2005/06/28

ORÇAMENTOS


Poderá parecer inacreditável se se disser que o Teatro Nacional de São Carlos possuiu um orçamento base superior ao do serviço de música da Fundação Calouste Gulbenkian cuja actividade é conhecida de todos.

É de facto inacreditável porque a Gulbenkian não só tem uma Orquestra residente que faz o que a orquestra daquele Teatro Nacional não faz ou seja concertos regulares fora de Lisboa, como tem uma companhia de dança que também tem uma actividade descentralizadora.
Como todos sabemos a "essência" da programação da Gulbenkian é a temporada de convidados que vão desde solistas de primeiro plano mundial até ao ciclo das grandes orquestras que nos tem possibilitado escutar em Portugal os melhores agrupamentos sinfónicos da actualidade, para já não falar das "divas" do canto que não vão actuar ao São Carlos mas fazem recitais ao longo das temporadas da Gulbenkian. Portanto entre uma e outra instituição não há comparação possivel.

Mas há! Ao nível dos orçamentos... O TNSC tem um orçamento de 15 milhões de euros, um dos quais dado pelo seu mecenas. O serviço de música da Gulbenkian no presente ano deve ter cerca de 14 milhões (que tenderão a diminuir nos próximos anos). Mas na realidade a Gulbenkian conta com substancialmente mais porque há mecenas que a apoiam com milhões de euros? Sem dúvida. A Gulbenkian que conta com rendimentos próprios que lhe permitiriam garantir sem outros apoios toda a temporada preocupa-se em encontrar mecenas que lhe dão muito mais que o milhão que o TNSC consegue. Porque será...

O grande problema é que 14 dos 15 milhões do orçamento do TNSC saem direitinhos do bolso de todos os contribuintes portugueses que não recebem nada em troca. O problema é que o TNSC em termos internacionais é e vai continuar a ser um teatro de ópera de quinta categoria. O problema é que o TNSC apresenta como "grande compositor internacional" um Azio Corghi (que pela terceira vez é convidado a apresentar óperas suas todas baseadas em libretos criados a partir de obras de Saramago) que só o é para alguns italianos e para o director do TNSC. Corghi não é de todo um compositor de primeiro plano na cena mundial. Poderíamos citar dez nomes reconhecidos como compositores históricamente relevantes que Corghi não entraria sequer num grupo alargado a vinte.

Se compararmos, por exemplo, o trabalho e o interesse público das actividades desenvolvidas pela Orquestra Metropolitana de Lisboa, que conta com uma excelente academia de música, com a actividade e o interesse público da temporada do TNSC concluiriamos, sem ter de recorrer a números, que a OML é imensamente mais importante para o país que o TNSC. Poderiamos também referir como exemplo a Sinfonietta de Lisboa que recebe do estado uma quantia ridícula e que não faz menos concertos que a Orquestra Sinfónica Portuguesa (que na prática é orquestra do TNSC o que é uma anacronia pois esta orquestra deveria andar a fazer concertos por todo o país em vez de estar adstrita à programação do S. Carlos).

Interessante seria compararmos o montante total que o Instituto das Artes tem para apoios aos agrupamentos musicais, de dança e teatro de todo o país com os gastos fixos do TNSC (pois se comparado com o orçamento total seria não só escandaloso como indecente). Interessante também seria discriminar-se o que é gasto com ordenados e ajudas de custo aos directores e outros funcionários, daquilo que é gasto com os ordenados dos músicos da OSP que são várias dezenas e que são os protagonistas fundamentais deste "enredo" (ainda que toquem pouco: uma orquestra profissional em qualquer parte do mundo faz pelo menos um concerto por semana. Mas o problema da OSP é o TNSC). Para se arranjarem bons gestores, directores e relações públicas basta ir às universidades portuguesas e fazer uma selecção entre os finalistas que cada ano concluem as respectivas licenciaturas. Os músicos da orquestra foram admitidos por concurso internacional. É bom que isto fique bem explicitado pois são os únicos na Fundação São Carlos que passaram por essa triagem. Deveria especificar-se, por exemplo, quanto se gasta com o côro que práticamente só actua quando há óperas que o necessitem (há várias que não necessitam de côro). Na realidade nunca se percebeu o porquê do côro do TNSC nunca ter passado a semi-profissional (como é o caso do da Gulbenkian que funciona muito bem). O Editor


Nota: Na revista Visão de 30 de Junho 2005 são postos a público os salários, ajudas de custo e prémios anuais de alguns dos gestores públicos portugueses. Após um rápido visionamento é fácil concluir-se que tanto o orçamento do S. Carlos como as regalias dos políticos que Sócrates acaba de modificar são uma muito pequenina ponta de um iceberg com colorações terceiro-mundistas. Ao governo impõe-se agora regular estes casos tendo como referência o ordenado do Presidente da República. Num estudo internacional realizado há algum tempo ficou patente que o grosso dos gestores portugueses para além de serem desprovidos de uma visão de longo prazo e de uma dinâmica laboral de grupo, disfrutam de regalias muito além do seu valor e da sua produtividade. Seria interessante que, tal como acontece com os músicos das orquestras nacionais, estes cargos fossem preenchidos por concurso internacional, seleccionados igualmente por um júri internacional. OE










O mais velho antifascista, o maquis da lendária resistência francesa, o amigo de Humberto Delgado, o fundador da LUAR, o presidente temporário do PPD, o apoiante do PS , após uma vida estendida por três séculos, partiu, ontem, aos 105 anos, para o "Oriente Eterno", como os seus irmãos maçons designam a morte. Emídio Guerreiro foi "uma mistura de Dom Quixote e de Che Guevara", na expressão do advogado conimbricense, fundador do PS e grão-mestre do Grande Oriente Lusitano (GOL), António Arnaut.
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Contestatário do Golpe do 28 de Maio, não só seria um dos participantes da Revolta do 7 de Fevereiro de 1927, que podia ter acabado com a recente ditadura militar - se as guarnições de Lisboa se tivessem sublevado, não deixando os sediciosos do Porto isolados -, Emídio Guerreiro nem sequer ligou ao seu estatuto de assistente de Matemática na Faculdade de Ciências e, aquando da visita de Carmona à Invicta, em 1932, imprimiu um panfleto a exortar a população a receber o Presidente da ditadura com "merda, muita merda, merda às mãos-cheias".
Preso e torturado, acabaria por fugir do Aljube e exilar-se em Espanha, onde se envolveria, com o grupo dos "Budas de Madrid" (Jaime Cortesão, Moura Pinto e Jaime de Morais), na fracassada "revolução dos tanques", conforme relatou ao seu biógrafo Encarnação Viegas. Vivendo em Santiago de Compostela, seria surpreendido pelo golpe militar franquista em Vigo, onde se deslocou a pedido do alcaide, ali assistindo, impotente, ao fuzilamento do autarca. Um seu aluno, embora adepto dos falangistas, protegeu o professor, conseguindo-lhe um contacto com o cônsul inglês, que, perante as dificuldades de um irmão maçon, lhe garantiu o embarque num cargueiro para Gibraltar, de onde o português partiria para França.
Logo a seguir, retornava a Espanha, para se bater ao lado dos republicanos contra os falangistas, voltando a passar a mesma fronteira na "leva" dos derrotados. Adoeceu no campo de refugiados, mas conseguiu evadir-se dali, acabando por entrar na clandestinidade e aderir à resistência contra a ocupação nazi. O "capitão Hélio", seu nome de código, foi reconhecido como herói gaulês no fim da II Guerra Mundial, sendo integrado na forças armadas francesas com o posto de capitão e condecorado com a Cruz de Combatente Voluntário na Segunda Guerra Mundial. Desde essa época e até ao fim do Estado Novo, fixou-se em França, onde seria um dos professores que introduziram as matemáticas modernas no ensino liceal.
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Regressado a Portugal, foi um dos fundadores do PPD, assumindo mesmo a liderança, em 1975, quando Sá Carneiro se afastou para, depois, regressar em triunfo ao partido - de onde sairia Emídio Guerreiro, que, anos volvidos, dava o seu apoio ao PS. Quando alguém lhe dizia que tinha sido do PSD, lembrava ao DN Vasco Lourenço, nome da Revolução dos Cravos e membro da maçónica Loja 25 de Abril onde ambos pisavam o mesmo "pavimento em mosaico", o velho oposicionista sublinhava "Nunca fui do PSD; fui do PPD." in http://dn.sapo.pt (2005/06/30)











Os bispos portugueses querem as escolas com uma educação sexual controlada. Em nota, a Conferência Episcopal defende o direito de os pais intervirem na definição dos programas e na selecção dos professores que leccionem a disciplina, insurgindo-se contra as metodologias pedagógicas "que excitam a imaginação e exploram sensações de forma manipulatória". http://dn.sapo.pt/2005/06/29/sociedade/educacao_sexual_mais_controlada.html


Este tipo de discurso leva-nos a imaginar o que se poderá passar no interior da "igreja" e dos seminários...
E que pais é que a igreja quer que controlem os professores? Os mesmos que insultam nas estradas portuguesas? Os que cospem no chão? Os que se demitem da função de educadores? Ou aqueles que molestam as próprios filhos e que a maior parte das vezes é a "escola" quem descobre e denúncia um crime que na generalidade dos casos se prolonga anos?
Tirando estas "minudências"(...) as questões que se levantam face à intervenção da igreja são: quanto acabam de vez as interferências absurdas e inaceitáveis da igreja no ensino do estado que é laico? Que aberração é essa de ainda existir uma disciplina de "religião e moral católicas" numa Europa de diferenciação religiosa? Quando é que o Estado assume o dever de definitivamente separar as águas? OE














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