2007/03/19

PIERRE BOULEZ - A ENTREVISTA

Álvaro Teixeira - Tomei algumas notas... falar consigo é falar com a história e o seu protagonista...
(risos)
... de novo Bartók... de novo muitos problemas de ritmo...

Pierre Boulez - Sim. Existem problemas porque Bartók é difícil.
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AT - Sim. Mas esta orquestra (Wiener Philharmoniker) é para muitos a melhor do mundo...

PB - Mas existem sempre problemas de ritmo não importa com que orquestra entre as melhores do mundo. Mesmo com os melhores solistas do mundo podem acontecer problemas, quando a música é difícil e quando não é tocada frequentemente.
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Eu penso que enquanto a questão rítimica não estiver resolvida a música não adquire clareza. Sobretudo em dois compositores a questão rítmica é fundamental: Bartók e Stravinsky.

AT - Sabia que ia falar em Stravinsky...

PB - Claro que sim. Eles introduziram um vocabulário rítmico e uma maneira de falar, na medida em que nos referimos ao ritmo, diferentes da tradição. Sobretudo da tradição austro-alemã, onde não se encontram este género de ritmos.
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AT - Lembro-me que gravou "La Mer" com uma orquestra americana...

PB - Cleveland...

AT - E esse registo continua a ser uma referência...

PB - Sim.

AT - Mesmo depois de outros chefes-de-orquestra famosos a terem feito, a sua continua, para mim, a ser a grande referência. E isso devido exatamente a aspectos dinâmicos e de ritmo...

PB - O rubato... A liberdade com o texto não é uma liberdade gratuíta mas uma liberdade concebida com base no texto.
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AT - Por outro lado, e isto é recente, fez uma genial gravação da segunda do Mahler com esta orquestra (Wiener Philharmoniker).
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Retrospectivamente, o que é que Pierre Boulez, o grande chefe-de-orquestra, pensa de Pierre Boulez, no passado, como compositor?

PB - A carreira de chefe-de-orquestra "comeu" o meu tempo. Aconteceu o mesmo quando administrei instituições, quando fui o director musical quer na BBC, quer em New York...
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AT - O que pensa da música contemporânea de hoje?

PB - Está muito viva e variada.
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Aqueles que me imitam não são seguramente muito interessantes. Aqueles que me imitam literalmente...
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Não se podem fazer muitas previsões.
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AT - Aquele periodo da história da música, o serialismo e o pos-serialismo, foi um periodo importante?

PB - Foi um periodo pelo qual foi necessário passar antes de encontrar outras coisas. Foi um periodo disciplinar.
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É necessário encontrar encontrar uma liberdade de expressão com um vocabulário que seja não somente lógico, mas sobretudo coerente.

AT – Conte-nos lá a história de quando o presidente da república o foi buscar à América…

PB – Não, não…

AT – É o que se conta…

PB - O que se passou é que o presidente, que era Pampidou, me disse “nós gostaríamos que voltasse para França. Está a fazer tudo isso no estrangeiro, porque não aqui?”. Foi assim que me incluiu no projecto do centro cultural que agora tem o seu nome.

AT- Ofereceu-lhe condições extraordinárias…

PB – Ele disse-me: “estou a fazer isto. Interessa-lhe?”. E eu respondi: “sim, interessa-me.” Muito simplesmente. Ele não criou aquilo para mim. O IRCAM sim, fui eu quem deu a indicação, posteriormente.
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Acabamos aqui. Tenho um concerto esta noite…

(risos)


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