2005/04/24

TERCEIRO E ÚLTIMO DIA


Como já foi abaixo referido este domingo começou com a Heróica de Beethoven numa excelente interpretação da Sinfonia Varsóvia.
O Quarteto Prazák fez uma interpretação paradigmática do quarteto nº 11, 0p.95. Este quarteto possui um elevadíssimo nível e entre os quartetos de cordas presentes foi de longe o melhor. No outro extremo, o Quarteto Aviv deu-nos uma leitura mediocre da mesma obra. Má sonoridade, desafinações, brutalidade e falta de subtileza foi a "imagem de marca" deste agrupamento. Para esquecer.

Para relembrar foi a interpretação do concerto nº 5 do grande Ludwig tendo como solista Boris Berezovsky no piano, acompanhado pela Orquestra Filarmónica de Varsóvia dirigida por Antoni Wit. Berezovsky no seu estilo rápido e potente deu-nos uma leitura fulminantee desta obra grandiosa, acompanhado por uma boa orquestra dirigida por um grande maestro. As falhas do pianista foram irrelevantes num contexto de grande música.

A Festa da Música finalizou não como estava previsto com Variações Diabelli de Beethoven por Boris Berezovsky no piano mas com o trio op. 97 "Arquiduque" do compositor, numa fantástica interpretação de Dimitri Makhtin (violino), Alexander Kniazev (violoncelo) e o mesmo Berezovsky ao piano. Sobretudo no terceiro andamento a poesia fez música e os artistas ofereceram-nos momentos de genialidade. No entanto nas partes em que as cordas têm uma função de acompanhamento, continuaram a tocar como se tivessem a linha melódica condutora, escondendo as subtilezas melódicas que aconteciam no piano. Aconteceu sobretudo com o violoncelista que, diga-se de passagem, é um grande músico mas talvez tenha alguma dificuldade em fazer música de câmara onde todos os instrumentos têm os seus momentos de "brilho".



Excluindo como seria de prever a execução das sonatas para piano, pois pianistas de génio escassearam nesta festa, o balanço geral é positivo. As minhas escolhas pessoais estão feitas. São as mesmas que poderão ler mais abaixo. Quanto ás sinfonias de Beethoven, apesar da ausência de orquestras sinfónicas de primeiro plano, a Sinfonia Varsóvia (que não é um agrupamento sinfónico) teve um excelente desempenho. A Orquestra Filarmónica de Varsóvia também esteve bastante bem. Foi pena que agrupamentos como o Concerto Köln e o Colegium Cartusianum de Peter Neumann não tivessem sido solicitados para uma integral dessas sinfonias. Isso seria seguramente algo de muito especial.

Quanto ás futuras Festas da Música o governo tem de acautelar desde já uma descentralização progressiva dos concertos. Se é verdade que o público lisboeta acorreu em massa também é evidente que este acontecimento é pago por todos os portugueses que não fogem ao pagamento dos impostos. E que por consequência têm direito a participar deste evento. Ast










e-mail: criticademusicaATyahooPUNTOfr