2008/06/02

Portugal do TGV

O primeiro-ministro, José Sócrates, avançou hoje que o concurso público para o troço da rede de comboio de alta velocidade (TGV) Lisboa-Poceirão, que incluirá a terceira travessia sobre o Tejo, será lançado "este ano", enquadrado na prioridade de ligação à Europa.

"Lisboa-Madrid é a nossa prioridade. Ligarmo-nos à Europa e, por isso, começamos com este troço [Poceirão-Caia], mas temos pressa e queremos que o concurso do próximo troço, que ligará Poceirão a Lisboa e que incluirá uma nova travessia do Tejo, possa ser lançado este ano", disse o chefe de Governo, que falava em Évora, na cerimónia de lançamento do concurso público do primeiro troço de alta velocidade Poceirão-Caia, numa extensão de 167 quilómetros, que vai custar 1450 milhões de euros. In ultimahora.publico.clix.pt, 02.06.2008, 16h26, Lusa

Comentário: fantástico país, fantástico governo! Nós todos, que somos um bando de parvos, em vez de voarmos para Madrid por 100 euros ida e volta, preferimos pagar o dobro só porque gostamos muito do Tê-Gê-Vê. Quem é que pega nesta para uma musiqueta: Portugal do Tê Gê Vê?

Anónima Diz:
2 Junho, 2008 às 5:08 pm

Quando o Alfa Pendular não está a funcionar a 100% e a Linha da Beira Alta está em revisão por anomalias graves, eu pergunto-me porquê o TGV? Dificilmente conseguirá atingir toda a sua potencialidade (se é que a mesma existe em Portugal).

É mais uma versão bacoca dos Estádios de Futebol do Euro’06, uma operação de cosmética para tentar fazer passar uma imagem surreal à Europa, de um país desenvolvido. In blasfemias.net (comentários)

Comentário: é curioso dizerem que o nosso modelo deve ser a Noruega, por exemplo, e esquecerem-se que na Noruega não há nem TGV nem auto-estradas (há uma!). Na Irlanda também não... É que el@s desenvolveram-se mesmo!


Estado gastou 485 milhões em negócio que valia um quinto

O Estado está a pagar por uma rede de comunicações do Ministério da Administração Interna um total de 485,5 milhões de euros, cinco vezes mais do que poderia ter gasto se tivesse optado por outro modelo técnico e financeiro. A conclusão vem num relatório escrito em Maio de 2001 pelo primeiro grupo de trabalho que estudou a estrutura desta rede de comunicações e a baptizou de Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP). Este sistema permitirá aos elementos das várias forças de segurança, dos serviços de informação, da emergência médica e da protecção civil comunicarem entre si.

O presidente desse grupo de trabalho, Almiro de Oliveira - um especialista em sistemas e tecnologias da informação com mais de 30 anos de docência universitária -, não consegue encontrar justificação para a discrepância de números, até porque o equipamento que foi adjudicado tem quase as mesmas funcionalidades do que aquele que idealizou.

"No nosso relatório prevíamos um investimento inicial entre 100 e 150 milhões de euros. A isso acrescentávamos dez por cento por ano, que corresponderia ao custo de exploração", precisa o professor universitário, que recorda que hoje, face à desvalorização da tecnologia, os valores do investimento inicial rondarão entre 70 e 105 milhões de euros. Quanto aos dez por cento de custos de exploração, Almiro de Oliveira sustenta que estes não estariam sempre a somar ao investimento inicial.

"Tínhamos como princípio base o princípio do utilizador-pagador, ou seja, cada entidade utilizadora do sistema pagaria uma factura de acordo com o seu tráfego. No fim de cada período, a entidade gestora ou tinha prejuízo ou lucro: se tivesse prejuízo esse valor somava-se ao investimento adicional, se tivesse lucro abatia", justifica o perito, consultor de empresas e da administração pública.

Almiro de Oliveira explica que só agora decidiu falar sobre o SIRESP porque nunca foi ouvido no inquérito aberto pelo Ministério Público (MP) à polémica adjudicação do sistema - feita pelo ex-ministro da Administração Interna Daniel Sanches, já quando o Governo de Santana Lopes se encontrava em gestão corrente. "Esperei três anos pelos trabalhos e conclusões das autoridades judiciais num Estado de Direito... Entendi falar agora por este ser um dever de cidadania", diz.

O inquérito, motivado por suspeitas de tráfico de influências e participação económica em negócio na adjudicação do SIRESP a um consórcio liderado pela Sociedade Lusa de Negócios (SLN), foi arquivado em Março deste ano. O relatório final do grupo de trabalho de Almiro de Oliveira também consta do "dossier", mas ninguém lhe deu importância. Nem os relatórios da Polícia Judiciária nem o despacho de arquivamento, assinado pelo inspector do MP Azevedo Maia, fazem qualquer referência ao documento. Nenhum dos membros que fizeram parte do grupo foi ouvido.

No despacho de arquivamento, Azevedo Maia admite que não se esgotou a produção de prova, mas considerou que mais não seria necessário para a sua decisão. Quanto ao comportamento do ex-ministro Daniel Sanches, o inspector descreve os vários cargos que este tinha no grupo SLN antes de entrar para o Governo, mas remata dizendo: "Não resulta porém dos autos que, ao proferir o despacho de adjudicação do concurso para a criação e implementação do SIRESP já durante o Governo de gestão, isso tivesse algo a ver com as suas ligações àquelas empresas do grupo SLN", a quem o sistema seria então adjudicado por 538,2 milhões de euros.

O ministro António Costa veio depois decretar a nulidade da adjudicação com base num parecer da Procuradoria-Geral da República, mas decidiu voltar a renegociar o contrato com o mesmo consórcio liderado pela SLN (onde também entraram a PT Venture, a Motorola e a Esegur). Retirando algumas funcionalidades ao sistema, Costa acabaria por adjudicá-lo por 485,5 milhões de euros. In publico.pt, 02.06.2008, 09h31


Milhões de luvas pagos nos CTT

Todos os negócios imobiliários feitos pela administração de Carlos Horta e Costa estão a ser passados a pente fino pela PJ e Ministério Público.

Políticos do PSD, PS e CDS (PP) estão sob suspeita. In Correio da Manhã, 30 de Maio, pag 20


TGV sempre! Saúde oral nunca!

Há precisamente um ano, o DN noticiava que a prestação de cuidados dentários nos centros de saúde era uma das propostas a equacionar para resolver o problema da saúde oral em Portugal. A hipótese era avançada por uma comissão técnica nomeada pelo então ministro da Saúde, Correia de Campos, perante o facto de 60% dos portugueses não ter acesso a tratamentos de saúde oral, um sector maioritariamente privatizado (mais de 90%).

Calcula-se que trabalhem no Serviço Nacional de Saúde apenas 20 médicos, mas os elevados custos que o reforço acarretaria "não seria racional. Temos perto de cinco mil consultórios e clínicas dentárias no País e mais de seis mil médicos inscritos na Ordem", refere. O problema fica resolvido elegendo alguns grupos especiais para os cheques, como as grávidas, idosos e crianças e "futuramente o resto da população, através de convenções".
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Este é um sector considerado fundamental - até pela Organização Mundial de Saúde - e sempre esteve excluído do Serviço Nacional de Saúde. In dn.pt, 02.06.08


Acordo?! Mas que acordo?

Neste país não há acordo nenhum!

Lisboa, 02 Jun (Lusa) - Isabel Pires de Lima defende que o governo deveria ter pedido uma moratória superior a seis anos para a aplicação do Acordo Ortográfico e aproveitar esse tempo para procurar um "consenso diplomático" para a sua revisão.

Durante o seu mandato, a ex-ministra da Cultura, hoje professora universitária e deputada do PS, preconizou uma moratória de 10 anos para a aplicação do Acordo.

Num artigo hoje publicado no Diário de Notícias, a ex-titular da Cultura apresenta "três ordens de razões" para a revisão do acordo:"razões técnico-linguisticas e culturais", "razões político-diplomáticas e culturais" e "razões económicas e culturais". In noticias.sapo.pt, 02 de Junho, 11:43

Comentário: o cretino do senhor primeiro-ministro, José Sousa, perdoe-me a indelicadeza, quiz apresentar escalpes e ofereceu-os poupando a casapiana que não terá história mas está a destruir a educação e por consequência o país. Mas vai-as pagar, pode ter a certeza, o senhor Sousa primeiro, porque o país é menos imbecil que aquilo que imagina.


Morreu Yves Saint Laurent

O costureiro francês Yves Saint Laurent morreu ontem com 71 anos, às 23h10, em Paris, anunciou a Fundação Pierre-Berge-Saint Laurent, sem avançar a causa da morte. Todos lhe chamam "o rei da moda" e é considerado o último da geração que, com Christian Dior e Coco Chanel, fez de Paris a capital da moda mundial.
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Nos anos 1960, Yves Saint Laurent desenhava já roupas que reflectiam a mudança do papel das mulheres na sociedade: mulheres mais confiantes, pessoalmente e sexualmente, e activas no mercado de trabalho. Em 1962, com 26 anos, iniciou a sua própria empresa, a YSL, financiada pelo seu companheiro Pierre Bergé, com quem viveu até 1976. Viria a retirar-se da alta costura em 2002 e estava doente desde então. "Encontrei o meu estilo através das mulheres", disse um dia. "A força e vitalidade do meu estilo vem daí porque eu desenho sobre o corpo de uma mulher".

Yves Saint Laurent mudou para sempre a roupa de mulher introduzindo fatos com calças, casacos de safari e camisolas, disse ontem à noite uma especialista em moda da BBC Razia Iqbal. Reconhecido como um grande inovador, ajudou a revitalizar a alta-costura ao mesmo tempo que produzia roupa para vestir no dia-a-dia. "França perdeu não apenas o seu maior costureiro mas também um ícone cultural", disse Razia Iqbal. Vestiram-no Catherine Deneuve, Paloma Picasso, Lauren Bacall e muitas mais mulheres elegantes e felizes. In publico.pt, 02.06.2008, 08h23


Pseudo-multiculturalismo

A decisão do tribunal francês de anular um casamento entre muçulmanos porque a mulher não era virgem, ao contrário do que dissera ao marido, é um absurdo e nada tem a ver com “multiculturalismo”, uma palavra que parece querer dizer tudo e coisa nenhuma. A exigência da virgindade feminina até ao casamento era normal nas sociedades cristãs até há muito poucas décadas (e ainda o é em alguns meios muito conservadores). Não se trata assim de um idiossincrasia de uma determinada cultura. A libertação sexual das mulheres foi uma conquista das sociedades modernas. E foi uma conquista cultural e política contra muitos dos que hoje fazem dos direitos das mulheres um cavalo de batalha para um choque de civilizações. E que conseguem manter um discurso completamente esquizofrénico conforme falam dos “outros” ou de “nós”.

Se a decisão tivesse partido, como já aconteceu num caso diferente na Alemanha, de algum tipo de respeito por diferenças culturais seria, apesar de tudo, mais grave. Porque significaria o abastardamento da ideia de tolerância, usando as mulheres muçulmanas para, na realidade, recuar nas liberdades que as mulheres aqui foram (sem consensos) conquistando. Retardar a liberdade das muçulmanas para recuar na liberdade das europeias. Mas não foi assim: a decisão deveu-se apenas a um fundamentalismo jurídico muito comum em magistrados e advogados. Como se a lei e a vida não tivessem de ter qualquer relação.

Esta decisão parte de um princípio: que sendo o casamento um contrato, mentir na celebração desse contrato é razão para a sua nulidade. Argumenta o marido: agiu “movido por um erro objectivo” que para ele “era determinante para seu consentimento”.

Na realidade, e com as devidas diferenças, ter a infidelidade como razão de culpa num divórcio não está longe deste princípio. É a ideia de que a lei pode e deve ser guardiã das condições pré-estabelecidas no casamento mesmo que estas sejam do domínio do que mais privado possa haver na vida das pessoas. Que a lei pode regular os afectos como se regula qualquer contrato. Como se vê por esta decisão, não bate certo com qualquer ideia de justiça, na relação que ela tem de ter com o senso comum.

Diz o promotor de Lille que o problema da virgindade centrou um pouco o debate mas que a questão central é o facto da jovem ter mentido. Na sua cegueira jurídica o magistrado não vê a evidência: que a mulher e o homem não estavam em pé de igualdade naquele contrato. Que ela não podia pedir o mesmo ao seu noivo. E a razão porque não o podia fazer nem é religiosa. O islão exige virgindade antes do casamento à mulher e ao homem. A razão é sempre a mesma: desigualdade objectiva entre as duas partes. Se a mentira, nos afectos, é um assunto que só às duas pessoas envolvidas pode dizer respeito, quando há um tamanho desequilíbrio de poder ela pode mesmo ser a única forma reequilibrar as forças.

A lei deve sempre proteger, antes de tudo, quem está mais desprotegido. E não deve ser um instrumento de institucionalização de desigualdades, mesmo que elas, em determinado momento e em determinados contextos, sejam aceites como naturais. Este é um bom caso para o recordar e fazer tocar alguns sinos em algumas cabeças. In arrastao.org, 1 de Junho

Comentário: esta história do pseudo-multiculturalismo na Europa ainda vai acabar em tragédia... Bem fazem os estado-unidenses...