2005/10/08

6ª FESTA DO CINEMA FRANCÊS

Com a presença do realizador Costa Gavras e do actor José Garcia, esta 6ª edição inaugurou com a ante-estreia portuguesa do filme LE COUPERET.

Uma prespectivação sintomática sobre os tempos que correm. Entre ficção e realidade o limite é tão tangencial que frequentemente a primeira ultrapassa, em absurdo e atrocidade, a segunda. Face ao trabalho de Gavras questionamo-nos se aquilo poderia, poderá, acontecer: um técnico especializado, vítima da "deslocalização", elimina, um após outro, os colegas da sua área profissional, definindo-os como "pior que inimigos".

O alvo não são os decisores que o colocaram no desemprego mas os "seus iguais" que se tornaram "pior que inimigos". São concorrentes aos escassos cargos (afinal só deseja um: "la créme-de-la créme" das empresas daquele sector) a que ele postula. Mata-os para se salvar da própria aniquilação pois sem trabalho, trabalho na sua especialidade, no "top" da sua especialidade, será simplesmente o "nada"...

E consegue. Com persistência e lavor... Uma patética persistência, pateticamente êxitosa.

O seu antecessor, pouco antes de uma morte inglória, disse algo do género: eles não percebem nada. Arruinam os compradores, deixando-os no desemprego. Depois a quem vão vender o que produzem? Aos checos, aos polacos?
Para onde deslocarizaram e aos quais pagam ninharias...
Sintomático. Será que "eles" não pensaram nisto? Esqueceram um tão simples exercício de reflexão lógico-não-filosófica?

Mas para Bruno, o protagonista, já nada interessava para além de aniquilar o concorrente. O seu "comprimento de onda" era o mesmo do "deles". Reflexões à parte interessava era eliminar o "pior-que-inimigo". Esqueceu-se, aparentemente, que poderia não ser o único...

Uma interessante trágico-comédia que estimula o pensamento. AST















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