2007/06/12

Richard Rorty

04/10/1931 - 08/06/2007


Rorty foi um dos pensadores mais importantes do sec. XX. Condicionou o advento do "pos-modernismo" ao proclamar que se deve abandonar a procura da "verdade objectiva". Foi igualmente um leitor inteligente e prespicaz de muitos autores, sendo a obra que dedicou a Aristoteles uma entre as relevantes para o estudo do pensador grego. Philosophy and the Mirror of Nature (1979) e Contingency, Irony and Solidarity (1989) são os seus livros mais importantes.









UK: Mahmod Mahmod murdered daughter Banaz

The victim of an "honour killing" had been dismissed by police as a fantasist

Mr Sulemani (Banaz's boyfriend) was deemed unsuitable because he did not come from the villages in Iraqi Kurdistan where the Mahmods originated.

Banaz feared for her life when her father came towards her menacingly, wearing gloves, and she jumped through a window.

When she told a police officier, PC Angela Cornes, about what happened, her account was dismissed as fantasy.

Mr Cornes even wanted to have her charged with criminal damage for breaking the window.

One of the men later admitted his part in the crime, while the other two have fled the country.

in Metro UK, June 12, 2007


Because Mr Sulemani was not a strict Muslim and not from the Mirawaldy region, Miss Mahmod's father ruled that she would never marry him.

When Ari Mahmod (Banaz's oncle) saw the photograph of the embrace (taken by a member of the Kurdish community), he contacted a gang of Kurdish thugs and planned the murders.

in The Times, June 12, pag 7


In the pictures of them (Banaz's murders) in the newspapers, their eyes shine bright. No shades of self-doubt

in The Independent, 13 June, 2007, pag 33







The possibility that such crimes were going undetected was strengthened when it emerged that three times as many Asian women aged between 16 and 24 commited suicide, compared with the national average.

in The Times, June 12, pag 6







"You will be the next", Asian woman is told

Violence is behind high suicide rates

in The Times, June 13, 2007, pag 15













Portugal...

A mulher de 76 anos que alegadamente roubou um creme de beleza de 3,99 euros num supermercado em Paranhos, no Porto, sofreu hoje uma reviravolta em tribunal, com a procuradora do Ministério Público a pedir a sua absolvição.

Segundo o advogado oficioso da arguida, Sousa da Silva, o juiz ordenou na sessão anterior a entrega por parte do Lidl de meios de prova e o próprio supermercado entregou ao tribunal um talão que prova que a mulher pagou o creme naquele dia 18 de Outubro de 2005, às 11h54.

Perante estes dados, a procuradora do Ministério Público pediu a absolvição da ré e o mesmo solicitou o seu advogado. O juiz vai agora "analisar o processo" e ditará a sentença no próximo dia 21, pelas 15h30.

O julgamento desta septuagenária, natural de um concelho minhoto, teve início a 23 Maio nos Juízos Criminais do Porto. Apesar do valor irrelevante do creme de beleza alegadamente roubado (3,99 euros), o Ministério Público decidiu avançar com a acusação, num processo que custará centenas de euros ao Estado, sendo que só o advogado oficioso da arguida recebe 264 euros por cada sessão do julgamento

13.06.2007 - 13h44 Lusa









O ALARIDO DOS INOCENTES

No dia 3 de Junho, a seguir às notícias das 20.00, a RTP1 entrevistou um sujeito que está pronunciado pelo homicídio de três raparigas, cometido em circunstâncias particularmente chocantes. Sem a autorização e a complacência da autoridade prisional, a entrevista não teria sido possível.

Tratou-se de um genial acesso de sensacionalismo da televisão do Estado, para antecipar, face à concorrência, a rotunda negação da prática dos crimes que, no dia seguinte, iria ser feita pelo acusado na audiência de julgamento.

...

- o Serapião Cuco, acusado de tráfico de armas, a jurar que as dez metralhadoras, as seis granadas de mão, as 18 pistolas de guerra, os pacotes de munições e os 50 mil euros em rolos de notas tinham sido encontrados numa serapilheira pelo filhinho de tenra idade, quando andava a brincar atrás de uma moita no pinhada Remontada de Baixo;

- o Libânio Surrobeco, acusado de violação, a contar como é que viu passar Isménia ao lusco-fusco e se limitou a pedir-lhe lume, para o que ela teve de tirar o isqueiro do soutien e, como não o encontrava, teve de tirar o soutien, prestando-se mui esbraseada a tudo o que se passou em seguida.

Se já ninguém acredita na Justiça, porque é que a RTP não há-de ter o desvelo carinhoso e solidário de dar voz aos inocentes?

Os dramas de faca e alguidar e o insuperável gabarito intelectual das entrevistas sacudirão a brandura atávica dos nossos costumes, provocarão o tremendo abalo catártico das almas, exarcebarão titilações sincopadas dos sentimentos, educarão para a cidadania, produzirão cultura da melhor, evitarão os erros judiciários, contribuirão para a aprendizagem ao longo da vida, potenciarão o aproveitamento escolar, porão de cócoras os nossos parceiros europeus e farão com que as audiências subam na vertical.

A RTP e a autoridade prisional continuarão a achar que colaboram num verdadeiro serviço público.

Ninguém lhes vai à mão. Ninguém responsabiliza ninguém. Ninguém vai para a rua. O Governo, esse, inimputável, impávido e sereno, assobia para o lado.

V G Moura in http://dn.sapo.pt/2007/06/13









Portugal de sempre

- Perdão... Que o Diabo lhe tire a sua dor de cabeça, senhora baronesa!
O velho democrata desaparecera discretamente. E da antessala Ega avistou logo ao fundo, no tablado, sobre um mocho muito baixo que lhe fazia roçar pelo chão as longas abas da casaca - o Cruges, com o nariz bicudo contra o caderno da Sonata, martelando sabiamente o teclado. Foi então subindo em pontas de pés pela coxia tapetada de vermelho, agora desafogada, quase vazia: um ar mais fresco circulava: as senhoras, cansadas, bocejavam por traz dos leques.
Parou junto de D. Maria da Cunha, apertada na mesma fila com todo um rancho intimo, a marquesa de Soutal, as duas Pedrosos, a Teresa Darque. E a boa D. Maria tocou-lhe logo no braço para saber quem era aquele músico de cabeleira.
- Um amigo meu, murmurou Ega. Um grande maestro, o Cruges.
O Cruges... O nome correu entre as senhoras, que o não conheciam. E era composição dele, aquela coisa triste?
- É de Beethoven, sr.ª D. Maria da Cunha, a «Sonata Patética».
Uma das Pedrosos não percebera bem o nome da Sonata. E a marquesa de Soutal, muito séria, muito bela, cheirando devagar um frasquinho de sais, disse que era a «Sonata Pateta».
Por toda a bancada foi um rastilho de risos sufocados. A «Sonata Pateta»! Aquilo parecia divino!
Da extremidade o Vargas gordo, o das corridas, estendeu a face enorme, imberbe e cor de papoula:
- Muito bem, senhora marquesa, muito catita!

Eça de Queiroz, Os Maias (in tonicadominantepb.blogspot.com)








Portugal jovem

Já no carro-patrulha, o desordeiro continuou agressivo, pontapeando o banco da viatura. A fúria continuou na esquadra. Segundo fonte policial, o desempregado tentou "automutilar-se" desferindo várias cabeçadas no chão e nas paredes. Actos que repetiu no Hospital de S. João, onde foi conduzido por uma equipa médica do INEM. Ali, continuou às cabeçadas, inclusive em algumas macas. in http://jn.sapo.pt (2007/05/07)

A recusa de um cigarro terá estado na origem de um desentendimento entre dois jovens que terminou com um deles, de 21 anos, atingido a tiro numa perna. idem














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