2009/07/04

Maria João Pires vai renunciar à nacionalidade portuguesa

Aos 65 anos, a pianista Maria João Pires vai renunciar à nacionalidade portuguesa, passando a ser brasileira, avançou hoje a Antena 2 . De acordo com a RDP , a artista está saturada dos "coices e pontapés que tem recebido do Governo português".

A pianista diz-se decepcionada com a forma como tem sido tratada, principalmente no que diz respeito ao Projecto Educativo de Belgais, que desenvolveu no concelho de Castelo Branco e o qual abandonou em Junho de 2006. A pianista optou posteriormente por ir viver para o Brasil, onde estabeleceu residência, obtendo a dupla nacionalidade.

Segundo o jornal Público, a decisão de renunciar à cidadania portuguesa foi revelada ontem pessoalmente ao jornalista da Antena 2, Paulo Alves Guerra, numa conversa que ambos tiveram num centro comercial de Lisboa. in expresso.pt, 12:37, 3 de Jul de 2009


Grande perda

O também conselheiro cultural da Embaixada de Portugal no Brasil, Adriano Jordão, esclareceu ao DN a situação em que a pianista se encontra no Brasil, contrariando notícias veiculadas ontem que afirmavam que a artista teria dupla nacionalidade.

"Ela não tem nacionalidade brasileira, apenas autorização de residência que foi concedida num acto excepcional pelo valor e reconhecimento de Maria João Pires. Se por acaso a notícia for verdade - o que eu não acredito - será uma grande perda para Portugal, porque ela é uma das figuras mais importantes da cultura portuguesa. É uma artista de referência", acrescentou.

Este não parece ser, no entanto, o sentimento do Ministério da Cultura português. Fonte oficial limitou-se a dizer ao DN que "o Ministério não comenta decisões da esfera privada da artista", recusando mais comentários sobre a importância de uma figura como Maria João Pires manifestar a intenção de renunciar à nacionalidade portuguesa, por se encontrar magoada com a forma como o seu projecto educativo de Belgais tem sido tratado pelas entidades oficiais.
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Alguns representantes de instituições culturais brasileiras receberam com regozijo a notícia, caso seja realmente verdade, por considerarem um privilégio ter a pianista como brasileira. Contactado pelo DN, o Ministério da Cultura brasileiro optou por não comentar.
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O contrário é mais vulgar. A fonte do MNE revelou que são numerosos os casos, sobretudo em África e na América Latina, de pessoas que procuram um passaporte português, "muito cobiçado, até porque significa uma boa porta de entrada na Europa". in dn.sapo.pt, 4 de Julho

Nota: seguramente desejam o passaporte português não porque gostem especialmente de Portugal ou tenham um grande prazer em serem portugueses mas simplesmente porque necessitam de um qualquer passaporte da UE. Grande parte deles, quando conseguem o passaporte português, com as facilidades de movimentação que o novo passaporte lhes permite, vão viver para outro país da Europa.


Polícia britânica paralisada

O envolvimento do primeiro-ministro português no caso Freeport está a paralisar a acção da polícia britânica, segundo o Times Online.

Os britânicos acreditam mesmo que este caso decapitou o Eurojust e tornou mais difícil o combate à corrupção na Europa.

Exemplo disso é a falta de colaboração das autoridades britânicas, já que a TVI sabe que estas se têm negado, repetidamente e alegando várias desculpas, a fornecer às autoridades portugueses informações sobre fluxos financeiros do Freeport para offshores.

Recorde-se que o Serious Fraud Office, responsável pela investigação em Inglaterra, não é hierarquicamente independente, antes responde ao governo de Gordon Brown, o «colega» de José Sócrates na Internacional Socialista. in tvi24.iol.pt, 03-07-2009 21:45


"Poder local" à portuguesa

O antigo vereador socialista na câmara de Coimbra Luís Vilar foi intermediário na alegada venda irregular do edifício dos CTT de Coimbra e é acusado de prevaricação, tal como o presidente da autarquia, o social-democrata Carlos Encarnação.

Além de Encarnação e Vilar estão constituídos arguidos todos os elementos do executivo camarário do mandato 2001-2005: Nuno Freitas, Mário Nunes e João Rebelo, todos eleitos pelo PSD, Manuel Rebanda, do CD), Rodrigues Costa, Carvalho Santos e António Rochette, do PS, e Gouveia Monteiro, da CDU. Pina Prata, eleito pelo PSD, ficou de fora porque se absteve na votação em causa.

Sobre eles recai a suspeita de terem violado a lei do arrendamento quando, em 2003, tomaram a decisão em executivo camarário de arrendar uma fracção à empresa Demagre, que adquiriu o edifício dos CTT. Antes, a AIRC estava alojada no Estádio Municipal de Coimbra, que foi demolido para construir um novo recinto para no Euro 2004.

Luís Vilar, então autarca socialista e presidente da Comissão Política Concelhia do PS, é também suspeito num processo de alegada corrupção passiva e tráfico de influências, que envolve a Bragaparques.

Neste processo, a aguardar a marcação de julgamento no Tribunal de Coimbra, Luís Vilar é ainda acusado de envolvimento activo na angariação de fundos para financiamento ilegal do PS.

Luís Vilar foi contratado em Dezembro de 2002 pela empresa TramCroNe - Promoções e Projectos Imobiliários, SA (TCN Portugal), como consultor e intermediador de negócios para a região Centro, e participou nas negociações do edifício dos Correios.

O edifício, onde a negociadora TramCroNe fora substituída pela Demagre como adquirente a 20 de Março de 2003, embora com os mesmos protagonistas, foi revendido no mesmo dia a uma empresa do grupo Espírito Santo por cerca de 20 milhões de euros, mais cinco milhões do que custara algumas horas antes (14.814.297,54 euros).

Por esses serviços de consultadoria Luís Vilar ganhava três mil euros mensais e cinco por cento de comissão pelo valor dos negócios que acompanhava. Na altura, acordou receber 500 mil euros por serviços prestados antes da entrada em vigor do contrato.

No segundo semestre de 2002, o ex-autarca afirmou, no processo que está para julgamento no Tribunal de Coimbra, ter sido abordado pelo amigo Carlos Godinho, um conhecido empresário conimbricense, que lhe terá perguntado se conhecia alguém interessado na compra do edifício dos CTT, na Avenida Fernão de Magalhães, em Coimbra, porque "estaria à venda".

Em Dezembro do mesmo ano, Vilar organiza um jantar num restaurante de leitão da Bairrada, com a presença de Luís Godinho e com o presidente e o vogal da administração da TramCroNe (TCN Portugal), José Júlio de Macedo e Pedro Garcês, respectivamente.

Iniciam-se então as negociações para a aquisição, com Vilar a estabelecer contactos com a administração dos Correios e até a acompanhar o administrador holandês da TramCroNe Internacional.

Prestes a realizar-se a escritura, Júlio Macedo aparece a acompanhar pessoalmente o processo e a Demagre - Compra de Imóveis para Revenda, Lda. substitui a TramCroNe como adquirente.

Mas os protagonistas são os mesmos. Júlio Macedo e Pedro Garcês são os gerentes da Demagre e sócios minoritários da mesma, cuja quota maioritária era detida pela sociedade por quotas MGPlus, cujos únicos sócios e gerentes eram precisamente os mesmos.

A partir de Março de 2003, Luís Vilar é substituído na prestação de consultadoria à TramCroNe pela Rosigna, Consultadoria à Implementação de Projectos, Lda., empresa familiar onde o seu filho era sócio-administrador e ele próprio gerente, embora sem qualquer quota em seu nome.

Em 2005, Pedro Garcês aparece novamente como o rosto de um grupo de investidores do hospital privado Unidade de Saúde de Coimbra, que ocupou uma parte do edifício dos CTT e que agora está em processo de falência. Naquela altura fazia parte da empresa de cuidados de saúde a Associação Fernão Mendes Pinto, liderada por Victor Camarneiro, que chegou a candidatar-se à Câmara Municipal de Montemor-o-Velho pelo PS.

Entretanto, o presidente da câmara de Coimbra, Carlos Encarnação, escusou-se a comentar o seu alegado envolvimento no processo irregular de venda de um edifício dos CTT, argumentando que no passado já se pronunciou sobre o assunto. "Não me vou pronunciar sempre que aparecem notícias sobre o mesmo assunto", declarou o autarca à agência Lusa, remetendo para uma informação que colocou há vários meses atrás na página da autarquia na Internet. 08.07.2009 - 13h03 Lusa in publico.pt


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