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2009/10/15

Portugal de TGV

Para nos ajudar a compreender o que de facto está implicado no processo de construção do TGV contactei o Engº Luís Mira Amaral, no seguimento de um artigo que ele escreveu sobre o tema publicado no semanário no qual regularmente colabora como colunista, manifestando-lhe a opinião de que o artigo foi expresso numa linguagem mais apropriada para especialistas. Posteriormente coloquei-lhe algumas questões. O Engº Luís Mira Amaral é das pessoas que em Portugal melhor nos pode elucidar sobre a temática do TGV (entre muitas outras). Aqui fica a resposta que gentilmente nos enviou e que agradecemos:

A minha coluna no Expresso só tem 2 000 caracteres, e como tal, os meus textos têm de ser fortemente compactados. Por isso admito que, apesar de usar uma linguagem simples, nem sempre ela seja acessível ao grande público não especializado nos temas que trato.

Não tenho na imprensa o espaço normalmente disponível para a classe política, certamente porque esta trata de assuntos mais importantes…

Tentando responder às suas questões:

- Tem razão. Dizer que o TGV Lx-Madrid é que nos permite ligar à Europa é demagogia…

- Quando falo de bitola europeia, é aquela que também vai ser usada em Espanha e na Europa, França inclusive. Portanto, se tivermos a bitola europeia, as nossas mercadorias passarão de Espanha para França e para a Europa usando sempre linhas com a mesma bitola.

- Quanto falo de linhas mistas, tal significa utilizar as mesmas linhas para os comboios de passageiros e para os comboios de mercadorias, comboios de passageiros circulando a 200Km/h ou mais, e comboios de mercadorias a 100-150Km/h

Não faz qualquer sentido transportar mercadorias a 350Km/h. Tal significaria energias cinéticas brutais devido às toneladas de mercadorias a transportar a velocidades elevadas, o que implicaria custos elevadíssimos de reforço de estrutura das linhas, custos esses que são economicamente incomportáveis.

As mercadorias não precisam de circular a 350Km/h ! Basta que se garanta os tempos de entrega e que a gestão do embarque e do desembarque, bem como as transferências entre os modos rodo e portuário com o modo ferroviário (gestão intermodal) sejam rápidos e eficientes!

- Não haverá pois TGV de mercadorias, mas sim comboios de mercadorias utilizando as linhas de alta velocidade quando nestas não circulam comboios de passageiros!

No TGV, a indústria portuguesa irá aproveitar pouco. Em comboios de velocidade menor e nos comboios de mercadorias, a componente industrial nacional poderá ser maior.
...
Luís Mira Amaral

2009/09/15

Necessidade da coesão

Sendo soberano nas suas decisões, o Governo que sair das eleições de 27 de Setembro terá que avaliar o custo de oportunidade que será dispensar fundos já garantidos e congelar os compromissos da cimeira da Figueira da Foz, onde, por exemplo, se decidiu que a ligação a Madrid seria feita por Badajoz (como queriam os espanhóis) e não por Cáceres (como até aí defendiam os portugueses). Do lado espanhol, o projecto não está em causa seja qual for a decisão de Lisboa - a principal justificação para levar a alta velocidade à sua fronteira ocidental é justificada com a necessidade da coesão económica e social do país. Em construção está já um troço de 70 quilómetros, que parte de Badajoz em direcção a Madrid. in publico.pt, 15.09.2009 - 09h13

Nota: "necessidade da coesão económica e social" de Espanha, não será assim? Enquanto Madrid mantiver uma visão estreita não vamos a parte nenhuma. Só se formos com os Galegos e os Catalães (com estes últimos é mais da ordem platónica, à distância)... Os fundos europeus virtualmente garantidos não me parecem um motivo suficientemente forte para avançar com um projecto que pode estar condenado à inutilidade (e quem vai pagar os custos de manutenção que são "eternos" e elevados?), quando há tanto para fazer em termos de ligações ibéricas que sirvam de facto todas as populações locais.


Zapatero encontra-se com Sarkozy

Se os argumentos não bastam, venham os exemplos. José Sócrates invocou hoje, num almoço com empresários de Santarém, os presidentes dos EUA, Espanha e França para justificar a sua forte aposta nos investimentos públicos, em particular o TGV.

“É preciso fazer investimento e nenhum país desiste disso. Vejam Barack Obama nos EUA, com um programa de modernização das infraestruturas. Zapatero encontra-se com Sarkozy e decidem um programa conjunto para acelerar a ligação de alta velocidade entre os dois países”, exemplificou.

E se alguém tinha dúvidas de que Sócrates falava do TGV, já que nunca o referiu, a prova foi dada: “Todos os empresários que aqui estão sabem que hoje é decisivo uma empresa estar ligada aos mercados do centro da Europa e isso, num país periférico como Portugal, exige uma boa rede de transportes”. Público, 15.09.2009 - 15h31

Nota: pensava que Sarkozy se encontrava mais com a Merkel mas parece que me enganei... Outra vez a ficção do comboio de mercadorias a 350 à hora... Falta saber o que é que Portugal tem para exportar... Quanto a Obama, duvido que se soubesse quem é o Pinto de Sousa (isto possui efectivamente duplo sentido sem que essa fosse a intenção original), sentisse qualquer simpatia e identificação em relação a ele.


A chantagem dos fundos

Depois de ter ouvido as queixas dos agricultores, Ferreira Leite estabeleceu a comparação com o que se passa com os fundos para a agricultura. “Mais de 800 milhões já foram perdidos, são irrecuperáveis e ninguém fala desse aspecto”, denunciou, manifestando a sua perplexidade quanto a um clamor sobre a eventual perda de fundos que não estão disponíveis.

Pacheco Pereira, o cabeça-de-lista do PSD por Santarém, lembrou a sua experiência de eurodeputado para tentar desmontar a teoria de que os sociais-democratas enveredaram por um discurso nacionalista inadequado a um país que pertence à União Europeia e recusou a “chantagem” dos argumentos da perda de fundos comunitários.

“Há muita coisa que pode ser negociada”, afirmou, evocando sessões no Parlamento Europeu em que, por exemplo, belgas e franceses se uniam contra os chocolates dos ingleses e dos irlandeses ou quando os portugueses se batiam – “ e bem” – em defesa das suas pescas. Público, 15.09.2009 - 13h27


Bandido é bandido

“PS e PSD têm a obrigação de dizerem se estão disponíveis para alterar as leis penais, tornar regra o julgamento rápido em flagrante delito e se aceitam alterar o regime da liberdade condicional, dizer o que fazem à reincidência e também à alteração dos prazos da prisão preventiva”, disse Portas, no final de uma arruada, no Porto, ao início da tarde de hoje.

Elegendo a segurança como tema do dia – aproveitando o facto de se assinalar dois anos sobre a entrada em vigor da reforma das leis penais – Portas quis demarcar-se da extrema-esquerda. “A extrema-esquerda é extraterrestre em matéria de segurança, parece que não há criminalidade ou então o criminoso é sempre o coitadinho. Não, o coitadinho é a vítima”, afirmou o líder centrista que percorreu ruas do Porto ao lado do ex-presidente do partido Ribeiro e Castro. Público, 15.09.2009 - 15h17

Nota: seguramente que as leis penais têm de ser alteradas. Um criminoso é antes de tudo um criminoso e os seus direitos devem ser reduzidos ao mínimo sob risco de se minar todo o funcionamento da sociedade. O crime económico (crimes de "colarinho branco") é também um crime grave quando coloca em risco o interesse público. Os crimes cometidos por governantes e detentores de cargos públicos devem ser substancialmente mais penalizados, de acordo com as respectivas responsabilidades na administração pública, assim como nas fundações, bancos e empresas participadas pelo Estado e outras empresas e instituições de interesse estratégico para o país (quanto maior a responsabilidade do cargo maior é o crime). Todo o acto de corrupção, activa ou passiva, cometido por governantes e detentores de cargos públicos, assim como detentores de cargos nas empresas, fundações e outras instituições de utilidade pública, deve ser considerado automaticamente acto de corrupção "ilícito".

2009/09/14

Já nos bastam os estádios

Há algo que, concerteza devido ás minhas muitas limitações, me escapa na compreensão da importância de um TGV a ligar Madrid/Lisboa.

Se pensarmos que é mais fácil chegar a Londres que, por exemplo, ir de Chaves a Orense (de transportes públicos, porque de carro será pouco mais de meia hora), talvez se conclua que Portugal e Espanha necessitam de outras ligações que não um TGV a ligar duas capitais já bem servidas pelas linhas aéreas low-cost, nomeadamente.

Por mais ecológico que seja tenho as minhas dúvidas que as pessoas vão pagar o mesmo (ou substancialmente mais...) que pagariam pela viagem de avião só para fazerem a vontade aos governos...

Um TGV que vai andar vazio (por quem sois senhores: já nos bastam os 11 estádios de futebol construídos num acesso de esquizofrenia dos governantes, muito aplaudidos pelo "povo", estádios que agora só servem para dar despesas de manutenção) não me parece um bom investimento. Para servir de comboio de mercadorias acho a ideia delirante: as mercadorias urgentes são despachadas através de empresas especializadas que usam meios próprios e as mercadorias regulares não necessitam de andar a 350 Km à hora. Mas como disse, estar-me-á a escapar qualquer coisa...