2008/06/01

Não foi feito por investigadores do ISCTE

Geralmente sentem-se felizes, gostam da escola e do bairro onde vivem. Mas quase metade (45,8 por cento) das cinco mil crianças inquiridas em sete concelhos da Grande Lisboa dizem que sentem que a família tem dificuldades financeiras.

Apesar de serem raras as que afirmam que não têm comida em casa quando têm fome (2,4 por cento), só uma pequena parcela (12 por cento) costuma fazer uma refeição completa de sopa, prato e fruta ao jantar. O que, segundo um grupo de investigadores, indicia “potenciais problemas ao nível da dieta alimentar”.

Estes resultados foram obtidos num estudo titulado "Um Olhar Sobre a Pobreza Infantil - Análise das Condições de Vida das Crianças", elaborado por um grupo de investigadoras ligadas ao ISEG e ao Instituto de Apoio a Criança. Desta vez, o estudo não foi feito por investigadores do ISCTE nem foi patrocinado por estruturas do Ministério da Educação. Talvez por isso, os resultados do estudo incomodem tanto e sejam uma acusação grave à política económica, à política de família e à política educativa do Governo. Metade das crianças da Grande Lisboa só tomam uma refeição completa por dia. Não será isto isto um indicador de pobreza na infância? E reparem como a esmagadora maioria das crianças gosta da escola! Não serão os professores os primeiros responsáveis por as crianças gostarem da escola? Pode haver uma prova melhor do bom trabalho que os professores fazem na escola? O estudo conclui também que a disponibilidade dos pais para estarem e acompanharem as crianças constitui um factor que potencia a felicidade nas crianças. Que melhor argumento contra o arrepiante conceito de escola a tempo inteiro podíamos encontrar? Leia o resto no Público Online de hoje. In professoresramiromarques.blogspot.com, 1 de Junho, 14:02


Os modernaços do Pê Ésse e a escola

Chris Parry, líder da maior associação de escolas privadas do Reino Unido, a Independent Schools Council (ISC), afirmou que as escolas estatais britânicas estão cheias de crianças que não aprendem, pais ignorantes e negligentes e professores que gostariam de estar a ensinar noutro lado. Chris Parry afirmou, ainda, que há muitos alunos nas escolas estatais que são vítimas de bullying e de violência e que pouco ou nada se faz contra isso. Dessa forma, adiantou o líder da associação que agrupa 1300 escolas privadas, dificilmente podem almejar a entrada em boas universidades. Leia mais no Independent Online.
Comentário
A cena educativa britânica está a passar por transformações semelhantes às que ocorrem, em Portugal, de há três anos para cá. A cartilha é a mesma: um socialismo travesti e modernaço, de braços abertos ao grande capital financeiro e que nos quer fazer regressar a uma sociedade em que os fracos e desprotegidos ficam entregues à sua má sorte. Repare-se: em Portugal, nos últimos três anos, têm surgido colégios privados um pouco por todas as cidades do país. A investida do Governo contra os direitos dos professores e a desfiguração da profissão docente e da missão da escola vão afastar cada vez mais do ensino público os alunos da classe média. Com um paradigma de escola pública assistencial e a pressão das DREs para a criação de mais CEFs, em breve a mensagem de que as escolas do Estado são para os pobres e os colégios privados para quem tem aspirações a entrar nas melhores universidades se enraizará na opinião pública como, alias, já aconteceu no Reino Unido. E quando isso acontecer, os modernaços do Pê Ésse poderão finalmente afirmar que a escola pública é um imenso CEF e as despesas com a Educação regrediram. idem, 17:20

Comentário: Parry é um antigo almirante que entre muitas boas verdades tem algumas tiradas meio alucinantes, como o ensino à Matrix, que se pode ler no texto em inglês que está no final deste post. O governo inglês saiu em defesa dos professores e dos alunos. No entanto procura é esconder o facto, conhecido de todos, que só os alunos provenientes das famílias ricas que têm dinheiro para os pôr a estudar nos colégios privados é que chegam às boas universidades. Dentro dos colégios privados há uns absolutamente elitistas, como o Eton, que custam fortunas, e de onde saem governantes e grandes gestores britânicos. Blair e Brown completaram o ensino secundário nesses colégios.

Mr Parry's comments were dismissed as "a deeply misguided picture" by a spokesman for the Department for Children, Schools and Families. "It is frankly insulting to the hard-working and talented teachers and pupils in the state sector," the spokesman added. Paul Bignell In independent.co.uk, Sunday, 1 June 2008


A maioria das praxes são simbolicamente violentas

Finalmente vamos poder por fim às lamentáveis cenas a que se assiste no início dos anos lectivos na maioria das escolas do país?

A violência física é absolutamente condenável e ela assume várias formas . Mas com ou sem violência física, a maioria das praxes são simbolicamente violentas - quando por exemplo se obrigam alunos a ajoelharem, a transportarem correntes e latas amarrados aos pés, ou a repetirem frases obscenas.

Num momento em que tanto se fala de violência nas escolas seria bom falar-se também destas formas de violência.

Segolène Royal, enquanto ministra das escolas, fez aprovar uma lei que proibe as praxes em França.

Seria bom que em Portugal encontrassemos os meios para que no início dos anos lectivos as escolas de ensino superior não continuassem a ser palco de cretinice e violência! Ana Maria Bettencourt In inquietacaopedagogica.blogspot.com, 26.5.08


Professores na sopa dos pobres?

Luís Ferreira Diz:
Junho 1, 2008 at 1:06 pm

Chegou-me aos ouvidos que já existem professores a ir à sopa dos pobres. Esta notícia, se puder ser confirmada, é a maior prova da situação a que alguns já chegaram.

Eu até percebo como se pode chegar a este ponto. Se forem pessoas que, fazendo fé no compromisso que fizeram com o Estado, assumindo despesas com casa, filhos, etc, vendo os seus vencimentos a perderem valor relativamente ao custo de vida, não querendo, porque não podem, ir viver para debaixo da ponte, deixar de mandar reparar o automóvel, porque não funcionam sem ele, ou outras razões, eventualmente muito válidas, não lhes resta outra opção.

Assusta-me muito esta notícia, porque não considero que sejam apenas alguns. Dadas as circunstâncias, no plano inclinado em que todos nos encontramos, temo que, a ser verdade, o potencial de esses “alguns” passar a “muitos” é enorme. In educar.wordpress.com


Roupa é o principal motivo de troça

rendadebilros Diz:
Junho 1, 2008 at 3:56 pm

... pág. 70, 1 Junho 2008, Pública: “Roupa é o principal motivo de troça entre alunos nas escolas portuguesas.”

Isa: nós éramos três, a mesma situação, ninguém pedia nada, aceitava-se o que, na altura devida , nos compravam - o essencial! - Licenciámo-nos… E agora, quando chegar ao momento de me aposentar, vou ter que pensar de novo e sempre no que é muito essencial … sobretudo por causa da incerteza… Agora, vemos uns garotitos de três anos a entrar em qualquer lado e já vão a gritar ” eu quero isto e eu quero aquilo!” … e, quando vejo alunos meus ( e nem são os mais ricos!) a gabarem-se que tiveram de prendas valentes telemóveis que eu até fico de olhos arregalados, perco mesmo a fala… quer dizer que a ideia de “valores” que eu tenha a ideia de lhes transmitir, não colhem…

james Diz:
Junho 1, 2008 at 4:08 pm

…mas no meu tempo, felizmente não havia publicidade a apelar constantemente ao consumo desenfreado, cinco mil euros do pé pra mão, é só telefonar e pedir, ou como aquele slogan matraqueado incessantemente: “Segue o que sentes”. (Mais nada! tudo o resto que se lixe)
As mensagens publicitárias, que se deviam limitar a elogiar o produto que querem vender, cada vez mais transmitem valores que incentivam o consumo, o hedonismo, o prazer sem limites. A escola serve cada vez mais apenas como depósito de crianças e jovens, demitindo-se de transmitir conhecimentos e valores. Coitados, estão bem tramados… idem


Um brother inspirado

bigbrother Diz:
Junho 1, 2008 at 10:43 am

Para aqueles que pensam que a vida é eterna...

A jovialidade e a coragem da vida, características da juventude, devem-se em parte ao facto de estarmos a subir a colina, sem ver a morte situada no sopé do outro lado. Porém, ao transpormos o cume, avistamos de facto a morte, até então conhecida só de ouvir dizer. Ora, como ao mesmo tempo a força vital começa a diminuir, a coragem também decresce, de modo que, nesse momento, uma seriedade sombria reprime a audácia juvenil e estampa-se no nosso rosto. Enquanto somos jovens, digam o que quiserem, consideramos a vida como sem fim e usamos o nosso tempo com prodigalidade. Contudo, quanto mais velhos ficamos, mais o economizamos. Na velhice, cada dia vivido desperta uma sensação semelhante à do delinquente ao dirigir-se ao julgamento.

Para aqueles que pensam que a riqueza conduz à imortalidade...

As riquezas e as honras são objecto da ambição dos homens, mas se não podem ser alcançadas por meios rectos e honrados, cumpre renunciar a elas. A pobreza e as posições humildes merecem a aversão e o desprezo dos homens. Se delas não se pode sair por meios rectos e honrados, é mister neles permanecer. Se o homem abandona as virtudes humanitárias, como poderá merecer o nome que tem?
O homem superior não pode esquecer tais virtudes um momento que seja. Mesmo nas horas de maior apuro e confusão, deve pautar a sua conduta por elas.

Recuso-me a discutir com aquele que, pretendendo buscar a verdade, envergonha-se, ao mesmo tempo, de comer e vestir-se mal. Confúcio ibidem


O sonho da Rodrigues

Children will learn by downloading information directly into their brains within 30 years, the head of Britain’s top private schools organisation predicted today.
...
Pupils could seen have lessons, and even foreign languages, downloaded directly into their brains, just like in the Matrix

Mr Parry, a former Rear Admiral, spent three years determining the future strategic context for the military in a senior role at the Ministry of Defence.

He is now preparing the ISC’s 1,300 private schools, which collectively teach half a million children, for a high-tech future.

He told the TES that the Keanu Reeves thriller may not look like science fiction in 30 years’ time.

“Within 30 years, sitting down and learning something will be a thing of the past,” Mr Parry said.

"I think people will be able to directly access, Matrix-style, all the vocabulary you need for a foreign language, leaving you just to clear up the grammar."

In the film, The Matrix, characters could have all manner of information, skills and languages downloaded directly into their brains in a matter of seconds. In thisislondon.co.uk at 17:22pm on 30.05.08

Comentário: nem por acaso... Revi o Matrix no dia 29 num ciclo (de cinema) que está a acontecer na Cinemateca Portuguesa. É um mundo bem horroroso e feio o da Rodrigues, perdão... o do Matrix. De resto, a filosofia de trazer por casa que lá é veículada não cola. Dejá vu! Uma espécie de filosofia platónica aplicada à idade da informática...

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