2005/11/25

CONCERTOS PARA VIOLINO E ORQUESTRA DE SHOSTAKOVICH E PROKOFIEV

A generalidade das etiquetas "convencionais" perceberam que tinham que fazer re-edições a preços reduzidos no sentido de equilibrarem a quebra, que se verifica desde há alguns anos, na venda de cd's a "preço forte", preço este que também tem vindo a descer. Ainda que tal abaixamento não se note em Portugal...

Excluindo as re-edições da Brilliant Classics e associadas e as de uma etiqueta produzida nos Eua que re-edita gravações de grandes intérpretes russos, da qual falaremos em breve, as re-edições da série encore da Emi estão entre as que oferecem melhor relação qualidade-preço.

Assim iremos assinalar a re-edição, a um preço de venda ao público que varia entre os 5 e os 6,5 euros, dos concertos para violino de Sergei Prokofiev numa excelente interpretação do violinista Frank Peter Zimmermann, acompanhado pela Berliner Philharmoniker sob batuta de Lorin Mazel. A qualidade sonora do concerto nº1, gravado em 1987, é relativamente fraca, orientando-nos pelos elevados padrões a que a gravação digital nos habitutou. Já o concerto nº2, com a Philharmonia Orchestra dirigida por Mariss Jansons, gravado 1991, assim como a sonata para violino e piano nº2 (com Alexander Lonquich ao piano), curiosamente também gravada em 1987, revelam uma sonoridade de muito melhor qualidade.
Apesar disso a interpretação do concerto nº1 é dotada, como seria de esperar destes intérpretes de eleição, de uma qualidade artística fora-de-série. Zimmermann revela uma elevada uniformidade tímbrica que, com o trabalho de contraste que exigem estes concertos a que o violinista responde com grande intuição, nos dá um resultado caracterizado pelo grande nível técnico-interpretativo.

Claro que podemos sempre comparar o desempenho de Zimmermann com a de Maxim Vengerov, que acompanhado pela London Symphony Orchestra tutelada por Mstislav Rostropovich, gravou os primeiros concertos para violino e orquestra de Prokofiev e de Dimitri Shostakovich para a Teldec no ano de 1994.

Vengerov tem uma sonoridade mais intensa e é um violinista mais expressivo. Zimmermann é um artista mais introvertido e conceptual, ainda que no primeiro andamento do concerto nº2 utilize um vibrato exagerado, por vezes irritante. De resto, no que toca exclusivamente à obra, o segundo concerto para violino de Prokofiev, se comparado com o primeiro, não passa de um fait-divers, de uma obra pouco conseguida.
O início do primeiro concerto de Prokofiev é simplesmente maravilhoso sob os dedos de Maxim Vengerov cuja paleta dinâmica é mais alargada mas mais desiquilibrada, revelando alguma heterogeneidade tímbrica entre os registos agudos e os médios e graves, onde consegue uma sonoridade envolvente e calorosa. Deve ter-se em conta que o instrumento Stradivarius que Vengerov utiliza tem um brilho muito intenso nos agudos o que pode acentuar esse desiquilibrio entre registos que de resto existe um pouco em todos os instrumentos de corda. No terceiro andamento do 1º concerto a dupla Vengerov/Rostropovich consegue re-criar de maneira mais fantástica o carácter onírico, se assim nos podemos exprimir, deste incrível movimento.

Quanto à impressionante obra que é o Concerto para Violino e Orquestra nº1 de Dmitri Shostakovich, a interpretação de Vengerov é fabulosa. Nesta criação de grandes rasgos o sombrio dramático de Nocturne (Moderato) convive com o nervosismo irónico do Scherzo (Allegro), onde o compositor introduz a sua assinatura pelo conhecido motivo ré - mi bemol - do - si, que na notação alemã é d - es -c - h (D. Sch), que o compositor mistura com temas da música tradicional hebraica numa identificação ao destinatário da obra: o grande violinista David Oistrakh. Este andamento introduz também o tema que serve de ostinato à Passacaglia e que é o motivo da violência extraído da ópera Lady Macbeth.
Concerto genial onde a profundidade meditativa da Passacaglia (Andante), que assume o carácter de um Requiem em memória das vítimas do regime, tendo por ostinato o simbólico tema da violência, desemboca na Burlesque (Allegro con brio), onde o ostinato do movimento anterior passa a tema, aqui re-trabalhado com toda ironia e sarcasmo típicos dos andamentos em forma de valsa que Shostakovich utiliza em algumas sinfonias e nos quartetos de cordas. O retomar do motivo da violência adquire aqui, no remate desta grande obra sinfónica com solista, a significativa mensagem de que a violência e a atrocidade tendem a perpetuar-se. Escusado seria dizer-se que esta criação só pôde ser estreada após a morte de Stalin...

Maxim Vengerov e Mstislav Rostropovich conseguem dar-nos uma visão grandiosa e empolgante desta obra de génio supremo, num registo que poderá estar muito próximo de "a referência". Seria altura da Teldec fazer uma re-edição, a preço competitivo, desta magnífica (também pela qualidade sonora) gravação realizada há mais de dez anos. AST
















O avá- guarani, o delegado federal e a justiça da "supremacia branca"

A cena apareceu no telejornal. O delegado federal foi incisivo: "ou você fala português ou não fala". A observação era para o índio avá- guarani, líder de um grupo que há dois meses e meio ocupa seu território ancestral, o Parque Nacional do Iguaçu. O líder avá iria determinar a saída dos avás do parque, cumprindo determinação de um juiz federal.

O líder avá- guarani não falou. Foi humilhante ver o líder de uma nação que já foi grande ser impedido de falar em seu idioma com seu povo. Mesmo que fosse para obedecer a injusta determinação da Justiça da "supremacia branca".

O policial federal e o juiz que determinou a saída dos avás do parque podem alegar que obedeciam as leis. E a lei, feita pela "supremacia branca", determina que o parque não pode ser habitado pelos seus históricos moradores, os avá- guarani. O parque pode ser explorado comercialmente e terceirizado para atrair turistas, de preferência gringos com moeda forte. Isso pode. É a tal parceria público privada que agrada aos paladares neoliberais. É o tal do sr. mercado, outra invenção da "supremacia branca".

Aos avá- guarani resta a miséria e o aniquilamento lento e desesperado na diminuta reserva demarcada para eles. Afinal, sua cultura não "agrega" valores econômicos ao Ibama e à Funai. Muito menos à sociedade mercantilista e cada vez mais insensível que temos. Pobres avá- guarani. Primeiro tomamos sua terra. Agora proibimos sua língua.

Mas tem também os ecologistas. Onde estão eles?. Antes, quando da reabertura da estrada do Colono, foram céleres em defender o fechamento da estrada, mesmo com todo prejuízo social para o confinado sudoeste paranaense que isso representou. Ou será que quando falam em defesa do ambiente não sabem que os índios pertencem ao meio? Será que 16 quilômetros de mata que a estrada corta são mais importantes para os nossos ecologistas que toda uma história da nação avá-guarani.
http://www.scalassara.com.br/lendo_publicacoes.asp?id=707
(23/11/2005 17:25:43)














PROPONEN AL GUARANÍ COMO SEGUNDO IDIOMA DE MISIONES
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A través de una iniciativa parlamentaria la diputada del PJ, Blanca Acosta, pretende establecer al Guaraní como “Idioma Oficial Alternativo” de la provincia de Misiones. Quieren incorporar su enseñanza en todos los niveles del sistema educativo. Entre otras cosas, el proyecto de Acosta apunta a crear un “Órgano Permanente de Rescate y Revalorización de la Cultura Guaraní”, y promover la capacitación de docentes en este idioma, a través del Ministerio de Cultura y Educación. Pero la idea ya tuvo críticos, la secretaria general de la UDPM (mayor gremio docente de Misiones), Marilú Leverberg, dijo que primero hay que fortalecer el castellano.

Para la diputada “la lengua guaraní, heredada de la etnia autóctona precolombina, resistió a los años de conquista y se mantuvo viva en casi todo el territorio de la provincia. Es un patrimonio cultural que, por ser parte de la identidad del pueblo misionero, debe ser protegido y promocionado”.

Hoy en día el idioma Guaraní es hablado por aproximadamente seis millones de personas, principalmente en Paraguay, Bolivia, Brasil y Argentina.
http://www.ellibertadorenlinea.com.ar/paginas_moviles/pol_local/440.htm

















DO MERCADO LIVRE

As editoras discográficas querem ganhar dinheiro. Nenhuma delas é uma associação filantrópica, por mais que digam que só lhes interessa a "arte". Todos sabemos bem disso. No caso dos cd's o que impressiona é o descalabro entre o custo real e o preço ao público. Um pouco como os desiquilibrados e esquizofrénicos valores do imobiliário em Portugal, país periférico, onde se praticam preços da habitação idênticos ou superiores aos praticados no centro da Europa e em países onde o salário mínimo é três ou quatro vezes superior ao português. Trata-se do "mercado livre", em versão portuguesa, no seu esplendor máximo.
No caso dos compact disc's a revolução da Brilliant Classics foi demonstrar que com preços de venda ao público de 3 ou 3,5 euros por cd uma editora pode gerar lucros. E este é um dado irreversível.
É evidente que todas as esquizofrenias são possiveis. Até foi possivel, em Portugal, editar-se e vender-se ao "preço forte", com a chancela de uma conhecida casa internacional (emi), os "quadros" de um pianista que não consegue tocar uma escala correctamente. O problema é mais da editora que do pianista, pois ela, editora, demonstrou-nos, desta forma, que pensa estritamente nas vendas sem salvaguardar o mínimo de qualidade artística. Mas o mais interessante foi ver aquele registo inenarrável ser louvado por toda a "imprensa-referência" portuguesa. Claro que isto são "coisas à portuguesa" que não interferem, minimamente, com o fluir dos acontecimentos no mundo. Felizmente. AST
















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