2005/09/29

NELKEN

Cravos.
Nada mais além de cravos.
Entram personagens, cada uma transportanto a sua cadeira. Sentam-se.
Paragem.
Um levanta-se. Está vestido de preto. Faz uma diagonal de um lento indeciso. Subita mas pausadamente desce o palco. Convida uma espectadora e sai com ela. Outros e outras imitam-o num andamento mais fluente.
Os que ficam começam a retirar-se. Levam as cadeiras.
Resta o homem de preto e gravata. Recita e mimetisa em linguagem gestual.
Grande luminosidade com música nostálgica.

Pina Baush, no seu melhor estilo, fez questão de que se realizasse uma pré-estreia para bailarinos, artistas, imprensa e "outros". O Teatro Municipal de São Luiz (Lisboa), de bom grado lhe fez a vontade. Os bilhetes para os espectáculos da coreógrafa mais famosa do mundo estavam esgotados faziam já alguns meses.
Durante o espectáculo este público de "habitués", "entendido" e caloroso, não se poupou a mostras do seu contentamento. Como seria de esperar... Pina Baush, como todos os grandes criadores, repetem-se sempre. Na inovadora genialidade dessa repetição estará, por acaso, o rasgo que os impõe à história.

Detenhamo-nos porque nos interestícios da repetição emerge, muito frequentemente, a diferencialidade.

Olhando bem vemos a imagem do poder que coage e goza (em pleno sentido lacaniano) com o acto de pura maldade, entrar em processos sucessivos de auto-destruição. Estamos na segunda tópica freudiana. Nesse obscuro "ça" que já não se opõe ao "moi". É um discurso sobre a "pura maldade" enquanto sublimação, sabendo-se ser este um dos aspectos mais obscuros e paradoxais do último Freud.

Depois dos "gorilas" se atirarem, num acto de espectacularidade suicidária, sobre as caixas que tão bem enfileiraram, destruindo-as, Pina Baush tinha delimitado as margens da sua poética.

Tudo e nada se passou entretanto com a coação do poder, seja ele qual fôr, ridiculamente omnipresente, ridiculamente ridicularizada, que vai de parceria com o acto de compulsão repetitiva (a trágica monotonia da repetição, segundo Freud).

O segundo momento chave foi a sucessão de quedas, impressionantes quedas, impressionante sequência, sobre uma mesa, oferecendo o seu ritual auto-destrutivo, como se de uma refeição se tratasse, a uma mulher. Que, sem sucesso, lhes ofereceu tudo para que se detivessem. Se o sadismo faz parte do exercício de um poder que pode ser sempre destruído e aniquilado sem se sair sequer (talvez por isso mesmo) do mesmo "campo pulsional"; já o masoquismo é dificil, insuportavelmente dificil de conceber - muito mais de observar - pois implica, em última instância, um "outro" que se escapa, nulificando um poder que não teve o poder de o deter, nem pela sedução. Há algo de fundamental, nesta incomodidade, quando esse masoquismo é exibido. Um retorno em espelho de uma pulsão elementar?

Já só resta o delírio. A esquizofrenia como escape, aqui na vertente do uso da substância. Do químico tão natural quanto as maçãs...

Por fim, face à atrocidade da auto-agressão exibida pelos carrascos que não desaparecem com subtileza, que insistem em impôr a sua mutilação numa derradeira tentativa de se esquivarem à verdadeira morte e afirmarem o seu poder, só queda o mergulho na vulgaridade. Vulgaridade da inconsistente foto de família feliz. Vulgaridade da motivação que os (nos) levou a ser bailarinos (as), artistas, ou qualquer coisa. AST
















2005/09/28

GUSTAV LEONHARDT NO FESTIVAL DE ORGÃO DE LISBOA

A carreira de Leonhardt corresponde ao nascimento da "nova" interpretação da "música antiga", ao seu desenvolvimento e à sua contemporaneidade. Foi Leonhardt quem no cravo e na direcção de pequenos grupos usando instrumentos da época, esteve na origem de todo um revivalismo que atinge, na actualidade, uma espécie de apogeu, com alguns dos seus ex-alunos a imporem-se na cena internacional com algum vedetismo, por um lado. Por outro lado, o quase infindável filão de cravistas excelentes que, provindos de uma linhagem quase directa, garantirão a continuidade da obra de Leonhardt que ficará para sempre como o "grande pai" e simultâneamente como o "paradigma".

Seria árduo fazer-se uma listagem exaustiva da obra de Gustav Leonhardt. Decidi por isso isolar três momentos, muito próximos, da sua obra que dificilmente poderemos não qualificar de "grandiosa": a gravação da partita do Clavierubung II no dia 3 de Novembro de 1967; o registo das suites francesas em 1975 e finalmente o das variações Goldberg em 1978. Obras, todas elas, do mestre de Leipzig.

Isolei estes três momentos, em meu entender particularmente conseguidos (não obstante a genialidade de todas as gravações mais recentes do intérprete), porque nos permitem fazer uma ponte directa, de quase 40 anos, com o recital que ontem (27 de Setembro de 2005) Gustav Leonhardt nos ofereceu em Lisboa.
Estou-nos a remeter, nomeadamente, para a obra com que finalizou o recital: Aria Variata alla Maniera Italiana BWV 989 de Johann Sebastian Bach.

Ontem, como nas gravações de há quarenta anos, Leonhardt situou-se numa espécie de transcendentalidade que pela inspiração profunda e tranquila, sem necessidade de recorrer a pirotecnias rítmicas, nos dá uma dimensão outra, que é dele Gustav Leonhardt, que o coloca sempre pelo menos um grau acima do mais genial dos génios do cravo, sejam eles quais forem, pois, felizmente, graças a ele - Leonhardt - há muitos na actualidade.

A interpretação que fez das variações "alla maniera italiana" à volta de uma ária simples, emanadas do punho do grande Johann Sebastian, remetem-nos directamente para o passado, nomeadamente para aqueles três momentos que escolhi, em que Leonhardt optou pela metafísica. Simplesmente a sua metafísica é uma metafísica do belo. Uma metafísica do genial. Ao acesso de todos. Basta estar disponivel, livre, e ouvir. E pela audição somos conduzidos, pelos dedos inspirados de Leonhardt, através do melhor que a "humana condição" nos conseguiu oferecer. E que já foi bastante. AST









FESTIVAL DE ORGÃO DE LISBOA
Junto um elogio a este festival que já vai na nona edição e é querido dos lisboetas, e deixo só a sugestão de no programa constar SEMPRE a tonalidade das peças, para nos ficarem elucidados os caprichos de diapasão dos instrumentos.
A bicha de pessoas que se estendia até depois da Trindade também pode elucidar a opinião corrente e liberal que reza que o povo não dá valor a concertos grátis. http://arauxo.blogspot.com (29.9.05)















2005/09/27

Pièces de clavecin en concerts

Jean-Philippe Rameau, depois do sucesso das sonatas para cravo com acompanhamento de violino (podemos verificar influências deste estilo em Mozart e Beethoven em algumas partes das sonatas para violino e piano onde o papel condutor é claramente desempenhado por este último), quis criar mais peças, em que ao contrário da "sonate a tre" de origem italiana, o cravo desempenhasse um papel solístico. No conjunto verifica-se que todos os instrumentos desempenham um papel mais equilibrado, ao contrário da "sonate a tre" onde o cravo e o violoncelo (normalmente uma viola de gamba ou um fagote) fazem o "baixo cifrado" que não passa de um acompanhamento escrito em cifra.

Portanto, estas peças para "cravo em concerto" possuem uma versatilidade tipicamente barroca ao nível da orquestração, uma vez que podem ser feitas por um cravo com um violino, uma flauta e uma viola de gamba, como por um violino, uma viola e uma viola de gamba, ou simplesmente um violino e uma viola de gamba (mais o cravo), com a introdução de pequenas alterações. Alterações essas previstas pelo compositor que fez a transcrição, ele mesmo, de algumas dessas peças para cravo solo.

O cravista Christophe Rousset, em 1992 preferiu realizar a interpretação com mais um violino (Ryo Terakado) e uma viola de gamba (Kaori Uemura). Mais recentemente Blandine Rannou gravou com um violino, uma flauta e uma viola de gamba, recebendo todas (ou quase) as "condecorações" das revistas francesas.

Ouvindo a versão re-editada em 2003 (musique d'abord - harmonia mundi) de Rousset, não ficam dúvidas que este último consegue uma leitura mais contrastante rítimica e dinâmicamente (as dinâmicas no cravo - que é um instrumento sem possibilidade de graduação das intensidades - trabalham-se pelas densidades, através dos registos escolhidos). Uma leitura onde o intérprete demonstra quer a sua faceta lírica e meditativa, quer a sua faceta de grande virtuoso. Rousset registou também as versões só para cravo transcritas pela mão de Rameau. Esta gravação continua, em meu entender, a ser a grande referência para estas peças criadas por um Rameau supostamente já quinquagenário. Dos títulos das peças, se alguns são já históricamente evidentes (o texto que acompanha o cd fala-nos disso e de tudo o resto), outros mantêm o seu enigma. Afinal o importante é a grande música que o compositor aqui nos oferece através de um virtuoso inspirado que nos últimos anos (quase) abandonou o cravo, como solista, para se dedicar à direcção orquestral de obras barrocas. AST















2005/09/24

MOUTIN REUNION QUARTET

Os gémeos Moutin (Louis na bateria e François no contrabaixo) apresentaram-se em Portugal com Pierre de Bethmann ao piano e Stéphane Guillaume nos saxofones (alto e soprano). Aconteceu dia 23 no Auditório Municipal Eunice Muñoz, no segundo dia do Ciclo Internacional de Jazz - Oeiras 2005.

O jazz francês tem já uma longa tradição de elegância e inovação. Este concerto foi mais uma prova da imensa vitalidade do jazz que se produz no hexágono.

Não vale a pena estar a destacar os impressionantes "curricula" musical dos gémeos (curiosidade: François é doutorado em física, Louis é licenciado em matemática). Vale sim a pena dizer que no auditório de Oeiras se viveram momentos de grande força rítmica, trabalhada de maneira inteligente e com musicalidade, de grandes contrastes eficazmente enquadrados, de grande balanceamento melódico e de encadeamentos harmónicos onde a tradição jazzística francesa coexistiu com o rasgar de novas modalidades de a re-trabalhar. Sem margem para dúvidas: foi um dos melhores concertos de 2005. AST















JORGE PEIXINHO (1940-1995)

Dia 23 de Setembro a Câmara Municipal de Matosinhos homenageou o compositor que marcou toda a segunda metade do século vinte em Portugal.
Na ocasião o compositor Cândido Lima apresentou o álbum "Música para Piano" de Jorge Peixinho do qual foram interpretadas algumas peças pelo pianista Miguel Borges Coelho.
A homenagem contou com a presença de Mário Vieira de Carvalho, musicólogo e secretário de estado da cultura.















2005/09/20

LOCATELLI: FLUTE SONATAS


Pietro Antonio Locatelli (1695-1764) compôs duas séries de sonatas para flauta "travessa": as doze sonatas op.2 e as seis sonatas "a tre" op.5

São peças onde a fluência melódica coexiste com um virtuosismo inteligente que as transforma num "must" da produção barroca para o instrumento.

De novo, num registo do presente ano, Jed Wentz, acompanhado por Musica ad Rhenum, oferece-nos interpretações paradigmáticas que recomendo não só aos flautistas mas a todos os amantes da boa música.
Wentz, na sua melhor forma, desenvolve um fraseado fabuloso, um dos seus ex-libris, que eleva a mais-valia inerente a estas obras escritas por um inspirado Locatelli.

Musica ad Rhenum, já aqui foi escrito, é um dos mais interessantes grupos de música antiga da actualidade. Nestas interpretações os seus elementos, quer fazendo o baixo-continuo quer participando como solistas, uma vez mais nos demonstram o seu nível supremo, temperado por uma evidente (audível...) musicalidade. Uma edição, em 3 cd's, da Brilliant Classics. AST

Nota: Em 2004 este mesmo agrupamento gravou para a mesma editora a integral de música de câmara de François Couperin que foi louvada como um dos acontecimentos discográficos daquele ano. oe










Está anunciada para Dezembro próximo mais uma edição do festival Other Minds. Organizado pela homónima organização sem fins lucrativos, baseada em S. Francisco, Califórnia, em co-produção com a Swedenborgian Church e a Piedmont Piano Company, agrupa compositores, estudantes e ouvintes da nova música contemporânea.
O festival inspira-se nas ideias e concepções musicais de John Cage, compositor norte-americano falecido em 1992, e num obituário publicado pelo jornal The New Yorker, em que se dizia ter Cage escrito música “in other peoples’ minds”. Daí a denominação daquele que é considerado um dos maiores festivais intenacionais de new music.
O director artístico e executivo é Charles Amirkhanian, ele próprio um compositor de música electroacústica de renome. Enquanto músico e pensador, Amirkhanian interessou-se pela música de John Cage deste o início dos anos 50. Com outros compositores foi agregando vontades. Assim, entre 1988 e 1991, co-dirigiu com John Lifton aquele que foi o antecessor do Other Minds, o Composer-to-Composer Festival, por onde passaram John Cage, Lou Harrison, Brian Eno, Pauline Oliveros, Morton Subotnick, Laurie Anderson, Henry Brant, Wadada Leo Smith, Louis Andriessen, Conlon Nancarrow, Jin Hi Kim, Joan La Barbara, I Wayan Sadra, Eleanor Alberga, Peter Sculthorpe, Alan Hovhaness, Tom Zé, Terry Riley e Sarah Hopkins.
Para se ter uma ideia da diversidade estética e da importância musical associadas ao festival, repare-se nos nomes que já integraram o Other Minds Advisory Board: Muhal Richard Abrams, Laurie Anderson, Henry Brant, Gavin Bryars, Luc Ferrari (falecido o mês passado), Philip Glass, Lou Harrison, George Lewis, György Ligeti, Meredith Monk, Kent Nagano, Terry Riley, Frederic Rzewski, Tan Dun, Trimpin e Julia Wolfe. http://jazzearredores.blogspot.com (22.9.05)









Já a ficção das instituições que se dizem privadas sendo inteiramente financiadas por dinheiros públicos é escandalosa e altamente lesiva dos interesses do Estado, e o exemplo do CCB é por demais elucidativo das inconsistências que este tipo de disfuncionalidades podem ocasionar.
Boa parte destes artigos de Seabra versam ainda sobre os mecanismos perversos do mecenato, e na generalidade retratam a podridão e a ferrugem que nunca como agora está a aparecer nas fundações do nosso sistema público da cultura, reclamando com legitimidade e urgência esclarecimentos que a tutela até agora não viu necessidade de prestar. Ficamos a aguardar.
José Augusto encontra ainda que "há algumas matérias de trabalho jornalístico de fundo, necessárias ao esclarecimento, que nunca vi na imprensa portuguesa. Por exemplo sobre as modalidades e âmbitos do mecenato, como sobre os modelos orgânicos de certas instituições culturais públicas." Isto é claramente um understatement, a miopia dos editores da cultura na imprensa portuguesa é outro escândalo que reclama esclarecimentos. Tenho a impressão que bem podemos esperar sentados. http://arauxo.blogspot.com (21.9.05)















2005/09/17

Esperanças Destruídas e Oportunidades perdidas


Os compromissos na luta contra a pobreza da Cimeira de Nova Iorque seriamente enfraquecidos


Milhões de activistas no mundo já expressaram o seu desapontamento e surpresa com os resultados da Cimeira das Nações Unidas em Nova Iorque. Em vez de aproveitarem uma oportunidade histórica para tomar passos claros na luta contra a pobreza e insegurança, os líderes mundiais acabaram simplesmente por reafirmar promessas já feitas.
...
Na Cimeira do Milénio em 2000, os líderes mundiais anunciaram promessas ambiciosas: “de que não poupariam esforços para libertar os nossos homens, mulheres e crianças das condições desumanas da pobreza extrema, em que vivem mais de mil milhões deles.”
Cinco anos depois a diferença abismal entre as promessas e a acção mantém-se. Pouco ou nada mudou. Os níveis de pobreza globais aumentaram desde 2000, tal como as desigualdades nos países e entre países. Nenhum tipo de discurso caloroso conseguirá esconder o facto de que os líderes mundiais falharam no seu apoio aos mais pobres e fizeram orelhas moucas a milhões de activistas.
...
Os únicos pontos positivos em termos de resultado da Cimeira foram, principalmente, nas áreas dos direitos das mulheres e o acordo de que os governos têm, de forma colectiva, uma “responsabilidade para proteger cidadãos e cidadãs” do genocídio, crimes de guerra, limpeza étnica e crimes contra a humanidade. Os governos reconheceram que a equalidade de género só pode progredir se os governos puserem fim à impunidade na violência contra as mulheres, garantir os seus direitos laborais, de propriedade e saúde reproductiva, e envolver as mulheres em todos os esforços para a paz e segurança. OS governos comprometaram-se também e de forma clara em alcançar o acesso universal à prevenção, tratamento e cuidados no que toca ao HIV/SIDA, reafirmando o compromisso feito no encontro de Julho dos G-8 em Gleneagles.

Assumindo a responsabilidade de cidadãos, os milhões de activistas da campanha “Pobreza Zero”, em Portugal e no Mundo, redobrarão esforços na luta contra a pobreza, através de várias estratégias:

Educação para o Desenvolvimento, promovendo a tomada de consciência de todos os cidadãos, para o imperativo da dignidade e dos direitos humanos;
Advocacia social, pressionando os nossos líderes políticos para que executem as políticas sociais e económicas realmente exigidas pelos cidadãos;
Programas e projectos de cooperação para o desenvolvimento, através das organizações não governamentais que actuam no terreno.

Nota para os Editores: A campanha “Pobreza Zero” está integrada na Global Call to Action against Poverty (GCAP) – Apelo Global para a Acção na Lututa Contra a Pobreza, a maior coligação anti-pobreza do mundo. Esta campanha pretende iniciar o fim da pobreza extrema, ainda em 2005, com acções muito diversas, de forma a despertar os decisores políticos na luta contra a pobreza extrema, tomando medidas concretas nas Nações Unidas para que sejam atingidos os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio e acabar de vez com a pobreza extrema. Esta coligação é feita por campanhas nacionais sediadas em 74 países, tais como a Pobreza Zero em Portugal, MAKEPOVERTYHISTORY no Reino Unido, 'Wakati Ni Sasa' (O momento para agir é agora) no Quénia, Wada Na Todo Abhiyan’ (Mantenham as vossas promessas!) na Índia, 'Sin Excusas contra la Pobreza' no Paraguai.

O símbolo global da campanha é uma banda branca e o site www.whiteband.org , onde se pode obter todas as informações sobre cada campanha no mundo. O site da campanha portuguesa é o www.pobrezazero.org






Muito grave foi, em nosso entender, terem esquecido - limitaram-se a reconhecer que "é um problema" - a questão das emissões de gazes poluentes para a atmosfera. Mesmo o Katrina não conseguiu imprimir lucidez aos governantes mundiais. A começar pelos EUA. Uma lástima...
Inacreditáveis foram os "efeitos colaterais" devidos a um filme israelita que, supostamente por engano, foi exibido num festival de cinema no Egipto: o director do festival declarou que foi evidentemente um engano porque um filme israelita nunca poderia ser apresentado num festival egípcio!
Mas têm acontecido situações idênticas no desporto: a recusa de atletas islamitas - talvez coagidos directa ou indirectamente pelos radicais - em se disputarem com atletas israelitas. Tudo sob o olhar, pouco afectado, da "comunidade internacional".
E já agora, se pudessem, proibiam a audição do maior génio da música sinfónica? Gustav Mahler era judeu. Entre outros "monstros sagrados" da história.
Surrealista a situação que se vai repetir em Portugal com as movimentações das "forças de segurança", agora acompanhadas pelos militares. Provavelmente, se não estivéssemos na "Europa", já teriam feito um golpe de estado. A "Europa" que nos vai salvando...
Mas nada é de espantar num país em que se dão e retiram convites (para os concertos de música clássica, nomeadamente) de acordo com o "culturalmente correcto" que em Portugal, como em alguns países do ex-terceiro-mundo, significa adaptar-se ("muito adequadamente") ao "sistema"... O editor


Já agora, por (mera) curiosidade: http://criticademusica.blogspot.com/2004_04_01_criticademusica_archive.html















2005/09/15

CONCERTOS OITOCENTISTAS POR JED WENTZ E MUSICA AD RHENUM

Trata-se de um duplo cd a preço fora-de-concorrência editado pela Brilliant Classics. No primeiro cd podemos escutar alguns concertos para flauta transversal e grupo de câmara de vários compositores italianos (Vivaldi, Ferrandini, Albinoni, Galuppi e Giordani). O segundo cd é inteiramente dedicado aos concertos (igualmente para "travesso") criados em Dresden e Berlin por Johann Joachim Quantz.

O flautista é Jed Wentz que simultâneamente dirige este grupo de músicos que interpretam com instrumentos da época: Musica ad Rhenum

Wentz, que estudou flauta com Barthold Kuijken e trabalhou com alguns dos agrupamentos que fizeram história na "nova" interpretação da "música antiga", é capaz de fraseados belíssimos devidos a uma excepcional compreensão da literatura musical daquela época e a uma técnica suprema que faz dele um dos flautistas mais inspirados da actualidade.

O agrupamento, aqui, em gravações de 1991 e 1996, afirma-se como um dos grupos mais interessantes, coesos e musicais no que respeita à re-interpretação da chamada música antiga em instrumentos (ou cópias de instrumentos) da época, utilizando o que se conhece das técnicas interpretativas em uso no tempo em que os compositores viveram e criaram.

18-th Century Flute Concerti é uma verdadeira dávida que estes intérpretes de excepção oferecem ao seu potêncial público por intermédio de uma etiqueta (uma das poucas) que pratica o "preço justo". Preço esse só possivel graças aos músicos que prescindem de honorários e só recebem as "royalites" devidas ás vendas. Pena que em Portugal estes cd's estejam um pouco mais caros que noutros paises... AST




Nota: Estão mais caros cerca de 50 cêntimos por cd. Pinhões... se pensarmos que a última gravação de La Mer de Debussy, por Simon Rattle à frente da Berliner Philharmoniker, custa mais 5 (cinco!) euros em Portugal que, por exemplo, na casa Fame, bem no centro de Amsterdam, onde pode ser adquirida por 15 euros. Uma multinacional que vende (e muito) em Portugal, colocou este cd ao preço "especial" de 18,95 euros... O editor







Uma breve deslocação à Holanda e a última manhã antes do regresso passada em Amesterdão, o que permitiu reduzir a lista de CDs por comprar. A visita foi à loja do costume, na Kalverstraat, mesmo à beira do Museu da Madame Tussaud. E é sempre um prazer descer as escadas para a secção de música clássica e encontrar menos gente e muitos mais discos do que na FNAC... http://desnorte.blogspot.com (Julho 15, 2004)






Em 1933, o compositor austro-húngaro (e cidadão americano) Arnold Schoenberg (1874-1951), de quem já falámos de passagem neste postal a propósito da sua amizade com o igualmente compositor Alexander Zemlinsky (1871-1942), rumou aos Estados Unidos, que a sua condição de judeu a isso o obrigou.
Em Setembro de 1936 concluiu o Concerto para Violino, em Los Angeles, cidade onde se tinha instalado em 1934. É um concerto de grande dificuldade técnica, um dos mais difíceis do repertório para violino, dedicado por Schoenberg ao compositor austríaco Anton Webern (1883-1945) e "destinado a violinistas de 6 dedos"...
A estreia teve lugar em Filadélfia no dia 6 de Dezembro de 1940, com o violinista norte-americano, ucraniano de nascimento, Louis Krasner (1903-1995) e a Orquestra de Filadélfia dirigida por Leopold Stokowski.
Curiosamente, Schoenberg, o autor da obra, nasceu num dia 13 de Setembro, de 1874, e Stokowski, o maestro que a estreou, faleceu igualmente num dia 13 de Setembro, há 28 anos! http://desnorte.blogspot.com (Setembro 13, 2005)














2005/09/12

L'AMOUR DE LOIN

A primeira ópera da finlandesa Kaija Saariaho (www.saariaho.org), em cinco actos, foi estreada no Festival de Salzburg de 2000.

Desde logo se impôs como uma obra fundamental do e para o novo milénio. Mas mais do que isso: esta imensa obra (dura pouco mais de duas horas mas é "imensa") é, em meu entender, mais uma incontornável de toda a história da música.

L'amour de Loin é uma obra com libreto de Amin Maalouf, escritor libanês que escreve em françês, onde Kaija consegue fabulosos equilibrios graças ao seu génio, claro está, mas também a uma muito inteligente orquestração.

Esta impressionante obra encontra-se agora em dvd, com uma explêndida direcção musical de Esa-Pekka Salonen à frente dos excelentes côro e orquestra da Ópera Nacional da Finlândia. Há absolutamente que destacar a interpretação da soprano Dawn Upshaw que consegue transmitir toda a densidade e dramatismo desta criação fora-de-série.

Falta dizer que se trata também de uma obra de arte da realização em vídeo: o director é nada mais nada menos que Peter Sellars. O cenário e os figurinos são sóbrios e fantásticos! AST







L’AMOUR DE LOIN

DISTRIBUTION

JAUFRÉ RUDEL, prince de Blaye et Troubadour (baryton)
CLÉMENCE, comtesse de Tripoli (soprano)
LE PÈLERIN (mezzo-soprano)

Au XIIe siècle, en Aquitaine, à Tripoli et en mer.

Acte I - Jaufré Rudel, prince de Blaye, s’est lassé de la vie de plaisirs des jeunes gens de son rang. Il aspire à un amour différent, lointain, qu’il est résigné à ne jamais voir satisfait. Ses anciens compagnons, en choeur, lui reprochent ce changement et le moquent. Ils lui disent que la femme qu’il chante n’existe pas. Mais un pèlerin, arrivé d’Outremer, affirme qu’une telle femme existe, et qu’il l’a rencontrée. Jaufré ne pensera plus qu’à elle.

Acte II - Reparti en Orient, le Pèlerin rencontre la comtesse de Tripoli, et lui avoue qu’en Occident, un prince-troubadour la célèbre dans ses chansons en l’appelant son "amour de loin". D’abord offusquée, la dame se met à rêver de cet amoureux étrange et lointain, mais elle se demande aussi si elle mérite une telle dévotion.

Acte III - Premier tableau. Revenu à Blaye, le Pèlerin rencontre Jaufré et lui avoue que la dame sait désormais qu’il la chante. Ce qui décide le troubadour à se rendre en personne auprès d’elle. Second tableau. Clémence, de son côté, semble préférer que leur relation demeure ainsi lointaine. Elle ne veut pas vivre dans l’attente, elle ne veut pas souffrir.

Acte IV - Parti en mer, Jaufré est impatient de retrouver son "amour de loin", mais en même temps il redoute cette rencontre. Il regrette d’être parti sur un coup de tête, et son angoisse est telle qu’il en tombe malade, de plus en plus malade à mesure qu’il s’approche de Tripoli. Il y arrive mourant...

Acte V - Quand le bateau accoste, le Pèlerin s’en va prévenir Clémence que Jaufré est là, mais qu’il est au plus mal, et qu’il demande à la voir. Le troubadour arrive à la citadelle de Tripoli inconscient, porté sur une civière. En présence de la femme qu’il a chantée, il reprend peu à peu ses esprits. Les deux "amants de loin" se rencontrent alors, et l’approche du malheur leur fait brûler les étapes. Ils s’avouent leur passion, se tiennent, promettent de s’aimer... Quand Jaufré meurt dans ses bras, Clémence se révolte contre le Ciel, puis, s’estimant responsable du drame qui vient de se produire, elle décide d’entrer au couvent. La dernière scène la montre en prière, mais ses paroles sont ambiguës et l’on ne sait pas très bien qui prie-t-elle à genoux, son Dieu lointain, ou bien son "amour de loin". www.schirmer.com/amour/indexf.html







Kaija Saariaho

The Finnish composer Kaija Saariaho (born 1952) has lived and worked in Paris since 1982. She studied composition under Paavo Heininen at the Sibelius Academy and later at the Musikhochschule in Freiburg with Brian Ferneyhough and Klaus Huber, receiving her diploma there in 1983. In 1982 she attended courses in computer music at IRCAM in Paris, since when the computer has been an important element of her composing technique.
In 1986 she was awarded the Kranichsteiner Preis at the new music summer courses in Darmstadt, and in 1988 the Prix Italia, for her work Stilleben. In 1989 Stilleben and Io were awarded the Ars Electronica Prize. More recently, in 2000 she received both the Nordic Music Prize (for Lonh) and the Stoeger Award of the Chamber Music Society of Lincoln Center (in recognition of outstanding services to chamber music).

She achieved international reputation with works that include Verblendungen (orchestra and tape, 1982-84), Lichtbogen for chamber ensemble and electronics (1985-96), Nymphéa (1987) for string quartet and electronics, a commission from the Lincoln Center for the Kronos Quartet), and two linked orchestral works Du Cristal and ...à la fumée premiered in 1990 and 1991 both in Helsinki and Los Angeles. Saariaho has also taken part in a number of multimedia productions such as the full-length ballet Maa (1991) and a pan-European collaborative project to produce a CD-ROM Prisma about her life and work.

More recent works include a violin concerto, Graal Théâtre, for Gidon Kremer premiered at the 1995 BBC Proms and two pieces for Dawn Upshaw: an orchestral song cycle, Château de l'âme, premiered at the 1996 Salzburg Festival, and a solo song cycle Lonh for soprano and electronics, premiered at the 1996 Wien Modern Festival. Lonh was awarded the Nordic Music Prize in 2000. In 1999 Saariaho completed a major work for chorus and orchestra, Oltra mar, which was premiered by the New York Philharmonic and Kurt Masur on 11th November 1999, as part of their millennium series of commissions.

These last three projects point to Kaija Saariaho's next major work: her first opera, L'amour de loin. A co-commission from the Salzburg Festival and Théâtre du Châtelet, L'amour de loin is based on "La Vida breve" of Jaufre Rudel, Prince of Blaye, one of the first great troubadours of the 12th century. The libretto has been written by the French-Lebanese author Amin Maalouf. L'amour de loin was premiered on 15th August 2000 at the Salzburg Festival, directed by Peter Sellars and with a cast including Dawn Upshaw, Dagmar Peckova and Dwayne Croft. The orchestra of SWR Baden-Baden was conducted by Kent Nagano. Théâtre du Châtelet, and Stadttheater Bern will produce the work at the end of 2001, and the US premiere will be given by Santa Fe opera in summer 2002.

In 2001 Kaija Saariaho was awarded the Rolf Schock Prize (Sweden) and the Kaske Prize (Germany). Saariaho's music is available on the Finlandia, Ondine, Wergo, Neuma and BIS record labels. Her CD-ROM Prisma is now available for purchase via her website: www.petals.org www.schirmer.com/composers/saariaho/bio.html















QUESTÕES DE SOBERANIA...

Uns dias após ter escrito nesta página que Portugal desbaratou fortunas com dois submarinos que não se percebe bem para o que servem, um analista (que supostamente nos lê e por quem temos todo o respeito) escreveu num diário português qualquer coisa do género: deveria ter sido explicado ao cidadão comum (obrigado pela qualificação!) que a aquisição dos submarinos se prende com questões de soberania.

Não pensei voltar a abordar a questão neste espaço de crítica de música. No entanto como nesta época escasseiam os grandes acontecimentos musicais, voltemos ás "questões de soberania".

Portugal viu recentemente reduzido o espaço das suas águas territoriais. As águas comunitárias são responsabilidade da UE que não sugeriu ao estado português a aquisição de quaisquer submarinos. Os compromissos adquiridos no âmbito da Nato não têm qualquer relevância face ás responsabilidades de Portugal dentro da UE. A Nato é uma instituição condenada à dissolução: não faz qualquer sentido nos tempos que correm, tantos anos após o fim do Pacto de Varsóvia.

A Noruega, que pelo quinto ano consecutivo vai ser considerado o país do mundo com o melhor índice de desenvolvimento humano e não faz nem quer fazer parte da UE não podendo - por inerência - contar com a protecção de um futuro exército comunitário, não tem nem pensa ter exército próprio. É completamente autónoma, tem petróleo mas desenvolve energias alternativas, e não vive obececada com questões de soberania.
Possui alguns dos submarinos mais desenvolvidos do mundo, completamente concebidos e fabricados naquele país. Todos destinados à investigação, ao trabalho sub-aquático e a operações de resgate. O editor















2005/09/03

JOACHIM KUHN E SONNY FORTUNE NO FÓRUM LISBOA

O conhecido pianista de "jazz-contemporâneo" apresentou-se a solo, dia 2, no novo festival de jazz que aconteceu de 1 a 4 de Setembro no Fórum Lisboa.

Kuhn, que demonstrou um elevado nível técnico e um conhecimento aprofundado da escola clássica, nomeadamente da segunda escola de Viena com a qual manifesta claras afinidades, afirmou-se como um dos mais interessantes e inventivos pianistas de jazz da actualidade.

Se no início parecia procurar um conceito, procura esta que se manifestou em cortes temáticos abruptos e numa falta de desenvolvimento consistente dos temas apresentados (que eram atonais e nos quais as harmonias apareciam sem carácter funcional, como uma espécie de pontuação do discurso), já no desenvolvimento que fez dos temas de Ornette Coleman demonstrou uma linguagem muito mais consistente sem fazer cedências à tonalidade tradicional enquanto motor de estruturação do discurso musical.

Surpresa das surpresas: pega num saxofone alto e desata a improvisar de maneira virtuosa, numa "onda free", demonstrando uma excelente técnica e sonoridade; improvisação essa que foi desenvolvida ao longo de cerca de quinze minutos.

Acabou novamente ao piano (foi para isso que nos deslocamos para o escutar...) com uma improvisação que de início parecia estacionar dentro de uma concepção minimal-repetitiva que prometia monotonia mas, num arrebato, fez a modulação que causou a ruptura e a partir daí manteve um ritmo de variação e movimento que garantiram um grande e conseguido final de concerto.
Um concerto que em qualquer parte do mundo seria de casa cheia aqui esteve preenchida a um quarto...

No dia seguinte Don Byron quase encheu a casa. No entanto o famoso clarinetista ficou-se por fórmulas previsíveis. Nos andamentos rápidos adoptou harmonias mais "arrojadas", sempre dentro da mesma "onda" improvisativa; nos lentos refugiou-se em harmonias mais "calorosas" e clássicas. Foi acompanhado por um pianista bastante eficaz ao nível rítimico, preenchendo bem um contrabaixo que Byron dispensou, mas cuja mão-direita, bem patente nos seus solos, faria sorrir um estudante dos primeiros anos do conservatório. O baterista optou por uma batida frequentemente quadrada, pouco trabalhada ao nível de nuances e sem surpresas ritmico-tímbricas. Excepto nos solos em que ao fogo de artíficio percutivo opunha uma secção de sonoridades e subtilezas. Curioso é o facto de Byron, no saxofone tenor, extrair uma sonoridade mais rica e expressiva que no clarinete que o tornou conhecido mundialmente. Neste último, movimenta-se exclusivamente nos registos agudo e sobre-agudo, por vezes com claras falhas no ataque, sustentação e controle dos harmónicos, deixando por explorar a rica zona grave do instrumento e não aproveitando as enormes potêncialidades tímbricas e dinâmicas do clarinete, tão exploradas na música contemporânea.

Sonny Fortune (sax alto) e Rashid Ali (bateria), com a sala a um terço, ofereceram-nos um "free" pleno de balançeamento mas onde poderiamos reduzir as figurações rítimicas utilizadas pelo saxofonista, que é um grande músico, a três um quatro grupos. Poderia ter evoluido gradualmente para formulações mais complexas... Ficou a sensação de se ter escutado transposições sucessivas do mesmo material, ao longo da improvisação ininterrupta de mais de uma hora, que teve por base o tema Impressions de John Coltrane.
O baterista optou por baquetes duras que produziram uma sonoridade penetrante; por vezes exageradamente impositiva. A sua performance também foi empobrecida por uma insistente marcação do tempo que produziu uma desagradável sensação de quadratura. No entanto e apesar destes aspectos, Ali foi capaz de uma exuberância tímbrico-rítimica que muito enriqueceu o denso discurso de Fortune no saxofone.
Basicamente foi um grande concerto que encerrou a primeira edição do ForUmusica - protagonizado por dois históricos do jazz - que deixa boas expectativas em relação ao futuro deste festival. AST








Em 1868, o compositor austríaco Anton Bruckner mudou-se para Viena, passo essencial para alargar as suas oportunidades no mundo da música, algo limitadas em Linz, cidade onde tinha vivido e trabalhado desde 1855. Um dia cruzou-se no restaurante Zum roten Igel com o igualmente compositor Johannes Brahms (1833-1897), a residir em Viena desde os inícios dos anos 60, tendo a conversa entre ambos incidido exclusivamente sobre temas... culinários! http://desnorte.blogspot.com (Setembro 04, 2005)










Vacation is Over... an open letter from Michael Moore to George W. Bush

Friday, September 2nd, 2005
Dear Mr. Bush:
Any idea where all our helicopters are? It's Day 5 of Hurricane Katrina and thousands remain stranded in New Orleans and need to be airlifted. Where on earth could you have misplaced all our military choppers? Do you need help finding them? I once lost my car in a Sears parking lot. Man, was that a drag.
...
And don't listen to those who, in the coming days, will reveal how you specifically reduced the Army Corps of Engineers' budget for New Orleans this summer for the third year in a row. You just tell them that even if you hadn't cut the money to fix those levees, there weren't going to be any Army engineers to fix them anyway because you had a much more important construction job for them -- BUILDING DEMOCRACY IN IRAQ!
...
No, Mr. Bush, you just stay the course. It's not your fault that 30 percent of New Orleans lives in poverty or that tens of thousands had no transportation to get out of town. C'mon, they're black! I mean, it's not like this happened to Kennebunkport. Can you imagine leaving white people on their roofs for five days? Don't make me laugh! Race has nothing -- NOTHING -- to do with this!
You hang in there, Mr. Bush. Just try to find a few of our Army helicopters and send them there. Pretend the people of New Orleans and the Gulf Coast are near Tikrit.
Yours,
Michael Moore

P.S. That annoying mother, Cindy Sheehan, is no longer at your ranch. She and dozens of other relatives of the Iraqi War dead are now driving across the country, stopping in many cities along the way. Maybe you can catch up with them before they get to DC on September 21st.
www.michaelmoore.com
















2005/08/30

SÍLVIO TEIXEIRA: O DISCURSO DOS POLÍTICOS JÁ NÃO CONVENCE NINGUÉM

É o decano dos jornalistas transmontanos. Tem 77 anos e raramente falha uma conferência de imprensa. É repórter, tira fotografias, redige os textos, "vigia" a internet, trata da parte comercial...
Deu cara pelos ideiais monárquicos mas não quer ser filiado em qualquer partido. É um regionalista convicto e trabalha todos os dias, de manhã à noite...

...

Mas é muito interventivo. Não receia ser mal entendido?
Não me incomoda. Cada um é como cada qual. Sou assim e não vou deixar de ser eu próprio. Não sou capaz de pertencer a um rebanho ordenado.

Como vê a classe política?
O discurso dos políticos já não convence ninguém. Desperdiçam dinheiros em causas inúteis e em lautos vencimentos. Os partidos são uma decepção para mim que me considero um democrata.

Como era a sua vida antes do "25 de Abril"?
Vivi atormentado, durante muitos anos, com a política de Salazar. Sobretudo, porque tenho um irmão que foi revolucionário. Foi condenado a 17 anos e meio de prisão em Cabo Verde. Eu e a minha família vivemos sempre numa situação muito assustada. Ele acabou por cumprir 11 anos, voltou doente para o Hospital de S. José, em Lisboa, de onde se evadiu. A primeira pessoa que procurou foi a mim. Acabou por fazer uma vida "normal", na clandestinidade, com uma identidade falsa e assim se reformou.

Acha que é altura de uma nova revolução?
Não. Estou farto de revoluções. Acho que era tempo de os homens se unirem a sério, darem as mãos, porem de lado egoísmos e contribuírem de forma global para um mundo melhor, para que todos tivessem trabalho, uma casa decente e não houvesse fome...

Excerto da entrevista de Ermelinda Osório
in Jornal de Notícias, 03/08/2005, suplemento "Sénior", pág.4

2005/08/20

Malaise a la prision de Metz (França)

Plusieurs surveillantes s'etaient plaites de harcelement

... cette joli jeune femme avait fini par se lasser des plaisanteries salaces...
(Le Monde 19/08/2005, pag 7)



Virginie suicidou-se depois de um colega ter feito o mesmo. Um colega que a apoiou incondicionalmente nas queixas que Viginie fez (sem resultados relevantes) devido ao assédio de que era objecto no local de trabalho. Eram ambos guardas prisionais e ambos estavam "cercados" por alguns colegas que, como se pode esperar da parte de um certo tipo de gente, usaram e abusaram da calúnia. Especialmente contra Virginie... O estado françês nao actuou eficazmente e o resultado foi o suicídio dos dois trabalhadores. Posteriormente, responsáveis (que responsáveis!) vieram dizer que ambos tinham problemas pessoais!!! Podemos imaginar que deveriam ter. E muitos!
Neste e noutros casos a União Europeia deveria servir para alguma coisa. Poderemos sempre questionar a sua necessidade se não conseguir garantir dentro de portas os direitos elementares que embandeira com persistência.
Face ao caso de Virginie e do colega, o uso do véu por parte de algumas mulheres muçulmanas (muitas obrigadas a usá-lo, pelos familiares ou pela "tradição"...), que tanta tinta fez correr naquele país, não passa de um "fait-divers". O editor











Mais fogos e área ardida que em 2004
O número de incêndios e de área ardida este ano já ultrapassou os totais de 2004. Até ao dia 11 deste mês, o Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil registou 23 116 fogos florestais, mais 1246 do que na totalidade do ano passado. http://dn.sapo.pt (LISBOA, 12H40, 17/08/2005)


Quase metade dos incêndios da Europa do Sul em 2004 foi em território português
Portugal é o país com menor sucesso no combate aos incêndios florestais. Enquanto todos os países da Europa do Sul - que inclui ainda Espanha, França, Grécia e Itália - tiveram em 2004 um total de área ardida inferior à média dos últimos 25 anos, Portugal foi o único Estado membro onde o fogo consumiu mais floresta do que a média anual desde 1980.
Aliás, em 2004, a área ardida foi quase 20% superior à média desse período. Números que explicam que, por exemplo, o total de terreno devastado no País corresponda a 37% do valor da Europa do Sul e que o número de fogos seja 41% do conjunto dos cinco países. http://dn.sapo.pt/2005/08/10/sociedade


Desde criança que oiço a mesma lamúria e queixume: "falta de acessos e de meios". O país arde porque faltam acessos e meios. Não seria já tempo de agir, dando meios aos que deles precisam e constuindo os acessos que são necessários, em vez desta eterna e inconsequente lamúria?
Em vez disso, ano após ano, o país vai ardendo (não sei como resta ainda país para arder!) e a queixa repete-se: "falta de acessos e de meios". http://naoseiquediga.blogspot.com (4.8.05)


Como pode um estado que gastou uma fortuna em submarinos e outra em onze (11!!!) estádios de futebol - estado esse sistemáticamente fustigado por incêndios depois de vários anos - explicar não ter, atempadamente, adquirido os meios necessários e delineado, com a colaboração de especialistas de outros países, um plano eficaz de prevenção, vigilância e combate aos fogos? O editor










Machado de Assis, genie de l'ironie

On fait rarement figurer le nom du Bresilien Joaquim Maria Machado de Assis dans les grands genealogies du roman.
...
Fils d'un humble artisan mulatre, descendent d'esclave, et d'une blanchisseuse acorienne...

Comme le note Pierre Brunel...L'Alieniste antecipe d'une maniere stupefiant (et drole) toute reflexion moderne, celle de Michel Foucault notamment, sur la maladie mentale et l'enfermement.
...
Mais revenons a notre question initiale: d'ou vient le genie de Machado de Assis?
...
Il y parle d'une "oeuvre diffuse" qui suit "la maniere d'un Sterne ou d'un Xavier de Maistre..."
...
Le doute n'est pas permis: Machado d'Assis est l'un des tres grands noms du roman, pas seulement bresilien mais universel.
Le Monde, Livres d'Ete, 19 Aout
















2005/08/14

ECCLESIAZUSAE


Termo de origem grega (Ekklesiazuse) latinizado, significa participar em assembleia e intitula umas das obras de Aristofanes. Neste caso concreto significa "assembleia de mulheres".

Na antiga e "democratica" Grecia as mulheres (e os escravos) eram desprovidos de direitos de cidadania. Os homens para alem das concubinas recorriam a prostitutas que Solon no seculo VI a.c. introduziu na Grecia, criando bordeis dirigidos por funcionarios publicos. Os servicos incluiam comidas, banhos, etc... Um funcionarismo publico eficaz... As prostitutas eram ao mesmo tempo poetas e artistas e Praxíteles esteve loucamente apaixonado por uma, Friné, que serviu de modelo a algumas das suas esculturas. Talvez a homossessualidade entre homens tivesse impedido um relacionamento mais "estreito" e "produtivo" entre homens e mulheres na antiga Grecia... Desta maneira deve entender-se a obra de Aristofanes cujo caracter se insere num determinado contexto historico-cultural.

Traduzido para o grego moderno por Yiannis Jarveris e sob direccao de Diagoras Chronopoulos foi apresentada pelo GREEK ART THEATRE no grande anfiteatro de Epidauro que tem capacidade para doze mil, para um publico de cerca de dez mil pessoas cuja maioria parecia ser grega pois reagia rindo e aplaudindo. Os estrangeiros, como eu, limitavam-se a ver.

Impressionante a acustica deste gigantesco anfiteatro ao ar livre que data do seculo IV a.c.! Posteriormente, na epoca helenica, foram acrescentadas mais 21 filas adquirindo a aspecto que conservou ate hoje.
O trabalho dos actores foi excelente. Em termos de conceito parece-me algo kitsch transformar-se o coro de mulheres em bailarinas-cantoras de cabaret que entoavam partes do texto ao som de musica ligeira de qualidade duvidosa. Mesmo para um publico muito alargado poderia ter sido concebido algo mais interessante e de maior intensidade dramatica, ainda que a obra possua um caracter jocoso. Tambem a cenografia e os figurinos, onde abundavam figuracoes de penis, me pareceram de uma evidencia elementar.
O desempenho dos actores, alguns aspectos da direccao e dos figurinos como o contraste coloristico e temperamental entre os dois actores homens principais (o trabalho de luzes limitou-se ao basico, focando os intervenientes e criando frequentemente sombras que nao foram particularmente felizes), valorizaram um espectaculo que procurou restituir-nos Aristofanes na forma de uma contemporaneidade que ele, pelo menos nesta obra, decididamente nao possuiu (ou talvez sim pois de alguma maneira retrata uma forma de olhar que continua a existir. Apesar dos tempos...). Ironizar e gozar com uma suposta tomada de poder pelas mulheres, para alem de estar fora de qualquer contexto, deixa demasiado a desejar se pensarmos nas atrocidades que continuam a revestir muitas das formas de poder masculino e se pensarmos que os paises onde as mulheres participam em grande escala no poder economico e no poder de estado sao os mais desenvolvidos do mundo.AST















2005/08/06



A vida e carreira de Erich Kleiber, nascido passam hoje 115 anos, viriam a ficar definitivamente marcadas pelas óperas do compositor austríaco Alban Berg (1885-1935): primeiro, em Dezembro de 1925, aquando da badalada e controversa estreia de Wozzeck, após 137 ensaios e algumas tentativas de censura, e mais tarde, em meados da década de 30, quando tentou estrear Lulu. Planos frustrados, que as autoridades nazis também interferiam nas artes, e que levaram mesmo Kleiber a abandonar a Alemanha. http://desnorte.blogspot.com (Agosto 05, 2005)






Johannes Ockeghem
Nace hacia el año de 1410 en una ciudad que no se ha podido determinar. La mayoría de los biógrafos apuntan a Termonde (Flandes) como la mejor posibilidad, siendo en general considerado un compositor franco - flamenco.
Se sabe poco de su vida, teniéndose por cierto que fue cantante al servicio de Carlos I duque de Bourbon hacia 1430 y que formó parte de los vicarios de la catedral de Notre Dame de Amberes en 1443.
En cuanto a sus estudios musicales parece posible que estudiara con Binchois, y que conociera a Duffay en Combray.
En 1453 se establece en París como premier chapelain de la capilla real, actuando también como tesorero - cargo de alta distinción en la época y que sólo concedía el rey - de la Iglesia de Saint Martin de Tours a partir de 1459.
Cuatro años después será canónigo en la Catedral de Notre Dame de París, y en 1470 viaja a España en una comitiva para negociar el matrimonio del duque de Guyenne con Isabel de Castilla.
Muere - probablemente - en Tours (Francia), el 6 de febrero de 1497.
Fue uno de los primeros compositores en utilizar la traducción del significado de las palabras, por ejemplo: usar una escala ascendente para las palabras ascendit in caelo. Este recurso se extendió en el Renacimiento tardío. Destaca por su maestría contrapuntística, materia a la que dio un gran impulso cualitativo. http://losmansos.blogspot.com (August 08, 2005)








O número de violações que não são denunciadas é, ao que parece, muito maior. As vítimas apresentam denúncias apenas num terço dos casos revelados. Além disso, nesse período, foram feitas apenas 39 detenções. O uso da violação em disputas tribais transformou-se, pode dizer-se, em algo normal.
E a crença de que o melhor recurso de uma mulher violada é o suicídio está bastante disseminada. Por cada Mukhtar Mai há dezenas desses suicídios.
Também a coragem não é uma garantia de que se possa obter justiça, tal como o demonstra o caso da doutora Shazia Khalid, Khalid foi violada no ano passado, na província do Baluchistão, por membros da segurança do hospital onde trabalhava. Um tribunal paquistanês não condenou ninguém pelo crime, Khalid diz que foi posteriormente "ameaçada em tantas ocasiões" que se viu obrigada a fugir do Paquistão.
...
Chegam, agora, notícias ainda piores. Qualquer coisa que o Paquistão faça é superada, ao que parece, pelo que a Índia pode fazer. O chamado caso Imrana, no qual uma mulher muçulmana de uma aldeia no Norte da Índia denunciou ter sido violada pelo sogro, terminou com um ditame do poderoso seminário islâmico de Darul- -Uloom ordenando que a mulher abandonasse o seu marido, pois, como resultado do rapto, ela converteu-se em haram (impura) para ele. "Não interessa", assinalou um clérigo Deobandi, "se o acto sexual foi forçado ou consensual".
Darul-Uloom, na aldeia de Deoband, 150 km ao norte de Deli, é o lugar de nascimento do ultraconservador culto Deobandi, em cujas leis foi treinada a milícia religiosa talibã. Ensina a mais fundamentalista, limitada, puritana, rígida, opressiva versão do islão que possa actualmente existir em qualquer parte do mundo. Numa fatwa sugeriu que os judeus eram os responsáveis pelos ataques do 11 de Setembro de 2001. Não só os talibãs como também os assassinos de Daniel Pearl, o jornalista do Wall Street Journal, eram seguidores dos ensinamentos de Deobandi.
A rígida interpretação da lei Sharia em Darul-Uloom é notória e enormemente influente. Ao ponto de Imrana, uma mulher pressionada de uma forma inimaginável, ter dito que acataria a decisão do seminário apesar do protesto generalizado que se registou na Índia. Apesar de inocente, deverá separar-se do marido devido ao crime do sogro.
...
A decisão dos líderes religiosos muçulmanos no caso de Imrana deve ter sido adoptada após muitas deliberações", afirmou a jornalistas de Lucknow. "Os líderes religiosos são muito doutos e eles entendem a comunidade muçulmana e os seus sentimentos."
Esta é uma declaração cobarde. A "cultura" da violação que existe na Índia e no Paquistão é produto de profundas anomalias sociais, as suas origens encontram-se na rigidez imutável de um código moral baseado nos conceitos de honra e de vergonha. Graças à falta de misericórdia desse código as mulheres violadas continuarão a deambular nos bosques e a caminhar para os rios para se afogarem. Salman Rushdie in http://dn.sapo.pt/2005/08/06/opiniao






http://www.juancole.com foi o Vencedor do 2004 Koufax Award for Best Expert Blog














2005/08/01

Compagnia Aterballeto


A depuração estética e a qualidade de execução num espectáculo que se impõe para além do domínio da Dança


Nos dias 29 e 30 de Julho, encerrando mais uma edição do Festival de Sintra (Portugal), subiu ao palco do Centro Cultural Olga Cadaval a companhia italiana Aterballeto, trazendo ao público português um espectáculo de superior qualidade.

De facto, as coreografias apresentadas, da autoria do Director Artístico e ex-bailarino da companhia Mauro Bigonzetti, caracterizaram-se por um nível impressionante e constante de rigor, depuração estético-formal, capacidade narrativa e desempenho técnico. Bigonzetti, cujo trabalho como coreógrafo tinha já chegado até nós através do Ballet Gulbenkian, afirma a sua capacidade de jogar com os corpos enquanto elementos não meramente físicos, assumindo a sua corporalidade e carácter para construir verdadeiras personagens sonoras e visuais.

Todo o espectáculo é pautado por uma coerência conceptual e formal que encontra a sua génese na escolha musical. As obras dos compositores escolhidos (Stravinsky, Mozart e Rossini) são a génese de todo o léxico físico, dramático e cénico, fundindo-se numa mesma linguagem na qual movimento, cenário, figurinos e luzes são magistral e complementarmente compostos.

O facto de as duas coreografias mais longas serem apresentadas com a interpretação musical ao vivo (a cargo do maestro supervisor musical Bruno Moretti), confere-lhes uma mais valia expressiva e interpretativa indiscutível.

De salientar a inteligente gestão do elenco, na qual o protagonismo é repartido, criando um nível uniforme e necessariamente elevado, bem como uma coesão capaz de criar uma verdadeira ideia de companhia e de unidade artística.

As expectativas estão criadas: nas próximas edições o Festival de Sintra deve ser capaz de responder com continuidade ao belíssimo espectáculo que encerrou o certame este ano. Ines Salpico







"But the Sintra Festival is going from strength to strength..."
The Independent (UK), The classical diary, Tuesday 26 July














2005/07/31

PRIMO FESTIVAL INTERNAZIONALE DEL VAL DI NOTO


Trinta de Julho, com bastante atraso e depois de discursos, para mim despropositados, de dois politicos em directo para uma tv italiana, deu-se inicio ao concerto por um agrupamento de camara constituido por membros da Orchestra Filarmonica del Teatro Bellini (Catania-Sicilia) durante o qual foram interpretados o concerto para dois violinos e orquestra de cordas de Bach e Music for The Royal Fireworks de Haendel. Iniciou-se o "pequeno-grande" concerto depois de "devidamente" apresentado por dois locutores televisivos, aparentemente famosos, que acreditaram que este espectàculo era um programa parecido com os que habitualmentem fazem. Estiveram omnipresentes ao longo deste primeiro evento do novo festival, comentando, exprimindo o que sentiam, enfim...

A primeira obra teve como solistas Aiman Mussakhajayeva e Vito Imperato, sendo este o primeiro violinista da orquestra. Aiman é dona de uma sonoridade afirmativa e possui uma técnica que se poderia designar como perfeita. Vito tem uma sonoridade mais discreta mas é dotado de um timbre caloroso e requintado. Dito isto pode-se deduzir que foi um belo concerto? Sim. Pode porque o agrupamento que acompanhou os dois solistas é composto por musicos de primeira qualidade que contribuiram para uma bela execuçao de Bach em instrumentos modernos.

Jà em Haendel a direcçao de Lu Jia foi fraca (em Bach melhor teria sido nem ter aparecido a dirigir). Haveria necessidade de maiores contrastes timbricos e dinamicos pois esta mùsica presta-se e necessita disso. Vito no final disse-me que Jia, com quem trabalha habitualmente, é um excelente director dramàtico. Ficou explicada (parcialmente) a sua ineficàcia no barroco...

Devo sublinhar a excelencia dos metais nas dificeis intervençoes que Handel lhes reservou nesta obra. As madeiras também se mostraram de elevada categoria, para além das cordas que foram sempre o (bom) sustentàculo de todo o concerto.

O espectàculo continuou com uma apresentaçao de membros da Accademia Nazionale di Danza que demonstraram numa coreografia classica (neo-clàssica como a designou o excelente bailarino) uma justeza tecnica e uma expressividade que dignificam absolutamente aquela academia. Depois houve um (também despropositado) desfile de moda, entrelaçado com as performances das bailarinas e do bailarino que vieram de Roma (as modelos, pelo aspecto, também me parece terem vindo de Roma ou Milano...). Nessa altura, graças à vacuidade do acontecimento, dediquei-me a trocar ideias com o violinista e outros elementos da orquestra. AST
















2005/07/22

ATÉ AGORA NUNCA TOQUEI CONTEMPORÂNEOS FRANCESES

No final do concerto que Sabine Meyer concretizou no âmbito do Festival de Sintra conversámos com a artista. Uma pequena conversa pois alguns fãs esperavam-na.


Álvaro Teixeira: Quais os seus compositores contemporâneos preferidos?

Sabine Meyer: Vivos?

AT: Sim.

SM: Muitos escreveram para mim. O último foi Manfred Trojan que me dedicou um concerto muito bonito. Castiglioni, um compositor italiano. Escreveu uma peça para o meu grupo de sopros. E outros compositores alemães. Pedrem, que é muito famoso na Alemanha, escreveu-me uma peça solo. Muitos compositores. Bons compositores. Wüthrich...

AT: ?

SM: Não conhece?! É muito conhecido na Alemanha. Escreveu uma peça para dois clarinetes. Para mim e para o meu irmão.

(risos)

AT: Porque acha que o clarinete é muito utilizado na música contemporânea?

SM: O clarinete oferece muitas possibilidades técnicas e sonoras, oferecendo muitas, muitas côres. É muito interessante. A música para clarinete assemelha-se à voz humana. Muitos compositores escrevem para este instrumento.

AT: Nunca pensou em interpretar com instrumentos antigos?

SM: Sim. Já toquei o concerto de Mozart num Clarinete Basset que é o instrumento original. Também toquei com o Quartour Mosaiques.

AT: Christophe Coin...

SM: Exatamente! Utilizei um clarinete da época. E toquei o Brahms com um clarinete Wuestefeld...

AT: Já interpretou, por exemplo, compositores franceses?

SM: Compositores franceses?

AT: Nunca tocou música francesa?

SM: Moderna?

AT: Sim.

SM: Não. Até agora não.

(risos)


Tradução direta de Inês Salpico

2005/07/21

SABINE MEYER INTERPRETA LUTOSLAWSKI, ALBAN BERG E BRAHMS


A histórica clarinetista apresentou-se acompanhada ao piano pelo norueguês Leif Ove Andsnes. Também veio o violoncelista Heinrich Schiff que participou na interpretação do trio para clarinete, violoncelo e piano op 114 de Johannes Brahms, para além de ter apresentado uma pequena peça do compositor polaco e a sonata nº 3, op 69 de Beethoven, ambas para violoncelo e piano.
O concerto, integrado no Festival de Sintra, aconteceu numa sala abafada do hotel Penha Longa e revelou-nos que a clarinetista tem de facto um interesse maior pela música do século vinte. A única peça "clássica" (neste caso romântica) em que participou foi o trio, único momento em que os três músicos tocaram juntos.

O concerto iniciou-se com os Prelúdios de dança para clarinete e piano de Witold Lutoslawski que são umas peças agradáveis que Meyer usou como "aquecimento", acompanhada por Andsnes que se revelou aqui, como ao longo de todo o recital, um pianista com inteligência e musicalidade (para além da técnica excelente que possui). Já tinha ouvido falar dele e agora acho que deve ser convidado a voltar para nos oferecer um recital a solo.

Seguiu-se a sonata para violoncelo e piano de Beethoven. Todos nós conhecemos esta obra prima da música clássica que existe registada por inúmeros violoncelistas. Muito recentemente saiu uma edição da integral destas sonatas pela dupla Wispelwey / Lazic (que Portugal já teve oportunidade de ouvir em concerto).
Esta introdução foi para explicar porque é inadmissível nos tempos que correm um violoncelista apresentar-se seja no que fôr, muito menos nas sonatas de Beethoven, com desafinações sistemáticas nas tessituras agudas ainda por cima com uma sonoridade pobre, por vezes pouco mais que um silvo. A culpa não é seguramente dos instrumentos em que toca... Tratam-se afinal do Stradivarius "Mara" e do Montagnana "Bela Adormecida"!

Já em Grave para violoncelo e piano do compositor polaco o "cellista" conseguiu uma boa performance, com o apoio eficaz do pianista. Peça esta em que o compositor utiliza práticamente só as tessituras médias e graves do violoncelo.

O mesmo aconteceu no trio de Brahms em que a parte do violoncelo não passa das tessituras médias pois as agudas estão reservadas ao clarinete. O pianista novamente foi a "cola" fundamental da peça onde Sabine Meyer demostrou ser uma intérprete que faz juz à fama que tem.

No final do concerto o violoncelista histerizou quando lhe perguntei se não se sentia mais confortável nos românticos, em Brahms por exemplo, começando a gritar repetidamente: "é uma pergunta estúpida"!!! Dever-lhe-ia ter sugerido para só tocar obras que não utilizem as tessituras agudas. O que é um pouco complicado...

Foi nas Quatro Peças para Clarinete e Piano op 5 de Alban Berg (que antecederam Brahms) que a clarinetista e o pianista conseguiram o que foi para mim o grande momento deste concerto. O controle tímbrico e dinâmico pela clarinetista, a criação de sonoridades e ambiências pelo pianista, resultaram numa visão transcendente destas pequenas peças que foram transformadas numa belíssima "suite" de quatro pequenos-grandes momentos que só por si justificariam a ida à Penha Longa. AST











Na terça-feira, Campos e Cunha disse no Parlamento que os grandes investimentos, como a OTA e o TGV, ainda teriam de ser avaliados. Mas ontem de manhã, no mesmo local, Mário Lino (Obras Públicas) afirmou que a decisão política já estava tomada. http://dn.sapo.pt (2005/07/21)

A questão é, pois, a de compreender o significado da desistência do ministro das Finanças; se o cansaço invocado por Luís Campos e Cunha deve ser interpretado à letra ou se é o reconhecimento de que não é possível governar com rigor, ignorando as exigências dos ciclos eleitorais. http://dn.sapo.pt (2005/07/21)











Las pérdidas, sólo en el sector agrícola, están estimadas en más de 2.000 millones de euros, el 1,5% del producto interior bruto de Portugal. Pero los cálculos son provisionales, porque otros cultivos están en riesgo de perderse en el sur. http://elpais.es (Internacional, 21-07-2005)














2005/07/13

ANN MURRAY E GRAHAM JOHNSON NO FESTIVAL DE SINTRA

Murray provou-nos que continua a ser uma das grandes cantoras da actualidade. Apesar de já não ser uma jovem, a artista demonstrou estar em plena posse dos dotes vocais que a celebrizaram. Ao nível interpretativo está mais madura. O facto de nos registos graves denotar problemas de colocação e emissão não impediu que a cantora oferecesse ao público que se deslocou ao Palácio de Queluz um recital de primeira ordem.

Começemos pelo princípio que foi a cantata Arianna a Naxos de Haydn. Ao nível estilístico deixou muito a desejar pois tratou-se de uma interpetação "a la Karajan". Nada dos fraseados, das inflexões e da espontaneidade de uma Madalena Kosena, por exemplo. O pianista parecia que estava a tocar Brahms... do qual é um exímio intérprete como pudemos comprovar na segunda parte. Salvou-se a voz portentosa da artista e a sua impressionante expressividade que arrebatou o público, num repertório que decididamente faz de uma maneira pouco aceitável nos tempos que correm. Há que atender que se tratam de dois intérpretes de uma geração que vem de uma linhagem romântica ao nível estilístico-interpretativo.

Ainda na primeira parte tivemos as Canções de um Viadante de Gustav Mahler, o primeiro ciclo de uma obra imensa onde o canto interceptou o sinfonismo. Pessoalmente prefiro a versão com orquestra que o compositor trabalhou posteriormente. Apesar de ser o seu primeiro ciclo de lied é já um exemplar acabado da genialidade mahleriana ao qual a versão orquestral dota de uma imponência dramática que o piano não alcança. Murray deu-nos uma leitura tranquila, patente no primeiro lied que contrastou com as versões em andamentos mais rápidos que costumo ouvir, cujo auge dramático foi Ich hab'ein glühend Messer onde a intérprete soube exprimir com intensidade e arrebatamento a grande tensão desta canção que é a penúltima do ciclo que acaba na tranquila assunção mahleriana do drama do mundo. O piano esteve muito aquém do desempenho da cantora. Subtilidades que criam dimensões e ambiências estiveram ausentes para já não falar numa nota errada (entre outras) que estragou, pontualmente, o desempenho da soprano.

Já na segunda parte o pianista esteve muito melhor pois trata-se do "seu" repertório. Tivémos um excelente Brahms, um interessante Peter Cornelius e um José Vianna da Motta que no século vinte compunha como se fosse contemporâneo dos outros dois. Parece ser o drama da criação musical em Portugal... Excluindo evidentemente os "grandes compositores portugueses do século vinte" como Capedeville, Peixinho, Salazar, Brandão, Lima, entre outros que hoje em dia paradoxalmente não são ouvidos. Sinais dos tempos...

O recital acabou com quatro deliciosas e muito expressivas canções populares irlandesas. Da mesma Irlanda que viu nascer Ann Murray. Ast






"Ainda em surdina, mas muito claramente, voltou outra velha ideia: a da inviabilidade de Portugal. Como de costume a pátria inteira espera um salvador", Vasco Pulido Valente, Público, 15-07-2005

Foi o ministro da defesa quem afirmou que se a actual crise não for ultrapassada o que estaria em causa era a própria independência do país. Um ministro da república, mesmo que o pense (e pensá-lo é um péssimo sinal), não o deveria ter dito. Não está nem estará em causa qualquer perca da independência. Portugal no contexto de uma Europa não federal tem simplesmente que se "desenrascar", isto é, encontrar maneiras de ser produtivo e competitivo. E perceber, o país inteiro, que o "ouro do Brasil" materializado, desta vez, nos fundos comunitários vai acabar definitivamente. Perceber que nenhum país pode viver eternamente de "ouros do Brasil". Não vem aí nenhum salvador. Nem vão desembarcar mais "ouros do Brasil" ou "diamantes de Angola". Nem "petróleo de Timor". Nem a virgem vai aparecer aos pastorzinhos da contemporaneidade. De resto parece que adiantou muito pouco em ter aparecido aos outros três... AST









A República despreza as suas instituições. E isso enfraquece a democracia, porque os órgãos que servem para transmitir confiança à população não são respeitados, não se dão ao respeito.
O que é grave neste problema não são a falta de meios, nem sequer um défice de poderes. É a acomodação a esta ideia, perigosa, de que é normal esta «República de faz de conta».
Os partidos, um pilar fundamental do regime, dão o exemplo: aldrabam as suas próprias contabilidades e têm o descaramento de as depositar no Tribunal de Contas. Basta pagar as coimas. Há anos que a farsa se repete. http://www.negocios.pt (14 Julho 2005 13:59)









O Banco de Portugal gastou, em 2004, 41 milhões de euros em pensões de antigos funcionários, mais 4 milhões em relação ao ano de 2003. Nos próximos anos, o banco central conta gastar, através do seu fundo de pensões, 549 milhões de euros com os seus reformados, mais 10% do que esperava despender há um ano. Recorde-se que, depois da polémica com a reforma do ministro das Finanças, Campos e Cunha, José Sócrates prometeu que os regimes de vencimentos e pensões iriam ser revistos. Miguel Beleza, nomeado para presidir à Comissão de Vencimentos do Banco de Portugal, não aufere qualquer remuneração. http://www.acapital.pt (14 de Julho 2005)










A aposta no status quo, a incapacidade de abalar as velhas fundações do São Carlos, para correr com os ácaros que se infestam nas suas madeiras, é mesmo a pedra de toque das épocas Pinamonti. Para quando uma reorganização da orquestra sinfónica portuguesa? E do coro residente do São Carlos. Que está há muito rotinado numa lógica do melhor funcionalismo público? E o enxame de maestros de duvidosa qualidade que acumulam tachos de honorolabilidade e similares? Qual avença solidária que a nação lusa lhes resolveu conceder a troco das suas muito esquecíveis prestações. Confesso que nunca ouvi a orquestra ao vivo. Ouvi-a inúmeras vezes na rádio. Está ainda na minha memória uma memorável apresentação do Requiem do Cherubini na Festa da Música deste ano. O desacerto era tanto que parecia um acerto. A desafinação do coro e da orquestra, o molestar desenfreado da obra do pobre Luigi era de fugir com a casa às costas.
...
Constato que a ópera Barroca está ausente da temporada próxima. Será que o Dr. Pinamonti do alto seu assento programático se deu ao trabalho de indagar as obras de um tal João de Sousa Carvalho? E de um tal Francisco António de Almeida, que a propósito se comemoram os 250 anos do desaparecimento. E o Pedro Avondano? E os 250 anos do Terramoto de Lisboa? E um tal António Teixeira, que em parceria com um tal António José da Silva, cujos 300 anos do nascimento este ano se assinalam, escreveram das mais corrosivas e lúcidas obras acerca da maleita lusitana?
E os compositores portugueses contemporâneos? Conhece? Se calhar não tem tempo. O jet lag é lixado, e quando está na bela Olissipo, o seu cérebro está num outro fuso horário. É dura a vida de um director artístico do São Carlos. http://perusio.com/sao-carlos-2006









Há mais realidade numa ballata de Landini do que numa qualquer adoçicada xaropada neo-romântica. Que para além do mais dura, dura, dura, tal como o coelhinho da Duracell, só que a duração aqui não vem da superior química creativa mas de uma incapacidade de os reagentes passarem por muitos estados intermédios: é uma música falha de ideias. http://perusio.com/ricercare-sgl-2005










Correcção
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Duas palavras, apenas, para corrigir uma imprecisão: Ann Murray é mezzo, e não soprano... A menos que tenha mudado de tessitura ! É verdade que, ao longo da carreira, várias foram as vezes em que interpretou papéis de soprano - Donna Elvira, do Don Giovanni, por exemplo. Quanto ao resto, aprecio o seu blog, que leio com regularidade.
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Il Dissoluto Punito, ossia João Galamba de Almeida
(operaedemaisinteresses.blogspot.com)










Inundações, tempestades e secas. O gelo do Ártico derrete, os glaciares diminuem, os oceanos transformam-se em ácido.
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Por fim, o director da Shell no Reino Unido, Lord Oxburgh, fez um intervalo - mesmo antes da sua empresa ter declarado lucros recorde provenientes essencialmente da venda de petróleo, uma das principais causas do problema - para avisar que, se os governos não tomarem medidas urgentes, "vai acontecer um desastre". Courrier Internacional (edição portuguesa nº14, pág.27)


A temperatura média na Sibéria aumentou três graus centígrados desde 1960, indica um estudo europeu, segundo o qual esta enorme superfície arborizada absorve menos gás com efeito de estufa do que se esperava. http://www.publico.clix.pt (15.07.2005 - 12h06)














2005/07/11

OLGA NEUWIRTH

Nasceu em 1968 algures na Austria e é hoje um dos paradigmas da "nova composição musical". Afastada da inocuidade e pobreza dos "novos neo-clássicos", Neuwirth soube encontrar um caminho pessoal, passando ao lado das estruturações serializantes e o que delas resta. A sua música é trespassada por uma intuição rara que nitidamente induz a escrita numa simbiose entre inspiração e inteligência. A compositora é para além do mais uma intelectual, situação que fica expressa na análise que faz de The Long Rain de Ray Bradbury, que inspirou a sua obra homónima: "a caída sufocante e sem descanço de novas metáforas e descrições no meio das quais está sempre um e único fenómeno que está delimitado; imobilização do significado por movimentos impetuosos dos significantes." (tradução livre minha). Diria que Olga leu Lacan, o que não me espanta mas é admirável para uma artista. Admiráveis são sem duvida as suas criações musicais que abriram mais um sendeiro, com densidade (com "sulco"), nas rotas da contemporaneidade. Ast







O Luxemburgo disse "sim" à constituição europeia. Um sim sob ameaça de demissão do carismático primeiro-ministro que talvez tenha impedido que definitivamente a enregelassem. Jean-Claude Juncker, o último "cavaleiro" com ideais e projectos para a Europa. Bravo!

reprovaram a matemática 70% dos alunos portugueses?! No estado de indisciplina generalizada que se encontra o ensino no reino de Portugal, os alunos aprovados deveriam receber uma medalha do PR no próximo 10 de Junho. E também os professores que conseguiram a proeza de alçar ao sucesso 30% deles.
E que tal a institucionalização efectiva e generalizada de vias profissionalizantes no ensino? Ao que consta, mecânicos, canalizadores, trolhas, etc, não só escasseiam como são caros e mediocres. Vão-nos salvando os imigrantes do leste europeu. Os tais que o Alberto da Ilha não quer na sua área concessionada... O Editor








Ventilada é um belo eufemismo para a falta de arejo em que decorrem estas conversações, com mais seriedade se poderia falar de "hipótese abafada" pelo mais completo e obscuro silêncio que continua a rodear este mistério que é a OSP não ter ficado sediada no CCB. http://arauxo.blogspot.com





Portugal esteve unido à Coroa Espanhola, Olivença como todas as outras localidades lusas. Sempre como parte do Reino de Portugal... ao ponto de ter sido uma das localidades alentejanas a revoltar-se em 1637/38. E, se em 1658 esteve ocupada por Madrid (até 1668), é um facto histórico que toda a sua população, salvo trinta pessoas, resolveu refugiar-se noutras localidades portuguesas, regressando só em 1668, quando a praça voltou para Portugal. E isto quando não se podia ainda falar do ocaso dos Áustrias, que só se deu de facto em 1700. Estamos perante 504 anos de presença portuguesa...mesmo porque em 1658 Olivença foi considerada como parte do Reino de PORTUGAL, recuperada para a administração da coroa espanhola.
Não resisto a recordar que Gibraltar só veio para a Coroa Castelhana, por conquista aos muçulmanos, em 1462, ainda que em 1309 tenha sido conquistada pela mesma, mas perdida logo a seguir. Tendo sido ocupada pela Grã-Bretanha em 1704, e cedida à mesma no Tratado de Utrecht em 1713-14, só esteve integrada em Castela/Espanha durante 242 anos. A História tem ironias divertidas. http://duascidades.blogspot.com





...a Ministra da Cultura refere en passant a "dificuldade maior" que terá sido a aceitação pelos fundadores do "princípio da integração da ONP" na da Casa da Música. Sabe Deus e gostariamos nós de saber que argumentos de argúcia admnistrativa, que é o mesmo que dizer de esperteza saloia, se podem ter invocado contra a medida óbvia e acertada da instalação da orquestra neste equipamento maior da cidade. Honra seja feita à firmeza do Ministério e esperemos que este acordo de "princípio" não se venha a revelar apenas o princípio de mais um equivoco. http://arauxo.blogspot.com














2005/07/09

Claude Simon

Nascido a 10 de Outubro de 1913 em Tananarive, no Madagáscar, prémio Nobel da literatura em 1985, foi a enterrar sábado, 9 de Julho de 2005. Simon combateu com os republicanos durante a guerra civil de Espanha, experiência que transcreveu em "O Palácio", escrito em 1962.






Peu de compositeurs contemporains ont aussi bien réussi à l'opéra que le Belge Philippe Boesmans, né en 1936. On ne voit guère que l'Allemand Hans Werner Henze et le Finlandais Aulis Sallinen pour avoir, comme lui, renouvelé le répertoire lyrique contemporain, longtemps jugé incompatible avec le principe d'innovation cher aux créateurs d'avant-garde. http://www.lemonde.fr (06.07.05-14h32)






A grande ajuda para África seria persuadir o G-8 o IMF, o BM a pôr lá gente que baixe os impostos e contribua para a transparência. Dar dólares e euros ao continente africano para reembolsar banqueiros ocidentais não ajuda a expandir as economias esmagadas por corrupção e impostos. As políticas estúpidas do IMF promovem aumentos do imposto e desvalorizações de moeda inflacionada em África em troca de dinheiro para os governos ocidentais pagarem aos banqueiros de Nova Iorque York. A taxa de imposto é de 30% no Sudão para rendimento per capita de $5.
...
Infelizmente, vai ser difícil impedir que os neoconservadores americanos venham reclamar um “bom velho ataque” ao Irão e Síria. A al Qaeda tem os seus “melhores inimigos” na direita americana. A luta contra a pobreza e a mudança energética ficarão para depois. http://duascidades.blogspot.com


LONDRES (Reuters)
Todas as explosões mataram mais de 50 pessoas no pior ataque sofrido por Londres em tempos de paz. Autoridades disseram que os atentados têm marcas da Al Qaeda. http://br.news.yahoo.com (Sáb, 09 Jul - 09h13)













2005/07/05

PASCAL DUSAPIN


Em 2003 estreou na Ópera da Bastilha o seu quarto trabalho no "género operístico": Perelà, Uomo di fumo é uma obra de grande inspiração conceptual, orquestral e dramática que faz dela uma referência principal do repertório. No mesmo ano da estreia de Perelà, Dusapin compôs Momo, uma ópera para crianças que foi apresentada este ano no Porto. A minha preferida pela concisão estrutural e dramática é MedeaMaterial, já referida numa selecção de cd's que se encontra nos arquivos deste blog.

Dusapin, que foi aluno de Iannis Xenakis, manteve sempre uma independência estética e estilística (tanto em relação aos "novos" neo-classicismos, como em relação às escolas seriais e pós-seriais, como em relação às estéticas do próprio Xenakis) que aliada ao seu talento e inteligência musical lhe garantiu uma personalidade artística singular e inovadora que o alçou à "grande história", sendo hoje um dos "incontornáveis" da criação musical. Aqui fica um excerto de uma entrevista a propósito de Perelà. No idioma em que foi feita. Ast




Bruno Serrou: Avez-vous construit votre ouvrage en pensant à la tradition de l’Opéra de Paris ?
Pascal Dusapin: Ce projet convient parfaitement aux exigences d’un Opéra National comme celui-ci. Mais je n’y ai pas pensé en composant Perelà, bien que ce projet ait été beaucoup plus lourd à réaliser que les trois précédents, puisqu’il m’a demandé trois ans et demi de travail intense et particulièrement exténuant. Mais cet ouvrage reste un problème d’ordre purement technique. C’est-à-dire que lorsque j’ai conçu To be sung pour le Théâtre des Amandiers, j’ai résolu des questions sur la partition elle-même, sur le projet de la représentation, et sur le lieu et les conditions de travail que me proposait ce lieu. Il est évident que quand je suis à l’Opéra National de Paris, qui plus est Bastille, avec tous les enjeux que ce théâtre présuppose, ainsi que l’immensité de la salle, je suis obligé de me poser la question de l’histoire de cette institution. Je peux l’aborder d’un point de vue social, en me disant « oh la la, c’est pesant, c’est politique, c’est mondain, c’est l’Opéra de Paris », ce dont je me fiche éperdument. J’espère être assez honnête avec moi-même. Il est certain que cet Opéra induit non pas une écriture mais une dimension lyrique tout à fait particulière. Mais Perelà ne pouvait qu’être donné dans un lieu comme celui-ci.

B. S. : L’orchestre de Perelà est-il plus vaste que ceux que vous avez mis en jeu jusqu’à présent ?
P. D. : Il nécessite une centaine de personnes, dont trois percussionnistes et un timbalier. Mais ce n’est pas un orchestre hors normes. Les instruments à vent sont par trois ou quatre, et j’y associe une électronique assez discrète, pour engendrer un son que l’on trouvait déjà dans To be sung et qui n’est pas fait pour être clairement entendu. Il s’agit en fait d’un décor sonore réalisé à la Kitchen. Je tenais à ce que tout soit centralisé dans la salle avec les moyens du bord.

B. S. : Qu’en est-il des chœurs ?
P. D. : J’ai fait appel à l’Ensemble Accentus de Laurence Equilbey, parce que je confie aux choristes quantité de petits rôles. Il y a même un très bref passage à quatorze voix réelles. L’Opéra de Montpellier, qui reprend l’opéra peu après, utilisera ses propres chœurs. Mais il m’apparaissait important pour la création de disposer d’un chœur qui corresponde pleinement au projet. En outre, cette œuvre n’a pas besoin d’un chœur aussi important que celui de l’Opéra de Paris, mais d’un ensemble de chambre de trente-deux chanteurs qui font beaucoup de choses.

B. S. : Combien votre opéra compte-t-il de personnages ? Quel est le découpage de l’œuvre ?
P. D. : Il compte une dizaine de rôles et est divisé en dix chapitres.

B. S. : Cette idée de chapitres à un côté biblique !
P. D. : C’est vrai, je n’y avais pas pensé ! C’est en fait un hommage au livre lui-même, Le Code de Perelà.

B. S. : Comment se présente le livre de Palazzeschi ?
P. D. : L’édition originale parue sous le titre Le Code de Perelà date de 1911 ; écrite quarante ans plus tard, la seconde édition est intitulée Perelà, uomo di fumo. Ces deux éditions ne se terminent pas de la même façon. La seconde version se subdivise en dix-sept chapitres, et j’en ai adapté dix. J’ai dû couper beaucoup d’éléments. Sinon, c’eût été impossible, à moins de cent cinquante chanteurs solistes. Cette aventure était également littéraire, puisque j’ai réalisé l’adaptation sans toucher un seul mot de Palazzeschi. Tout est extrait du livre, y compris la structure. Le premier chapitre s’étend sur trente-cinq à quarante minutes, le dixième dure deux minutes. Les chapitres s’enchaînent, mais il y a un entracte pour la symétrie. Les quatre premiers chapitres sont plus longs que les six derniers.

B. S. : Quel rôle attribuez-vous à votre orchestre ?
P. D. : Il est un individu à part entière. Il fait beaucoup de choses différentes et participe à l’intrigue sans émettre aucun avis. Il n’est pas dans la psychologie de l’histoire, mais est une sorte de factotum. Il accompagne, anticipe, commente, prévient, fait monter le suspens, se fait plus ou moins ludique... Il est très vocal au sens choral de la tragédie grecque. Bref, il s’agit bien d’un orchestre d’opéra à part entière !

in http://www.resmusica.com (11/02/2003)







Le label Alpha a décidé de baisser le prix de ses albums de 20%. Défenseur d’une juste cause au sein du concert européen, le fondateur d’Alpha, Jean-Paul Combet, s’engage ainsi pour une « harmonisation nécessaire ».
in www.resmusica.com (01/06/2005)














2005/07/01

KLAUS IB JORGENSEN

Um nome que dirá pouco à maioria dos "melómanos" portugueses. Foi-me recomendado pelo Kami que é um compositor português ainda em fase de "gestação".

Jorgensen nasceu em 1967 algures no reino da Dinamarca e a sua escrita musical introduz não só uma lufada de ar fresco no impasse em que vegetam parte dos criadores da actualidade, como inova. Inovar surge como uma "coisa" que parece muito pouco provável depois de tudo ser re-experimentado e verificarem-se "recolhimentos" de muitos compositores nas estéticas neo-clássicas ou "para-neo-clássicas". Não se percebe se por facilidade, se por mêdo de (tentar) desbravar caminhos, se por pura falta de inspiração.

Por isso me parece tão substancial referir aqui este dinamarquês que trabalha o acordeão, instrumento iminentemente tonal, de uma maneira inteligentemente inovadora num contexto não tonal e na forma de "música de câmara".

A intuição musical e o talento coexistem aqui com a criação de uma estética singular e genial. Um nome a não esquecer porque nos mostra que há vida para além de marte... Ast













2005/06/28

ORÇAMENTOS


Poderá parecer inacreditável se se disser que o Teatro Nacional de São Carlos possuiu um orçamento base superior ao do serviço de música da Fundação Calouste Gulbenkian cuja actividade é conhecida de todos.

É de facto inacreditável porque a Gulbenkian não só tem uma Orquestra residente que faz o que a orquestra daquele Teatro Nacional não faz ou seja concertos regulares fora de Lisboa, como tem uma companhia de dança que também tem uma actividade descentralizadora.
Como todos sabemos a "essência" da programação da Gulbenkian é a temporada de convidados que vão desde solistas de primeiro plano mundial até ao ciclo das grandes orquestras que nos tem possibilitado escutar em Portugal os melhores agrupamentos sinfónicos da actualidade, para já não falar das "divas" do canto que não vão actuar ao São Carlos mas fazem recitais ao longo das temporadas da Gulbenkian. Portanto entre uma e outra instituição não há comparação possivel.

Mas há! Ao nível dos orçamentos... O TNSC tem um orçamento de 15 milhões de euros, um dos quais dado pelo seu mecenas. O serviço de música da Gulbenkian no presente ano deve ter cerca de 14 milhões (que tenderão a diminuir nos próximos anos). Mas na realidade a Gulbenkian conta com substancialmente mais porque há mecenas que a apoiam com milhões de euros? Sem dúvida. A Gulbenkian que conta com rendimentos próprios que lhe permitiriam garantir sem outros apoios toda a temporada preocupa-se em encontrar mecenas que lhe dão muito mais que o milhão que o TNSC consegue. Porque será...

O grande problema é que 14 dos 15 milhões do orçamento do TNSC saem direitinhos do bolso de todos os contribuintes portugueses que não recebem nada em troca. O problema é que o TNSC em termos internacionais é e vai continuar a ser um teatro de ópera de quinta categoria. O problema é que o TNSC apresenta como "grande compositor internacional" um Azio Corghi (que pela terceira vez é convidado a apresentar óperas suas todas baseadas em libretos criados a partir de obras de Saramago) que só o é para alguns italianos e para o director do TNSC. Corghi não é de todo um compositor de primeiro plano na cena mundial. Poderíamos citar dez nomes reconhecidos como compositores históricamente relevantes que Corghi não entraria sequer num grupo alargado a vinte.

Se compararmos, por exemplo, o trabalho e o interesse público das actividades desenvolvidas pela Orquestra Metropolitana de Lisboa, que conta com uma excelente academia de música, com a actividade e o interesse público da temporada do TNSC concluiriamos, sem ter de recorrer a números, que a OML é imensamente mais importante para o país que o TNSC. Poderiamos também referir como exemplo a Sinfonietta de Lisboa que recebe do estado uma quantia ridícula e que não faz menos concertos que a Orquestra Sinfónica Portuguesa (que na prática é orquestra do TNSC o que é uma anacronia pois esta orquestra deveria andar a fazer concertos por todo o país em vez de estar adstrita à programação do S. Carlos).

Interessante seria compararmos o montante total que o Instituto das Artes tem para apoios aos agrupamentos musicais, de dança e teatro de todo o país com os gastos fixos do TNSC (pois se comparado com o orçamento total seria não só escandaloso como indecente). Interessante também seria discriminar-se o que é gasto com ordenados e ajudas de custo aos directores e outros funcionários, daquilo que é gasto com os ordenados dos músicos da OSP que são várias dezenas e que são os protagonistas fundamentais deste "enredo" (ainda que toquem pouco: uma orquestra profissional em qualquer parte do mundo faz pelo menos um concerto por semana. Mas o problema da OSP é o TNSC). Para se arranjarem bons gestores, directores e relações públicas basta ir às universidades portuguesas e fazer uma selecção entre os finalistas que cada ano concluem as respectivas licenciaturas. Os músicos da orquestra foram admitidos por concurso internacional. É bom que isto fique bem explicitado pois são os únicos na Fundação São Carlos que passaram por essa triagem. Deveria especificar-se, por exemplo, quanto se gasta com o côro que práticamente só actua quando há óperas que o necessitem (há várias que não necessitam de côro). Na realidade nunca se percebeu o porquê do côro do TNSC nunca ter passado a semi-profissional (como é o caso do da Gulbenkian que funciona muito bem). O Editor


Nota: Na revista Visão de 30 de Junho 2005 são postos a público os salários, ajudas de custo e prémios anuais de alguns dos gestores públicos portugueses. Após um rápido visionamento é fácil concluir-se que tanto o orçamento do S. Carlos como as regalias dos políticos que Sócrates acaba de modificar são uma muito pequenina ponta de um iceberg com colorações terceiro-mundistas. Ao governo impõe-se agora regular estes casos tendo como referência o ordenado do Presidente da República. Num estudo internacional realizado há algum tempo ficou patente que o grosso dos gestores portugueses para além de serem desprovidos de uma visão de longo prazo e de uma dinâmica laboral de grupo, disfrutam de regalias muito além do seu valor e da sua produtividade. Seria interessante que, tal como acontece com os músicos das orquestras nacionais, estes cargos fossem preenchidos por concurso internacional, seleccionados igualmente por um júri internacional. OE










O mais velho antifascista, o maquis da lendária resistência francesa, o amigo de Humberto Delgado, o fundador da LUAR, o presidente temporário do PPD, o apoiante do PS , após uma vida estendida por três séculos, partiu, ontem, aos 105 anos, para o "Oriente Eterno", como os seus irmãos maçons designam a morte. Emídio Guerreiro foi "uma mistura de Dom Quixote e de Che Guevara", na expressão do advogado conimbricense, fundador do PS e grão-mestre do Grande Oriente Lusitano (GOL), António Arnaut.
...
Contestatário do Golpe do 28 de Maio, não só seria um dos participantes da Revolta do 7 de Fevereiro de 1927, que podia ter acabado com a recente ditadura militar - se as guarnições de Lisboa se tivessem sublevado, não deixando os sediciosos do Porto isolados -, Emídio Guerreiro nem sequer ligou ao seu estatuto de assistente de Matemática na Faculdade de Ciências e, aquando da visita de Carmona à Invicta, em 1932, imprimiu um panfleto a exortar a população a receber o Presidente da ditadura com "merda, muita merda, merda às mãos-cheias".
Preso e torturado, acabaria por fugir do Aljube e exilar-se em Espanha, onde se envolveria, com o grupo dos "Budas de Madrid" (Jaime Cortesão, Moura Pinto e Jaime de Morais), na fracassada "revolução dos tanques", conforme relatou ao seu biógrafo Encarnação Viegas. Vivendo em Santiago de Compostela, seria surpreendido pelo golpe militar franquista em Vigo, onde se deslocou a pedido do alcaide, ali assistindo, impotente, ao fuzilamento do autarca. Um seu aluno, embora adepto dos falangistas, protegeu o professor, conseguindo-lhe um contacto com o cônsul inglês, que, perante as dificuldades de um irmão maçon, lhe garantiu o embarque num cargueiro para Gibraltar, de onde o português partiria para França.
Logo a seguir, retornava a Espanha, para se bater ao lado dos republicanos contra os falangistas, voltando a passar a mesma fronteira na "leva" dos derrotados. Adoeceu no campo de refugiados, mas conseguiu evadir-se dali, acabando por entrar na clandestinidade e aderir à resistência contra a ocupação nazi. O "capitão Hélio", seu nome de código, foi reconhecido como herói gaulês no fim da II Guerra Mundial, sendo integrado na forças armadas francesas com o posto de capitão e condecorado com a Cruz de Combatente Voluntário na Segunda Guerra Mundial. Desde essa época e até ao fim do Estado Novo, fixou-se em França, onde seria um dos professores que introduziram as matemáticas modernas no ensino liceal.
...
Regressado a Portugal, foi um dos fundadores do PPD, assumindo mesmo a liderança, em 1975, quando Sá Carneiro se afastou para, depois, regressar em triunfo ao partido - de onde sairia Emídio Guerreiro, que, anos volvidos, dava o seu apoio ao PS. Quando alguém lhe dizia que tinha sido do PSD, lembrava ao DN Vasco Lourenço, nome da Revolução dos Cravos e membro da maçónica Loja 25 de Abril onde ambos pisavam o mesmo "pavimento em mosaico", o velho oposicionista sublinhava "Nunca fui do PSD; fui do PPD." in http://dn.sapo.pt (2005/06/30)











Os bispos portugueses querem as escolas com uma educação sexual controlada. Em nota, a Conferência Episcopal defende o direito de os pais intervirem na definição dos programas e na selecção dos professores que leccionem a disciplina, insurgindo-se contra as metodologias pedagógicas "que excitam a imaginação e exploram sensações de forma manipulatória". http://dn.sapo.pt/2005/06/29/sociedade/educacao_sexual_mais_controlada.html


Este tipo de discurso leva-nos a imaginar o que se poderá passar no interior da "igreja" e dos seminários...
E que pais é que a igreja quer que controlem os professores? Os mesmos que insultam nas estradas portuguesas? Os que cospem no chão? Os que se demitem da função de educadores? Ou aqueles que molestam as próprios filhos e que a maior parte das vezes é a "escola" quem descobre e denúncia um crime que na generalidade dos casos se prolonga anos?
Tirando estas "minudências"(...) as questões que se levantam face à intervenção da igreja são: quanto acabam de vez as interferências absurdas e inaceitáveis da igreja no ensino do estado que é laico? Que aberração é essa de ainda existir uma disciplina de "religião e moral católicas" numa Europa de diferenciação religiosa? Quando é que o Estado assume o dever de definitivamente separar as águas? OE