2009/07/14

Morreu Palma Inácio, resistente antifascista

Morreu hoje, aos 87 anos, Palma Inácio, figura política da resistência ao regime salazarista. Hermínio da Palma Inácio tornou-se conhecido por protagonizar o primeiro desvio político de um avião, 10 de Novembro de 1961, por ter participado no assalto ao Banco de Portugal na Figueira da Foz, de onde levou cerca de 30 mil contos - uma fortuna para a época - e ainda por ter planeado tomar a Covilhã.

Nascido na vila de Ferragudo, em 1922, numa família de ferroviários, passou a juventude em Tunes, concelho de Silves. Politicamente activo desde muito novo, a sua figura de revolucionário inspirou o grupo de operacionais que viria a formar a LUAR, formação de cariz revolucionário que lutou contra o anterior regime até ao 25 de Abril.

Depois da revolução a LUAR (Liga de Unidade e Acção Revolucionária) ainda se transformaria em partido político, mas nunca teve sucesso eleitoral. Depois aproximou-se do Partido Socialista, onde tinha grandes amigos, como o antigo presidente da Câmara de Lisboa João Soares.

Hermínio da Palma Inácio (1922-2009), a quem o Presidente da República Jorge Sampaio atribuiu em 2000 a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, que lhe foi imposta por Manuel Alegre, tornou-se célebre por ter protagonizado em 1956 o primeiro desvio de um voo comercial de que há registo, durante o qual um avião da TAP sobrevoou Lisboa, Barreiro, Setúbal, Beja e Faro a baixa altitude para lançar cerca de 100 mil panfletos com apelos à revolta popular contra a ditadura. A sua vida foi marcada por um combate constante contra o Estado Novo, tendo sido preso diversas vezes pela PIDE, destacando-se uma passagem pelos calabouços do Aljube, onde protagonizou uma fuga histórica.

No dia 25 de Abril de 1974, Palma Inácio estava preso em Caxias, onde recebeu por código morse as primeiras notícas da Revolução. Passou os últimos anos num lar em Lisboa, fundado por antigos alunos da denominada "Velha Guarda Casapiana", lar onde hoje faleceu por volta do meio-dia, após doença prolongada.

Na sua página do Facebook, João Soares escreveu: "Morreu hoje o Hermínio da Palma Inácio. Revolucionário romântico, nasceu pobre e morreu pobre. Assaltou vários bancos (nada que ver com roubalheiras tipo BPN!). Entre eles o Banco de Portugal (nada que ver com Constâncio!). Era um bom amigo. Corajoso, audaz, generoso, amigo dos seus amigos. (...)". 14.07.2009 - 14h51 PÚBLICO, com Lusa


Manuel Alegre recusará reedição do Bloco Central

O histórico socialista Manuel Alegre volta a lançar avisos ao PS de José Sócrates. "Recusaremos a reedição do Bloco Central ou de qualquer outra forma de aliança à direita", escreve no editorial do número 4 da revista "Ops!", que será lançada esta tarde na livraria do Círculo das Letras. "Continuaremos a bater-nos, dentro e fora do PS, por uma alternativa socialista ao neo-liberalismo ainda dominante", acrescenta.

Apenas três dias depois de um duro artigo de opinião publicado no "Expresso" onde pedia um acordar urgente do PS, o ex-candidato presidencial volta a criticar o seu partido por "ouvir ex-ideólogos da direita" mais do que "escutar a opinião socialista dos que, dentro do PS, não desistem de pensar à esquerda".

Manuel Alegre vê as próximas eleições como uma "ofensiva ideológica da direita contra as metas sociais consagradas na Constituição" e não parece ver no seu partido uma autêntica alternativa de esquerda. Sobretudo por ter escolhido para redigir o seu programa eleitoral António Vitorino, decisão que Alegre já criticou publicamente.

A crítica implícita ao papel que Vitorino ocupa no partido surge ainda na referência à Fundação Res Publica, dirigida por aquele advogado. Ao afirmar que a revista "Ops!" lançou quatro números em apenas um ano, cada um com "pistas e propostas que podiam constituir uma importante contribuição para um programa" eleitoral, Alegre compara-a com as outras estruturas: "Nenhuma outra corrente política, nem o próprio PS, através das suas fundações ou iniciativas criadas para o efeito, conseguiu realizar trabalho semelhante".

Por isso afirma que a revista "OpS!" e a "Corrente de Opinião Socialista", que ele próprio criou, "ocupam o seu lugar no combate pela defesa de uma democracia em que direitos sociais sejam inseparáveis dos direitos políticos". "Lutaremos pela Escola Pública, pelo Serviço Nacional de Saúde e pela Segurança Social Pública. Mas também por uma revisão do Código Laboral, pela transparência das decisões dos poderes públicos e pelo direito ao território", acrescenta.

"Pensamos, como Antero de Quental, que não se pode viver sem ideias. E que não é possível renovar a democracia sem ideias novas e sem debate ideológico", escreve Manuel Alegre. in publico.pt, 14.07.2009, 09h25


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