Agora as escolas portuguesas vão ter directores. Será que o director vai resolver a indisciplina que grassa pelas escolas? Os insultos aos professores? O nível rasca a que chegou a educação? Qual é o problema fundamental do país? Não será o analfabetismo funcional, a iliteracia e a estupidez generalizada, que corroem Portugal do extremo norte ao extremo sul? Será que a culpa do ponto a que tudo chegou é essencialmente dos professores do ensino básico e secundário?
Veja-se o Exame (nacional) para Equivalência à Frequência de Educação Musical do 2º Ciclo do Ensino Básico, de 2006 (1ª chamada). O que se lê no grupo 1-E (pag 3)? "Ouve a Bardinerie..."! Bardinerie?! Bardos incultos (porque os verdadeiros
bardos eram cultos) são os que dirigem a educação em Portugal, atacando os professores e reduzindo o ensino a generalidades abstrusas e erradas.
Badinerie, quereriam dizer?
Badinerie é uma dança! Bach, como todos os compositores da época, utilizava os ritmos das danças nos vários movimentos das suas suites e dava o nome da dança cujo ritmo utilizou à respectiva parte na suite. Há várias
Badineries nas suites de J. S. Bach! Tal como há vários
Adagios nas sonatas de Beethoven! Mas disto, que é elementar, os cérebros que elaboraram o exame demonstram não ter a mínima ideia. Para aquela gente, que é quem elabora os programas de educação musical e quem vai estabelecer alguns dos parâmetros para avaliação dos professores, trata-se da "Bardinerie de J. S. Bach". Claro! São pedagogos especialistas no ensino da música! Doutores, alguns já serão "professores-doutores", ou para lá caminharão. Todo o conjunto de questões colocadas são típicas de seres básicos que não sabem rigorosamente nada de música, não conhecem minimamente a sua história e estão a deformar os conhecimentos dos alunos portugueses, colocando-os na cauda de todos os da OCDE, só à frente dos turcos e mexicanos. Por enquanto... "Que tipo de orquestra executa esta obra musical? (ligeira ou de câmara)?" (pergunta 4 do referido grupo 1-E). Eis uma das questões colocadas pela gente que em Portugal teoriza e dirige o ensino da música para o segundo ciclo do ensino básico regular, gente esta que deveria estar no primeiro ano de um conservatório a aprender as bases, os rudimentos da educação musical, lado a lado com as criancinhas. Ou então em cursos promovidos pelas "Novas Oportunidades" (desconfio que seriam manifestamente insuficientes...)! Não admira portanto que a ministra da educação em vez de atacar a sério a inaceitável indisciplina de alguns alunos que impedem o aproveitamento dos outros todos (este é o mais grave problema da educação em Portugal: estão-se a criar "chicos-espertos", incompetentes e futuros crápulas, em vez de cidadãos capazes de desenvolverem um trabalho sério e inteligente e respeitarem os outros), e o baixo nível do ensino (que é uma consequência óbvia do anterior), se dedique a atacar os professores do ensino básico e secundário como se fossem eles os principais responsáveis pela imbecilidade e ignorância generalizadas que afectam Portugal. Agora vem impôr avaliações esquizofrénicas dos professores, e directores nas escolas, como se fôssem estas as grandes soluções para males crónicos que podem acabar com o país. A senhora ministra antes de "saltar" para o ensino superior, apesar de nada constar no seu
curriculum oficial, deu aulas no ensino secundário, não deu? Como foi a experiência, tendo em conta que os alunos do ensino secundário são claramente uma élite face ao grosso dos alunos da escolaridade obrigatória? E o ensino superior, onde a senhora ministra vai voltar a leccionar quando deixar de ser ministra, e onde também leccionam as pessoas que elaboraram aquele exame de antologia (ou que formaram as pessoas que o elaboraram)? Não estará, muitíssimo mais que o ensino básico e secundário, a necessitar de uma avaliação exaustiva, rigorosa, externa e independente? Portugal não necessita de directores nas escolas do ensino básico, senhora ministra. Isso nada resolverá sem serem abertas possibilidades de encaminhamento dos alunos agressivos e daqueles que impedem o funcionamento escolar. Lembra-se da Ségolène Royal (que não foi eleita mas uma boa parte dos franceses já devem estar arrependidos de não terem votado nela) dizer que se ganhasse faria com que o governo legislasse no sentido do enquadramento militar dos alunos violentos? Isto é separação, em vez de integração, para bem desses jovens que terão a educação que nem os pais nem a escola estão já capacitados para lhes dar, e para bem do resto da comunidade que deixará de estar sujeita à coacção totalitária dos seus comportamentos agressivos. Exactamente o contrário daquilo que está a fazer: a senhora quer integrar até os deficientes profundos na escolaridade regular! Já imaginou o caos? Claro que imaginou, mas não se importa. Os "professorzecos" que se desenrasquem. Afinal "saltou" do secundário para o superior. É uma guerra que já não é a sua. Só lhe interessam as estatísticas. Estatísticas para entregar à UE. Estatísticas mentirosas que encobrem uma realidade terrível, monstruosa, que é a verdadeira situação da literacia e da educação em Portugal. Portugal necessita de avaliação séria no ensino superior. Mas sobretudo de uma ampla e rigorosa avaliação internacional dos gestores e administradores das instituições públicas e de interesse público.
ASTO Estado que não tem dinheiro para fazer a preservação do património é o mesmo que não tem verbas para fazer funcionar os Museus Nacionais de forma normal, mas que não se importa de desperdiçar dinheiro em operações de propaganda de gosto duvidoso.
in Meia Hora, 27 Fevereiro, pag 2
Belmiro acusa banca de prejudicar clientes. Criticou os bancos por aumentarem as taxas de juro com o objectivo de garantirem sempre os lucros.
in Global, 27 Fevereiro
Clientes que, com a "corda ao pescoço", vão gastar menos no Continente... Os defensores do "liberalismo" concordam que os bancos explorem os clientes para manter os lucros num mercado "auto-regulado" (que bem que soa)! Mas desejam que o Estado apareça para salvar bancos da falência. Aí já defendem um Estado interventivo... Num país como Portugal, onde há miséria, em 2007 os bancos lucraram cerca de 8 milhões por dia!
Professores portugueses mostram que têm garra:
aqui,
aqui e
aqui Atelier de Leitura para Jovens CompositoresA Orquestra do Algarve promove pelo segundo ano consecutivo mais uma edição do Atelier de Leitura para Jovens Compositores. Este projecto conta com a coordenação artística do compositor Luís Tinoco, compositor associado da Orquestra do Algarve, e foi pensado para dar a conhecer o trabalho de jovens compositores em início de carreira.
Da primeira edição foram seleccionados seis compositores, cujas obras são apresentadas na programação da Orquestra do Algarve. Para mais informações, é favor contactar através do nº 289 860 890 ou do endereço de e-mail: producao@orquestradoalgarve.com.
As inscrições estão abertas até ao dia 30 de Abril.
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