2005/08/30

SÍLVIO TEIXEIRA: O DISCURSO DOS POLÍTICOS JÁ NÃO CONVENCE NINGUÉM

É o decano dos jornalistas transmontanos. Tem 77 anos e raramente falha uma conferência de imprensa. É repórter, tira fotografias, redige os textos, "vigia" a internet, trata da parte comercial...
Deu cara pelos ideiais monárquicos mas não quer ser filiado em qualquer partido. É um regionalista convicto e trabalha todos os dias, de manhã à noite...

...

Mas é muito interventivo. Não receia ser mal entendido?
Não me incomoda. Cada um é como cada qual. Sou assim e não vou deixar de ser eu próprio. Não sou capaz de pertencer a um rebanho ordenado.

Como vê a classe política?
O discurso dos políticos já não convence ninguém. Desperdiçam dinheiros em causas inúteis e em lautos vencimentos. Os partidos são uma decepção para mim que me considero um democrata.

Como era a sua vida antes do "25 de Abril"?
Vivi atormentado, durante muitos anos, com a política de Salazar. Sobretudo, porque tenho um irmão que foi revolucionário. Foi condenado a 17 anos e meio de prisão em Cabo Verde. Eu e a minha família vivemos sempre numa situação muito assustada. Ele acabou por cumprir 11 anos, voltou doente para o Hospital de S. José, em Lisboa, de onde se evadiu. A primeira pessoa que procurou foi a mim. Acabou por fazer uma vida "normal", na clandestinidade, com uma identidade falsa e assim se reformou.

Acha que é altura de uma nova revolução?
Não. Estou farto de revoluções. Acho que era tempo de os homens se unirem a sério, darem as mãos, porem de lado egoísmos e contribuírem de forma global para um mundo melhor, para que todos tivessem trabalho, uma casa decente e não houvesse fome...

Excerto da entrevista de Ermelinda Osório
in Jornal de Notícias, 03/08/2005, suplemento "Sénior", pág.4

2005/08/20

Malaise a la prision de Metz (França)

Plusieurs surveillantes s'etaient plaites de harcelement

... cette joli jeune femme avait fini par se lasser des plaisanteries salaces...
(Le Monde 19/08/2005, pag 7)



Virginie suicidou-se depois de um colega ter feito o mesmo. Um colega que a apoiou incondicionalmente nas queixas que Viginie fez (sem resultados relevantes) devido ao assédio de que era objecto no local de trabalho. Eram ambos guardas prisionais e ambos estavam "cercados" por alguns colegas que, como se pode esperar da parte de um certo tipo de gente, usaram e abusaram da calúnia. Especialmente contra Virginie... O estado françês nao actuou eficazmente e o resultado foi o suicídio dos dois trabalhadores. Posteriormente, responsáveis (que responsáveis!) vieram dizer que ambos tinham problemas pessoais!!! Podemos imaginar que deveriam ter. E muitos!
Neste e noutros casos a União Europeia deveria servir para alguma coisa. Poderemos sempre questionar a sua necessidade se não conseguir garantir dentro de portas os direitos elementares que embandeira com persistência.
Face ao caso de Virginie e do colega, o uso do véu por parte de algumas mulheres muçulmanas (muitas obrigadas a usá-lo, pelos familiares ou pela "tradição"...), que tanta tinta fez correr naquele país, não passa de um "fait-divers". O editor











Mais fogos e área ardida que em 2004
O número de incêndios e de área ardida este ano já ultrapassou os totais de 2004. Até ao dia 11 deste mês, o Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil registou 23 116 fogos florestais, mais 1246 do que na totalidade do ano passado. http://dn.sapo.pt (LISBOA, 12H40, 17/08/2005)


Quase metade dos incêndios da Europa do Sul em 2004 foi em território português
Portugal é o país com menor sucesso no combate aos incêndios florestais. Enquanto todos os países da Europa do Sul - que inclui ainda Espanha, França, Grécia e Itália - tiveram em 2004 um total de área ardida inferior à média dos últimos 25 anos, Portugal foi o único Estado membro onde o fogo consumiu mais floresta do que a média anual desde 1980.
Aliás, em 2004, a área ardida foi quase 20% superior à média desse período. Números que explicam que, por exemplo, o total de terreno devastado no País corresponda a 37% do valor da Europa do Sul e que o número de fogos seja 41% do conjunto dos cinco países. http://dn.sapo.pt/2005/08/10/sociedade


Desde criança que oiço a mesma lamúria e queixume: "falta de acessos e de meios". O país arde porque faltam acessos e meios. Não seria já tempo de agir, dando meios aos que deles precisam e constuindo os acessos que são necessários, em vez desta eterna e inconsequente lamúria?
Em vez disso, ano após ano, o país vai ardendo (não sei como resta ainda país para arder!) e a queixa repete-se: "falta de acessos e de meios". http://naoseiquediga.blogspot.com (4.8.05)


Como pode um estado que gastou uma fortuna em submarinos e outra em onze (11!!!) estádios de futebol - estado esse sistemáticamente fustigado por incêndios depois de vários anos - explicar não ter, atempadamente, adquirido os meios necessários e delineado, com a colaboração de especialistas de outros países, um plano eficaz de prevenção, vigilância e combate aos fogos? O editor










Machado de Assis, genie de l'ironie

On fait rarement figurer le nom du Bresilien Joaquim Maria Machado de Assis dans les grands genealogies du roman.
...
Fils d'un humble artisan mulatre, descendent d'esclave, et d'une blanchisseuse acorienne...

Comme le note Pierre Brunel...L'Alieniste antecipe d'une maniere stupefiant (et drole) toute reflexion moderne, celle de Michel Foucault notamment, sur la maladie mentale et l'enfermement.
...
Mais revenons a notre question initiale: d'ou vient le genie de Machado de Assis?
...
Il y parle d'une "oeuvre diffuse" qui suit "la maniere d'un Sterne ou d'un Xavier de Maistre..."
...
Le doute n'est pas permis: Machado d'Assis est l'un des tres grands noms du roman, pas seulement bresilien mais universel.
Le Monde, Livres d'Ete, 19 Aout
















2005/08/14

ECCLESIAZUSAE


Termo de origem grega (Ekklesiazuse) latinizado, significa participar em assembleia e intitula umas das obras de Aristofanes. Neste caso concreto significa "assembleia de mulheres".

Na antiga e "democratica" Grecia as mulheres (e os escravos) eram desprovidos de direitos de cidadania. Os homens para alem das concubinas recorriam a prostitutas que Solon no seculo VI a.c. introduziu na Grecia, criando bordeis dirigidos por funcionarios publicos. Os servicos incluiam comidas, banhos, etc... Um funcionarismo publico eficaz... As prostitutas eram ao mesmo tempo poetas e artistas e Praxíteles esteve loucamente apaixonado por uma, Friné, que serviu de modelo a algumas das suas esculturas. Talvez a homossessualidade entre homens tivesse impedido um relacionamento mais "estreito" e "produtivo" entre homens e mulheres na antiga Grecia... Desta maneira deve entender-se a obra de Aristofanes cujo caracter se insere num determinado contexto historico-cultural.

Traduzido para o grego moderno por Yiannis Jarveris e sob direccao de Diagoras Chronopoulos foi apresentada pelo GREEK ART THEATRE no grande anfiteatro de Epidauro que tem capacidade para doze mil, para um publico de cerca de dez mil pessoas cuja maioria parecia ser grega pois reagia rindo e aplaudindo. Os estrangeiros, como eu, limitavam-se a ver.

Impressionante a acustica deste gigantesco anfiteatro ao ar livre que data do seculo IV a.c.! Posteriormente, na epoca helenica, foram acrescentadas mais 21 filas adquirindo a aspecto que conservou ate hoje.
O trabalho dos actores foi excelente. Em termos de conceito parece-me algo kitsch transformar-se o coro de mulheres em bailarinas-cantoras de cabaret que entoavam partes do texto ao som de musica ligeira de qualidade duvidosa. Mesmo para um publico muito alargado poderia ter sido concebido algo mais interessante e de maior intensidade dramatica, ainda que a obra possua um caracter jocoso. Tambem a cenografia e os figurinos, onde abundavam figuracoes de penis, me pareceram de uma evidencia elementar.
O desempenho dos actores, alguns aspectos da direccao e dos figurinos como o contraste coloristico e temperamental entre os dois actores homens principais (o trabalho de luzes limitou-se ao basico, focando os intervenientes e criando frequentemente sombras que nao foram particularmente felizes), valorizaram um espectaculo que procurou restituir-nos Aristofanes na forma de uma contemporaneidade que ele, pelo menos nesta obra, decididamente nao possuiu (ou talvez sim pois de alguma maneira retrata uma forma de olhar que continua a existir. Apesar dos tempos...). Ironizar e gozar com uma suposta tomada de poder pelas mulheres, para alem de estar fora de qualquer contexto, deixa demasiado a desejar se pensarmos nas atrocidades que continuam a revestir muitas das formas de poder masculino e se pensarmos que os paises onde as mulheres participam em grande escala no poder economico e no poder de estado sao os mais desenvolvidos do mundo.AST















2005/08/06



A vida e carreira de Erich Kleiber, nascido passam hoje 115 anos, viriam a ficar definitivamente marcadas pelas óperas do compositor austríaco Alban Berg (1885-1935): primeiro, em Dezembro de 1925, aquando da badalada e controversa estreia de Wozzeck, após 137 ensaios e algumas tentativas de censura, e mais tarde, em meados da década de 30, quando tentou estrear Lulu. Planos frustrados, que as autoridades nazis também interferiam nas artes, e que levaram mesmo Kleiber a abandonar a Alemanha. http://desnorte.blogspot.com (Agosto 05, 2005)






Johannes Ockeghem
Nace hacia el año de 1410 en una ciudad que no se ha podido determinar. La mayoría de los biógrafos apuntan a Termonde (Flandes) como la mejor posibilidad, siendo en general considerado un compositor franco - flamenco.
Se sabe poco de su vida, teniéndose por cierto que fue cantante al servicio de Carlos I duque de Bourbon hacia 1430 y que formó parte de los vicarios de la catedral de Notre Dame de Amberes en 1443.
En cuanto a sus estudios musicales parece posible que estudiara con Binchois, y que conociera a Duffay en Combray.
En 1453 se establece en París como premier chapelain de la capilla real, actuando también como tesorero - cargo de alta distinción en la época y que sólo concedía el rey - de la Iglesia de Saint Martin de Tours a partir de 1459.
Cuatro años después será canónigo en la Catedral de Notre Dame de París, y en 1470 viaja a España en una comitiva para negociar el matrimonio del duque de Guyenne con Isabel de Castilla.
Muere - probablemente - en Tours (Francia), el 6 de febrero de 1497.
Fue uno de los primeros compositores en utilizar la traducción del significado de las palabras, por ejemplo: usar una escala ascendente para las palabras ascendit in caelo. Este recurso se extendió en el Renacimiento tardío. Destaca por su maestría contrapuntística, materia a la que dio un gran impulso cualitativo. http://losmansos.blogspot.com (August 08, 2005)








O número de violações que não são denunciadas é, ao que parece, muito maior. As vítimas apresentam denúncias apenas num terço dos casos revelados. Além disso, nesse período, foram feitas apenas 39 detenções. O uso da violação em disputas tribais transformou-se, pode dizer-se, em algo normal.
E a crença de que o melhor recurso de uma mulher violada é o suicídio está bastante disseminada. Por cada Mukhtar Mai há dezenas desses suicídios.
Também a coragem não é uma garantia de que se possa obter justiça, tal como o demonstra o caso da doutora Shazia Khalid, Khalid foi violada no ano passado, na província do Baluchistão, por membros da segurança do hospital onde trabalhava. Um tribunal paquistanês não condenou ninguém pelo crime, Khalid diz que foi posteriormente "ameaçada em tantas ocasiões" que se viu obrigada a fugir do Paquistão.
...
Chegam, agora, notícias ainda piores. Qualquer coisa que o Paquistão faça é superada, ao que parece, pelo que a Índia pode fazer. O chamado caso Imrana, no qual uma mulher muçulmana de uma aldeia no Norte da Índia denunciou ter sido violada pelo sogro, terminou com um ditame do poderoso seminário islâmico de Darul- -Uloom ordenando que a mulher abandonasse o seu marido, pois, como resultado do rapto, ela converteu-se em haram (impura) para ele. "Não interessa", assinalou um clérigo Deobandi, "se o acto sexual foi forçado ou consensual".
Darul-Uloom, na aldeia de Deoband, 150 km ao norte de Deli, é o lugar de nascimento do ultraconservador culto Deobandi, em cujas leis foi treinada a milícia religiosa talibã. Ensina a mais fundamentalista, limitada, puritana, rígida, opressiva versão do islão que possa actualmente existir em qualquer parte do mundo. Numa fatwa sugeriu que os judeus eram os responsáveis pelos ataques do 11 de Setembro de 2001. Não só os talibãs como também os assassinos de Daniel Pearl, o jornalista do Wall Street Journal, eram seguidores dos ensinamentos de Deobandi.
A rígida interpretação da lei Sharia em Darul-Uloom é notória e enormemente influente. Ao ponto de Imrana, uma mulher pressionada de uma forma inimaginável, ter dito que acataria a decisão do seminário apesar do protesto generalizado que se registou na Índia. Apesar de inocente, deverá separar-se do marido devido ao crime do sogro.
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A decisão dos líderes religiosos muçulmanos no caso de Imrana deve ter sido adoptada após muitas deliberações", afirmou a jornalistas de Lucknow. "Os líderes religiosos são muito doutos e eles entendem a comunidade muçulmana e os seus sentimentos."
Esta é uma declaração cobarde. A "cultura" da violação que existe na Índia e no Paquistão é produto de profundas anomalias sociais, as suas origens encontram-se na rigidez imutável de um código moral baseado nos conceitos de honra e de vergonha. Graças à falta de misericórdia desse código as mulheres violadas continuarão a deambular nos bosques e a caminhar para os rios para se afogarem. Salman Rushdie in http://dn.sapo.pt/2005/08/06/opiniao






http://www.juancole.com foi o Vencedor do 2004 Koufax Award for Best Expert Blog














2005/08/01

Compagnia Aterballeto


A depuração estética e a qualidade de execução num espectáculo que se impõe para além do domínio da Dança


Nos dias 29 e 30 de Julho, encerrando mais uma edição do Festival de Sintra (Portugal), subiu ao palco do Centro Cultural Olga Cadaval a companhia italiana Aterballeto, trazendo ao público português um espectáculo de superior qualidade.

De facto, as coreografias apresentadas, da autoria do Director Artístico e ex-bailarino da companhia Mauro Bigonzetti, caracterizaram-se por um nível impressionante e constante de rigor, depuração estético-formal, capacidade narrativa e desempenho técnico. Bigonzetti, cujo trabalho como coreógrafo tinha já chegado até nós através do Ballet Gulbenkian, afirma a sua capacidade de jogar com os corpos enquanto elementos não meramente físicos, assumindo a sua corporalidade e carácter para construir verdadeiras personagens sonoras e visuais.

Todo o espectáculo é pautado por uma coerência conceptual e formal que encontra a sua génese na escolha musical. As obras dos compositores escolhidos (Stravinsky, Mozart e Rossini) são a génese de todo o léxico físico, dramático e cénico, fundindo-se numa mesma linguagem na qual movimento, cenário, figurinos e luzes são magistral e complementarmente compostos.

O facto de as duas coreografias mais longas serem apresentadas com a interpretação musical ao vivo (a cargo do maestro supervisor musical Bruno Moretti), confere-lhes uma mais valia expressiva e interpretativa indiscutível.

De salientar a inteligente gestão do elenco, na qual o protagonismo é repartido, criando um nível uniforme e necessariamente elevado, bem como uma coesão capaz de criar uma verdadeira ideia de companhia e de unidade artística.

As expectativas estão criadas: nas próximas edições o Festival de Sintra deve ser capaz de responder com continuidade ao belíssimo espectáculo que encerrou o certame este ano. Ines Salpico







"But the Sintra Festival is going from strength to strength..."
The Independent (UK), The classical diary, Tuesday 26 July














2005/07/31

PRIMO FESTIVAL INTERNAZIONALE DEL VAL DI NOTO


Trinta de Julho, com bastante atraso e depois de discursos, para mim despropositados, de dois politicos em directo para uma tv italiana, deu-se inicio ao concerto por um agrupamento de camara constituido por membros da Orchestra Filarmonica del Teatro Bellini (Catania-Sicilia) durante o qual foram interpretados o concerto para dois violinos e orquestra de cordas de Bach e Music for The Royal Fireworks de Haendel. Iniciou-se o "pequeno-grande" concerto depois de "devidamente" apresentado por dois locutores televisivos, aparentemente famosos, que acreditaram que este espectàculo era um programa parecido com os que habitualmentem fazem. Estiveram omnipresentes ao longo deste primeiro evento do novo festival, comentando, exprimindo o que sentiam, enfim...

A primeira obra teve como solistas Aiman Mussakhajayeva e Vito Imperato, sendo este o primeiro violinista da orquestra. Aiman é dona de uma sonoridade afirmativa e possui uma técnica que se poderia designar como perfeita. Vito tem uma sonoridade mais discreta mas é dotado de um timbre caloroso e requintado. Dito isto pode-se deduzir que foi um belo concerto? Sim. Pode porque o agrupamento que acompanhou os dois solistas é composto por musicos de primeira qualidade que contribuiram para uma bela execuçao de Bach em instrumentos modernos.

Jà em Haendel a direcçao de Lu Jia foi fraca (em Bach melhor teria sido nem ter aparecido a dirigir). Haveria necessidade de maiores contrastes timbricos e dinamicos pois esta mùsica presta-se e necessita disso. Vito no final disse-me que Jia, com quem trabalha habitualmente, é um excelente director dramàtico. Ficou explicada (parcialmente) a sua ineficàcia no barroco...

Devo sublinhar a excelencia dos metais nas dificeis intervençoes que Handel lhes reservou nesta obra. As madeiras também se mostraram de elevada categoria, para além das cordas que foram sempre o (bom) sustentàculo de todo o concerto.

O espectàculo continuou com uma apresentaçao de membros da Accademia Nazionale di Danza que demonstraram numa coreografia classica (neo-clàssica como a designou o excelente bailarino) uma justeza tecnica e uma expressividade que dignificam absolutamente aquela academia. Depois houve um (também despropositado) desfile de moda, entrelaçado com as performances das bailarinas e do bailarino que vieram de Roma (as modelos, pelo aspecto, também me parece terem vindo de Roma ou Milano...). Nessa altura, graças à vacuidade do acontecimento, dediquei-me a trocar ideias com o violinista e outros elementos da orquestra. AST
















2005/07/22

ATÉ AGORA NUNCA TOQUEI CONTEMPORÂNEOS FRANCESES

No final do concerto que Sabine Meyer concretizou no âmbito do Festival de Sintra conversámos com a artista. Uma pequena conversa pois alguns fãs esperavam-na.


Álvaro Teixeira: Quais os seus compositores contemporâneos preferidos?

Sabine Meyer: Vivos?

AT: Sim.

SM: Muitos escreveram para mim. O último foi Manfred Trojan que me dedicou um concerto muito bonito. Castiglioni, um compositor italiano. Escreveu uma peça para o meu grupo de sopros. E outros compositores alemães. Pedrem, que é muito famoso na Alemanha, escreveu-me uma peça solo. Muitos compositores. Bons compositores. Wüthrich...

AT: ?

SM: Não conhece?! É muito conhecido na Alemanha. Escreveu uma peça para dois clarinetes. Para mim e para o meu irmão.

(risos)

AT: Porque acha que o clarinete é muito utilizado na música contemporânea?

SM: O clarinete oferece muitas possibilidades técnicas e sonoras, oferecendo muitas, muitas côres. É muito interessante. A música para clarinete assemelha-se à voz humana. Muitos compositores escrevem para este instrumento.

AT: Nunca pensou em interpretar com instrumentos antigos?

SM: Sim. Já toquei o concerto de Mozart num Clarinete Basset que é o instrumento original. Também toquei com o Quartour Mosaiques.

AT: Christophe Coin...

SM: Exatamente! Utilizei um clarinete da época. E toquei o Brahms com um clarinete Wuestefeld...

AT: Já interpretou, por exemplo, compositores franceses?

SM: Compositores franceses?

AT: Nunca tocou música francesa?

SM: Moderna?

AT: Sim.

SM: Não. Até agora não.

(risos)


Tradução direta de Inês Salpico

2005/07/21

SABINE MEYER INTERPRETA LUTOSLAWSKI, ALBAN BERG E BRAHMS


A histórica clarinetista apresentou-se acompanhada ao piano pelo norueguês Leif Ove Andsnes. Também veio o violoncelista Heinrich Schiff que participou na interpretação do trio para clarinete, violoncelo e piano op 114 de Johannes Brahms, para além de ter apresentado uma pequena peça do compositor polaco e a sonata nº 3, op 69 de Beethoven, ambas para violoncelo e piano.
O concerto, integrado no Festival de Sintra, aconteceu numa sala abafada do hotel Penha Longa e revelou-nos que a clarinetista tem de facto um interesse maior pela música do século vinte. A única peça "clássica" (neste caso romântica) em que participou foi o trio, único momento em que os três músicos tocaram juntos.

O concerto iniciou-se com os Prelúdios de dança para clarinete e piano de Witold Lutoslawski que são umas peças agradáveis que Meyer usou como "aquecimento", acompanhada por Andsnes que se revelou aqui, como ao longo de todo o recital, um pianista com inteligência e musicalidade (para além da técnica excelente que possui). Já tinha ouvido falar dele e agora acho que deve ser convidado a voltar para nos oferecer um recital a solo.

Seguiu-se a sonata para violoncelo e piano de Beethoven. Todos nós conhecemos esta obra prima da música clássica que existe registada por inúmeros violoncelistas. Muito recentemente saiu uma edição da integral destas sonatas pela dupla Wispelwey / Lazic (que Portugal já teve oportunidade de ouvir em concerto).
Esta introdução foi para explicar porque é inadmissível nos tempos que correm um violoncelista apresentar-se seja no que fôr, muito menos nas sonatas de Beethoven, com desafinações sistemáticas nas tessituras agudas ainda por cima com uma sonoridade pobre, por vezes pouco mais que um silvo. A culpa não é seguramente dos instrumentos em que toca... Tratam-se afinal do Stradivarius "Mara" e do Montagnana "Bela Adormecida"!

Já em Grave para violoncelo e piano do compositor polaco o "cellista" conseguiu uma boa performance, com o apoio eficaz do pianista. Peça esta em que o compositor utiliza práticamente só as tessituras médias e graves do violoncelo.

O mesmo aconteceu no trio de Brahms em que a parte do violoncelo não passa das tessituras médias pois as agudas estão reservadas ao clarinete. O pianista novamente foi a "cola" fundamental da peça onde Sabine Meyer demostrou ser uma intérprete que faz juz à fama que tem.

No final do concerto o violoncelista histerizou quando lhe perguntei se não se sentia mais confortável nos românticos, em Brahms por exemplo, começando a gritar repetidamente: "é uma pergunta estúpida"!!! Dever-lhe-ia ter sugerido para só tocar obras que não utilizem as tessituras agudas. O que é um pouco complicado...

Foi nas Quatro Peças para Clarinete e Piano op 5 de Alban Berg (que antecederam Brahms) que a clarinetista e o pianista conseguiram o que foi para mim o grande momento deste concerto. O controle tímbrico e dinâmico pela clarinetista, a criação de sonoridades e ambiências pelo pianista, resultaram numa visão transcendente destas pequenas peças que foram transformadas numa belíssima "suite" de quatro pequenos-grandes momentos que só por si justificariam a ida à Penha Longa. AST











Na terça-feira, Campos e Cunha disse no Parlamento que os grandes investimentos, como a OTA e o TGV, ainda teriam de ser avaliados. Mas ontem de manhã, no mesmo local, Mário Lino (Obras Públicas) afirmou que a decisão política já estava tomada. http://dn.sapo.pt (2005/07/21)

A questão é, pois, a de compreender o significado da desistência do ministro das Finanças; se o cansaço invocado por Luís Campos e Cunha deve ser interpretado à letra ou se é o reconhecimento de que não é possível governar com rigor, ignorando as exigências dos ciclos eleitorais. http://dn.sapo.pt (2005/07/21)











Las pérdidas, sólo en el sector agrícola, están estimadas en más de 2.000 millones de euros, el 1,5% del producto interior bruto de Portugal. Pero los cálculos son provisionales, porque otros cultivos están en riesgo de perderse en el sur. http://elpais.es (Internacional, 21-07-2005)














2005/07/13

ANN MURRAY E GRAHAM JOHNSON NO FESTIVAL DE SINTRA

Murray provou-nos que continua a ser uma das grandes cantoras da actualidade. Apesar de já não ser uma jovem, a artista demonstrou estar em plena posse dos dotes vocais que a celebrizaram. Ao nível interpretativo está mais madura. O facto de nos registos graves denotar problemas de colocação e emissão não impediu que a cantora oferecesse ao público que se deslocou ao Palácio de Queluz um recital de primeira ordem.

Começemos pelo princípio que foi a cantata Arianna a Naxos de Haydn. Ao nível estilístico deixou muito a desejar pois tratou-se de uma interpetação "a la Karajan". Nada dos fraseados, das inflexões e da espontaneidade de uma Madalena Kosena, por exemplo. O pianista parecia que estava a tocar Brahms... do qual é um exímio intérprete como pudemos comprovar na segunda parte. Salvou-se a voz portentosa da artista e a sua impressionante expressividade que arrebatou o público, num repertório que decididamente faz de uma maneira pouco aceitável nos tempos que correm. Há que atender que se tratam de dois intérpretes de uma geração que vem de uma linhagem romântica ao nível estilístico-interpretativo.

Ainda na primeira parte tivemos as Canções de um Viadante de Gustav Mahler, o primeiro ciclo de uma obra imensa onde o canto interceptou o sinfonismo. Pessoalmente prefiro a versão com orquestra que o compositor trabalhou posteriormente. Apesar de ser o seu primeiro ciclo de lied é já um exemplar acabado da genialidade mahleriana ao qual a versão orquestral dota de uma imponência dramática que o piano não alcança. Murray deu-nos uma leitura tranquila, patente no primeiro lied que contrastou com as versões em andamentos mais rápidos que costumo ouvir, cujo auge dramático foi Ich hab'ein glühend Messer onde a intérprete soube exprimir com intensidade e arrebatamento a grande tensão desta canção que é a penúltima do ciclo que acaba na tranquila assunção mahleriana do drama do mundo. O piano esteve muito aquém do desempenho da cantora. Subtilidades que criam dimensões e ambiências estiveram ausentes para já não falar numa nota errada (entre outras) que estragou, pontualmente, o desempenho da soprano.

Já na segunda parte o pianista esteve muito melhor pois trata-se do "seu" repertório. Tivémos um excelente Brahms, um interessante Peter Cornelius e um José Vianna da Motta que no século vinte compunha como se fosse contemporâneo dos outros dois. Parece ser o drama da criação musical em Portugal... Excluindo evidentemente os "grandes compositores portugueses do século vinte" como Capedeville, Peixinho, Salazar, Brandão, Lima, entre outros que hoje em dia paradoxalmente não são ouvidos. Sinais dos tempos...

O recital acabou com quatro deliciosas e muito expressivas canções populares irlandesas. Da mesma Irlanda que viu nascer Ann Murray. Ast






"Ainda em surdina, mas muito claramente, voltou outra velha ideia: a da inviabilidade de Portugal. Como de costume a pátria inteira espera um salvador", Vasco Pulido Valente, Público, 15-07-2005

Foi o ministro da defesa quem afirmou que se a actual crise não for ultrapassada o que estaria em causa era a própria independência do país. Um ministro da república, mesmo que o pense (e pensá-lo é um péssimo sinal), não o deveria ter dito. Não está nem estará em causa qualquer perca da independência. Portugal no contexto de uma Europa não federal tem simplesmente que se "desenrascar", isto é, encontrar maneiras de ser produtivo e competitivo. E perceber, o país inteiro, que o "ouro do Brasil" materializado, desta vez, nos fundos comunitários vai acabar definitivamente. Perceber que nenhum país pode viver eternamente de "ouros do Brasil". Não vem aí nenhum salvador. Nem vão desembarcar mais "ouros do Brasil" ou "diamantes de Angola". Nem "petróleo de Timor". Nem a virgem vai aparecer aos pastorzinhos da contemporaneidade. De resto parece que adiantou muito pouco em ter aparecido aos outros três... AST









A República despreza as suas instituições. E isso enfraquece a democracia, porque os órgãos que servem para transmitir confiança à população não são respeitados, não se dão ao respeito.
O que é grave neste problema não são a falta de meios, nem sequer um défice de poderes. É a acomodação a esta ideia, perigosa, de que é normal esta «República de faz de conta».
Os partidos, um pilar fundamental do regime, dão o exemplo: aldrabam as suas próprias contabilidades e têm o descaramento de as depositar no Tribunal de Contas. Basta pagar as coimas. Há anos que a farsa se repete. http://www.negocios.pt (14 Julho 2005 13:59)









O Banco de Portugal gastou, em 2004, 41 milhões de euros em pensões de antigos funcionários, mais 4 milhões em relação ao ano de 2003. Nos próximos anos, o banco central conta gastar, através do seu fundo de pensões, 549 milhões de euros com os seus reformados, mais 10% do que esperava despender há um ano. Recorde-se que, depois da polémica com a reforma do ministro das Finanças, Campos e Cunha, José Sócrates prometeu que os regimes de vencimentos e pensões iriam ser revistos. Miguel Beleza, nomeado para presidir à Comissão de Vencimentos do Banco de Portugal, não aufere qualquer remuneração. http://www.acapital.pt (14 de Julho 2005)










A aposta no status quo, a incapacidade de abalar as velhas fundações do São Carlos, para correr com os ácaros que se infestam nas suas madeiras, é mesmo a pedra de toque das épocas Pinamonti. Para quando uma reorganização da orquestra sinfónica portuguesa? E do coro residente do São Carlos. Que está há muito rotinado numa lógica do melhor funcionalismo público? E o enxame de maestros de duvidosa qualidade que acumulam tachos de honorolabilidade e similares? Qual avença solidária que a nação lusa lhes resolveu conceder a troco das suas muito esquecíveis prestações. Confesso que nunca ouvi a orquestra ao vivo. Ouvi-a inúmeras vezes na rádio. Está ainda na minha memória uma memorável apresentação do Requiem do Cherubini na Festa da Música deste ano. O desacerto era tanto que parecia um acerto. A desafinação do coro e da orquestra, o molestar desenfreado da obra do pobre Luigi era de fugir com a casa às costas.
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Constato que a ópera Barroca está ausente da temporada próxima. Será que o Dr. Pinamonti do alto seu assento programático se deu ao trabalho de indagar as obras de um tal João de Sousa Carvalho? E de um tal Francisco António de Almeida, que a propósito se comemoram os 250 anos do desaparecimento. E o Pedro Avondano? E os 250 anos do Terramoto de Lisboa? E um tal António Teixeira, que em parceria com um tal António José da Silva, cujos 300 anos do nascimento este ano se assinalam, escreveram das mais corrosivas e lúcidas obras acerca da maleita lusitana?
E os compositores portugueses contemporâneos? Conhece? Se calhar não tem tempo. O jet lag é lixado, e quando está na bela Olissipo, o seu cérebro está num outro fuso horário. É dura a vida de um director artístico do São Carlos. http://perusio.com/sao-carlos-2006









Há mais realidade numa ballata de Landini do que numa qualquer adoçicada xaropada neo-romântica. Que para além do mais dura, dura, dura, tal como o coelhinho da Duracell, só que a duração aqui não vem da superior química creativa mas de uma incapacidade de os reagentes passarem por muitos estados intermédios: é uma música falha de ideias. http://perusio.com/ricercare-sgl-2005










Correcção
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Duas palavras, apenas, para corrigir uma imprecisão: Ann Murray é mezzo, e não soprano... A menos que tenha mudado de tessitura ! É verdade que, ao longo da carreira, várias foram as vezes em que interpretou papéis de soprano - Donna Elvira, do Don Giovanni, por exemplo. Quanto ao resto, aprecio o seu blog, que leio com regularidade.
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Il Dissoluto Punito, ossia João Galamba de Almeida
(operaedemaisinteresses.blogspot.com)










Inundações, tempestades e secas. O gelo do Ártico derrete, os glaciares diminuem, os oceanos transformam-se em ácido.
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Por fim, o director da Shell no Reino Unido, Lord Oxburgh, fez um intervalo - mesmo antes da sua empresa ter declarado lucros recorde provenientes essencialmente da venda de petróleo, uma das principais causas do problema - para avisar que, se os governos não tomarem medidas urgentes, "vai acontecer um desastre". Courrier Internacional (edição portuguesa nº14, pág.27)


A temperatura média na Sibéria aumentou três graus centígrados desde 1960, indica um estudo europeu, segundo o qual esta enorme superfície arborizada absorve menos gás com efeito de estufa do que se esperava. http://www.publico.clix.pt (15.07.2005 - 12h06)














2005/07/11

OLGA NEUWIRTH

Nasceu em 1968 algures na Austria e é hoje um dos paradigmas da "nova composição musical". Afastada da inocuidade e pobreza dos "novos neo-clássicos", Neuwirth soube encontrar um caminho pessoal, passando ao lado das estruturações serializantes e o que delas resta. A sua música é trespassada por uma intuição rara que nitidamente induz a escrita numa simbiose entre inspiração e inteligência. A compositora é para além do mais uma intelectual, situação que fica expressa na análise que faz de The Long Rain de Ray Bradbury, que inspirou a sua obra homónima: "a caída sufocante e sem descanço de novas metáforas e descrições no meio das quais está sempre um e único fenómeno que está delimitado; imobilização do significado por movimentos impetuosos dos significantes." (tradução livre minha). Diria que Olga leu Lacan, o que não me espanta mas é admirável para uma artista. Admiráveis são sem duvida as suas criações musicais que abriram mais um sendeiro, com densidade (com "sulco"), nas rotas da contemporaneidade. Ast







O Luxemburgo disse "sim" à constituição europeia. Um sim sob ameaça de demissão do carismático primeiro-ministro que talvez tenha impedido que definitivamente a enregelassem. Jean-Claude Juncker, o último "cavaleiro" com ideais e projectos para a Europa. Bravo!

reprovaram a matemática 70% dos alunos portugueses?! No estado de indisciplina generalizada que se encontra o ensino no reino de Portugal, os alunos aprovados deveriam receber uma medalha do PR no próximo 10 de Junho. E também os professores que conseguiram a proeza de alçar ao sucesso 30% deles.
E que tal a institucionalização efectiva e generalizada de vias profissionalizantes no ensino? Ao que consta, mecânicos, canalizadores, trolhas, etc, não só escasseiam como são caros e mediocres. Vão-nos salvando os imigrantes do leste europeu. Os tais que o Alberto da Ilha não quer na sua área concessionada... O Editor








Ventilada é um belo eufemismo para a falta de arejo em que decorrem estas conversações, com mais seriedade se poderia falar de "hipótese abafada" pelo mais completo e obscuro silêncio que continua a rodear este mistério que é a OSP não ter ficado sediada no CCB. http://arauxo.blogspot.com





Portugal esteve unido à Coroa Espanhola, Olivença como todas as outras localidades lusas. Sempre como parte do Reino de Portugal... ao ponto de ter sido uma das localidades alentejanas a revoltar-se em 1637/38. E, se em 1658 esteve ocupada por Madrid (até 1668), é um facto histórico que toda a sua população, salvo trinta pessoas, resolveu refugiar-se noutras localidades portuguesas, regressando só em 1668, quando a praça voltou para Portugal. E isto quando não se podia ainda falar do ocaso dos Áustrias, que só se deu de facto em 1700. Estamos perante 504 anos de presença portuguesa...mesmo porque em 1658 Olivença foi considerada como parte do Reino de PORTUGAL, recuperada para a administração da coroa espanhola.
Não resisto a recordar que Gibraltar só veio para a Coroa Castelhana, por conquista aos muçulmanos, em 1462, ainda que em 1309 tenha sido conquistada pela mesma, mas perdida logo a seguir. Tendo sido ocupada pela Grã-Bretanha em 1704, e cedida à mesma no Tratado de Utrecht em 1713-14, só esteve integrada em Castela/Espanha durante 242 anos. A História tem ironias divertidas. http://duascidades.blogspot.com





...a Ministra da Cultura refere en passant a "dificuldade maior" que terá sido a aceitação pelos fundadores do "princípio da integração da ONP" na da Casa da Música. Sabe Deus e gostariamos nós de saber que argumentos de argúcia admnistrativa, que é o mesmo que dizer de esperteza saloia, se podem ter invocado contra a medida óbvia e acertada da instalação da orquestra neste equipamento maior da cidade. Honra seja feita à firmeza do Ministério e esperemos que este acordo de "princípio" não se venha a revelar apenas o princípio de mais um equivoco. http://arauxo.blogspot.com














2005/07/09

Claude Simon

Nascido a 10 de Outubro de 1913 em Tananarive, no Madagáscar, prémio Nobel da literatura em 1985, foi a enterrar sábado, 9 de Julho de 2005. Simon combateu com os republicanos durante a guerra civil de Espanha, experiência que transcreveu em "O Palácio", escrito em 1962.






Peu de compositeurs contemporains ont aussi bien réussi à l'opéra que le Belge Philippe Boesmans, né en 1936. On ne voit guère que l'Allemand Hans Werner Henze et le Finlandais Aulis Sallinen pour avoir, comme lui, renouvelé le répertoire lyrique contemporain, longtemps jugé incompatible avec le principe d'innovation cher aux créateurs d'avant-garde. http://www.lemonde.fr (06.07.05-14h32)






A grande ajuda para África seria persuadir o G-8 o IMF, o BM a pôr lá gente que baixe os impostos e contribua para a transparência. Dar dólares e euros ao continente africano para reembolsar banqueiros ocidentais não ajuda a expandir as economias esmagadas por corrupção e impostos. As políticas estúpidas do IMF promovem aumentos do imposto e desvalorizações de moeda inflacionada em África em troca de dinheiro para os governos ocidentais pagarem aos banqueiros de Nova Iorque York. A taxa de imposto é de 30% no Sudão para rendimento per capita de $5.
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Infelizmente, vai ser difícil impedir que os neoconservadores americanos venham reclamar um “bom velho ataque” ao Irão e Síria. A al Qaeda tem os seus “melhores inimigos” na direita americana. A luta contra a pobreza e a mudança energética ficarão para depois. http://duascidades.blogspot.com


LONDRES (Reuters)
Todas as explosões mataram mais de 50 pessoas no pior ataque sofrido por Londres em tempos de paz. Autoridades disseram que os atentados têm marcas da Al Qaeda. http://br.news.yahoo.com (Sáb, 09 Jul - 09h13)













2005/07/05

PASCAL DUSAPIN


Em 2003 estreou na Ópera da Bastilha o seu quarto trabalho no "género operístico": Perelà, Uomo di fumo é uma obra de grande inspiração conceptual, orquestral e dramática que faz dela uma referência principal do repertório. No mesmo ano da estreia de Perelà, Dusapin compôs Momo, uma ópera para crianças que foi apresentada este ano no Porto. A minha preferida pela concisão estrutural e dramática é MedeaMaterial, já referida numa selecção de cd's que se encontra nos arquivos deste blog.

Dusapin, que foi aluno de Iannis Xenakis, manteve sempre uma independência estética e estilística (tanto em relação aos "novos" neo-classicismos, como em relação às escolas seriais e pós-seriais, como em relação às estéticas do próprio Xenakis) que aliada ao seu talento e inteligência musical lhe garantiu uma personalidade artística singular e inovadora que o alçou à "grande história", sendo hoje um dos "incontornáveis" da criação musical. Aqui fica um excerto de uma entrevista a propósito de Perelà. No idioma em que foi feita. Ast




Bruno Serrou: Avez-vous construit votre ouvrage en pensant à la tradition de l’Opéra de Paris ?
Pascal Dusapin: Ce projet convient parfaitement aux exigences d’un Opéra National comme celui-ci. Mais je n’y ai pas pensé en composant Perelà, bien que ce projet ait été beaucoup plus lourd à réaliser que les trois précédents, puisqu’il m’a demandé trois ans et demi de travail intense et particulièrement exténuant. Mais cet ouvrage reste un problème d’ordre purement technique. C’est-à-dire que lorsque j’ai conçu To be sung pour le Théâtre des Amandiers, j’ai résolu des questions sur la partition elle-même, sur le projet de la représentation, et sur le lieu et les conditions de travail que me proposait ce lieu. Il est évident que quand je suis à l’Opéra National de Paris, qui plus est Bastille, avec tous les enjeux que ce théâtre présuppose, ainsi que l’immensité de la salle, je suis obligé de me poser la question de l’histoire de cette institution. Je peux l’aborder d’un point de vue social, en me disant « oh la la, c’est pesant, c’est politique, c’est mondain, c’est l’Opéra de Paris », ce dont je me fiche éperdument. J’espère être assez honnête avec moi-même. Il est certain que cet Opéra induit non pas une écriture mais une dimension lyrique tout à fait particulière. Mais Perelà ne pouvait qu’être donné dans un lieu comme celui-ci.

B. S. : L’orchestre de Perelà est-il plus vaste que ceux que vous avez mis en jeu jusqu’à présent ?
P. D. : Il nécessite une centaine de personnes, dont trois percussionnistes et un timbalier. Mais ce n’est pas un orchestre hors normes. Les instruments à vent sont par trois ou quatre, et j’y associe une électronique assez discrète, pour engendrer un son que l’on trouvait déjà dans To be sung et qui n’est pas fait pour être clairement entendu. Il s’agit en fait d’un décor sonore réalisé à la Kitchen. Je tenais à ce que tout soit centralisé dans la salle avec les moyens du bord.

B. S. : Qu’en est-il des chœurs ?
P. D. : J’ai fait appel à l’Ensemble Accentus de Laurence Equilbey, parce que je confie aux choristes quantité de petits rôles. Il y a même un très bref passage à quatorze voix réelles. L’Opéra de Montpellier, qui reprend l’opéra peu après, utilisera ses propres chœurs. Mais il m’apparaissait important pour la création de disposer d’un chœur qui corresponde pleinement au projet. En outre, cette œuvre n’a pas besoin d’un chœur aussi important que celui de l’Opéra de Paris, mais d’un ensemble de chambre de trente-deux chanteurs qui font beaucoup de choses.

B. S. : Combien votre opéra compte-t-il de personnages ? Quel est le découpage de l’œuvre ?
P. D. : Il compte une dizaine de rôles et est divisé en dix chapitres.

B. S. : Cette idée de chapitres à un côté biblique !
P. D. : C’est vrai, je n’y avais pas pensé ! C’est en fait un hommage au livre lui-même, Le Code de Perelà.

B. S. : Comment se présente le livre de Palazzeschi ?
P. D. : L’édition originale parue sous le titre Le Code de Perelà date de 1911 ; écrite quarante ans plus tard, la seconde édition est intitulée Perelà, uomo di fumo. Ces deux éditions ne se terminent pas de la même façon. La seconde version se subdivise en dix-sept chapitres, et j’en ai adapté dix. J’ai dû couper beaucoup d’éléments. Sinon, c’eût été impossible, à moins de cent cinquante chanteurs solistes. Cette aventure était également littéraire, puisque j’ai réalisé l’adaptation sans toucher un seul mot de Palazzeschi. Tout est extrait du livre, y compris la structure. Le premier chapitre s’étend sur trente-cinq à quarante minutes, le dixième dure deux minutes. Les chapitres s’enchaînent, mais il y a un entracte pour la symétrie. Les quatre premiers chapitres sont plus longs que les six derniers.

B. S. : Quel rôle attribuez-vous à votre orchestre ?
P. D. : Il est un individu à part entière. Il fait beaucoup de choses différentes et participe à l’intrigue sans émettre aucun avis. Il n’est pas dans la psychologie de l’histoire, mais est une sorte de factotum. Il accompagne, anticipe, commente, prévient, fait monter le suspens, se fait plus ou moins ludique... Il est très vocal au sens choral de la tragédie grecque. Bref, il s’agit bien d’un orchestre d’opéra à part entière !

in http://www.resmusica.com (11/02/2003)







Le label Alpha a décidé de baisser le prix de ses albums de 20%. Défenseur d’une juste cause au sein du concert européen, le fondateur d’Alpha, Jean-Paul Combet, s’engage ainsi pour une « harmonisation nécessaire ».
in www.resmusica.com (01/06/2005)














2005/07/01

KLAUS IB JORGENSEN

Um nome que dirá pouco à maioria dos "melómanos" portugueses. Foi-me recomendado pelo Kami que é um compositor português ainda em fase de "gestação".

Jorgensen nasceu em 1967 algures no reino da Dinamarca e a sua escrita musical introduz não só uma lufada de ar fresco no impasse em que vegetam parte dos criadores da actualidade, como inova. Inovar surge como uma "coisa" que parece muito pouco provável depois de tudo ser re-experimentado e verificarem-se "recolhimentos" de muitos compositores nas estéticas neo-clássicas ou "para-neo-clássicas". Não se percebe se por facilidade, se por mêdo de (tentar) desbravar caminhos, se por pura falta de inspiração.

Por isso me parece tão substancial referir aqui este dinamarquês que trabalha o acordeão, instrumento iminentemente tonal, de uma maneira inteligentemente inovadora num contexto não tonal e na forma de "música de câmara".

A intuição musical e o talento coexistem aqui com a criação de uma estética singular e genial. Um nome a não esquecer porque nos mostra que há vida para além de marte... Ast













2005/06/28

ORÇAMENTOS


Poderá parecer inacreditável se se disser que o Teatro Nacional de São Carlos possuiu um orçamento base superior ao do serviço de música da Fundação Calouste Gulbenkian cuja actividade é conhecida de todos.

É de facto inacreditável porque a Gulbenkian não só tem uma Orquestra residente que faz o que a orquestra daquele Teatro Nacional não faz ou seja concertos regulares fora de Lisboa, como tem uma companhia de dança que também tem uma actividade descentralizadora.
Como todos sabemos a "essência" da programação da Gulbenkian é a temporada de convidados que vão desde solistas de primeiro plano mundial até ao ciclo das grandes orquestras que nos tem possibilitado escutar em Portugal os melhores agrupamentos sinfónicos da actualidade, para já não falar das "divas" do canto que não vão actuar ao São Carlos mas fazem recitais ao longo das temporadas da Gulbenkian. Portanto entre uma e outra instituição não há comparação possivel.

Mas há! Ao nível dos orçamentos... O TNSC tem um orçamento de 15 milhões de euros, um dos quais dado pelo seu mecenas. O serviço de música da Gulbenkian no presente ano deve ter cerca de 14 milhões (que tenderão a diminuir nos próximos anos). Mas na realidade a Gulbenkian conta com substancialmente mais porque há mecenas que a apoiam com milhões de euros? Sem dúvida. A Gulbenkian que conta com rendimentos próprios que lhe permitiriam garantir sem outros apoios toda a temporada preocupa-se em encontrar mecenas que lhe dão muito mais que o milhão que o TNSC consegue. Porque será...

O grande problema é que 14 dos 15 milhões do orçamento do TNSC saem direitinhos do bolso de todos os contribuintes portugueses que não recebem nada em troca. O problema é que o TNSC em termos internacionais é e vai continuar a ser um teatro de ópera de quinta categoria. O problema é que o TNSC apresenta como "grande compositor internacional" um Azio Corghi (que pela terceira vez é convidado a apresentar óperas suas todas baseadas em libretos criados a partir de obras de Saramago) que só o é para alguns italianos e para o director do TNSC. Corghi não é de todo um compositor de primeiro plano na cena mundial. Poderíamos citar dez nomes reconhecidos como compositores históricamente relevantes que Corghi não entraria sequer num grupo alargado a vinte.

Se compararmos, por exemplo, o trabalho e o interesse público das actividades desenvolvidas pela Orquestra Metropolitana de Lisboa, que conta com uma excelente academia de música, com a actividade e o interesse público da temporada do TNSC concluiriamos, sem ter de recorrer a números, que a OML é imensamente mais importante para o país que o TNSC. Poderiamos também referir como exemplo a Sinfonietta de Lisboa que recebe do estado uma quantia ridícula e que não faz menos concertos que a Orquestra Sinfónica Portuguesa (que na prática é orquestra do TNSC o que é uma anacronia pois esta orquestra deveria andar a fazer concertos por todo o país em vez de estar adstrita à programação do S. Carlos).

Interessante seria compararmos o montante total que o Instituto das Artes tem para apoios aos agrupamentos musicais, de dança e teatro de todo o país com os gastos fixos do TNSC (pois se comparado com o orçamento total seria não só escandaloso como indecente). Interessante também seria discriminar-se o que é gasto com ordenados e ajudas de custo aos directores e outros funcionários, daquilo que é gasto com os ordenados dos músicos da OSP que são várias dezenas e que são os protagonistas fundamentais deste "enredo" (ainda que toquem pouco: uma orquestra profissional em qualquer parte do mundo faz pelo menos um concerto por semana. Mas o problema da OSP é o TNSC). Para se arranjarem bons gestores, directores e relações públicas basta ir às universidades portuguesas e fazer uma selecção entre os finalistas que cada ano concluem as respectivas licenciaturas. Os músicos da orquestra foram admitidos por concurso internacional. É bom que isto fique bem explicitado pois são os únicos na Fundação São Carlos que passaram por essa triagem. Deveria especificar-se, por exemplo, quanto se gasta com o côro que práticamente só actua quando há óperas que o necessitem (há várias que não necessitam de côro). Na realidade nunca se percebeu o porquê do côro do TNSC nunca ter passado a semi-profissional (como é o caso do da Gulbenkian que funciona muito bem). O Editor


Nota: Na revista Visão de 30 de Junho 2005 são postos a público os salários, ajudas de custo e prémios anuais de alguns dos gestores públicos portugueses. Após um rápido visionamento é fácil concluir-se que tanto o orçamento do S. Carlos como as regalias dos políticos que Sócrates acaba de modificar são uma muito pequenina ponta de um iceberg com colorações terceiro-mundistas. Ao governo impõe-se agora regular estes casos tendo como referência o ordenado do Presidente da República. Num estudo internacional realizado há algum tempo ficou patente que o grosso dos gestores portugueses para além de serem desprovidos de uma visão de longo prazo e de uma dinâmica laboral de grupo, disfrutam de regalias muito além do seu valor e da sua produtividade. Seria interessante que, tal como acontece com os músicos das orquestras nacionais, estes cargos fossem preenchidos por concurso internacional, seleccionados igualmente por um júri internacional. OE










O mais velho antifascista, o maquis da lendária resistência francesa, o amigo de Humberto Delgado, o fundador da LUAR, o presidente temporário do PPD, o apoiante do PS , após uma vida estendida por três séculos, partiu, ontem, aos 105 anos, para o "Oriente Eterno", como os seus irmãos maçons designam a morte. Emídio Guerreiro foi "uma mistura de Dom Quixote e de Che Guevara", na expressão do advogado conimbricense, fundador do PS e grão-mestre do Grande Oriente Lusitano (GOL), António Arnaut.
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Contestatário do Golpe do 28 de Maio, não só seria um dos participantes da Revolta do 7 de Fevereiro de 1927, que podia ter acabado com a recente ditadura militar - se as guarnições de Lisboa se tivessem sublevado, não deixando os sediciosos do Porto isolados -, Emídio Guerreiro nem sequer ligou ao seu estatuto de assistente de Matemática na Faculdade de Ciências e, aquando da visita de Carmona à Invicta, em 1932, imprimiu um panfleto a exortar a população a receber o Presidente da ditadura com "merda, muita merda, merda às mãos-cheias".
Preso e torturado, acabaria por fugir do Aljube e exilar-se em Espanha, onde se envolveria, com o grupo dos "Budas de Madrid" (Jaime Cortesão, Moura Pinto e Jaime de Morais), na fracassada "revolução dos tanques", conforme relatou ao seu biógrafo Encarnação Viegas. Vivendo em Santiago de Compostela, seria surpreendido pelo golpe militar franquista em Vigo, onde se deslocou a pedido do alcaide, ali assistindo, impotente, ao fuzilamento do autarca. Um seu aluno, embora adepto dos falangistas, protegeu o professor, conseguindo-lhe um contacto com o cônsul inglês, que, perante as dificuldades de um irmão maçon, lhe garantiu o embarque num cargueiro para Gibraltar, de onde o português partiria para França.
Logo a seguir, retornava a Espanha, para se bater ao lado dos republicanos contra os falangistas, voltando a passar a mesma fronteira na "leva" dos derrotados. Adoeceu no campo de refugiados, mas conseguiu evadir-se dali, acabando por entrar na clandestinidade e aderir à resistência contra a ocupação nazi. O "capitão Hélio", seu nome de código, foi reconhecido como herói gaulês no fim da II Guerra Mundial, sendo integrado na forças armadas francesas com o posto de capitão e condecorado com a Cruz de Combatente Voluntário na Segunda Guerra Mundial. Desde essa época e até ao fim do Estado Novo, fixou-se em França, onde seria um dos professores que introduziram as matemáticas modernas no ensino liceal.
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Regressado a Portugal, foi um dos fundadores do PPD, assumindo mesmo a liderança, em 1975, quando Sá Carneiro se afastou para, depois, regressar em triunfo ao partido - de onde sairia Emídio Guerreiro, que, anos volvidos, dava o seu apoio ao PS. Quando alguém lhe dizia que tinha sido do PSD, lembrava ao DN Vasco Lourenço, nome da Revolução dos Cravos e membro da maçónica Loja 25 de Abril onde ambos pisavam o mesmo "pavimento em mosaico", o velho oposicionista sublinhava "Nunca fui do PSD; fui do PPD." in http://dn.sapo.pt (2005/06/30)











Os bispos portugueses querem as escolas com uma educação sexual controlada. Em nota, a Conferência Episcopal defende o direito de os pais intervirem na definição dos programas e na selecção dos professores que leccionem a disciplina, insurgindo-se contra as metodologias pedagógicas "que excitam a imaginação e exploram sensações de forma manipulatória". http://dn.sapo.pt/2005/06/29/sociedade/educacao_sexual_mais_controlada.html


Este tipo de discurso leva-nos a imaginar o que se poderá passar no interior da "igreja" e dos seminários...
E que pais é que a igreja quer que controlem os professores? Os mesmos que insultam nas estradas portuguesas? Os que cospem no chão? Os que se demitem da função de educadores? Ou aqueles que molestam as próprios filhos e que a maior parte das vezes é a "escola" quem descobre e denúncia um crime que na generalidade dos casos se prolonga anos?
Tirando estas "minudências"(...) as questões que se levantam face à intervenção da igreja são: quanto acabam de vez as interferências absurdas e inaceitáveis da igreja no ensino do estado que é laico? Que aberração é essa de ainda existir uma disciplina de "religião e moral católicas" numa Europa de diferenciação religiosa? Quando é que o Estado assume o dever de definitivamente separar as águas? OE














2005/06/27

A CASA DE BERNARDA ALVA NO TEATRO SÃO LUIZ

A Casa de Bernarda Alba, uma peça de teatro a partir da obra de Frederico Garcia Lorca, foi transformada numa obra de dança por Benvindo Fonseca, que criou uma estética interessante, com os bailarinos, no início, dispostos em plano diagonal, envergando figurinos originais, vestidos compridos, pretos, com um corte simples e com uma armação redonda na base, que os bailarinos manuseiam, criando movimentos interessantes, mas que poderiam ser mais explorados.

O facto de ser um bailado criado a partir de uma peça de teatro dá-lhe uma base rica e concreta, uma narrativa intensa; tinha tudo para resultar numa grande obra, se não fosse a incapacidade de gerir o tempo das "cenas", que são demasiado longas e que por isso esgotam o conteúdo a explorar; o público já não tolera isso no teatro, os encenadores têm de gerir muito bem o tempo das cenas para não entediar o público. Já Noverre, no século XVII, e Fokine, no início do século XX, com as suas ideias renovadoras (e reformadoras), abordam esta questão, e os coreógrafos devem estar atentos a ela; talvez nem todos se preocupem ou nem sequer se questionem se o que estão a criar pode saturar o público, pois talvez a sua subvenção não dependa directamente dele; o ponto de vista do espectador é essencial - colocar-se "na pele" do espectador.

Todo o aparato do cenário montado e desmontado pelos próprios bailarinos era desnecessário, um palco vazio teria tido maior impacto, e evitar-se-iam as interrupções geradas. O teatro experimental tem sabido criar ambientes subjectivos, espaços materialmente vazios, mas cativando o público pelo imaginário. Para os teatros experimentais e amadores foi inicialmente uma imposição devido à falta de meios financeiros e técnicos para criar grandes cenários, mas que resulta muito bem. Por vezes quando se tem todos os meios financeiros, o esforço criativo e a auto-exigência diminuem.

Existem momentos em que os bailarinos dançam em simultâneo, ou em cânone: os movimentos de simultaneidade não foram bem conseguidos, não existe rigor e exactidão onde supostamente as bailarinas deveriam fazer gestos iguais e ao mesmo tempo. O grupo que dança atrás, ao fundo do palco, composto por três bailarinos e uma bailarina, foram tecnicamente muito mais rigorosos. Mas é de salientar toda a parte interpretativa, em que os bailarinos conseguem transmitir emoções fortes, sentindo realmente o que dançam. Destaque para a bailarina que interpreta a Criada mais nova, com uma técnica excelente, e para o par de bailarinos que desempenham os amantes, que fazem um "pas de deux" muito interessante. Sofia Meireles














2005/06/25

SINFONIETTA APRESENTA NEO-CLÁSSICOS NA SOCIEDADE DE GEOGRAFIA


A Sinfonietta de Lisboa apresentou-se dia 24 de Junho na fabulosa sala da Sociedade de Geografia (também em Lisboa) sob direcção do seu maestro titular, Vasco Pearce de Azevedo.
Do repertório constaram Cinco Peças de Carácter de Eurico Carrapatoso para corne inglês e orquestra de cordas. O solista foi Pedro Ribeiro que teve uma prestação notável.
O concerto começou com Pelimannit-Fiddlers de Einojuhani Rautavaara que é uma peça com algum interesse.
A segunda parte iniciou-se com uma peça aborrecida e desinteressante: Six Préludes de Jean Français onde o contrabaixista Panta Nunes executou um difícil solo, demonstrando ser um intérprete excelente dotado de uma sólida técnica.
Também Dowland Suite de John Ireland, que finalizou o concerto, carece de rasgos criativos e fica-se por lugares comuns. Nesta peça a Sinfonietta demonstrou maior consistência interpretativa. É um trabalho que utiliza muito as tessituras médias e graves ficando patente que esta orquestra se move melhor nestas zonas que nas agudas e sobre-agudas.
Uma orquestra de cordas necessita de ter uma afinação perfeita, para além de uma sonoridade "cheia" e "redonda" em todas as tessituras. Como "base". Por isso este agrupamento tem ainda um caminho, que seguramente irá trilhar, até conseguir afirmar-se como um conjunto de excelência. Quanto à escolha do repertório considero absolutamente fundamental que haja uma maior variedade estético-estilística e que em cada concerto seja interpretada pelo menos uma obra contemporânea "referência", sob risco de desmotivação dos músicos e do público. Ast





Democrática, espontânea, próxima das emoções do homem moderno, a dança contemporânea entusiasma os russos. Arte experimental, colmata a impossibilidade de dizer por palavras aquilo que não podemos calar. in Courrier Internacional nº12, pag.38














2005/06/20

COMPAGNIE LINGA APRESENTA UN TRAIN

Un Train peut toujours en cacher un autre (Um Comboio pode sempre esconder um outro) apresentado no Centro Cultural Olga Cadaval, em 18 de Junho, é inspirado em Le Train Bleu (O Comboio azul, 1924) de Bronislava Nijinska, Companhia Ballets Russes, considerado não uma bailado mas uma comédia musical, um espectáculo muito inovador para a década de 1920, misturando a linguagem do ballet clássico com elementos de ginástica acrobática e vários tipos de desport (Nijinska dançava, atrevidamente, passos de ballet com uma raquete de ténis na mão).
A Companhia Linga reproduz algumas imagens alusórias à obra de Nijinska, como homens na praia que mostram os seus músculos em port-de-bras desportivos; a mesma imagem de uma praia imaginária, onde as pessoas chegam num comboio…azul (que em 1924 simplesmente não aparece, porque já partiu, a alta velocidade, e que a companhia suiça agora em 2005, realça, pela inclusão de cadeiras dispostas em filas, dentro do próprio palco, onde sentam parte do público, o que dá a ideia de um comboio parado).
Os dois pares de namorados encontram-se, descem do comboio para a praia, a praia espera por eles…
Duas raparigas e dois rapazes: elas não como rivais, mas sim como amigas, conversam sobre banalidades do quotidiano, fazendo gestos e movimentos independentes da conversa que estão a ter, como se o corpo e a fala estivessem desligados. Eles, por seu lado, observam-nas, dentro de um “comboio de pensamento-movimento”. A homossexualidade, ou a bissexualidade, demonstradas abertamente (elemento ausente no bailado original), os dois homens com vestidos compridos dançam juntos, de forma romântica e dramática.
Os movimentos são mais agressivos, mais sentidos, mais vividos, mais expressivos que os do bailado de Nijinska. Os dois homens são como que atingidos por algo que faz os seus corpos pender para trás. Linguagens que se repetem, “Le Train Bleu” como um passado, pois agora junta-se um outro comboio, com mais impulsos e novas histórias.
Cenas delimitadas, como se estivessem dentro de diferentes vagões, sempre ligados por algum movimento ou linha condutora.
Uma sociedade onde os interesses já são outros, diferentes dos interesses dos anos vinte, onde a vida parece mais rápida… a temática é semelhante ao bailado de 1924, que também reflecte uma nova época e uma nova velocidade, um novo estilo de vida, relativamente ao século XIX.
A temática da infidelidade surge novamente, tal como em 1924: a imagem de um elevador cheio de pessoas que impedem o relacionamento entre um homem e uma mulher apaixonados que tentam beijar-se mas há sempre alguém que interfere e os separa. Elas correm com o peito nu, já não sobre a praia como as pintava Picasso, mas sim continuando com a procura da liberdade. Sofia Meireles e Lib Pitalúa










Giulini deixa tanto entre nós: aquele D. Giovanni impossivelmente belo e perturbante; o Stabat Mater do Rossini; a sem dúvida mais diferente de todas as outras versões da "Incompleta" de Schubert; o meu Falstaff favorito; pessoalíssimas versões das sinfonias de Beethoven; e o Requiem de Verdi que, finalmente, se cumpriu, na versão de Carlo Maria: um requiem para os vivos e não para os mortos, como o queria Verdi. (in bajja.blogspot.com)











"C'est la seule chose qui importe vraiment pour les Etats-Unis : l'accès de la Turquie à l'Europe." (Walter Russell Mead, du Council on Foreign Relations in lemonde.fr - 20.06.05, 13:07h)


Em conferência de imprensa para analisar a actual situação na Europa, Durão Barroso apelou ainda aos 25 para não ignorarem as preocupações das opiniões públicas de diversos Estados-membros sobre a Turquia. (15:54 / 22 de Junho 05) in tsf.sapo.pt/online/internacional


Note-se que o Reino Unido apoiou este figurino de orçamento até 2013 no acordo agrícola de 2002 e apenas protestou a quatro dias da cimeira, justamente quando o seu cheque britânico foi posto em causa.
Diário Económico (23 de Junho 2005, pag. 42)


"Jean-Claude Juncker precisa ser colocado na galeria das grandes personalidades européias", avaliou Schulz.
Juncker, que foi aplaudido várias vezes durante um discurso cheio de entusiasmo e muito crítico aos colegas do Conselho que mantêm posturas inflexíveis, disse que "a crise" que a Europa vive "é profunda", mostrando que "não está madura, mas ainda em fase de crescimento".
...
Em relação ao "cheque britânico", disse que "não é verdade dizer" que "tenha pretendido eliminá-lo", mas sim quis dar "um aspecto mais solidário".
A última oferta da presidência foi de um "cheque britânico" de 5,5 bilhões de euros por ano, frente aos 4,7 bilhões da primeira proposta.
Caso esta primeira proposta tivesse sido mantida, seria possível ter amenizado a carga excessiva sobre alemães, suecos e holandeses.
"A Holanda sabia que eu queria diminuir sua contribuição em um bilhão por ano, mas não foi possível porque Londres não quis renunciar a seu cheque. Por isso a Alemanha teve de pagar esse um bilhão, mas já havia cedido bastante", disse.
Juncker também lamentou que Londres tenha rejeitado uma proposta de última hora para considerar uma nova divisão do orçamento que entraria em vigor em 2009, ou a "reflexão sobre todos os aspectos do orçamento", incluindo a Política Agrícola Comum (PAC).
Em relação à PAC, Juncker disse que sua última proposta era uma redução periódica, como os britânicos queriam, de 17% em 2013, mas não foi possível.
br.news.yahoo.com (Qua, 22 Jun, 17h47)














2005/06/17

DEBUSSY E LISZT POR JEAN-YVES THIBAUDET

Na folha que serve de programa no Festival de Sintra lê-se: "Pianista de extraordinária sensibilidade musical... conhecido mundialmente pela sua técnica sofisticada e elegante".
Até pode ter sido o próprio a ter escrito aquilo como muitas vezes sucede. O que nos importa é que é pura verdade. Jean-Yves Thibaudet surprendeu-me. Surprendeu-me porque já assisti a alguns "bluf's" mundialmente promovidos pelas editoras e revistas francesas. A verdade é que também já assisti à apresentação de grandes pianistas trazidos a público pela poderosa "indústria musical" francesa. O caso de Thibaudet é relevante. Apresentando-se logo na primeira parte com o segundo caderno dos Prelúdios de Debussy e deixando para a segunda a espectacularidade lisztiana à qual por vezes parece faltar um pouco de "essência", Jean-Yves fez uma opção inteligente. Após a virtuosidade lisztiana, Debussy poderia surgir ao público muito específico do Festival de Sintra como técnicamente menos exigente, o que não é verdade dado que se tratam de técnicas diferentes. Mas vamos à música que é o que nos interessa.
Os Prelúdios de Debussy tiveram em Jean-Yves uma espécie de mago dos sons. Uma espécie de feiticeiro que trabalhando dinâmicas, colorações e intensidades com a sua técnica que é sem margem para dúvidas "elegante e sofisticada", ofereceu-nos momentos especiais em que a magia da música do compositor francês adquiriu o seu poder máximo. É impressionante escutar Debussy em recital. Mas se e só se fôr por um pianista especial que não só tenha uma técnica exímia como tenha uma intuição e uma inteligência que faça dele um intérprete capaz de se fundir com o peculiar universo debussyano. O absoluto e inteligente controle dinâmico de Thibaudet aliado à depuração sonora, pois ele utilizou muito criteriosamente os pedais, deu-nos um Debussy límpido e cristalino onde tudo foi magia interpretativa. Sem "truques" ou misturas de sonoridades para "baralhar e tornar a dar". Thibaudet será um dos grandes paradigmas da interpretação debussyana.

Na segunda parte, toda dedicada a Liszt, começámos com os "Jeux d'eau de la Villa d'Este" do terceiro livro dos Anos de Peregrinação onde de novo o artista revelou a sua capacidade de criar cores e paisagens sonoras.
Na Balada nº2 pequenas imprecisões não impediram um grande leitura de uma obra virtuosística que denota alguma inconsistência formal, pequenas imprecisões que também aconteceram com a Paráfrase de concerto do Rigoletto que é uma das obras mais defíceis algum dia escritas para o instrumento e onde o pianista conseguiu uma leitura electrificante, deixando para segundo plano as já referidas imprecisões que se manifestaram sobretudo ao nível de quebras dinâmicas nos fraseados em oitavas que aconteciam no meio de intrincados arpejos. Com esta peça terminou em apoteose o memorável recital ao qual acrescentou como extra um nocturno de Chopin e uma deliciosa peça de Monpou: "La jeune fille aux jardins". Mas o melhor da segunda parte foi, em meu entender mas sem grande margem para dúvidas, a interpretação da trancrição que Liszt fez da Morte de Isolda da ópera de Wagner. Já na interpretação da trancrição de "O du mein holde Abendstern" do Tannhäuser, Jean-Yves se tinha mostrado profundo e meditativo. Mas na interpretação daquele excerto de Tristão e Isolda o artista mostrou uma capacidade "genética" no desenvolvimento da tensão dramática com base em crescendos geniais e num fraseado dotado de um balanceamento digno de um grande mestre. Foi para mim, depois do ciclo de Debussy, o melhor momento do pianista neste recital e um grande momento de música sublime. Houve uma só nota errada que face à perfeição interpretativa e à forma arrebatada e consistente da leitura causou um certo sobressalto. Coisas que só acontecem mesmo ao melhores. Bravo Jean-Yves! Ast










En 2003, les trois premiers contributeurs nets étaient les Pays-Bas (0,43% de leur PIB), l'Allemagne et la Suède (0,36%). La France était un faible contributeur net (0,12%) parce qu'elle touchait 23% des dépenses agricoles.
Le Royaume-Uni n'était contributeur qu'à hauteur de 0,16% car il bénéficie d'une ristourne équivalente aux deux-tiers de sa contribution nette et payée par les autres Etats. C'est le seul à avoir ce privilège, attribué en 1984 parce qu'il bénéficiait notamment peu des dépenses agricoles.
Inversement, les plus grands bénéficiaires nets étaient en 2003 le Portugal (2,66% de son PIB), devant la Grèce, l'Irlande et l'Espagne, les pays les plus "en retard" de l'UE à 15.
...
Avec la hausse des dépenses liées à l'élargissement à 25, le rabais britannique va passé à une moyenne annuelle de 7,1 milliards d'euros et sera également financé par les "nouveaux venus pauvres" de l'Est.
Sans modification du système actuel, le Royaume-Uni serait le plus faible des dix contributeurs nets (avec 0,25% du PIB), les Etats baltes et la Pologne devenant les premiers bénéficiaires (avec 4% de leur PIB)
Les Pays-Bas, l'Allemagne et la Suède resteraient de loin les trois premiers contributeurs nets. La présidence luxembourgeoise propose une réduction de leur charge financée par la remise en cause du rabais britannique.
Sans rabais, le Royaume-Uni devient le plus important contributeur net de l'UE (0,62%), ce qui, souligne la Commission européenne, ne ferait que correspondre à son statut de pays le plus riche parmi les contributeurs nets.
(AFP 15.06.2005-13:13h)



"En France, le débat pourra continuer (...) C'est le début d'un débat très honnête", a prédit, confiant malgré tout, M. Barroso, alors que des milliers de manifestants à Paris persistaient et signaient dans leur rejet de la Constitution.
Décalage entre rêve européen et réalité? Alors que les pays membres reportent en cascade leurs référendums, M. Barroso a admis la faiblesse majeure du "plan D": "quel sera le résultat? On ne peut évidemment en préjuger".
(AFP 17.06.2005-13:22h)














2005/06/14

MORREU EUGÉNIO DE ANDRADE


O grande poeta português que marcou toda a segunda metade do século vinte faleceu dia 13 de junho no Porto. Eugénio de Andrade é o poeta português mais traduzido em todo o mundo após Fernando Pessoa. Nasceu em 19 de Janeiro de 1923 na aldeia de Atalaia no Fundão e em 1939 publicou o primeiro poema: Narciso. O seu nome "real" é José Fontinha. oe









GINEBRA, jun 16 (Reuters) - La responsable de Derechos Humanos de la ONU, Louise Arbour, elogió el jueves la decisión de la Corte Suprema de Argentina de anular dos leyes de amnistía que evitaban que los militares enfrentaran a la justicia por los crímenes de la última dictadura.
...
El martes, la Corte Suprema de Argentina anuló dos leyes del perdón que impedían que los oficiales fueran enjuiciados por causas relacionadas con violaciones de los derechos humanos.
La anulación de las leyes permitiría que cientos de militares sean juzgados por los secuestros, torturas y muertes de la dictadura de 1976-1983.
...
De acuerdo con un reporte del gobierno argentino, 11.000 personas murieron o desaparecieron durante la represión sistemática que llevaron a cabo los militares contra los grupos de izquierda. Los activistas de derechos humanos dicen que el número se aproxima a las 30.000 víctimas.
ar.news.yahoo.com (Jueves 16 de junio, 9:24 AM)




La situation est encore plus délicate avec le Royaume-Uni, qui veut absolument garder la compensation obtenue en 1984 et désormais jugée exorbitante par ses partenaires européens, puisqu'elle a atteint l'an dernier 5,3 milliards d'euros.
Si rien n'est fait, ce mécanisme prévu pour un des pays les plus pauvres de l'UE devenu entre temps l'un de ses membres les plus riches, dépassera bientôt les sept milliards d'euros, soit 50 milliards d'euros de 2007 à 2013.
fr.news.yahoo.com (jeudi 16 juin 2005, 15h58)


A posição de partida do Reino Unido é de não negociar o reembolso. Abrir-se-ia, no entanto, uma janela de oportunidade se a França aceitasse uma revisão do método aplicado para a distribuição dos subsídios agrícolas. Para Paris, trata-se de um cenário impossível, porque Jacques Chirac, com a sua reputação já de si afectada pelo "não" francês à Constituição, sabe que uma tal cedência provocaria uma autêntica tempestade política com o epicentro no influente segmento dos agricultores do país.
dn.sapo.pt/2005/06/16/tema/fracasso_anunciado_bruxelas.html




Os passageiros que utilizam o sistema de metrô de Londres estão sendo instruídos a "tomar uma ducha" para evitar odores desagradáveis no subsolo. Tim O'Toole, diretor-gerente do Metrô de Londres, pede que os usuários tenham consideração pelos companheiros de viagem. "Garanto a todos que só ando de metrô, e sempre tomo uma ducha", disse O'Toole a uma estação de rádio, segundo a TV CNN.
br.news.yahoo.com (Qui, 16 Jun - 14h30)














2005/06/11

A SIMPLES GENIALIDADE DO MOVIMENTO

O Ballet du Grand Théatre de Genéve abriu o 40º Festival de Sintra com a apresentação de três coreografias, respectivamente de Saburo Teshigawara, que utilizou uma colagem sonora de Willi Bopp, Andonis Foniadakis, que utilizou os corais das aberturas das paixões Segundo Sao Mateus e Segundo São João de Bach e por último uma coreografia de Sidi Larbi Cherkaoui que utilizou excertos das Mystery Sonatas de Biber.

Em Para-Dice, Teshigawra trabalhou duas cores (o negro e o amarelo) sobre um cenário negro. A conjunção som/movimento permitiu um fluir de construções dinâmicas contrastantes que potênciadas pela bipartição colorística produziram impactos visuais/auditivos espectaculares. Um trabalho memorável em que foram dispensados quaisquer acréscimos cenográficos para além do que acima foi dito. Básicamente um pano preto como cenário e figurinos negros para os homens e amarelos para as mulheres.

Selon Désir de Foniadakis começou com um tratamento electroacústico de excertos dos corais que depois foram ouvidos na totalidade. Esta introdução sonora criou um efeito de expectativa aproveitado por formas extáticas ao nível coreográfico que entraram numa dinâmica de formações figurativas ao longo de toda a obra sob a potente emocionalidade produzida ao nível sonoro pelos coros das paixões de Bach. A cenografia aproveitou o mesmo fundo negro desta vez com um figurino colorido de roupas comuns que davam ao movimento uma paleta colorística que não assentava aparentemente numa estruturação fixista. Uma obra de impacto visual, dinâmico, sonoro e emocional máximo.

Loin de Sidi Larbi é uma longa peça de teatro-dança onde se ironiza com os conceitos estéticos eurocentristas e onde se assiste a construções dinâmicas impressionantes. No entanto a peça peca, em meu entender, pela falta de consistência formal que investiu as anteriores o que deixa uma sensação de insuficiência. Trata-se no entanto de um interessante trabalho "coreográfico-dramático".

O 40º Festival de Sintra começou da melhor maneira e esperamos que assim continue.Ast


O programa pode ser visto em festivaldesintra.blogspot.com














2005/06/09

ÓPERA DOS TRÊS VINTÉNS NO TEATRO ABERTO

Estreou dia 8 de Junho a conhecida opereta de Kurt Weill naquele teatro em Lisboa.
Uma interessante produção sob direcção musical de João Paulo Santos a quem louvamos a iniciativa de ter abandonado a tutela do côro do Teatro Nacional de S. Carlos para colaborar na constituição de um teatro de ópera alternativo que se está a tornar num paradigma do que pode ser a produção operística em Portugal.
Aqui não há divas a ganharem milhões por vezes com desempenhos que deixam a desejar. Aqui não há supostos "maestros vedeta" alguns dos quais parece só terem mesmo o nome e a imagem. Aqui há trabalho sério onde as pessoas dão o seu melhor e com uma infíma parte do orçamento do S. Carlos conseguem pôr em cena produções "totalmente portuguesas" (excepto neste caso a obra musical cujo texto de resto foi traduzido para português) de interesse maior. Por isso convidamos os leitores a disfrutarem desta muito interessante produção de uma obra datada mas que é um incontornável da "ópera ligeira" de todos os tempos. Parabéns a todos os que com afinco e dedicação ergueram mais um espectáculo que merece o nosso aplauso e incentivo. Ficamos à espera dos próximos. Ast










Lisbonne a reçu des milliards d'euros en aide au développement de Bruxelles depuis son adhésion à l'Union européenne en 1986. in fr.news.yahoo.com (jeudi 9 juin 2005, 10h45)

E quem é que beneficiou com estes milhões de milhões que entraram no país? Onde está a indústria "de ponta", a formação, a educação e a grande competitividade internacional de Portugal?





"Nous ne pouvons pas accepter une réduction quelle qu'elle soit des aides directes à nos paysans", a déclaré M. Chirac. (AFP 09.06.2005 - 15:49)

A Europa da PAC não faz sentido. A PAC enriquece os já ricos agricultores europeus e invalida qualquer competividade por parte das exportações agricolas dos países "em vias de desenvolvimento". É uma aberração e uma imoralidade. A PAC leva 45% do orçamento total da UE e a França é a principal beneficiária.
Cada vez mais o problema, para além dos "nãos" à constituição, parece ser a fixação dos estados em posições irredutíveis no que concerne às políticas financeiras, como por exemplo a Inglaterra que não aceita (supostamente porque a França não quer renegociar a PAC) revêr as compensações que continua a receber como se de um país em dificuldades se tratasse e que a não serem congeladas, como o pretendem todos os outros estados europeus, atingirão níveis absurdos até 2013. Há que (re)lembrar que os holandeses são quem mais contribui "per capita" para os cofres da UE. OE





Samedi dernier, le numéro deux du gouvernement et président de l'UMP, Nicolas Sarkozy, a rappelé son opposition à l'adhésion d'Ankara. "Est-il raisonnable d'ouvrir des négociations avec la Turquie puisqu'il s'agit d'une grande nation d'Asie mineure, pas d'Europe ?" a-t-il demandé lors d'une réunion de son parti.
...
Dominique de Villepin a également estimé que le vote du 29 mai avait posé la question du modèle économique et social européen. "L'Europe est-elle d'inspiration purement libérale, comme le craignent certains ? Doit-elle renforcer sa dimension sociale ? En France comme en Europe, je crois que la vérité est plutôt dans le dépassement de ce clivage, dans la fidélité à un héritage universaliste et humaniste", a-t-il dit.
in fr.news.yahoo.com (mercredi 15 juin 2005, 17h32)


BERLIN (Reuters) - Angela Merkel, chef de file de la CDU allemande et donnée future chancelière fédérale par les sondages, juge qu'il serait "irresponsable" que l'Union européenne ouvre des négociations d'adhésion avec la Turquie.
in fr.news.yahoo.com (jeudi 16 juin 2005, 14h01)




"Las instituciones europeas están a punto de lograr un acuerdo para fijar en 7 000 euros el salario mensual de todos los eurodiputados, independientemente de su nacionalidad, para acabar con el régimen actual en el que los sueldos oscilan desde los 11 779 euros de los italianos a los 800 de los húngaros, pasando por los 2 540 euros de los españoles o los 3 448 euros de los portugueses."
es.news.yahoo.com (7 de junio de 2005, 9h55)














2005/05/27

ABERTURA PARA ORQUESTRA DE JOÃO DOMINGOS BOMTEMPO


Dia 26 a Orquestra Gulbenkian interpretou a Abertura para Orquestra em Dó menor do compositor português. Uma obra de grande talento e inteligente organicidade. Uma criação maior que demonstra que o português foi um compositor inspirado. Bem mais interessante e com mais "veia musical" que outros mais tocados e conhecidos. A orquestra parece ter preparado mal esta obra revelando sucessivas desafinações por parte dos primeiros violinos, "fenómeno" que não é de espantar nesta orquestra...
Seguiu-se o Concerto para violino op. 61 de Beethoven magnificamente interpretado pela célebre Viktoria Mullova que arrebatou a sala. É de facto uma imensa violinista e detentora de uma têmpera de grande artista. A prestação da orquestra foi razoável apesar das descoordenações no último andamento.
O programa acabou com as Danças Eslavas op.46 de Dvorák que não são, para mim, "grande música" mas tiveram uma boa interpretação por parte do agrupamento da Gulbenkian. Lawrence Foster, o maestro titular, foi eficaz. Ast




Um e-mail que vale a pena publicar

É de facto uma obra extraordinária. Sabe que Bomtempo não lhe chamou "Abertura"? O nome original é "Sinfonia para Huma Grande Orchestra". Sendo verdade que, no século XIX, era possível usar ambos os termos indistintamente, não vejo razões para não utilizar a designação original. Conhecendo bem o manuscrito original, acredito estarmos em presença do 1º andamento de uma das cinco sinfonias de Bomtempo que se perderam (!!!) já no século XX. (Ernesto Vieira afirma em 1901 existirem sete sinfonias; como só conhecemos duas...). Seria assim a "incompleta" de Bomtempo...
Há realmente duas passagens terrivelmente difíceis, tanto para os primeiros como para os segundos violinos (que nesta obra não podem fazer cera, têm mesmo de trabalhar tanto como os primeiros). Um abraço, e continue o seu bom trabalho de crítica inteligente e isenta. César Viana














Serviço público: Um taxista agrediu o proprietário de um conhecido bar na capital portuguesa de que resultou a morte da pessoa. Parece que em Portugal se está a fazer passar potênciais criminosos por "profissionais", o que é muito grave quando estão a desempenhar um serviço público e/ou ao público. Tudo questões de (não) educação e (não) formação básica. Que nos levam a questionar para que serve o ensino básico, universal, gratuíto e obrigatório em Portugal. Ou pelo menos a forma como funciona a dita educação básica e elementar que o estado disponibiliza gratuitamente para todos os que a sabem aproveitar mas também para aqueles que não a querendo disfrutar de forma positiva e criativa a "abandalham" e impedem os colegas de se desenvolverem plenamente. O editor.















2005/05/21

ANTÓNIO PAPPANO DIRIGE A ORQUESTRA SINFÓNICA DE LONDRES

Actual titular do Convent Garden, Pappano teve uma actuação fantástica à frente da justamente célebre sinfónica inglesa que nos trouxe obras de Bernstein, Chostakovitch e Rachmaninov. Pappano revelou-se um dos principais e mais prometedores chefes de orquestra da actualidade, onde a absoluta precisão se alia a uma grande inteligência e musicalidade.
On the Waterfront é uma espantosa Suite Sinfónia de Leonard Bernstein que teve nestes intérpretes uma leitura deslumbrante que hipnotisou a grande sala do Coliseu de Lisboa onde se viam algumas clareiras na plateia.
O Concerto para Violoncelo e Orquestra nº1 de Dimitri Chostakovitch, do qual falamos recentemente, teve como protagonista a jovem Ha-na Chang, Coreana, 22 anos, que levantou o público das cadeiras. A sua técnica suprema e a sua intuição musical fazem dela uma grande artista mundial da qual muito há a esperar.
Finalmente a Sinfonia nº2 de Sergei Rachmaninov, que é uma obra longa e formalmente pouco consistente, teve nesta formação uma leitura grandiosa que conseguiu "encher as medidas" de toda a sala. Apesar da obra...
Um concerto de primeiríssimo plano que foi um dos grandes acontecimentos da temporada que agora acaba. Ast















OUÇAM A SOMA DOS SONS QUE SOOAM


É este o título da obra de Jorge Peixinho interpretada pelo Remix Ensemble na Gulbenkian.

Foi um momento em que de alguma maneira se homenageou o compositor prematuramente falecido e também um momento em que podemos uma vez mais compreender aspectos da estética musical de Peixinho. Ele tinha uma capacidade interessante em lidar com a grande forma. A peça com cerca de 15 minutos em um único andamento, onde não existem roturas temáticas substânciais, atesta-o.

Basta comparar com todas as outras obras apresentadas onde ou havia movimentos claramente demarcados ou existiam cortes temáticos evidentes que introduziam a variação e o contraste. A metamorfose em Peixinho acontece dentro e partir do mesmo, o que gera uma consistência elevada mas também é um risco que a não ser bem gerido pode criar uma sensação de monotonia. Tal não acontece pois o compositor era mestre na gestão da tensão. Esta obra é só uma amostra do talento e capacidade de um criador que trabalhou pouco ao nível sinfónico graças a um país que não o soube estimar.

O espectáculo acabou com o Concerto para Clarinete de Elliott Carter, que é uma interessante obra onde o contraste e as oposições solista/agrupamento ou naipes são concebidas de maneira inteligente e eficaz, resultando numa criação de interesse máximo. Ast















SINFONIA 14 DE CHOSTAKOVITCH COM BORIS MARTINOVICH E MIHAELA KOMOVAR


A Orquestra Metropolitana de Lisboa, dirigida por Brian Schembri, re-criou esta obra genial dia vinte na aula magna da universidade de Lisboa, tendo como solistas aqueles fabulosos cantores.

Martinovich demonstrou por que é considerado um dos melhores baixos-baritonos da actualidade. Com uma voz potente mas clara, bem colocada e expressiva, foi protagonista de alguns dos momentos mais emotivos deste concerto. Komocar, a surpresa, trata-se afinal de uma soprano grave capaz de performances do mais elevado nível, devendo-se a ela em grande parte a grandiosidade deste espectáculo.

Esta criação inteligentemente contrastante, densa e com elevada consistência formal, como todas as sinfonias do compositor, pode ser de alguma maneira comparada ao Canto da Terra de Mahler. Estilísticamente são bem diferentes, mas em termos conceptuais podem-se estabelecer parentescos evidentes. Esta sinfonia número catorze é uma impressionante obra lírico-sinfónica de grande impacto emocional. A leitura que nos foi oferecida (literalmente pois foi um concerto de entrada livre) foi inteligente, musical e fez juz a esta obra principal da arte musical.

A orquestra (cordas e percussões) entregou-se totalmente e o maestro foi eficaz e preciso, revelando ter estudado bem a obra, o seu estilo e o seu "espirito". Para resumir basta dizer que foi uma grande interpretação.

A primeira parte foi preenchida com o concerto número um para violoncelo e orquestra do compositor russo sendo Irene Lima a solista. Trata-se de uma obra de elevado grau de dificuldade para o violoncelo solo. Irene Lima revelou-se uma excelente artista. No entanto este concerto exige uma técnica mais apurada, sobretudo nas tessituras sobre-agudas. A orquestra esteve muito bem, com um naipe de madeiras que uma vez mais demonstrou ser excelente. A trompa cumpriu com honestidade e as cordas revelaram-se coesas.

O público presente ovacionou longamente (e justamente) os protagonistas deste grande concerto que nos deixa a pensar como as imagens e as virtualidades condicionam totalmente os comportamentos do público português. A sala que leva muitas centenas de espectadores, tinha apenas algumas dezenas. Perderam (e muito) os que faltaram. Não só perderam um grande concerto sinfónico no qual foi interpretada uma obra fantástica, como perderam o que para mim foi claramente o melhor concerto lírico-sinfónico da temporada e o melhor evento de toda a temporada lírica portuguesa. Agora que se agarrem ás suas imagens (e aos respectivs cd's). Ast















JORGE MOYANO INTERPRETA CHOPIN

Acompanhado pela Orquestra Gulbenkian o pianista interpretou no dia 19 o concerto nº2 de Chopin (que na realidade é o nº1).
Se no primeiro andamento o fraseado de Moyano foi pouco transparente e demasiado linear, já no segundo o intérprete deu-nos uma leitura do "larghetto" plena de poesia. Também no terceiro andamento Moyano teve uma boa performance conseguindo um contraste eficaz e um movimento ritmico convincente. Este concerto é particularmente bem orquestrado. Dizer, como se pôde ler nas notas do programa, que em Chopin "a orquestração é débil" e que nunca há "de facto" diálogo entre o piano e a orquestra é uma tonteria que até o ouvinte desprevenido compreende ser uma idioteira total. É esse o cliché do final do romantismo. Que Chopin não sabia ou não se interessava pela orquestração. Mas isso foi um cliché de há cem anos atrás! Nada mais absurdo e basta ouvir o primeiro movimento para perceber que as intervenções do fagote, do oboé e do clarinete são "diálogos" com o piano. A orquestração do segundo movimento é absolutamente espantosa: trata-se aí sim quase de puro acompanhamento, mas um acompanhamento que contribui decisivamente para todo o balanceamento estrutural do movimento. Só um idiota não compreende isso e pode dizer barbaridades como as que se lêm no programa do concerto. Também no terceiro movimento a orquestração é absolutamente eficaz contribuindo para o contraste dançante dos temas. Chopin esse demasiado inteligente para o caso de não ser necessário uma orquestra para os seus concertos de piano, prescindir dela, como o fez Schumann no seu concerto sem orquestra.
A Orquestra não esteve mal, apesar da não direcção de Scimone que está doente mas sempre dirigiu assim ou seja, incrivelmente mal, sem alma, batendo desacertadamente o tempos (nem sequer marca os compassos), arrastando-se atrás da orquestra que se não se segurar por ela própria entra em colapso e pára. Aliás espantou-me a boa performance no Idilio de Siegfried de Wagner que abriu o concerto pois as cordas estiveram excelentes numa obra em que os violinos, especialmente os primeiros, têm um papel fundamental.
Mas nada justifica a grosseria dos músicos da orquestra que foram incapazes de se levantar e oferecer uma cadeira ao maestro, nitidamente doente, depois deste ter pedido ao pianista um extra (para contentamento de uma sala repleta de público entusiasta) e ficou de pé, durante longos momentos, a escutá-lo num "encore" de Chopin (uma grande valsa) onde o intérprete demonstrou a sua profundidade de leitura e a sua grande intuição musical. Ast




"Quando pudermos ver nos ecrãs o equivalente à Vida de Brian, com Maomé como protagonista, realizado por um Theo van Gogh árabe, então teremos dado um grande passo." do livro De Maagdenkooi (A jaula das virgens) de Ayaan Hirsi Ali, citada no volume seis da edição portuguesa do Courrier Internacional














2005/05/06

SAKARI ORAMO DIRIGE SIBELIUS E MAHLER

À frente da Orquestra Gulbenkian o conhecido maestro finlandês apresentou-nos A Filha de Pohjola e Luonnotar de Jean Sibelius, esta última com a participação da soprano Anu Komsi, da mesma nacionalidade.

A primeira obra é uma criação onde a magia está presente no discurso musical e na fantástica orquestração do compositor finlandês que encontra neste director um intérprete que intui a "essência" do seu espírito musical e criativo. Uma obra maravilhosa onde o maestro arrancou a orquestra de um certo amorfismo e a ganhou para uma interpretação totalmente conseguida pese algumas falhas irrelevantes no conjunto.

Luonnotar é uma obra dotada de um certo dramatismo imbuído de mistério. Trata-se de um outro espírito distinto das "paisagens" mágicas da obra anterior. Luonnotar é uma obra "profunda" e na medida em que todos os cisnes são brancos até que nos apareça um negro, a "profundidade" costuma andar de mão dada com o drama sendo que o "mistério" pode coexistir tanto com o drama, como com a magia. A escrita da voz move-se nos registos agudos contrapostos às tonalidades "profundas" e graves da orquestra. Apesar de considerada "especialista" em Sibelius a voz de Komsi é, nos agudos, demasiado aberta e pouco timbrada não conseguindo transmitir-nos o mistério colorido de drama (a criação pode também ser um drama. Ou o início dele...) que suporta esta obra, também ela de alguma forma maravilhosa.

Depois do intervalo Oramo dirigiu a Quarta Sinfonia do maior sinfonista de todos os tempos: Gustav Mahler. Desde já devo realçar que este concerto foi talvez o momento alto da actuação da Orquestra Gulbenkian ao longo da temporada que está prestes a terminar. Como à partida isto não diz muito (pode-se talvez deduzir que devo ter gostado) vou tentar desenvolver.
Esta sinfonia é a de execução mais simples (isto é: menos problemática) e é a mais curta do ciclo das sinfonias de Mahler (é disso que se trata: deram-se conta que logo no primeiro andamento o trompete enunciou textualmente o primeiríssimo tema da quinta sinfonia). No entanto possui um poderoso adágio (Ruhevoll) em que as cordas garantem o fundamento e a continuidade discursiva. Um "cluster tonal" impressionante introduz-nos na coda que termina o andamento e nos conduz de imediato ao movimento final que o criador indica como "muito agradável" e que foi extraído do ciclo Des Knaben Wunderhorn.
A direcção de Oramo demonstrou-nos que este director é já um grande chefe de orquestra. Talvez por isso conseguiu deste agrupamento da Gulbenkian um prestação bem acima do habitual. A tranquilidade suspensiva que conseguiu no adágio que afinal aparece como um "tranquilo" foi notável. As respirações a que induziu a orquestra e que pontuavam um discurso de uma "tranquilidade profunda e sentida", surpreenderam-me. Quando este andamento estava para começar e os músicos estavam já de instrumento debaixo dos maxilares (concerto de quinta), o maestro sorrindo colocou as duas mãos sobre a estante da partitura obrigando-os a colocar os instrumentos em posição de "attente" pois quem dá a entrada é ele e não a pressa dos músicos, mostrando-lhes desta maneira que iam para um "tranquilo" reflexivo, como toda a música de Mahler. Sem essa compreensão não existe interpretação mahleriana. A Orquestra Gulbenkian teve sorte. Teve sorte em ter Oramo a dirigir Mahler. E teve sorte porque com um maestro qualquer de terceira categoria esta interpretação poderia não passar de uma amálgama sem espírito, sem "substância" e logo sem sentido. Assim o agrupamento da Gulbenkian aproxima-se do fim da presente temporada com a "cotação em alta".
Individualmente tenho de salientar todo a performance do oboísta Pedro Ribeiro. Com este intérprete a Gulbenkian tem garantida pela tabelagem mais elevada a continuidade do trabalho iniciado por Swinnerton. Pessoalmente gosto bastante mais do desempenho de Ribeiro que de Swinnerton. O primeiro fagote esteve muito bem, o mesmo se passando com o corne inglês e as flautas. O clarinete de Esther Georgie... nesta obra esteve bem. Pois. Numa obra em que o autor pede frequentemente um som aberto, rústico e com um toque de agressividade, a primeira clarinetista sai-se bem. Muito bem esteve o clarinete baixo. Jonathan Luxton o "número um" do naipe das trompas merece um bravo. Malher exige sempre um trabalho solista por parte do primeiro trompa e Luxton correspondeu. Todo o naipe das trompas, com uma única ressalva no concerto de quinta, esteve bastante bem. Os trompetes, como habitualmente, com o Stephen "à cabeça", estiveram excelentes. Igualmente para a harpa e para os percussionistas com Voss nos timbales. As violas e os contrabaixos estiveram bem. O naipe dos violoncelos no conjunto revela uma sonoridade pouco homogénea, pouco redonda e pouco consistente. Uma situação estranha dado que é um naipe constituído por bons músicos. Os violinos estiveram regulares conseguindo fraseados nos pianíssimos do terceiro andamento que muito contribuiram para a boa performance global. Não gostei do solo do concertino principal no início do segundo andamento: ríspido como deveria ser mas tenso e quadrado. Gostei bem mais do solo da concertino auxiliar que tem um fraseado mais flexível e com mais "alma", coisa que parece ter-se ausentado do concertino principal. Anu Komsi no andamento final esteve melhor que em Sibelius. Trata-se de um canto que se movimenta sobretudo nos registos médios onde a artista denota um timbre bem mais suportado e cheio.

O balanço final, como agora se deduz fácilmente, é francamente positivo e surpreendi-me de algum modo ao escutar esta orquestra a tocar Mahler bem acima daquilo que normalmente esperaria. Não se esqueçam de enviar ao maestro um ramo de flores gigante. Pode ser que ele volte.


Referências discográficas para esta obra? A preços simpáticos?

Sem hesitar uma "referência entre as referências": George Szell à frente da Cleveland Orchestra com a soprano Judith Raskin. Um deslumbramento. Este cd oferece como "bónus" os Lieder eines fahrenden Gesellen por Frederica von Stade numa interpretação inesquecível. Re-edição na colecção essential classics da sony (ou a que a substitua actualmente). Colecção esta onde também pode encontrar a sexta sinfonia de Malher pelo mesmo agrupamento e maestro numa interpretação considerada uma das "referências absolutas".

Porém... a minha interpretação favorita da 4ª sinfonia é a de Klaus Tennstedt à frente da Philharmonia Orchestra num duplo cd da emi (colecção double forte) a "preço simpático". Duplo cd este que também tem uma interessante interpretação da 3ª sinfonia. O único senão é a presença de Lucia Poop no andamento final da 4ª sinfonia... Quanto à 3ª, entre as versões que tenho, recomendo a de Armin Jordan à frente da Orquestra da Suisse Romande que inclui uma fabulosa interpretação da Sinfonia Lírica de Zemlinsky. Uma re-edição económica da Virgin Classics. Ast