2006/12/07

MOZART SEGUNDO ANNE TERESA

A Companhia Rosas, dirigida por Anne Teresa de Keersmaeker, apresentou a produção "Mozart Concert Arias" no Teatro Municipal São Luiz em Lisboa, cuja estreia aconteceu no festival de Avignon em 1992. Antes de mais é de bom tom esclarecer que a artista teve razão ao considerar pouco pertinente a minha classificação de "neo-clássico", partindo de um curto excerto apresentado em vídeo. Por outro lado foi a artista que escolheu aquele excerto para a apresentação do trabalho. Logo...

Ainda que esta criação não possa ser rotulada de "neo-clássica", as formas arredondadas dos movimentos remetem-nos de alguma maneira para uma ideia de "recuperação da dança" onde até o trabalho de chão obedece a um polimento da forma. Em 1992 os trabalhos de Anne Teresa foram uma alternativa relevante, dentro de um registo europeu de modernidade, ás estéticas que, implicitamente, proclamavam que a dança estava morta. Quando se quer trabalhar o gesto a partir de obras de um único criador, as possibilidades ficam de algum modo limitadas e, partindo deste pressuposto, parece-me que Anne Teresa conseguiu um bom balanceamento entre repetição do movimento e variação do mesmo. Existem movimentos-momentos "ícones" nesta obra: os passos das bailarinas acompanhadas do lento balançar dos homens é um desses "momentos-movimentos" que por si só impregnariam o trabalho de "carisma". Também o choro e sua reiteração constituem outro "índice-icónico-simbólico" desta criação que não procura ser original mas busca a construção de uma estética do gesto e do movimento, complementando (uma das complementações possíveis) uma colagem (entre várias possíveis) de árias de Mozart.

A interpretação musical esteve globalmente bem e o trabalho de luzes foi eficiente, tendo o São Luiz re-apresentado uma produção no mínimo interessante na qual Anne Teresa nos oferece a sua leitura, uma das suas leituras possíveis, de Mozart. De um determinado Mozart. AST


Nota: dia 10 de Dezembro o Teatro Municipal de São Luiz trouxe o Wim Mertens, agora na versão "duo", e encheu a casa, claro. O curioso seria analisar o sucesso de uma música pobre, desinteressante, repetitiva por essência e monótona por acréscimo. Vale a pena dizer que a generalidade dos grupos de jazz, de música tradicional, e mesmo de "pop-rock", produzem música mais interessante que o famoso "minimal-repetitivo-pró-nostálgico-pró-pop", "cantor" que esganiça em falso falsete pró-nasal. O "caso" é sociológico, não estético-artístico, não sendo possível escrever-se uma crítica de música "produtiva" tendo por base as criações de Wim Mertens.














Augusto Pinochet (Chile) - assassino, orquestrador de massacres e traficante de drogas. Morreu por estes dias sem ser julgado porque a Inglaterra, que o ditador apoiou na guerra das Maldivas contra a Argentina, recusou a extradição pedida por Espanha. Os EUA apoiaram a ditadura do camafeu Pinochet. O exército chileno prestou-lhe honras militares e 60 mil chilenos gritaram vivas ao antigo ditador.


O que o antigo chefe de serviço de informações do Chile veio revelar foi que a fortuna da família Pinochet, de quase trinta milhões de dólares, foi conseguida através de uma rede criada pelo antigo presidente, que se dedicava ao fabrico e à venda de estupefacientes... Será que no Chile também existem as tristemente célebres prescrições? Hélio Bernardo Lopes in Jornal do Norte, Vila Real - Portugal, 07/08/2006













In July he (Alexander Litvinenko) claimed...that the President (Vladimir Putin) was a habitual pedophile...also contented that Putin had been on the take from Mafia groups for years... in Time-Europe, December 18, 2006, pag 26














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