2010/03/17

Os exóticos

Quando comecei a ler sobre o professor que se suicidou dei logo com os habituais estereótipos que os broncos portugueses, velhos e novos, usam para estigmatizar o que é diferente deles e dos seus modelos comportamentais: é "muito calado" e sobretudo o transgeracional-portuguesíssimo "é esquesito".

Obviamente não vou falar aqui de como os portugueses são vistos noutros países mas vou somente assinalar como o sistema de ensino em Portugal falhou alguns dos objectivos elementares (porque de "competitividade" estamos mais que conversados) que se pretendem de um "sistema de ensino".

Quando ouvimos jovens a dizer "é esquesito", referindo-se a um professor mais "introvertido", verificamos que apesar de Portugal estar há 30 anos na UE (ou apoiado pela UE), nada de substancial se alterou desde os tempos do Salazar em que os estrangeiros eram vistos como "esquesitos", unicamente tolerados (desejados e adulados) porque significavam dinheiro e a vinda mulheres bonitas e "abertas", para os esfomeados e desesperados portugueses, que no entanto - apesar do contacto com os e as estrangeiras - não alteraram a sua patética patologia de animais possessivos e ciumentos, frequentemente agressivos e violentos.

Por outro lado, ser-se "introvertido", num lugar habitado por broncos, só poderia mesmo ter uma conotação negativa: a normalidade é ser-se palerma e barulhento, sem qualquer capacidade reflexiva ou densidade de análise.

Decididamente, quem é "esquesito", e muito, é este lugar exótico chamado Portugal, mais os nativos...


No país do fantástico

Os alunos da Escola Básica 2,3 Almeida Garrett, em Alfragide (Amadora), tiveram ontem um final de tarde assustador, com um esfaqueamento entre dois colegas e um assalto mesmo à porta do estabelecimento.

Pouco passava das 16h00 quando dois alunos se envolveram numa acesa troca de palavras. De acordo com o relato de colegas que testemunharam a situação, G., de 14 anos, levou uma faca para a escola e, por diversas situações, exibiu-a aos companheiros. À saída da escola, G. voltou a fazer o mesmo, mas não contava com a reacção de L., de 16, que o esbofeteou. Armado, G. não hesitou e acabou por desferir três golpes ao colega. Segundo o CM apurou, L. foi assistido no Hospital Amadora-Sintra e já recebeu alta. Ao final da tarde, G. já estava referenciado pelas autoridades. A pedido da escola, foi realizada uma acção policial no bairro Cova da Moura, local de residência do jovem.

Os alunos da EB 2,3 Almeida Garrett ainda não estavam refeitos da situação quando um casal, com idades entre os 25 e os 30 anos, abordou um grupo de jovens, roubando-lhes os telemóveis. correiodamanha.pt, 17 Março 2010 - 00h30


Ia tomar uma rica banhoca* e (teve azar) escorregou...

As investigações do Ministério Público sobre o desaparecimento de Leandro devem concluir que a criança de 12 anos não se queria suicidar no rio Tua, em Mirandela, mas sim que tudo se ficou a dever a um acidente.

O DN apurou junto de fonte policial que dos nove alunos que acompanharam o Leandro até às margens do rio, apenas dois - os primos Ricardo e Christian - afirmaram que ele se queria suicidar.

Os restantes seis desmentem esta versão, adiantando uma série de procedimentos que a comprovam: a criança despiu-se calmamente junto a uma mesa de pedra do parque de merendas, colocou ali a sua roupa devidamente dobrada e, de roupa interior, aproximou-se da margem colocando na água primeiro um dos pés para verificar a temperatura.

* nas águas geladas do Tua

Nota: já agora uma pergunta estúpida (e algo inconveniente): porque é que os nove (ou oito?) colegas que acompanharam o Leandro não impediram o acto insane de se meter num rio quase gelado (se não morresse afogado morreria seguramente de frio)?

Nota 2: o professor que caiu da ponte 25 de Abril ia ver as belas vistas e (grande azar) escorregou... Ha! Não! Não foi assim (parece que escreveu uns textos explicando porque se ia suicidar)... Afinal suicidou-se (porque era um fraco, só pode!).

Nota 3: obviamente que as mortes "sem uma causa definida" se devem todas, todinhas, a "causas naturais" (absolutamente naturais no "país do fantástico"...): "Segundo o INE, mais uma vez, a taxa deste tipo de mortalidade sem uma causa definida em 2008 ascende aos 64,5 por cem mil habitantes, enquanto, no mesmo exercício estatístico, os suicídios se ficam pelos 7,9 por 100 mil habitantes. publico.pt, 15.03.2010 - 07:35"

Nota 4: estamos a falar (na nota 3) de 64,5 mortes "sem uma causa definida" (se o professor se tivesse suicidado sem deixar uma nota a explicar porque se ia suicidar a sua morte seria considerada "sem uma causa definida", pois poderia simplesmente ter escorregado e caido ao rio), mais 7,9 devido a suicídio, cada ano, por cada cem mil habitantes! É só fazer as contas...


É chato quando quem paga vem estragar a festa*

A chanceler alemã, Angela Merkel, admitiu hoje que um país europeu seja obrigado, em último recurso, a sair da zona euro se, “repetidamente, não cumprir as condições” necessárias para se manter na moeda única.

A chefe do Governo alemão vem assim enfatizar as declarações do seu ministro das Finanças, que, na semana passada, num artigo de opinião no Financial Times, tinha defendido esta ideia.

O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schauble, tinha defendido na semana passada a saída da zona euro dos países que não consigam consolidar as finanças públicas ou reestruturar a economia, num artigo publicado no Financial Times.

“Se um país membro da zona euro, no limite, não conseguir consolidar o seu orçamento ou restaurar a sua competitividade, este país, deve, como solução de último recurso, sair da zona euro, embora mantendo-se como membro da União Europeia”, escreve o ministro das Finanças, num artigo em que é analisada a situação das finanças públicas gregas. publico.pt, 17.03.2010 - 10:05 (Lusa)

* da "normalidade"...

Nota: remetamo-nos a uma curiosa passagem que refere a "competitividade" de Portugal: "En revanche, l'économie portugaise n'est pas assez compétitive.» Le pays cumule plusieurs handicaps : manque de productivité, secteurs à faible valeur ajoutée, formation insuffisante, natalité en déclin…" in lefigaro.fr, 12/03/2010, Mise à jour: 21:46

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