2007/11/24

O ensino

Platão pretendeu ser pedagogo porque pensava que o ensino molda os homens. Se a República é a proposta de uma aberração eugénica, a ideia base está correcta. O ensino universitário tem de se submeter às mais elevadas exigências cientíticas e aos mais bem qualificados padrões internacionais. Já o ensino básico é o espaço (físico e temporal) onde se formam e estruturam os futuros cidadãos. O presente dos países resulta de aquilo que o ensino básico de cada país foi capaz de produzir. O futuro, em um mundo cada vez mais globalizado (passe o chavão), dependerá ainda mais da eficácia dos sistemas de ensino geral e elementar (designados como "básico" em Portugal), que criam e imprimem uma dinâmica que se vai extender directamente nos ensinos secundário e profissional. Como as universidades aparecem na sequência do ensino secundário estão implicadas e dependentes de aquilo que se passa na formação básica. Sequeira Costa tinha toda a razão quando afirmou que tudo reside na formação básica. Não só na música mas em tudo.

Todo o ciclo do ensino básico é o momento de crescimento mais determinante, após a relação com os pais, para a formação do futuro cidadão. Aí acontecerá a sedimentação de padrões comportamentais que perdurarão. Por outro lado, e isto Platão já não disse, a figura do professor pode ser substituta ou concomitante à do pai simbólico. Este aspecto é particularmente relevante nas chamadas famílias "desestruturadas". A ausência de pai "castrador" é normalmente mais grave que a presença de um pai autoritário porque deixa o caminho livre à estruturação de uma personalidade perversa. O pai autoritário é o fundamento da estrutura do neurótico mas não há notícia de neuróticos comuns andarem a violar, a assassinar, ou simplesmente usarem e servirem-se dos outros por sistema. Se não há ninguém que diga "isto não podes e não vais fazer porque prejudica aquela pessoa" está escancarada a porta para o crescimento de um futuro perverso. Basicamente o perverso vê as pessoas unicamente como objectos de gozo sendo a perversão uma estrutura psíquica que se sedimenta na infância, como todas as outras. A questão do bullying nas escolas do ensino básico é particularmente grave pois este comportamento pode ser a base de todas as redes de corrupção no futuro: um chefe que se impõe pela força sendo seguido acriticamente pela "massa", servindo-se dos mais fracos, que humilha, para impôr o seu "carisma". A "massa" passa a fazer das vítimas escolhidas pelo chefe alvos dos seus impulsos sádicos, coisa que lhes satisfaz e reforça o "ego" sendo concomitantemente uma maneira de bajularem o "boss". Estamos ao nível daquilo que de mais primitivo existe na natureza humana. Estamos no grau zero de aquilo que sustentou todo o género de atrocidades praticadas pelo homem ao longo da sua relativamente curta mas terrivelmente trágica história. As direcções das escolas que não saibam identificar as formas de bullying praticadas sobre professores e alunos são no mínimo incompetentes (em vez de falarem nas faltas dos primeiros seria interessante se fôsse feito um estudo, sério, sobre as depressões entre os professores do ensino básico em Portugal e respectivas causas). Aquelas que tendo conhecimento de casos de bullying os ignoram, ou agem como se nada de grave estivesse a acontecer, são simplesmente criminosas. Duplamente criminosas: primeiro, estão a participar numa espiral em que jovens se estruturam para serem futuros corruptos e criminosos; segundo, estão a participar, por omissão, num acto de violação da dignidade humana dos professores e alunos que são vítimas de bullying. Triplamente criminosas quando sabem que determinados professores ficam deprimidos (e obviamente faltam) devido a serem alvos de bullying e depois penalizam, ou permitem que tal aconteça, esses "docentes" devido ao seu elevado número de faltas e (muito cinicamente) acusam-os de não terem "pedagogia" para lidarem com essas situações. O mesmo em relação aos alunos que faltam com mêdo de serem insultados e até agredidos pelos colegas, alunos esses que são vítimas e não podem ser penalizados (mais penalizados...) pelas faltas que dão. Se o ministério da educação (estamos a falar de Portugal) e os seus organismos intermédios, as direcções regionais, em vez de analisarem devidamente o que deprime os professores que faltam sistematicamente por motivos "psíquicos", os penalizarem, estarão a colaborar em situações criminosas que acabarão por ser denunciadas internacionalmente e envergonharão ainda mais o país. Cabe ao governo mandar especialistas, autónomos e independentes das direcções das escolas, identificarem devidamente os casos de bullying para seguidamente tomar medidas adequadas, tanto em relação às vítimas como em relação aos agressores, cúmplices e responsáveis que substimaram as situações ou não agiram adequadamente. É fundamental criarem-se mais escolas especializadas, regulares e profissionalizantes, para onde deverão ser encaminhados os alunos que agridem verbal ou fisicamente e aqueles que por sistema impedem o bom funcionamento das aulas. Fazer luz e corrigir definitivamente as situações de bullying, agressão e indisciplina é elementar para que o sistema educativo em Portugal possa avançar e produzir resultados que possibilitem um futuro digno para o país. AST


Afinal é mesmo tudo relativo...

O vice-reitor da Universidade de Coimbra (UC) Pedro Saraiva congratulou-se com o facto de a instituição ser considerada a melhor a nível nacional no "ranking" mundial THES-QS, publicado pelo "The Times". "É o reconhecimento do esforço desenvolvido sermos, pela segunda vez consecutiva, a universidade mais cotada do universo nacional", disse o catedrático à agência Lusa.

Relativo a 2007, o "ranking" THES-QS, divulgado recentemente pelo Times Higher Education Supplement, coloca a UC como a quarta melhor universidade da Península Ibérica e a terceira melhor do mundo lusófono.

Na classificação de 2006, a Universidade de Coimbra foi considerada também a melhor dos países de língua portuguesa, sendo ultrapassada este ano pelas congéneres brasileiras de São Paulo e Campinas.

Pedro Saraiva desvaloriza esta descida, atribuindo-a a alterações nos critérios de avaliação.

Universidades do mundo anglo-saxónico estão no topo do THES-QS World Universities Rankings 2007, arrebatando os 16 primeiros lugares da classificação, com Harvard (EUA), Cambridge (Reino Unido), Yale (EUA) e Oxford (Reino Unido) à cabeça.

No ranking de 500 instituições, a UC surge na 319 posição, seguida da Universidade Nova de Lisboa (no 341 lugar) e da Católica.

Em termos europeus, a mais antiga universidade portuguesa ocupa a 153ª posição." in http://sic.sapo.pt (Publicação: 24-11-2007 20:59)

Se aparecer em 319º lugar é motivo de festejo... Dentro do "top 200" (as melhores 200) estão a Universidade de São Paulo e a Universidade de Campinas. A Universidade de Barcelona é a melhor da Península Ibérica, ocupando o 194º lugar. A última do "top 200", onde nunca constou nenhuma universidade portuguesa, é a sul-africana de Cape Town.


LAR DE PAULO R. FECHA POR CAUSA DOS MÉDIA

A Casa Pia fechou o Lar Cruz Filipe, local onde trabalhava o educador Paulo R. e estava internado o jovem de 14 anos que diz ter sido sido abusado no ateliê dos escultores Carlos Amado e Lagoa Henriques, em Junho passado, durante uma festa de São João.

Contactada pelo CM, a directora da Casa Pia, Joaquina Madeira, confirmou o encerramento. “Os jovens foram muito perturbados por alguns órgãos de comunicação social. Foi exactamente por isso que fechou.”

Segundo soube o CM, há mais de ano e meio que a decisão de fechar o Cruz Filipe tinha sido determinada, por este não oferecer, entre outras, condições de segurança para as crianças ali internadas. No entanto, só no passado dia 15 fechou portas, já depois de Joaquina Madeira saber do caso, que envolve o educador Paulo R. Os dez jovens que estavam no Lar Cruz Filipe foram transferidos para o Colégio de Santa Catarina.

VÍTIMA PRESTA DEPOIAMENTO CONSISTENTE NO DIAP

O jovem de 14 anos que disse ao semanário ‘Sol’ ter sido abusado no ateliê dos escultores Carlos Amado e Lagoa Henriques, em Lisboa, prestou um “depoimento consistente” no Departamento de Investigação e Acção Penal.

Segundo apurou o CM, José (nome fictício), de 14 anos, confirmou que foi abusado sexualmente durante uma festa de São João, em Junho, patrocinada por Carlos Amado e Lagoa Henriques, em que estiveram, entre outros, o musicólogo Rui Vieira Nery, que chegou a fazer parte de um governo liderado por António Guterres, de que também faziam parte Paulo Pedroso e Ferro Rodrigues.
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PROTECTORES

Maria Augusta Amaral

A antiga directora do Instituto Jacob Rodrigues Pereira é conhecida na Casa Pia por ter desvalorizado os abusos sexuais de que foram alvo a maioria dos alunos e alunas surdos-mudos do instituto. Quando o pedopsiquiatra Pedro Strecht falou dessa situação, Augusta Amaral tentou que a provedora Catalina Pestana o desmentisse. Não conseguiu.

Amândio Coutinho

O assessor de Maria Augusta Amaral sempre esteve contra Catalina Pestana e tentou tudo para travar a reestruturação da Casa Pia. Catalina pediu a Augusta Amaral que o afastasse mas Coutinho permaneceu no cargo, embora sem receber a remuneração-extra a que tinha direito. Com Joaquina Madeira na Casa Pia, voltou a receber essa remuneração. in www.correiodamanha.pt (2007-11-24)


Viva a Austrália!

O novo primeiro-ministro autraliano, eleito hoje, prometeu retirar os soldados australianos do Iraque e, note-se bem, assinar o Tratado de Quioto.


Viva a Irlanda!

A Irlanda decidiu enviar forças para o Darfur, demonstrando ser muito mais que um mero "milagre económico".


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