diálogos con esos grupos, desconociendo la verdad, la justicia y la reparación de millones de colombianos que han sufrido el flagelo de la violencia en nuestro país.

Han denunciado también, las comunidades indígenas la situación de amenaza sobre otros procesos como el atentado contra Antonio Quilindo, gobernador del resguardo indígena de Quintana, quien fue baleado por desconocidos que se movilizaban en una camioneta blanca polarizada o la alerta sobre el reingreso de paramilitares a la región del Naya.

Los consejeros CRIC rechazamos el tratamiento de guerra que está dando el gobierno nacional a las comunidades que se encuentran en proceso de liberación de la madre tierra; denunciamos las informaciones que pretenden enlodar el buen nombre de las comunidades al afirmar que están infiltradas por fuerzas oscuras y que desarrollan acciones vandálicas, por lo cual reclamamos, de forma inmediata, la presencia de las instituciones de control del Estado, la veeduría de los organismos nacionales e internacionales de defensa de los derechos humanos, y que el gobierno nacional evite el uso de la fuerza y brinde las soluciones necesarias y oportunas de conformidad con los requerimientos e iniciativas de los pueblos indígenas


CONSEJO REGIONAL INDÍGENA DEL CAUCA – CRIC

Noviembre 9 de 2005



Please send message of protest (sample message below) to the following Colombian authorities:

President Alvaro Uribe Velez:
auribe@presidencia.gov.co

Vice President Francisco Santos:
fsantos@presidencia.gov.co

With a copy to CRIC at cric@emtel.net.co

www.colombiasolidarity.org.uk



Ecuador/Argentina: Comunidades indígenas impiden a la petrolera argentina CGC realizar sus trabajos en Ecuador

Las comunidades indígenas han impedido el trabajo de la petrolera argentina Compañía General de Combustibles (CGC) durante una década, y por esta razón la empresa no ha podido cumplir con las tareas de exploración y explotación de crudo en la amazonia ecuatoriana, expresó el gerente general de la empresa, Diego Guzmán.
...
"Quienes se oponen son indígenas de la comunidad quichua de Sarayaku, y su nueva presidenta, Hilda Santi, dispuso dar "continuidad y seguimiento a la lucha antipetróleo".
Ecuador adjudicó a la CGC en 1996 el bloque petrolero 23, de 200.000 hectáreas en la provincia de Pastaza, en la amazonia, unos 210 kilómetros al sureste de esta capital. Cuenta con un contrato de 20 años, de los cuales apenas han podido ejecutar labores durante algo más de 12 meses. http://ar.news.yahoo.com (Martes 22 de noviembre, 11:57 AM)



Países se preparan para discutir nuevo plan sobre el clima

OSLO (Reuters) - Alrededor de 190 países se reunirán en Canadá la próxima semana para intentar enrolar a Estados Unidos y a países en vías de desarrollo, como China e India, en la lucha contra el calentamiento global más allá del 2012, liderada por Naciones Unidas.
Los negociadores se reunirán en Montreal del 28 de noviembre al 9 de diciembre para negociar un plan sustituto del Protocolo de Kioto de 1997 de la ONU, un pequeño primer paso para frenar la subida de gases de efecto invernadero que emiten principalmente instalaciones eléctricas, fábricas y automóviles.
Los ministros de medio ambiente de todo el mundo asistirán a los últimos tres días de la cumbre de Montreal. Algunos predicen que las negociaciones que se lancen pueden durar cinco años.
"Será complejo," dijo Elliot Diringer, un director del Centro Pew sobre el Cambio Climático, con sede en Washington. "Cualquier acuerdo tiene que ser más flexible que Kioto, pero al mismo tiempo tiene que lograr reducciones reales en las emisiones."
"Y la administración Bush se opone firmemente a cualquier proceso que amplíe (los objetivos) de Kioto," dijo. idem (Martes 22 de noviembre, 11:32 AM)


El hambre mata a 6 millones de niños al año

ROMA (Reuters) - La Organización de Naciones Unidas para la Agricultura y la Alimentación (FAO) renovó el martes su petición de más esfuerzos para mejorar la situación de los cultivos en los países pobres con el fin de aliviar el hambre y la malnutrición, que matan a casi seis millones de niños al año.
En el informe anual "El Estado de la Inseguridad Alimentaria en el Mundo," la FAO dijo que los objetivos de reducción del hambre para el 2015, establecidos en varios encuentros políticos durante los últimos diez años, aún están muy lejos. ibidem (Martes 22 de noviembre, 9:35 AM)

2005/11/17

O BALLET GULBENKIAN REPRESENTAVA PORTUGAL INTERNACIONALMENTE

Após o muito interessante espectáculo Glamour of Dance - Dream From a Saint apresentado pelo Silesian Dance Theatre (Polónia) na 13ª Quinzena de Dança de Almada , em Portugal, conversámos com a mais recente aquisição da companhia. Uma aquisição que se exprime em português.

Álvaro Teixeira: Portanto a companhia começou em 1991, como estavas a dizer. E como é que encontraste os teus colegas actuais?

Korina Kordova: Eu estava em...

AST: Tu és brasileira.

KK: Sim, sou brasileira.

AST: Mas não nasceste no Brasil...

KK: Nasci no Brasil!

AST: Ha! É que quando estive a falar com o teu colega ele disse-me que o teu pai é Grego...

KK: A minha mãe é Grega mas eu nasci no Brasil. Estava a morar em Amesterdão e um coreógrafo holandês falou-me sobre o trabalho do Jacek Luminski e disse-me que ele estava procurando bailarinos, que ia haver uma audição em Bremen na Alemanha. Então eu fui, fiz a audição e aí convidaram-me para trabalhar com eles. Aí eu começei a trabalhar no meio de Janeiro deste ano porque entrei no meio da temporada para substituir uma pessoa e resolvi ficar mais uma temporada porque estou gostando muito. É um grupo de pessoas muito interessante...

AST: Quem é que coreografou esta peça?

KK: O Jacek Luminski que é o director artístico.

AST: Ele não estava aqui...

KK: Não. Está nos Estados Unidos. Não pôde acompanhar-nos na tourné. É ele que coreografa a maioria das peças. No actual repertório temos esta peça mais outras duas. Uma coreografada pela Sylwia Lewandowska, uma das bailarinas, e a outra coreografada pelo Sebastian Zajkowski e Leszek Stanek. Com a colaboração dos dois.

AST: Eu sei que na Polónia, porque estive a falar com o teu colega, só existem duas companhias profissionais.

KK: Pois é. A nossa companhia é considerada mais contemporânea...

AST: Ele disse-me que a outra é neo-clássica ou coisa assim...

KK: Eu pessoalmente nunca assisti a espectáculos da outra companhia porque eu estou há pouco tempo na Polónia mas a nossa é considerada de forma muito especial porque o Jacek Luminski tem desenvolvido, ao longo destes anos, deste que ele criou esta companhia, uma técnica própria. Nos Estados Unidos e no Canadá esta técnica é conhecida como Polish Contemporary.

Lib Pitalúa: Em que consiste essa técnica?

KK: É uma técnica que explora, realmente, as fronteiras das maneiras como nos movemos. Nós temos que quebrar a cabeça até descobrir como ele quer que nos movamos. Ele simplesmente improvisa e os bailarinos mais experientes já conhecem. Os mais novos pensam: o que é que ele está fazendo? Os impulsos têm de ser todos muito claros. Ele exige sempre muita energia, muita dinâmica e como o trabalho também é muito teatral nós temos que saber desenvolver as nossas próprias personagens baseados na concepção das peças dele. Mas também tem muito trabalho individual de criação de personagens.

AST: Francamente não vi muito espaço para a improvisação... Pareceu-me que tudo está escrito.

KK: Sim. Desculpa. Parece-me que não me expressei bem. O que eu queria dizer é que quando ele está criando o material ele improvisa e nós temos que deduzir o que ele pretende. Práticamente não há improvisação do movimento depois da coreografia estar pronta.

LP: Mas há improvisação de outro tipo não é?

KK: Sim. Esta peça... Nós tivémos a premiére foi este ano, Maio deste ano, então é interessante porque as relações entre as personagens vão sendo estabelecidas ao longo das peformances. Quer dizer que em cada performance voçê descobre uma coisa nova. Aí entra o nosso trabalho de improvisação. Que também muda dependendo do espaço. Este espaço aqui é um espaço muito menor do que aquele espaço a que estamos acostumados. Então mete uma outra sensação.

LP: E qual é a sensação que voçês procuram nesta peça? Qual é a essência desta peça?

KK: Se voçê perguntar a cada um..

LP: falará de sensações diferentes..

KK: Sim, mas existe muito trabalho individual de criação de personagens. A gente tem de procurar as nossas próprias motivações.

LP: Mas tem uma ligação?

KK: Sim, claro. Esta peça, eu diria, é sobre espaços subliminares. Quer dizer, tudo o que está entre... o céu e a terra. Entre a realidade e a fantasia. Tudo o que acontece nos espaços "in " between.

AST: Achas que aqui há alguma influência de Pina Baush?

KK: O Jacek Luminski gosta muito do trabalho da Pina e a influência que eu acho interessante é que apesar de aqui ser uma movimentação toda complicada e elaborado como voçês puderam ver...

AST: Mais elaborada que nos últimos trabalhos da Pina...

KK: Sim mas a principal diferença é que a Pina Baush não trabalha com uma técnica específica e ele trabalha. Ele tem um vocabulário, ele tem uma linguagem própria. Mas eu acho que o trabalho individual, quer dizer, como eu vou aproveitar esse material que ele me dá para que a cancepção da peça funcione, eu acho que aí tem muito a ver com a Dança -Teatro da Pina Baush. Nada é gratuíto, nada é sem motivação mesmo quando voçê não se está movendo.

AST: Mas atenção que na Pina Baush dos últimos tempos há muita coisa gratuíta!

KK: Até concordo. O último que eu vi da Pina Baush foi o "Água", no Brasil, e bom, eu como brasileira até fiquei bastante decepcionada pois foi super superficial e não passou dos clichés. Portanto eu fiquei bem decepcionada com aquele trabalho mas agora pensando nos trabalhos mais antigos...

AST: Técnicamente voçês parecem-me estar mais próximos de uma Anne Teresa De Keersmaeker.

KK: Voçê acha? Hum... Não sei. Em termos técnicos agora até é interessante porque este nosso grupo é muito novo. Tem dois bailarinos que estão com o Jacek há algum tempo: a Sylwia Lewandowska que é aquela rapariga de cabelo lisinho que também montou uma peça para a companhia e que trabalha com o Jacek há dez anos e o Sebastian Zajkowski que está há seia anos na companhia. Depois há uma pessoa que está há dois anos, eu estou há seis meses... então é difícil, na minha opinião, porque eu começei a trabalhar esta técnica há pouco tempo e quando observo o nosso grupo é um grupo ainda muito heterógeneo.

LP: Nota-se logo que têm diferentes técnicas e diferentes linguagens. Voçês ainda não têm aquela técnica do coreógrafo em si.

KK: É. isso é verdade. Ele trabalhou com um grupo de pessoas durante bastante tempo e esse grupo enfim se dissolveu na temporada passada e então agora todos nós estamos tentando nos aproximar o máximo possível da estética, não no sentido de beleza...

AST: Do estilo...

KK: do estilo que ele gostaria em que nós estivéssemos. Eu acho que é um trabalho muito mais "ruff", desculpe estar a usar termos do inglês... Tem vezes em que o trabalho é muito lapidado tem outras em que é uma coisa meio bruta. Bruta não no sentido violento mas bruta no sentido em que uma coisa não foi lapidada.

LP: Há companhias que estão mais na leveza, voçês estão mais no chão, não é?

KK: Isso é também um grande desafio porque a técnica dele é muito vertical, quer dizer, ele trabalha muito com a coluna vertebral e a musculatura mais interna, criando sempre um implulso para os movimentos e ele alterna, quer dizer, ele dá um impulso numa direcção mas voçê tem de estar imediatamente preparada para lançar outro impulso noutra. Isso é que torna tudo tão difícil e imprevisível. Ás vezes, quando bem feita uma combinação dele, voçê fica surpreso porque quando voçê deveria ir para lá voçê vai para o outro lado. É por isso que é tão difícil executar porque voçê tem de ter um controle extremo para fazer parecer que aquilo está fora de controle e ainda executar aquilo com uma certa harmonia quer dizer..

AST: consistência...

KK: É.

(risos)

KK: E esta foi a minha primeira peça com ele. O que eu estou dizendo é da minha curta experiência. Fizémos esta peça e já estamos preparando outra que ainda não está terminada. Essa vamos apresentar num festival de música na Polónia em Dezembro.

AST: Em Warsaw?

KK: Seria en Cracóvia mas acho que foi mudada, não tenho a certeza para que cidade. Então estou trabalhando nessa segunda peça e é uma coisa completamente diferente. Ainda não está nada fechado de forma que não poderia falar muito dela.

AST: Na Holanda chegaste a dançar? Só em projectos. Nunca fiz parte de uma companhia. Trabalhei com uma coreógrafa chamada Susana Gomes que também é brasileira que estudou na : School Dance of Developement em Amesterdam.

LP: Estudaste lá?

KK: Não. Eu tive uma formação um pouco maluca. Nunca fui a uma academia ou a uma universidade de dança. Eu procurei a formação aonde me interessava.

LP: Que é uma forma também muito boa.

AST: E sobre a dança brasileira contemporânea o que nos podes dizer?

KK: Bom. O Brasil é muito grande realmente...

(risos)

KK: Tem muitas e muitas cenas de dança nos diferentes estados e por questões financeiras, infelizmente, não há muito intercâmbio entre as várias companhias. Mas as companhias mais estabelecidas são as companhias que têm um trabalho baseado em técnica clássica. Não estou a dizer que sejam companhias clássicas mas os bailarinos são treinados em técnicas clássicas porque não existe uma escola de dança contemporânea no país. Eu sou de São Paulo, por exemplo, e os bailarinos das duas companhias que lá existem são treinados em técnica clássica. Eles têm trabalhos interessantes, de coreógrafos convidados, muito interessantes. Também tem o Grupo Corpo que é em Belo Horizonte, uma companhia já conhecida internacionalmente do coreógrafo Rodrigo Pedreneiras que... Bem, ele sempre coreografa. Então chega uma hora que fica um pouco cansativo. Mas é um trabalho que vale a pena conhecer. Os bailarinos têm uma grande qualidade técnica.

AST: E de Portugal o que é que se conhece? Na Holanda, na Polónia, no Brasil...

(risos)

KK: Em Portugal... É a minha segunda visita a Portugal. Eu estive aqui há quatro anos atrás no centro coreográfico do Rui Horta, em Montemor-o-Novo, fazendo um workshop. Foi uma experiência... interessante. Enfim, foram duas semanas e lá tive contacto com muitos jovens bailarinos que estavam estudando na escola superior de dança e impressionou-me muito o trabalho deles em composição e improvisação. Achei que eram muito criativos e também gostei muito de trabalhar com ele. Também há algumas pessoas que conheci que estavam trabalhando com o Paulo Ribeiro. Gostei muito porque fiquei com a impressão que cada vez que começam a trabalhar alguma coisa eles querem fazer algo que nunca fizeram antes e não seguindo sempre fórmulas que já funcionaram.

AST: Há alguma companhia portuguesa que seja conhecida lá fora? Nos sítios por onde passaste?

KK: Sim. Infelizmente o falecido Gulbenkian.

AST: Era a única conhecida lá fora?

KK: Também no Brasil é conhecida a Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo do Vasco Wellemkamp porque o Vasco Wellemkamp coreografou para várias companhias no Brasil. Desde pequenininha que ouço falar dele.

AST: Quando acabaram com o Ballet Gulbenkian isso teve impacto internacional? O Ballet Gulbenkian era muito conhecido lá fora?

KK: Era sim.

AST: Qual é a leitura que fazes disso?

KK: Bem, eu estava na Holanda e na verdade lá não teve muita repercussão. Mas quando eu fui ao Brasil, nossa, foi super-lamentável. O Paulo Ribeiro estava na direcção não era? E... eu tinha ficado muito curiosa porque conhecia alguns bailarinos que trabalhavam com o Paulo Ribeiro e conhecia o trabalho da Gulbenkian e achei interessante. Gostaria de ter visto a companhia depois nas mãos do Paulo Ribeiro para ver se ia mudar de estilo, o que ia acontecer. E acabei não vendo e fiquei sabendo... Realmente uma pena... As pessoas que tinham criado o ballet faleceram, como é que foi?

AST: Não. Calouste Gulbenkian que foi quem esteve na origem de tudo o que há na Fundação Gulbenkian, que deixou dinheiro e petróleo para a cultura em Portugal, esse já faleceu há muito tempo. Mas a decisão de acabar com o Ballet Gulbenkian foi recente...

KK: Mas... e porquê?

AST: Não sei. Não me disseram nada. A mim suspenderam-me os convites para os concertos...

KK:?!

AST:É. Alguns serviços da Fundação Gulbenkian parecem estar tomados pelo Portugal mesquinho e vingativo... Só te estava a perguntar no sentido de percebermos qual o real impacto internacional do fim do Ballet Gulbenkian.

KK: Era uma companhia importante. Era uma companhia que representava Portugal internacionalmente.

AST: Talvez a única conhecida...

KK: Sim. Acho que sim. Eu conhecia outras porque sou brasileira, então há outra relação. Mas eu acho que foi realmente uma perda muito grande. Eu... agora não sei mas imagino que esses bailarinos que estavam no Ballet Gulbenkian devem ter sido absorvidos pelo mercado internacional, concerteza. Não devem ter ficado aqui. Todo o mundo se deve ter ido embora de Portugal. O que é uma pena.

AST: Olha.... Foi um prazer conversarmos contigo...

(risos)

AST: e... muito obrigado!

(risos)

2005/11/11

QUINZENA DE DANÇA DE ALMADA


Mutability

Marie-Gabrielle Rotie (UK)

Lentamente moviendo cada miembro de su cuerpo, emitiendo sonidos con su voz, esta mujer logra reflejar la metamorfosis por la que pasamos todos los seres vivos. Apoyandose en la técnica Butho ella logra trascender en el espacio donde conjunta una serie de movimientos que hacen pensar en cambios drasticos, en cosas que nos hieren pero que nos hacen mas fuertes. Las luces del escenario fueron tambien interesantes ya que estaban perfectamente sincronizadas con los movimientos que ella realizaba al desplasarse por el escenario, dando origen a un trabajo muy bien logrado.






Breakthrouh

Liou Shaw-Lu

Taipei Dance Circle

Cuerpos deslizandose, movimientos acuáticos y un olor a aceite de bebé, dieron un toque especial a este trabajo; resulta interesante a la vista ver los cuerpos cubiertos de aceite deslizandose por el piso y teniendo la sensacion de que en cualquier momento pueden caer. Apoyandose claramente en la gestualidad que brindaba un ambiente gracioso pero que a la vez de competencia y lucha por obtener algo. Sin duda una buena y original propuesta donde hasta el sentido del olfato es usado. Fabiola Montiel







Idioms

Compagnie Taffanel (France)

Foi concerteza um dos bons momentos desta mostra. Com coreografia de Jackie Teffanel dois corpos movem-se nos intertícios dos equívocos linguísticos. Uma coreografia desdramatizada onde o drama, que se re-actualiza pelo equívoco da língua, é libertado de peso, tornando-se suportavelmente interessante.






Compasion

Isabel Croxatto (Chile)

Técnicamente irrepreensível o bailarino manuseia, em longos gestos de um neo-clacissismo conseguido, o corpo inerte da amante. "É também a história de um desencontro (Romeu e Julieta) ou ainda o homem que dança com a morte", lê-se no texto do programa.
Seguramente. O desencontro da vida/morte que vertiginosamente e sem que nada o imponha conduz à morte de ambos por uma troca de papéis. Uma coreografia densa, com poesia e grande estilo.






Using the Eye in the Moddle of the Forehead

Efva Lilja (Suécia)

Que procuramos na dança?
A beleza?
Dos corpos?
Do gesto?
E se o gesto é lento e minimal e se os corpos são velhos e deformados?
Tornar-se-á menos belo? Ou mais incómodo já que nos mostra a inevitabilidade da degradação do corpo belo ou do belo corpo?
Degradação à qual corresponde uma emergência, sub-reptícia, da(s) memória(s) daqueles corpos que já foram belos...
Um momento marcante desta mostra que globalmente ultrapassou a ausência de densidade (de técnica, de criatividade composicional...) de muitos trabalhos que por lá passaram. De outros, provavelmente interessantes, não escrevemos porque não os vimos.
Desta "Quinzena de Almada" esperamos uma continuidade dentro do registo da diversidade que em poucos dias nos permite ver um pouco do que se faz pelo mundo. Mas esperamos também um grau de exigência que eleve a qualidade das criações portuguesas. AST














Bal Modern no Centro Olga Cadaval em Sintra

Un espectaculo fuera de lo normal. El escenario era nuestro. Un cierto numero de personas nos dimos cita para formar parte del espectaculo de la compania de las Rosas. La primera parte consistió en hacer un montaje de una pieza de Tango. Paso a paso fuimos aprendiendo la secuencia; una vez terminado el montaje el objetivo de hacer bailar a toda la gente, tuviera o no estudios en danza, fue alcanzado. En esta dinámica aprendimos una pieza de rock and roll al ritmo de Elvis Presley, y una titulada Bal Moderno, combinación de ritmo de vals y pasos de reverencia con moderno. El ambiente fue sencillo y amigable entre todos, olvidandonos del formalismo que normalmente vivimos en los espectaculos. Karina Mota














Pequim, 16 de Novembro (Lusa)

"É muito, muito provavel que se trate do primeiro caso de contágio humano de gripe das aves na China", declarou hoje o porta voz da Organização Mundial de Saúde (OMS) Roy Wadia, referindo-se a um rapaz de 11 anos da província de Hunan...















STOCK HOUSE

Era numa casa-stock, género armazém luxuoso para ex-criadores que foram ultrapassados pela história, onde Karlheinz se deveria encontrar. Não num qualquer lar para idosos pois quem um dia disse que era "deus" não pode ir para um vulgar asilo.

Mas Karlheinz, desde que proferiu umas bombásticas declarações que levaram à anulação de um concerto, conheceu um renascimento relativo. Declarações estratégicas numa época em que nem sequer se sabia se ainda "bulia". Na realidade, excluindo aquelas obras que entraram na história da música do século vinte pela suposta inovação de que se revestiram à época em que foram produzidas, a produção de Karlheinz Stockausen deixou de ter qualquer interesse seja ele histórico, composicional ou mesmo sociológico.

Há cerca de 13 anos, a instituição que recentemente deixou cair o único corpo de dança português com projecção no mundo, gastou muitos milhares (de contos) a trazer o Karlheinz e companhia a Lisboa para produzir um conjunto de esquizofrenias de uma megalomania patológica a que ele chamou "obras de Teatro Musical"* e onde se misturavam a "Light" com "Lucifer" e a "Eve" com "Michael". Misticismo a condizer com quem um dia se intitulou "o criador"... Quanto à música foi uma treta. Treta na plena acepção de treta/bluf-total.

Depois ficou esquecido. Em banho-maria até ao dia em que com umas declarações chocantes mostrou ao mundo que ainda mexia.

De novo a dita instituição convida o dito KarlHeinz, desta vez em "versão solo", ou seja com uma mesa de mistura à frente. Carrega no "play", os sons invadem a sala, num Hymnen que parece não ter fim. De quando em vez KarlHeinz desloca uns poucos milimetros os reóstatos da mesa de mistura. E é tudo. Como em Portugal uns poucos acreditam estar face a um grande génio da história da música, ouviram-se uns poucos bravos. Mas o grosso da sala percebeu que aquele Hymnen, mesmo que fosse, à época, inovador, mesmo que outros não tivessem usado aqueles processos de tratamento sonoro antes de Karlheinz, aquele Hymnen não é de todo uma grande obra de arte.

O mais irónico é que enquanto a história da música avança dia após dia e alguns compositores desde há treze anos a esta parte se tornaram clássicos em todo o mundo, a mesma instituição que novamente deve ter largado uns bons milhares (desta vez de euros) a trazer o Karl Stock (ausen) à capital portuguesa para accionar o "play" de um leitor de banda magnética, parece ter congelado no tempo, indiferente a toda a história que se constrói, sem e apesar Karlheinz e os "outros de sempre", habitués da dita instituição. Como autistas. Mas autistas (muito) bem instalados. AST

* A ninguém escapa a semelhança com o termo "Teatro-Dança" criado por Pina Bausch. Com um olho nesta e o outro na tetralogia "O Anel dos Nibelungos", Stockausen procura imortalizar-se procurando uma nova forma de "obra total", integrando a dança com "coreografias" de fazerem sorrir qualquer estudante dos primeiros anos do conservatório de dança; "coreografias" concebidas pelo próprio que obrigam alguns músicos ao esforço absurdo de "dançarem" e tocarem ao mesmo tempo. E tudo para a "montanha parir um rato". Este "ciclo grandioso", recheado de banalidades tanto ao nível "coreográfico" quanto musical, deixará liminarmente de ser apresentado quando Karlheinz e seus fiéis se retirarem de actividade, recolhendo-se numa Stock-Hausen...














2005/11/10

THE ART OF THE RECORDER POR PIETER-JAN BELDER

Acompanhado por Rainer Zipperling no violoncelo e na viola de gamba e por Menno van Delft ao cravo e no orgão, Pieter-Jan Belder (que também é cravista) apresenta-nos a sua Arte da Flauta (recorder) com uma judiciosa selecção de peças dos séculos XVII e XVIII.

Rápidamente percebemos que estamos perante grandes intérpretes capazes de nuancear com grande intuição e musicalidade estilos tão diferentes como o de um Jacob van Eyck (cd I, século XVII) ou de um J.S.Bach com obras do qual finalizam o segundo cd.

No entanto é no conjunto de variações La Follia de Arcanjo Corelli, para flauta (originalmente pensadas para violino mas a troca de instrumentos naquela época era uma prática regular) e baixo continuo (em que a viola de gamba desempenha virtuosísticamente em partes nas quais a flauta se limita a fazer pequenos ornamentos), que os três músicos atingem, neste conjunto de registos, o seu melhor, onde o perfeccionismo técnico aliado a uma espontaneidade genuina torna esta peça num momento "paradigmático" logo no início do segundo cd. Segue-se uma maravilhosa peça para flauta solo de Telemann, a Fantasia in B flat, em que Belder consegue literalmente deslumbrar.

Um conjunto de preciosidades, gravadas durante o Verão de 2004, que nos estão acessiveis sob a forma de um duplo cd que pode ser adquirido por cerca de sete (7) euros. Por que é uma edição da Brilliant Classics, evidentemente. AST















2005/11/08

SILESIAN DANCE THEATRE EM ALMADA - PORTUGAL

Tudo parece um sonho onde as realidades se confrontam. O mundo dos intérpretes e o mundo dos espectadores juntam-se no espaço lúdico. A realidade de cada um de eles é diferente, mas juntos num espaço de rivalidade, de amor e de odio são o mesmo: pessoas que lutam, que sentem e morrem. Embora eles sejam tão diferentes há momentos onde juntos criam um ambiente de harmonia. A coreografia parece não estar bem trabalhada... mas o processo parece ser muito interesante, e é por isso que os interpretes têm uma carga emocional muito grande.

Ao longo do espectáculo podemos ter muitas sensações diferentes. Até o cheiro da terra... é como se tentassem ligar o céu com o chão. Há momentos de ligacão com o infinito pelo canto de uma actriz que morre, tem uma saida da vida pelo som, surpreendendo-nos com um canto tradicional.

O espectáculo é muito variado, os interpretes utilizam todo o espaço e cada momento é preenchido por surpresas de diferentes modos. Na totalidade do conjunto não há uma harmonia para sair de aquele com uma sensação profunda de gosto, mas é verdade que cada um tem olhos diferentes, que cada um olha um mundo diferente. O melhor é a proposta cheia de sorpresas. Alaide Montoya Pitalúa



LOS NEOLIBERALES SUSPENDEN LAS ELECCIONES EN BOLIVIA

"No permitiremos que los partidos neoliberales corruptos, tránsfugas y vendepatrias bloqueen las elecciones generales que, en el fondo, significa bloquear la asamblea constituyente, las nacionalización de los hidrocarburos y la refundación del Estado", Evo Morales.
La Embajada de Estados Unidos y el candidato de la derecha, Quiroga: "no se puede permitir que un indio gane las elecciones generales".

Ante esta maniobra, llamamos a las organizaciones populares de Nuestra América y el mundo a manifestar su solidaridad con Evo Morales, el Movimiento al Socialismo, las fuerzas populares y el pueblo boliviano.
Envíe su mensaje a solidaridad@congresobolivariano.org

http://www.ellibertadorenlinea.com.ar/paginas_moviles/pol_internacional/606.htm



Em Agosto de 1987, com uma forte oposição dos Eua, os presidentes dos países centro-americanos tinham alcançado um acordo de paz para resolver os conflitos da zona: os acordos dos Esquípulas. Os Estados Unidos apressaram-se a sabotá-los... Conseguiram excluir o único "elemento indispensável" citado nos acordos: que cessasse o apoio norte-americano aos Contras. (Os voos de fornecimentos da Cia triplicaram e redobrou o terrorismo dos Contras). Noam Chomsky in Iraque-Assalto ao Médio Oriente, Antígona, Lisboa, pag. 14



2005/11/07

MUITAS PESSOAS PENSAM QUE MAHLER É A FONTE DE INSPIRAÇÃO MÁXIMA

No final do concerto de uma das aprsentações em Lisboa conversamos com Uri Caine resultando o que se segue.

Álvaro Teixeira: Creio que tem uma fixação por Mahler...

Uri Caine: Eu gosto de tocar a sua música. Gosto mesmo muito. Antes tocava com um grupo grande. Hoje toco a solo e é outro sentimento.

AST: No princípio do recital de hoje por duas vezes voltou a temas mahlerianos. A sua admiração por Mahler é grande?

Uri Caine: Claro. Estudei a sua música durante muito tempo. Gosto muito da música da Europa Central. Muitas pessoas consideram a música de Mahler como a base máxima de inspiração que um músico de jazz pode encontrar mas existem muitas maneiras de a interpretar. O próprio Mahler interpretou as suas obras de maneiras diferentes.

AST: Antes de tudo é um músico de jazz ou um músico de fusão?

Uri Caine: Sou um músico de jazz. Eu improviso inspirado em Mahler, no drum in bass, nas músicas populares... Em muitas coisas e em muitas maneiras de estruturar a improvisação.

AST: Enquanto improvisa tem uma preocupação estrutural?

Uri Caine: As músicas têm estruturas. Muitas músicas têm uma estrutura aberta. Os standards de jazz têm diferentes fórmulas de improvisação. Temos estruturas mas estruturas diferentes.

AST: Quando há pouco estava a improvisar sobre o tema de Diabelli introduziu repentinamente um tema da nona de Beethoven. Pareceu-me um pouco forçado...

Uri Caine: Eu fiz o arranjo das Diabelli para orquestra...

AST: Eu sei...

Uri Caine: Diabelli foi um editor italiano que desafiou alguns compositores a trabalharem sobre um tema seu. Beethoven criou algo de forma bastante sarcástrica bem patente nalgumas das variações. Tal acontece também nas minhas variações.

AST: Mas no trabalho com o Concerto Köln fez o mesmo. Creio que foi na quinta variação, já não me lembro, que introduziu o tema da quinta (sinfonia). E aí fê-lo de maneira mais conseguida e desenvolveu de forma mais interessante. Está de acordo comigo?

Uri Caine: Talvez. Não sei. Sabe que é um risco. Por vezes não corre tão bem.

AST: Que pensa da música contemporânea... "erudita"?

Uri Caine: Há muitos estilos de música contemporânea. Desde Boulez até Stockausen...

AST: Esse vem cá para a semana...

Uri Caine: Ok!
(risos)
Uri Caine: Mas também há a música electrónica. Diferentes formas de dance music. Há os desenvolvimentos de um Frank Zappa ou de um Jimmy Hendrix... De uma maneira geral interesso-me muito pela música contemporânea.

AST: Por vezes parece existir um fosso entre o público e os compositores contemporâneos... Que lhe parece?

Uri Caine: É verdade, por vezes. Mas não é um grande problema. Sempre houve uma "gaffe" entre os criadores e o público. Para mim não é um problema fazer concertos muitas vezes inteiramente dentro de uma estética contemporânea. Não é um problema ter muito ou pouco público nesses concertos. Os músicos devem poder desenvolver a sua criatividade no sentido que lhes parece correcto.

AST: Mas no seu caso existe uma excelente relação com o público...

Uri Caine: Ás vezes... Tento fazer o melhor. Mas se não funcionar... Eu penso que a melhor forma de fazer música é desejar fazer o melhor.

AST: Será que o facto de vir do jazz lhe traz um público mais alargado que o público "normal" da música contemporânea?

Uri Caine: Não estou certo disso. Há um público que só gosta de jazz e que não considera que o que eu faço seja jazz. Também se pode passar o mesmo com o público da música contemporânea...

AST: Ok. Muito obrigado.


2005/11/04

PINA BAUSCH EM VERSÃO PORTUGUESA

Música "nostálgica" com simetrias repetitivas. Diz-lhe algo?
Rapariga que se escapa da cena pela plateia. Também?
Homem vestido a rigor que abre garrafa de champagne enquanto bailarinos/actores correm de um lado para o outro numa atecipação de um final em grande e patética alegria (à qual se poderia juntar uma foto de família feliz...)?
Pina Baush? Evidentemente. Mas em Portugal foi Olga Roriz na sua coreografia "O AMOR AO CANTO DO BAR VESTIDO DE NEGRO".
Não falaremos de plágio, evidentemente. Falaremos talvez de falta de singularização na produção dentro de um estilo que é claramente o estilo de outra criadora. É isso que torna desinteressante este trabalho de Olga Roriz. O odor a Pina é tão intenso que anula momentos belos que não foram suficientemente desenvolvidos, como o início da segunda parte ao som do adágio da quinta de Malher, para nós o melhor momento desta coreografia. Ao nível das simetrias (que não se devem confundir com movimentos em espelho como o fez a crítica do "jornal mais poderoso" de Portugal...) há que dizer que o trabalho de Olga está longe de conseguir a potência dramática e irónica que Pina conseguia há vinte anos atrás. Mas isso foi há vinte anos... Em Cravos, por exemplo. Hoje o ideal de simetria - ao contrário do que escreveu a crítica do poderoso jornal - não determina nem o pensamento coreográfico, nem qualquer concepção "forte" da produção artística contemporânea (e muita atenção porque na Pina de Cravos as sequências de simetria eram utilizadas não como ideal mas dentro de um registo de ostentação da tragédia da repetição que é transversal à existência humana, para de seguida serem absoluta e radicalmente desconstruídas partindo dos próprios movimentos que instauraram a simetria). AST









Dans une maison, dans une communauté, ceux qui sont parvenus à reconnaitre l'altérité de l'autre se trouvent en situation d'hostilité avec ceux qui ne sont pas encore sortis des relations fusionelles à deux. Marie Balmary in Le sacrifice interdit - Freud et la Bible, Le livre de Poche, Grasset, 1986, pag 115









Après quarante-huit heures de silence, l'Inde a laissé entendre, lundi 31 octobre, que les auteurs des attentats de New Delhi (62 morts, samedi 29 octobre) pourraient avoir un lien avec le Pakistan. Dans une conversation téléphonique avec le président pakistanais, Pervez Musharraf, qui l'avait appelé pour lui offrir ses condoléances, le premier ministre indien, Manmohan Singh, a affirmé : "Nous continuons à être troublés et consternés par les indices selon lesquels des groupes terroristes responsables des attaques à la bombe ont des liens avec l'extérieur. L'Inde espère que le Pakistan agira contre le terrorisme qui la vise." www.lemonde.fr (01.11.05 13h18)


URI CAINE EM DIVAGAÇÕES SONORAS

Apresentou-se, um dia na Fnac do Chiado em Lisboa, num pequeno concerto de entrada livre, no outro na Culturgest, também em Lisboa, onde apresentou as várias maneiras que pode revestir uma mesma abordagem para estilos musicais diferentes.
Uri Cane é básicamente um pianista de jazz, tal como ele o confirma na estrevista que brevemente colocaremos online. No entanto, é um pianista de jazz com horizontes alargados. Alargados tanto para o clássico, o romântico e até o barroco, como para a produção contemporânea da chamada música "erudita".

Assim, se umas vez é o típico jazzman que se escuta, onde uma forte ritmicidade coexiste com uma abordagem temática bem delineada, outras é o homem do jazz que se deixou atravessar por estéticas abstratas oriundas da designada "música erudita contemporânea", vertente esta que aliás se coaduna bem com uma certa forma de fazer jazz na actualidade. Mas o interessante é a oscilação, enquanto jazzman, entre uma postura mais clássica e outra mais "avant-garde".

Interessante, interessante é mesmo quando o pianista se imiscue na música "clássica". As "rememorações" de Mahler, que infelizmente foram pouco desenvolvidas nestes recitais, podem ser momentos mágicos sob os dedos de Uri Caine. Assim como as Variações sobre um tema de Diabelli de Beethoven que no recital da Culturgest sofreram uma "malandragem" ao ser introduzido um tema da nona sinfonia (de Beethoven) sem que daí o pianista tivesse tirado grandes consequências ao nível do desenvolvimento da sua improvisação. AST