2005/04/22

SINFONIA VARSÓVIA, DUMAY E CONCERTO KÖLN


Se as Vinte e seis Variações sobre La Folia di Spagna de Salieri foram o "fait-divers" do concerto da Sinfonia Varsóvia não deixaram por isso de mostrar uma orquestra excelente e coesa com um óptimo concertino que desempenhou com falhas desprezíveis o dificil sólo que esta peça lhe reserva.
Mas foi na 5ª Sinfonia de Van Beethoven que a orquestra hipnotisou uma sala totalmeente cheia que aplaudiu estrondosamente no final. Impressionantes as duas trompas, o oboé e o clarinete. O fagote nem por isso mas as cordas são invejáveis. Os trombones foram emprestados: Hugo Assunção e companhia da orquestra Sinfónica Portuguesa desempenharam com valor o papel que lhes foi confiado. Um grande momento com pequenas falhas que no contexto global são irrelevantes. Peter Csaba, o maestro, foi eficaz.

A mesma orquestra com o mesmo director interpretaram o concerto para violino do mesmo compositor com o célebre Augustin Dumay como solista. No início descoordenados (devem ter tido um curto ensaio antes do concerto...) mas conseguiram entender-se e oferecer uma boa interpretação com desafinações muito pontuais do solista que no entanto é dono de uma sonoridade única. No terceiro andamento Dumay conseguiu momentos memoráveis apesar de quebras esporádicas.


No último dia da "festa" logo de manhã, este mesmo agrupamento interpretou a 3ª Sinfonia de Beethoven. Uma leitura muito boa onde a orquestra demonstrou a excelência de todos os naipes (os fagotes estiveram melhor) e Csaba mostrou ser pelo menos capaz de dirigir correctamente um agrupamento com um nível de excepção. Poderia ser diferente com outro chefe de orquestra mas o que nos foi oferecido foi de muito grande qualidade.


Em instrumentos da época e sem maestro o famoso Concerto Köln, no primeiro dia, interpretou três andamentos da sinfonia nº6 de Jan Willem Wilms (1772-1847) onde o impto romântico é uma evidência e que teve uma espectacular leitura por parte deste agrupamento que é talvez o melhor do mundo em instrumentos da época. Afinações perfeitas, controles dinâmicos impressionantes o que nem sempre é evidente nos instrumentos antigos e uma coordenação (sem director. Mas atenção que antes de Beethoven era o concertino ou o solista, no caso de concertos, que dirigia a orquestra) impressionante fazem-me eleger este concerto como o melhor deste 1º dia da Festa da Música. Foi também interpretado o Andante com moto da sinfonia op.33 de Anton Eberl, sendo a leitura igualmeente excelentee. Finalmente no primeiro andamento da 3ª de Beethoven (em meu entender foi uma interpretação excessivamente rápida. No entanto devo ressalvar que é este o andamento que Beethoven indica na partitura. Raramente os intérpretes optam por esta velocidade de leitura que pode impedir nuances expressivas) o concerto Köln mostrou porque é que durante anos e anos se tem mantido como uma das grandes referências nas interpretações "antigas". Ast








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