2008/05/07

Bob Geldof diz que Angola é gerida por criminosos

Repare bem: no mesmo dia em que Alípio Ribeiro se demite da PJ, o procurador-geral da República reconhece fracassos no combate ao enriquecimento ilícito; as polícias são das áreas com maior risco de corrupção, diz um estudo que inclui também as autarquias e construtoras na lista negra; a direcção do Boavista cai, com o clube à beira da extinção sob fortes indícios de descapitalização (fraudulenta) do clube.

Bob Geldof diz que Angola é gerida por criminosos e Bruxelas processa Portugal por desrespeito em apoios a projectos turísticos, horas antes de a CMVM acusar o BCP de ter mentido. Se este "cocktail" não o deixa assustado, saiba uma última notícia que o deixará: ontem não foi um dia muito diferente dos outros. Pobre país o nosso.
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Alípio Ribeiro demite-se porque a Polícia Judiciária está a ficar sem meios, sem resultados, sem autoridade e sob dependência do Governo. Fê-lo expondo-se ao ridículo para, na melhor das hipóteses, mostrar o quão ridicularizada está a ser a Judiciária. Mas julgar Alípio Ribeiro pelo que está a suceder é como ver a árvore e não a floresta que está a arder. Quem deve estar sob julgamento é José Sócrates e Alberto Costa, pelo que fizeram e sobretudo pelo que vão agora fazer. Ou pelo que não vão fazer.

PS: O discurso de Bob Geldof num almoço ontem em Lisboa foi empolgante, muito aplaudido, arrancou risos, olhares de consternação e sentimentos de culpa de cidadãos de um país rico que tem um continente com fome a poucas dúzias de quilómetros. Mas só uma vez a plateia se mexeu nervosamente na cadeira: quando a estrela do Live Aid disse que Angola é um país rico e governado por criminosos. A frase caiu como uma bomba numa sala repleta de "relações empresariais" com um país cheio de oportunidades e cheio de dinheiro.

Todavia, o discurso de Bob Geldof deveria ter provocado incómodo maior que esse. O incómodo de uma Europa egoísta nas ajudas a terceiros, arrogante na imagem que faz de si mesma e incapaz de ver a sua própria decadência política e económica num mundo em reequilíbrio. Esse incómodo não se destina a outros povos mas às nossas consciências. Contudo, elas rapidamente ficaram sossegadas depois do almoço e voltaram à vidinha logo depois. Mudar de vida? Mude quem canta rock! Pedro Santos Guerreiro in jornaldenegocios.pt (7 Maio 2008 15:01)

Estou em crer que ainda vai surgir uma petição à UE para que nomeie um directório que governe Portugal... Mal por mal...

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