2010/03/25

Nós e as agências

Um dia escutei estupefacto um economista e professor universitário dizer "a Alemanha não nos deixará cair". Habituado que estou a ouvir as maiores parvoíces da boca dos portugueses, não pûde deixar de me surpreender ao escutar um professor catedrático expressar publicamente (seguramente com os alunos a ouvi-lo) semelhante imbecilidade.

Actualmente parece que a Alemanha não só nos deixaria "cair" como eventualmente pode deixar cair a própria UE.

As "agências" que baixaram Portugal para AA-, ou equiparado, enfatizam o facto dos dois principais partidos não se entenderem, ignorando que o problema estrutural de Portugal é a má formação básica dos seus cidadãos. Portugal até poderá resolver no curto prazo o problema derivado da avaliação das agências. O que Portugal não vai resolver é o seu problema crónico e estrutural de falta de "produtividade" e falta de "competitividade", derivado da má formação básica e geral dos seus cidadãos. A longo prazo é a própria viabilidade do país que estará em causa. Claro que no curto prazo ninguém se interessará por estas "complexidades", desde que se vão conseguindo resolver (ainda que ilusoriamente) os problemas mais imediatos.

Sem ser sequer votante do PSD atrevo-me a dizer que Paulo Rangel é o único dos candidatos a líder do PSD que percepcionou de alguma maneira o buraco em que Portugal está metido e no qual se afunda cada dia que passa. É verdade que não apresenta grandes soluções (e que as apresenta?). A dimensão do problema e a sua verbalização transcende o quadro de um discurso eleitoralmente rentável. Mas compreender a gravidade da situação já é um muito bom começo. Os outros candidatos reduzem-se ao discurso do "politicamente correcto". Discurso esse que tem sido levado à prática, nomeadamente na educação, e conduziu Portugal ao estado em que se encontra.

Portugal transformou-se num país de "veteranos" (aqueles imbecis que gozam e humilham os "caloiros"). Parte substancial desses "veteranos" só serviu para dar despesa ao país nas universidades públicas onde conseguiram o diploma, uma vez que a respectiva formação universitária não lhes servirá, nem a eles nem ao país que lhes pagou o curso, rigorosamente para nada. Também aqui Paulo Rangel esteve bem: se o ensino profissionalizante existe na Alemanha, em França e na Escandinávia, porque raio de estúpida portuguesada não há-de existir em Portugal?! É melhor termos mecânicos de automóveis vigaristas que trabalham a "olho" mas fazem-se pagar ao minuto? É melhor ter-se de mendigar para se conseguir um canalizador que eventualmente deixará o trabalho com defeitos? Os restaurantes! Os portugueses "empresários" ou são construtores ou restauradores. Coisas que não necessitam, à partida, grande formação ou inteligência, e em Portugal são áreas literalmente "liberalizadas"... Mas a maioria desses "empresários" da restauração não conhece o básico, o mais elementar, da higiene e da segurança alimentar! Depois reagem mal quando se pede um livro de reclamações...

Se eu fosse do PSD não teria a mínima dúvida em escolher Rangel: não porque tem "tendências de esquerda" mas, para além do que acima enunciei, porque não saiu dessas máquinas de fazer políticos de plástico desligados da realidade dramática do país que são as juventudes partidárias.

Nota: não é que o meu apoio contasse muito, mas depois de saber isto esse apoio deixa de existir. Mas não andem com muito alarido porque o PC (Passos Coelho) também lá irá (como foi o Sousa). A não ser que lhe façam a tremenda desfeita de não o convidarem...

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