2006/03/24

DISENCHANTED FOREST x 1001

Esta instalação de 2005, criada pela canadiana Angela Bulloch, nascida em 1966, é bordejada por 1001 chapas de metal numeradas e dispostas em sequência, contornado as paredes que a delimitam.
Estas chapas foram usadas pela agência ambiental canadiana para numerar árvores.
Sete canais com sons, trabalhados por Florian Hecker, disparam polifonias sonoras que atravessam a instalação, ao mesmo tempo que as luminosidades controladas automaticamente variam, destacando aspectos e encobrindo outros. Um texto em branco fluorescente destaca-se numa das paredes quando a luminosidade se torna difusa.
Quando as luz baixa ao seu mínimo os fios brancos que formam a “floresta” adquirem fluorescência assumindo composições várias de acordo com o lugar onde nos situamos. Há um ponto, um e só um, que nos permite penetrar a floresta de fios. Penetrar até um lugar delimitado a partir do qual se torna impossivel prosseguir.
Lá em frente, quatro círculos litografados, cuja visibilidade é favorecida ou anulada pelo jogo das luminosidades.
No chão outro círculo litografado parece em vias de construção: junto a ele um martelo e outros instrumentos de trabalho.
Referência evidente a “Sisteen Miles of String”, apresentada em New York, no ano 1942, por Marcel Duchamp. A ver na British Tate. Entrada livre. Pilar Villa














O QUE É TERCEIRO-MUNDISMO?

É quando uma instituição construída com os dinheiros públicos, o CCB em Lisboa-Portugal, recebe um "subsídio" de 16 milhões de euros, segundo "consta", para passar a maior parte do tempo a alugar salas para eventos comerciais, alugueres esses que deveriam pagar a festa da música que anualmente organiza, dispensando quaisquer ajudas do Estado. Mas não.

É o teatro nacional português de ópera encomendar, repetidamente, obras a um tal Azio Corghi. Não estão a ver? Naturalmente não.

Terceiro-mundismo é quando o fisco, a "máquina" que nunca falha em reter os impostos de quem trabalha por conta de outrem, se "esquece" de cobrar mais de 700.000 euros devidos pelo patrão da Vodafone Portugal. Como foi possivel ter acontecido um "esquecimento" destes?! Quem vai pagar ao estado português a quantia que deveria ter sido cobrada e não o foi?

É quando, segundo notícia na primeira página de um diário português (edição de 20 de Março de 2006), triplicaram as reformas de luxo oferecidas pelo estado português. E aparecem números: gente que pode gozar a "terceira-idade" com uns confortáveis 7.500, 6.000, e por aí fora, euros mensais. Num país onde o ordenado mínimo está abaixo dos 400 euros mensais e onde existem idosos a receber menos de 300 euros mensais, como se pode denominar o "fenómeno"? Em vez de se diminuirem estes montantes que, eles sim, exaurem os cofres da segurança social que o governo diz estar em ruptura (ruptura para alguns: isto é bem claro e bem típico do "terceiro-mundo" que não parece estar em "vias de desenvolvimento"), permite-se que tripliquem o número dos "reformados dourados"!

Terceiro mundismo também é, no país da UE com maior taxa de acidentes de viação (Portugal), não estarem presos desde há muito, e impedidos definitiva e liminarmente de voltarem a exercer qualquer actividade no sector, os corruptos do mundo do "ensino" da condução, que praticam, entre outros crimes graves, homicídios por negligência ao receberem dinheiro extra dos alunos para lhes facilitarem a aquisição da respectiva licença de condução. Um perigo para todo o mundo, nomeadamente para a UE, uma vez que esta gente, sem as capacitações necessárias, pode alugar um carro e praticar, noutros países, a sua condução suícida e assassina. Desde há muito que se sabe que o "ensino" da condução é uma das áreas mais obscuras da corrupção em Portugal. Mas tudo continua igual!

Terceiro-Mundismo é um país onde as universidades possuem tanta autonomia que todas as arbitrariedades escapam a qualquer controle "superior" pois o "poder superior" está centrado nos orgãos da própria instituição, que muito dificilmente o exercem pois há que respeitar a "autonomia inter-pares". Aumentou a oferta de cursos universitários, o número de mestrandos e doutorandos, mas o país parece não beneficiar rigorosamente nada com isso, antes pelo contrário. Fica-se com a ideia que, nas universidades portuguesas, se criaram cursos e pós-graduações, mestrados e doutoramentos para justificar os lugares que os docentes ocupam, mais nas públicas que nas privadas, e para as universidades ganharem mais "algum" com o montante das propinas pagas pelos alunos.
Existem compadrios, mediocridade e arbitrariedade em algumas, provavelmente demasiadas, universidades portuguesas. Das públicas, onde os docentes têm regalias e condições na generalidade melhores que os das privadas, raramente emanam trabalhos "interessantes", isto é, com relevância internacional. Em Portugal não há avaliação séria dos docentes universitários. Todos sabemos disto mas nada parece mudar realmente. Na Argentina, por exemplo, os professores universitários são obrigados, de sete em sete anos, a defender o seu lugar, demonstrando que para além de se terem mantido actualizados fizeram, durante esse periodo, investigação considerada "relevante". E não têm, na Argentina, nem no Reino Unido, os ordenados, relativos ou absolutos, nem o horário lectivo especialmente reduzido como acontece com os docentes das universidades públicas portuguesas. Louvo as excepções. Louvo aqueles que se dedicam, de forma espontânea e genuína, mantendo a intensidade de investigação e produção ao longo de toda a sua vida académica.
Houve doutorandos que, em universidades públicas portuguesas (nunca assisti a doutoramentos nas privadas), passaram com unânimidade, distinção e louvôr (houve um, em que no júri ninguém "dominava" minimamente a área em que o candidato trabalhou, limitando-se a constatar, o arguente, que aquela era uma tese "muito erudita"), que numa qualquer universidade europeia, na Argentina, ou em universidades com o mínimo de exigência, seriam obrigados a refazer a tese. Na melhor das hipóteses...

Também é verdade que parte substâncial dos alunos das universidades privadas portuguesas e dos alunos de muitos cursos das universidades públicas e institutos politécnicos portugueses, num sistema "normal", "evoluído" e "eficaz", estariam em cursos profissionalizantes. Que lhes seriam muito mais úteis a eles e ao país.

Para já não falarmos daqueles que voltaram a Portugal com doutoramentos ilegais - que não são reconhecidos no país onde o grau foi adquirido - e que estão a ocupar lugares em universidades portuguesas. E porque os continuam a ocupar tendo um documento que não é válido nem à luz do Processo de Bolonha nem à luz do mais vulgar senso comum? Porque as universidades portuguesas são tão autónomas que podem aceitar diplomas que não têm validade no país onde estão estabelecidas as instituições que os emitiram. Em Espanha, estado das grandes autonomias, as universidades não têm autonomia para reconhecer diplomas estrangeiros com vista à aquisição de grau com validade académica dentro do país. Em Espanha só têm validade os diplomas expedidos pelos serviços centrais do ministério da educação, assinados pelo(a) ministro(a) da educação e pelo rei.

Pede-se pois à Comissão Europeia que tenha a gentileza de intervir. O seu actual presidente tem uma responsabilidade muito grande e muito directa em todo este estado de coisas uma vez que foi primeiro-ministro de Portugal. Acredito que ao governo português lhe interesse modificar este estado de coisas. Afinal o que está em causa, na realidade, é, nada mais nada menos, a sustentabilidade do país no médio prazo. Em palavras mais simples: a existência do país. AST



... os burros são afectados por dificuldades cognitivas, a caridade e a benemerência são solidariedade social, e os primos e primas, afilhados e amigos a quem é necessário arranjar emprego no Estado são acessores, adjuntos e técnicos especialistas. A única coisa que não muda é Portugal. Metro Portugal, 22 de Março de 2006, pag 8



If it were within, within our power/Beyond the reach of slavish pride/To no longer harbour grievances/Behind the mask's opportunist's facade/We could welcome the responsibility/Like a long lost friend/And re-establish the kingdom of laughter/In the dolls house once again/For time has imprisoned us in the order of our years/In the discipline of our ways/And in the passing of momentary stillness/We can see our chaos in motion, our chaos in motion/We can see our chaos in motion/View our chaos in motion/And the subsequent collisions of fools/Well versed in the subtle art of slavery - Dead Can Dance http://aeperdida.blogspot.com















e-mail: criticademusicaATyahooPUNTOfr