2008/06/20

O Fim do Regime e o Tratado

O governo socialista está numa encruzilhada, diante da crise económica e social instalada e que não vai abrandar. Ou desce os impostos, mas com isso tem que remodelar o Governo e pode aguentar até ao fim da legislatura, ou, então, insiste na actual política de empobrecimento das classes médias e de destruição das PME e, desse modo, irá provocar uma crise política que, necessariamente, conduzirá, depois, a um governo de Bloco Central - uma inevitabilidade, para manter uma política de austeridade e uma polícia forte que mantenha a ordem nas ruas. Finalmente, sobre esse Bloco Central, pairará um Presidente da República mais interveniente e providencial. O problema é que esta deriva eanista de Belém pode bem, em vez de salvar o Sistema, arruinar o Regime.
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Desde o princípio defendi que o modelo do tratado reformador, sobre o qual se basearia a União Europeia, não deveria ser mais que um enunciado de dez ou quinze princípios sobre os direitos humanos, sociais e económicos e uma arquitectura institucional básica da União, documento verdadeiramente constitutivo dessa nova realidade política, à qual os Estados-membros aderiam, ou sobre o qual se faria um referendo europeu.

Tudo o resto seria remetido para legislação regulamentar a ser aprovada nos órgãos legislativos da União Europeia: o Conselho Europeu e o Parlamento Europeu.

Foi esta, aliás, a solução encontrada por Thomas Jefferson, quando o problema se colocou aos estados americanos, quando proclamaram a independência dos EUA e, também, não havia entendimento.

É certo que a ideia de uma "mini-Constituição" rompe com a tradição jurídico-constitucional francesa, na qual se inspiram os modelos continentais, nomeadamente a nossa. Mas, talvez seja o momento das elites políticas e académicas europeias, em vez de querem mudar o mundo, perceberem como ele funciona.

Acabou por vencer o pragmatismo. A Europa precisa de Tratado de Lisboa, ou seja, precisa de um modelo institucional que a torne mais operacional. A solução está à vista: os governos dos 27 continuarão as ratificações até ao final do ano e darão aos irlandeses condições exclusivas.

Era inevitável que a "Europa do directório" teria como contrapartida uma "Europa a várias velocidades".

Mas, isso não serve os propósitos hegemónicos de países como a Alemanha ou a França que, obviamente, querem, nas próximas décadas, ter uma palavra a dizer no mundo e que, para tanto, necessitam a União económica e politicamente relevante. Portanto, a questão do "minitratado" vai, mais tarde ou mais cedo, colocar-se: será a verdadeira Constituição da União Europeia e substituirá os tratados anteriores. Rui Teixeira Santos In semanario.pt, 2008-06-19, 23:13


Comentário

Se este regime de famílias e grupos estúpid@s e corrupt@s acabar, não vai deixar saudades. A questão é: o que vem substitui-lo e quem? Será uma boa altura para os Iberistas se assumirem e apresentarem as suas ideias.

Quanto ao Tratado, quem é que não tem consciência que o que na realidade está em jogo é o poder mundial, ou a procura dele, por parte da França e da Alemanha, já que UK se alia sempre aos USA, e assim será no futuro após o despedimento de Brown? Mas isso não é "o problema" pois a direita francesa é mais "esquerdista" do que, por exemplo, os socialistas portugueses. O relevante é a França não se prestar aos servicinhos da seita Bilderberg, da qual Angela Merkel e Barroso são seguidores convictos e Trichet um discreto apoiante.


É um problema...

"A Irlanda é um problema, mas se tivéssemos um segundo ou terceiro problemas, isso seria ainda mais difícil", acrescentou (Nicolas Sarkozy), a fim de sublinhar a necessidade dos parceiros irlandeses seguirem adiante.

Os dirigentes europeus, reunidos ontem em cimeira, tinham já decidido não fixar qualquer data limite à Irlanda ou a outros países para uma solução de saída de crise, após o "não" no referendo irlandês.

"É praticamente certo que não vamos fixar uma data limite, mas nem para a Irlanda nem para quem quer que seja", afirmou o primeiro-ministro esloveno, Janez Jansa, cujo país assegura actualmente a presidência da UE.

Jansa falou após a primeira jornada de uma cimeira de dirigentes europeus.

Estes últimos concordam que deve dar-se tempo a Dublin para analisar as razões da rejeição do tratado, há uma semana, mas alguns temem que o resultado seja fatal ao Tratado, à imagem do que aconteceu com a Constituição Europeia, em 2005, depois do chumbo de franceses e holandeses. In ultimahora.publico.clix.pt, 20.06.2008, 12h57, Lusa


As reservas checas

(ou a parte que falta à peça do Público)

Las reservas checas impidieron ayer que los jefes de Estado y Gobierno de la UE llegaran a un acuerdo sobre cómo mostrar su determinación a salvar el Tratado de Lisboa pese al rechazo de los irlandeses en el referéndum celebrado la semana pasada. Salvado el escollo de las ratificaciones, lo que queda es buscar soluciones para Irlanda, que quedaría como único país fuera del Tratado. En este aspecto, los 27 dan tiempo a Irlanda, para que, tras realizar consultas internas y con el resto de miembros, proponga una solución. ELPAÍS.com / AGENCIAS - Madrid / Bruselas - 20/06/2008


El sueño de una Europa

El sueño de una Europa relamente social se ha esfuamdo ante una Europa politiquera, neo-esclavista, demagógica, clasista, que trocea a otros países (el caso yugoslavo), que mira hacia al este en alianza con Estados UNidos para cercar a Rusia (con sus intentos de extender la OTAN sobre Ucrania, Bielorrusia, Georgia, etc, etc. El sueño hitleriano de un gran imperio político a imitacion del sacro imperio romano-germáncio parece ser su objetivo a medio y largo plazo. Creo que olvidan las lecciones de la historia que ha sumido a la propia Europa en sangrientos conflictos. RAMÓN Nos comentários de elpais.com, 20-06-2008, 18:25:50h


PROVA DO 2º CICLO DE 2008 IGUAL À DO 1º CICLO DE 2007?

«Já algumas (muitas vezes) dissemos aqui que a ministra da educação pratica todos os dias o crime de condenar gerações a uma vida de dificuldades e um país à pobreza eterna. Isto parece exagero, mas aquilo que o ministério da educação faz é exactamente isso. E hoje vamos prova-lo com dados públicos.

O facto é que perante as acusações de andar a facilitar para ter bons resultados, a ministra continua a negar dizendo que está a obter as melhores classificações de todos os tempos a matemática. Isso parece inquestionável, mas de que matemática está ela a falar.

Pois bem, aqui o camarada Toni (por ter o filho mais velho envolvido em provas de aferição) foi investigar um pouco das provas de aferição que o Ministério da Educação da República Portuguesa realizou este ano e no ano anterior. Pois bem, este ano encontrou na prova do 2º ciclo (2º do preparatório, segundo indicação do camarada tourais) a seguinte questão(clicar para aumentar) para, imagino, que o ministério da educação avalie se os alunos do 2º ciclo sabem fazer contas com fracções a partir de um boneco.

Dir-me-á o camarada leitor que tudo isto lhe parece demasiado fácil para um(a) marmanjo que anda no 2º ano, já com barba quase a crescer ou soutien de copa C. E é, parece que o ministério anda mais à procura de ter bons resultados que aferir o que quer que seja. E até aqui só parece.

A ministra Maria de Lurdes pode sempre alegar que os técnicos (esses génios da ciência moderna conhecidos por revogar a lei de Lavoisier nos exames portugueses) acham que esta é a melhor forma de aferir os conhecimentos e que é completamente falso que se diga que o ministério anda à procura de bons resultados e não de educar quem quer que seja.

Mas, sejamos um pouco mais inquisidores e vejamos a prova de aferição do 1º ciclo em 2007 (4ª classe) que o camarada leitor poderá ver a questão 5 que para aqui copiámos(clicar para ampliar). Pois é, camarada leitor, o mesmo problema, com algumas variações, servia em 2007 para aferir dos conhecimentos dos alunos do 1º ciclo, não do 2º ciclo. Assim, este ano só se pedia nesta parte que os alunos do antigo 2º ano tivessem conhecimentos ao nível da 4ª classe.

E dir-me-á o camarada leitor “mas oh Toni, os tipos do 2º ciclo não devem saber as coisas do 1º ciclo” ao que aqui o camarada Toni responderá ao camarada leitor “oh, caramelo, quantas vezes na tua vida escolar tiveste essa balda?”.

O facto é que assim se demonstra que os serviços da ministra Maria de Lurdes andam a facilitar ostensivamente nas provas de matemática para que a gaja venha encher a boca com números que não correspondem à realidade do conhecimento dos miúdos.

Num blog sério, que não é claramente o nosso caso, estaríamos aqui a pedir a demissão da ministra que, como todos sabem, equivale a sair do ministério para um canto qualquer bem pago onde passará o resto da sua pequenina vida profissional. Como não somos, mesmo um blog sério, quero o couro da gaja! Quero que seja condenada a uma vida de doméstica, com um lenço na cabeça a lavar chão de joelhos!» In tonibler.blogspot.com, 30 Maio 2008, copiado para o blasfemias.net, 18 Junho, 2008 às 4:58 pm


Ainda a matemática...

Tenho vários amigos e familiares que são professores de Matemática. No final da manhã, a indignação tomou conta de todos eles após verificarem que a prova de Matemática do 9º ano era de uma facilidade extrema. Nunca tinham visto uma prova assim. Foi, sem dúvida, a prova de Matemática mais fácil da história dos exames em Portugal. O GAVE caiu no ridículo com esta prova. Perdeu a credibilidade que conquistou com o árduo e sério trabalho de Glória Ramalho. É de esperar que haja muito perto de 100% de positivas. Assim, anda-se a enganar os alunos e as famílias. Quando o ensino e os exames estão condicionados por agendas políticas e propagandísticas, quem perde é o país. Não era preciso ir tão longe para justificar os 9 milhões de euros gastos com o Plano da Matemática. Para saber se esse investimento teve algum retorno, é preciso esperar pelos resultados do PISA. Estes exames não têm credibilidade nenhuma e não permitem comparar nada. Estranha-se o silêncio da APM. Se é professor de Matemática, envie-me o seu depoimento... In professoresramiromarques.blogspot.com, 20 de Junho, 13:43


Parecer da SPM.


Antena 2 contaminada

Rui Pêgo e João Almeida habituados à lógica comercial das rádios por onde passaram, logo que foram postos a dirigir a Antena 2, não descansaram enquanto não a contaminaram de uma carga considerável de factores de poluição auditiva. Refiro-me à abundante e oca verborreia, ainda por cima numa deficiente e reles dicção, do inenarrável "Império dos Sentidos" (a propósito, já pagaram direitos de autor ao cineasta Nagisa Oshima?), a outras aberrações da grelha como "Fuga da Arte" e "Vias de Facto", e muito especialmente aos massacrantes jingles e sopts, disparados a todo o momento.

Um dos sopts que já deve ter passado milhares de vezes, desde que a grelha foi reformulada em Março último, é aquele em que puseram um trecho de uma composição de Bach, mais concretamente do Allegro inicial do concerto para violino e orquestra de cordas, BWV 1042, em cima do qual se nomeiam pintores, museus e salas de concertos, terminando com a indicação de uma frequência hertziana da Antena 2 e o slogan "Antena 2: a arte que toca".

Ora se a utilização de uma obra do divino Bach num spot promocional já revela uma certa leviandade e – porque não dizê-lo – uma sintomática falta de respeito e de deferência pelo superlativo legado do mestre de Köthen (digo Köthen porque foi nessa pequena cidade alemã que, entre 1717 e 1723, o genial Johann Sebastian compôs, para o príncipe calvinista Leopold, o concerto em causa e, bem assim, boa parte do seu acervo de obras instrumentais, de que destaco as suites para violoncelo solo), mais grave ainda é a repetição recorrente e sucessiva do referido spot.

E isso é feito quase sempre a intervalos de uma hora (às vezes menos), pelos locutores de continuidade, presumo eu que não por alguma obsessão sadomasoquista que deles se tenha apoderado (embora alguns evidenciem já terem adquirido um tique subliminar e mecânico, com as inevitáveis situações em que metem os pés pelas mãos), mas em obediência a ordens expressas da dupla Rui Pêgo / João Almeida.

Dois indivíduos que, imbuídos da euforia de quem descobriu a pólvora, se não têm poupado a esforços na "nobre missão" de "modernizar" a "vetusta" Antena 2, afastando profissionais de incontestada competência e preparação intelectual para dar lugar a imberbes e amigos medíocres e, como se isso não bastasse, introduzindo na antena uma série de "inovações" de que, em boa verdade, ela nunca precisou para prestar um serviço de reconhecida qualidade e que mais não são do que espartilhos que a não deixam respirar e que efectivamente apenas a têm reduzido a uma triste sombra do paradigma de excelência que já foi o seu timbre.

E uma das "inovações" introduzidas são precisamente os blocos promocionais, ao virar de cada hora, como que dando-se a entender aos ouvintes que optam pela Antena 2: «Ah! não querem ouvir os noticiários e os anúncios comerciais das outras, pois nem por isso se livram de gramar com umas boas cartuchadas de publicidade institucional e, claro está, os nossos spots autopromocionais.

Já os ouviram muitas vezes? Paciência. Os ouvintes das privadas também ouvem milhentas vezes os anúncios do BES e de outras banhas da cobra e não se queixam. O nosso conceito de serviço público é assim, e é para quem quer. Quem não está satisfeito vá dar uma volta ou ponha a tocar CDs!».

Agora falo eu: pois, pois, mas para tocar CDs eu não precisava de desembolsar a taxa do audiovisual (20.52 euros anuais + IVA), montante a que acrescem ainda avultadas verbas do Orçamento Geral do Estado (provenientes dos nossos impostos, directos e indirectos), ao abrigo do contrato de concessão de serviço público. Então, em que ficamos?

Presumindo que Rui Pêgo e o seu adjunto João Almeida não tenham uma resposta (razoável e convincente) para me dar, eu intercedo junto do Provedor do Ouvinte para que se digne apreciar este assunto. Devo dizer que até possuo uma razoável colecção de CDs (e ficheiros áudio) e é claro que não me faz mal nenhum dar-lhes uso frequente, mas enquanto contribuinte (coercivo) para a estação do Estado não abdico do direito que me assiste de reivindicar uma rádio livre das adiposidades que, além de serem perfeitamente inúteis e supérfluas, têm ainda a agravante de constituírem um insuportável factor de saturação e cansaço para os nossos ouvidos.

No caso concreto da sublime música de J. S. Bach, que serviu de mote a esta reclamação, eu jamais aceitaria que, por causa de uns irresponsáveis e ineptos, colocados por engano aos comandos da Antena 2, lhe ganhasse anticorpos de rejeição, por saturação e pela banalização e achincalhamento a que a mesma vem sendo criminosamente submetida. Tivessem escolhido qualquer coisa de Philip Glass que já não me queixaria de achincalhamento mas, em todo o caso, não deixaria de me insurgir contra a poluição sonora.

Em conclusão: que os actuais inquilinos da direcção de programas nos devolvam uma rádio clássica devidamente higienizada e limpa do lixo com que a conspurcaram! Ou então, se estão agarrados ao poleiro que nem lapas e não têm a hombridade de se irem embora pelos seus próprios pés, que a administração da Rádio e Televisão de Portugal e a tutela governamental tenham a clarividência e o bom senso de os apear e de entregar os destinos da rádio clássica a alguém mais capaz e competente. Álvaro José Ferreira (recebido por e-mail)

e-mail: criticademusicaATyahooPUNTOfr