2007/10/28

Marinheiro...

Enviaram-me excertos de uma divertida entrevista do embaixador de Portugal em Inglaterra. O diplomata, que afirma ser marinheiro, explicou que o local onde os ingleses se afogaram, que diz conhecer muito bem, é de facto muito perigoso devido às correntes e foi uma grande infelicidade (o fado...) aquilo que aconteceu aos ingleses. Em determinada altura o jornalista escreve, jocosamente, que o embaixador parece extremamente sincero... Muito mesmo porque se todas autoridades conheciam bem a perigosidade de um local desprovido dos devidos avisos formais, todos deveriam ser processados por homicídio por negligência. O facto de um surfista ter avisado os ingleses de estarem num local perigoso não iliba os responsáveis por não terem colocado avisos oficiais.
Depois o embaixador refere o sol e a ausência de terrorismo em Portugal. Quanto ao sol, qualquer diplomata africano pode gabar-se do mesmo, sobre o terrorismo deveria ser mais comedido pois se não tem acontecido terrorismo, em Portugal, tal não se deve provavelmente à impressionante eficácia das autoridades portuguesas nem à grande ética de um estado que acolheu os senhores que iniciaram a guerra do Iraque, mas a outros factores como a pouca significância de Portugal. Sem se compreender exactamente a causa, o embaixador refere que os jovens têm mais independência em Inglaterra que em Portugal... Choques de cultura, ou atraso educacional de Portugal em relação a toda a Europa onde os jovens são mais independentes porque o sistema de ensino os habilita para isso? Não se percebe onde pretendeu chegar (que tem isto a ver com o abandono de crianças de 4 anos e menos?) ou se pretendeu chegar a algum lado. Tenta contra-atacar dizendo que acontecem mais raptos em Inglaterra que em Portugal. O jornalista escreve que grande parte desses raptos se resolvem em 24 horas... O embaixador parece ignorar os casos de "crimes de honra", cometidos por imigrantes normalmente islâmicos, crimes que poderiam ter sido evitados se as autoridades inglesas tivessem escutado devidamente as vítimas (uma foi acusada pela polícia de estar a imaginar coisas...), tendo sido assassinadas várias jovens e adolescentes. Perdeu uma boa oportunidade para arremessar com algo que todos conhecem e sabem ser verdade. Finalmente o senhor Santana Carlos fala na muito estafada e aborrecida "velha aliança". O jornalista refere a tal "aliança" como sendo algo que o embaixador afirma. Quando um dos parceiros de determinado casamento, namoro ou "caso", pretende esquecer o passado, ou não lhe atribui muita importância, faz parte da educação elementar a outra parte não estar constantemente a referir-se a algo que deixou de possuir qualquer actualidade. Que eu saiba os ingleses não visitam Portugal para conviver com os portugueses (o que é absolutamente compreensível pois eu faria o mesmo) mas para disfrutarem do sol, dos preços e conviverem entre eles, tal como faziam nas antigas colónias. Dizer que "velha aliança" se traduz, na actualidade, em 2 milhões de turistas ingleses que visitam Portugal anualmente é uma palermice porque 2 milhões são uma pequena fatia das dezenas de milhões de turistas ingleses que viajam anualmente para o estrangeiro. O embaixador parece não "atingir" e o resultado foi uma entrevista ridícula que saiu no The Times de 27 de Outobro. Com élites assim percebe-se bem o estado em que Portugal se encontra. AST











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