2006/06/12

György Ligeti dies on 12 june 2006

On Monday morning, the Austrian-Hungarian composer György Ligeti died in Vienna at the age of 83 after suffering from a serious illness. With him, we have lost one of the greatest composers of the 20th century.
György Ligeti was an adventurer in form and expression and a great visionary of contemporary music. His richly varied output takes a special position in its musical quality and uncompromising individuality. Ligeti moved far away from aesthetic trends and methods all his life. He was characterized by fresh and unorthodox ideas, any form of dogmatism was foreign to his nature, his entire oeuvre is marked by radical turning points. Admired and hugely influential in the profession, the sensual accessibility of his music has won the hearts of audiences everywhere. in http://www.schott-music.com



















CHOSTAKOVITCH E BEETHOVEN POR GREGIEV E LANG LANG

Uma dupla impressionantemente fenomenal. Torna-se complicado escrever sobre um concerto onde foram interpretadas duas sinfonias, a 3 e a 15, de Dmitri Chostakovitch e o concerto 4 de Beethoven...

Para tentar estruturar melhor este artigo iniciarei pelo concerto de Beethoven para seguidamente nos dedicarmos a Chostakovitch. A Orquestra foi a Philhamonica de Rotherdam e o grupo coral foi o de Londres que habitualmente trabalha com a LSO.

Antes de mais direi que a leitura de Lang Lang foi inovadora. A sua suprema tecnica associada a uma espontaneidade inata, fornece-lhe os ingredientes para arrebatar os ouvintes que enchiam totalmente a sala principal do barbican e simultaneamente fazer uma leitura diferente, mas relevante, do quarto concerto de Beethoven. A cadencia do primeiro andamento foi exemplo disso mas todo o trabalho de sonoridades levado ao extremo por Lang Lang, associado a uma grande e natural entrega com elevado sentimento, tranformaram a sua leitura num evento. O encore que deu foi um andamento de uma sonata de Mozart tocado como nunca escutei num recital: fabuloso, vivo, perfeito e surpreendente.

Passemos a tratar de Chostakovitch. Inusual escutarem-se duas sinfonias no mesmo concerto. Sendo duas sinfonias mediadas por grande distanciamento temporal permite-nos perceber como o criador consolidou e dirigiu o seu percurso musical. A terceira sinfonia trata-se de um kitsch. De uma colagem, pouco convincente, de temas e motivos, com pouco elan estrutural e que termina com grande folgo, com os olhos postos na nona de Beethoven, que era o paradigma de um mundo positivo (com o triunfo do comunismo, evidentemente) para os "revolucionarios" instalados no regime dos sovietes. O resultado teria de ser um kitsch, obviamente, com um coral esfusiante como cereja no topo de um bolo. Foi um sucesso qundo estreou e nem se percebe porque Stalin se preocupou tanto em destruir a vida e a obra de Chostakovitch, o que conduziu o artista a um tipo de obras mais corrosivo para o regime dos sovietes. Interiormente corrosivo, entenda-se: se fosse exteriormente, o compositor poderia contar com a Siberia da qual tanto gostava e onde frequentemente ia. Uma estadia diferente...
A terceira sinfonia se comparada com a segunda, que termina igualmente com um coral, foi um retrocesso. Onde na segunda havia interessante e conseguido experimentalismo, na terceira surgem efeitos popularescos e temas que o ouvido fixa mas logo se desvanecem. Onde na segunda havia trabalho consistente de massas sonoras, num antecipo, dentro de um contexto "neo-classico", daquilo que um Ligeti faria mais tarde, na terceira existem efeitos concebidos gratuitamente para as "massas", para o "povo". Claro que foi um sucesso mas isso diz demasiado pouco para nos retermos nesse sucesso que deve ter desagradado ao "grande guia". Foi, muito provavelmente, o sucesso do compositor, que nada tem a ver com uma suposta "arte incompreensivel para o povo" que parece ter sido uma ideia difundida unicamente pelo ditador e pelo partido comunista, a causa "real" que desencadeou a ira de Stalin ao imaginar que o compositor poderia competir com ele enquanto "grande figura" do reino dos sovietes. Tal como no tempo das fogueiras religiosas da cristandade (que foram adoptadas na actualidade por outras religiosidades), nada como acusar Chostakovitch de cometer "desvios" aos ideais do "povo" e do partido...

A sinfonia 15 situa-se, ou pretende situar-se, no outro extremo. No entanto, o recurso insistente ao tema da abertura de Guilherme Tell, de Rossini, induz-nos no contexto da foto-montagem caricaturial que desvirtua a credibilidade de uma escrita que se pretende "profunda". Apesar disto Chostakovitch consegue um bom equilibrio tanto no trabalho dos temas como no trabalho orquestral e a obra termina de maneira suspensa e emotiva.

A Rotherdam Philharmonic revelou-se uma excelente orquestra e as falhas, pontuais, nas trompas e trombones foram pouco relevantes, tanto que foram os instrumentistas mais ovacionados pela sala. Os ouvintes sinceros sabem que as falhas podem acontecer. O proprio Gregiev mandou que aqueles instrumentistas se levantassem para serem os primeiros a receberem os intensos aplausos da sala.

Como chefe-de-orquestra Gregiev trata-se de um "caso" muito interessante e importante. Se no andamento final de Beethoven o desempenho da orquestra resvalou para uma certa falta de clareza no ritmo, em Chostakovitch (onde os metais tiveram as falhas pontuais referidas), o desempenho foi fabuloso. Evidentemente sobretudo devido a Gregiev que tem uma prespectiva personalizada de como se deve interpretar a obra de Chostakovitch, possui uma gestualidade expressiva mas precisa e denota um grande "carisma". Foi um concerto de primeiro plano mundial. Livios Pereyra














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