2009/07/25

Merce Cunningham morre aos 90 anos

Merce Cunningham, o lendário coreógrafo que revolucionou a dança moderna, morreu ontem, em Nova Iorque, aos 90 anos. “É com grande pesar que anunciamos o desaparecimento de Merce Cunningham, que morreu tranquilamente em sua casa, de causas naturais”, dizia o comunicado emitido pela Cunningham Dance Foundation e pela Cunningham Dance Company, que o dançarino e coreógrafo nascido em Centralia, Washington, em 1919, tinha formado no Verão de 1953.

Com a sua companhia, Cunningham marcou a evolução da dança, estabelecendo uma relação muito particular com as artes plásticas e com a música contemporânea, nomeadamente com a obra de John Cage, com quem começou a trabalhar em meados da década de 40, numa parceria que só viria a terminar com a morte do compositor americano, em 1992.

“Merce revolucionou as artes visuais e performativas, não em busca da iconoclastia, mas da beleza e maravilhamento que decorrem da exploração de novas possibilidade”, acrescenta a nota.

Ainda que remetido a uma cadeira de rodas, Cunningham tinha feito, no início do mês de Junho – já depois de ter celebrado o seu 90º aniversário, a 16 de Abril –, o anúncio do programa que decidira preparar para a sua companhia no West Village de Nova Iorque, para quando ele não a pudesse dirigir pessoalmente, ao então para depois da sua morte: realizar uma última digressão mundial de dois anos e, depois, extinguir-se.

“Tenho tido sempre na minha cabeça o movimento físico do ser humano”, disse o coreógrafo no momento do anúncio dessa tournée, a que deu o título Herança Viva.

“A carreira de Merce caracteriza-se pelo seu desejo constante de ultrapassar fronteiras e de explorar novas ideias”, disse também nessa altura Trevor Carlson, director executivo da Fundação que tem o nome do coreógrafo que chegou a ser designado o “Nijinski americano”. in publico.pt, 27.07.2009 - 15h33


"Portugal acabará por integrar-se na Espanha"

Este foi o regresso mais longo de José Saramago a Portugal desde que a polémica que envolveu a candidatura do seu livro OEvangelho segundo Jesus Cristo ao Prémio Literário Europeu o levou para um "exílio" na ilha espanhola de Lanzarote. A atribuição do Prémio Nobel parece tê-lo feito esquecer essas mágoas, mas não amoleceu a sua visão da sociedade e da História, que continua a ser polémica. Como se pode ver nesta entrevista.
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Este regresso a Portugal é um perdão?

O país não me fez mal algum, não confundamos, nem há nenhuma reconciliação porque não houve nenhum corte. O que aconteceu foi com um governo de um partido que já não é governo, com um senhor chamado Sousa Lara e outro de nome Santana Lopes. Claro que as responsabilidades estendem-se ao governo, a quem eu pedi o favor de fazer qualquer coisa mas não fez nada, e resolvi ir embora. Quando foi do Prémio Nobel, dei uma volta pelo país porque toda a gente me queria ver, até pessoas que não lêem apareceram! E desde então tenho vindo com muita frequência a Lisboa.

Vive num país que pouco a pouco toma conta da economia portuguesa. Não o incomoda?

Acho que é uma situação natural.

Qual é o futuro de Portugal nesta península?

Não vale a pena armar -me em profeta, mas acho que acabaremos por integrar-nos.

Política, económica ou culturalmente?

Culturalmente, não, a Catalunha tem a sua própria cultura, que é ao mesmo tempo comum ao resto da Espanha, tal como a dos bascos e a galega, nós não nos converteríamos em espanhóis. Quando olhamos para a Península Ibérica o que é que vemos? Observamos um conjunto, que não está partida em bocados e que é um todo que está composto de nacionalidades, e em alguns casos de línguas diferentes, mas que tem vivido mais ou menos em paz. Integrados o que é que aconteceria? Não deixaríamos de falar português, não deixaríamos de escrever na nossa língua e certamente com dez milhões de habitantes teríamos tudo a ganhar em desenvolvimento nesse tipo de aproximação e de integração territorial, administrativa e estrutural. Quanto à queixa que tantas vezes ouço sobre a economia espanhola estar a ocupar Portugal, não me lembro de alguma vez termos reclamado de outras economias como as dos Estados Unidos ou da Inglaterra, que também ocuparam o país. Ninguém se queixou, mas como desta vez é o castelhano que vencemos em Aljubarrota que vem por aí com empresas em vez de armas...

Seria, então, mais uma província de Espanha?

Seria isso. Já temos a Andaluzia, a Catalunha, o País Basco, a Galiza, Castilla la Mancha e tínhamos Portugal. Provavelmente [Espanha] teria de mudar de nome e passar a chamar-se Ibéria. Se Espanha ofende os nossos brios, era uma questão a negociar. O Ceilão não se chama agora Sri Lanka, muitos países da Ásia mudaram de nome e a União Soviética não passou a Federação Russa?

Mas algumas das províncias espanholas também querem ser independentes!

A única independência real que se pede é a do País Basco e mesmo assim ninguém acredita.

E os portugueses aceitariam a integração?

Acho que sim, desde que isso fosse explicado, não é uma cedência nem acabar com um país, continuaria de outra maneira. Repito que não se deixaria de falar, de pensar e sentir em português. Seríamos aqui aquilo que os catalães querem ser e estão a ser na Catalunha.

E como é que seria esse governo da Ibéria?

Não iríamos ser governados por espanhóis, haveria representantes dos partidos de ambos os países, que teriam representação num parlamento único com todas as forças políticas da Ibéria, e tal como em Espanha, onde cada autonomia tem o seu parlamento próprio, nós também o teríamos.

Há duas Espanhas

Os espanhóis olham-no como um deles?

Há duas Espanhas neste caso. Evidentemente, tratam-me como se fosse um deles, mas com as finanças espanholas ando numa guerra há, pelo menos, quatro anos porque querem que pague lá os impostos e consideram que lhes devo uma grande quantidade de dinheiro. Eu recusei-me a pagar e o meu argumento é extremamente simples, não pago duas vezes o que já paguei uma. Se há duplicação de impostos, então que o governo espanhol se entenda com o português e decidam. Eu tenho cá a minha casa e a minha residência fiscal sempre foi em Lisboa, ou seja, não há dúvidas de que estou numa situação de plena legalidade. Quanto aos impostos, e é por aí que também se vê o patriotismo, pago-os pontualmente em Portugal. Nunca pus o meu dinheiro num paraíso fiscal e repugna-me pensar que há quem o faça. O meu dinheiro é para aquilo que o Governo entender que serve. in dn.pt, 15 Julho 2007

Nota: eu estou farto das lontras - estúpidas e arrogantes - portuguesas. Venha a Ibéria. Juntos seremos grandes...


BCP garantiu o direito de vir a pedir indemnização

O Millennium BCP garantiu o direito de vir a pedir uma indemnização aos cinco antigos administradores do banco acusados pelo Ministério Público de manipulação do mercado, falsificação de documento e burla qualificada, caso se confirmem as acusações.

Numa comunicação interna aos colaboradores do Grupo Millennium bcp, à qual a agência Lusa teve acesso, a equipa liderada por Carlos Santos Ferreira informou que "após consultados os advogados do banco (...) decidiu o conselho de administração executivo, em reunião realizada no dia 14 de Julho, para evitar qualquer risco de alegação de perda do eventual direito à indemnização que se apurasse no âmbito deste processo, apresentar nesta data um requerimento" em tribunal.

O BCP solicitou no requerimento "a clarificação do seu direito de, em momento ulterior, designadamente em face do apuramento final dos factos, vir a pedir oportunamente qualquer indemnização a que haja lugar em processo separado nos tribunais civis".

"E, cautelarmente, na hipótese de esse direito de apresentação de pedido nos tribunais civis não ser reconhecido, indemnização civil segundo os factos e termos indicados na acusação, para o caso de estes virem a ser provados", anunciou a administração do BCP na nota interna.

A decisão resultou da reunião de 14 de Julho, véspera do final do prazo legal que o BCP tinha para responder à notificação do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP), que foi feita na mesma altura (final de Junho) em que os cinco antigos administradores do BCP foram notificados.

O BCP foi notificado pelo DIAP para, querendo, se constituir assistente no processo e para solicitar uma indemnização civil em processo penal.

No que toca à constituição como assistente, o conselho de administração executivo do BCP "reservou uma decisão para o momento que se vier a mostrar adequado, dentro do prazo fixado na lei para o fazer".

Os cinco acusados são Jorge Jardim Gonçalves e Filipe Pinhal (ex-presidentes executivos), António Castro Henriques, Christopher de Beck e António Rodrigues (antigos administradores).

Numa nota enviada à comunicação social, a PGR explicou que os factos em causa foram praticados no período compreendido entre 1999 e 2007 e que dizem respeito à utilização de veículos 'offshore', detidos pelo banco de modo a influenciar os valores de mercado e o 'rating' dos títulos BCP no mercado de valores.

Para o Ministério Público, ficou ainda provado que houve "falsificação da contabilidade do banco, com vista a ocultar as perdas resultantes para o banco, no valor aproximado de 600 milhões de euros" e que os administradores obtiveram "avultados prémios, calculados em função de resultados deliberadamente empolados, com um prejuízo para o banco de cerca de 24 milhões de euros".

Nota: a indeminização como obrigação básica e elementar. Se existirem responsabilidades criminais deverão responder por elas.


Um senhor guerrilheiro

"Aquando da morte de Palma Inácio, Almeida Santos fez estas declarações em que para ilustrar a modéstia de Palma Inácio refere como o PS esteve sempre disponível para lhe dar cargos, honrarias e nomeações que o mesmo Palma Inácio recusou."

A diferença Helena, é que o Palma (não o conheci mas tive um tio assim) era um senhor e estes são um feirantes armados em socialistas. Entretanto, no offshore da Madeira ataca-se a tiro a propaganda legal contra a ladroagem! E não há ninguém que meta o Bonzo da Madeira na ordem...


A Tasca e o taberneiro

"Até lhe agradeço que escreva mal pois como todos têm escrito bem as pessoas podem pensar que eu paguei para escreverem bem". Curioso e talvez sintomático, mas foi assim que o português "chef" Vitor Sobral, proprietário de uma "tasca" em Lisboa, que tem aparecido muito referenciada nos portugueses "media", me falou.

Eu tinha-lhe acabado de explicar que quando a casa sugere explicitamente qualquer coisa ao cliente, essa coisa, mesmo que não seja espectacular, tem pelo menos de ser muito boa, pois é uma espécie de assinatura da casa. Uns cogumelos com uns pimentos vermelhos, sem qualquer estilo, sem nada que os distinga daquilo que qualquer comum ser mortal pode fazer em casa, ou é "bluff", ou é uma forma de extorquir ao cliente mais uns euros na conta final.

Sobral reagiu mal, começou a falar grosso e com agressividade. Disse-me para ir ler a tabuleta na porta, onde se pode ler "Tasca", para me fazer compreender que o seu restaurante produz gastronomia sem pretensões.

"Não tenho pretensões a estrelas Michelin". Esta foi para rir? Claro que não tem... O que eu disse ao Vitor Sobral (que aparentemente não percebeu) foi que em muitos dos restaurantes com estrelas Michelin, e nos que almejam um certo nível de genuína qualidade (em lugar do pretenciosismo que há de sobra por estas bandas...), são servidas pequenas "introduções" (pré-entradas), que são uma espécie de boa vinda do "chef", e por vezes são simplesmente espectaculares. Num local onde o "petisco do dia" não é oferecido, mas é sugerido (e pago), espera-se uma certa dose, mesmo pequena, de singularidade. Não aconteceu com os cogumelos, que estavam uma banalidade. Não aconteceu com os "figados de aves", que tive de mandar para trás para serem melhor temperados e cozinhados... Não é por se utilizarem ingredientes baratos que a comida não pode ser excelente. Com fígados de frango pode-se fazer algo delicioso. Não foi o caso na "tasca" do Vitor Sobral. Qualquer taberna sem pretensões faria melhor. Sobral esteve mal. Em vez de me mandar ler a tabuleta e dizer que os cogumelos são um "ingrediente maravilhoso", poder-se-ia ter justificado dizendo que naquele dia as coisas não lhe estavam a correr bem... Por exemplo.

Nota: como é sabido, este não é um blog de crítica gastronómica. Este "post" é útil para ilustrar uma certa maneira de ser português que pode conduzir Portugal à insignificância liminar e total. Independentemente do arroz de cabidela premiado e do Presidente da CE...


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