CRITICA DE MUSICA / CRITICA MUSICAL

Um blog de Álvaro Sílvio Teixeira

Quinta-feira, Fevereiro 28, 2008




São artristas portugueses concerteza

São concerteza dois artristas portugueses

trim, trom




Curiosidades Portuguesas

Fernando Nogueira:
Antes -Ministro da Presidência, Justiça e Defesa
Agora - Presidente do BCP Angola

José de Oliveira e Costa:
Antes -Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais
Agora -Presidente do Banco Português de Negócios (BPN)

Rui Machete:
Antes - Ministro dos Assuntos Sociais
Agora - Presidente do Conselho Superior do BPN; Presidente do Conselho Executivo da FLAD

Armando Vara:
Antes - Ministro adjunto do Primeiro Ministro
Agora - Vice-Presidente do BCP

Paulo Teixeira Pinto:
Antes - Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros
Agora - ex-Presidente do BCP (depois de uns poucos de anos de "trabalho" saiu com 10 milhões de indemnização e mais 35.000€ x 15 meses por ano, até morrer...)

António Vitorino:
Antes -Ministro da Presidência e da Defesa
Agora -Vice-Presidente da PT Internacional; Presidente da Assembleia Geral do Santander Totta - (e ainda umas "patacas" como comentador RTP)

Celeste Cardona:
Antes - Ministra da Justiça
Agora - Vogal do CA da CGD

José Silveira Godinho:
Antes - Secretário de Estado das Finanças
Agora - Administrador do BES

João de Deus Pinheiro:
Antes - Ministro da Educação e Negócios Estrangeiros
Agora - Vogal do CA do Banco Privado Português.

Elias da Costa:
Antes - Secretário de Estado da Construção e Habitação -
Agora - Vogal do CA do BES

Ferreira do Amaral:
Antes - Ministro das Obras Públicas (que entregou todas as pontes a jusante de Vila Franca de Xira à Lusoponte)
Agora - Presidente da Lusoponte, com quem se tem de renegociar o contrato.


Curiosidades Europeias

Uma operação internacional anti-corrupção foi ontem desenvolvida em Itália, França, Luxemburgo e Bélgica, tendo sido interrogados quadros da União Europeia (UE) por suspeita de fraude imobiliária.

"Os serviços anti-corrupção estão a interrogar pessoas", disse, em Bruxelas, o porta-voz da Procuradoria belga, Jos Colpin, esclarecendo que há empresários suspeitos de corrupção activa e quadros da UE que estão a ser interrogados por corrupção passiva.

Os casos de corrupção têm a ver com ilegalidades na aquisição de edifícios para alojar as delegações da Comissão Europeia fora de Bruxelas e na instalação de sistemas de segurança nos imóveis. O porta-voz não especificou o número nem a nacionalidade das pessoas envolvidas.

A Procuradoria belga revelou que, para completa averiguação das suspeitas, foi necessário fazer buscas na sede da Comissão Europeia, no escritório de um assistente do Parlamento Europeu, em diversas entidades financeiras, empresas privadas e mesmo em casas particulares. in http://jn.sapo.pt/2007/03/28

Deputados Europeus apanhados em desvios de dinheiros. Portugueses estão fora do escândalo. in Meia Hora (29/02/2008)


Conclusão

Os corruptos europeus têm muito a aprender com os portugueses, que são todos gente de bem...




Sábado, Fevereiro 23, 2008

O reino da estupidez

Agora as escolas portuguesas vão ter directores. Será que o director vai resolver a indisciplina que grassa pelas escolas? Os insultos aos professores? O nível rasca a que chegou a educação? Qual é o problema fundamental do país? Não será o analfabetismo funcional, a iliteracia e a estupidez generalizada, que corroem Portugal do extremo norte ao extremo sul? Será que a culpa do ponto a que tudo chegou é essencialmente dos professores do ensino básico e secundário?

Veja-se o Exame (nacional) para Equivalência à Frequência de Educação Musical do 2º Ciclo do Ensino Básico, de 2006 (1ª chamada). O que se lê no grupo 1-E (pag 3)? "Ouve a Bardinerie..."! Bardinerie?! Bardos incultos (porque os verdadeiros bardos eram cultos) são os que dirigem a educação em Portugal, atacando os professores e reduzindo o ensino a generalidades abstrusas e erradas. Badinerie, quereriam dizer? Badinerie é uma dança! Bach, como todos os compositores da época, utilizava os ritmos das danças nos vários movimentos das suas suites e dava o nome da dança cujo ritmo utilizou à respectiva parte na suite. Há várias Badineries nas suites de J. S. Bach! Tal como há vários Adagios nas sonatas de Beethoven! Mas disto, que é elementar, os cérebros que elaboraram o exame demonstram não ter a mínima ideia. Para aquela gente, que é quem elabora os programas de educação musical e quem vai estabelecer alguns dos parâmetros para avaliação dos professores, trata-se da "Bardinerie de J. S. Bach". Claro! São pedagogos especialistas no ensino da música! Doutores, alguns já serão "professores-doutores", ou para lá caminharão. Todo o conjunto de questões colocadas são típicas de seres básicos que não sabem rigorosamente nada de música, não conhecem minimamente a sua história e estão a deformar os conhecimentos dos alunos portugueses, colocando-os na cauda de todos os da OCDE, só à frente dos turcos e mexicanos. Por enquanto... "Que tipo de orquestra executa esta obra musical? (ligeira ou de câmara)?" (pergunta 4 do referido grupo 1-E). Eis uma das questões colocadas pela gente que em Portugal teoriza e dirige o ensino da música para o segundo ciclo do ensino básico regular, gente esta que deveria estar no primeiro ano de um conservatório a aprender as bases, os rudimentos da educação musical, lado a lado com as criancinhas. Ou então em cursos promovidos pelas "Novas Oportunidades" (desconfio que seriam manifestamente insuficientes...)! Não admira portanto que a ministra da educação em vez de atacar a sério a inaceitável indisciplina de alguns alunos que impedem o aproveitamento dos outros todos (este é o mais grave problema da educação em Portugal: estão-se a criar "chicos-espertos", incompetentes e futuros crápulas, em vez de cidadãos capazes de desenvolverem um trabalho sério e inteligente e respeitarem os outros), e o baixo nível do ensino (que é uma consequência óbvia do anterior), se dedique a atacar os professores do ensino básico e secundário como se fossem eles os principais responsáveis pela imbecilidade e ignorância generalizadas que afectam Portugal. Agora vem impôr avaliações esquizofrénicas dos professores, e directores nas escolas, como se fôssem estas as grandes soluções para males crónicos que podem acabar com o país. A senhora ministra antes de "saltar" para o ensino superior, apesar de nada constar no seu curriculum oficial, deu aulas no ensino secundário, não deu? Como foi a experiência, tendo em conta que os alunos do ensino secundário são claramente uma élite face ao grosso dos alunos da escolaridade obrigatória? E o ensino superior, onde a senhora ministra vai voltar a leccionar quando deixar de ser ministra, e onde também leccionam as pessoas que elaboraram aquele exame de antologia (ou que formaram as pessoas que o elaboraram)? Não estará, muitíssimo mais que o ensino básico e secundário, a necessitar de uma avaliação exaustiva, rigorosa, externa e independente? Portugal não necessita de directores nas escolas do ensino básico, senhora ministra. Isso nada resolverá sem serem abertas possibilidades de encaminhamento dos alunos agressivos e daqueles que impedem o funcionamento escolar. Lembra-se da Ségolène Royal (que não foi eleita mas uma boa parte dos franceses já devem estar arrependidos de não terem votado nela) dizer que se ganhasse faria com que o governo legislasse no sentido do enquadramento militar dos alunos violentos? Isto é separação, em vez de integração, para bem desses jovens que terão a educação que nem os pais nem a escola estão já capacitados para lhes dar, e para bem do resto da comunidade que deixará de estar sujeita à coacção totalitária dos seus comportamentos agressivos. Exactamente o contrário daquilo que está a fazer: a senhora quer integrar até os deficientes profundos na escolaridade regular! Já imaginou o caos? Claro que imaginou, mas não se importa. Os "professorzecos" que se desenrasquem. Afinal "saltou" do secundário para o superior. É uma guerra que já não é a sua. Só lhe interessam as estatísticas. Estatísticas para entregar à UE. Estatísticas mentirosas que encobrem uma realidade terrível, monstruosa, que é a verdadeira situação da literacia e da educação em Portugal. Portugal necessita de avaliação séria no ensino superior. Mas sobretudo de uma ampla e rigorosa avaliação internacional dos gestores e administradores das instituições públicas e de interesse público. AST

O Estado que não tem dinheiro para fazer a preservação do património é o mesmo que não tem verbas para fazer funcionar os Museus Nacionais de forma normal, mas que não se importa de desperdiçar dinheiro em operações de propaganda de gosto duvidoso. in Meia Hora, 27 Fevereiro, pag 2

Belmiro acusa banca de prejudicar clientes. Criticou os bancos por aumentarem as taxas de juro com o objectivo de garantirem sempre os lucros. in Global, 27 Fevereiro

Clientes que, com a "corda ao pescoço", vão gastar menos no Continente... Os defensores do "liberalismo" concordam que os bancos explorem os clientes para manter os lucros num mercado "auto-regulado" (que bem que soa)! Mas desejam que o Estado apareça para salvar bancos da falência. Aí já defendem um Estado interventivo... Num país como Portugal, onde há miséria, em 2007 os bancos lucraram cerca de 8 milhões por dia!

Professores portugueses mostram que têm garra: aqui, aqui e aqui


Atelier de Leitura para Jovens Compositores

A Orquestra do Algarve promove pelo segundo ano consecutivo mais uma edição do Atelier de Leitura para Jovens Compositores. Este projecto conta com a coordenação artística do compositor Luís Tinoco, compositor associado da Orquestra do Algarve, e foi pensado para dar a conhecer o trabalho de jovens compositores em início de carreira.

Da primeira edição foram seleccionados seis compositores, cujas obras são apresentadas na programação da Orquestra do Algarve. Para mais informações, é favor contactar através do nº 289 860 890 ou do endereço de e-mail: producao@orquestradoalgarve.com.

As inscrições estão abertas até ao dia 30 de Abril.

Orquestra do Algarve
Associação Musical do Algarve
EN 125, Casa das Figuras - Horta das Figuras
8005-518 FARO
Tel.: 289 860 890-6. Fax: 289 860 899
Tlm.: 969 530 005
comunicacao@orquestradoalgarve.com
http://www.orquestradoalgarve.com





Sexta-feira, Fevereiro 22, 2008

Os velhos mócótós do costume

O tema principal de hoje, 22 de Fevereiro, no diário gratuíto Meia-Hora é elucidativo: um jovem deputado teve a "má" ideia de dizer que o ordenado dos deputados é bom (3.708 euros mensais mais 10% de despesas de representação mais abonos de transporte) e caem-lhe todos em cima, obrigando-o a pedir desculpa. Não, o ordenado dos deputados portugueses é muito mau e por isso no bar da parlamento pagam o café duas vezes mais barato que o cidadão que o toma nas casas comerciais, cidadão que também paga os ordenados e regalias dos deputados. Claro que esses honorários, comparados com as grandes negociatas que por aí se fazem, muitas vezes coordenadas pelos próprios ou associados, são amendoins... Acontece o mesmo se os compararmos com os honorários dos administradores das empresas de capitais públicos, administradores esses que são escolhas dos partidos dos deputados. Ou não é verdade? Para nem falarmos dos senhores da Opus Dei que destruiram o BCP. O problema de Portugal é que o "polvo" protege bem os seus tentáculos, não admite que questionem as suas competências, os seus honorários, a sua eficácia. Ou falta dela... O "polvo" escandaliza-se e chicoteia com os tentáculos quando alguém diz que os grandes negócios do Estado são distribuídos por um grupo restrito, porque esse grupo restrito é ele próprio. O "polvo" não quer perder o poder porque esse poder lhe rende milhões. Se o Estado português não tem capacidade para cortar os tentáculos deste velho "polvo", se está controlado por ele e dele não consegue libertar-se, então teremos de concordar com José Saramago e avançar com um movimento nacional e internacional para o efeito.* Dividir o país pode ser a solução: o norte com a Galiza, o centro com a Extremadura e o sul com a Andalucia. Se um dia o Kosovo se unir à Albânia todos iremos achar que é o natural fluir da história, não é verdade? E é mesmo! AST

* proponho que no próximo ciclo eleitoral não se vote nos partidos do "bloco central", PS, PSD e CDS - partido dos casinos, dos sobreiros abatidos e do Herói do Marco - responsáveis pelo estado a que Portugal chegou. Seria interessante, e quem sabe "produtivo", ver um BE ou um MRPP ultrapassarem os partidos do status quo. Embora o BE, se não se cuidar, para lá caminhe...





Quarta-feira, Fevereiro 20, 2008

Impressing the Czar







O Royal Ballet of Flandres colocou a sua transcendente técnica e arte ao serviço de um agregado de quadros coreografados por William Forsythe que parodiam o classicismo (o andamento do quarteto de cordas de Beethoven que serve de base musical ao primeiro quadro é transfigurado até ficar com um ritmo "tcha-tcha-tcha"), sendo a cenografia de Michael Simon. Um Forsythe conhecido pelo seu estilo neo-clássico abriu-se às influências do "teatro-dança", cuja origem foi lá mais para o centro da Europa, assim como às estéticas minimais mas, em Impressing the Czar, criação de 1988, são sobretudo evidentes influências da obra de Anne Teresa de Keersmaeker. O resultado é interessante e o coreógrafo mantém os "rasgos" neo-clássicos que sempre o caracterizaram, mas não se pode dizer que William Forsythe conseguiu construir um estilo singularizado. Outra observação seria a inexistência de uma coesão estilística no interior desta obra. Isso é evidente na fraca relação entre o primeiro e o segundo quadros. AST (fotos: Álvaro Teixeira. Todas as imagens são do primeiro quadro, excepto a última)


10.000 anos!

«o país piorou porque os mais ricos têm hoje uma arrogância como nunca tiveram», dando Louçã o exemplo das indemnizações recebidas por cinco ex-administradores do BCP - 80 milhões de euros.

Nas contas do deputado e economista, «esta pequena indemnização são dez mil anos de salários de um português». in Diário Digital (21-02-2008 13:45:00)


Sensações reais...

A sensação de que existem crimes que permanecem impunes, porque quem os comete consegue manobrar o sistema, é uma sensação real... Helena Pinto in Meia-Hora, 21 Fevereiro 2008, pag 4


Faça a diferença

Aplique esse valor em acções reais de redução da pobreza extrema e de melhoria de condições de vida dignas, tais como: saúde, alimentação, água potável e educação.

Ao preencher os impressos para o IRS, no quadro 9 do anexo H, linha 901, com o Número de Identificação Colectiva da oikos (NIPC: 502 002 859) pode destinar 0,5% do valor final colectado do seu IRS para os projectos que desenvolvemos.

A transparência é um dos nossos valores. A oikos é a primeira ONGD portuguesa com Relatório de Sustentabilidade, com validação externa pela SGS. As actividades e os Relatórios de Gestão e Contas, Auditoria externa e sustentabilidade estão disponíveis em www.oikos.pt





Terça-feira, Fevereiro 19, 2008

Cholos!*

Buenos Aires, 19 de febrero (Reporter). La cantante mexicana Paulina Rubio deberá desembolsar unos 5 mil dólares por haber posado desnuda y sólo cubierta por la bandera de su país para una producción fotográfica en una revista española.

La Dirección de Fomento Cívico de la Secretaría de Gobernación mexicana determinó que la cantante de "Y yo sigo aquí" había deshonrado a la bandera en la atrevida foto para la edición española de la revista Cosmopolitan.

La multa -de 53 mil pesos mexicanos- representa más de 250 veces el salario mínimo de México, una dura condena por haber ofendido a uno de los símbolos de la nación azteca. Es más, si se comprueba que Rubio cobró por esa producción, el castigo se cuadriplicaría, ya que el delito se agrava si significó una ganancia monetaria para quien ofendió a la patria.

Sin embargo, la fotógrafa involucrada -la mexicana Teresa Peyrí- dijo que las imágenes correspondían a un proyecto suyo de 2002, en donde 36 famosas se vestían de hombres para quitarse de a poco la ropa.

"Paulina se vistió de mariachi -declaró Peyrí a la prensa mexicana- se fue desvistiendo y terminó con la foto de la bandera. Pero fue sin fines de lucro, no cobró ni un duro".

in http://ar.entertainment.yahoo.com (martes 19 de febrero, 12:01 AM) *cholo = labrego

Paulina! Amiga! A crítica está contigo!





Formação profissionalizante

Ontem, 18 Fevereiro, um diário gratuíto anunciava em primeira página que Portugal tem cinco vezes menos estudantes em cursos profissionalizantes que a média europeia. Claro! A começar pelos cursos de professores para o ensino básico que nunca deveriam ser licenciaturas mas cursos profissionalizantes com equivalência ao 12º ano.* Não é verdade que um estudante de um conservatório de música que seguisse uma via profissionalizante para professor de educação musical do ensino básico, nomeadamente com disciplinas de didáctica específica, estaria incomparavelmente melhor preparado que os que saem actualmente das ESE's e dos departamentos universitários que formam professores para o ensino básico, e quem diz música diz qualquer outra área? Evidentemente que sim! Mais: no que à música diz respeito estariam muito melhor em conhecimentos que muitos dos professores que ensinam nesses departamentos e nessas ESE's! O governo quer poupar dinheiro? Que não o poupe com quem trabalha "no duro" e dá o seu melhor face a adversidades impressionantes que começam na indisciplina e na fraca capacidade de concentração e trabalho dos alunos portugueses, sobretudo no ensino básico. O governo que poupe dinheiro acabando com pseudo-licenciaturas que ninguém respeita e que todos sabem serem autênticos bluff's. Desde que existem as Ciências da Educação formalizadas em licenciaturas (claro que também existem outros "especialistas" que vivem de pensar a educação cujo aparecimento e institucionalização foi mais ou menos concomitante com os das Ciências da Educação), a qualidade do ensino básico e secundário em Portugal tem vindo a diminuir devido aos sucessivos abaixamentos de exigência e têm-se feito sucessivas experiências mais ou menos falhadas dirigidas pelos denominados teóricos e "especialistas" que parecem não ter conhecimento dos problemas reais do ensino e das escolas básicas e secundárias (parte deles, e delas, de lá vieram mas agora, no conforto dos gabinetes das universidades, com alunos disciplinados e trabalhadores e cargas horárias ultra-generosas, parecem ter esquecido a experiência). Os resultados das intervenções destes "especialistas" no "sistema educativo" português estão bem à vista: as estatísticas da OCDE, da UNESCO, e o estudo PISA (Programme for International Student Assessment) são bem liminares.

Neste mesmo dia (18/02) outro jornal refere que os privados fazem negócios que rondam os mil milhões de euros à conta do Estado. Afinal há ou não "corrupção de Estado", como alguém afirmou e foi estranhamente atacado por críticas vindas de vários sectores? Todos esses negócios são absolutamente necessários, límpidos e transparentes? Existe alguém que acredite sinceramente na afirmativa desta hipótese?! AST

* os únicos com o grau de licenciados e mestres a leccionar nos 1º e 2º ciclo do ensino básico deveriam ser diplomados em filosofia a ministrar as disciplinas de formação "moral" e pessoal, em vez dos sobrinhos e catequistas (ou sobrinhos-catequistas) que os senhores bispos mandaram para as escolas.


Imagina-se um serviço de cirurgia cujos profissionais mais reputados e influentes não fossem os melhores cirurgiões mas sim aqueles médicos que tivessem apostado em teorizar sobre a cirurgia de preferência num espaço bem afastado do rebuliço do hospital? É isto que acontece na educação. in Público, 12 Fevereiro 2008, pag 43





Sábado, Fevereiro 16, 2008

Quem "desaconselhou" os alunos de alguns conservatórios regionais a participarem na manifestação? (fotos: António Ricardo Baltazar)


Ana Paula Russo, António Vitorino d'Almeida e Mário Laginha actuando contra a política do governo. No melhor estilo chico-espertista a ministra da educação anunciou mais dinheiro para o ensino da música (à sua moda) na altura em que os estudantes dos conservatórios se manifestavam em frente ao parlamento, mas não disse quantos e quais os artistas produzidos pelo sistema integrado que a ministra deseja e que existe há muito no conservatório de Braga (a outra vertente que ela preconiza, o ensino da música como actividade de complemento curricular nas escolas do ensino básico, resultará na bandalheira e indisciplina que caracterizam estas escolas, apesar do esforço e dedicação dos professores que a ministra parece detestar, vá-se lá saber porquê... Todos sabemos que nada de muito grave acontece aos pequenos vândalos que insultam os professores e aterrorizam os colegas. Foi necessário vir o Procurador-Geral da República dizer que esta situação não pode continuar para que os crimes contra os professores passassem a ser tratados com a gravidade que de facto têm). Seria curioso se fosse verdade o que "por aí" consta: uma familiar da ministra fez testes de entrada para uma escola de música pública e foi rejeitada por carência de requesitos ao nível da musicalidade e da audição, acabando por ser admitida numa academia particular onde completou o 8º grau de flauta com uma nota fraca. Acreditamos que o impto reformista da ministra nada tem a ver com esta situação (...) e a familiar da ministra não tem de todo culpa das atitudes desta, além de que esta "notícia" pode não passar de um "disse que disse" que nos fizeram chegar aos ouvidos. No dia seguinte à manifestação dos artistas o primeiro-ministro reuniu com os professores militantes do seu partido para os convencer da bondade das políticas do governo para a educação. Parece que foi assobiado... Mas lá por ter ouvido assobios, eventualmente afinados, não venha acusar os músicos... Partido Socialista, cujo ex-secretário-geral e ex-Presidente da República Mário Soares, alertou, no congresso dos sindicatos que aconteceu no dia da manifestação, para o facto de Portugal ser o país da Europa onde se verificam mais desigualdades. No mesmo lugar, o secretário-geral da confederação dos sindicatos afirmou que as desigualdades terceiro-mundistas que se verificam em Portugal, onde cerca de 10% da população detém mais de 70% da riqueza, devem-se à corrupção. Não é o primeiro a dizê-lo. Nem será o último...





Quinta-feira, Fevereiro 14, 2008

Ética

Steven Spielberg não aceitou continuar no cargo de conselheiro artístico para os Jogos Olímpicos de Pequim porque a China não tem feito o que deveria e poderia fazer para acabar com o genocídio que está a acontecer no Darfur.

<"Neste momento, não quero consagrar o meu tempo e a minha energia às cerimónias olímpicas, mas quero fazer tudo para que terminem os crimes inomináveis contra a humanidade que continuam a ser cometidos no Darfur", frisa o cineasta.

Recorde-se que a China é um dos maiores parceiros económicos do Sudão e os seus laços com o regime de Cartum são considerados um dos "travões" aos esforços internacionais para fazer pressão sobre o Governo sudanês no que diz respeito ao problema do Darfur.

A colaboração de Steven Spielberg com as autoridades chinesas no âmbito dos Jogos Olímpicos de Pequim fora criticada pela actriz americana Mia Farrow, embaixadora itinerante da Unicef - organismo das Nações Unidas para a infância. A decisão de Spielberg foi saudada pela Human Rights Watch, uma organização não governamental de defesa dos direitos humanos.> in http://dn.sapo.pt (14.02.08)

Pessoas como Mia Farrow e Spielberg provam que a consciência ética existe. Consciência ética que o governo português esqueceu durante a última-última presidência portuguesa do Conselho da Europa e na Cimeira Europa-África, em Lisboa.





Terça-feira, Fevereiro 12, 2008

Ayaan Hirsi Ali

Os holandeses retiraram-lhe a protecção porque ela - ex-eurodeputada pela Holanda e um dos principais alvos a abater pelos islâmicos - disse que Maomé foi um tirano e um perverso. A França vai atribuir-lhe nacionalidade francesa e protecção. Viva a França que uma vez mais demonstra estar pelo menos um degrau acima de uma ficção chamada União Europeia.


Tata Güines


Morreu nesta segunda-feira o percussionista cubano Federico Aristides Soto, conhecido como Tata Güines.

O músico ficou famoso em Cuba a partir da década de 50 ao criar um formato rítmico mais experimental. Nos últimos anos, se destacou por sua participação em diversos shows da nova geração de músicos cubanos de jazz.

Tata Güines nasceu em 18 de junho de 1930. Em 1942, ele começou a tocar bongô e contrabaixo e aprendeu os rudimentos da musica cubana.

O percussionista chegou a se apresentar em Nova York, onde viveu por dois anos, ao lado de nomes como Joséphine Baker, Frank Sinatra e Charlie Parker. in http://musica.terra.com.br (Segunda, 4 de fevereiro de 2008, 12h53)


Aceder às complexas estruturas e intrincado volteio deste álbum de Sun Ra é um desafio de grande envergadura, mesmo para ouvintes habituados à abstracção do free jazz de Ascension, de John Coltrane, por exemplo, com o qual The Magic City em parte desafia comparação, ou da música do Séc. XX de autores tão diferentes como Anton Webern, Alban Berg, Edgar Varese, Bela Bartók, Luigi Nono, Karlheinz Stockhausen, Pierre Boulez ou Frank Zappa. Por este disco assombroso passa toda uma multiplicidade de estados de alma, da alegria exuberante, à introspecção melancólica, humor sardónico e terror sinistro (aqui arrepiantemente administrado pelo uso que Ra faz do claviolino, um dos muitos instrumentos de teclas que o músico utilizou, alguns deles por si inventados). Sun Ra a gerir a mistura dos diferentes timbres instrumentais, sublinhando as suas intervenções com ecos do saxofone de Marshall Allen e do contrabaixo de Ronnie Boykins, até toda a banda entrar em acção. É assim a abertura de The Magic City (referência à Birmingham natal de Ra, estado do Alabama), disco de 1965, gravado em Nova Iorque com a Solar Arkestra. Originalmente publicado pela El Saturn, a editorazinha caseira de Herman 'Sun Ra' Blount, foi reeditado em 1993 pela Evidence Music. Grande música cósmica (uma evidência...) e um dos melhores exemplos em disco da visão afro-ancestral-futurística-espacial do mestre. Ra-novatos devem considerar seriamente a oportunidade de procurar outras portas de entrada neste universo, porque alguns dos discos da década de 60, como The Magic City, ou When Sun Comes Out, The Heliocentric Worlds of Sun Ra (Vols. I e II), e Other Planes of There, podem efectivamente representar uma carga de trabalhos insustentável para quem ainda não tenha calo ou não esteja preparado para entrar na nave espacial, a caminho de Saturno. Sun Ra and his Solar Arkestra - The Magic City (Evidence Music) in http://jazzearredores.blogspot.com (12.2.08)






Quinta-feira, Fevereiro 07, 2008

QUEREM ACABAR COM O CONSERVATÓRIO NACIONAL

Já se suspeitava, mas agora é público: o Ministério da Educação quer mesmo acabar com a Escola de Música do Conservatório Nacional.

Se depender do Governo, a instituição de quase 180 anos, que já nos deu Maria João Pires, Bernardo Sassetti e tantos outros, tem os dias contados.

Já não se trata de destruí-la devagarinho, como até aqui – deixando-a cair aos bocados, com o órgão do século 18 a deteriorar-se ou o Salão Nobre quase a ruir sobre a plateia. Desta vez, a Ministra quer fazer o serviço de uma só vez. Com três golpes tão rápidos e certeiros que, espera ela, ninguém vai sequer perceber o que se passa.

O primeiro golpe é acabar com os Cursos de Iniciação. Crianças dos 6 aos 9 anos de idade vão deixar de ter acesso às 6 horas semanais de instrumento, orquestra, formação musical, coro e expressão dramática hoje ministradas pelo Conservatório.

O segundo golpe é matar o Ensino Articulado. Adolescentes com talento musical já não poderão conciliar a formação artística de alto nível do Conservatório com a frequência às outras matérias da sua escola habitual. Quem quiser ser músico, a partir de agora, tem que decidir profissionalizar-se aos 10 anos de idade – sem poder voltar atrás.

Por fim, o golpe de misericórdia é dar cabo do Ensino Supletivo – o regime que tem formado, ao longo dos anos, a maior parte dos músicos portugueses. De Alfredo Keil a Pedro Abrunhosa, passando por centenas e centenas de outros.

Sem músicos, sem público educado para a música, já se vê o que a Ministra pretende: reduzir-nos ao silêncio. Luís Cardoso


Acordai!

Falando no caso particular da Escola de Música do Conservatório Nacional onde ensino Análise e Técnicas de Composição:

O Conservatório Nacional foi fundado no séc. XIX, no tempo de Passos Manuel e Almeida Garrett, ambos humanistas impecáveis.

Sobreviveu a muitas crises.

O Governo actual de José Sócrates visa implementar medidas com efeitos imediatos (já no próximo ano lectivo) que determinam claramente o seu naufrágio, na medida em que uma grande escola com cerca 900 alunos e uma espectacular pulsão vital (alunos no regime de iniciações, integrado e supletivo) fica imediata e irremediavelmente reduzida a uma escola insignificante com cerca de 50 alunos (apenas aqueles que estão no regime integrado). Acordai! Eurico Carrapatoso






Segunda-feira, Fevereiro 04, 2008

A ministra que vai afundar o governo

A ministra da educação tem feito gato-sapato dos professores do ensino básico e secundário, esquecendo-se que o "sistema educativo" português é uma aberração com os resultados à vista (aberração que a ministra ajudou a manter), por um lado, e que, por outro, é o ensino superior, notoriamente as Escolas Superiores de Educação, quem tem a responsabilidade pela má preparação de muitos dos novos professores - aos quais não podem dar melhor formação (sobretudo as ESE's disfarçadas de departamentos da educação que se colaram a universidades que passaram a formar professores para o ensino básico e que têm piores* - sem nenhuma possibilidade de comparação - professores de música que os das ESE's dos institutos politécnicos, onde alguns possuem os antigos cursos superiores dos conservatórios de música como formação musical base) porque boa parte dos seus docentes ensinam tudo o que sabem, mas o que sabem é pouco e mau (a ministra, que é professora do ensino superior, desconfia da qualidade da formação que os novos candidatos a professores receberam no ensino superior mas, subtilmente, esquece que o problema tem de ser resolvido na origem, acabando com o ensino mau e mediocre nos departamentos de formação de professores e com as licenciaturas em "ciências da educação", nomeadamente) - a ministra, que tem feito gato-sapato dos professores do básico e secundário, resolveu meter-se com os dos conservatórios e vai dar-se mal. Corrijo: o primeiro-ministro vai dar-se mal. Nos conservatórios de música encontram-se muitos dos filhos das "élites" culturais que não vão perdoar à ministra uma medida que todos concordarão ser idiota, e irão de alguma forma vingar os professores do básico e secundário que demonstraram efectivamente total incapacidade de fazerem o que os outros grupos de interesses, os que têm poder "real", fizeram: despachar dois ministros, um dos quais é vulgarmente considerado como sendo a pessoa que mais conhece e sabe da área que tutelava, além de ser considerado imune a pressões dos "privados" e grupos de interesses, o que no caso da saúde, onde até o equipamento informático pode custar milhões (...), é muito relevante. Analizem-se as compras do ministério da defesa, onde tudo parece custar centenas de milhões mais outras dezenas (de milhões) para manutenção (...), e concluir-se-á (provavelmente) que Correia de Campos foi bem mais rigoroso que os que têm passado pela pasta da defesa. Mas não se pode de todo aceitar que no mesmo país onde se gastam centenas de milhões em novos equipamentos militares, e mais milhões nos honorários dos generais, almirantes e por aí fora, se fechem urgências hospitalares! O primeiro-ministro pensou, e pensou bem, que os professores do ensino básico e secundário são inofensivos. Não se lembrou (e nem ao diabo lembraria) que a ministra se fosse meter com os professores dos conservatórios de música. Que não foram formados por departamentos controlados pelos "especialistas da educação" e portanto possuem outro conceito - sobretudo experiência - do que é trabalho e rigor. Mas foi. E da pior maneira porque só um insane irá defender as ideias absurdas que a ministra tem para o sector (na música e na arte nunca poderá haver total democratização porque infelizmente o talento não está distribuído equitativamente, o que não significa que todas as crianças talentosas, ou mesmo as mais talentosas estejam, em Portugal e no resto do mundo, abrangidas pelo ensino especializado da música, mas se se concretizar o que a ministra pretende só mesmo as que têm dinheiro estarão. Está longe de estar provado, talvez antes pelo contrário, que são os filhos das "élites" que detêm maior "coeficiente" de talento: se assim fosse Portugal estaria cheio de grandes solistas e as orquestras portuguesas não necessitariam de ter mais de metade dos músicos de outras nacionalidades, o que noutra vertente até é bom porque introduz factores de variabilidade e diferenciação na sociedade portuguesa. Em países culturalmente atrasados o ensino das artes, sobretudo da música que exige grande disciplina e trabalho inteligente, estará fora do alcance do "povo". Especialmente quando o "sistema educativo" é como o que vigora em Portugal... Em sociedades economicamente desigualitárias, como a portuguesa, são os conservatórios de música, públicos, que podem possibilitar o aparecimento das excepções). Não vai ter sossego (a ministra) se avançar. Se recuar também não o terá. O governo está em maus lençóis.** AST

* existe gente a dar aulas de música nesses departamentos que não sabe rigorosamente nada de música para além das "coisitas" que entretanto aprenderam. Professores para o ensino "primário" que fizeram um ano de "especialização em música" em escolas privadas, ano esse que os habilitou para serem professores de música do ensino "preparatório" (agora 2º ciclo do ensino básico), indo seguidamente fazer doutoramentos em "ensino da música" para Espanha. Agora são "professores-doutores" em ensino da música em universidades públicas!

** de facto o governo só ainda não está em maus lençóis porque a oposição não tem qualquer credibilidade. Quem vai acreditar no partido de um ex-ministro que na noite antes de passar a pasta a outro assina 300 documentos, alguns lesivos dos interesses do Estado e cujos negócios para aquisição de submarinos, feitos pelo seu presidente quando foi ministro da defesa, nunca foram bem explicados? Quem vai acreditar em um partido cujos ex-governantes demonstram práticas "pouco claras" enquanto empresários e banqueiros, como no caso do BPN? E quem confia nesses senhores da Opus Dei, que se abotoaram magnificamente no BCP, pelo menos um dos quais preconiza o regresso da monarquia? Ou nos que migraram da direita para a "esquerda", que são peremptórios na condenação dos hábitos dos portugueses esquecendo-se deles próprios, mas não se inibiram de alugar espaços que valem milhares por poucas centenas de euros, evidentemente com a conivência do poder a que se colaram, ao mesmo tempo que fazem grandes negócios com o Estado da tal "esquerda" a que se juntaram? José Saramago afinal parece ter razão quando diz que Portugal está num processo de decadência irreversível e a solução que ele aponta, juntarmo-nos a Espanha, pode não ser completamente tonta como aqui e um pouco por todo o país foi dito.