2008/11/26

Casa Pia: ex-secretária de Estado viu fotografias

11.01.2007 - 14h43 Lusa

A ex-secretária de Estado da Família Teresa Costa Macedo reafirmou hoje, em tribunal, que viu algumas fotografias que comprovavam a existência de abuso sexual de menores na Casa Pia, apreendidas em 1982 em casa do embaixador Jorge Ritto, em Cascais, mas não identificou nenhum adulto ou menor.

Teresa Costa Macedo disse que recebeu uma caixa amarela com fotografias, apreendida em casa de Jorge Ritto, onde foram encontrados três menores que tinham desaparecido da instituição em 1982.

A ex-governante contou que só viu a primeira e a segunda fotografia porque ficou "chocada" com o seu conteúdo.

Numa dessas fotografias, Teresa Costa Macedo disse que viu um adulto do sexo masculino em práticas sexuais com uma criança, mas não identificou os protagonistas.

Apercebendo-se de que as restantes fotografias "eram do mesmo género", e confessando-se "chocada com a situação", referiu ter enviado no mesmo dia a caixa para a Polícia Judiciária, que já estava a investigar outras denúncias e queixas apresentadas sobre alegados abusos sexuais.

Jaime Gama questionou "perseguição" a Jorge Ritto

Ainda sobre Jorge Ritto, a ex-secretária de Estado relatou que no início de 1984 — já no Governo do Bloco Central (PS/CDS) — recebeu um telefonema do então ministro dos Negócios Estrangeiros, Jaime Gama, actual presidente da Assembleia da República, que a questionou sobre a razão de estar "a perseguir o diplomata Jorge Ritto".

Terá sido nessa ocasião — em que o Ministério dos Negócios Estrangeiros preparava a candidatura de Teresa Costa Macedo a um cargo directivo na União Internacional dos Organismos da Família — que Jaime Gama terá trocado impressões sobre o que se estava a passar na Casa Pia.

Macedo disse ter ficado com o pressentimento de que Jaime Gama lhe tinha falado de Jorge Ritto porque o diplomata se teria queixado de si numa altura em que decorriam as investigações da PJ sobre os menores encontrados na sua casa de Cascais.

Abusos eram conhecidos por todos

A ex-governante disse também que quando assumiu funções, em 1980, era do conhecimento geral da instituição (provedoria, directores, educadores e outros funcionários) que havia alunos da Casa Pia que se prostituíam no jardins de Belém.

A antiga secretária de Estado disse que quando tomou posse foi confrontada com uma carta enviada para o gabinete do então ministro Morais Leitão a dar conta das situações em que alunos mais velhos abusavam dos mais novos.

Tais factos chegaram a ser relatados à actual testemunha e ao antigo Presidente da República Ramalho Eanes aquando das comemorações dos 200 anos da instituição, quando quatro jovens da Casa Pia comunicaram uma série de abusos, carências e indisciplina.

A antiga governante explicou ainda as razões que levaram à exoneração do então provedor da Casa Pia Peixeiro Simões e à sua substituição por Batista Comprido, alegando que o primeiro "não tinha força e não estava a cumprir as suas orientações".

Papel de Carlos Silvino é conhecido desde a década de 80

Durante o seu depoimento, Teresa Costa Macedo, referiu ainda que no início da década de 80 era do conhecimento geral na instituição que um dos funcionários que aliciava os menores para práticas sexuais era Carlos Silvino ("Bibi"), que é hoje, passados mais de 20 anos, o principal arguido deste julgamento.

Confrontada com o teor das notícias no jornal semanário "Expresso", em Novembro de 2002, quando o escândalo rebentou, Teresa Costa Macedo disse que foram os provedores da instituição, nomeadamente Batista Comprido, que lhe falaram do envolvimento de personalidades da vida pública portuguesa no abuso de menores, mas sem revelar as suas identidades.

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