2006/09/04

SUITES DE JEAN PHILIPPE RAMEAU

A European Union Baroque Orchestra, dirigida por Roy Goodman, oferece-nos uma electrizante interpretação da Platée Suite, seguida das Pigmalion e Dardanus Suites.

As suites são extraídas das óperas com aqueles nomes e são basicamente constituídas pela abertura seguida dos movimentos de dança que são indispensáveis nas óperas da época. Não nos devemos esquecer que as suites instrumentais "puras" mais não são que agrupamentos de peças com ritmos e nomes de danças. Nestas suites extraídas de óperas encontramos os habituais movimentos de dança que no contexto original eram coreografados, sendo, como acima foi dito, peças fundamentais da obra uma vez que o público, basicamente a "entourage" real de Versailles, esperava no decurso de uma ópera poder assistir a vários momentos de dança. O processo de construção das suites era portanto a acoplagem de todos ou alguns do movimentos de dança precedidos pela abertura.

Se bem que Pigmalion seja a mais célebre entre as suites devido à celebridade do "ballet-ópera" donde foi extraída, baseado nas "Metamorfoses" de Ovídio, na minha opinião, a mais fabulosa é a Platée Suite. Nestas peças instrumentais, destinadas a serem dançadas, Rameau atinge um grau de criatividade e inspiração só comparável ás páginas mais geniais de toda a história da música. À abertura, que é em si mesma uma obra de grande musicalidade, segue-se uma pantomina com ritmo de minueto e uma dança cujo ritmo é contrastante, pelo andamento e pela forma, apesar de ser igualmente ternário. Logo de seguida a "Orage" quebra toda a tranquilidade criada pela "air de ballet": foram os deuses quem desencadeou esta tempestade que é o momento mais fantástico desta suite e uma das páginas mais inspiradas do barroco musical. A interpretação é tecnicamente perfeita, plena de musicalidade e inspiração. À "Orage" segue-se um diálogo musical designado por "Air des fous gais et des fous tristes" ao qual se seguem os minuetos que, surpreendentemente, se assemelham a uma cantilena triste. A suite termina de maneira ritmada e contrastante com "Rigaudons I & II". Já a Pigmalion Suite termina com "Air gracieux et gai et contredanse" que todos nós já escutamos algum dia, provavelmente sem sabermos que o autor é Jean-Philippe Rameau. A abertura desta suite é igualmente uma obra de génio, encontrando nestes intérpretes quem materialize o seu contido explendor de maneira absolutamente notável. Já a abertura de Dardanus começa com uma marcha em tonalidade maior à qual se contrapõe um segundo tema mais fluído mas com um carácter mais meditativo, temas excepcionalmente trabalhados por estes intérpretes de excelência dirigidos pelo grande músico e director Roy Goodman. Desta suite há que referir a célebre "Air gay en rondeau" que aqui é re-criada com uma respiração e um equilíbrio dinâmico surpreendentes. Estes registos fora-de-série, gravados entre 1999 e 2003, foram editados pela Naxos e postos à disposição do público em 2005. AST



Ha, Laden!

Gostava de séries americanas e desejava Whitney Houston de "forma intensa". Quando tinhamos sexo ele gostava de se "pedrar"... quando tudo terminava, desligava a música, caía na religião e ia rezar, conta Kola Boof... que... por revelar Bin Laden de forma tão surpreendente recebeu ameaças de morte. in Metro-Portugal, 11 de Setembro de 2006



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