2008/04/28

Ainda o insucesso

Três em cada dez alunos das licenciaturas não conseguem completar o curso dentro do tempo normal, isto é, sem chumbar ou perder o ano por qualquer motivo. O grau global de sucesso no Ensino Superior português tem subido e situava-se, em 2005/06, nos 67,6%. Ou seja, havia um grau de insucesso de 32,4%. Segundo Luís Reis Torgal, coordenador do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra, “o facilitismo de Bolonha vai contribuir para elevar ainda mais o grau de sucesso nos próximos anos”.
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Se pensarmos que a Mariano Gago é assacada a responsabilidade (in)directa pela indicação de MLR para a Educação, é de esperar que as afinidades intelectuais existam - desde os velhos tempos do anarquismo anti-sistémico - e assim seja colocada em prática uma reforma profunda do Ensino Superior, para além da já existente bolonhização que tornou a licenciatura como uma espécie de Secundário Superior e uma espécie de Mestrados como o patamar mínimo de qualificação.

Deste modo sugere-se que seja revisto o Estatuto dos docentes do Ensino Superior, que a progressão na carreira seja indexada ao sucesso dos seus alunos, que sejam implementadas aulas de substituição e actividades de enriquecimento curricular como módulos em «Inglês Algarvio», sobre «As TIC aplicadas ao online dating», não esquecendo ainda uma «Introdução às Ciências Anatómicas na Perspectiva do Utilizador Lúdico» ou mesmo acerca «Da Moral Kantiana Como Impossibilidade De Conhecer o Verdadeiro Tu». in educar.wordpress.com (Abril 27, 2008)

Evidentemente que o Ensino Superior é o culpado, ou um dos principais culpados, pelo "estado de bovinidade" que reina em Portugal, e que os docentes desse nível de ensino deveriam ser avaliados de forma séria e independente, pois são eles que formam os futuros "quadros" e governantes. Olhe-se bem para o estado do país e já se pode fazer uma avaliação "tout-court" do ensino superior em Portugal. No entanto, sem exigência, respeito pelos professores e colegas, e hábitos de trabalho (exactamente o oposto do que está a ser feito pelo governo), no ensino básico, o ensino superior não poderá fugir à mediocratização plena e generalizada. Assim sendo nada melhor que bolonhizar as universidades... Como acontece nalgumas escolas superiores e em alguns muy peculiares departamentos de universidades. Portugal talvez acabe absorvido não se sabe por quem, mas isso não preocupa a Europa. Nem o mundo. Nem os portugueses...


O outro mundo

Finlândia - o país dos professores...

Decidem o que ensinam, como ensinam, a quem e a que ritmo. Têm tanta liberdade como preparação. São os professores da Finlândia, venerados por toda a sociedade e uma peça chave para que o seu país lidere, desde finais dos anos noventa, a lista educativa da OCDE, mais conhecida como Relatório Pisa. "Fazemos a escola que queremos. Dependemos de nós mesmos. É maravilhoso." Conta Eine Liinanki, professora da escola primária no Arábia, uma das 200 escolas de Helsínquia.

São nove da manhã e na sala de professores do Arábia toma-se café, lê-se a imprensa e conversa-se sobre os planos do dia. Os colegas de Liinanki não ficam atrás em elogios a um sistema educacional dominado pelas escolas públicas - mais de 90% - e que não se caracteriza por ter muitos alunos brilhantes, mas por ter um número muito baixo de fracassos escolares. Segundo dados de 2001, a Finlândia dedicou à educação 6,25% do PIB.

O Conselho Nacional de Educação da Finlândia, um organismo dependente do ministério, é encarregado de elaborar os conteúdos mínimos que depois os professores, todos com formação universitária e a maioria com um master no seu currículo, desenvolverão segundo os seus critérios."Damos-lhes muita liberdade e isso é fundamental para a motivação do professorado. É verdade que os professores não estão muito bem pagos, mas gozam de um grande reconhecimento social", explica Reijo Laukkanen, do Conselho Nacional. Um professor da escola primária na Finlândia recebe cerca de 25% menos que um colega seu espanhol, segundo os dados da OCDE. Mas os professores estão conscientes do seu papel como motor fundamental da sociedade finlandesa. Por isso, há disputas para entrar na escola de Pedagogia e para obter um lugar como professor.

Mas, que faz com que num país a educação se transforme no eixo sobre o qual gira a sociedade? Que leva um país a venerar os seus professores? "É uma questão de cultura, de reconhecimento histórico", indica Jari Jokinen, que representa o seu país na UE, "a Finlândia foi o segundo país do mundo, e o primeiro da Europa, a permitir o voto das mulheres. As mulheres sempre tiveram muito claro que os seus filhos teriam uma vida melhor se estudassem e elas próprias incentivaram a participação na vida pública para que o nível educativo seja alto na Finlândia". Outro dos argumentos que se ouve nos círculos educativos aponta o nacionalismo do século XX. Helsínquia, desejosa de desfazer-se do domínio sueco e russo, apostou na educação e na aprendizagem do finlandês como ferramenta para a emancipação cultural. Foi então que se criaram as escolas públicas.

Toca a campainha no Arábia e os professores vão para as salas. Os alunos - todos descalços - perguntam sem complexos quem é aquela visita que ali está. A relação com os crescidos é muito fluente e os alunos fazem gala de uma saudável segurança em si mesmos. Um grupo de 15 e 16 alunos tem na primeira hora da manhã aula de Sueco, língua oficial que é falada por 6% da população. Na aula, Justus Mollberg, vestido ao mais puro estilo da moda londrina, aborrece-se. Levanta-se no meio da lição e fala em inglês fluído. "Não gosto do sueco, porque é obrigatório". "Está muito bem e aprecio a tua sinceridade", responde-lhe a professora. A aula de Mollberg tem 16 alunos, o número máximo permitido. in emdefesadaescolapublica.blogspot.com, 22 de Abril de 2008, 15:49

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