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2009/10/01

As elites piolhosas e as outras

Um país sem "elites" de qualidade (que implica dimensão e "substância" humana) está condenado a definhar, disse o filósofo tal. Quando olho para Portugal vem-me sempre à memória esta máxima e quanto melhor olho mais esta máxima parece adquirir consistência lógica.

Quando ambos os invasores (nazis e russos) espartilharam a Polónia a primeira coisa que fizeram foi eliminar as suas elites, porque sabiam que o poder da "alma" polaca residia em parte nelas. Não lhes adiantou: Chopin já tinha imortalizado as danças populares polacas nas suas Polonaises e Mazurkas: mesmo que a Polónia desaparecesse completamente aquelas pequenas peças haviam de a imortalizar ad-aeternum. Em Portugal, se invasores houvesse, não necessitariam de eliminar as elites porque as "elites" portuguesas antes da invasão se concretizar já estariam a denunciar os seus compatriotas e a lamber as botas aos invasores. Não seria caso único na história, é certo, mas seria um caso antológico, dado tratar-se (segundo afirmou o poeta ex-deputado Manuel Alegre) da "mais velha nação da Europa".

As "elites" portuguesas para além de serem asquerosas são ruins. E são ruins não só nem essencialmente por serem mediocres: são ruins porque incarnam o "mal", ou pelo menos duas facetas do "mal": a maldade e a perversidade. O desprezo que Eça de Queiroz manifestou pelas "elites" portuguesas não teve origem só na constatação da sua mediocridade: é impossível desprezar-se e ridicularizar-se daquela maneira seres "somente" mediocres.

Bem isto a propósito de mais uma cena que testemunhei ontem (30 de Setembro) na Cinemateca Portuguesa (em Lisboa): um senhor parece ter feito uns ruídos com uns sacos de plástico que levava com ele. Levar sacos de plástico para a cinemateca pode ser já um risco face aos m........ dos supostos "artristas" e "intelectuais" que por lá aparecem de tempos a tempos. Ao entrar com um saco de plástico deve-se ir preparado para confrontar o primeiro "intelectual" ou "artrista" tugolês que comece a chatear mandando "bocas" ou assumindo poses de um desprezo irritante e provocante.

Portanto, para evitar chatices aconselho a não levar sacos de plástico para os filmes, na Cinemateca Portuguesa, em que previsivelmente os jovens tugoleses "artristas" e "intelectuais" por lá apareçam (claro que não são só os jovens, mas quando se trata de jovens é muito mais preocupante pois conclui-se que Portugal não mudou rigorosamente nada).

O tal senhor lá fez os ruídos com os sacos de plástico e claro que alguém se sentiu muito incomodado, mandando "bocas" ao senhor. A coisa, se entre gente normal estivessemos, ficaria por ali, esperando-se que o senhor se acalmasse e acabasse o seu delírio, pois já estava a falar em "radiações perigosas" e todo o discurso típico dos seres alienados, que de resto é sempre um discurso curioso, ainda que pouco inovador.

Mas não: os jovens "artristas" e "intelectuais" tugoleses não podiam deixar de aproveitar estarem perante uma pessoa debilitada, só e facilmente ridicularizável, para mostarem a sua "virilidade". Vai de aí que um jovem tugolês se dirige ao senhor para o "meter na ordem". Houve logo os outros tugoleses jovens a acalmar o tugolês "artrista" ou "intelectual" (aquelas cenas do sub-género "agarrem-me senão mato-o"), que voltou ao seu lugar de peito inchado.

A verdade é que os tugoleses jovens "artristas" e "intelectuais" que protagonizaram a cena (especialmente o "mauzão" que que pretendia meter o senhor na "ordem") prejudicaram muito mais a visualização do filme que o discurso delirante do senhor dos sacos de plástico. Bastou alguém ir falar pacientemente para ele parar com o seu discurso alucinado, que foi desencadeado, há que dizer, por um, ou uma, "intelectual" qualquer, cioso (a) da sua muy autêntica concentração cinéfila.

Se estes jovens tugoleses são o futuro, o futuro de Portugal é desaparecer sem deixar saudades. Ha! Depois há toda aquela lixeira estrangeira que, sabendo bem que quem tem um olho em terra de cegos pode ser rei, vem cá parar... Evidentemente que não me estou a referir aos imigrantes que vêm para "trabalhar no duro", ou aqueles que vêm trabalhar seriamente.

Nota 0: correndo o risco de me tornar ainda mais politicamente incorrecto quero manifestar o meu espanto em relação ás cenas porcas que alguns gays vão fazer para a Cinemateca Portuguesa, especialmente na sala pequena. Não há direito! Há gente que vai à Cinemateca para ver só os filmes que passam no écran! Os funcionários e a direcção da Cinemateca sabem disto e se não tomarem medidas um dia alguém as há-de tomar.

Nota 1: no que toca ás tugolesas "elites", basta ir apreciar as "praxes" universitárias levadas a cabo pelos universitários "veteranos", com o consentimento (ou sem uma reacção eficaz e liminar) por parte dos universitários "caloiros" e por parte da sociedade em geral, para se compreender para onde estas "elites" conduzirão o triste reino.

Nota 2: claro que para além destas elites piolhosas existem as outras (sem prejuízo das inter-conexões que existem e não são raras): os que tiveram "pára-quedas dourados", que estão entre os que conseguiram sair de cena com milhões para acomodar e proteger um futuro incerto; aqueles que garantem sempre bons cargos para (quase) toda a família sem terem de os mendigar ou sequer de os sugerir; aqueles que em cargos de administração nas empresas que já foram do Estado ganham 100 vezes mais que a média dos assalariados portugueses; os que fizeram e fazem grandes negociatas do ou com o Estado que lhes proporcionaram e continuam a proporcionar milhões escondidos sob um número nos off-shores; aqueles que com negociatas variadas do Estado ou "poder local" garantiram para si, familiares e descendentes, um futuro próspero e confortável (coisa dificílima de ser detectada dada a dupla descontinuidade - de tempo e de sujeitos - entre o "serviço", o benefício, e os beneficiados) . Esses são a "autêntica" elite portuguesa, que arruinou e destruiu o país e que se ri, se ri muito, das elites piolhosas e dos seus rituais ridículos e inofensivos (ofensivos para as vítimas mas inofensivos para eles, a elite que domina e ganha).

Nota 3: "Quase todos os contratos de obras públicas celebrados nos últimos três meses foram por ajuste directo. Segundo os dados do Observatório de Obras Públicas, que está a recolher a informação prestada desde o dia 26 de Junho, do total de 4023 contratos firmados até à passada sexta-feira, houve ajuste directo em 3957 deles." (publico.pt, 06.10.2009, 07h14)

2008/07/02

L'ARGENT

De Robert Bresson

França/Suiça, 1983 - 85 min.

O último filme de Robert Bresson. A história de uma nota de 500 francos, falsa, que vai passando de mão em mão, até que um dos possuidores, um jovem, é acusado de tráfico, perdendo o emprego, forçado a participar num assalto e levado para a prisão e para uma trágica decisão final. Sem estreia comercial em Portugal, foi exibido na Cinemateca, pela primeira vez, em 1983, ano da sua estreia mundial. In cinemateca.pt


Bruno Maderna (1920-1973)

Conforme aqui referido recentemente, o compositor e maestro de origem italiana Bruno Maderna (1920-1973) esteve fortemente ligado à promoção da música do século XX, nomeadamente através da sua ligação a Darmstadt onde, a convite do seu fundador, Wolfgang Steinecke, dirigiu imensas obras no respectivo festival.

Maderna privou com alguns dos mais proeminentes nomes da música moderna, como Pierre Boulez (1925-), John Cage (1912-1992), Olivier Messiaen (1908-1992), Luigi Nono (1924-1990), Karlheinz Stockhausen (1928-2007) e Luciano Berio (1925-2003). Com este último Maderna fundaria, em 1955, o Studio Fonologia Musicale, o primeiro estúdio italiano de música electrónica. In desnorte.blogspot.com, Junho 26. Nota: o link no nome de Pierre Boulez foi colocado por nós.


Arabella - Richard Strauss

Ficou famosa a ligação do compositor Richard Strauss (1864-1949) ao libretista (além de poeta, dramaturgo e romancista) Hugo von Hofmannsthal (1874-1929), pelo conjunto extraordinário de obras que resultou dessa colaboração. Foram 6 as óperas de Strauss com libretos de von Hofmannsthal, tendo a primeira sido Elektra, escrita entre 1906 e 1908, e a última Arabella, composta entre 1930 e 1932, e estreada no dia 1 de Julho de 1933, passam hoje 75 anos.

Hofmannsthal faleceu no dia 15 de Julho de 1929 quando se prepara para assistir ao funeral do seu filho Franz, que se havia suicidado 2 dias antes. Strauss completaria o libreto deixado inacabado, e trabalharia depois com vários outros libretistas, entre eles o nosso já conhecido Stefan Zweig (1881-1942), embora as suas óperas mais representativas coincidam com o "período Hofmannsthal".

Quando estava prestes a terminar Die Frau ohne Schatten, Strauss pediu a von Hofmannsthal que lhe enviasse algum material que ele pudesse utilizar, nem que fosse uma nova versão de Rosenkavalier, pois estava completamente a zero. Curioso, este pedido, pois estavam ambos cientes da dificuldade em criar algo de sucesso que se distinguisse precisamente de Der Rosenkavalier, composta 20 anos antes. E o que é certo é que Arabella acabou mesmo por ser desconsiderada por muitos bons críticos, que a acharam uma mera cópia da antecessora... O facto de haver várias semelhanças entre ambas (Viena do século XIX como cenário, os bailes, as valsas, um papel travestido, etc.), terá porventura contribuído para tal conclusão... idem, Julho 01

2008/06/23

UN CONDAMNÉ À MORT S’EST ECHAPPÉ

De Robert Bresson

França, 1956 - 90 min.

Subintitulada “O Vento Sopra Onde Quer”, citação do Evangelho Segundo S. João, a quarta longa-metragem de Robert Bresson baseia-se num facto real: a evasão de um homem, em 1943, de um forte de onde teoricamente qualquer fuga era impossível. Bresson aplica de modo ainda mais estrito os austeros princípios de realização do seu filme anterior, JOURNAL D’UN CURÉ DE CAMPAGNE: despojamento da imagem, escolha de actores não profissionais, cenários reduzidos, ausência de música de cinema (só a Grande Missa de Mozart), oposição entre monólogo e diálogo. Um extraordinário filme sobre a coragem, que também é um filme sobre o mistério da Graça. In cinemateca.pt


Violência escolar é "problema sério"

... apesar de o Governo o considerar residual. In Global, 24 Junho, pag 4


Empurrar e gozar não são práticas normais

"Quando se diz que indisciplina nada tem a ver com violência não estamos no bom caminho", Daniel Sampaio In Metro, 24 Junho, pag 2


Por uma reforma justa!

Salter Cid (SIM, é mesmo esse o nome. LOL) trabalhou 6 anos na PT ou Marconi...

Reclama agora que a sua reforma não está correcta.

17.900€ por mês é pouco, segundo o Sr.

É que trabalhar 6 anos é muito duro para poder gozar uma reformita tão pobrezinha.

Coitado do homem.

Vamos abrir uma conta solidária para ajudar este pobre reformado.

Quem alinha? Tiago Soares Carneiro In democraciaemportugal.blogspot.com, Junho 22, 8:12PM


Mais um empurrãozinho para o futuro radioso de Portugal

A Sociedade Portuguesa de Química (SPQ) criticou hoje a existência de "questões extremamente elementares" no exame nacional de Física e Química A, realizado sexta-feira, considerando que algumas perguntas "exigem apenas que o aluno saiba ler".

Realizada por cerca de 54 mil estudantes do ensino secundário, a prova desta disciplina, nuclear para quem quer seguir Medicina, é uma das que conta com mais alunos inscritos.

Num breve parecer disponibilizado na Internet, exclusivamente sobre a parte de Química, a Sociedade salienta que "todas as perguntas [do exame] se ficam por questões extremamente elementares", criticando ainda a persistência na prova "de algumas questões já 'batidas' em anos anteriores".

Ressalvando não ter conhecimento dos critérios de correcção estipulados pelo Ministério da Educação, a SPQ lamenta igualmente a existência de "questões que pouco ou nada exigem de conhecimentos prévios em Química".

"Exigem apenas que o aluno saiba ler um texto ou os eixos de um gráfico", não precisando "sequer de ter grandes competências a nível da interpretação", critica a Sociedade, apontando como exemplo duas das perguntas da prova. In publico.pt, 23.06.2008, 15h31, Lusa


Matemática "demasiado fácil"

“Demasiado fácil”, “não é compensador do esforço”, “não havia nenhuma questão que permitisse distinguir um aluno de 18 de um de 11”, estes foram alguns dos comentários recolhidos pelo PÚBLICO entre os 45 estudantes do 12º ano do colégio Valsassina, em Lisboa, que hoje fizeram o exame nacional de Matemática A. Clara Viana idem, 16h53

2008/06/20

NOSFERATU, EINE SYMPHONIE DES GRAUENS - “Nosferatu, o Vampiro”

De Friedrich Wilhelm Murnau

Alemanha, 1922 - 87 min.

“Quando chegou ao outro lado da ponte, os fantasmas vieram ao seu encontro”. Este célebre intertítulo de NOSFERATU, aliás apócrifo, abre as portas do cinema fantástico. A primeira e mais célebre adaptação do romance de Bram Stoker, Drácula, é uma das obras-primas máximas da história do cinema. É também o filme que mais nos gabamos de ter revelado, corria o ano de 1963, já lá vão 45 dos 86 anos de idade que NOSFERATU conta. Só na Cinemateca foram vinte e cinco exibições e, a partir dos anos 80, o filme foi programado por toda a gente em toda a espécie de adaptações. In cinemateca.pt

Comentário: a Cinemateca tem de ter mais cuidado. Apresentar um filme mudo que tem "interlúdios" em alemão e não os traduzir, não dá com nada. Claro que tal deveu-se a um problema técnico de última hora mas há que evitar que algo semelhante volte a acontecer. Já bastam as traduções mal feitas e incompletas...


Finalmente a verdade em português

Os líderes europeus admitiram hoje que, depois do “não” irlandês, também a República Checa poderá ter dificuldades para ratificar o Tratado de Lisboa, mas os 27 sublinham que não vão deixar cair o documento. O Presidente francês avisou mesmo que sem o novo tratado não será possível concretizar os alargamentos previstos – uma declaração que gerou mal-estar entre alguns Estados-membros.

A ratificação do Tratado de Lisboa na República Checa está envolvida num imbróglio jurídico, depois de o Senado ter anunciado a suspensão do processo até que o Tribunal Constitucional decida se o documento está conforme à Lei Fundamental do país.

Em ano de eleições, há também vários deputados, incluindo do partido no Governo, que se mostram reticentes em apoiar um tratado cada vez menos popular. E mesmo que o documento seja aprovado no Parlamento, o Presidente Vaclav Klaus, um eurocéptico, ameaça não assinar a lei de ratificação, por considerar que a vitória do “não” “matou” o Tratado de Lisboa.

Confirmando os receios dos líderes europeus, o próprio primeiro-ministro checo, Mirek Topolanek, afirmou no final da cimeira de Bruxelas que “não apostaria cem coroas no ‘sim’ checo” ao novo tratado europeu.

Além da República Checa, o processo está também em suspenso na Polónia, já que o Presidente conservador, Lech Kaczynski, tem em mãos há mais de duas semanas o tratado e ainda não o assinou. 20.06.2008 - 18h26 PÚBLICO, Agências


A ameaça francesa

O Presidente francês, Nicolas Sarkozy, foi mais longe e avisou os países de Leste que a UE não poderá concretizar os alargamentos previstos, em particular à Croácia, cuja integração deveria ocorrer até ao final da década. “Um certo número de países europeus que têm reservas sobre o Tratado de Lisboa são os mais favoráveis ao alargamento. Ora, sem Tratado de Lisboa, não haverá alargamento”, declarou.

O aviso de Sarkozy foi mal recebido pela Polónia, um dos países que, a par da República Checa, mais têm defendido a continuação da expansão das fronteiras da UE a Sul e a Leste. “A opinião de que sem o referendo irlandês se torna impossível a adesão da Croácia, da Sérvia ou da Ucrânia é inaceitável”, afirmou o primeiro-ministro, o pró-ocidental Donald Tusk. idem


Sonic Circuits - Festival of Experimental Music

Sonic Circuits - Festival of Experimental Music, de vento em popa desde 2001, organizado pelo American Composers Forum, de Washington. Dedicado à música experimental, vai de 26 de Setembro a 5 de Outubro de 2008.

«The Festival is the premier showcase in the mid-Atlantic region for cutting edge new music of all genres, from contemporary academic composition, free jazz, noise rock, electronic music, and audio art. The festival acts as a platform for artists to present new and challenging works, which are generally overlooked by more commercial venues.

Sonic Circuits - DC also provides an essential networking opportunity for DC area artists to meet artists from around the world so that they may forge new relationships that will form the basis for future collaborations. The festival seeks to expand the audience for experimental music and further foster the growth of the Washington area experimental music community». 20.6.08, In jazzearredores.blogspot.com