2005/04/02

PROKOFIEV POR TORADZE

Acompanhado pela orquestra Gulbenkian que sob direcção de Bertrand de Billy lá fez fez o que pôde, Alexander Toradze interpretou o concerto para piano e orquestra nº3 de Prokofiev.

Alexander Toradze, fazendo justiça à fama que ganhou como um dos grandes intérpretes actuais do compositor russo, ofereceu-nos um autêntico show de sonoridades, ambiências, dinâmicas e contrastes ritmícos a que esta fantástica obra, que em nosso entender é uma das mais interessantes escritas para piano e orquestra, se presta.

Toradze gravou recentemente a integral dos concertos para piano de Prokofiev com a Orquestra do Kirov dirigida pelo grande Valery Gregiev, gravação saudada em todo o mundo como uma das referências discográficas para estes concertos. Para alguns "a referência", o que me leva a aconselhar muita precaução pois existem várias gravações por grandes pianistas e o registo deste 3º concerto por Martha Argerich é algo muito especial. Todos sabemos que sempre que há uma novidade discográfica surgem os "críticos de serviço" a falar em referência. Normal: faz parte da estratégia do mercado dos discos. Nesse mesmo cd, onde também é tocado o 3º de Bartók, Martha Argerich interpreta o 1º concerto do compositor russo de uma maneira simplesmente deslumbrante. Para além de tudo não nos podemos esquecer que a naxos tem o registo do 3º concerto tocado pelo próprio Prokofiev que era também um grande pianista. Na realidade se se falar de "a referência" para este concerto só pode ser seguramente esta fabulosa interpretação pelo próprio.

Comparações à parte, Toradze é um bom pianista que num dos dias nos ofereceu como encore uma muito personalizada (e discutível...) sonata de Scarllati e uma fulgurante (mas algo "amassada") interpretação do último andamento da 7ª sonata de Prokofiev. No dia seguinte (sexta-feira), Toradze ofereceu-nos outra peça de Prokofiev onde foi de novo mestre nos ambientes sonoros, assim como uma peça de Liszt (a 1ª consolação que pequenas nuances harmónicas à parte "é Chopin"). Aí Toradze revelou-se um mestre nas dinâmicas extremas dos pianíssimos. O limiar entre o audível e o inaudível. Ast









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